
Belém (PA) — 19 de novembro. O Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB) ampliou sua participação na COP30 com agendas estratégicas que fortaleceram a defesa dos territórios, a visibilidade das quebradeiras e a articulação por políticas públicas estruturantes. Entre os destaques, ocorreu nesta manhã a apresentação do Projeto Defensorias nos Babaçuais, iniciativa construída em parceria com defensorias públicas estaduais ao longo de 2024 e 2025.
Projeto Defensorias nos Babaçuais ganha destaque durante a COP30
A apresentação do Projeto, realizada hoje durante a conferência, reuniu representantes de defensorias e lideranças quebradeiras para socializar os resultados da primeira e segunda etapas. O MIQCB destacou a importância do trabalho conjunto e a atuação territorial em defesa dos direitos das mulheres babaçuais.

O momento reforçou o compromisso das defensorias com a garantia do acesso aos babaçuais, a proteção das comunidades e a implementação da Lei do Babaçu Livre. Para o MIQCB, essa ação consolida um diálogo contínuo e necessário entre Estado e sociedade civil.
Encontro com Defensorias Públicas e relato das ações nos regionais
Antes da COP, o MIQCB já havia participado de uma agenda com a Defensoria Pública, apresentando os resultados construídos nos regionais e o relato das ações desenvolvidas na segunda etapa do Projeto, realizada em Imperatriz (MA), em outubro. Representando o movimento na mesa, Dona Ednalva Ribeiro e Cledeneusa reforçaram a importância da atuação conjunta na defesa dos territórios.
MIQCB apresenta economia do babaçu na Embrapa
Durante a programação da COP30, o MIQCB esteve também na Embrapa, onde Dona Cléd apresentou as experiências da cooperativa, abordando produção, comercialização, compras públicas e os programas que fortalecem a economia das quebradeiras. O vídeo da atividade está disponível no grupo interno do Movimento.

Debate sobre a minuta do decreto na Casa das ONGs
Outra agenda relevante ocorreu na Casa das ONGs, em Belém, onde Dona Ednalva participou de uma roda de conversa sobre a minuta do decreto voltado a povos e comunidades tradicionais. A atividade, realizada em parceria com organizações como Terra de Direitos, FASE e ISPN, ampliou o debate sobre garantias territoriais, regularização fundiária e participação social.
Voz das quebradeiras na COP30
Durante sua fala, Ednalva Ribeiro, vice-coordenadora geral do MIQCB, destacou a urgência de políticas que garantam vida digna às comunidades e enfrentem a violência nos territórios tradicionais:
“Com justiça climática, também precisa lutar pela unidade, lutar pela vida, lutar pelas pessoas que preservam o meio ambiente. Porque, se não há gente viva na comunidade, no seu território, não vai haver mudanças climáticas.”

Ela também alertou para a contradição entre grandes projetos e a sobrevivência dos povos da floresta:
“Não basta lutar pelas mudanças climáticas se realmente os governantes estão preocupados com grandes projetos — mineração, ferrovias, milhares de cabeças de gado. Mas também é preciso se preocupar com a humanidade, com as pessoas e com o seu território.”
Ednalva reforçou ainda a necessidade de enfrentar a violência e de garantir regularização fundiária:
“Precisamos que os governantes se preocupem com a regularização fundiária. No começo da COP30, morreram duas mulheres, um indígena e um agricultor. Por que essas pessoas estão morrendo? São agricultores e povos que lutam pela sua sobrevivência. Se os governantes não se preocuparem com a vida humana nos territórios, não haverá preservação.”
Compromisso do MIQCB
Com presença ativa e pautas estratégicas, o MIQCB reafirma sua missão de defender o Babaçu Livre, promover justiça climática e assegurar que as quebradeiras sejam protagonistas na formulação de políticas públicas. O Movimento segue articulando parcerias, fortalecendo a incidência e garantindo que as vozes das mulheres ecoem em espaços de decisão nacional e internacional.
O MIQCB permanece firme na defesa dos territórios, da floresta em pé e da vida das quebradeiras de coco babaçu.




Belém (PA), 17 de novembro de 2025 — O Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB) marcou presença estratégica na Zona Azul da COP30, reforçando sua atuação na defesa da sociobioeconomia, dos territórios tradicionais e da justiça climática. Ao longo do dia, a delegação do MIQCB ampliou diálogos com governos, agências internacionais e parceiros, trazendo a voz e a experiência das mulheres babaçueiras para espaços centrais da conferência.

Sociobioeconomia no centro das decisões globais
Lançamento do Programa COOPERA+ Amazônia
Na Zona Verde, a coordenadora Maria Ednalva Ribeiro representou o MIQCB na cerimônia do lançamento do Programa COOPERA+ Amazônia, ao lado do vice-presidente da República, Geraldo Alckmin. O movimento ressaltou que a sociobiodiversidade é pilar do desenvolvimento sustentável da região.
“O babaçu é uma economia viva, que protege a floresta e garante renda para milhares de mulheres. Investir na sociobioeconomia é reconhecer nossa contribuição histórica”, destacou Ednalva.
Floresta em pé e economia sustentável
Painel no Pavilhão do BNDES
No debate “Valor da Floresta em Pé: Sociobioeconomia como Estratégia para Conservação”, realizado no Pavilhão do BNDES, Ednalva dialogou com representantes do Ministério do Meio Ambiente, Rioterra e Cooperacre. O MIQCB reforçou a centralidade das quebradeiras de coco babaçu no modelo de economia que mantém a Amazônia viva.

