
Nos dias 15 e 16 de maio, o Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB) participou da atividade “Povos Indígenas e Comunidades Locais – Rumo à Conferência de Clima de Bonn”, realizada na Casa Dom Luciano, em Brasília. O encontro reuniu organizações indígenas e de comunidades tradicionais de diversas regiões do Brasil com o objetivo de fortalecer sua incidência e participação qualificada na 29ª Conferência do Clima da ONU (SBSTA), que será realizada em julho, na cidade de Bonn, Alemanha.
A iniciativa foi promovida pelo Instituto Clima e Sociedade (ICS) e pela Rede de Cooperação Amazônica (RCA), com mesas de discussão sobre o histórico das negociações climáticas, a estrutura da Conferência de Bonn, sinergias entre clima, biodiversidade e desertificação, além dos desafios e oportunidades para a atuação dos Povos Indígenas e Comunidades Tradicionais nos espaços da UNFCCC.
Durante os dois dias de atividades, foram realizados momentos de formação, rodas de conversa e trabalhos em grupo para sistematizar contribuições coletivas que serão levadas à conferência internacional. Um dos destaques foi o diálogo com o representante do Ministério das Relações Exteriores, Marco Túlio Cabral.
O MIQCB esteve representado por Sandra Regina Monteiro, coordenadora de projetos, que contribuiu com reflexões sobre justiça climática, a importância da preservação dos territórios tradicionais e da sociobiodiversidade como estratégias fundamentais no enfrentamento da crise do clima. Sandra também destacou a centralidade das mulheres quebradeiras de coco babaçu nas soluções territoriais:
“As mulheres quebradeiras de coco babaçu exercem um papel essencial no cuidado com os bens comuns e na proteção dos territórios. Elas enfrentam diretamente os impactos das mudanças climáticas e apresentam soluções concretas a partir dos seus modos de vida e saberes tradicionais. Por isso, é fundamental que suas vozes estejam nos espaços de decisão, contribuindo com experiências que vêm da terra, da floresta e da resistência. Precisamos fortalecer uma comunicação estratégica que visibilize essas soluções e reconheça o protagonismo das comunidades tradicionais nas negociações climáticas.”
Entre os convidados especiais do evento, esteve a brasileira Sineia do Vale, liderança indígena Wapichana, gestora ambiental e única indígena entre os 30 nomes indicados como enviados especiais do governo brasileiro para a COP 30. Sineia é integrante do Conselho Indígena de Roraima e coordena o Comitê Indígena de Mudanças Climáticas (CIM). Em sua fala, ela ressaltou a importância de se levar para os espaços internacionais os saberes e experiências construídos nos territórios:
“Estamos nesses espaços porque temos acúmulo e conhecimento construído no chão dos nossos territórios. A mensagem que deixo para as mulheres quebradeiras de coco é de força: sigam na luta com coragem. Vocês vivenciam e enfrentam diretamente os impactos das mudanças climáticas. O trabalho de vocês é também um ato de monitoramento e cuidado com o clima. Sigam firmes, porque essa luta é de todas nós. ”
Outro participante que compôs as atividades foi Joaquim Belo, liderança extrativista e também integrante do grupo de enviados especiais à COP 30.
A participação do MIQCB reafirma o compromisso do movimento com a incidência política internacional e com a construção de estratégias coletivas para garantir que as vozes de povos e comunidades tradicionais estejam no centro das decisões globais sobre o clima.
Participação: O encontro reuniu representantes de diversos setores. Do governo, estiveram presentes: Ministério dos Povos Indígenas (MPI), Ministério da Igualdade Racial (MIR), Ministério do Meio Ambiente (MMA) e Itamaraty (MRE). Da sociedade civil: Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), Associação das Mulheres Indígenas em Mutirão (AMIM), ClimaInfo, Comitê Chico Mendes, Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), Conselho Indígena de Roraima (CIR), Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CNS), Conselho Nacional dos Povos e Comunidades Tradicionais (CNPCT), Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq), Fórum Mato-Grossense de Meio Ambiente e Desenvolvimento (Formad), Instituto Centro de Vida (ICV), Instituto de Pesquisa e Formação Indígena (IEPE), Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB), Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN), Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), KOINONIA, Laclima, Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB), Observatório do Clima, Operação Amazônia Nativa (OPAN), Rede Cerrado, Terra de Direitos e World Wide Fund for Nature (WWF), vozes essenciais nas negociações internacionais.
#Clima #ConferenciaDoClima #MiqcbRumoACop30 #Cop30
#JustiçaClimática #TerritóriosVivos #BabaçuÉVida

