Regional Tocantins do MIQCB participa de capacitação sobre políticas de garantia de preços para extrativistas em Esperantina

Formação reuniu extrativistas e agricultores familiares para ampliar acesso ao PGPM-Bio e ao cadastro nacional de produtores

Fotos por Amanda Xavier

A Regional Tocantins do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB) participou, nos dias 10 e 11 de abril, da capacitação voltada a produtores rurais, extrativistas e comunidades tradicionais sobre o Programa de Garantia de Preços Mínimos (PGPM), realizada no município de Esperantina (TO).

A atividade, promovida pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em parceria com o Instituto Federal do Maranhão (IFMA), teve como foco fortalecer o acesso de comunidades da sociobiodiversidade a políticas públicas que asseguram renda mínima para produtos extrativistas.

Durante a formação, foram abordados temas como o PGPM-Bio, política voltada especificamente para produtos da sociobiodiversidade, e o Sistema de Cadastro Nacional de Produtores (SICAN), ferramenta essencial para que extrativistas possam acessar os benefícios oferecidos pelo programa.

A programação aconteceu na Escola Família Agrícola (EFA), reunindo participantes de diferentes territórios, em um espaço de troca de saberes e fortalecimento das estratégias de organização produtiva.

A presença da Regional Tocantins do MIQCB reafirma o compromisso do movimento com a ampliação do acesso das quebradeiras de coco babaçu às políticas públicas que valorizam o trabalho extrativista e garantem melhores condições de comercialização.

Segundo a coordenadora da Regional Tocantins do MIQCB, Silvana Paixão, a formação teve um impacto direto na motivação e no fortalecimento das quebradeiras de coco em seus territórios.

“A formação da Conab em parceria com o IFMA foi muito importante para as quebradeiras de coco nas comunidades e nos territórios. A participação nesse curso sobre o PGPM-Bio, voltado ao extrativismo, foi um grande incentivo para todas nós. As mulheres se sentiram mais motivadas com essa capacitação, e isso fortalece cada comunidade, porque levamos esse aprendizado para nossos territórios, incentivando outras companheiras a valorizar o extrativismo do babaçu.

Essa formação também contribui para melhorar nossa renda, especialmente com a valorização da amêndoa do babaçu, e amplia nossa capacidade de atuar na organização da produção e na comercialização. É muito importante ver a Conab, junto com os movimentos sociais, como o MIQCB, fortalecendo essa cadeia produtiva e valorizando o extrativismo em toda a região do Bico do Papagaio.”

A capacitação também contribuiu para ampliar o entendimento sobre os procedimentos de acesso às políticas públicas, fortalecendo a atuação das lideranças locais e incentivando a organização coletiva como estratégia para garantir direitos.

A iniciativa integra um conjunto de ações que buscam aproximar políticas institucionais das realidades dos territórios, promovendo inclusão produtiva, justiça social e valorização dos modos de vida tradicionais.

Depois de duas décadas de espera, quilombo no Maranhão avança na luta pela titulação do território

Levantamento fundiário realizado pelo Incra reacende esperança em Monte Alegre e Olho D’Água dos Grilos, onde memória, resistência e ancestralidade caminham juntas

Entre os dias 7 e 10 de abril, técnicos do Incra Maranhão cruzaram caminhos de terra, quintais e histórias no território quilombola de Monte Alegre e Olho D’Água dos Grilos. A atividade, conduzida pelas divisões quilombola e de cartografia do órgão, marcou mais uma etapa decisiva em um processo que se arrasta há mais de 20 anos: o reconhecimento e a titulação definitiva do território.

O levantamento fundiário, etapa essencial para a conclusão do Relatório Técnico de Identificação e Delimitação (RTID), representa um dos momentos mais importantes do processo de regularização. É a partir dele que o Estado delimita oficialmente a área ocupada pelas comunidades quilombolas, passo indispensável para a titulação coletiva da terra.

Para os moradores, no entanto, o que está em jogo vai muito além de um procedimento técnico.

Desde 2004, as comunidades de Monte Alegre e Olho D’Água dos Grilos reivindicam o direito ao território. Ao longo dessas duas décadas, a espera foi marcada por incertezas, atrasos e perdas irreparáveis.

“É triste ver quantos já se foram sem realizar esse sonho”, diz dona Beatriz, uma das matriarcas vivas do território. Ela cita nomes que permanecem na memória coletiva: Dijé, Nazir, Vitalina, Cassiano. “Mas também nunca me senti tão alegre nos últimos anos. Agora a gente é tratado com respeito, tem informação, tem resposta. A gente vê que está andando.”

O sentimento compartilhado por ela traduz uma mudança de percepção dentro da comunidade, não apenas sobre o processo, mas sobre a postura institucional do Estado.

Coordenando as atividades em campo, o antropólogo Lucas Gariani, servidor da divisão quilombola do Incra, enfatizou que a regularização não é uma concessão, mas uma obrigação constitucional.

“Os direitos quilombolas estão garantidos na Constituição Federal. Dar andamento correto a esse processo, depois de 21 anos de erros e omissões, é um dever dos servidores públicos que atuam nessa área”, afirmou durante reunião com os moradores.

A fala ecoa uma cobrança histórica dos movimentos sociais, de que o Estado não apenas reconheça, mas efetivamente cumpra seu papel na reparação de direitos territoriais.

