Quebradeiras de coco babaçu fortalecem Mesa Permanente de Diálogo no Piauí e avançam na defesa dos territórios
Nesta terça-feira (24), em Teresina (PI), o MIQCB regional Piauí participou da reunião da Mesa Permanente de Diálogo com o Governo do Estado do Piauí. O encontro reuniu lideranças das quebradeiras, representantes da Associação de Mulheres Trabalhadoras do Coco Babaçu (AMTCOB), a Secretaria de Estado de Relações Sociais, a Secretaria de Agricultura Familiar, de Meio Ambiente e Recursos Hídricos e o Ministério do Desenvolvimento Agrário, escritório Piauí, para avançar em pautas estruturantes como regularização fundiária, proteção dos babaçuais, financiamento direto e fortalecimento da organização das mulheres. A reunião reafirma o compromisso com a construção de políticas públicas voltadas à garantia de direitos territoriais e à defesa da sociobiodiversidade.
Diálogo institucional e garantia de direitos
A Mesa Permanente de Diálogo consolida um espaço formal de negociação entre as quebradeiras e o Estado, resultado direto da mobilização histórica do Movimento. Entre os encaminhamentos debatidos está o fortalecimento do Grupo de Trabalho Interinstitucional responsável por mapear e delimitar as áreas de incidência de babaçuais, medida estratégica para assegurar o livre acesso ao coco e a proteção social dos territórios.
Durante a reunião, o MIQCB também cobrou mais atenção institucional às ações desenvolvidas pelo Movimento em seus territórios. As lideranças destacaram que, além do apoio político, é fundamental que o Estado assegure condições concretas e estrutura adequada para que as iniciativas das quebradeiras aconteçam de forma contínua e efetiva, fortalecendo a autonomia das organizações e ampliando o alcance das políticas públicas.
Marinalda Rodrigues, coordenadora executiva do MIQCB regional Piauí, destacou a dimensão política do espaço:
“A Mesa Permanente de Diálogo reafirma que as quebradeiras de coco babaçu são sujeitas de direitos e protagonistas na construção das políticas públicas que incidem sobre nossos territórios. O mapeamento e a delimitação das áreas de babaçuais são passos fundamentais para garantir o livre exercício da coleta e da quebra do coco e a proteção social das nossas comunidades.”
Organização das mulheres e fortalecimento das associações
A reunião evidenciou o papel estratégico das associações de base na incidência e no acompanhamento das políticas públicas. A presença da AMTCOB reforça o compromisso coletivo com a defesa dos babaçuais e com a autonomia econômica das mulheres.
Helena Gomes, presidenta da AMTCOB, ressaltou:
“Quando o Estado reconhece a nossa organização, reconhece também a força das mulheres quebradeiras. Somos nós que sustentamos essa luta no dia a dia, garantindo renda, preservando os babaçuais e defendendo nossos territórios.”
Compromisso do Estado e construção conjunta
Representando o Governo do Estado, a secretária de Relações Sociais reafirmou o compromisso institucional com a continuidade do diálogo e com encaminhamentos concretos.
Núbia Lopes, secretária de Estado de Relações Sociais, afirmou:
“A Mesa de Diálogo é um compromisso do Governo com a escuta ativa e com a construção de políticas públicas em parceria com as quebradeiras. Nosso objetivo é consolidar medidas que garantam direitos, proteção territorial e fortalecimento das organizações.”
Pautas estratégicas do MIQCB
Durante a reunião, o MIQCB reafirmou suas pautas prioritárias:
Implementação e fortalecimento da Lei Babaçu Livre;
Regularização fundiária dos territórios tradicionais;
Financiamento direto para as organizações de quebradeiras;
Ampliação da participação política das mulheres nos espaços de decisão;
Defesa permanente dos territórios e da sociobiodiversidade;
Garantia de mais atenção institucional e estrutura para a execução das ações do Movimento nos territórios.
A Mesa Permanente de Diálogo, no Piauí, representa um avanço institucional construído a partir da luta das mulheres quebradeiras. Ao ocupar esse espaço com firmeza e organização, o MIQCB reafirma que a justiça climática começa pela garantia dos territórios e pelo reconhecimento do protagonismo das mulheres na defesa da vida, da floresta e da sociobiodiversidade.
Quebradeiras de Coco Babaçu fortalecem luta territorial em oficina de cartografia social na UFPI, em Teresina
Nesta segunda-feira (23), na Universidade Federal do Piauí (UFPI), em Teresina, as alunas do Curso de Formação em Governança e Direitos Territoriais das Quebradeiras de Coco Babaçu participaram de uma oficina prática sobre cartografia social, aprofundando o debate sobre território, identidade e direitos. A atividade integra o processo formativo promovido pelo Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB) e reforça a construção coletiva de instrumentos políticos para a defesa dos territórios tradicionais.
A oficina foi conduzida pelas professoras Elida Cardoso do Instituto Federal do Piauí e Carmem Silva, do Departamento de Cartografia Social da UFPI, além da professora convidada Adriana Miranda, do Departamento de Biologia, que dialogaram com as estudantes sobre o mapa como instrumento político, pedagógico e de afirmação das comunidades tradicionais.
Cartografia social: mapa como instrumento político de resistência
Durante a atividade, as educadoras provocaram uma reflexão crítica sobre o papel histórico da cartografia na definição de fronteiras, propriedades e políticas públicas, muitas vezes desconsiderando a presença e os direitos das comunidades tradicionais.
A professora Elida Cardoso destacou:
“O mapa não é neutro. Ele pode invisibilizar, mas também pode fortalecer identidades e tornar visíveis os direitos das comunidades.”
