17/04/2026 3:09 pm

Curso itinerante fortalece protagonismo das quebradeiras de coco babaçu no Piauí e articula formação política, territórios e juventude

O Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB), por meio do Centro de Formação das Quebradeiras de Coco Babaçu, realizou entre os dias 13 e 17 de abril o Curso Itinerante “Rodas da Aprendizagem: ação política e mobilização social”, reunindo quebradeiras de coco babaçu, lideranças comunitárias e jovens de diferentes territórios do estado. A iniciativa promoveu um processo formativo voltado à organização política, defesa dos territórios e valorização da sociobiodiversidade, com a participação de educadoras, pesquisadoras e representantes de instituições públicas.

Ao longo de cinco dias de programação, o curso integrou atividades teóricas, oficinas práticas e rodas de diálogo, consolidando-se como um espaço de troca de saberes entre gerações. A presença de professoras e facilitadoras contribuiu diretamente para o aprofundamento das reflexões, conectando o conhecimento acadêmico com as vivências das quebradeiras.

Formação política e identidade coletiva

A abertura do curso trouxe o debate sobre identidades, culturas, natureza e lutas, conduzido pela professora Carmen Lúcia, da Universidade Federal do Piauí (UFPI). O momento destacou a importância de reconhecer os territórios tradicionais como espaços de vida, resistência e produção de conhecimento.

“Quando a gente fala de território, estamos falando de memória, de identidade e de um modo de vida que precisa ser respeitado e garantido. As quebradeiras produzem conhecimento a partir da sua realidade”, afirmou Carmen Lúcia, professora da UFPI.

A programação também incluiu a oficina das Encantadeiras, com foco na expressão cultural, reafirmando a cultura como instrumento de luta e fortalecimento coletivo.

Gênero, geração e sociobiodiversidade

No segundo dia, o tema “Gênero e geração na cadeia do coco babaçu” reuniu Janaína Mendes, da Secretaria da Agricultura Familiar (SAF/PI), e Helena Gomes, presidenta da Cooperativa Interestadual das Mulheres Quebradeiras de Coco Babaçu (CIMQCB) e a Associação de Mulheres Trabalhadoras do Coco Babaçu (AMTCOB), promovendo um diálogo sobre o papel das mulheres e da juventude na continuidade da luta.

A atividade destacou a importância da participação política das mulheres e o fortalecimento das novas gerações dentro do movimento, articulando saberes tradicionais com estratégias institucionais.

Resistência, educação e narrativas de vida

A discussão sobre resistência e protagonismo feminino contou com a participação da professora Élida Cardoso, do Instituto Federal do Piauí (IFPI), e de lideranças como Maria Alice e dona Francisca Martins. O debate reforçou a educação contextualizada como ferramenta essencial para a autonomia das mulheres quebradeiras.

Na oficina “Narrativas de Vidas”, coordenada por Mariana Moura e Jucelino Castro, as participantes compartilharam suas trajetórias, fortalecendo a memória coletiva e a identidade do movimento.

“Esse curso é um espaço onde a gente se reconhece, se fortalece e constrói caminhos juntas. É formação, mas também é reafirmação da nossa luta”, destacou Marinalda Rodrigues, coordenadora executiva do MIQCB Regional Piauí.

Juventude e continuidade da luta

A presença da juventude foi um dos pontos fortes do curso, evidenciando a continuidade da luta nos territórios. Jovens lideranças participaram ativamente das atividades, contribuindo com novas perspectivas.

“A juventude está aqui para aprender, mas também para dar continuidade à luta das nossas mães e avós. A gente entende que defender o babaçu é defender nosso futuro”, afirmou William Rodrigues, jovem do MIQCB do segundo território titulado em Santa Rosa.

Territórios, direitos e incidência política

O quarto dia abordou o tema “Presente em disputa e futuro das quebradeiras de coco babaçu”, com a participação de Aline Alencar, quebradeira de coco babaçu, mestranda em Antropologia pela UFPI e moradora de São João do Arraial, além da assessora jurídica Yaponyra Rodrigues e da coordenadora executiva do MIQCB Regional Piauí, Marinalda Rodrigues.

“Os territórios das quebradeiras seguem em disputa. Por isso, fortalecer a organização política e a formação é fundamental para garantir nossos direitos e nossa permanência nesses espaços”, destacou Aline Alencar.

As discussões reforçaram pautas estratégicas do MIQCB, como a defesa da Lei do Babaçu Livre, a regularização fundiária, a proteção dos territórios tradicionais e o reconhecimento da sociobiodiversidade como base de sustento e identidade das comunidades.

Encerramento e horizonte político

O curso foi finalizado com um momento de avaliação coletiva, reafirmando a importância da formação continuada e do fortalecimento das redes de articulação entre as quebradeiras.

Mais do que uma atividade formativa, o Curso Itinerante consolidou-se como um espaço político de construção coletiva, onde saberes tradicionais e conhecimentos acadêmicos se encontram para fortalecer a luta por direitos.

Ao reunir mulheres, juventude e lideranças, o MIQCB reafirma seu compromisso com a justiça climática, o protagonismo das mulheres quebradeiras de coco babaçu e a construção de uma educação contextualizada, enraizada nos territórios e nas vivências de quem resiste diariamente em defesa da vida e da sociobiodiversidade.

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