Mulheres do babaçu e a força da resistência

Parte fundamental dessa trajetória é protagonizada pelas mulheres quebradeiras de coco babaçu, organizadas no Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB).

O extrativismo do babaçu, aliado à luta pelo “babaçu livre” e pela agroecologia, tem sido um dos pilares que sustentam a permanência das famílias no território. Mais do que uma atividade econômica, trata-se de um modo de vida.

Para Maria Alaides, coordenadora geral do MIQCB, o momento vivido durante o levantamento vai além de uma agenda institucional.

“Não foi só uma reunião. Foi uma celebração da ancestralidade, das memórias que nos lembram por que lutamos e de onde vem nossa força. É sobre o bem viver coletivo”, afirma.

Do ponto de vista jurídico, o território já acumula conquistas importantes. Segundo a assessora jurídica do MIQCB, Renata Cordeiro, decisões judiciais determinaram que o Incra avance na conclusão do processo de titulação.

“O Incra tem demonstrado boa-fé no cumprimento dessas decisões e vem estruturando suas ações dentro da política quilombola. Mas cabe ao movimento continuar monitorando e denunciar caso novas omissões ocorram”, destaca.

A vigilância constante dos movimentos sociais segue sendo uma peça-chave para evitar retrocessos.

Com aproximadamente 2.800 hectares, Monte Alegre enfrenta pressões que revelam a complexidade da disputa territorial no campo brasileiro. Entre os principais desafios estão conflitos associados ao racismo estrutural, à expansão da pecuária e à venda ilegal de terras.

Essas práticas ameaçam não apenas a posse da terra, mas o próprio modo de vida da comunidade.

A titulação, quando concluída, garantirá que o território seja reconhecido como coletivo, indivisível, impenhorável e transmitido entre gerações, assegurando o direito de cerca de 110 famílias quilombolas.

Enquanto técnicos medem áreas e atualizam registros, a comunidade reafirma algo que não cabe em mapas: a dimensão simbólica e política do território.

Ali, cada roça, cada palmeira de babaçu e cada memória compartilhada compõem um projeto de futuro que se sustenta no passado e se projeta na permanência.

Depois de mais de duas décadas de espera, Monte Alegre e Olho D’Água dos Grilos seguem firmes, entre o peso da história e a esperança concreta de ver, enfim, seu território reconhecido.

Quebradeiras de Coco Babaçu denunciam violações de direitos e cobram políticas públicas no Bico do Papagaio

Seminário reuniu lideranças, mulheres idosas e juventude em Esperantina (TO) e resultou em carta pública por dignidade, mobilidade e reconhecimento

Fotos por Amanda Xavier

No dia 26 de março de 2026, a Vila Tocantins, no município de Esperantina (TO), se tornou ponto de encontro de saberes, memórias e reivindicações. Reunidas em um seminário sobre intergeracionalidade com ênfase na velhice, mulheres quebradeiras de coco babaçu, lideranças comunitárias, agricultores familiares e jovens fortaleceram um diálogo urgente sobre direitos e dignidade na região do Bico do Papagaio.

A atividade, organizada pelo Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB), em parceria com a Cooperativa COAF-Bico e o Sindicato Regional dos Trabalhadores Rurais (SRTR), aconteceu junto ao encontro “Quebradeiras de Coco de Babaçu unidas pela vida e pelo bem viver: Feminicídio Nunca Mais!”. O espaço destacou o papel das mulheres idosas como guardiãs de saberes ancestrais e protagonistas históricas da luta por território e direitos.

Durante o seminário, as participantes reafirmaram a importância da troca entre gerações como base para a continuidade da cultura e da resistência dos povos agroextrativistas. “São as mais velhas que sustentam nossa memória e nossa luta. Sem elas, não há caminho”, sintetiza o espírito do encontro.

Como resultado das discussões, os movimentos divulgaram uma carta pública denunciando violações de direitos e apresentando reivindicações ao poder público. Entre os principais pontos está a dificuldade de acesso à gratuidade no transporte interestadual e intermunicipal, direito frequentemente negado às pessoas idosas e também à juventude beneficiária do ID Jovem.

Segundo os movimentos, essa barreira compromete o acesso a serviços básicos, dificulta a mobilidade e reforça o isolamento social, especialmente em territórios rurais. “A falta de respeito a esses direitos impede a plena cidadania e agrava desigualdades históricas na região”, aponta o documento.

A carta também destaca a necessidade urgente de ampliação de políticas públicas voltadas à população idosa. Os movimentos chamam atenção para o papel econômico das aposentadorias nos pequenos municípios, que movimentam o comércio local e sustentam famílias inteiras. Para eles, esse impacto deveria ser reconhecido pelo Estado com investimentos concretos em saúde, assistência social, mobilidade e qualidade de vida.

Mais do que uma denúncia, o documento é um posicionamento político coletivo. As organizações reafirmam que a dignidade das pessoas idosas não pode ser tratada como favor, mas como um direito garantido. Também reforçam a centralidade das mulheres quebradeiras de coco babaçu na construção de alternativas baseadas no bem viver, na justiça social e na preservação dos territórios.

Ao final, a carta convoca a sociedade e o poder público a reconhecerem as vozes desses sujeitos históricos e a se comprometerem com mudanças estruturais. “Seguiremos firmes, tecendo redes de solidariedade e resistência”, afirmam.

