
Imperatriz (MA) – Nos dias 15 e 16 de janeiro, o município de Imperatriz sediou a Apresentação do Diagnóstico de Uso e Ocupação do Solo, Levantamento Fundiário e Cadastro de Famílias para acesso ao território pelo Programa Florestas Públicas, por meio do Projeto Floresta de Babaçu, Território das Quebradeiras. A atividade foi realizada pelo MIQCB – Regional Imperatriz e o Projeto Nova Cartografia Social da Amazônia (PNCSA), em parceria com os Ministérios do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) e do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), com o objetivo de garantir o reconhecimento de territórios tradicionais das quebradeiras de coco babaçu, fortalecer a segurança territorial e ampliar o acesso a políticas públicas voltadas à proteção das florestas e da sociobiodiversidade.
Articulação institucional e construção coletiva
A ação integra um processo político iniciado no Seminário Regional de Regularização Fundiária de Territórios Tradicionais, realizado em agosto de 2024. Na ocasião, o MIQCB Regional Imperatriz pautou junto ao MDA e ao MMA a necessidade de instrumentos que respeitassem os modos de vida das quebradeiras de coco babaçu. Desde então, os ministérios passaram a dialogar diretamente com as mulheres extrativistas, construindo metodologias que conciliam informações técnicas do Estado com os saberes territoriais das comunidades. Ao longo do último ano, houveram diálogos deram continuidade a esse processo.
Segundo Maria José, coordenadora executiva do MIQCB Regional Imperatriz, o momento representa um avanço histórico:
“Esse diagnóstico não é apenas técnico, ele é político. Nasce da luta das quebradeiras pelo direito de permanecer em seus territórios, acessar o babaçu livremente e ter seus modos de vida respeitados. O MIQCB tem construído essa ponte com os ministérios para que nossas vozes sejam consideradas na formulação das políticas públicas.”
Diagnóstico territorial e Programa Florestas Públicas
Durante os dois dias de atividade, foram apresentados dados sobre o uso e ocupação do solo, o levantamento fundiário e o cadastro de famílias de comunidades da Regional Imperatriz inseridas no Programa Territórios da Floresta. As áreas abrangem os municípios de São Pedro da Água Branca, Vila Nova dos Martírios, Senador La Rocque e Amarante. O processo busca garantir segurança territorial, condição essencial para o fortalecimento do extrativismo do babaçu, a preservação ambiental e a geração de renda.
Maria José destacou ainda que o reconhecimento territorial impacta diretamente a autonomia das mulheres:
“Quando o território é reconhecido, a quebradeira garante renda, protege o babaçu e fortalece sua participação política. Isso é justiça social, ambiental e climática.”
Vozes do território e da construção coletiva
A programação foi marcada por falas que evidenciam a dimensão política, coletiva e humana do processo.
Leuseny Santos, coordenadora de base do MIQCB Regional Imperatriz, ressaltou o papel das parcerias e a persistência da luta:
“Quero agradecer a todas as pessoas que colaboram com as comunidades, com as lideranças e com o MIQCB. Nada disso é fácil, mas não vamos desistir. A nossa luta continua porque o território é nosso direito.”
Pela Nova Cartografia Social da Amazônia, Linalva Cunha destacou a importância do trabalho de campo e da memória coletiva construída com as comunidades:
“A Cartografia Social nos permite chegar às pessoas, registrar histórias e compreender as relações com o território. É um processo de escuta e de construção conjunta.”
Durante o encontro, participantes também relataram situações de constrangimento institucional e reafirmaram a necessidade de união e fortalecimento coletivo:
“A gente só consegue ajudar quando está preparado para ajudar. Esse trabalho só chegou onde chegou porque foi coletivo. Ele não termina aqui, mas abre caminhos para reivindicar direitos que já são nossos.”
No encerramento, Maria José reforçou o caráter formativo do processo:
“Foi um grande desafio para todas e todos, mas abriu novas possibilidades de atuação nas comunidades, fortaleceu identidades e criou mais pontes para o MIQCB.”
Representando a Nova Cartografia Social da Amazônia, Tomas Paoliello destacou os encaminhamentos institucionais:
“Há um prazo definido para a entrega final dos produtos, seguido de encaminhamentos junto aos ministérios. Cada apresentação gera desdobramentos específicos e outros comuns a todas as comunidades.”
Adailton Pereira, também da Nova Cartografia Social da Amazônia, ressaltou a importância da circulação das informações:
“Essas conversas fortalecem a unidade e garantem que o processo tenha circulação social e política.”
Destinação de terras públicas
Coordenadoras executivas do MIQCB reforçaram que o processo em curso não se trata de regularização fundiária individual, mas de destinação de terras públicas para garantir o uso coletivo e tradicional.
Ednalva Ribeiro, coordenadora executiva do MIQCB Regional Tocantins, afirmou:
“Não se trata de uma regularização fundiária, e sim de uma destinação de terra pública.”
Na mesma linha, Cledneuza Bizerra, coordenadora executiva do MIQCB Regional Pará, reforçou:
“Não se trata de regularização fundiária, mas da destinação de terras públicas para assegurar os direitos coletivos.”
Pautas estratégicas e justiça climática
A iniciativa reafirma pautas históricas do MIQCB, como a Lei do Babaçu Livre, a destinação de terras públicas como base da permanência nos territórios, o financiamento direto para iniciativas produtivas das mulheres, a ampliação da participação política feminina e a defesa dos territórios tradicionais e da sociobiodiversidade.
Ao fortalecer o diálogo com o Estado e garantir o protagonismo das quebradeiras nos processos territoriais, o MIQCB Regional Imperatriz reafirma que a luta pelo território é também uma luta por justiça climática, pela preservação das florestas e pelo reconhecimento do papel central das mulheres na defesa da vida e das florestas de babaçu.







O Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB) está com processo seletivo aberto para o cargo de Auxiliar Administrativo-Financeiro.
O MIQCB atua diretamente nos estados do Pará, Tocantins, Piauí e Maranhão, representando os interesses sociais, políticos, econômicos e culturais das mulheres quebradeiras de coco babaçu. O Movimento tem como missão fortalecer a organização das quebradeiras para a defesa de seus direitos, o acesso e domínio da terra, dos territórios, dos babaçuais e demais recursos naturais, além de lutar pela melhoria das condições de vida no campo, especialmente de mulheres, crianças e juventudes.
A pessoa contratada irá prestar suporte às atividades administrativo-financeiras institucionais e de projetos, atuando em processos como prestações de contas, conciliações bancárias, gestão de pessoas, cotações de preços, pesquisa de fornecedores e aquisição de materiais e serviços, garantindo eficiência, transparência e cumprimento dos procedimentos internos do Movimento.
A vaga é destinada a pessoas com formação técnica ou superior nas áreas de Administração, Contabilidade, Economia ou áreas afins, com experiência em gestão administrativo-financeira, preferencialmente em movimentos sociais e organizações da sociedade civil. O MIQCB valoriza profissionais com sensibilidade e compromisso com temas como agricultura familiar, povos e comunidades tradicionais, desenvolvimento sustentável, agroextrativismo, economia solidária, gênero, raça e direitos humanos.
O contrato será em regime CLT por tempo determinado de 18 meses, com jornada de 40 horas semanais. A base de trabalho será o escritório do MIQCB em São Luís/MA.
As pessoas interessadas devem enviar currículo, carta de interesse e cartas de recomendação até o dia 01 de fevereiro de 2026, conforme orientações do edital.
Acesse ao edital AQUI!

Curso reúne mulheres de territórios tradicionais para afirmar identidade, memória e estratégias de defesa do Babaçu Livre
Teve início nesta segunda-feira, 19 de janeiro, no Convento das Mercês, em São Luís (MA), o Curso de Formação em Governança e Direitos Territoriais das Quebradeiras de Coco Babaçu, promovido pelo Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB). A formação segue até o dia 23 de janeiro e reúne mulheres quebradeiras de diferentes territórios dos estados do Maranhão, Piauí, Pará e Tocantins, com o objetivo de fortalecer o conhecimento coletivo, valorizar saberes ancestrais e aprofundar o debate sobre a defesa dos territórios tradicionais.]