“Somos guardiãs dos babaçuais e protagonistas de uma economia que não derruba a floresta. Nosso trabalho precisa ser reconhecido e apoiado pelas políticas públicas”, afirmou a coordenadora.
Justiça climática como horizonte comum
Participação no painel da Ford Foundation – Zona Azul
O MIQCB integrou o painel que apresentou os resultados da Cúpula dos Povos e sua agenda política para a justiça climática, ao lado de MST, Global Forest Coalition e FASE. O movimento destacou que os impactos da crise climática recaem de forma desproporcional sobre os povos e comunidades tradicionais.
“Não há transição justa sem ouvir quem vive na floresta e quem cuida dela todos os dias. Nossa agenda precisa ser tratada como prioridade”, enfatizou o Movimento.
Políticas públicas para Povos e Comunidades Tradicionais
Debate sobre o Plano Nacional para PCTs
Em outro momento, o MIQCB reforçou reivindicações históricas pela garantia dos territórios tradicionais, regularização fundiária, proteção dos babaçuais e participação social das mulheres quebradeiras.
Entre as pautas políticas defendidas:
Implementação efetiva do Plano Nacional para Povos e Comunidades Tradicionais;
Avanço na Lei Babaçu Livre em todos os estados babaçueiros;
Proteção dos territórios e combate às pressões do agronegócio;
Fortalecimento da sociobioeconomia comunitária.
Incidência internacional e diálogos estratégicos
Celebração dos 17 anos do Fundo Amazônia – Zona Azul
O MIQCB participou da celebração dos 17 anos do Fundo Amazônia, espaço em que realizou uma oitiva com o vice-embaixador da Alemanha. O encontro ampliou a defesa das iniciativas comunitárias e da importância dos financiamentos diretos para organizações de base.
Compromisso pela floresta e pelos territórios
A presença do MIQCB na COP30 reafirma a força política das mulheres quebradeiras de coco babaçu e sua contribuição para uma Amazônia viva, com justiça climática e territorialidade garantida.

O Movimento segue firme: com voz, com luta e com o babaçu em pé.
Sociobioeconomia é futuro. Territórios vivos são resistência.






Belém do Pará — O Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB) iniciou sua participação na COP30 com força, ancestralidade e incidência política. Reunindo cerca de 100 mulheres das seis regionais — Maranhão, Pará, Tocantins e Piauí —, o movimento marcou presença na abertura da Cúpula dos Povos, que reúne mais de 5 mil representantes de movimentos sociais, pesquisadores, povos tradicionais, juventudes e trabalhadores de todo o Brasil e de cerca de 60 países.
A presença expressiva reafirma o protagonismo das quebradeiras de coco babaçu na defesa dos territórios, da sociobiodiversidade e da justiça climática — princípios construídos na prática cotidiana das comunidades extrativistas.
Organizada na UFPA, a Cúpula dos Povos integra a COP Popular, um espaço autônomo criado como resposta aos processos de negociação fechados que historicamente excluem mulheres quebradeiras, povos indígenas, ribeirinhos, quilombolas, agricultores familiares e trabalhadores urbanos das decisões que afetam diretamente seus modos de vida.
Ao mesmo tempo, mesmo com equipes menores, o MIQCB segue presente na Zona Azul (negociações oficiais), Zona Verde (programação ampliada da ONU) e em espaços estratégicos na cidade, reafirmando internacionalmente que babaçu é clima.
Manhã de debates: MIQCB leva a realidade dos territórios na mesa sobre os Títulos Amazônicos no Museu Goeldi

A agenda do primeiro dia começou no Museu Goeldi, na mesa “O que Esperar dos Títulos Amazônicos?”, que debateu o novo instrumento financeiro lançado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para captar recursos destinados a iniciativas sustentáveis na região.
A coordenadora-geral Maria Alaídes destacou que nenhum mecanismo climático será eficaz se continuar repetindo a lógica de excluir os povos da floresta:

“Não existe financiamento climático legítimo quando os territórios seguem sem regularização, os babaçuais continuam ameaçados e as mulheres que mantêm a floresta viva não são escutadas. Os Títulos Amazônicos só terão impacto real se reconhecerem quem sustenta a sociobiodiversidade com trabalho, conhecimento e resistência.” — Maria Alaídes, coordenadora-geral do MIQCB.
Durante sua participação na mesa, Alaídes também aproveitou o momento para lembrar a morte brutal das companheiras quebradeiras de coco, assassinadas enquanto exerciam seu ofício tradicional. Antônia Ferreira dos Santos e Marly Viana Barroso foram encontradas sem vida no início de novembro, no polo pesqueiro do município de Novo Repartimento (PA), sudeste do estado. A coordenadora ressaltou que o crime expõe a vulnerabilidade das mulheres que dependem dos babaçuais para sobreviver
A fala rompeu a hegemonia técnica das instituições financeiras e reposicionou o debate a partir da perspectiva concreta das quebradeiras de coco babaçu, que enfrentam conflitos fundiários, violência e restrições ao acesso às palmeiras.
O MIQCB reforçou que qualquer modelo de financiamento deve garantir:
Fundo Babaçu em destaque na Casa Sul Global

Ainda pela manhã, na Casa Sul Global, o MIQCB integrou a atividade da Rede de Fundos Comunitários da Amazônia Brasileira. A coordenadora Marinalda Rodrigues, do regional Piauí, apresentou a experiência consolidada do Fundo Babaçu, reconhecido nacionalmente como um dos poucos mecanismos de financiamento direto às comunidades.
“O Fundo Babaçu já transformou mais de uma década de projetos comunitários em fortalecimento real das mulheres, mantendo a floresta viva e garantindo autonomia econômica nos territórios”, destacou Marinalda.
A experiência do MIQCB foi recebida como referência para modelos de governança comunitária que dialogam diretamente com os desafios socioambientais da Amazônia.
Tarde cultural no BNDES: filme, música e encenação emocionante das quebradeiras

