
Nos dias 15 e 16 de maio, o Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB) participou da atividade “Povos Indígenas e Comunidades Locais – Rumo à Conferência de Clima de Bonn”, realizada na Casa Dom Luciano, em Brasília. O encontro reuniu organizações indígenas e de comunidades tradicionais de diversas regiões do Brasil com o objetivo de fortalecer sua incidência e participação qualificada na 29ª Conferência do Clima da ONU (SBSTA), que será realizada em julho, na cidade de Bonn, Alemanha.
A iniciativa foi promovida pelo Instituto Clima e Sociedade (ICS) e pela Rede de Cooperação Amazônica (RCA), com mesas de discussão sobre o histórico das negociações climáticas, a estrutura da Conferência de Bonn, sinergias entre clima, biodiversidade e desertificação, além dos desafios e oportunidades para a atuação dos Povos Indígenas e Comunidades Tradicionais nos espaços da UNFCCC.
Durante os dois dias de atividades, foram realizados momentos de formação, rodas de conversa e trabalhos em grupo para sistematizar contribuições coletivas que serão levadas à conferência internacional. Um dos destaques foi o diálogo com o representante do Ministério das Relações Exteriores, Marco Túlio Cabral.
O MIQCB esteve representado por Sandra Regina Monteiro, coordenadora de projetos, que contribuiu com reflexões sobre justiça climática, a importância da preservação dos territórios tradicionais e da sociobiodiversidade como estratégias fundamentais no enfrentamento da crise do clima. Sandra também destacou a centralidade das mulheres quebradeiras de coco babaçu nas soluções territoriais:
“As mulheres quebradeiras de coco babaçu exercem um papel essencial no cuidado com os bens comuns e na proteção dos territórios. Elas enfrentam diretamente os impactos das mudanças climáticas e apresentam soluções concretas a partir dos seus modos de vida e saberes tradicionais. Por isso, é fundamental que suas vozes estejam nos espaços de decisão, contribuindo com experiências que vêm da terra, da floresta e da resistência. Precisamos fortalecer uma comunicação estratégica que visibilize essas soluções e reconheça o protagonismo das comunidades tradicionais nas negociações climáticas.”
Entre os convidados especiais do evento, esteve a brasileira Sineia do Vale, liderança indígena Wapichana, gestora ambiental e única indígena entre os 30 nomes indicados como enviados especiais do governo brasileiro para a COP 30. Sineia é integrante do Conselho Indígena de Roraima e coordena o Comitê Indígena de Mudanças Climáticas (CIM). Em sua fala, ela ressaltou a importância de se levar para os espaços internacionais os saberes e experiências construídos nos territórios:
“Estamos nesses espaços porque temos acúmulo e conhecimento construído no chão dos nossos territórios. A mensagem que deixo para as mulheres quebradeiras de coco é de força: sigam na luta com coragem. Vocês vivenciam e enfrentam diretamente os impactos das mudanças climáticas. O trabalho de vocês é também um ato de monitoramento e cuidado com o clima. Sigam firmes, porque essa luta é de todas nós. ”
Outro participante que compôs as atividades foi Joaquim Belo, liderança extrativista e também integrante do grupo de enviados especiais à COP 30.
A participação do MIQCB reafirma o compromisso do movimento com a incidência política internacional e com a construção de estratégias coletivas para garantir que as vozes de povos e comunidades tradicionais estejam no centro das decisões globais sobre o clima.
Participação: O encontro reuniu representantes de diversos setores. Do governo, estiveram presentes: Ministério dos Povos Indígenas (MPI), Ministério da Igualdade Racial (MIR), Ministério do Meio Ambiente (MMA) e Itamaraty (MRE). Da sociedade civil: Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), Associação das Mulheres Indígenas em Mutirão (AMIM), ClimaInfo, Comitê Chico Mendes, Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), Conselho Indígena de Roraima (CIR), Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CNS), Conselho Nacional dos Povos e Comunidades Tradicionais (CNPCT), Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq), Fórum Mato-Grossense de Meio Ambiente e Desenvolvimento (Formad), Instituto Centro de Vida (ICV), Instituto de Pesquisa e Formação Indígena (IEPE), Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB), Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN), Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), KOINONIA, Laclima, Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB), Observatório do Clima, Operação Amazônia Nativa (OPAN), Rede Cerrado, Terra de Direitos e World Wide Fund for Nature (WWF), vozes essenciais nas negociações internacionais.
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