Neste sábado (17), a comunidade da Vila Esperança, no Piauí, foi palco de uma celebração marcada por emoção, resistência e cultura popular. O território comemorou três anos de sua titulação como Território Tradicional de Quebradeiras de Coco Babaçu, um marco conquistado graças à força coletiva das mulheres da região, com o apoio do MIQCB e da AMTCOB (Associação de Mulheres Trabalhadoras do Coco Babaçu).
A programação começou com uma missa celebrada pelo Padre Ladislau, figura comprometida com a defesa dos povos e comunidades tradicionais, entre elas as quebradeiras de coco. Em seguida, uma roda de conversa e mesas temáticas abordaram o direito à terra e o livre acesso aos babaçuais, reafirmando o papel estratégico das mulheres na proteção do território e do modo de vida tradicional.
Para Marinalda Rodrigues, coordenadora executiva do MIQCB no Piauí, a data é simbólica, mas também carrega o peso de muitas batalhas ainda em curso.
“A titulação foi uma conquista enorme, fruto da luta de muitas mulheres. Mas sabemos que o título sozinho não resolve tudo. Ainda enfrentamos ameaças, cercamentos e desrespeito ao nosso modo de vida. Por isso, celebrar é também fortalecer a resistência”, disse.
Helena Gomes, presidenta da AMTCOB, destacou a importância de políticas públicas efetivas e da união entre os territórios.
“A força do nosso movimento está na união. Hoje temos aqui quebradeiras de dez territórios diferentes. Isso mostra que nossa luta não é isolada. Somos guardiãs do babaçu, da terra e da vida. Queremos que o Estado nos veja e nos respeite como sujeitas de direito”, afirmou.
Durante todo o dia, a comunidade viveu momentos de celebração com apresentações culturais, futebol masculino e shows com cantores locais, reforçando os vínculos comunitários e o orgulho de pertencer a um território tradicional reconhecido.
Ao final, um grito coletivo ecoou pelas palhas dos babaçuais:
“Território é nosso! Babaçu é vida! Viva Vila Esperança!”




















Nos dias 15 e 16 de maio, a cidade de Axixá, no Tocantins, foi palco de um importante encontro de saberes, vivências e resistência. O Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB) promoveu mais uma etapa do ciclo de formação “Babaçu é Clima: Quebradeiras de Coco Babaçu rumo à COP-30”. A iniciativa busca fortalecer a participação das mulheres quebradeiras de coco nos debates internacionais sobre meio ambiente e mudanças climáticas.
A atividade reuniu representantes de mais de dez comunidades da região do Bico do Papagaio/TO, que compartilharam suas experiências, preocupações e propostas diante dos impactos das mudanças climáticas sobre seus territórios. O evento também preparou lideranças para a participação na Pré-COP, que acontecerá em Brasília de 8 a 10 de julho, e na COP-30, marcada para novembro em Belém do Pará.
Elizete Araújo, da assessoria do MIQCB na Regional Tocantins, destacou a diversidade e a força do encontro:
“Estamos aqui na no Ciclo de Formação das Quebraduras de Coco Babaçu, regional Tocantins, na qual contamos com a presença de mais de 10 comunidades da região do Bico do Papagaio, aonde nós temos atuação. […] Estamos finalizando esse evento agora com uma satisfação, com a abrangência de tantas comunidades e de vários municípios que participaram dessa atividade, com a participação das juventudes, quebradeiras e filhos de quebradeiras, com as mulheres quebradeiras e também com alguns esposos delas que tiveram oportunidade também de participarem. ”
Já Rosini Batista Alexandre, moradora do bairro Bom Jesus, também reforçou a importância dos debates:
“Esses dois dias, está sendo bom, porque a gente está podendo sentar e debater temas como desmatamento, uso desenfreado de agrotóxico e com as secas das nossas nascentes, que é um caso muito sério, que vem atingindo o Brasil e o mundo.”
Para Maria Silvânia, coordenadora de base do MIQCB, regional Tocantins e representante da comunidade Olho d’Água, no município de São Miguel do Tocantins, destacou o valor das trocas de experiência e a unidade das comunidades frente aos desafios climáticos:
“Está sendo muito proveitoso aqui para as quebradeiras de coco do município de Axixá, para a gente chegar a um consenso sobre o clima, sobre o REDD+, e chegar num ponto positivo para a gente levar até a COP30. […] A experiência mais forte que eu tive aqui […] é que em toda a região do Bico, as consequências do clima no nosso Brasil é tudo igual. […] A gente está lutando para ter um país melhor, um território saudável.”
O jovem Jean Silva, morador do acampamento Padre Josino, reforçou a importância de abordar temas como o racismo ambiental, muitas vezes invisibilizado nas discussões:
“Esses dois dias foram muito interessantes, muito produtivo. A gente entendeu um pouco mais de como participar da COP, como denunciar o racismo ambiental do que a gente está vivendo no nosso território. Foi muito interessante, porque mesmo que a gente ao mesmo tempo é perto, ao mesmo tempo é longe da nossa realidade. Mas também tem coisas que é muito envolvida, como o racismo ambiental.”
O ciclo de formação “Babaçu é Clima” tem se mostrado fundamental para preparar lideranças populares, mulheres, jovens e comunidades inteiras para um diálogo internacional sobre clima e justiça ambiental. A voz das quebradeiras de coco, forjada na luta e na ancestralidade, se levanta para ecoar nos grandes fóruns globais, levando consigo as raízes do babaçu e a esperança de um futuro mais justo e sustentável.
