A publicação da carta marca mais um capítulo na trajetória de luta do MIQCB e das organizações do Bico do Papagaio, que seguem articuladas para garantir direitos, visibilidade e respeito às populações tradicionais da região.

Quebradeiras de Coco Babaçu fortalecem a defesa dos territórios em curso que reúne mulheres de quatro estados

Segundo módulo reúne 58 integrantes e consolida formação em governança, direitos e proteção dos babaçuais

Fotos por Amanda Xavier

Entre os dias 17 e 20 de março, o município de Araguatins (TO) sediou o II Módulo do Curso de Formação em Governança e Direitos Territoriais, promovido pelo Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB). Ao todo, 58 integrantes dos estados do Maranhão (MA), Piauí (PI), Tocantins (TO) e Pará (PA) participaram da formação, voltada ao fortalecimento da organização coletiva e da defesa dos territórios tradicionais.

O curso integra o Projeto Baqueli e conta com o apoio da Tenure Facility. A iniciativa faz parte de um processo formativo contínuo direcionado às mulheres extrativistas que vivem dos babaçuais. Mais do que um espaço de aprendizado, a formação se consolida como estratégia de fortalecimento diante dos desafios enfrentados nos territórios, como conflitos fundiários, avanço do agronegócio e restrições de acesso às áreas de coleta.

Neste segundo módulo, foram aprofundados temas como governança comunitária, direitos territoriais, legislação ambiental e organização política. A proposta articula conhecimento técnico com saberes tradicionais, partindo da realidade vivida pelas próprias quebradeiras.

As atividades incluíram rodas de conversa, estudos coletivos e dinâmicas práticas, como exercícios de cartografia social. A partir dessas ferramentas, as participantes mapearam seus territórios, identificando potencialidades e ameaças, o que contribui diretamente para o fortalecimento de estratégias locais de defesa.

A coordenadora de base do MIQCB no regional Piauí, Maria de Jesus, conhecida como Janete, destaca a importância desse processo ao longo do tempo: “Tem sido um espaço de crescimento contínuo. É de grande importância para nós, porque estamos desenvolvendo um estudo fundamental para garantir a preservação e a sustentabilidade dos nossos territórios”, afirma.

Ela também ressalta a importância de incorporar novos conhecimentos ao trabalho nas comunidades: “A gente realizou atividades, buscou outras referências e passou por uma formação em cartografia social para aplicar nos territórios. A partir disso, levamos esse conhecimento para as comunidades, identificando tanto as potencialidades quanto às ameaças presentes.”

Troca entre territórios fortalece o movimento

O segundo módulo também marcou um momento de aprofundamento e articulação entre os diferentes estados. A troca de experiências permite que as participantes reconheçam desafios comuns e fortaleçam respostas coletivas.

Para Silvana Paixão, coordenadora de base do MIQCB no regional Tocantins, sediar o encontro foi uma experiência significativa: “Foi muito gratificante receber os outros estados do nosso movimento. Nos reunimos para falar dos nossos territórios, do fortalecimento das quebradeiras e de tudo que cada uma vem construindo em suas comunidades.”

A organização do encontro exigiu mobilização e trabalho coletivo: “Foi um processo que gerou preocupação, aquele receio de algo não sair como o planejado. Mas também confiamos na força do trabalho coletivo e na dedicação de cada uma para que tudo desse certo”, relata.

Ao final, a avaliação é positiva: “Pela minha observação, deu certo. Foi uma experiência muito positiva e acredito que ninguém saiu insatisfeito.”

Conhecimento como estratégia de defesa

O curso parte do entendimento de que o acesso à formação é essencial para a defesa dos territórios tradicionais. Ao abordar temas como legislação, políticas públicas e organização comunitária, amplia a capacidade das quebradeiras de atuar em processos de decisão e na reivindicação de direitos.

Nesse contexto, o campo jurídico também integra a formação como ferramenta estratégica. A atuação da equipe jurídica do MIQCB contribui para que as participantes compreendam e utilizem instrumentos legais na proteção de seus territórios.

A advogada Renata Reis, da coordenação jurídica do movimento e responsável pelas ações do projeto, destaca:

“As quebradeiras de coco são produtoras de práticas e conhecimentos jurídicos que vêm sendo, pouco a pouco, integrados ao conjunto de normas que orientam o Estado e a sociedade brasileira no reconhecimento e na garantia dos modos de vida dessas mulheres. Um exemplo emblemático são as leis do babaçu livre, que dialogam com políticas ambientais, fundiárias, agrárias, para mulheres e apontam para uma política nacional de proteção dos territórios tradicionais. O curso de formação é um instrumento de registro e partilha desse acúmulo entre gerações, além de orientar a ação política do movimento.”

O II Módulo reafirma a formação continuada como uma estratégia central do MIQCB. A expectativa é que os próximos encontros ampliem esse processo, fortalecendo a atuação das quebradeiras em seus territórios e consolidando uma rede articulada entre diferentes estados.

Mais do que uma etapa formativa, o curso se firma como um instrumento de permanência, um espaço em que o conhecimento se transforma em prática e onde a defesa do território se constrói coletivamente.

O curso contará ainda com mais dois módulos, com a formatura da turma prevista para junho de 2026.

