
Nos dias 15 e 16 de maio, a cidade de Axixá, no Tocantins, foi palco de um importante encontro de saberes, vivências e resistência. O Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB) promoveu mais uma etapa do ciclo de formação “Babaçu é Clima: Quebradeiras de Coco Babaçu rumo à COP-30”. A iniciativa busca fortalecer a participação das mulheres quebradeiras de coco nos debates internacionais sobre meio ambiente e mudanças climáticas.
A atividade reuniu representantes de mais de dez comunidades da região do Bico do Papagaio/TO, que compartilharam suas experiências, preocupações e propostas diante dos impactos das mudanças climáticas sobre seus territórios. O evento também preparou lideranças para a participação na Pré-COP, que acontecerá em Brasília de 8 a 10 de julho, e na COP-30, marcada para novembro em Belém do Pará.
Elizete Araújo, da assessoria do MIQCB na Regional Tocantins, destacou a diversidade e a força do encontro:
“Estamos aqui na no Ciclo de Formação das Quebraduras de Coco Babaçu, regional Tocantins, na qual contamos com a presença de mais de 10 comunidades da região do Bico do Papagaio, aonde nós temos atuação. […] Estamos finalizando esse evento agora com uma satisfação, com a abrangência de tantas comunidades e de vários municípios que participaram dessa atividade, com a participação das juventudes, quebradeiras e filhos de quebradeiras, com as mulheres quebradeiras e também com alguns esposos delas que tiveram oportunidade também de participarem. ”
Já Rosini Batista Alexandre, moradora do bairro Bom Jesus, também reforçou a importância dos debates:
“Esses dois dias, está sendo bom, porque a gente está podendo sentar e debater temas como desmatamento, uso desenfreado de agrotóxico e com as secas das nossas nascentes, que é um caso muito sério, que vem atingindo o Brasil e o mundo.”
Para Maria Silvânia, coordenadora de base do MIQCB, regional Tocantins e representante da comunidade Olho d’Água, no município de São Miguel do Tocantins, destacou o valor das trocas de experiência e a unidade das comunidades frente aos desafios climáticos:
“Está sendo muito proveitoso aqui para as quebradeiras de coco do município de Axixá, para a gente chegar a um consenso sobre o clima, sobre o REDD+, e chegar num ponto positivo para a gente levar até a COP30. […] A experiência mais forte que eu tive aqui […] é que em toda a região do Bico, as consequências do clima no nosso Brasil é tudo igual. […] A gente está lutando para ter um país melhor, um território saudável.”
O jovem Jean Silva, morador do acampamento Padre Josino, reforçou a importância de abordar temas como o racismo ambiental, muitas vezes invisibilizado nas discussões:
“Esses dois dias foram muito interessantes, muito produtivo. A gente entendeu um pouco mais de como participar da COP, como denunciar o racismo ambiental do que a gente está vivendo no nosso território. Foi muito interessante, porque mesmo que a gente ao mesmo tempo é perto, ao mesmo tempo é longe da nossa realidade. Mas também tem coisas que é muito envolvida, como o racismo ambiental.”
O ciclo de formação “Babaçu é Clima” tem se mostrado fundamental para preparar lideranças populares, mulheres, jovens e comunidades inteiras para um diálogo internacional sobre clima e justiça ambiental. A voz das quebradeiras de coco, forjada na luta e na ancestralidade, se levanta para ecoar nos grandes fóruns globais, levando consigo as raízes do babaçu e a esperança de um futuro mais justo e sustentável.
























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