Com a força da ancestralidade e o compromisso com a justiça climática, quebradeiras de coco babaçu dos territórios do Mearim e Cocais, no Maranhão, se reuniram nos dias 13 e 14 de maio, em Pedreiras (MA), para a Conferência Regional sobre o Clima do MIQCB – Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu. O encontro teve como tema “Babaçu é Clima: Quebradeiras de Coco Babaçu rumo à COP30” e reuniu lideranças de 14 municípios na sede da ASSEMA.
A atividade faz parte do processo preparatório das quebradeiras para a COP30, que será realizada em novembro de 2025, em Belém (PA). Além de formar e aprofundar o entendimento das mulheres sobre as mudanças climáticas, o evento teve como objetivo construir coletivamente propostas que reflitam os desafios e soluções dos territórios babaçuais diante da crise ambiental.

““Este é um momento de grande participação e construção coletiva. A Conferência é, sim, um espaço de aprendizado, mas sobretudo de fortalecimento das pautas das comunidades tradicionais. Enquanto MIQCB, entendemos que essa mobilização é essencial para consolidar propostas que expressem os desafios e as soluções dos nossos territórios. Nosso objetivo é levar essas contribuições para a Pré-COP em Brasília e incidir diretamente no documento que será entregue pelo governo brasileiro na COP30”, destacou Maria Alaides, coordenadora geral do MIQCB.
A programação teve início com reflexões sobre o que é a COP, como os acordos internacionais sobre o clima são construídos e quais são os impactos diretos para os povos e comunidades tradicionais. Sandra Regina, assessora do MIQCB, explicou os principais pontos das negociações climáticas e a importância da incidência política das quebradeiras nos espaços de decisão.
Raimundo Alves, coordenador técnico da ACESA, trouxe um panorama sobre o cenário político ambiental no Maranhão, no Brasil e no mundo. Já Ariana Gomes, secretária executiva da RAMA – Rede de Agroecologia do Maranhão, falou sobre racismo ambiental, conduziu debates sobre o clima e apresentou um grave retrato dos efeitos do racismo ambiental e do uso desenfreado de agrotóxicos no estado.



“O Maranhão enfrenta um dos piores cenários. O agronegócio usa agrotóxicos como armas químicas, envenenando comunidades com pulverização aérea, sem qualquer controle. Em 2021, em Araçá, zona rural de Buriti, um avião lançou veneno sobre a comunidade durante três dias. Uma criança de sete anos ficou com queimaduras graves ao correr para ver a aeronave. Isso é crime ambiental e é preciso responsabilizar os culpados”, denunciou Ariana.
No segundo dia, as quebradeiras mergulharam em trabalhos de grupo para debater os principais problemas ambientais vividos em seus territórios, as ações de resistência que desenvolvem, os resultados alcançados e os caminhos futuros. A construção das propostas coletivas trouxe à tona temas como desmatamento, pulverização de venenos por drones, grilagem, perda dos babaçuais e ausência de regularização fundiária.



“A importância da gente estar aqui é discutir sobre nossas vidas, sobre o ar, a floresta, os rios, os animais, a terra e tudo que está ao nosso redor. O veneno está afetando nossa produção, nossos babaçuais e nossas comunidades. Estamos sentindo o clima adoecer”, afirmou Franciene Frazão, do município de Lago do Junco.
A coordenadora executiva do MIQCB da Regional Mearim/Cocais, Maria de Fátima reforçou a importância política do encontro:
“Reunimos quebradeiras de vários municípios e percebemos o quanto esse espaço fortalece. Muitas não sabiam o que era COP e agora saem entendendo que lá se decide o nosso futuro. Enquanto nós defendemos o clima, as grandes potências e o agronegócio destroem. Nós, quebradeiras, somos as verdadeiras defensoras da floresta.”

