
Nos dias 24 e 25 de abril, o Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB) – Regional Baixada Maranhense realizou, no Território Indígena Taquaritiua, em Viana (MA), a Conferência Regional do MIQCB sobre o Clima. O evento faz parte de uma série de formações preparatórias que estão sendo realizadas nas seis regionais do Movimento, rumo à participação na COP-30, a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, que acontecerá em Belém (PA), em 2025.
O ciclo de conferências busca ampliar o entendimento das quebradeiras de coco babaçu sobre o cenário climático global, instrumentos como o REDD+ e fortalecer o protagonismo das comunidades tradicionais na construção de propostas para enfrentar os desafios ambientais atuais.
Com o tema “Babaçu é Clima: Quebradeiras de Coco Babaçu Rumo à COP30”, o primeiro dia da atividade foi marcado por momentos de formação, troca de saberes e mobilização. Durante a programação, Renata Cordeiro, assessora jurídica do MIQCB, trouxe um panorama sobre as Conferências das Partes (COPs), explicando o funcionamento dos acordos internacionais e o papel dos países nas decisões climáticas.



“As COPs são espaços estratégicos onde se discutem os caminhos para enfrentar as mudanças climáticas, mas infelizmente ainda são espaços dominados por governos e grandes corporações. Os movimentos sociais, que de fato protegem os territórios e o clima, quase não têm espaço para contribuir – entendemos que isso está errado. É justamente quem vive e cuida da floresta que deveria ser ouvido. Mesmo assim, é fundamental que o MIQCB e outros movimentos levem suas vozes e suas pautas”, destacou Renata.
Outro momento de destaque foi o debate sobre racismo ambiental e reflexão com o tema “Que Clima é esse? ”, conduzido por Ariane Gomes, Secretária da Rama, que provocou uma análise crítica entre as participantes.
“O racismo ambiental atinge diretamente nossos corpos. São decisões tomadas sem nos consultar, afetando nossas vidas e nossos territórios. O que o MIQCB está fazendo aqui é essencial: mesmo que nem todas estejamos dentro das grandes salas de decisão, a exemplo da COP 30, estamos entendendo e nos preparando aqui nesses dias de capacitações. Defender a palmeira de babaçu é defender nossos corpos” — afirmou Ariane.



A coordenadora do MIQCB na Regional Baixada Maranhense, Vitória Balbina, ressaltou a importância da formação política e ambiental das quebradeiras de coco.
“Espaços como este são fundamentais. O clima muda e afeta diretamente nossas vidas, nossos modos de viver, nossa produção e a gente não pode calar diante dessas situações emergenciais que afeta nossos territórios. As quebradeiras não apenas protegem as florestas de babaçu, nós construímos soluções para a crise climática a partir dos nossos saberes e práticas tradicionais” – afirmou Vitória.
Rosa Gregória, quebradeira de coco e diretora da CIMQCB – Cooperativa Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu-, trouxe um relato direto dos impactos das mudanças climáticas sentidos no cotidiano.

“Antes, no mês de abril, a gente quase não saía para coletar coco por causa da chuva intensa. Hoje, quase não chove. O calor aumentou muito e sentimos isso nos nossos corpos. A luta que fazemos é pela permanência nos nossos territórios, pela defesa da nossa forma de vida e pela preservação do meio ambiente como um todo” — destacou Rosa.
No segundo dia a programação contou ainda com a participação e contribuição de Davi Pereira, consultor do Tenure Facility, parceiro do MIQCB. Davi destacou a importância da iniciativa do MIQCB de levar o tema da COP-30 até as comunidades.

“Eu penso que é superimportante realizar eventos como esse nos territórios. Afinal de contas, é a partir do território que se constrói o argumento de defesa territorial. Quando a gente trabalha a partir da nossa própria realidade, a compreensão é muito mais forte. A COP, para muitas pessoas, parece algo distante. Mas, quando entendemos a importância dela a partir dos reflexos no território, tudo ganha mais sentido”.
“Fazer esse trabalho de base, discutindo o que pode ser levado como proposta para a COP, é essencial. Inserir demandas em documentos oficiais como as NDCs (Contribuições Nacionalmente Determinadas) é fundamental, porque é através das NDCs que o Estado apresenta suas propostas e compromissos. Por isso, é essencial que o movimento consiga inserir suas reivindicações dentro desse documento, pois ele é o instrumento político oficial que o Brasil levará para a Conferência (COP 30)”, finalizou Davi.
Participaram da Conferência Regional quebradeiras de coco dos municípios de Penalva, Viana, Cajari, Matinha, Pedro do Rosário e Monção. Esta foi a terceira conferência regional realizada: antes da Baixada Maranhense, encontros ocorreram nas regionais do Piauí e do Pará.