Já a professora Carmem Silva reforçou o caráter emancipatório da metodologia:
“É a comunidade que define o que é território, o que aparece no mapa e quais são as legendas”, subvertendo a lógica oficial da produção cartográfica tradicional.
Ao construir seus próprios mapas, as quebradeiras reafirmam que território não é apenas espaço físico, mas lugar de vida, cultura, trabalho, ancestralidade e pertencimento.
Formação política e autonomia territorial
O Curso de Formação em Governança e Direitos Territoriais integra a estratégia do MIQCB de fortalecer a organização política das mulheres quebradeiras de coco babaçu nos estados do Maranhão, Piauí, Pará e Tocantins. A formação articula conhecimento teórico, saberes tradicionais e instrumentos jurídicos e políticos fundamentais para a defesa dos territórios.
Para a coordenadora executiva do MIQCB regional Piauí, Marinalda Rodrigues, a iniciativa tem caráter estratégico para a luta coletiva:
“Quando a gente aprende a ler e a construir nossos próprios mapas, a gente fortalece nossa autonomia e reafirma nosso direito ao território.”
A cartografia social, nesse contexto, torna-se ferramenta de incidência política em pautas centrais do Movimento, como a Lei Babaçu Livre, a regularização fundiária dos territórios tradicionais, o financiamento direto às organizações de mulheres extrativistas e a ampliação da participação política das mulheres nos espaços de decisão.
Defesa dos territórios e da sociobiodiversidade
A oficina reafirma que produzir conhecimento a partir da própria vivência é também um ato político de resistência e organização. Ao mapear seus territórios, as quebradeiras evidenciam áreas de coleta, caminhos tradicionais, nascentes, roçados e espaços de uso comum, fortalecendo a defesa da sociobiodiversidade do babaçu frente às ameaças de desmatamento, grilagem e cercamento.
Para o MIQCB, a luta pelo território está diretamente vinculada à agenda climática global. A preservação dos babaçuais e dos modos de vida tradicionais contribui para a manutenção dos ecossistemas, da segurança alimentar e da justiça socioambiental.
Ao fortalecer o protagonismo das mulheres quebradeiras de coco babaçu na produção de conhecimento e na incidência política, o Movimento reafirma seu compromisso com a justiça climática e com a defesa dos territórios tradicionais.
Porque, para as quebradeiras, território é vida, organização e futuro.
Educação em Movimento fortalece protagonismo das quebradeiras de coco babaçu e amplia alianças internacionais em defesa dos territórios
O Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu deu mais um passo estratégico no fortalecimento da educação popular e da mobilização social com o lançamento do Projeto Educação em Movimento, que passa a contar com a parceria internacional da CO-IMPACT. A iniciativa está sendo desenvolvida ao longo de 2026 nas regionais do movimento nos estados do Maranhão, Pará, Piauí e Tocantins, beneficiando diretamente 120 lideranças mulheres e juventudes quebradeiras de coco babaçu.
A parceria consolida uma agenda política e pedagógica que reafirma o papel das quebradeiras como defensoras dos territórios tradicionais e da sociobiodiversidade do babaçu, fortalecendo a organização de base, a formação política e o protagonismo feminino no campo.
Educação como estratégia de resistência e transformação
O Projeto Educação em Movimento visa fortalecer a educação popular e contextualizada por meio do Centro de Formação das Quebradeiras de Coco Babaçu (CFQCB), qualificando mulheres quebradeiras de coco babaçu e juventudes de comunidades tradicionais agroextrativistas.
A coordenadora do projeto, Anny Linhares, destaca o alcance da nova parceria:
“A CO-IMPACT chega para somar à nossa caminhada, fortalecendo o MIQCB e suas lideranças buscando atender demandas que emergiram dos territórios. Educação, para o MIQCB, é ferramenta de mobilização social, de autonomia das mulheres e de defesa da sociobiodiversidade”, afirma Anny Linhares, coordenadora do Projeto Educação em Movimento.
A CO-IMPACT reúne agentes de mudança e financiadores de diferentes partes do mundo para tornar mais inclusivos os sistemas de saúde, educação e economia, com foco na igualdade de gênero e liderança feminina na África, Ásia e América Latina — princípios que dialogam diretamente com a trajetória histórica das quebradeiras de coco babaçu.
O Centro de Formação das Quebradeiras avança para atuação itinerante nas regionais no MIQCB
O curso de formação itinerante “Nas Rodas da Aprendizagem: ação política e mobilização social para o bem viver” será o eixo central do projeto. O curso foi elaborado pela Comissão de Educação Popular e Contextualizada do MIQCB, que reúne lideranças quebradeiras de coco e juventudes representantes das seis regionais do Movimento. O curso apresenta carga horária total de 140 horas, distribuídas entre tempo-escola (40h), tempo-comunidade (96h) e Rodas Culturais (4h), a formação será conduzida por professores voluntários com base na pedagogia popular e contextualizada.
A proposta pedagógica coloca mulheres e juventudes no centro do debate sobre ação política e mobilização social, abordando:
Identidades, culturas, naturezas e lutas das quebradeiras de coco babaçu;
Relações de gênero e geração na cadeia produtiva do coco;
Resistências e protagonismo feminino no campo;
Conjuntura política e projeto de futuro das quebradeiras.