No período da tarde, o MIQCB ocupou o espaço do BNDES com uma programação cultural potente, reunindo arte, memória e denúncia.
Foram exibidos:
Em seguida, o público se emocionou com a apresentação das Quebradeiras de Coco Babaçu ao lado das Encantadeiras, e com a encenação teatral “Da Luta à Encenação Teatral: quebradeiras de coco babaçu te contam”, apresentada pelo Centro de Formação das Quebradeiras de Coco Babaçu.
A quebradeira da Regional Baixada Maranhense, Rosa Gregória emocionou ao narrar, no palco, as violações vividas pelas mulheres nos territórios e a luta cotidiana pela preservação dos babaçuais:
“O que mostramos aqui não é só teatro. É a vida real das mulheres que enfrentam violência, expulsões, cercas e tentativas de destruir nossas palmeiras. Eu estou hoje na faculdade graças à luta do MIQCB e à força do nosso Centro de Formação. A arte é a nossa arma para denunciar e seguir resistindo.” — Declarou, Rosa.



A apresentação arrancou aplausos e lágrimas da plateia, reafirmando a centralidade da cultura como instrumento político.
Feira da Biodiversidade mostra a força econômica das mulheres

Durante todo o dia, as mulheres da Cooperativa Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (CIMQCB) ocuparam a Feira da Biodiversidade, na UFPA, mostrando ao mundo a potência econômica e ambiental construída nos territórios.
No espaço, foram expostos produtos da sociobiodiversidade do babaçu:
A feira se consolidou como um ambiente de diálogo com financiadores, pesquisadores e movimentos sociais, reforçando o papel das quebradeiras na bioeconomia brasileira.



Abertura oficial da Cúpula dos Povos: sem participação popular, não há justiça climática
O dia encerrou com a emocionante abertura oficial da Cúpula dos Povos, que celebrou a resistência da sociedade civil e reforçou que não existe solução climática sem quem mantém a floresta viva.
Para o MIQCB, estar nesse espaço é reafirmar uma agenda que há décadas denuncia desigualdades estruturais e aponta caminhos concretos para um clima justo.
A vice-coordenadora-geral Ednalva Ribeiro destacou:
“A COP30 é o momento de afirmar que não existe justiça climática sem justiça territorial. As quebradeiras de coco têm uma história de luta e solidariedade que precisa ser reconhecida como parte das soluções para o clima.” — Ednalva Ribeiro
Pautas centrais das quebradeiras de coco na COP30
O MIQCB apresenta uma agenda estratégica que integra clima, território e direitos das mulheres:
1. Aprovação da minuta de decreto de regularização fundiária dos territórios tradicionais
Para garantir segurança jurídica, enfrentamento da violência e proteção dos modos de vida.
2. Fortalecimento e ampliação da Lei Babaçu Livre
Marco fundamental que garante o acesso aos babaçuais e contribui diretamente para as metas climáticas brasileiras (NDCs).
3. Financiamento direto para mulheres e organizações comunitárias
Como já faz o Fundo Babaçu, reforçando que não há transição justa sem recurso nos territórios.
4. Participação efetiva das quebradeiras nos espaços de tomada de decisão
Do local ao internacional — especialmente na COP30.
Babaçu é Clima: a mensagem do MIQCB ao mundo
Com a força de 100 mulheres na Cúpula dos Povos e equipes estratégicas na Zona Azul e na Zona Verde, o MIQCB leva ao mundo a mensagem que orienta sua atuação na COP30:
“Babaçu é Clima – Mulheres quebradeiras em luta pela justiça climática.”
O movimento reafirma que defender os territórios tradicionais é, ao mesmo tempo, defender o planeta, a sociobiodiversidade e o futuro das próximas gerações.