A iniciativa reafirma o papel central das quebradeiras de coco babaçu na luta pela regularização fundiária, pela Lei Babaçu Livre, pela proteção da sociobiodiversidade e pela ampliação da participação política das mulheres nos processos de decisão que impactam seus territórios e modos de vida.
Formação como ferramenta de luta pelos territórios coletivos
Ao longo da abertura e das primeiras atividades, as participantes destacaram que o conhecimento construído nos territórios é a base da resistência das quebradeiras. São as mulheres que vivenciam cotidianamente os conflitos fundiários, as violências, as ameaças ambientais e as tentativas de expulsão de suas comunidades.
A formação parte do reconhecimento de que a luta por territórios coletivos, titulados e respeitados nasce da experiência concreta das mulheres nos babaçuais. Nesse sentido, o curso promove reflexões sobre governança territorial, direitos constitucionais, identidade coletiva, memória histórica e estratégias de enfrentamento às violações de direitos.
Direitos territoriais, identidade e memória como eixos centrais
Durante os debates, foi reafirmada a importância do reconhecimento da identidade das quebradeiras de coco babaçu, do resgate da história de luta do Movimento e da denúncia permanente das injustiças sofridas pelos povos e comunidades tradicionais.

As participantes também apontaram os impactos do desmatamento, das queimadas, da grilagem de terras e da negação de direitos como ameaças diretas à reprodução social, cultural e econômica das comunidades. A defesa dos territórios tradicionais foi colocada como elemento central da luta pela justiça climática, uma vez que são as quebradeiras as principais guardiãs dos babaçuais e da sociobiodiversidade.
Saberes jurídicos e estratégias de incidência política
Um dos momentos da formação foi dedicado ao debate sobre os direitos territoriais no campo jurídico e político. Para Joaquim Shiraishi Neto, advogado, doutor em Direito e professor da UEMA e da UFMA, o protagonismo das mulheres é fundamental na construção do direito a partir dos territórios.

“Os direitos territoriais não nascem apenas da lei escrita, mas da vida concreta nos territórios. As quebradeiras de coco babaçu constroem diariamente o direito a partir da resistência, da organização coletiva e da defesa do bem comum”, afirmou Shiraishi.
Juventude, território e continuidade da luta

A presença de jovens quebradeiras também marcou a formação, reafirmando a continuidade da luta intergeracional. Antônia Almeida, jovem quebradeira de coco babaçu e coordenadora de meio ambiente da Associação do Território Tradicional Santa Rosa, em São João do Arraial (PI), destacou a importância da formação para fortalecer a organização comunitária.
“Nós, jovens dos territórios, precisamos conhecer nossa história e nossos direitos para seguir defendendo o babaçu e nossas comunidades. A formação nos dá ferramentas para enfrentar as ameaças e fortalecer a luta coletiva”, ressaltou Antônia.
Educação, território e protagonismo das mulheres
Para Bárbara Akroá Gamela, quebradeira de coco babaçu, moradora da Aldeia Taquaritiua, em Viana (MA), coordenadora executiva do MIQCB na Regional Baixada e atual coordenadora geral de educação do Movimento, a formação reafirma o papel das mulheres como sujeitos políticos.

“A educação que construímos no MIQCB nasce do território, da nossa identidade e da nossa história. Somos nós, mulheres quebradeiras, que defendemos os babaçuais e garantimos a vida das comunidades”, afirmou Bárbara.
A educadora popular Cícera Soares, agricultora familiar, apicultora, quebradeira de coco e liderança histórica da organização comunitária e sindical, também destacou a importância da formação como espaço de troca de saberes.

“A luta pelos territórios é uma luta antiga, construída com organização, formação e resistência. As mulheres sempre estiveram na linha de frente, defendendo a terra, o babaçu e a vida”, pontuou Cícera.
Pautas estratégicas do MIQCB em destaque
Ao longo do curso, o MIQCB reafirma suas pautas estratégicas, entre elas:
A defesa e ampliação da Lei Babaçu Livre;
A regularização fundiária dos territórios tradicionais;
O acesso a financiamento direto para as organizações de base;
O fortalecimento da participação política das mulheres;
A defesa dos territórios e da sociobiodiversidade frente às ameaças do agronegócio e do capital predatório.
Justiça climática, mulheres e Babaçu Livre
O Curso de Formação em Governança e Direitos Territoriais reafirma que não há justiça climática sem o reconhecimento dos territórios tradicionais e do protagonismo das mulheres quebradeiras de coco babaçu. A defesa do babaçu é, ao mesmo tempo, defesa da vida, da cultura e do futuro das comunidades.
O MIQCB segue fortalecendo a organização coletiva, a formação política e a resistência das quebradeiras de coco babaçu na luta por territórios livres, direitos garantidos e pelo Babaçu Livre.















O Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB) torna público o Termo de Referência nº 01/2026, que estabelece os critérios para a contratação de 01 (uma) profissional para atuar como Assessoria de Comunicação Interestadual.
A contratação tem como objetivo fortalecer a comunicação institucional do MIQCB e da Cooperativa Interestadual das Mulheres Quebradeiras de Coco Babaçu (CIMQCB), assegurando transparência, visibilidade e divulgação das ações, projetos, resultados e impactos desenvolvidos nos territórios tradicionais de babaçuais nos estados do Maranhão, Pará, Piauí e Tocantins.
A profissional selecionada será responsável pelo planejamento e execução das estratégias de comunicação institucional, produção de conteúdos jornalísticos e digitais, relacionamento com a imprensa, cobertura das ações em campo, apoio à incidência política, desenvolvimento de campanhas em defesa dos territórios e fortalecimento da comunicação popular protagonizada pelas mulheres quebradeiras de coco babaçu.
O processo seletivo ocorrerá em duas etapas: análise curricular e entrevista. A contratação será realizada em regime CLT, por tempo determinado de 12 meses, com carga horária de 40 horas semanais, tendo como local de referência a sede do MIQCB, em São Luís (MA), com atuação integrada aos escritórios regionais.
O MIQCB incentiva, preferencialmente, a candidatura de mulheres com formação na área da comunicação, experiência em projetos socioambientais, direitos humanos, comunicação popular e compromisso com a ética, a diversidade e a defesa dos povos e comunidades tradicionais.
Prazo para envio das candidaturas: até 31 de janeiro de 2026
E-mails: contratacoes@miqcb.org.br | administracao@miqcb.org.br
Assunto: Seleção Assessoria de Comunicação Interestadual
Acesse AQUI Termo de Referência completo!

O Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB) realiza, entre os dias 19 e 23 de janeiro, o Curso de Formação em Governança e Direitos Territoriais de Quebradeiras de Coco Babaçu, com aula inaugural no Convento das Mercês, no Centro Histórico de São Luís (MA).
A iniciativa integra o Projeto Baqueli: territórios, mulheres e clima e reafirma a formação política e educacional como estratégia central da luta das quebradeiras de coco babaçu pela defesa de seus territórios tradicionais, dos babaçuais livres e da justiça climática.
O curso reúne mulheres quebradeiras de coco babaçu de diferentes gerações e identidades, indígenas, quilombolas, juventudes, afrodescendentes e outras comunidades tradicionais, em um espaço de intercâmbio, reflexão e aprendizagem sobre governança territorial, direitos coletivos e estratégias de proteção dos territórios.
Durante os cinco dias de atividades presenciais em São Luís, as participantes irão dialogar sobre temas como direitos territoriais, políticas públicas, protagonismo feminino, conhecimento tradicional e articulação com universidades e instituições de pesquisa.
A programação também busca fortalecer mulheres e juventudes como lideranças e defensoras dos territórios onde vivem.Após a etapa inicial no Maranhão, o curso terá continuidade diretamente nos territórios das quebradeiras, com atividades formativas nos estados do Maranhão, Pará, Piauí e Tocantins, ampliando o alcance da formação e fortalecendo a rede interestadual de mulheres em defesa do babaçu e dos modos de vida tradicionais.
O MIQCB é uma organização que articula quebradeiras de coco babaçu do Norte e Nordeste do Brasil, atuando há décadas na defesa dos direitos territoriais, da floresta em pé, da autonomia das mulheres e do enfrentamento à crise climática a partir dos territórios tradicionais.
Serviço
O que? Evento: Curso de Formação em Governança e Direitos Territoriais de Quebradeiras de Coco Babaçu
Quando? Data: 19 de janeiro – aula inaugural aberta ao públicoHorário: 14h
Onde? Convento das Mercês – R. da Palma, 502 – Desterro – São Luís (MA)
Contato: Mariana Moura – 98 98214 3447 – Assessoria de comunicação MIQCB

Cerca de 60 mulheres de cinco territórios participaram do Encontro Territorial de Quebradeiras de Coco Babaçu, realizado no dia 16 de janeiro na Câmara Municipal de Esperantina/Piauí, reafirmando o protagonismo das mulheres extrativistas na defesa do clima, dos territórios e dos direitos coletivos em um contexto de crise climática e disputas políticas globais.