Para Bárbara Akroá Gamella, coordenadora de Educação do MIQCB:
“Nosso curso fortalece o reconhecimento identitário das quebradeiras e amplia o senso crítico diante da conjuntura política atual. A formação é instrumento fundamental para garantir participação política das mulheres e consolidar o projeto coletivo de futuro que defendemos”, ressalta Bárbara Akroá Gamella, coordenadora executiva de Educação do MIQCB.
O calendário preliminar prevê atividades nas seguintes regionais:
Regional Tocantins – 24 a 28 de fevereiro
Regional Baixada – 18 a 22 de fevereiro
Regional Pará – 23 a 27 de março
Regional Piauí – 13 a 17 de abril
Regional Mearim/Cocais – 01 a 05 de junho
Regional Imperatriz – 10 a 14 de agosto
Seminário de compartilhamento de experiências – Imperatriz (data a definir)
As lideranças que tiverem interesse de participar da formação itinerante podem entrar em contato com a regional mais próxima para ser informar sobre as vagas.
Fundo Babaçu impulsiona projetos socioambientais
Além da formação política, o projeto prevê apoio ao Fundo Babaçu, com o lançamento de edital no segundo semestre deste ano para financiar 12 pequenos projetos socioambientais desenvolvidos por grupos produtivos formais e informais de mulheres e juventudes nos quatro estados de atuação do MIQCB. O edital esta previsto para ser lançado no segundo semestre deste ano.
O Fundo Babaçu apoiará iniciativas como: Formalização de organizações; Ações educacionais coletivas; Atividades produtivas; Atividades culturais que evidenciam o modo de ser, de criar e viver das comunidades agroextrativistas; e Atividades ambientais de recuperação de adaptação climática, áreas degradadas, educação ambiental, reflorestamento, gestão de recursos hídricos, entre outros;
Centro de Formação consolida trajetória de reconhecimento nacional
O Centro de Formação das Quebradeiras de Coco Babaçu (CFQCB), inaugurado em 2 de maio de 2023, já é referência interestadual. Entre 2023 e 2024, realizou o curso “Quebrando saberes, elaborando projetos e preservando a floresta de babaçu”, formando 98 lideranças do Maranhão, Pará, Piauí e Tocantins.
O reconhecimento veio também em âmbito nacional: o Centro foi semifinalista do Prêmio Luz na Educação LED 2025, iniciativa da Fundação Roberto Marinho em parceria com o Grupo Globo.
Para Ana Maria Bezerra, coordenadora pedagógica do Centro de Formação:
“O Centro nasce da luta histórica das quebradeiras por educação contextualizada, feita a partir da realidade das quebradeiras de coco babaçu. Cada formação reafirma que essas mulheres e jovens são produtoras de conhecimento, guardiãs da floresta e sujeitas políticas do próprio destino”, enfatiza Ana Maria Bezerra, coordenadora pedagógica do CFQCB.
Educação, território e Lei Babaçu Livre: projeto político das quebradeiras
A formação política promovida pelo MIQCB está diretamente ligada às principais bandeiras do movimento: fortalecimento da identidade das quebradeiras, a defesa da Lei Babaçu Livre, que garante o livre acesso aos babaçuais; a regularização fundiária dos territórios tradicionais; a incidência política das mulheres nos espaços de decisão; e a proteção da sociobiodiversidade.
Mais do que qualificação técnica, o Educação em Movimento reafirma que o conhecimento construído coletivamente é ferramenta de resistência frente às disputas territoriais e às ameaças ambientais.
Ao fortalecer alianças internacionais, ampliar a formação de lideranças e investir em projetos socioambientais de base comunitária, o MIQCB reafirma sua mensagem política: a luta das quebradeiras é também luta por justiça climática, por democracia territorial e pelo protagonismo das mulheres.
Porque defender os babaçuais é defender a vida.
MIQCB conclui ciclo de oficinas de geotecnologias nos regionais Tocantins e Pará com foco na defesa territorial
Mulheres e juventudes do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu participaram, nos regionais Tocantins e Pará, de uma oficina de geotecnologias voltada ao fortalecimento da defesa territorial. A atividade, que ocorreu na comunidade Olho D’água/TO, nos dias 12 e 13, reuniu lideranças, integrantes das redes de defensoras e comunicadoras e jovens do movimento, encerrando uma agenda formativa que já havia passado pela Baixada Maranhense e Piauí. O objetivo é ampliar a autonomia das quebradeiras no monitoramento dos babaçuais, utilizando drones, formulários digitais e estratégias de comunicação para proteger as florestas, enfrentar conflitos socioambientais e fortalecer a Lei Babaçu Livre.
A oficina foi realizada em território de quebradeiras, reafirmando que a tecnologia, quando apropriada pelas comunidades, se torna ferramenta de luta, organização e proteção ambiental.
Tecnologia a serviço da defesa dos territórios
A formação prática incluiu mapeamento aéreo dos babaçuais, orientações sobre georreferenciamento e uso estratégico de imagens para denúncias de desmatamento, queimadas e invasões territoriais. A proposta é que as próprias comunidades possam produzir provas, registrar conflitos e fortalecer suas reivindicações por regularização fundiária.
Para Maria Silvania, coordenadora de base do MIQCB no Regional Tocantins, a experiência representa um marco para as comunidades:
“O curso de drone aqui na minha comunidade foi muito proveitoso. Fizemos o mapeamento do território e aprendemos a ter uma visão da nossa área que nunca tivemos. É um conhecimento que nossas comunidades nunca tinham tido oportunidade de acessar. Agora vamos colocar em prática para proteger nossos babaçuais, nosso meio ambiente e nossos territórios”, afirma Maria Silvania, coordenadora executiva do MIQCB Regional Tocantins.