Ao final da conferência, um sentimento coletivo de união e resistência tomou conta do espaço. Entre as falas que emocionaram as participantes, a quebradeira Maria Alba, de São José dos Basílios, deixou um chamado potente:
“Eu garanto a vocês: se nós nos unirmos, não vamos ver as matas ir embora. Porque é uma tristeza ver uma palmeira derrubada, ela não volta mais. É igual a uma mãe quando morre, a gente perde tudo. Vamos nos unir e organizar para combater a derrubada das nossas mães palmeiras.”
A atividade contou com a participação de coordenadoras do MIQCB – Maria de Fátima, Áurea Maria, Maria de Jesus e Maria Alaides – e de quebradeiras dos municípios de Timbiras, São Luís Gonzaga, Lima Campos, São José dos Basílios, Codó, Capinzal, Esperantinópolis, Pedreiras, Lago do Junco, Bacabal, Viana, Vitorino Freire, Peritoró e Lago da Pedra.
As Conferências Regionais sobre o Clima são realizadas com o apoio de diversas organizações nacionais e internacionais comprometidas com a justiça climática e a valorização dos modos de vida dos povos e comunidades tradicionais.





Capacitação promoveu dois dias de trocas, aprendizados e a assinatura dos contratos que dão início às ações em comunidades tradicionais.

Com dinâmicas participativas, orientações técnicas e momentos de celebração coletiva, foi concluída nesta quarta-feira (30) a Oficina de Gestão de Projetos promovida pelo Fundo Babaçu com as organizações contempladas no 8º Edital. A atividade, realizada no Centro de Formação das Quebradeiras de Coco Babaçu, em São Luís (MA), reuniu representantes de grupos comunitários de diferentes territórios para dois dias de formação sobre gestão, monitoramento e prestação de contas de iniciativas voltadas à sustentabilidade e ao fortalecimento das quebradeiras de coco babaçu.
O ponto alto da programação foi a assinatura dos contratos e a entrega simbólica das placas de identificação dos projetos, marcando oficialmente o início das ações apoiadas. Foram aprovadas 11 propostas, totalizando um investimento de R$ 779 mil, oriundos do Fundo Amazônia, para ações como agroindústrias, sistemas agroflorestais, quintais produtivos e infraestrutura comunitária.

Para Cledeneuza Maria Bizerra, coordenadora do MIQCB, a atividade reafirma o papel estratégico da luta coletiva:
“O Fundo Babaçu é uma conquista do Movimento e um instrumento construído por muitas mãos, com a cara das quebradeiras. Ver cada grupo saindo daqui preparado para executar seu projeto é fortalecer a nossa resistência, com sabedoria e responsabilidade. ”
A oficina contou ainda com exposições sobre os princípios do Fundo Babaçu, estudo dos contratos, explanações sobre o relatório narrativo e financeiro, e troca de experiências entre os grupos presentes. A condução foi feita por Nilce Cardoso e pela coordenadora técnica do MIQCB, Luciene Dias Figueiredo, com apoio de outras assessorias da equipe do Movimento.
“Este é um momento de afirmação da autonomia das organizações. Cada contrato assinado representa um compromisso com a transformação dos territórios das quebradeiras, com a preservação dos babaçuais e com o direito a viver com dignidade”, destacou Luciene Dias Figueiredo, coordenadora técnica do MIQCB.
Vozes dos territórios



Os projetos contemplados abrangem realidades diversas, com foco em protagonismo feminino, agroecologia e economia solidária. Abaixo, depoimentos de algumas participantes mostram a potência das ações que estão sendo iniciadas:
Zulmira de Jesus Mendonça, do grupo de agricultores familiares do povoado Baias, Curva das Formigas, em Viana (MA), afirma:
“Essa capacitação está sendo muito importante, porque está nos orientando sobre como implantar o projeto, que vai ajudar na produção de hortaliças e também na estrutura da nossa sede. Vamos trabalhar também com reflorestamento das áreas que temos, preservando as espécies e produzindo alimentos saudáveis para comercializar no PAA e no PNAE. ”
Evânia Araújo, da Associação de Mulheres Trabalhadoras Rurais de Buriti do Tocantins (AMB), contou que conheceu o edital durante sua participação na primeira turma de mulheres do Centro de Formação das Quebradeiras de Coco Babaçu:
“O projeto nasceu na parte prática do curso e vai melhorar a produção das nossas artesãs com a compra de equipamentos. A gente vai ter mais visibilidade e isso vai melhorar nossa renda. ”
Flaviane Cutrim, da comunidade quilombola Camaputiua, em Cajari (MA), compartilhou sua expectativa com a ampliação da fábrica comunitária:
“Hoje a gente só faz farinha de babaçu. Com o projeto, queremos produzir também o azeite. A capacitação foi um momento de aprendizado e troca. Nosso projeto vai beneficiar 50 famílias da comunidade. ”