O Encontro Territorial de Quebradeiras de Coco Babaçu: “Saberes ancestrais em tempos de mudanças climáticas” reuniu, recentemente, cerca de 60 mulheres quebradeiras de coco babaçu dos territórios situados nos municípios de Esperantina, São João do Arraial, Joca Marques, Luzilândia e Morro do Chapéu, no estado do Piauí. A atividade foi uma iniciativa da Associação de Mulheres Quebradeiras de Coco Babaçu (AMTCOB), com o apoio do Fundo Brasil, em parceria com o Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB).
O encontro teve como objetivo fortalecer a organização de base, valorizar os saberes tradicionais das quebradeiras e aprofundar o debate sobre os impactos das mudanças climáticas nos territórios tradicionais, reafirmando o papel político das mulheres extrativistas na construção de soluções climáticas justas e enraizadas nos territórios.
Quebradeiras, clima e território no centro do debate político global

Em um cenário marcado pelas negociações internacionais sobre clima, como a COP, a Cúpula dos Povos e os espaços de incidência política das comunidades tradicionais, as quebradeiras de coco babaçu seguem afirmando que não há solução para a crise climática sem os povos dos territórios. As experiências locais, os modos de vida sustentáveis e o uso coletivo do babaçu colocam essas mulheres como guardiãs da sociobiodiversidade e agentes centrais na defesa do clima.
O MIQCB tem reforçado, nesses espaços, que políticas climáticas precisam dialogar com os territórios, garantir financiamento direto às comunidades e reconhecer o papel histórico das mulheres na preservação das florestas e dos bens comuns.
Saberes ancestrais como resposta às mudanças climáticas
Durante o encontro, as quebradeiras compartilharam experiências sobre o manejo do babaçu, os impactos das mudanças climáticas em seus territórios e as estratégias coletivas de resistência e adaptação. A atividade também fortaleceu a troca de saberes entre diferentes comunidades, reafirmando o conhecimento tradicional como base para a justiça climática.

Para Marinalda Rodrigues, coordenadora executiva do MIQCB Regional Piauí, o encontro reafirma o papel político das quebradeiras no enfrentamento da crise climática.
“As quebradeiras de coco babaçu sempre cuidaram da floresta e do território. Hoje, quando o mundo discute mudanças climáticas, é fundamental que nossas vozes estejam no centro desse debate, porque nossas práticas são soluções reais para o clima”, destacou.
Organização de base e fortalecimento das mulheres quebradeiras
O encontro também foi um espaço de fortalecimento organizativo e político das mulheres, reafirmando a importância da atuação coletiva nos territórios. A AMTCOB, como organização de base, tem desempenhado papel estratégico na mobilização das quebradeiras e na defesa de seus direitos.

A presidenta da AMTCOB, Helena Gomes, ressaltou a importância da parceria com o MIQCB e do apoio institucional para a realização da atividade.
“Esse encontro é fruto da nossa organização enquanto mulheres quebradeiras. Com o apoio do Fundo Brasil e em parceria com o MIQCB, seguimos fortalecendo nossas lutas e garantindo que nossas pautas sejam respeitadas”, afirmou.
Atuação do MIQCB no fortalecimento territorial
O MIQCB contribuiu diretamente com a articulação política, a formação e o fortalecimento das lideranças locais, reafirmando seu compromisso histórico com a defesa dos territórios tradicionais e dos direitos das quebradeiras de coco babaçu.