Delegação do MIQCB participa do maior evento climático do mundo com agenda sobre regularização fundiária, Lei Babaçu Livre e financiamento direto para povos e comunidades tradicionais.
De 10 a 21 de novembro, o Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB) estará presente na 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), levando a voz e a luta de mais de 300 mil mulheres extrativistas da Amazônia e do Cerrado. A delegação com cerca de 100 mulheres dos estados do Maranhão, Pará, Tocantins e Piauí, participa de espaços oficiais da COP (zona azul e zona verde) e da Cúpula dos Povos, com falas, atos públicos, atividades culturais e exibição de filmes que evidenciam o papel das quebradeiras de coco na defesa dos babaçuais, do território e do clima.
O MIQCB apresenta, em sua agenda, experiências concretas de bioeconomia comunitária, governança climática e finanças territoriais, com destaque para o Fundo Babaçu, iniciativa que integra a Rede de Fundos Comunitários da Amazônia e apoia projetos locais liderados por mulheres.
Entre os temas centrais estão a aprovação da minuta de decreto de regularização fundiária dos territórios tradicionais e o fortalecimento da Lei Babaçu Livre, marco legal que garante o acesso aos babaçuais e contribui diretamente para as metas climáticas do Brasil (NDCs).
Destaques da Programação do MIQCB na COP30
• Participações em mesas sobre justiça climática, direitos territoriais e gênero, realizadas na UFPA — onde ocorre a programação da Cúpula dos Povos —, além de espaços da Zona Verde e Zona Azul da COP30
CÚPULA DOS POVOS:
Organizada há mais de dois anos e construída coletivamente por cerca de 1.100 movimentos sociais, organizações comunitárias, entidades territoriais e redes internacionais de defesa dos direitos humanos e da justiça climática, de 62 países, a Cúpula dos Povos na COP30 se apresenta como uma resposta autônoma e popular à 30ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP 30).
O evento ocorrerá de 12 a 16 de novembro próximo, em Belém/PA, e nasce do entendimento de que a crise climática não pode ser tratada apenas como um problema técnico ou diplomático, mas como uma questão profundamente social, vivida nas comunidades e diretamente relacionada às desigualdades históricas que afetam povos originários, populações tradicionais, juventudes periféricas, trabalhadores/as do campo e da cidade.
Ao contrário da Conferência oficial, estruturada em espaços de negociação dominados por governos e corporações, a Cúpula dos Povos se estabelece num território político autônomo, direcionado à construção coletiva de soluções elaboradas a partir das experiências concretas de quem enfrenta cotidianamente enchentes, secas, contaminação industrial, avanço do agronegócio, expulsões territoriais e violações ambientais. Por isso, a Cúpula é apresentada não como um evento paralelo, mas como o verdadeiro palco popular da justiça climática.
A mobilização surge em um momento de forte cobrança internacional sobre o papel do Brasil na presidência da COP 30. Depois de uma COP 29 considerada decepcionante pelos movimentos sociais, sobretudo, pela ausência de metas vinculantes de financiamento climático e pela ampla margem dada a empréstimos que podem aumentar a dependência econômica dos países mais vulneráveis, cresce a expectativa de que o país possa exercer um protagonismo mais coerente com sua importância socioambiental.
Local: Belém (PA)
Período: 10 a 21 de novembro de 2025
Durante o dia
Barqueata da Cúpula dos Povos – 9h às 12h
08h00 – 17h00
Feira Popular da Cúpula dos Povos
Participação contínua das quebradeiras de coco com produtos da sociobiodiversidade.
12h30 – 13h30
Museu Goeldi – Auditório Eduardo Galvão
Mesa: O que Esperar dos Títulos Amazônicos? Justiça Climática e Territorial sob a Perspectiva de PCTs e Afrodescendentes.
Participação: Alaídes e Sandra
14h30 – 16h00
Casa Sul Global – Edifício Manoel Pinto da Silva, Praça da República, Canto Coworking, Av. Serzedelo Corrêa, 15 – Nazaré
Atividade: Rede de Fundos Comunitários da Amazônia Brasileira: Iniciativas político-financeiras dos territórios, para os territórios, frente aos desafios socioambientais e climáticos.
Participação: MIQCB / Fundo Babaçu
15h00 – 18h30
Casa do BNDES
Atividade Cultural: Mostra de Lutas das Quebradeiras de Coco Babaçu
19h00 – 21h00
UFPA
Abertura Oficial da Cúpula dos Povos
08h00 – 17h00
Feira Popular da Cúpula dos Povos
Participação: MIQCB / CIMQCB
13h00
UFPA
Apresentação das Encantadeiras
14h00 – 17h30
UFPA – Tenda Externa
Atividade: Sem Justiça Territorial, Não Há Justiça Climática
Tema: Decreto de Regularização Fundiária dos Territórios dos PCTs
Eixo 1 – Territórios e Maretórios Vivos
Participação: Maria Alaídes, Ednalva, Renata, Ana Valéria e Yaponyra
14h00 – 18h00
UFPA
Atividades Enlaces dos Eixos de Convergência
08h00 – 17h00
Feira Popular da Cúpula dos Povos
Participação: MIQCB / CIMQCB
09h30 – 11h00
Zona Azul – Pavilhão Fundação Ford
Mesa: Fundo Babaçu: Experiência Comunitária de Financiamento Climático
11h20 – 12h35
Zona Verde – Embrapa Amazônia Oriental (Agrizone) – Auditório A2
Mesa: Justiça Climática sob a Perspectiva de Gênero
14h00 – 16h00
UFPA / Tendas dos Movimentos
Atividades:
08h00 – 17h00
Feira Popular da Cúpula dos Povos
Participação: MIQCB / CIMQCB
08h30 – 11h00
Mercado São Brás – Belém (PA)
Marcha Unificada dos Movimentos Sociais – Cúpula dos Povos
13h00 – 14h00
Casa Sul Global
Coletiva de Imprensa com lideranças dos movimentos sociais e PCTs
14h00 – 16h00
Zona Verde – Escola de Economia Criativa / Sala Ateliê 02
Lançamento do Documentário “Babaçu Livre: Território, Mulheres e Clima”
Roda de Conversa: As NDCs das Quebradeiras de Coco na Agenda Climática Brasileira
Organizadora: Secretaria-Geral da Presidência da República e Associação do MIQCB
14h30 – 16h30
Zona Verde – Pavilhão do Ministério Público Federal
Mesa: Plataforma de Territórios Tradicionais
Participação: Ednalva e Chica
08h00 – 17h00
Feira Popular da Cúpula dos Povos
Participação: MIQCB / CIMQCB
09h00 – 11h00
Local : UFPA
Audiência Pública com o Presidente da COP
10h30 – 12h00
Zona Verde – Pavilhão do Ministério Público Federal
Mesa: Justiça Climática e o Papel das Mulheres na Defesa dos Territórios
Participação: Janete e Franciene.
10h00 – 12h00
Local a confirmar
Mesa: Gênero e Adaptação Climática nos Territórios
Participação: Ednalva e Sandra
16h00
Casa ABONG – Associação Brasileira Organizações Não Governamentais
Mesa: Direitos Territoriais
18h30 – 20h00
Casa do BNDES
Mesa: Financiamento para a Justiça Climática
Horário a confirmar
Mesa: Papel dos Fundos Comunitários nos Territórios – Rede de Fundos Comunitários da Amazônia
15h00 – 16h30
Zona Verde – Agrizona / Embrapa
Diálogo: Agroindústria e Sociobiodiversidade
12h30 – 13h30
Zona Verde
Atividade: Participação Social e Justiça Climática – Contribuições da 5ª Conferência Nacional do MMA

O Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB) manifesta profunda dor, revolta e indignação diante do brutal assassinato das companheiras Antônia Ferreira dos Santos e Marly Viana Barroso, no polo pesqueiro, no município de Novo Repartimento , sudeste do Pará.
As duas quebradeiras de coco saíram para trabalhar na manhã d a segunda-feira, dia 03 de novembro, para coletar coco babaçu — como fazem milhares de mulheres extrativistas na Amazônia e no Cerrado, garantindo o sustento de suas famílias. Foram encontradas sem vida na noite do dia 03 , com sinais de violência brutal.
Trabalhavam honestamente e foram atacadas enquanto exerciam seu ofício tradicional. Foram violentadas, assassinadas e arrancadas de suas famílias, de sua comunidade e da floresta que defendiam. É uma violência cruel que atinge toda a nossa luta, nossa história e nossa dignidade.
Exigimos respostas imediatas – O MIQCB cobra do Governador Helder Barbalho e das Secretarias de Segurança Publica providencias imediatas para pericia e abertura de investigações para elucidação do crime, Secretaria de Estado da Mulher, Secretaria de Estado da Igualdade Racial e Diretora Humanos no apoio às famílias e proteção da comunidade, bem como acompanhamento do Ministério Publico, para a elucidação urgente do crime, com identificação e punição dos responsáveis. Não aceitaremos silêncio nem impunidade.
Esse crime reforça o contexto grave de violência enfrentado pelas quebradeiras de coco babaçu, que sofrem ameaças, expulsões, assédios, criminalização e ataques crescentes em seus territórios.
Nossa luta é pela vida, pelo território e pelo direito de trabalhar com segurança e respeito. Nenhuma mulher pode perder a vida pelo simples fato de buscar o sustento no babaçu.
Nos solidarizamos com as famílias de Antônia e Marly e com toda a comunidade local. Estamos juntas e permaneceremos vigilantes para que este crime não caia no esquecimento.
Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu – MIQCB

Criado pelo Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB), o Fundo celebra 13 anos fortalecendo comunidades tradicionais, apoiando projetos sustentáveis e garantindo que as vozes das mulheres sigam conduzindo o futuro dos babaçuais.
Em 10 de outubro de 2025, o Fundo Babaçu completa 13 anos de existência, reafirmando-se como uma das mais importantes ferramentas de fortalecimento das quebradeiras de coco babaçu e das comunidades tradicionais que vivem e produzem nos territórios de babaçuais.
Criado pelo MIQCB, o Fundo nasceu do desejo de garantir que os recursos cheguem diretamente às mãos das mulheres e comunidades que mantêm vivo o modo de vida nos babaçuais — apoiando iniciativas voltadas à produção sustentável, à conservação ambiental, à autonomia e ao protagonismo feminino.
Desde sua criação, o Fundo Babaçu já apoiou 99 projetos comunitários nos estados do Maranhão, Pará, Tocantins e Piauí, com investimentos que somam mais de R$ 8,3 milhões em recursos não reembolsáveis. Esses projetos envolvem ações de agricultura familiar, extrativismo agroecológico, geração de renda solidária e fortalecimento organizativo, transformando realidades locais e fortalecendo o modo de vida das quebradeiras.

Para Marinalda Rodrigues, coordenadora executiva do MIQCB no Piauí e integrante da Secretaria Executiva do Fundo, a trajetória é motivo de orgulho e esperança:
“O Fundo Babaçu representa muito para nós, quebradeiras. É fruto da nossa luta e da nossa união. Graças a ele, conseguimos fortalecer nossos grupos, melhorar nossa produção e mostrar que é possível viver bem cuidando da floresta. O Fundo é uma ferramenta que nasceu das nossas mãos e continua servindo às nossas necessidades, ajudando a garantir que o babaçu continue livre e que nossas tradições sigam vivas.”
Governança participativa e protagonismo das mulheres
A governança do Fundo é exercida por um Comitê Gestor plural e participativo, formado por representantes das seis regionais do MIQCB, organizações parceiras da sociedade civil, entidades quilombolas, instituições acadêmicas e grupos de agroecologia.
A gestão operacional é conduzida pela Secretaria Executiva do Fundo Babaçu, sob orientação do MIQCB, que assegura o acompanhamento técnico e o diálogo com parceiros estratégicos como o Fundo Amazônia/BNDES, a Fundação Ford e a Tenure Facility.

Para Nilce Cardoso, secretária executiva do Fundo Babaçu, este é um momento de amadurecimento e expansão:
“O Fundo Babaçu se consolida como uma ferramenta estratégica de fortalecimento das comunidades tradicionais e de valorização da sociobiodiversidade, com processos cada vez mais transparentes e centrados na autonomia das mulheres. Em 2025, alcançamos um marco importante: a primeira assinatura de um projeto de demanda espontânea, que amplia a capacidade do Fundo de responder diretamente às necessidades que nascem das próprias comunidades.”
A força das parcerias e o reconhecimento internacional
O reconhecimento ao Fundo Babaçu vem também de seus parceiros históricos, que destacam o pioneirismo do MIQCB ao criar um mecanismo financeiro autônomo, gerido por mulheres de base comunitária.
Segundo Aurélio Vianna, Senior Program Officer e ponto focal para o Brasil da Tenure Facility, o Fundo é símbolo de inovação e resiliência:
“Há 13 anos, as lideranças do MIQCB ousaram. O Fundo Babaçu foi o primeiro fundo criado por um movimento territorial institucionalizado. Construíram, então, seu próprio mecanismo financeiro autônomo, com apoio às organizações de base das mulheres quebradeiras de coco. Completar 13 anos ativo e cumprindo sua missão de apoiar a base do movimento é sinal de resiliência e compromisso. Guerreiras, conseguiram! Longa vida ao Fundo Babaçu!”
A Fundação Ford também reconhece o papel estratégico do Fundo Babaçu no avanço da economia do cuidado e na proteção territorial.