Nesta sexta-feira, 2 de maio, o Centro de Formação das Quebradeiras de Coco Babaçu (CFQCB) completa dois anos de funcionamento, consolidado como um espaço de referência na formação política, técnica e organizativa das mulheres quebradeiras de coco babaçu dos estados do Maranhão, Tocantins, Pará e Piauí. A data é marcada pela celebração dos avanços alcançados desde a inauguração, com destaque para os resultados concretos das ações formativas e para o fortalecimento das parcerias institucionais e educacionais.
Em dois anos, o CFQCB formou 98 estudantes — entre mulheres adultas e juventudes — em iniciativas estruturadas com base na pedagogia da alternância. Foram desenvolvidas quatro turmas com essa metodologia, que valoriza os saberes do território e a vivência comunitária como parte central do processo educativo. Além disso, foram promovidos quatro intercâmbios comunitários que estimularam o diálogo entre diferentes realidades e fortaleceram a articulação entre grupos locais.
Resultados e impacto nas comunidades
Ao longo desses dois anos, o centro tem desempenhado papel estratégico na formação de lideranças, no engajamento da juventude e na defesa do modo de vida tradicional baseado no extrativismo sustentável.
“O CFQCB é um território de esperança e autonomia. Ver as estudantes construindo seus projetos, defendendo suas ideias e fortalecendo suas associações é a confirmação de que estamos no caminho certo”, afirma Bárbara Akroá Gamella, coordenadora do Centro de Formação.
O engajamento da juventude nas atividades do movimento aumentou significativamente, com jovens assumindo papéis ativos nos processos organizativos e nas agendas políticas do MIQCB. Lideranças também ampliaram sua capacidade de captação de recursos e elaboração de propostas, com aprovação de projetos nos Editais do Fundo Babaçu. Foram dezoito estudantes egressos que participaram ativamente dos Editais 6, 7 e 8.
É o caso da Associação de Mulheres Trabalhadoras Rurais de Buriti (MB), que teve um projeto aprovado após ser idealizado durante o curso. “Meu nome é Evânia, represento a Associação de Mulheres Trabalhadoras Rurais de Buriti, (AMB), e o projeto, eu tive conhecimento do Edital no Centro de Formação das Quebradeiras de Coco, no qual eu fiz o curso, e esse projeto foi começado a ser construído no curso. Posteriormente a gente concluiu ele com a ajuda da Yuki, da Apató, e é um projeto que vai ajudar nossas artesãs a ter um melhoramento nas peças, e comprar equipamentos que a gente não tinha. Vai ajudar na renda das famílias que participarão do curso, e também dar visibilidade para a Associação de Mulheres, que também é o foco: voltar a mostrar os trabalhos que a Associação desenvolve. A gente colocou no projeto para termos15 pessoas beneficiadas, só que o quanto mais a gente conseguir viabilizar a participação serão bem-vindas.”
Reconhecimento e parcerias ampliadas
O trabalho desenvolvido pelo CFQCB ganhou visibilidade nacional ao ser semifinalista do Prêmio LED – Luz na Educação 2025, promovido pela Rede Globo em parceria com a Fundação Roberto Marinho. O reconhecimento destaca a importância da proposta pedagógica e da atuação do centro na promoção da educação popular voltada às realidades dos povos do campo.
O centro mantém parcerias estratégicas com instituições como a Universidade Estadual do Maranhão (UEMA) e o Instituto Federal do Maranhão (IFMA), com destaque para a articulação em curso visando a implantação de uma Licenciatura em Educação do Campo com ênfase em Ciências Humanas da UEMA. Atualmente, o corpo formativo do centro conta com o apoio de 55 professores e monitores voluntários, reforçando o caráter coletivo e colaborativo do projeto.
Além das parcerias educacionais, o CFQCB conta com o apoio institucional das organizações Fundo Amazônia e Fundação Ford, que têm contribuído de forma decisiva para a manutenção e expansão das atividades.
Perspectivas futuras
A celebração dos dois anos do CFQCB reafirma o compromisso do MIQCB com a educação como ferramenta de transformação social. Os próximos passos incluem a ampliação das formações, a consolidação do curso superior em parceria com universidades públicas e o fortalecimento da sustentabilidade institucional.
Mais do que um espaço físico, o CFQCB tornou-se um território de resistência, formação e mobilização, onde as quebradeiras de coco seguem construindo, com autonomia, o futuro que desejam.
“Antes do curso, eu não imaginava o quanto a gente pode transformar a realidade a partir do nosso território. Hoje eu me sinto mais forte, mais consciente e com vontade de continuar estudando e lutando pelas nossas comunidades”, diz Maria Glória Machado, jovem estudante do Piauí e egressa de uma das turmas de juventudes do CFQCB.