Os projetos aprovados no 8º Edital se enquadram nas categorias Coringa, Capota e Pindova, voltadas à infraestrutura, produção agroecológica e fortalecimento institucional. A atividade de formação e assinatura dos contratos reafirma o compromisso do Fundo Babaçu com uma gestão democrática e com o avanço de políticas que valorizam os modos de vida tradicionais.
“A construção de uma boa gestão começa no diálogo, na escuta e na orientação coletiva. Esses dois dias mostraram que estamos no caminho certo: fortalecendo quem faz a diferença nos territórios, ” concluiu Nilce Cardoso, Secretária executiva do Fundo Babaçu.

A Secretaria Executiva do Fundo Babaçu informa que os projetos submetidos ao 10º Edital encontram-se em fase de análise documental. A seleção será realizada pelo Comitê Gestor do Fundo Babaçu, conforme os critérios estabelecidos no edital.
As organizações e grupos selecionados serão contatados diretamente via e-mail, e a lista oficial será publicada no site do MIQCB após a conclusão de todas as etapas do processo seletivo.
Agradecemos a todas e todos pela participação e confiança.
Atenciosamente,
Secretaria Executiva do Fundo Babaçu

Próximo de 600 representantes de organizações da sociedade civil e movimentos sociais assinam Carta Aberta à ministra Marina Silva (MMA) e ao ministro Paulo Teixeira (MDA) cobrando urgência na aprovação de Decreto Federal sobre o tema
Brasília – Uma mobilização nacional de organizações da sociedade civil, representantes de povos e comunidades tradicionais (PCTs), parlamentares e entidades aliadas, divulgou, nesta terça-feira (29) uma Carta Aberta à ministra Marina Silva, do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA); e ao ministro Paulo Teixeira, do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA). As organizações cobram urgência, transparência e compromisso político na tramitação da proposta de Decreto Federal para o reconhecimento e a regularização fundiária de territórios tradicionalmente ocupados.
A Carta, que já conta com a assinatura de cerca de 600 instituições de referência e aliadas à essa temática, destaca a morosidade e os entraves que têm marcado a construção desse normativo, apesar de décadas de acúmulo de conhecimento técnico, de mobilizações e das diretrizes já existentes na Política Nacional de Desenvolvimento Sustentável dos PCTs (Decreto nº 6.040/2007).
O documento solicita uma audiência conjunta com os ministros, além da definição de um cronograma público e de mecanismos efetivos de consulta às comunidades, conforme previsto na Convenção 169 da OIT.
“Sem uma normativa clara e aplicável, milhares de comunidades como quebradeiras de coco babaçu, extrativistas, pescadores artesanais, ribeirinhos, pantaneiros, entre outros, seguem invisibilizadas diante do Estado e vulneráveis a processos de grilagem, desmatamento e conflitos fundiários”, afirmam os signatários.
A expectativa é de que o Decreto Federal seja assinado ainda em 2025, tendo como marco simbólico a realização da COP 30, em Belém, onde o Brasil pretende apresentar avanços concretos em suas políticas ambientais e de justiça socioambiental. Os articuladores da Carta ressaltam, no entanto, que “sem a participação direta dos povos e comunidades e um compromisso real entre os ministérios, não haverá decreto legítimo ou eficaz”.
“Nós povos e comunidades tradicionais do Brasil, que estamos espalhados por diversos biomas, ambientes e ecossistemas do país, temos ciência que sabemos manejar os ambientes com maestria, pois compreendemos a terra como mãe e não como mercadoria. Ecoamos nossas vozes para pedir o básico, queremos ser ouvidos, queremos apoio e solidariedade política para colocar de pé o decreto que reconhece e regulariza os territórios PCTS em todo país”, conclama o atual presidente do Conselho Nacional de Povos e Comunidades Tradicionais (CNPCT), Samuel Leite Caetano.
Entre os signatários da Carta Aberta aos ministros Marina Silva e Paulo Teixeira, constam movimentos sociais, como da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ), Movimento de Pescadores e Pescadoras Artesanais do Brasil (MPP), Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB), Movimento Sem Terra (MST), a Associação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), Movimento pela Soberania Popular na Mineração (MAM).
Também constam organizações da sociedade civil, como a Associação Brasileira de Reforma Agrária (ABRA), Comissão Nacional de Fortalecimento das Reservas Extrativistas e Povos Tradicionais Extrativistas Costeiros e Marinhos (CONFREM), Comissão Pastoral da Terra (CPT), Rede Eclesial Pan-Amazônica (REPAM), Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CNS); universidades e núcleos pesquisa, como o Programa de Mestrado em Sustentabilidade junto a Povos e Comunidades Tradicionais da Universidade de Brasília (MESPT/UNB), Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e Universidade Federal do Pará (UFPA); Programa de Ordenamento e Governança Territorial; o Instituto Socioambiental (ISA), Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN), Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB); Instituto Democracia e Sustentabilidade (IDS); International Rivers; Instituto EcoVida; Terra de Direitos, Rede Cerrado; conselhos de políticas públicas e entidades classistas, como a Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional (FASE); Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (CONTAG); e articulações ambientais e agroecológicas, como Articulação Nacional de Agroecologia (ANA), Rede de Agroecologia do Maranhão (RAMA) e Rede Maniva.
A Carta e a lista de signatários completa podem ser acessadas no link abaixo:

Nos dias 24 e 25 de abril, o Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB) – Regional Baixada Maranhense realizou, no Território Indígena Taquaritiua, em Viana (MA), a Conferência Regional do MIQCB sobre o Clima. O evento faz parte de uma série de formações preparatórias que estão sendo realizadas nas seis regionais do Movimento, rumo à participação na COP-30, a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, que acontecerá em Belém (PA), em 2025.
O ciclo de conferências busca ampliar o entendimento das quebradeiras de coco babaçu sobre o cenário climático global, instrumentos como o REDD+ e fortalecer o protagonismo das comunidades tradicionais na construção de propostas para enfrentar os desafios ambientais atuais.
Com o tema “Babaçu é Clima: Quebradeiras de Coco Babaçu Rumo à COP30”, o primeiro dia da atividade foi marcado por momentos de formação, troca de saberes e mobilização. Durante a programação, Renata Cordeiro, assessora jurídica do MIQCB, trouxe um panorama sobre as Conferências das Partes (COPs), explicando o funcionamento dos acordos internacionais e o papel dos países nas decisões climáticas.



“As COPs são espaços estratégicos onde se discutem os caminhos para enfrentar as mudanças climáticas, mas infelizmente ainda são espaços dominados por governos e grandes corporações. Os movimentos sociais, que de fato protegem os territórios e o clima, quase não têm espaço para contribuir – entendemos que isso está errado. É justamente quem vive e cuida da floresta que deveria ser ouvido. Mesmo assim, é fundamental que o MIQCB e outros movimentos levem suas vozes e suas pautas”, destacou Renata.
Outro momento de destaque foi o debate sobre racismo ambiental e reflexão com o tema “Que Clima é esse? ”, conduzido por Ariane Gomes, Secretária da Rama, que provocou uma análise crítica entre as participantes.
“O racismo ambiental atinge diretamente nossos corpos. São decisões tomadas sem nos consultar, afetando nossas vidas e nossos territórios. O que o MIQCB está fazendo aqui é essencial: mesmo que nem todas estejamos dentro das grandes salas de decisão, a exemplo da COP 30, estamos entendendo e nos preparando aqui nesses dias de capacitações. Defender a palmeira de babaçu é defender nossos corpos” — afirmou Ariane.



A coordenadora do MIQCB na Regional Baixada Maranhense, Vitória Balbina, ressaltou a importância da formação política e ambiental das quebradeiras de coco.
“Espaços como este são fundamentais. O clima muda e afeta diretamente nossas vidas, nossos modos de viver, nossa produção e a gente não pode calar diante dessas situações emergenciais que afeta nossos territórios. As quebradeiras não apenas protegem as florestas de babaçu, nós construímos soluções para a crise climática a partir dos nossos saberes e práticas tradicionais” – afirmou Vitória.
Rosa Gregória, quebradeira de coco e diretora da CIMQCB – Cooperativa Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu-, trouxe um relato direto dos impactos das mudanças climáticas sentidos no cotidiano.