Segundo Klésia Lima, coordenadora de base do MIQCB Regional Piauí, o encontro reafirma a importância da atuação nos territórios.
“É no território que a luta acontece. Fortalecer as mulheres quebradeiras é fortalecer a defesa do babaçu, da terra e da vida”, pontuou.
A quebradeira e coordenadora de base do MIQCB, regional Piauí, Maria de Jesus (Janete) também destacou a importância do encontro para a continuidade da luta coletiva.
“A gente aprende, troca experiência e sai mais fortalecida para defender nosso território e o babaçu”, disse.
Pautas políticas das quebradeiras: clima, direitos e enfrentamento às violências
Durante o encontro, foram reafirmadas pautas históricas do MIQCB, como a defesa da Lei do Babaçu Livre, o acesso e a regularização dos territórios tradicionais, o enfrentamento às diversas formas de violência contra as mulheres e a luta por financiamento direto para iniciativas de base lideradas por mulheres.
Essas pautas dialogam diretamente com o debate climático global e reforçam que justiça climática só é possível com justiça social, territorial e de gênero.
Articulação institucional e presença das quebradeiras em espaços públicos de formação
Como desdobramento das articulações territoriais e do fortalecimento das mulheres quebradeiras no Piauí, as quebradeiras de coco babaçu também participam de agendas institucionais estratégicas no município de Esperantina. No dia 23 de janeiro de 2026, às 14h30, será realizada a Aula Inaugural do Curso de Microempreendedor Individual do Programa Mulheres Mil, do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Piauí (IFPI) – Campus Esperantina, juntamente com o Lançamento das Olimpíadas do Conhecimento do IFPI.
A atividade acontecerá na Escola Municipal Meire Fernandes, localizada no bairro Vila da Paz, em Esperantina (PI), e contará com a presença do Magnífico Reitor do IFPI, Paulo Borges da Cunha, do vice-governador do Estado do Piauí, Themistocles Filho, da prefeita de Esperantina, Ivanária Sampaio, e do diretor-geral do Campus Esperantina do IFPI, José dos Santos Moura.
A participação das quebradeiras nesses espaços reafirma a importância da inclusão das mulheres extrativistas nas políticas de educação, geração de renda e fortalecimento da autonomia econômica, dialogando diretamente com as pautas defendidas pelo MIQCB: justiça social, territorial, climática e de gênero.
Babaçu é clima: o posicionamento político do MIQCB
Ao final do encontro, o MIQCB reafirmou seu posicionamento político em defesa da justiça climática, dos territórios tradicionais e do protagonismo das mulheres quebradeiras de coco babaçu. O movimento segue incidindo nos espaços locais, nacionais e internacionais para que as vozes das quebradeiras sejam ouvidas e respeitadas.
O MIQCB reforça que não existe solução climática sem território, sem direitos e sem as mulheres.
Babaçu é clima.












Nos dias 23 e 24 de junho, Teresina (PI) sediou a reunião do Comitê Gestor do Fundo Babaçu, reunindo representantes dos estados do Pará, Maranhão e Piauí. O encontro teve como objetivo analisar e refinar os projetos inscritos no 10º Edital do Fundo Babaçu, um importante instrumento de apoio às comunidades extrativistas do território do babaçu. A previsão é de que o resultado final dos projetos aprovados seja divulgado no dia 25 de julho, após o período para ajustes por parte dos proponentes, conforme as orientações da comissão avaliadora.
Para Nilce Cardoso, secretária-executiva do Fundo Babaçu, o momento foi de intensa troca e construção coletiva:
“Estivemos aqui dois dias e meio, onde o Comitê Gestor, que tem reunião semestral, se reuniu para avaliar os projetos apresentados ao 10⁰ Edital do Fundo Babaçu, com financiamento da Fundação Ford. Viemos para Teresina como uma forma de alcançar, de maneira diversificada, as áreas de atuação do Fundo, que são os quatro estados onde atua o MIQCB, Maranhão, Pará, Piauí e Tocantins. Avaliamos projetos, suas possibilidades, suas coerências com os objetivos do edital e do Fundo, em especial para atingir aquelas comunidades de base do extrativismo nos territórios das quebradeiras de coco babaçu. Foram dias de bastante discussão, estudo e reflexão, resultando na pré-avaliação dos projetos. A lista final deve sair até a segunda quinzena de julho para que as organizações sejam comunicadas e possam implementar, principalmente na perspectiva produtiva e de fortalecimento das organizações e dos territórios.”
Evaristo Neto, representante da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), campus Bacabal, destacou o equilíbrio buscado no processo:
“Mais uma vez o Comitê Gestor conseguiu articular as questões técnicas com as políticas, no que se refere à captação de recursos pelos grupos extrativistas. Nosso grande desafio é conciliar a lógica de trabalho das comunidades com a das agências financiadoras, e esse processo foi muito proveitoso.”
Já Maria Domingas Veloso, quebradeira de coco e representante da Associação de Mulheres do Médio Mearim (MA), celebrou a oportunidade de troca:
“Para mim foi muito satisfatório participar como comitê gestor do Fundo. Foi um prazer compartilhar a realidade da minha comunidade e conhecer a das comunidades parceiras. Isso fortalece nossa luta e nossa parceria.”
Além da avaliação dos projetos, o comitê participou do lançamento da Cartilha da Lei do Babaçu Livre, em parceria com a Universidade Federal do Piauí (UFPI), e do lançamento de um filme sobre a vida das quebradeiras de coco, reafirmando o compromisso do movimento em dar visibilidade às lutas e conquistas do território do babaçu.












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