24/05/2025 11:28 am

Formação em Direitos Humanos mobiliza lideranças e comunidades tradicionais em Teresina

Nos dias 23 e 24 de maio, a Casa dos Movimentos Sociais, em Teresina, foi palco da Formação em Direitos Humanos promovida pelo Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB), Regional Piauí, em parceria com a Associação de Mulheres Trabalhadoras do Coco Babaçu (AMTCOB). O evento reuniu lideranças comunitárias, advogadas, pesquisadores e representantes de povos e comunidades tradicionais em dois dias de intensos diálogos e reflexões sobre justiça social, diversidade, ancestralidade e resistência.

A programação da formação abordou temáticas fundamentais para a defesa dos direitos humanos no campo e nas florestas, com foco especial em gênero, diversidade, meio ambiente e os desafios enfrentados por defensoras e defensores de direitos em seus territórios.

Logo no primeiro dia, mesas e rodas de conversa trataram de temas como os direitos das mulheres nas comunidades, a diversidade sexual e os direitos LGBTQIAPN+, além da questão racial e da resistência dos povos tradicionais. As discussões foram conduzidas por especialistas com forte atuação em defesa dos direitos sociais no estado.

A advogada Tatiana Cardoso, coordenadora do Fórum de Mulheres Piauienses, abriu os debates com a exposição “Gênero e Direitos das Mulheres nas Comunidades”. Em seguida, a advogada popular e yalorixá Carmen Ribeiro, também conselheira da OAB-PI, conduziu o diálogo sobre diversidade sexual e a luta por direitos da população LGBTQIAPN+. Já o advogado Tiago Carvalho Moreira abordou a temática “Raça, Identidade e Resistência dos Povos e Comunidades Tradicionais”, provocando reflexões sobre o racismo estrutural e as formas de enfrentamento vividas cotidianamente por essas comunidades.

Outro destaque do evento foi a roda de conversa “Ser defensor/a de direitos humanos no território”, espaço de troca e fortalecimento coletivo em meio ao aumento de ameaças e violações enfrentadas por ativistas nas zonas rurais e áreas de conflito socioambiental.

Além das falas, os participantes se dividiram em grupos de trabalho para analisar casos reais de violações de direitos humanos ocorridos em comunidades tradicionais do Piauí, apontando caminhos de resistência e estratégias jurídicas e políticas de enfrentamento.

A formação também valorizou os saberes culturais, com intervenções que reforçaram os laços entre tradição e luta. A professora e assistente social Anna Amélia Oliveira apresentou a importância das cantigas populares na cultura das quebradeiras de coco babaçu, destacando sua dimensão de memória, identidade e resistência. Já o professor Anderson Melo, biólogo e educador, abordou a relação entre meio ambiente, mudanças climáticas e os impactos sobre os modos de vida tradicionais.

Para Marinalda Rodrigues, coordenadora executiva do MIQCB – Regional Piauí, a formação foi um marco importante na construção de alianças em defesa dos direitos humanos:
“Reunir mulheres, juventudes, advogadas e representantes de comunidades tradicionais para falar de nossos direitos é uma forma de fortalecer nossas lutas e mostrar que não estamos sozinhas. Essa troca nos dá força para continuar resistindo nos territórios”, afirmou.

Helena Gomes, presidente da AMTCOB, destacou o papel transformador da formação:
“Esse espaço nos permite reconhecer nossa própria potência e nos prepara para enfrentar as violências que ainda sofremos. Conhecer nossos direitos é um passo fundamental para defender nossas comunidades e garantir o bem viver”, disse.

Ao final do evento, a palavra de ordem foi continuidade e mobilização: “Seguimos firmes na construção de um futuro com mais justiça, equidade e respeito às diversidades”, reforçaram as organizadoras.

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