Na 2ª reunião ordinária da Mesa de Diálogo entre o Governo do Piauí e o Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB), realizado nesta quarta-feira (30/04), em Teresina/PI, as vozes das comunidades tradicionais ecoaram. O MIQCB Regional Piauí, representando milhares de mulheres que dependem do extrativismo do babaçu, discutiu avanços concretos na proteção de seus territórios e na valorização de sua cultura.
Destaques da Atuação do MIQCB:
1. Modificações no Plano de Trabalho:
– O movimento propôs e garantiu a inclusão de eixos críticos, como o combate à grilagem de terras e o mapeamento detalhado das áreas de babaçuais, essenciais para proteger territórios ameaçados por conflitos fundiários.
“Sem delimitação geográfica clara, nossos direitos são ignorados. Queremos que o Estado reconheça oficialmente onde vivemos e trabalhamos”, afirmou Marinalda Rodrigues, coordenadora executiva do MIQCB-PI.
2. Pressão por participação da SEMARH na Mesa de Diálogo:
O MIQCB criticou a ausência de representantes da Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Piauí (SEMARH), fundamental para frear o desmatamento que avança sobre os babaçuais. “Não há diálogo efetivo sem a SEMARH. O desmatamento está destruindo nossa fonte de vida”, destacou Klésia Lima, que representa do MIQCB Interestadual na Mesa.
3. Cultura como Resistência:
A criação da Comissão de Valorização Cultural, articulada pelo movimento, visa fortalecer práticas ancestrais ligadas ao babaçu. “Nossa cultura é a raiz da resistência. Queremos políticas que a protejam, não apenas discursos”, ressaltou Laura Gomes, da Cooperativa das Mulheres Quebradeiras (CIMQCB).
Conquistas e Desafios:
– O Regimento Interno da Mesa, já assinado, foi celebrado como uma vitória inicial. Agora temos regras claras para cobrar ações do poder público”, comemorou Helena Gomes, presidente da Associação de Mulheres Trabalhadoras do Coco Babaçu (AMTCOB)
Próximos Passos:
– As comissões terão reuniões em maio, e o MIQCB já sinalizou que monitorará de perto os resultados. “Não aceitaremos promessas vazias. O plano precisa sair do papel”, concluiu Marinalda Rodrigues.