Para Érika Yamada, coordenadora de programas da Fundação Ford Brasil, o Fundo Babaçu é importante em diversos aspectos, mas o destaque está na visão estratégica do MIQCB — entendendo o Fundo como um mecanismo de mobilização das mulheres, de resposta às suas demandas e de avanço na proteção dos territórios e dos direitos coletivos.
“O papel do Fundo, junto à Rede de Fundos Comunitários da Amazônia, é fundamental para fortalecer valores de solidariedade e justiça na distribuição de recursos”, enfatizou.
Já o Fundo Amazônia/BNDES, parceiro de longa data, destaca a legitimidade e a força do MIQCB na condução do mecanismo:
“O apoio a projetos voltados a povos e comunidades tradicionais é uma prioridade do Fundo Amazônia. Reconhecemos no MIQCB um parceiro estratégico, pela legitimidade, articulação e gestão participativa das quebradeiras. Por isso, consideramos essencial a continuidade e ampliação do apoio ao Fundo Babaçu”, destacou Ana Paula Donato, do Departamento de Gestão do Fundo Amazônia, BNDES.
Vozes do território

No chão dos babaçuais, o impacto é concreto. Um dos projetos apoiados recentemente é o “Território tradicional: lugar de liberdade, trabalho, vida e patrimônio cultural”, desenvolvido pela Associação de Mulheres Trabalhadoras do Coco Babaçu (AMTCOB), no território tradicional Santa Rosa, no Piauí — o segundo território de quebradeiras de coco titulado no país.
Para Antônia Almeida, quebradeira de coco, coordenadora de Meio Ambiente da associação e moradora do território, o projeto é símbolo de resistência:
“O projeto Baqueli, por meio do Fundo Babaçu, fortalece as ações das quebradeiras e os nossos direitos sobre o território, o meio ambiente e a cultura. Com o apoio do Fundo, realizamos atividades que geram renda e valorizam o trabalho das mulheres. Ser beneficiária desse projeto é o reconhecimento da nossa identidade e da nossa luta por um território livre, justo e sustentável.”
Outro projeto de grande relevância apoiado pelo Fundo Babaçu foi o da Cooperativa Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (CIMQCB), que adquiriu uma loja virtual, inaugurada em setembro deste ano. O novo site de vendas — maepalmeira.com.br — permitirá que consumidores de todo o país adquiram alimentos, cosméticos e artesanatos diretamente das quebradeiras, ampliando o mercado e garantindo que a renda chegue a quem produz.

“Lançar a loja virtual no Mês das Quebradeiras é motivo de muita alegria para nós. É um dia especial, porque quem compra nossos produtos não leva apenas um alimento ou um artesanato, leva também a nossa história e identidade. Cada compra fortalece a luta pelo território, pelo Babaçu Livre e contribui para a preservação dos babaçuais. Com essa conquista, vamos levar nossa cultura e nossa resistência para todo o Brasil”, destacou Helena Gomes, presidente da cooperativa.
13 anos de impacto e um futuro promissor
Ao longo de sua trajetória, o Fundo Babaçu consolidou-se como uma referência em filantropia comunitária e justiça socioambiental, inspirando outras experiências de financiamento de base no Brasil e na Amazônia.
Hoje, o Fundo integra a Rede de Fundos Comunitários da Amazônia, ampliando o intercâmbio entre experiências e fortalecendo a autonomia local como estratégia de enfrentamento às desigualdades.
Ao celebrar 13 anos, o Fundo Babaçu reafirma seu compromisso com o fortalecimento das quebradeiras de coco, a defesa dos babaçuais e a promoção de um modelo de desenvolvimento sustentável e solidário. Com a nova etapa de demanda espontânea, torna-se ainda mais próximo das comunidades, garantindo que as vozes das mulheres sigam conduzindo o futuro dos babaçuais.
A iniciativa representa um novo passo na autonomia das quebradeiras de coco, permitindo que grupos e associações apresentem e executem seus próprios projetos com apoio do MIQCB, por meio do projeto Baqueli, e recursos do Fundo.
O primeiro contrato foi firmado com as quebradeiras da comunidade Encruza Nova, em Pedro do Rosário (MA), para execução do projeto “Quebradeiras Defensoras dos Babaçuais Fortalecendo Processos Organizativos”, com financiamento do Fundo Babaçu e apoio da Tenure Facility.



Sobre o Fundo Babaçu
Criação: 2012
Iniciativa: Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB)
Área de atuação: Maranhão, Piauí, Tocantins e Pará
Objetivo: Apoiar projetos socioambientais da agricultura familiar, do extrativismo sustentável e do fortalecimento organizativo das comunidades tradicionais.
Princípios: Transparência, autonomia das mulheres, equilíbrio de gênero e gerações, valorização da sociobiodiversidade e fortalecimento comunitário.
Governança: Comitê Gestor com representantes das regionais do MIQCB e parceiros institucionais.
Parcerias: Fundo Amazônia/BNDES, Fundação Ford, Tenure Facility e Rede de Fundos Comunitários da Amazônia.
Marco recente: Primeira assinatura de demanda espontânea, ampliando o protagonismo das comunidades na proposição de projetos.


Nos dias 30 de setembro e 1º de outubro, em São Luís (MA), e 8 e 9 de outubro, em Itaguatins (TO), o Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB) realizou a oficina de Implementação do Plano de Proteção, Cuidado e Autocuidado, reunindo lideranças, coordenações e assessorias de cinco regionais do Movimento.
A atividade teve como foco a implementação do Plano de Proteção, Cuidado e Autocuidado do MIQCB, documento construído coletivamente ao longo de 2024, fruto de um amplo processo de escuta e diálogo com as quebradeiras de coco babaçu dos quatro estados de atuação — Maranhão, Pará, Tocantins e Piauí.