Troca de experiências fortalece unidade interestadual
A atividade também promoveu intercâmbio entre regionais, fortalecendo a articulação política do movimento em diferentes estados.
Cledneuza Bizerra, coordenadora executiva do MIQCB Regional Pará, destacou o impacto formativo e simbólico da oficina:
“Foi uma troca de experiência muito grande. Tivemos a oportunidade de conhecer melhor nossas áreas e aprender a lidar com o drone. Às vezes a gente pensava que isso não era coisa para nós, mas hoje o movimento nos proporcionou ver nossas localidades por cima, conhecer nossa extensão e o que ainda temos de palmeira. A luta pelo Babaçu Livre se fortalece com esse trabalho”, ressalta Cledneuza Bizerra, coordenadora executiva do MIQCB Regional Pará.
Juventude e comunicação na linha de frente
A oficina integrou a Rede de Defensoras e Comunicadoras do MIQCB e o GT das Juventudes Rurais do Bico do Papagaio, reforçando a participação política das mulheres e o protagonismo das juventudes na defesa da sociobiodiversidade.
Maria Antônia, integrante da Rede de Defensoras e Comunicadoras e do GT das Juventudes Rurais no Bico do Papagaio, destacou a importância da tecnologia para o monitoramento ambiental:
“Esse curso é muito importante porque como jovem posso subir o drone e ver nossos babaçuais, identificar queimadas que não vemos da estrada. É um aprendizado enriquecedor para a regional e para o movimento interestadual”, afirma Maria Antônia.
Jackson, jovem comunicador do Regional Pará, também ressaltou o impacto direto da formação:
“O MIQCB proporcionar o uso do drone e ensinar como manusear esses equipamentos é algo muito grande para as mulheres. Elas podem fazer denúncias de desmatamento e queimadas, mapear e vigiar seus babaçuais. Isso fortalece nossa luta”, destaca Jackson, jovem comunicador do MIQCB Regional Pará.
Parceria técnica e continuidade da ação
“Estamos finalizando a etapa de campo dessa formação em tecnologias para o monitoramento territorial e conservação da sociobiodiversidade com o MIQCB. Tem sido uma experiência muito rica de troca com as comunidades, em diferentes realidades e paisagens.
As quebradeiras estão ganhando autonomia para registrar seus próprios territórios com imagens aéreas, vídeos e dados georreferenciados, fortalecendo a leitura do território, a valorização da cultura e o enfrentamento às ameaças. É uma honra fazer parte dessa caminhada e ver as comunidades já utilizando essas ferramentas de forma autônoma, associando tecnologia ao saber tradicional”, destaca Daniel Del Rei, geógrafo da HabitatGeo.
Geotecnologia, Lei Babaçu Livre e justiça climática
A incorporação das geotecnologias ao cotidiano das quebradeiras fortalece pautas estratégicas do movimento: a defesa da Lei Babaçu Livre, a regularização fundiária dos territórios tradicionais, a ampliação da participação política das mulheres e a proteção da sociobiodiversidade dos babaçuais.
Ao transformar tecnologia em instrumento popular de vigilância ambiental e denúncia, o MIQCB reafirma que a defesa dos territórios é também uma ação concreta de enfrentamento às mudanças climáticas e aos conflitos socioambientais.
Com mulheres e juventudes capacitadas para monitorar seus próprios territórios, o movimento consolida uma prática de justiça climática construída a partir do chão das comunidades.
Porque proteger os babaçuais é proteger a vida. Porque o protagonismo das mulheres sustenta os territórios.
MIQCB lança Edital para jovem quebradeira de coco babaçu integrar a Cachopa da Aprendizagem no Tocantins
O MIQCB torna público o Edital 01/26, que abre seleção para uma jovem mulher quebradeira de coco babaçu atuar na Cachopa da Aprendizagem, na Regional Tocantins, no município de São Miguel do Tocantins.
A iniciativa integra o Projeto Educação em Movimento, apoiado pela Co-Impact, e reforça o compromisso do MIQCB com a formação política, técnica e profissional das juventudes dos territórios tradicionais. A Cachopa da Aprendizagem é um espaço de formação prática supervisionada nos escritórios regionais do Movimento, fortalecendo capacidades em rotinas administrativas e educomunicação.
Presente no Maranhão, Pará, Piauí e Tocantins, o MIQCB atua na organização das quebradeiras de coco babaçu na defesa do acesso à terra, do território, do Babaçu Livre, da agroecologia e da melhoria das condições de vida das mulheres e suas famílias.
As jovens interessadas devem acessar o edital completo para conferir requisitos, prazos e orientações para candidatura.
Quebradeiras de coco babaçu celebram um ano da titulação do Território Tradicional Santa Rosa e reafirmam defesa do Babaçu Livre no Piauí
O Território Tradicional de Quebradeiras de Coco Babaçu Santa Rosa, no município de São João do Arraial (PI), celebrou nesta quinta-feira, 12 de fevereiro, um ano da titulação coletiva da área. A programação, iniciada às 8h, reuniu quebradeiras de coco, lideranças comunitárias, representantes do poder público e apoiadores em um momento político, formativo e cultural, tendo como atividade central o Seminário Territorial de Gênero e Raça. A data reafirmou a importância da regularização fundiária como instrumento de segurança jurídica, proteção territorial e fortalecimento do modo de vida tradicional das mulheres extrativistas.
Reconhecido em 13 de fevereiro de 2025 como o segundo território coletivo regularizado no Brasil, Santa Rosa tornou-se símbolo da resistência das quebradeiras de coco babaçu na luta pelo direito à terra, pela permanência no campo e pela defesa da sociobiodiversidade.