ERRATA
Na matéria publicada em (12 de março) sobre os resultados do 8º Edital do Fundo Babaçu, informamos, erroneamente, uma lista 13 projetos, no entanto, o número correto de propostas selecionadas foi 11, conforme cabeçalho da chamada.
Os projetos selecionados, com suas respectivas organizações foram notificados por ofício, para as providências e encaminhamentos. Pedimos desculpas às organizações não selecionadas que foram listadas no primeiro link de divulgação, de forma equivocada.
Reiteramos que, ao todo, foram 11 projetos aprovados, distribuídos nas seguintes categorias: 1 na categoria Coringa, 4 na Capota e 6 na Pindova. O investimento total foi de R$ 779 mil, oriundo do Fundo Amazônia, destinado a ações que promovem a autonomia das quebradeiras de coco babaçu e a sustentabilidade das comunidades tradicionais, por meio de iniciativas como sistemas agroflorestais, agroindústrias, quintais produtivos e reformas de infraestrutura, conforme lista abaixo.
1 – Cooperativa de Agricultores e Agricultoras Familiares e Economia Solidária de Rosário – MA (COOAFAESR)
2 – Associação dos Moradores do Povoado Batatal (Timbiras – MA)
3 – Associação dos Moradores do Quilombo Rural da Ilha de Camaputiua (AMOQRUICA) – Cajari – MA
4 – Casa Familiar Rural – CFR (Açailândia – MA)
5 – Fundo do Desenvolvimento e Fomento da Economia Solidária da Região de Codó (FUNDFESRC) – Codó – MA
6 – Grupo de Agricultores Familiares do Povoado Baias de Viana – MA (AGRAFPB)
7 – Associação dos Horticultores e Horticultoras de São Domingos do Araguaia – São Domingos do Araguaia – PA
8 – Associação de Mulheres Trabalhadoras Rurais de Buriti do Tocantins (AMB) – Buriti do Tocantins – TO
9 – Instituto Zé Cláudio e Maria (IZM) – Nova Marabá – PA
10 – Associação Rural do Povoado de Tarumã – ARPTA (Viana – MA)
11 – Associação de Moradores da Aldeia Centro do Antero Território Taquaritiua – AMACATT (Território Taquaritiua – Viana – MA)

Entre os dias 12 e 14 de abril, o Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB) esteve representado por duas vozes potentes do Maranhão na imersão do Conselho de Crianças e Adolescentes do Instituto Alana. A jovem Katilla Ferreira, de 13 anos, e a quebradeira de coco e liderança Maria do Rosário, ambas do Território Quilombola Sesmaria do Jardim, no município de Matinha (MA), participaram do encontro representando o movimento.
O evento, realizado na Fazenda Morros Verdes, em Ibiúna (SP), promoveu momentos de escuta, integração com a natureza e atividades de cocriação com as crianças e adolescentes que agora passam a compor o novo Conselho (Conselhinho). A proposta do Instituto Alana é valorizar a diversidade, o protagonismo infantojuvenil e o direito de meninas e meninos a serem ouvidos na construção de uma sociedade mais justa, inclusiva e respeitosa.

Katilla é neta de Dona Rosário e vem participando ativamente das ações do MIQCB voltadas para a juventude, a exemplo do projeto Sistema de Vínculos Solidários (SVS). Durante a imersão, ela se uniu a outras crianças e adolescentes de diferentes regiões do país para debater temas como participação, equidade, inclusão e direitos da criança, além de vivenciar atividades de integração com a natureza e construção coletiva.

“Foi muito bom o encontro. Conheci pessoas novas, participei de rodas de conversa e aprendi muito. Fiquei muito feliz por representar minha comunidade e as quebradeiras de coco,” disse Katilla.
Dona Rosário, que acompanhou a neta durante toda a jornada, também teve um espaço de fala durante a programação. Ela apresentou a atuação do MIQCB, falou sobre sua trajetória como quebradeira e destacou o compromisso do movimento com a valorização das mulheres e com a formação da juventude nos territórios tradicionais.
O MIQCB celebra com orgulho a presença de Katilla e Dona Rosário neste espaço. A força da juventude aliada à sabedoria das mais velhas mostra que a luta das quebradeiras de coco babaçu segue firme, com as raízes fincadas nos territórios e os olhos voltados para o futuro.
Com a nova lei estadual sancionada em abril, quebradeiras de coco babaçu celebram reconhecimento legal, mas cobram visibilidade: “O Estado ainda não nos vê, mas somos guardiãs da floresta”.