Moção de apoio da Rede Cerrado à imediata aprovação do decreto de regularização fundiária dos territórios de povos e comunidades tradicionais

A XIV Assembleia Geral Ordinária da Rede Cerrado, com a participação de suas organizações associadas de todo o Cerrado, reunidas em Brasília no dia 25 de março de 2026, manifesta seu firme e inadiável apoio à aprovação e assinatura do Decreto de Regularização Fundiária dos Territórios de Povos e Comunidades Tradicionais.

Reconhecemos que a minuta do decreto, construída com ampla participação social e institucional, estabelece procedimentos claros para o reconhecimento e a regularização fundiária dos territórios tradicionalmente ocupados, reafirmando direitos já assegurados pela Constituição Federal, pela Convenção nº 169 da Organização Internacional do Trabalho e pelo Decreto nº 6.040/2007.

Trata-se de um instrumento essencial para enfrentar uma lacuna histórica do Estado brasileiro, garantindo segurança jurídica, proteção territorial, valorização dos modos de vida e o usufruto coletivo e sustentável dos recursos naturais pelos Povos e Comunidades Tradicionais.

A Rede Cerrado e suas organizações reconhecem que a regularização fundiária dos territórios tradicionais é de interesse social e condição indispensável para assegurar direitos territoriais, sociais, culturais, econômicos e ambientais, bem como para prevenir conflitos fundiários, conter processos de desterritorialização e fortalecer a justiça social no campo brasileiro.

Destacamos ainda que os Povos e Comunidades Tradicionais desempenham papel estratégico na conservação dos biomas brasileiros, na proteção da sociobiodiversidade e no enfrentamento das mudanças climáticas, sendo guardiões de territórios fundamentais para o equilíbrio ambiental do país.

Diante disso, denunciamos a morosidade no encaminhamento do decreto e afirmamos que o tempo político não pode se sobrepor ao tempo da vida. Cada dia sem a efetivação desse instrumento representa territórios ameaçados, direitos violados e vidas em risco. Com o grave fato de que os prazos não estão sendo respeitados como foi acordado em reunião realizada no dia 13 de março de 2026 no Palácio do Planalto durante encontro de alinhamento com as Secretarias Executivas e assessorias jurídicas do MDA, MMA e MGI.

Assim sendo, a Rede Cerrado delibera pelo apoio integralmente à minuta do Decreto de Regularização Fundiária dos Territórios de Povos e Comunidades Tradicionais, solicitando sua imediata tramitação e assinatura pela Presidência da República, recomendando ainda a priorização absoluta do tema no âmbito da Casa Civil e dos ministérios envolvidos, reafirmando o compromisso do Estado brasileiro com os direitos territoriais dos Povos e Comunidades Tradicionais e reconhecendo a urgência da regularização fundiária como condição para o bem viver, a justiça territorial e a sustentabilidade socioambiental.

Por fim, a Rede Cerrado e suas organizações associadas se somam à luta histórica dos Povos e Comunidades Tradicionais do Brasil e afirmam, com clareza e firmeza, que não há desenvolvimento rural sustentável sem território, sem direitos e sem justiça.

Brasília, 25 de março de 2026.

Rede Cerrado
Brasília, março de 2026

Abaixo as organizações filiadas à Rede Cerrado que assinam esta moção:

  1. A Vida no Cerrado
  2. Agência 10envolvimento
  3. Alternativas para a Pequena Agricultura no Tocantins
  4. Animação Pastoral e Social no Meio Rural
  5. Articulação Pacari – Plantas Medicinais do Cerrado
  6. Articulação Rosalino Gomes de Povos e Comunidades Tradicionais
  7. Associação Alternativa Terrazul
  8. Associação Amanu – Educação, Ecologia e Solidariedade
  9. Associação Camponês – ACÁ
  10. Associação Central das Comunidades Veredeiras
  11. Associação Comunitária dos Artesãos do Bairro São Raimundo
  12. Associação de Desenvolvimento Comunitário do Caxambu
  13. Associação de Mulheres Trabalhadoras Rurais de Buriti do Tocantins
  14. Associação de Trabalhadores Rurais do Vale do Corda
  15. Associação dos Apicultores do Bico do Papagaio
  16. Associação dos Retireiros do Araguaia
  17. Associação em Áreas de Assentamento no Estado do Maranhão
  18. Associação Regional das Mulheres Trabalhadoras Rurais do Bico do Papagaio
  19. Associação Wyty Catë (Povo Timbira – apoio via CTI)
  20. Associação Xavante Warã
  21. Associação para Gestão Socioambiental do Triângulo Mineiro
  22. Casa de Cultura Cavaleiro de Jorge
  23. Centro de Agricultura Alternativa do Norte de Minas
  24. Centro de Agricultura Alternativa Vicente Nica
  25. Centro de Educação e Cultura do Trabalhador Rural
  26. Centro de Pesquisa e Capacitação do Cerrado
  27. Centro de Tecnologia Agroecológica de Pequenos Agricultores
  28. Centro de Tecnologias Alternativas
  29. Centro de Trabalho Indigenista
  30. Centro Internacional de Pesquisa Agroflorestal
  31. Central de Cooperativas Agroextrativistas do Maranhão
  32. Cooper Frutos do Paraíso
  33. Cooperativa Central do Cerrado
  34. Cooperativa de Trabalho de Prestação de Serviços para o Desenvolvimento Rural da Agricultura Familiar
  35. Ecologia e Ação
  36. Federação de Apicultura e Meliponicultura de Mato Grosso do Sul
  37. Federação de Órgãos de Assistência Social e Educacional – Regional Mato Grosso
  38. Fundação Darcy Ribeiro
  39. Fundação Mais Cerrado
  40. Fundação Pró-Natureza – Funatura
  41. Instituto Aldeias
  42. Instituto Altair Sales
  43. Instituto Ambiental Vidágua
  44. Instituto Brasil Central
  45. Instituto Cerrados
  46. Instituto de Desenvolvimento Ambiental
  47. Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Apoio à Agricultura Familiar
  48. Instituto de Educação e Pesquisa Ambiental Planeta Verde
  49. Instituto de Permacultura: Organização, Ecovilas e Meio Ambiente
  50. Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia
  51. Instituto EcomAmor
  52. Instituto Internacional de Educação do Brasil
  53. Instituto Padre João Peter
  54. Instituto Pequi do Cerrado
  55. Instituto Permacultura Cerrado e Pantanal
  56. Instituto Plantadores de Água
  57. Instituto População, População e Natureza
  58. Instituto Rosa e Sertão
  59. Instituto Sálvia Soluções Socioambientais
  60. Instituto Socioambiental
  61. Instituto Veadeiros
  62. Mobilização dos Povos Indígenas do Cerrado
  63. Movimento de Mulheres Trabalhadoras na Luta
  64. Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu
  65. Mulheres em Ação no Pantanal
  66. Núcleo Gestor da Cadeia de Valor do Pequi e Outros Frutos do Cerrado
  67. OCA Brasil
  68. Pesquisa e Conservação do Cerrado
  69. Rede de Agroecologia do Maranhão
  70. Rede de Sementes do Cerrado
  71. Sindicato Nacional dos Trabalhadores de Instituição de Pesquisa e Desenvolvimento Agropecuário
  72. World Wide Fund for Nature – Brasil

Quebradeiras de Coco Babaçu promovem diálogo sobre território, alimentação e enfrentamento à violência em Pedro do Rosário (MA)

Atividade reuniu cerca de 250 estudantes em Pedro do Rosário e destacou o papel das mulheres quebradeiras na defesa do babaçu, na valorização da alimentação tradicional e na luta contra o feminicídio

Em alusão ao Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, estudantes do 6º ao 9º ano da Unidade Mais Integral (UMI) Raquima Martins participaram de uma atividade formativa que colocou no centro do debate o modo de vida das quebradeiras de coco babaçu, a defesa do território e o enfrentamento ao feminicídio.

A ação reuniu cerca de 250 alunos e contou também com a presença de coordenadores técnicos da Secretaria Municipal de Educação (SEMED), fortalecendo o vínculo entre educação, cultura e saberes tradicionais.

Promovida pelo Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB) e pela Cooperativa Interestadual das Mulheres Quebradeiras de Coco Babaçu (CIMQCB), a atividade integrou uma agenda mais ampla de mobilização das mulheres extrativistas, com o tema “Pela vida, pelo território e pelo bem viver: feminicídio nunca mais”.

Durante o encontro, as quebradeiras de coco dialogaram com os estudantes sobre o cotidiano nos babaçuais, destacando a importância de manter a floresta em pé como forma de garantir sustento, cultura e equilíbrio ambiental. A conversa também abordou os diversos usos do coco babaçu, desde a produção de alimentos até a geração de renda para as famílias.

Um dos pontos centrais foi a valorização dos subprodutos do babaçu na alimentação escolar. As quebradeiras ressaltaram que a inclusão desses alimentos nas merendas é um direito garantido por lei, além de representar um avanço na promoção de uma alimentação saudável, regionalizada e conectada ao território.

Um dos pontos centrais foi a valorização dos subprodutos do babaçu na alimentação escolar. As participantes ressaltaram que a inclusão desses alimentos no Programa Nacional de Alimentação Escolar – PNAE é um direito garantido em lei (nº 11.947/2009), além de representar um avanço na promoção de uma alimentação saudável, regionalizada e conectada ao território.

A tesoureira da CIMQCB, Rosenilde Gregória, chamou atenção para a potência do babaçu como alimento tradicional.

“O único produto que é possível tirar da natureza e substituir o leite materno é o coco babaçu, a partir de quando ele já está virando amêndoa.”

A fala despertou curiosidade entre os estudantes e abriu espaço para a degustação de alimentos preparados com o mesocarpo do babaçu, como mingau, bolo e biscoitos, todos produzidos a partir de saberes tradicionais das comunidades.

Rosenilde também destacou o sentido político e educativo da ação.

“Aqui em Pedro do Rosário, nós estamos fazendo degustação nesta escola maravilhosa. O que essa campanha tem como objetivo? Apresentar o movimento à sociedade e, nesse mesmo instante que a gente está se movimentando e apresentando a nossa organização, nós estamos fazendo degustação dos subprodutos, que são o mingau, o bolo e o biscoito, tudo feito a partir do mesocarpo do babaçu.”