Composto por 123 famílias, o Território Santa Rosa abriga 206 pessoas que têm no extrativismo do coco babaçu sua principal base econômica. A partir da quebra e do aproveitamento integral do fruto, a comunidade produz itens como óleo, azeite, sabonetes e diferentes tipos de farinha, agregando valor à produção tradicional. Paralelamente, as famílias desenvolvem atividades de agricultura familiar, cultivando milho, arroz, feijão e mandioca, o que contribui para a geração de renda, a segurança alimentar e a sustentabilidade produtiva do território.
Regularização fundiária: conquista histórica das quebradeiras
A titulação do Território Santa Rosa é resultado de décadas de mobilização social, articulação política e diálogo institucional protagonizados pelas mulheres organizadas no MIQCB. Durante anos, as comunidades enfrentaram conflitos fundiários, ameaças de grilagem e insegurança jurídica.
Para o MIQCB, a regularização fundiária coletiva é uma pauta estratégica que garante não apenas o direito à terra, mas a proteção de um modo de vida baseado no extrativismo sustentável do babaçu, na economia solidária e na autonomia das mulheres.
A coordenadora executiva do MIQCB Regional Piauí, Marinalda Rodrigues, destacou o significado político da data. “Esse um ano da titulação de Santa Rosa reafirma que a organização coletiva das mulheres quebradeiras é capaz de transformar nossa realidade. O título garante segurança para nossas famílias viverem, trabalharem e preservarem o babaçu sem medo”, afirmou.
Ela reforçou que a conquista fortalece toda a luta das comunidades tradicionais. “A titulação coletiva é uma conquista que protege o território para as futuras gerações. É a certeza de que nossos (as) filhos (as) e neto (as) poderão continuar vivendo do babaçu, mantendo nossa cultura e nosso modo de vida”, completou Marinalda.
Seminário Territorial de Gênero e Raça fortalece protagonismo das mulheres
Durante a programação, o Seminário Territorial de Gênero e Raça promoveu reflexões sobre desigualdades estruturais, racismo, direitos das mulheres e tradicionalidade. O espaço reafirmou o compromisso do MIQCB com a formação política e com o fortalecimento da participação das mulheres nos processos de decisão que impactam seus territórios.
A presidenta da Associação Território de Quebradeira de Coco Babaçu Santa Rosa, Girlene Leal, ressaltou a importância do momento formativo. “Celebrar um ano da titulação é também refletir sobre quem somos e sobre o nosso papel enquanto mulheres negras, trabalhadoras e guardiãs do território. O seminário fortalece nossa consciência política e nossa união para defender o que conquistamos”, declarou.
O debate também dialogou com a pauta da Lei Babaçu Livre, instrumento fundamental para garantir o livre acesso aos babaçuais e impedir a derrubada e o cercamento das palmeiras prática que ameaça diretamente a subsistência das quebradeiras.
Cultura, memória e fortalecimento comunitário
A programação incluiu ainda momentos de memória da luta pela regularização, falas de lideranças, atividades culturais, bingo comunitário e apresentações musicais, reafirmando a força da organização coletiva.
O prefeito de São João do Arraial, Abdoral Melo, destacou o impacto da conquista para o município. “A titulação do Território Santa Rosa representa justiça histórica com as quebradeiras de coco babaçu. É o reconhecimento do direito dessas famílias à terra e ao seu modo de vida. O município reconhece a importância dessa luta e do fortalecimento das comunidades tradicionais”, afirmou.
Defesa dos territórios, sociobiodiversidade e Babaçu Livre
Ao completar um ano de titulação, Santa Rosa consolida-se como referência na defesa dos territórios tradicionais e da sociobiodiversidade. A experiência reforça a necessidade de avançar na regularização fundiária de outros territórios, na implementação da Lei Babaçu Livre e na ampliação da participação política das mulheres quebradeiras.
Para o MIQCB, proteger os babaçuais é também promover justiça climática, reconhecendo que o manejo tradicional realizado pelas mulheres contribui diretamente para a preservação ambiental e o enfrentamento da crise climática.
A celebração deste 12 de fevereiro reafirma que o protagonismo das mulheres quebradeiras é a base da transformação social. Em Santa Rosa, a titulação coletiva simboliza organização, resistência e compromisso com a vida, com a justiça climática e com a defesa permanente do Babaçu Livre.
Quebradeiras de Coco Babaçu fortalecem defesa dos territórios com oficina de geotecnologias e uso de drones no Piauí
Em mais uma agenda estratégica de formação política e técnica, o MIQCB realizou, nos dias 09 e 10, uma oficina de geotecnologias voltada ao fortalecimento da defesa territorial, reunindo lideranças, juventudes e integrantes das redes de defensoras e comunicadoras do movimento. A atividade aconteceu em território de quebradeiras de coco no Piauí, Santa Rosa e integra uma agenda formativa que já passou pela Baixada Maranhense e seguirá por outras regionais.
A iniciativa tem como objetivo ampliar a autonomia das mulheres e juventudes no monitoramento dos babaçuais, utilizando ferramentas como drones, formulários digitais e estratégias de comunicação para proteção das florestas, enfrentamento a conflitos socioambientais e fortalecimento da Lei Babaçu Livre.
A ação está inserida na estratégia política do MIQCB de defesa dos territórios tradicionais, promoção da regularização fundiária, fortalecimento da sociobiodiversidade e ampliação da participação política das mulheres nos processos de tomada de decisão.