Na última semana, uma conquista histórica fortaleceu a luta das mulheres quebradeiras de coco babaçu no estado do Pará. Foi sancionada a Lei nº 10.930/2025, que reconhece os saberes e a identidade cultural dessas comunidades tradicionais como patrimônio imaterial do Estado do Pará, além de instituir o Dia Estadual das Quebradeiras de Coco Babaçu, a ser comemorado anualmente em 24 de setembro.
A nova legislação é fruto de articulação entre o Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB) e o deputado estadual Carlos Bordalo, autor da proposta. Aprovada pela Assembleia Legislativa e sancionada pelo governador Helder Barbalho, a lei representa um marco no reconhecimento do papel das quebradeiras na conservação da floresta, na segurança alimentar e na transmissão de saberes ancestrais.
Mesmo com a sanção da lei, quebradeiras da Regional Sudeste do Pará — presentes em municípios como São Domingos do Araguaia, São João do Araguaia, Brejo Grande, Palestina do Pará e Itupiranga — reforçam que o desafio agora é conquistar visibilidade e políticas públicas que assegurem o acesso livre aos babaçuais, apoio à cadeia produtiva do babaçu e valorização do trabalho das mulheres.
“A lei é uma conquista. Mas o Estado precisa saber que nós existimos, que aqui também tem quebradeira de coco lutando pela floresta e pelo babaçu. Esse foi apenas o primeiro passo. Ainda temos muito a conquistar, como a Lei Babaçu Livre, que garante a preservação dos babaçuais e o livre acesso das quebradeiras na coleta do babaçu”, afirma Cledeneuza Oliveira, coordenadora executiva do MIQCB – Regional Pará.
Segundo o deputado Bordalo, os saberes e a identidade cultural das quebradeiras de coco babaçu no Pará estão reconhecidos e protegidos como patrimônio imaterial do nosso estado. “Essa é uma vitória histórica às mulheres que mantêm viva uma tradição ancestral — presente no Maranhão, Piauí, Tocantins e no nosso estado do Pará”, destacou o deputado.
Segundo ele, além do reconhecimento, é preciso garantir proteção efetiva:
“Essas mulheres enfrentam ameaças constantes: empresas compram áreas inteiras de babaçuais e dificultam o acesso ao fruto, colocando em risco seu modo de vida e sua cultura. ”
O reconhecimento como patrimônio imaterial não é apenas um símbolo: é um passo importante para garantir direitos, preservar territórios tradicionais e dar visibilidade a um modo de vida que resiste há gerações. O MIQCB seguirá mobilizado para que esse marco legal seja transformado em ação concreta — com proteção dos babaçuais, combate aos conflitos fundiários e valorização das quebradeiras de coco babaçu em todo o estado.

Com o objetivo de fortalecer a presença das mulheres quebradeiras de coco nos debates internacionais sobre meio ambiente e mudanças climáticas, o Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB) promoveu mais uma etapa do ciclo de formação “Babaçu é Clima: Quebradeiras de Coco Babaçu rumo à COP-30”, desta vez na Regional Pará. O encontro ocorreu nos dias 10 e 11 de abril, em São Domingos do Araguaia (PA), reunindo quebradeiras dos municípios de São Domingos do Araguaia, São João do Araguaia, Brejo Grande do Araguaia, Palestina e Itupiranga.
A formação é parte de um processo preparatório para a COP-30, a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, que será realizada em Belém (PA), em 2025. O ciclo busca ampliar o entendimento das quebradeiras sobre o cenário climático global e mecanismos como o REDD+, além de construir um documento coletivo que reflita as propostas e demandas das comunidades babaçuais diante dos desafios ambientais atuais.
Durante os dois dias de atividades, temas estratégicos foram debatidos, como o reconhecimento dos modos de vida tradicionais, os impactos do racismo ambiental, a conservação promovida pelas comunidades e a importância de garantir voz e protagonismo às mulheres quebradeiras nos espaços de formulação de políticas públicas. O primeiro dia contou com a participação de representantes da UNIFESSPA, UFPA, REPAM e do próprio MIQCB, em rodas de diálogo sobre mudanças climáticas, justiça ambiental e o funcionamento da COP.



Para Maria Alaídes, coordenadora geral do MIQCB, a ação reafirma a relação direta entre os babaçuais e o equilíbrio climático. “Estamos fazendo uma conferência para afirmar que o babaçu é clima — e é clima pela forma em que trabalhamos com ele. Babaçu é vida, é produção, é floresta”, destacou.
A fala da quebradeira Iracema reforça a ligação entre o uso sustentável do babaçu e a ameaça constante do agronegócio. “Do coco a gente faz azeite, mesocarpo, carvão… tudo isso vem da nossa produção. Mas hoje nossas palmeiras estão ameaçadas por fazendeiros que derrubam e colocam veneno. As palmeiras morrem, e a gente perde o nosso sustento”, relatou.

