Da luta pelo Babaçu Livre à articulação global: MIQCB fortalece alianças internacionais em encontro na Guatemala
Participação de Maria José, coordenadora da Regional Imperatriz, reafirma o protagonismo das quebradeiras de coco em rede internacional de economias próprias e aponta caminhos para a Cúpula Global 2026
Nos dias 20 e 21 de abril, o Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB) levou a força política e organizativa das quebradeiras de coco babaçu para um espaço internacional de intercâmbio e construção coletiva. Representando o movimento, Maria José, coordenadora executiva da Regional Imperatriz, participou, em Antigua, Guatemala, do Encontro Presencial da Rede de Economias Próprias, iniciativa que reuniu 26 experiências de 9 países, entre povos indígenas, comunidades quilombolas e organizações que constroem economias enraizadas nos territórios.
Mais que um encontro de troca de experiências, a atividade consolidou alianças e aprofundou debates sobre autonomia econômica, defesa dos territórios, desafios de mercado e fortalecimento de redes comunitárias.
Para Maria José, o intercâmbio revelou a potência das conexões entre mulheres organizadas em diferentes países.
“Considerei de grande importância esse intercâmbio. Levamos as conquistas do MIQCB como exemplo de organização e resistência. O maior fortalecimento são os diálogos e as parcerias entre países dentro da rede. As trocas de experiência nos fortalecem enquanto mulheres empreendedoras para resistir em todos os formatos”, destacou.
Babaçu Livre e economias que sustentam a vida
Durante o encontro, o Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB) e a Cooperativa Interestadual das Mulheres Quebradeiras de Coco Babaçu (CIMQCB) compartilharam suas experiências em autogestão, produção coletiva e comercialização dos produtos da sociobiodiversidade.
Em uma apresentação em formato de feira, Maria José apresentou produtos e práticas construídas pelas quebradeiras nos territórios e levou para o centro do debate uma pauta histórica do movimento: o Babaçu Livre.
Nos grupos de trabalho, as participantes discutiram crises comuns enfrentadas por cooperativas e iniciativas comunitárias e estratégias para superá-las. Entre as contribuições do MIQCB, Maria José destacou como desafio permanente a restrição de acesso aos babaçuais e seus impactos sobre o trabalho das mulheres e a continuidade das experiências produtivas.
“Frisei bastante a dificuldade de o nosso coco babaçu não ser livre para nossas atividades diárias e para a continuidade da cooperativa. Mas também levei como ponto positivo a força do MIQCB e do Fundo Babaçu, que têm conseguido manter nossas iniciativas no mercado.”
As trocas também evidenciaram desafios compartilhados entre os países da rede, como as exigências dos mercados convencionais, o baixo reconhecimento dos produtos comunitários e a necessidade de fortalecer circuitos econômicos próprios.
Alianças para fortalecer a rede
Um dos principais resultados do encontro foi o avanço na consolidação de mecanismos de articulação internacional entre os países participantes. Foram definidos encaminhamentos para o funcionamento da rede, agendas de reuniões e um grupo de representação para impulsionar a construção dessa estrutura coletiva.
Para o MIQCB, esse processo reforça que as economias comunitárias não são apenas alternativas produtivas, mas projetos políticos construídos a partir dos territórios. A presença das quebradeiras na Guatemala também reafirma o reconhecimento do movimento como referência internacional em organização popular protagonizada por mulheres.
Rumo à Cúpula Global 2026
A participação em Antigua integra um processo mais amplo de articulação internacional que segue ganhando força rumo à Cúpula Global 2026 sobre Meios de Vida Coletivos e Conservação, que acontece de 26 a 29 de maio, em Brasília.
Realizada pela RRI, COIAB, APIB, CONAQ e MIQCB, a Cúpula reunirá lideranças de diferentes partes do mundo, comunidades tradicionais e parceiros para impulsionar economias comunitárias comprometidas com a proteção dos territórios, das florestas e do futuro do planeta.
Nesse caminho, a presença das quebradeiras de coco em espaços internacionais reafirma que a luta pelo Babaçu Livre, pelo bem viver e pela autonomia das mulheres também se constrói em rede, para além das fronteiras.
MIQCB
MOVIMENTO INTERESTADUAL DAS QUEBRADEIRAS DE COCO BABAÇU