Geotecnologias a serviço da defesa dos babaçuais
A oficina integra o segundo ciclo presencial de formação em geotecnologias nos territórios de quebradeiras de coco, fortalecendo uma agenda que articula tecnologia, comunicação popular e mobilização social.
Para Marinalda Rodrigues, coordenadora executiva do MIQCB Regional Piauí, a formação representa um avanço concreto na proteção dos territórios.
“Para nós, como MIQCB, é muito importante que a gente realize esses cursos, porque nos dão instrumentos para monitorar os nossos territórios. Em vez das famílias estarem se expondo, em locais de desmatamento, queimadas, plantações de larga escala e esse curso de drone é fundamental para nós, para poder fazer o monitoramento. A gente vê de longe o que está acontecendo dentro dos territórios, se está acontecendo desmatamento, queimada ou alguma coisa irregular. Com o drone, a gente pode ir sem que as pessoas nos vejam.”
O uso dessas ferramentas fortalece a implementação e fiscalização da Lei Babaçu Livre, seja em âmbito estadual ou municipal e contribui para territórios que ainda lutam pela sua aprovação.
Tecnologia, autonomia e nova política territorial
A oficina conta com a parceria da Habitat Geo, que vem contribuindo com a formação técnica e o diálogo entre conhecimento científico e saberes tradicionais.
Daniel Del Rei, geógrafo da Habitat Geo, destacou a importância da apropriação tecnológica pelas próprias comunidades:
“É uma grande honra para a gente poder participar desse processo de ganho de autonomia, essa troca de saberes na defesa dos territórios, na valorização da cultura das quebradeiras de coco, se apropriando das geotecnologias em defesa do seu território. Nunca antes tivemos tantas condições técnicas para fazer uma outra política. Cabe a nós tomar isso para construir uma nova forma de ver o território e defender nossos direitos.”
Segundo ele, o processo fortalece a autonomia das mulheres ao permitir que elas mesmas realizem mapeamentos, registrem denúncias e valorizem seus modos de vida.
Juventude em rede pela proteção do território
A formação também fortalece a Rede de Defensoras e a Rede de Comunicadores do MIQCB, ampliando a participação política das juventudes na luta territorial.
Carla Pinheiro, assessora de Juventude do MIQCB, reforçou a importância estratégica da formação:
“Esse é o segundo encontro presencial nos territórios de quebradeiras de coco. Passamos na semana passada pela Baixada Maranhense, pensando a importância do uso de geotecnologias como ferramentas para proteção e defesa das florestas de babaçu. Agora estamos aqui no território e seguimos para outra regional, fortalecendo, a partir do drone, da comunicação, de questionários e formulários, a defesa das florestas. É mais um fortalecimento dessa rede de defensores e comunicadores que atua na manutenção dos babaçuais e na qualificação de juventudes, quebradeiras e lideranças.”
A juventude tem assumido papel central na construção dessa nova etapa organizativa do movimento, aliando tradição e inovação na defesa da sociobiodiversidade.
Experiência prática e protagonismo jovem
Para Cassandra Santos, jovem da Rede de Defensoras e Comunicadoras do MIQCB, a experiência com o drone foi transformadora:
“Hoje a experiência foi com o drone, é uma experiência incrível e que vai ajudar bastante no movimento. Eu não conhecia o drone e na oficina tive a oportunidade de subir, de ajudar a movimentar o drone. Foi uma experiência incrível mesmo.”
Franciane Silva, da AMTCOB, também destacou o impacto direto da formação na segurança das lideranças:
“Hoje estamos aqui no curso de drone e nesse curso podemos aprender como monitorar e cuidar do nosso território com mais privacidade, para não correr tanto risco enquanto fazemos denúncias de queimadas, derrubadas e pulverização de veneno.”
Defesa territorial, justiça climática e Babaçu Livre
A formação em geotecnologias reforça a estratégia política do MIQCB de garantir a regularização fundiária, consolidar a Lei Babaçu Livre, ampliar a participação política das mulheres e fortalecer a defesa dos territórios tradicionais frente às ameaças do agronegócio, das queimadas e da pulverização de veneno.
Ao se apropriarem das tecnologias para monitorar e proteger os babaçuais, as quebradeiras de coco reafirmam seu protagonismo na construção de alternativas baseadas na sociobiodiversidade e na justiça climática.
Mais do que aprender a operar drones, as mulheres e juventudes estão fortalecendo uma rede coletiva de proteção territorial. Uma rede que defende a floresta em pé, garante direitos e reafirma, na prática, que não há futuro sustentável sem o protagonismo das mulheres e sem Babaçu Livre.
Prorrogado o prazo para a convocação das entrevistas do Edital de Assessoria de Comunicação do MIQCB
A Associação do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB) informa a prorrogação das datas para comunicação das entrevistas referentes ao Termo de Referência nº 01/2026, que trata da contratação de Assessoria de Comunicação.
As entrevistas serão comunicadas exclusivamente por e-mail, conforme nova data estabelecida. O envio dos comunicados aos(às) candidatos(as) selecionados(as) ocorrerá no dia 23 de fevereiro de 2026.
Contamos com a compreensão de todas e todos e reafirmamos nosso compromisso com a transparência e o devido andamento do processo seletivo.