A consultora Mari Vilma Maia destacou que a oficina foi parte de um processo coletivo e contínuo de construção:
“Essa atividade faz parte de um caminho que foi sendo construído com muitas mãos, escutas e vivências. O Plano de Proteção, Cuidado e Autocuidado do MIQCB nasce da realidade das quebradeiras e tem como objetivo fortalecer a segurança, o bem-estar e a sustentabilidade emocional das mulheres e de suas lideranças. É um instrumento vivo, que precisa ser constantemente alimentado pelas práticas cotidianas das regionais.”
Durante os encontros, foram trabalhados os critérios de observação e os caminhos para o processo de escuta das comunidades, territórios e coordenações sobre as temáticas de proteção, cuidado e autocuidado. As participantes refletiram sobre como o cuidado pessoal e coletivo fortalece o movimento e garante a continuidade das lutas históricas das quebradeiras de coco babaçu.
Cartografia do cuidado e partilha de vivências

As oficinas também foram espaços de escuta, acolhimento e troca de experiências entre as regionais. As participantes compartilharam desafios enfrentados no cotidiano e realizaram um exercício de cartografia do cuidado — um mapeamento afetivo das práticas já existentes que expressam o cuidado, a solidariedade e o apoio mútuo entre as quebradeiras.
Para Maria de Fátima, coordenadora executiva da Regional Mearim/Cocais, a oficina fortaleceu os laços internos e reafirmou o sentido do cuidado como prática política:
“Essa oficina foi um momento de muita reflexão e aprendizado. Quando falamos de cuidado e autocuidado, estamos falando de fortalecer nossa caminhada enquanto movimento, porque não há luta sem corpo e sem afeto. Precisamos nos cuidar para continuar firmes, juntas, na defesa dos nossos direitos e dos babaçuais.”

Já Vitória Balbina, coordenadora executiva da Regional Baixada, destacou a importância do plano como instrumento de transformação coletiva:
“O plano é um passo importante para que as regionais avancem na prática do cuidado. O autocuidado é essencial, mas ele só é possível quando vem acompanhado do cuidado coletivo, da escuta e do apoio mútuo entre as companheiras. Essa oficina nos ajudou a olhar pra dentro e fortalecer nossos vínculos.”
Cuidado como força de resistência
Nas etapas seguintes, realizadas em Itaguatins (TO), participaram representantes das Regionais Tocantins, Pará e Imperatriz (MA). O encontro reforçou o valor do cuidado como forma de resistência e fortalecimento do movimento.
Para Lusenir dos Santos, coordenadora de base do MIQCB e diretora da CIMQCB – Cooperativa Interestadual de Mulheres Quebradeiras de Coco Babaçu, “foram dois dias de oficinas que abordaram o cuidado com si e com o próximo também. Podemos ver que o cuidado com você mesma se dá muito quando você consegue se cuidar e também dar suporte para outras pessoas se cuidarem e ficarem bem.”
A quebradeira de coco e coordenadora de base da Regional Pará, Maria de Fátima, ressaltou o caráter transformador das oficinas:
“Foi uma experiência muito boa nesses dois dias, um aprendizado para podermos ouvir e ser ouvidas. É uma construção muito interessante e muito importante para o movimento.”



Já Francisca Pereira, coordenadora de base da Regional Tocantins, destacou a importância prática da atividade:
“Estávamos precisando dessa oficina para repensar nossas rotinas. Muitas vezes, a gente não se dá tempo para descansar e se cuidar. Essa oficina abriu nossos olhos para isso: que cuidar da gente é também cuidar das nossas companheiras e da nossa luta.”
Um movimento que cuida e resiste
Os encontros foram marcados por escuta sensível, trocas afetivas e fortalecimento das práticas de autocuidado, reafirmando que o cuidado coletivo é também uma forma de resistência — uma força que mantém viva a luta e a união das quebradeiras de coco babaçu em defesa de seus territórios, de suas vidas e de seus modos de existir.
As atividades são uma realização do MIQCB, com apoio do Fundo ELAS, por meio do projeto “Mulheres e Justiça Ambiental 2025”.

Durante o Encontro Regional “Defensorias nos Babaçuais”, realizado em Imperatriz (MA), nos dias 16 e 17 de outubro de 2025, as mulheres quebradeiras de coco babaçu — organizadas pelo Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB) — e as Defensorias Públicas dos Estados do Maranhão, Pará, Tocantins e Piauí, junto à Defensoria Pública da União (DPU), construíram importantes documentos políticos que expressam compromissos e reivindicações conjuntas em defesa dos direitos territoriais, ambientais e sociais das comunidades extrativistas.
A Carta Final do Encontro sintetiza os debates realizados e reafirma o protagonismo das quebradeiras de coco na defesa do Babaçu Livre, dos territórios tradicionais e da justiça climática, apresentando recomendações elaboradas pelo MIQCB e reconhecidas pelas Defensorias Públicas.

A Carta das Juventudes, por sua vez, traz a voz das novas gerações de quebradeiras e comunicadoras dos territórios, com propostas para garantir a sucessão rural, a proteção dos babaçuais e a efetiva participação das juventudes na construção das políticas públicas.
As duas cartas foram entregues oficialmente aos Defensores-Gerais das Defensorias Públicas dos Estados do Maranhão, Pará, Tocantins e Piauí, e à Defensoria Pública da União, marcando o compromisso conjunto por Justiça Climática e Social nos territórios das quebradeiras de coco babaçu.
O Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB) reuniu mais de 200 mulheres na cidade de Imperatriz (MA) para a Etapa Regional do projeto “Defensorias nos Babaçuais”, nos dias 16 e 17 de outubro. A atividade contou com a presença das seis regionais MIQCB, além de representantes das Defensorias Públicas dos estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Pará.
O encontro teve como tema “O Direito Achado nos Babaçuais: Vozes e Lutas das Quebradeiras de Coco por Justiça de Gênero, Territorial, Climática e Ambiental”, e colocou no centro do debate o papel das mulheres extrativistas na defesa do Babaçu Livre, na proteção dos territórios tradicionais e na luta por justiça social e climática.
A programação contou com mesas-redondas e tendas temáticas simultâneas que discutiram temas como “Babaçu Livre e Território: Garantindo Nossos Direitos”, “Incidência Política e Controle Social: Fortalecendo Nossas Vozes” e “Ação e Intervenção diante do Estado: Defendendo Nossos Direitos”. Durante os dois dias de evento, as participantes puderam trocar experiências, relatar desafios e construir, junto às Defensorias Públicas, caminhos para fortalecer a aplicação das leis do Babaçu Livre e garantir o acesso das mulheres à justiça e às políticas públicas.