Já Cledeneuza Maria Oliveira, coordenadora executiva da Regional Pará, apontou para a urgência de participação política nos debates climáticos. “O babaçu tem um papel importante no equilíbrio do nosso clima. Quando derrubam as palmeiras, eles também afetam nossas vidas. Por isso, nós quebradeiras estamos nessa luta para defender os babaçuais. Precisamos entender como funcionam esses mercados de carbono. A COP vai ser no nosso estado e a gente precisa dar o nosso recado: nós existimos e precisamos das nossas palmeiras em pé”, afirmou.
O ciclo de formação “Babaçu é Clima” está sendo realizado nas seis regionais do MIQCB, nos estados do Maranhão, Pará, Tocantins e Piauí. A mobilização visa garantir que, em 2025, as quebradeiras de coco cheguem à COP-30 com voz ativa, propostas concretas e com o reconhecimento do papel fundamental que exercem na proteção dos territórios e no enfrentamento da crise climática.

Na sexta-feira (11), a programação seguirá com trabalhos em grupo voltados à produção de um diagnóstico do Quadro Regional Ambiental e Climático. As participantes irão identificar problemáticas ambientais e seus responsáveis, analisar as consequências desses impactos nos territórios babaçuais, além de mapear as ações de resistência das quebradeiras. O objetivo é evidenciar os resultados já alcançados e os que ainda se esperam, fortalecendo a construção coletiva de propostas para a COP-30.

Teresina, Piauí – O Ciclo de Formação “Babaçu é Clima” – Quebradeiras de Coco Babaçu rumo à COP-30, teve seu início nesta terça-feira (08) com grande entusiasmo e forte mobilização. O evento, realizado na Casa dos Movimentos Sociais, em Teresina, reuniu mulheres quebradeiras de coco babaçu de diversas regiões do Piauí e aliados importantes na luta por justiça climática e fortalecimento dos territórios tradicionais. A programação do primeiro dia foi repleta de reflexões profundas, resistência e troca de saberes.
Entre os presentes, destacaram-se movimentos sociais como o MST, a OAB/PI e o Movimento Quilombola do Piauí, além de representantes da Secretaria de Agricultura Familiar do Estado, como a Secretária Rejane Tavares, e do Deputado Estadual Francisco Limma, ambos reafirmando seu apoio incondicional à luta das Quebradeiras de Coco Babaçu e à promoção da agroecologia no Piauí.
O debate no primeiro dia foi aquecido com a discussão sobre a COP-30, que ocorrerá em Belém do Pará, em novembro desse ano e com a análise do REDD+, mecanismo internacional criado para combater as mudanças climáticas por meio da conservação das florestas. Porém, foi enfatizado que este mecanismo precisa ser monitorado com rigor para garantir que respeite os modos de vida dos povos tradicionais e suas práticas sustentáveis.
Em um dos momentos mais impactantes do evento, Helena Gomes, presidente da CIMQCB (Cooperativa Interestadual das Mulheres Quebradeiras de Coco Babaçu) e da AMTCOB (Associação das Mulheres Trabalhadoras de Coco Babaçu), compartilhou sua experiência sobre os desafios enfrentados pelas mulheres quebradeiras ao lidarem com as dificuldades de centralizar suas identidades e funções. “A mulher sempre pode fazer um projeto do Fundo Bbaçu, mas não conseguimos elaborar muitos projetos por medo de assumir uma liderança, de ser presidente ou diretora da associação local”, relatou Helena, destacando ainda as dificuldades enfrentadas pelas associadas, como a confusão de se identificarem também como pescadoras, quilombolas e indígenas, mas sem saber como conciliar essas diversas funções. “Essas mulheres enfrentam obstáculos como, por exemplo, a recusa em continuar associadas à cooperativa de coco porque o INSS as reconhece como empresárias e, com isso, não podem se aposentar. Isso prejudica sua sobrevivência e a de suas famílias”, completou.
O evento também contou com a presença de Ana Cristiana Silva, bióloga e pesquisadora da UFBA, que alertou sobre o modelo de desenvolvimento que ainda prevalece no Brasil, focado na exploração dos recursos naturais em detrimento de alternativas mais sustentáveis. “Há uma resistência política em abraçar uma matriz ambientalmente sustentável, o que reflete diretamente nas políticas públicas que serão apresentadas na COP-30. Precisamos estar atentos e engajados nesse debate”, destacou Ana Cristiana.
Já Francisco Sousa, dirigente do MST no Piauí, pontuou a necessidade de articular com os diferentes segmentos da sociedade para garantir que as questões ambientais e a justiça climática sejam priorizadas nas discussões nacionais e internacionais. “É essencial que entendamos as diferentes visões sobre o desenvolvimento no Brasil e possamos construir uma pauta sólida para a COP-30”, afirmou Sousa.
No segundo dia de atividades, o evento seguiu com trabalho em grupos, onde foram discutidas questões centrais sobre os desafios ambientais enfrentados pelas comunidades tradicionais e as ações de resistência que estão sendo realizadas pelas Quebradeiras de Coco. Perguntas norteadoras foram levantadas, como: “Quais os principais problemas ambientais enfrentados hoje?”, “Como as mudanças climáticas têm afetado nosso modo de vida?” e “Quais os resultados já alcançados e onde queremos chegar?”
Um Caminho de Esperança e Resistência
Com a voz firme das mulheres quebradeiras de coco, que têm sido as grandes protagonistas na preservação das florestas e no enfrentamento das mudanças climáticas, o evento reafirma a importância de fortalecer as políticas públicas voltadas para os povos tradicionais e garantir a implementação de mecanismos internacionais, como o REDD+, que respeitem seus direitos e modos de vida. A caminhada rumo à COP-30, com uma agenda pautada pela agroecologia, justiça climática e respeito aos saberes ancestrais, ganha força a cada dia.
O que fica claro é que, para as Quebradeiras de Coco Babaçu, o futuro será construído com mais união, força e conhecimento, para garantir um planeta mais sustentável e justo para todos.

