Quebradeiras de coco babaçu fortalecem a defesa dos territórios com geotecnologias em formação do MIQCB no Maranhão
Nos dias 03 e 04 de fevereiro, quebradeiras de coco babaçu das regionais Imperatriz, Baixada Maranhense e Mearim Cocais participaram de uma oficina de geotecnologias e uso de drones promovida pelo MIQCB, em parceria com Cosultoria Ambiental HabitatGeo, no Quilombo Camaputiua, no Maranhão. A atividade reuniu lideranças, coordenadoras de base, juventude e assessoria técnica com o objetivo de fortalecer o monitoramento territorial, a produção de denúncias e a defesa dos babaçuais frente ao avanço das derrubadas, do uso de agrotóxicos e das violências nos territórios tradicionais.
A formação acontece em um cenário de aprofundamento dos conflitos socioambientais nos territórios das quebradeiras de coco, marcado pela expansão do agronegócio, pela pulverização aérea de venenos, pelo cercamento ilegal das áreas comuns e pela derrubada sistemática das palmeiras de babaçu. Diante desse contexto, o MIQCB reafirma a centralidade da Lei do Babaçu Livre, a defesa dos territórios tradicionais, o enfrentamento às violências e a luta por justiça climática, com protagonismo das mulheres quebradeiras de coco babaçu.
OFICINA DE DRONES E GEOTECNOLOGIAS PARA O MONITORAMENTO TERRITORIAL
A oficina combinou atividades teóricas e práticas sobre o uso de drones, GPS, smartphones e ferramentas de mapeamento participativo. As participantes aprenderam a registrar áreas de derrubada, queimadas, pulverização de agrotóxicos, cursos d’água e conflitos territoriais, além de construir formulários comunitários para sistematizar informações sobre violências e avanços nos territórios.
A atividade contou com a participação de quebradeiras de coco, coordenadoras de base e jovens das regionais Imperatriz, Baixada Maranhense e Mearim Cocais. O MIQCB foi responsável pela articulação política da formação, garantindo que a tecnologia estivesse a serviço da luta histórica das quebradeiras, fortalecendo a autonomia das comunidades e a defesa dos babaçuais.
“Essa oficina de drone para mim está sendo bastante importante, já que a gente está muito focado em fazer denúncias nos nossos territórios. A gente vai ter um fortalecimento muito grande aprendendo a mexer no drone. Isso também vai fortalecer a Lei do Babaçu Livre, porque vamos ter um respaldo maior com imagens para denunciar de uma forma que não nos deixa tão expostas”, afirma Mari José, coordenadora executiva da Regional Imperatriz e secretária de juventude do MIQCB.
JUVENTUDE, SABERES TRADICIONAIS E TECNOLOGIA
A formação também evidenciou o papel estratégico da juventude no fortalecimento da luta das quebradeiras, aliando saberes tradicionais e novas tecnologias para a proteção dos territórios.
“É uma satisfação enorme ver as comunidades se apropriando das ferramentas de geotecnologias para reivindicar seus direitos, monitorar seus territórios e proteger sua cultura e modo de vida. Ver quebradeiras de coco babaçu mapeando seus territórios e utilizando drones é construir uma outra política possível”, destaca Daniel Del Rey, geógrafo e representante do Habitatigel, consultoria ambiental parceira da atividade.
COMUNICAÇÃO, DENÚNCIA E VISIBILIDADE DOS TERRITÓRIOS
Outro eixo central da oficina foi o fortalecimento da comunicação comunitária e da capacidade de diálogo com órgãos públicos e autoridades.
“Essa oficina foi maravilhosa porque nos trouxe um conhecimento além do que esperávamos. Aqui no território temos muita dificuldade de comunicação, e agora vamos poder nos comunicar com as autoridades. Temos muitos jovens envolvidos e isso vai dar um grande fortalecimento para o território”, relata Maria Natividade, coordenadora de base do MIQCB, do Quilombo Camaputiua, no município de Cajari.
ENFRENTAMENTO ÀS DERRUBADAS, AOS AGROTÓXICOS E ÀS VIOLÊNCIAS
As discussões abordaram diretamente os impactos da derrubada de palmeiras, do envenenamento das águas, das roças e dos alimentos, além do racismo ambiental vivido pelas comunidades.
“Esse drone vem para nos fortificar muito mais. A gente vai poder captar imagens de longe e ter provas para denunciar a derrubada, o envenenamento das palmeiras, das águas e das nossas roças. Nós queremos o drone para proteger nossos babaçuais, porque se não tiver babaçu, não tem quebradeira”, afirma Auréa Maria, coordenadora de base da Regional Mearim Cocais, de Codó.
AUTONOMIA, TERRITÓRIO E JUSTIÇA CLIMÁTICA
Para a juventude, a oficina reforçou o compromisso com a defesa dos territórios e a continuidade da luta das quebradeiras.
“Esse curso superou todas as expectativas. Vai ajudar minha comunidade a monitorar derrubadas, cercas e o uso de agrotóxicos. É um aprendizado que a gente leva para fortalecer o território”, relata Felipe Hollander, jovem da comunidade Primeiro Cocá, da Regional Imperatriz.
“O curso vai fortalecer não só a minha comunidade, mas todas ao redor. A gente aprende a mapear queimadas, desmatamentos, rios e violências. Isso é muito importante para enfrentar o racismo ambiental que vivemos”, afirma Livanda, quebradeira de coco da comunidade Santana, no município de Matões do Norte.
O MIQCB reafirma que a apropriação das geotecnologias pelas quebradeiras de coco babaçu é parte de uma estratégia política de enfrentamento às injustiças socioambientais, fortalecendo a autonomia das comunidades, a defesa dos territórios tradicionais e o protagonismo das mulheres na luta por justiça climática.
Sem território não há vida, sem babaçu não há quebradeira. Seguimos em luta pela preservação dos babaçuais, pela efetivação da Lei do Babaçu Livre e pelo direito de existir nos nossos territórios.
