
Entre os dias 17 e 20 de setembro, o Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB), regional Piauí, realizou as Cirandas de Quebra de Coco Babaçu em alusão ao mês da quebradeira de coco babaçu. A programação percorreu os territórios de Jatobá/Joca Marques, Vieira/Esperantina, Chapada da Sindá/São João do Arraial e Barroca/Morro do Chapéu, reunindo mulheres de mais de 20 territórios e registrando cerca de 113,5 quilos de coco quebrado.
Foram quatro dias de intensa mobilização, com atividades que promoveram troca de saberes, fortalecimento comunitário e valorização da luta das quebradeiras. Estima-se que cerca de 180 mulheres participaram, envolvendo também juventudes e comunidades locais.
Segundo Marinalda Rodrigues, coordenadora executiva do MIQCB regional Piauí, o momento representou muito mais que um encontro:
“Foram dias intensos de atividades, com muita troca de saberes e fortalecimento do nosso território. Tivemos palestras com psicólogos, em alusão ao Setembro Amarelo, oficinas de comunicação popular, cantos com as nossas encantadeiras, emissão do CAF e rodas de conversa sobre a Lei Babaçu Livre. Cada ciranda foi um espaço de escuta, de partilha e de fortalecimento da nossa luta. Encerramos esse ciclo com alegria e esperança, reafirmando o nosso compromisso de seguir unidas na defesa do Babaçu Livre, do nosso território e da vida das quebradeiras de coco babaçu.”
O evento também contou com a presença de profissionais da saúde, que levaram orientações importantes às comunidades. O psicólogo Eduardo Cavalcanti, da equipe multidisciplinar de São João do Arraial, destacou a relevância do trabalho integrado:
“É um movimento muito importante porque tá incentivando a cultura, incentivando o extrativismo e nós temos esse público-alvo de mulheres trabalhadoras que precisam também ter essas orientações sobre a saúde mental. Então eu tive o momento aqui de ter uma fala sobre o Setembro Amarelo, sobre valorização da vida e também sobre a questão de identificar o adoecimento mental, de promover a saúde mental para esse público-alvo. A gente vai alinhar ações também para esse mês de outubro, que é o mês do Outubro Rosa, vamos trazer a saúde do município para cá com ações voltadas para fisioterapia, para nutrição e eu também atuando como psicólogo aqui nessa comunidade.”
O poder público também marcou presença e reforçou o apoio às quebradeiras. A prefeita de Joca Marques, Fabianna Franco, ressaltou o papel histórico e cultural das mulheres que vivem do babaçu:
“Nós estamos muito felizes de poder participar hoje da nossa ciranda das quebradeiras. É uma valorização das quebradeiras de coco. Fico feliz em ver o espaço delas a cada dia mais crescendo. E aqui no nosso município de Joca Marques, não é diferente. Elas vêm ganhando espaço, elas vêm sendo valorizadas por essa luta que elas vêm lutando há muitos anos. Ficamos felizes pela dona Domingas, que mora aqui no município de Joca Marques e vem fazendo com que essa cultura permaneça viva até nos dias de hoje. Eu, como gestora do município, estou aqui para poder abraçar e apoiar tudo o que for preciso para as quebradeiras de coco babaçu.”
As Cirandas de Quebra de Coco Babaçu reafirmaram a importância da organização coletiva das mulheres, da preservação da cultura tradicional e da luta pelo direito ao uso livre do babaçu. Foram dias de partilha, resistência e esperança, que reforçaram o papel das quebradeiras como guardiãs da floresta e protagonistas na defesa da vida e do território.



















































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