A atividade reforça como o alimento também é uma ferramenta de resistência, educação e afirmação cultural, conectando as novas gerações com os territórios e com os modos de vida das quebradeiras.

A atividade foi conduzida por lideranças do movimento, entre elas Maria Raimunda e Girlane, da Regional Baixada, além de Rosenilde Gregória, tesoureira da CIMQCB. As falas destacaram o protagonismo das mulheres quebradeiras na defesa de seus direitos, na luta contra a violência e na construção de alternativas sustentáveis de vida.

Ao trazer o debate sobre o feminicídio para dentro da escola, a ação buscou sensibilizar os jovens sobre a importância do respeito às mulheres e da construção de uma sociedade mais justa e segura.

Mais do que uma palestra, o encontro se configurou como um espaço de troca de saberes, onde tradição e educação caminharam juntas. Para os estudantes, a experiência ampliou o olhar sobre a realidade das comunidades extrativistas e reforçou a importância da preservação ambiental e da valorização das culturas locais.

A Cooperativa Interestadual das Mulheres Quebradeiras de Coco Babaçu (CIMQCB) abre seleção para assessoria estratégica

Vaga é exclusiva para mulheres e busca fortalecer gestão, comercialização e projetos da sociobiodiversidade em quatro estados

A Cooperativa Interestadual das Mulheres Quebradeiras de Coco Babaçu (CIMQCB) lançou o edital de seleção nº 01/2026 para contratação de uma profissional que atuará na assessoria comercial e de projetos da organização. A vaga, exclusiva para mulheres, oferece salário bruto de R$ 6.060,00 e tem como objetivo fortalecer a gestão institucional e ampliar a atuação da cooperativa nos territórios onde está presente.

Com sede em São Luís (MA) e atuação nos estados do Maranhão, Pará, Piauí e Tocantins, a CIMQCB reúne mulheres quebradeiras de coco babaçu que, há décadas, se organizam para valorizar o extrativismo, garantir renda e promover o uso sustentável dos babaçuais.

A profissional selecionada será responsável por coordenar processos administrativos, financeiros e comerciais, além de apoiar a elaboração e execução de projetos e estratégias de captação de recursos. A atuação também envolve articulação com mercados institucionais, como programas públicos de aquisição de alimentos, e o fortalecimento da presença da cooperativa em feiras e espaços de comercialização.

Segundo o termo de referência, a função exige experiência mínima de dois anos em gestão de projetos ou área administrativa-financeira, preferencialmente com atuação em cooperativas, agricultura familiar ou organizações da sociedade civil. Também são valorizados conhecimentos em economia solidária, agroecologia, povos e comunidades tradicionais e questões de gênero e raça.

A vaga prevê carga horária de 40 horas semanais, com contrato em regime CLT por 12 meses, podendo ser renovado. A profissional deverá residir em São Luís ou ter disponibilidade para mudança, além de realizar viagens às filiais e comunidades atendidas pela cooperativa.

O processo seletivo será dividido em três etapas: análise de currículo, entrevista e teste prático. As pessoas interessadas em concorrer, devem enviar os documentos até o dia 05 de abril de 2026, exclusivamente para o seguinte e-mail: cimqcbpiaui@gmail.com anexando:

  1. Currículo Vitae completo, inclusive com comprovação de experiência;
  2. Carta de no máximo uma página, descrevendo a experiência profissional, indicando seu interesse pela vaga;
  3. Uma ou Duas cartas de recomendação/referência profissional (nome, cargo, instituição, telefone e e-mail de quem recomenda), referente aos últimos trabalhos.

Criada em 2009 e formalizada em 2011, a CIMQCB é referência na organização produtiva das quebradeiras de coco babaçu e na luta por melhores condições de comercialização dos produtos derivados da sociobiodiversidade. A iniciativa também integra políticas públicas como a Política de Garantia de Preços Mínimos para Produtos da Sociobiodiversidade (PGPM-Bio), fortalecendo a renda e a autonomia das mulheres nos territórios.

A nova contratação representa mais um passo na consolidação da cooperativa como agente estratégico de desenvolvimento sustentável, justiça social e valorização dos saberes tradicionais.

Confira o Termo de Referência (TdR):

Mulheres que defendem a floresta: MIQCB reforça incidência política em mais um dia de atividades na COP30

Belém (PA), 20 de novembro de 2025 — Em mais um dia de mobilização intensa na COP30, o Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB) reafirmou sua presença e sua agenda política em defesa dos territórios, da sociobiodiversidade e da justiça climática. As quebradeiras marcaram lugar em diferentes espaços estratégicos, trazendo suas denúncias, suas histórias e a força de suas práticas tradicionais como caminhos para enfrentar a crise climática.

Clima, saúde e território como pautas de resistência

Oficina “Clima, Saúde e Território: luta e resistência das quebradeiras de coco babaçu pela floresta em pé”

A oficina reuniu lideranças, pesquisadoras e organizações para refletir sobre a relação entre mudanças climáticas, saúde e proteção territorial. A coordenadora executiva do MIQCB Regional Pará, Cledeneuza Bizerra, trouxe a centralidade das quebradeiras na defesa da floresta e de modos de vida que garantem o bem viver.

“Nós mantemos a floresta em pé porque nossa vida está ligada a ela. Defender o babaçu é defender nossa saúde, nosso território e o futuro das nossas famílias”, afirmou Cledeneuza.