A Rede de Comunicadoras(es) do MIQCB já começou com tudo! Jovens das seis Regionais se reuniram em São Domingos do Araguaia (PA), em março de 2025, para fortalecer a comunicação como ferramenta de luta e resistência. Com debates, oficinas práticas e muita troca, o encontro reforça a importância do trabalho em rede e da agroecologia e fortalecimento dos territórios tradicionais. Confira aqui o vídeo desse encontro de muito diálogo e participação.

Com o objetivo de fortalecer a participação das Quebradeiras de Coco Babaçu nos debates sobre mudanças climáticas, o Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB) está promovendo o ciclo de formação “Babaçu é Clima: Quebradeiras de Coco Babaçu rumo à COP-30”. A iniciativa busca ampliar o entendimento sobre a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP-30), que será realizada em Belém do Pará, em 2025, além de aprofundar a discussão sobre os mecanismos de REDD+ e construir um documento unificado que represente as demandas e propostas das quebradeiras de coco frente aos desafios climáticos atuais.
Durante os encontros, são abordados temas estratégicos como o reconhecimento dos modos de vida tradicionais, a conservação ambiental promovida pelas comunidades babaçuais e a importância de garantir voz e protagonismo às mulheres quebradeiras nos espaços de formulação de políticas públicas.
Confira o cronograma dos encontros regionais:
Piauí: 8 e 9 de abril
Pará: 10 e 11 de abril
Baixada Maranhense: 24 e 25 de abril
Mearim/Cocais: 13 e 14 de maio
Tocantins: 15 e 16 de maio
Imperatriz: 20 e 21 de maio
Ao longo das formações, as participantes compartilham experiências, fortalecem alianças e aprofundam conhecimentos sobre os impactos das mudanças climáticas nos territórios onde vivem e atuam. O processo culminará na construção coletiva de um documento político central, que será a base da contribuição do MIQCB para a COP-30, reafirmando o papel fundamental das comunidades tradicionais na proteção das florestas e no enfrentamento à crise climática.

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