Segunda turma do curso itinerante marca expansão do Centro de Formação, amplia a rede de educadores populares e avança na certificação das formações em parceria com universidade pública

Entre os dias 13 e 17 de março, a sede regional do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB), em São Domingos do Araguaia (PA), recebeu a segunda turma do Curso Itinerante Mulheres nas Rodas da Aprendizagem: ação política e mobilização social, iniciativa do Centro de Formação do MIQCB voltada ao fortalecimento político, organizativo e formativo de mulheres e juventudes das comunidades agroextrativistas.
Realizada no âmbito do projeto Educação em Movimento, a formação reuniu lideranças quebradeiras de coco babaçu em uma intensa programação que articulou educação popular, memória, cultura, análise de conjuntura e fortalecimento das lutas territoriais. A proposta integra uma agenda mais ampla do Centro de Formação, que em 2026 prevê a realização do curso nas seis regionais do MIQCB, com educadores oriundos ou com atuação direta nos territórios, reforçando a contextualização dos saberes e a pedagogia construída a partir das vivências das próprias quebradeiras.

A programação da etapa Pará foi conduzida por educadoras e educadores populares da regional, com disciplinas voltadas a temas centrais para a organização e resistência das mulheres quebradeiras. A professora Vanalda Gomes Araújo abriu o percurso formativo com a disciplina Identidades, Culturas, Natureza e Lutas das Quebradeiras de Coco Babaçu, abordando a relação entre território, ancestralidade e organização política.
Na sequência, a professora Ailce Margarida Negreiros ministrou a disciplina Relações de Gênero e Geração na Cadeia Produtiva do Coco: trabalho, poder e sucessão familiar, promovendo reflexões sobre divisão sexual do trabalho, autonomia e continuidade dos saberes entre gerações.
A resistência e o protagonismo feminino no campo foram debatidos pela quebradeira Cledeneuza Maria Bizerra e pela professora Ailce Margarida Negreiros Alves, em diálogo sobre estratégias de organização e enfrentamento construídas pelas mulheres em seus territórios. Fechando o ciclo, os professores Evaldo Gomes Júnior e Eran Paulo Rodrigues conduziram a disciplina O presente em disputa: conjuntura política, mobilização social e o projeto de futuro das quebradeiras de coco babaçu, conectando análise política e perspectivas de futuro para o movimento.

Mais que um espaço de formação em sala, o curso também se construiu nas rodas culturais noturnas, parte estruturante da metodologia do Centro de Formação. Ao longo dos cinco dias, a turma participou de atividades como relato de experiência sobre a Guerrilha do Araguaia; Sarau das Quebradeiras com carimbó, declamação de poesias e cantos das Encantadeiras; leitura coletiva de crônicas de mulheres quebradeiras ao redor da fogueira; e uma noite de jogos pedagógicos. As rodas culturais fortaleceram vínculos entre a turma e valorizaram memórias, identidades e expressões culturais que sustentam a luta das quebradeiras.
Desde a inauguração do Centro de Formação das Quebradeiras de Coco Babaçu, em 2023, o MIQCB vem consolidando uma Rede de Professores Voluntários que apoia os processos formativos do movimento. Para o Centro, o conceito de educador(a) popular inclui quebradeiras de coco babaçu, mestres da cultura, técnicos, consultores, professores licenciados, pesquisadores, mestres e doutores alinhados à pedagogia popular inspirada em Paulo Freire.
Nos anos de 2023 e 2024, 53 professores voluntários já atuaram junto ao Centro de Formação, demonstrando a força mobilizadora das quebradeiras também no campo da educação popular contextualizada. Com o projeto Educação em Movimento, a expectativa é incorporar mais 20 novos educadores à rede. Considerando as duas primeiras turmas itinerantes, Tocantins e Pará, já são 13 novos professores integrados, ultrapassando mais de 50% da meta prevista.



A participação dessa rede de educadores tem sido estratégica não apenas na troca de conhecimentos junto às turmas, mas também na construção de parcerias institucionais. Uma das articulações mais recentes foi firmada com a Universidade Federal do Norte do Tocantins (UFNT), por meio da professora Rejane Cleide Medeiros de Almeida. A parceria entre MIQCB e UFNT prevê a certificação das seis turmas do curso itinerante, fortalecendo o reconhecimento institucional dessa experiência formativa construída desde os territórios.
A etapa realizada no Pará reafirma o Centro de Formação do MIQCB como um espaço vivo de produção de conhecimento, mobilização social e fortalecimento político das quebradeiras de coco babaçu. Mais que cursos, as formações itinerantes vêm consolidando rodas de aprendizagem onde a luta, a memória e os saberes das mulheres se transformam em projeto coletivo de futuro.

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