“Antes, no mês de abril, a gente quase não saía para coletar coco por causa da chuva intensa. Hoje, quase não chove. O calor aumentou muito e sentimos isso nos nossos corpos. A luta que fazemos é pela permanência nos nossos territórios, pela defesa da nossa forma de vida e pela preservação do meio ambiente como um todo” — destacou Rosa.
No segundo dia a programação contou ainda com a participação e contribuição de Davi Pereira, consultor do Tenure Facility, parceiro do MIQCB. Davi destacou a importância da iniciativa do MIQCB de levar o tema da COP-30 até as comunidades.

“Eu penso que é superimportante realizar eventos como esse nos territórios. Afinal de contas, é a partir do território que se constrói o argumento de defesa territorial. Quando a gente trabalha a partir da nossa própria realidade, a compreensão é muito mais forte. A COP, para muitas pessoas, parece algo distante. Mas, quando entendemos a importância dela a partir dos reflexos no território, tudo ganha mais sentido”.
“Fazer esse trabalho de base, discutindo o que pode ser levado como proposta para a COP, é essencial. Inserir demandas em documentos oficiais como as NDCs (Contribuições Nacionalmente Determinadas) é fundamental, porque é através das NDCs que o Estado apresenta suas propostas e compromissos. Por isso, é essencial que o movimento consiga inserir suas reivindicações dentro desse documento, pois ele é o instrumento político oficial que o Brasil levará para a Conferência (COP 30)”, finalizou Davi.
Participaram da Conferência Regional quebradeiras de coco dos municípios de Penalva, Viana, Cajari, Matinha, Pedro do Rosário e Monção. Esta foi a terceira conferência regional realizada: antes da Baixada Maranhense, encontros ocorreram nas regionais do Piauí e do Pará.

Nesta sexta-feira, 2 de maio, o Centro de Formação das Quebradeiras de Coco Babaçu (CFQCB) completa dois anos de funcionamento, consolidado como um espaço de referência na formação política, técnica e organizativa das mulheres quebradeiras de coco babaçu dos estados do Maranhão, Tocantins, Pará e Piauí. A data é marcada pela celebração dos avanços alcançados desde a inauguração, com destaque para os resultados concretos das ações formativas e para o fortalecimento das parcerias institucionais e educacionais.
Em dois anos, o CFQCB formou 98 estudantes — entre mulheres adultas e juventudes — em iniciativas estruturadas com base na pedagogia da alternância. Foram desenvolvidas quatro turmas com essa metodologia, que valoriza os saberes do território e a vivência comunitária como parte central do processo educativo. Além disso, foram promovidos quatro intercâmbios comunitários que estimularam o diálogo entre diferentes realidades e fortaleceram a articulação entre grupos locais.
Resultados e impacto nas comunidades
Ao longo desses dois anos, o centro tem desempenhado papel estratégico na formação de lideranças, no engajamento da juventude e na defesa do modo de vida tradicional baseado no extrativismo sustentável.
“O CFQCB é um território de esperança e autonomia. Ver as estudantes construindo seus projetos, defendendo suas ideias e fortalecendo suas associações é a confirmação de que estamos no caminho certo”, afirma Bárbara Akroá Gamella, coordenadora do Centro de Formação.
O engajamento da juventude nas atividades do movimento aumentou significativamente, com jovens assumindo papéis ativos nos processos organizativos e nas agendas políticas do MIQCB. Lideranças também ampliaram sua capacidade de captação de recursos e elaboração de propostas, com aprovação de projetos nos Editais do Fundo Babaçu. Foram dezoito estudantes egressos que participaram ativamente dos Editais 6, 7 e 8.
É o caso da Associação de Mulheres Trabalhadoras Rurais de Buriti (MB), que teve um projeto aprovado após ser idealizado durante o curso. “Meu nome é Evânia, represento a Associação de Mulheres Trabalhadoras Rurais de Buriti, (AMB), e o projeto, eu tive conhecimento do Edital no Centro de Formação das Quebradeiras de Coco, no qual eu fiz o curso, e esse projeto foi começado a ser construído no curso. Posteriormente a gente concluiu ele com a ajuda da Yuki, da Apató, e é um projeto que vai ajudar nossas artesãs a ter um melhoramento nas peças, e comprar equipamentos que a gente não tinha. Vai ajudar na renda das famílias que participarão do curso, e também dar visibilidade para a Associação de Mulheres, que também é o foco: voltar a mostrar os trabalhos que a Associação desenvolve. A gente colocou no projeto para termos15 pessoas beneficiadas, só que o quanto mais a gente conseguir viabilizar a participação serão bem-vindas.”
Reconhecimento e parcerias ampliadas
O trabalho desenvolvido pelo CFQCB ganhou visibilidade nacional ao ser semifinalista do Prêmio LED – Luz na Educação 2025, promovido pela Rede Globo em parceria com a Fundação Roberto Marinho. O reconhecimento destaca a importância da proposta pedagógica e da atuação do centro na promoção da educação popular voltada às realidades dos povos do campo.
O centro mantém parcerias estratégicas com instituições como a Universidade Estadual do Maranhão (UEMA) e o Instituto Federal do Maranhão (IFMA), com destaque para a articulação em curso visando a implantação de uma Licenciatura em Educação do Campo com ênfase em Ciências Humanas da UEMA. Atualmente, o corpo formativo do centro conta com o apoio de 55 professores e monitores voluntários, reforçando o caráter coletivo e colaborativo do projeto.
Além das parcerias educacionais, o CFQCB conta com o apoio institucional das organizações Fundo Amazônia e Fundação Ford, que têm contribuído de forma decisiva para a manutenção e expansão das atividades.
Perspectivas futuras
A celebração dos dois anos do CFQCB reafirma o compromisso do MIQCB com a educação como ferramenta de transformação social. Os próximos passos incluem a ampliação das formações, a consolidação do curso superior em parceria com universidades públicas e o fortalecimento da sustentabilidade institucional.
Mais do que um espaço físico, o CFQCB tornou-se um território de resistência, formação e mobilização, onde as quebradeiras de coco seguem construindo, com autonomia, o futuro que desejam.
“Antes do curso, eu não imaginava o quanto a gente pode transformar a realidade a partir do nosso território. Hoje eu me sinto mais forte, mais consciente e com vontade de continuar estudando e lutando pelas nossas comunidades”, diz Maria Glória Machado, jovem estudante do Piauí e egressa de uma das turmas de juventudes do CFQCB.