O espaço contou ainda com a participação de Mônica Dias (ArticulaFito), Isabel Levy (Coordenação Inicial ArticulaFito) e Josilene Ferreira Mendes (UFRA), aprofundando o diálogo entre ciência, políticas públicas e saberes tradicionais.

Presença qualificada em mídias e espaços de debate

Entrevista na Rádio Sumaúma e roda de conversa sobre mulheres do Cerrado

Pela manhã, Cledeneuza concedeu entrevista à Rádio Sumaúma, reforçando a resistência histórica das quebradeiras diante das ameaças aos babaçuais. Ela destacou que a crise climática amplia desigualdades e afeta diretamente as mulheres que dependem da sociobiodiversidade para viver.

“Quando o território é ameaçado, a primeira a sentir é a mulher. Por isso nossa luta é também por justiça ambiental e por direitos”, disse.

Simultaneamente, a coordenadora interestadual Ednalva Ribeiro representou o MIQCB na roda de conversa “Mulheres do Cerrado: Guardiãs do Coração das Águas do Brasil”, dialogando sobre o papel das mulheres na preservação dos biomas e na garantia do acesso à água. Ednalva reforçou a urgência de proteger Cerrado e Amazônia de políticas que favorecem o avanço do agronegócio e a destruição dos territórios.

“Cuidar da água, da floresta e do babaçu é garantir que nossas futuras gerações tenham vida digna. Nosso trabalho precisa ser reconhecido como política de Estado”, destacou.

Pautas políticas defendidas pelo MIQCB na COP30

O movimento segue apresentando demandas estruturantes para garantir direitos e fortalecer as mulheres quebradeiras de coco babaçu:

Reconhecimento e implementação da Lei Babaçu Livre como política nacional que assegure acesso aos babaçuais;

Proteção dos territórios tradicionais e combate às cercas ilegais, à grilagem e às derrubadas de palmeiras;

Apoio à sociobioeconomia comunitária, com financiamento direto para organizações de base;

Valorização dos saberes tradicionais e participação efetiva das mulheres nas decisões climáticas;

Políticas de saúde, educação e bem viver voltadas às comunidades extrativistas.

Um movimento que resiste, denuncia e constrói

A presença do MIQCB na COP30 mostra ao mundo que a justiça climática passa necessariamente pela proteção dos territórios das quebradeiras de coco babaçu e pelo fortalecimento de suas práticas extrativistas sustentáveis.

O movimento segue mobilizado, denunciando ameaças, defendendo direitos e reafirmando: sem as mulheres da floresta, não há futuro possível para o clima.

O MIQCB permanece firme com voz, com luta e com o babaçu em pé.

MIQCB integra a apresentação do Projeto Defensoria nos Babaçuais na COP30 e reforça a defesa dos territórios

Belém (PA) — 19 de novembro. O Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB) ampliou sua participação na COP30 com agendas estratégicas que fortaleceram a defesa dos territórios, a visibilidade das quebradeiras e a articulação por políticas públicas estruturantes. Entre os destaques, ocorreu nesta manhã a apresentação do Projeto Defensorias nos Babaçuais, iniciativa construída em parceria com defensorias públicas estaduais ao longo de 2024 e 2025.

Projeto Defensorias nos Babaçuais ganha destaque durante a COP30

A apresentação do Projeto, realizada hoje durante a conferência, reuniu representantes de defensorias e lideranças quebradeiras para socializar os resultados da primeira e segunda etapas. O MIQCB destacou a importância do trabalho conjunto e a atuação territorial em defesa dos direitos das mulheres babaçuais.

O momento reforçou o compromisso das defensorias com a garantia do acesso aos babaçuais, a proteção das comunidades e a implementação da Lei do Babaçu Livre. Para o MIQCB, essa ação consolida um diálogo contínuo e necessário entre Estado e sociedade civil.

Encontro com Defensorias Públicas e relato das ações nos regionais

Antes da COP, o MIQCB já havia participado de uma agenda com a Defensoria Pública, apresentando os resultados construídos nos regionais e o relato das ações desenvolvidas na segunda etapa do Projeto, realizada em Imperatriz (MA), em outubro. Representando o movimento na mesa, Dona Ednalva Ribeiro e Cledeneusa reforçaram a importância da atuação conjunta na defesa dos territórios.

MIQCB apresenta economia do babaçu na Embrapa

Durante a programação da COP30, o MIQCB esteve também na Embrapa, onde Dona Cléd apresentou as experiências da cooperativa, abordando produção, comercialização, compras públicas e os programas que fortalecem a economia das quebradeiras. O vídeo da atividade está disponível no grupo interno do Movimento.

Debate sobre a minuta do decreto na Casa das ONGs

Outra agenda relevante ocorreu na Casa das ONGs, em Belém, onde Dona Ednalva participou de uma roda de conversa sobre a minuta do decreto voltado a povos e comunidades tradicionais. A atividade, realizada em parceria com organizações como Terra de Direitos, FASE e ISPN, ampliou o debate sobre garantias territoriais, regularização fundiária e participação social.

