
Proteger a floresta, fortalecer os territórios e garantir direitos às comunidades tradicionais são objetivos que caminham juntos. Essa foi uma das mensagens apresentadas pelo Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB) durante a celebração dos 18 anos do Fundo Amazônia, realizada nos dias 11 e 12 de junho. Na ocasião, o movimento compartilhou conquistas históricas e resultados alcançados por iniciativas apoiadas pelo Fundo em territórios de ocorrência do babaçu.
Representaram o movimento Maria Alaídes de Sousa, Rafaela Monteiro e Renata Cordeiro durante os dois dias de programação. No segundo dia, a delegação contou também com a participação de Klésia Lima, coordenadora executiva do MIQCB, na Regional Piauí e Maria Raimunda, da Regional Baixada.
A abertura do encontro foi marcada pelo reconhecimento à trajetória das quebradeiras de coco babaçu. Em sua saudação às organizações presentes, a diretora socioambiental do BNDES, Tereza Campelo, destacou o MIQCB e parabenizou o movimento pela conquista da lei federal que reconhece as quebradeiras de coco babaçu, resultado de décadas de mobilização em defesa dos direitos das mulheres extrativistas.
Ao longo do primeiro dia, representantes dos países doadores do Fundo Amazônia e de iniciativas apoiadas pelo programa compartilharam experiências e resultados alcançados em diferentes regiões do país. Os debates evidenciaram os avanços registrados nos últimos anos, especialmente após a retomada do Fundo Amazônia, fortalecendo ações voltadas à proteção dos territórios, à conservação ambiental e ao desenvolvimento sustentável.

No dia 12, Maria Alaídes participou da mesa “Guardiões da Floresta”, ao lado de representantes do Ministério dos Povos Indígenas, do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, da COIAB, da CONAQ e da Rede de Fundos Comunitários da Amazônia. O espaço reuniu lideranças de diferentes povos e comunidades para refletir sobre os desafios e as contribuições dos territórios tradicionais para a preservação da Amazônia.
Durante sua participação, Maria Alaídes destacou que os 18 anos do Fundo Amazônia representam uma oportunidade para reconhecer os resultados construídos coletivamente ao longo desse período.
“Esta celebração representa muito mais do que uma data comemorativa; ela é um momento de troca, de reconhecimento dos caminhos percorridos e dos resultados construídos coletivamente”, afirmou.
A coordenadora-geral do MIQCB ressaltou ainda que os avanços alcançados são resultado da articulação entre povos indígenas, comunidades tradicionais, mulheres e organizações que atuam na defesa dos territórios.
“Fortalecemos relações e alianças entre povos indígenas, comunidades tradicionais, mulheres e tantas outras pessoas que atuam como guardiãs de seus territórios, de seus saberes e da floresta.”





Ao abordar a trajetória do movimento, Maria Alaídes relembrou que a luta das quebradeiras nasceu da necessidade de garantir o acesso aos babaçuais e o direito ao trabalho. Com o passar dos anos, essa mobilização passou a incorporar pautas relacionadas ao território, à autonomia das mulheres e à proteção ambiental. “A luta pela terra e pelo território é uma batalha histórica”, destacou.
Uma das principais conquistas do movimento é a aprovação de legislações que garantem o livre acesso aos babaçuais. Segundo Maria Alaídes, já são 18 leis conquistadas ao longo dessa trajetória.
“Hoje já contamos com 18 leis de livre acesso aos babaçuais, assegurando às quebradeiras de coco o direito de entrar nos territórios, coletar o babaçu e manter viva uma prática que garante sustento, autonomia e preservação ambiental.”
A mesa também foi uma oportunidade para apresentar os resultados do projeto Floresta de Babaçu em Pé, desenvolvido com o apoio do Fundo Amazônia. A iniciativa já fortaleceu 30 organizações de base por meio dos editais lançados pelo Fundo Babaçu, ampliou os processos de formação do Centro de Formação das Quebradeiras de Coco Babaçu, que já capacitou mais de 100 pessoas, e contribuiu para o fortalecimento institucional do MIQCB.



As experiências compartilhadas durante o evento reforçaram o papel estratégico dos povos e comunidades tradicionais na conservação da biodiversidade e na construção de respostas à crise climática. No caso das quebradeiras de coco, a defesa dos babaçuais está diretamente relacionada à garantia de direitos, à geração de renda e à manutenção de conhecimentos transmitidos entre gerações.
Ao final da mesa, Maria Alaídes encerrou sua participação cantando. O gesto foi recebido com emoção pelo público e simbolizou a conexão entre cultura, memória e resistência que marca a trajetória das quebradeiras de coco babaçu.

Mais do que celebrar os resultados alcançados pelo Fundo Amazônia ao longo de 18 anos, o encontro evidenciou que a proteção da floresta está diretamente ligada ao fortalecimento dos povos e comunidades que historicamente cuidam dos territórios e mantêm vivos os conhecimentos necessários para sua preservação.

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