Na 2ª reunião ordinária da Mesa de Diálogo entre o Governo do Piauí e o Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB), realizado nesta quarta-feira (30/04), em Teresina/PI, as vozes das comunidades tradicionais ecoaram. O MIQCB Regional Piauí, representando milhares de mulheres que dependem do extrativismo do babaçu, discutiu avanços concretos na proteção de seus territórios e na valorização de sua cultura.
Destaques da Atuação do MIQCB:
1. Modificações no Plano de Trabalho:
– O movimento propôs e garantiu a inclusão de eixos críticos, como o combate à grilagem de terras e o mapeamento detalhado das áreas de babaçuais, essenciais para proteger territórios ameaçados por conflitos fundiários.
“Sem delimitação geográfica clara, nossos direitos são ignorados. Queremos que o Estado reconheça oficialmente onde vivemos e trabalhamos”, afirmou Marinalda Rodrigues, coordenadora executiva do MIQCB-PI.
2. Pressão por participação da SEMARH na Mesa de Diálogo:
O MIQCB criticou a ausência de representantes da Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Piauí (SEMARH), fundamental para frear o desmatamento que avança sobre os babaçuais. “Não há diálogo efetivo sem a SEMARH. O desmatamento está destruindo nossa fonte de vida”, destacou Klésia Lima, que representa do MIQCB Interestadual na Mesa.
3. Cultura como Resistência:
A criação da Comissão de Valorização Cultural, articulada pelo movimento, visa fortalecer práticas ancestrais ligadas ao babaçu. “Nossa cultura é a raiz da resistência. Queremos políticas que a protejam, não apenas discursos”, ressaltou Laura Gomes, da Cooperativa das Mulheres Quebradeiras (CIMQCB).
Conquistas e Desafios:
– O Regimento Interno da Mesa, já assinado, foi celebrado como uma vitória inicial. Agora temos regras claras para cobrar ações do poder público”, comemorou Helena Gomes, presidente da Associação de Mulheres Trabalhadoras do Coco Babaçu (AMTCOB)
Próximos Passos:
– As comissões terão reuniões em maio, e o MIQCB já sinalizou que monitorará de perto os resultados. “Não aceitaremos promessas vazias. O plano precisa sair do papel”, concluiu Marinalda Rodrigues.






MIQCB
MOVIMENTO INTERESTADUAL DAS QUEBRADEIRAS DE COCO BABAÇU
REDES SOCIAIS
LOCALIZAÇÃO
2026 - Todos os direitos reservados - Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu - Desenvolvido por Cloud Services