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Centro de Formação das Quebradeiras de Coco Babaçu (CFQCB) celebra 3 anos fortalecendo mulheres, juventudes e a luta pela floresta em pé

Em três anos, o CFQCB consolidou uma experiência inédita de educação popular e contextualizada, ampliando a formação de quebradeiras de coco babaçu e juventudes agroextrativistas nos estados do Maranhão, Pará, Piauí e Tocantins

Primeira turma do CFQCB durante as atividades formativas em São Luís (MA). A formação une educação popular, pedagogia da alternância e fortalecimento da luta em defesa dos territórios e da floresta de babaçu em pé. Foto: Arquivo MIQCB

No dia 2 de maio de 2023, o Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB) inaugurava, em São Luís (MA), o Centro de Formação das Quebradeiras de Coco Babaçu (CFQCB), um espaço construído a partir da luta histórica das mulheres quebradeiras em defesa dos territórios, dos saberes tradicionais e da floresta de babaçu em pé.

Mulheres e juventudes quebradeiras de coco babaçu dos estados do Maranhão, Pará, Piauí e Tocantins seguem construindo, através do CFQCB, caminhos de aprendizagem, resistência e fortalecimento coletivo. Foto: Arquivo MIQCB

Três anos depois, o CFQCB se consolida como uma das mais importantes experiências de educação popular vinculadas aos povos e comunidades tradicionais no Brasil. Mais do que um espaço de ensino, o Centro tornou-se território de resistência, troca de saberes, fortalecimento político e construção de autonomia para mulheres, jovens e lideranças agroextrativistas dos estados do Maranhão, Pará, Piauí e Tocantins.

A inauguração reuniu cerca de 120 pessoas entre quebradeiras de coco, estudantes, educadores populares, universidades parceiras, movimentos sociais e representantes de instituições públicas. Na ocasião, a coordenadora geral do MIQCB, Maria Alaídes Alves de Sousa, destacou que o Centro representava “a realização de um sonho construído desde 1991”, pautado por uma educação conectada à realidade dos territórios e das mulheres quebradeiras.

Inauguração do Centro de Formação das Quebradeiras de Coco Babaçu (CFQCB), realizada em 2 de maio de 2023, em São Luís (MA). O momento reuniu quebradeiras de coco babaçu, juventudes, educadores populares, movimentos sociais e instituições parceiras na celebração de uma conquista histórica do MIQCB. Foto: Arquivo MIQCB

Desde então, o CFQCB vem desenvolvendo formações baseadas na pedagogia da alternância, articulando tempo-escola, tempo-comunidade e intercâmbios, sempre relacionando teoria, prática e os modos de vida das comunidades tradicionais. O primeiro curso, “Quebrando saberes, elaborando projetos e protegendo a floresta de babaçu”, marcou o início dessa caminhada, reunindo mulheres e jovens em processos formativos voltados à elaboração de projetos socioambientais, organização política e defesa dos babaçuais.

Ao longo desses três anos, o Centro acumulou importantes conquistas. Em 2024, foram iniciadas as segundas turmas de mulheres e juventudes, ampliando significativamente o alcance da formação. Atualmente, o número de estudantes formadas(os) e participantes das ações educativas do CFQCB já ultrapassa a marca de 100 pessoas beneficiadas diretamente pelos processos formativos do Centro. O trabalho desenvolvido também ganhou reconhecimento nacional ao colocar o CFQCB entre os 15 semifinalistas do Prêmio LED, iniciativa que destaca experiências transformadoras na educação brasileira.

Além da formação, o Centro fortaleceu uma ampla rede de educadores populares, pesquisadores, mestres da cultura, profissionais da saúde e instituições públicas de ensino. Entre as parcerias construídas estão o Instituto Federal do Maranhão (IFMA), a Universidade Estadual do Maranhão (UEMA), a Universidade Federal do Maranhão (UFMA) e outras instituições comprometidas com a educação do campo e os direitos dos povos tradicionais.

A professora Helciane Araújo, voluntária do Centro e integrante do Comitê Gestor do Fundo Babaçu, define a experiência como “uma iniciativa de muito êxito”, destacando o potencial do CFQCB em articular conhecimento acadêmico e saberes tradicionais.

Para as estudantes, o impacto da formação também se expressa nas transformações vividas nos territórios. A coordenadora de base Áurea Maria da Silva afirma que o Centro chegou “na hora certa”, fortalecendo a troca de saberes e ampliando os conhecimentos das mulheres quebradeiras.

A juventude também ocupa lugar central nessa construção. Davi Mourão Sousa, jovem da Regional Pará e estudante da segunda turma de jovens, destaca o Centro como “um aprendizado excelente para todos os filhos e netos das quebradeiras”. Já Antônia Silva de Almeida, do Piauí, reforça a importância de inserir os jovens dentro do Movimento e aproximá-los das discussões sobre território, associativismo, conflitos fundiários e Lei do Babaçu Livre.

Para Laura Gomes, aluna da segunda turma de mulheres, o Centro ajudou a fortalecer a compreensão de que “ser quebradeira não é só quebrar coco, é defender o território e lutar pela floresta em pé”.

Em 2025, o CFQCB ampliou ainda mais sua atuação com a criação da Comissão de Educação Popular e Contextualizada do MIQCB, o intercâmbio realizado na Escola Nacional Florestan Fernandes e a realização do I Seminário de Educação Popular e Contextualizada do MIQCB, em São Luís. As ações reforçam o compromisso do Movimento com uma educação crítica, territorializada e construída coletivamente.

Já para 2026, o Centro projeta novos desafios e horizontes. Entre as iniciativas previstas estão o primeiro curso itinerante “Mulheres nas Rodas da Aprendizagem: ação política e mobilização popular” e o segundo curso de extensão interestadual “Direitos Territoriais e Governança das Quebradeiras de Coco Babaçu”, aprofundando os processos formativos voltados à incidência política e à defesa dos direitos territoriais.

Ao completar três anos, o Centro de Formação das Quebradeiras de Coco Babaçu reafirma seu papel como espaço estratégico de fortalecimento das mulheres quebradeiras, da juventude rural e da luta coletiva em defesa dos babaçuais, da educação popular e do bem viver nos territórios tradicionais.

Para o MIQCB, celebrar os três anos do CFQCB é celebrar a continuidade de uma luta construída por gerações de mulheres que resistem, organizam seus territórios e mantêm viva a floresta de babaçu em pé.

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