Voz das quebradeiras na COP30

Durante sua fala, Ednalva Ribeiro, vice-coordenadora geral do MIQCB, destacou a urgência de políticas que garantam vida digna às comunidades e enfrentem a violência nos territórios tradicionais:

“Com justiça climática, também precisa lutar pela unidade, lutar pela vida, lutar pelas pessoas que preservam o meio ambiente. Porque, se não há gente viva na comunidade, no seu território, não vai haver mudanças climáticas.”

Ela também alertou para a contradição entre grandes projetos e a sobrevivência dos povos da floresta:

“Não basta lutar pelas mudanças climáticas se realmente os governantes estão preocupados com grandes projetos — mineração, ferrovias, milhares de cabeças de gado. Mas também é preciso se preocupar com a humanidade, com as pessoas e com o seu território.”

Ednalva reforçou ainda a necessidade de enfrentar a violência e de garantir regularização fundiária:

“Precisamos que os governantes se preocupem com a regularização fundiária. No começo da COP30, morreram duas mulheres, um indígena e um agricultor. Por que essas pessoas estão morrendo? São agricultores e povos que lutam pela sua sobrevivência. Se os governantes não se preocuparem com a vida humana nos territórios, não haverá preservação.”

Compromisso do MIQCB

Com presença ativa e pautas estratégicas, o MIQCB reafirma sua missão de defender o Babaçu Livre, promover justiça climática e assegurar que as quebradeiras sejam protagonistas na formulação de políticas públicas. O Movimento segue articulando parcerias, fortalecendo a incidência e garantindo que as vozes das mulheres ecoem em espaços de decisão nacional e internacional.

O MIQCB permanece firme na defesa dos territórios, da floresta em pé e da vida das quebradeiras de coco babaçu.

MIQCB fortalece incidência política na Zona Azul da COP30 e reafirma defesa da sociobioeconomia e dos territórios tradicionais

Belém (PA), 17 de novembro de 2025 — O Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB) marcou presença estratégica na Zona Azul da COP30, reforçando sua atuação na defesa da sociobioeconomia, dos territórios tradicionais e da justiça climática. Ao longo do dia, a delegação do MIQCB ampliou diálogos com governos, agências internacionais e parceiros, trazendo a voz e a experiência das mulheres babaçueiras para espaços centrais da conferência.

Sociobioeconomia no centro das decisões globais

Lançamento do Programa COOPERA+ Amazônia

Na Zona Verde, a coordenadora Maria Ednalva Ribeiro representou o MIQCB na cerimônia do lançamento do Programa COOPERA+ Amazônia, ao lado do vice-presidente da República, Geraldo Alckmin. O movimento ressaltou que a sociobiodiversidade é pilar do desenvolvimento sustentável da região.

“O babaçu é uma economia viva, que protege a floresta e garante renda para milhares de mulheres. Investir na sociobioeconomia é reconhecer nossa contribuição histórica”, destacou Ednalva.

Floresta em pé e economia sustentável

Painel no Pavilhão do BNDES

No debate “Valor da Floresta em Pé: Sociobioeconomia como Estratégia para Conservação”, realizado no Pavilhão do BNDES, Ednalva dialogou com representantes do Ministério do Meio Ambiente, Rioterra e Cooperacre. O MIQCB reforçou a centralidade das quebradeiras de coco babaçu no modelo de economia que mantém a Amazônia viva.

“Somos guardiãs dos babaçuais e protagonistas de uma economia que não derruba a floresta. Nosso trabalho precisa ser reconhecido e apoiado pelas políticas públicas”, afirmou a coordenadora.

Justiça climática como horizonte comum

Participação no painel da Ford Foundation – Zona Azul

O MIQCB integrou o painel que apresentou os resultados da Cúpula dos Povos e sua agenda política para a justiça climática, ao lado de MST, Global Forest Coalition e FASE. O movimento destacou que os impactos da crise climática recaem de forma desproporcional sobre os povos e comunidades tradicionais.

“Não há transição justa sem ouvir quem vive na floresta e quem cuida dela todos os dias. Nossa agenda precisa ser tratada como prioridade”, enfatizou o Movimento.

Políticas públicas para Povos e Comunidades Tradicionais

Debate sobre o Plano Nacional para PCTs

Em outro momento, o MIQCB reforçou reivindicações históricas pela garantia dos territórios tradicionais, regularização fundiária, proteção dos babaçuais e participação social das mulheres quebradeiras.

Entre as pautas políticas defendidas:

Implementação efetiva do Plano Nacional para Povos e Comunidades Tradicionais;

Avanço na Lei Babaçu Livre em todos os estados babaçueiros;

Proteção dos territórios e combate às pressões do agronegócio;

Fortalecimento da sociobioeconomia comunitária.

Incidência internacional e diálogos estratégicos

Celebração dos 17 anos do Fundo Amazônia – Zona Azul

O MIQCB participou da celebração dos 17 anos do Fundo Amazônia, espaço em que realizou uma oitiva com o vice-embaixador da Alemanha. O encontro ampliou a defesa das iniciativas comunitárias e da importância dos financiamentos diretos para organizações de base.

Compromisso pela floresta e pelos territórios

A presença do MIQCB na COP30 reafirma a força política das mulheres quebradeiras de coco babaçu e sua contribuição para uma Amazônia viva, com justiça climática e territorialidade garantida.

O Movimento segue firme: com voz, com luta e com o babaçu em pé.

Sociobioeconomia é futuro. Territórios vivos são resistência.

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