Babaçu Livre!
Confira algumas imagens, resultado da oficina:
Quebradeiras de Coco Babaçu fortalecem a governança territorial em curso de formação do MIQCB
Encerramento reafirma protagonismo das mulheres, defesa dos territórios e a luta pelo Babaçu Livre
Quebradeiras de Coco Babaçu de diferentes territórios de atuação do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB), participaram do encerramento do Curso de Formação em Governança e Direitos Territoriais, que ocorreu nessa sexta (23), em São Luís/MA, realizado como parte da estratégia política de fortalecimento das mulheres extrativistas. A formação reuniu lideranças dos regionais do Maranhão, Piauí, Pará e Tocantins e teve como objetivo ampliar a participação política das quebradeiras, fortalecer a defesa dos territórios tradicionais e aprofundar o debate sobre direitos, sociobiodiversidade e justiça climática.
Governança territorial e direitos das quebradeiras
O curso integra a agenda política do MIQCB voltada à construção de uma governança territorial protagonizada pelas mulheres quebradeiras de coco babaçu. Em um contexto marcado pelo avanço da grilagem de terras, do desmatamento e da violação de direitos, a formação reafirma o papel central das quebradeiras na proteção dos territórios, na defesa da sociobiodiversidade e na construção de alternativas sustentáveis baseadas no extrativismo do babaçu.
Para Cledeneuza Bizerra, coordenadora executiva do MIQCB Regional Pará, o fortalecimento da governança territorial está diretamente ligado à autonomia das mulheres quebradeiras. “A governança territorial que defendemos nasce da organização das quebradeiras e do respeito aos nossos modos de vida. Defender o território é defender o babaçu, a sociobiodiversidade e o direito das mulheres de decidir sobre o presente e o futuro das nossas comunidades.”
A iniciativa fortalece a incidência política do MIQCB em pautas estratégicas como a Lei do Babaçu Livre, a regularização fundiária, o financiamento direto para organizações de base e o reconhecimento do trabalho das mulheres como eixo fundamental da justiça climática.
Formação política como instrumento de autonomia
Durante o curso, as participantes debateram temas como direitos territoriais, políticas públicas, governança comunitária, organização social e estratégias de enfrentamento às violações nos territórios. As atividades incluíram rodas de conversa, análises de conjuntura e trocas de experiências entre os regionais do MIQCB.
Para Maria José, coordenadora executiva do MIQCB Regional Imperatriz, a formação fortalece a luta histórica das quebradeiras. “Esse curso reafirma que as quebradeiras de coco não são apenas guardiãs do babaçu, mas também construtoras de propostas políticas. A governança territorial passa pelo nosso protagonismo, pelo direito de decidir sobre nossos territórios e nossos modos de vida.”
Lei Babaçu Livre e regularização fundiária
Um dos eixos centrais da formação foi o debate sobre a Lei do Babaçu Livre, instrumento essencial para garantir o acesso livre aos babaçuais e enfrentar as cercas impostas pelo latifúndio. As participantes também aprofundaram a discussão sobre a regularização fundiária como condição indispensável para a permanência das quebradeiras em seus territórios.
Segundo Klésia Lima, Coordenadora de Base do MIQCB Regional Piauí, o curso fortalece a organização coletiva das quebradeiras. “A gente sai dessa formação mais preparada para defender nossos direitos. A Lei Babaçu Livre e a regularização fundiária não são favores, são direitos históricos das quebradeiras. Formação é arma política para garantir nosso território.”
Financiamento direto e fortalecimento das organizações de mulheres
Outro ponto central foi a necessidade de financiamento direto para organizações de base, reconhecendo que as quebradeiras produzem alimentos, preservam o meio ambiente e sustentam a sociobiodiversidade, mas seguem enfrentando dificuldades de acesso a recursos.
O curso reforçou que o fortalecimento financeiro das organizações de mulheres é fundamental para garantir autonomia, ampliar a incidência política e sustentar ações contínuas nos territórios.
Participação política das mulheres quebradeiras
A participação política das mulheres foi tratada como eixo transversal da formação. As quebradeiras reafirmaram a importância de ocupar espaços de decisão, conselhos, fóruns e instâncias políticas como parte da luta por direitos territoriais e justiça social.
Para Silvana Paixão, Coordenadora de Base do MIQCB Regional Tocantins, a formação amplia a consciência política das mulheres. “A formação nos fortalece para ocupar os espaços e falar por nós mesmas. As quebradeiras têm voz, têm proposta e têm história. A participação política das mulheres é essencial para defender o território e o babaçu.”
Encerramento: justiça climática, protagonismo das mulheres e Babaçu Livre
O encerramento do Curso de Formação em Governança e Direitos Territoriais, ocorreu com uma visita a sede do INCRA no Maranhão, onde as mulheres puderam conhecer o espaço físico do Instituto, essa iniciativa, reafirmou o compromisso do MIQCB com a justiça climática, o protagonismo das mulheres quebradeiras e a defesa incondicional dos territórios tradicionais. Em um cenário de crise ambiental e social, as quebradeiras de coco babaçu seguem na linha de frente da proteção da sociobiodiversidade e da construção de um modelo de desenvolvimento justo e sustentável.
O MIQCB reafirma: sem as mulheres quebradeiras de coco Babaçu não há território, não há babaçu e não há justiça climática. Babaçu Livre!
MIQCB
MOVIMENTO INTERESTADUAL DAS QUEBRADEIRAS DE COCO BABAÇU