Idealizado pela Defensoria Pública do Tocantins, em parceria com as quebradeiras de coco da Regional deste estado, o projeto tem o objetivo levar acesso à justiça às comunidades extrativistas, portanto tornar transversal o atendimento às quebradeiras de coco babaçu, uma vez que essas mulheres ocupam uma região que ultrapassa divisas. É o que explica a quebradeira de coco e vice coordenadora geral do MIQCB, Ednalva Ribeiro, que também representa as quebradeiras no Conselho Nacional dos Povos e Comunidades Tradicionais (CNPCT).
“Nós estamos em quatro estados, mas já sabemos que há mais de nós em outros dois porque recentemente descobrimos quebradeiras de coco babaçu na Bahia e no Ceará. Entendemos que não é o povo que deve se adequar ao governo, mas a estrutura de Estado é que precisa entender que não existe fronteira para a existência dos povos tradicionais”,
O projeto é resultado de um esforço coletivo, é o que diz a defensora pública Kenia Martins. “A Defensoria do Tocantins idealizou o projeto, que visa levar acesso à justiça às mulheres quebradeiras de coco. As defensorias do Maranhão, Piauí e Pará aderiram e realizam o projeto em conjunto, com o MIQCB. Esperamos construir um caminho para a preservação dos babaçuais e para o cumprimento das leis do Babaçu Livre, fruto da luta histórica dessas mulheres”, explicou.
A secretária executiva do Ministério das Mulheres, Eutália Barbosa, marcou presença como representante do Ministério das Mulheres e ressaltou a importância da união entre as instituições. “Estou muito honrada em participar deste evento e em ser parceira das Defensorias e do MIQCB para realizar esse espaço tão importante de construção coletiva e de escuta. Defendemos o Babaçu Livre, defendemos que as mulheres vivam de forma livre e defendemos também a natureza e o meio ambiente”, destacou.

A secretária de Políticas para as Mulheres de Imperatriz, Liana Melo, que representou o prefeito Rildo Amaral na ocasião, destacou a força das quebradeiras e o simbolismo do encontro. “Foi uma manhã linda, onde fomos contagiados pela força da mulher quebradeira de coco. Essas mulheres estão de pé há mais de 30 anos nesse movimento do MIQCB, mantendo de pé também as palmeiras do coco babaçu. Evento muito significativo, onde as Defensorias estão atuando diretamente na causa da sustentabilidade”, afirmou.
Foram dois dias de trocas entre o universo jurídico e a vivência das quebradeiras de coco babaçu que culminaram em dois documentos: uma carta conjunta que evidencia as principais reinvindicações das mulheres em suas diferentes comunidades e o compromisso dos defensores públicos dos quatro estados em atender e somar às demandas de forma a equalizar os direitos que faltam e os deveres que as autoridades e agentes públicos têm negado; e a carta das Juventudes MIQCB, com o olhar dos jovens rurais sobre a falta de oportunidades no campo e o desejo de permanecer no campo.
O defensor público do Maranhão, Rafael Caetano, destacou o avanço das discussões e a construção conjunta de soluções concretas. “Estamos aqui, junto com o MIQCB, para discutirmos, analisarmos e tratarmos de todas as formas o direito e o acesso das quebradeiras de coco. Todas as Defensorias se reuniram para sistematizar tudo o que foi discutido na primeira etapa e nesta agora, e assim redigimos um documento que nos permitirá avançar ainda mais na agenda das quebradeiras de coco”, afirmou.
Há entendimento que outros atores podem ser envolvidos para garantir a transversalidade que os territórios exigem, por isso o envolvimento das Universidades nesse processo é importante. A professora Eró Cunha, educadora em Imperatriz, também enfatizou a relevância do evento para o debate público sobre o meio ambiente e o protagonismo feminino. “Está sendo incrível ver essas discussões e o engajamento das defensorias dos estados aqui em Imperatriz, discutindo políticas e a importância da Lei do Babaçu Livre. Isso é fundamental para o nosso ambiente e para o reconhecimento das quebradeiras de coco como defensoras da natureza”, destacou.

Ao final, o encontro reafirmou o compromisso do MIQCB com a Justiça Climática e Social, fortalecendo alianças entre o movimento e as instituições públicas para garantir o direito das mulheres quebradeiras de coco de viver, produzir e preservar seus territórios com dignidade.
Apoio Social
A presença de outras organizações contribuiu para o enriquecimento do olhar social para as discussões. Essas entidades parceiras estão envolvidas direta ou indiretamente com a atividade extrativista das mulheres quebradeiras de coco babaçu e acrescentam na luta pela preservação dos babaçuais.
O MIQCB agradece essa parceria e ressalva a importância da colaboração contínua em todos os projetos e atividades. São elas, a Alternativa para a Pequena Agricultura no Tocantins (APA-TO); Associação de Mulheres Trabalhadoras Rurais do Babaçu do Baixo Parnaíba (AMTCOB); Associação de Mulheres Trabalhadoras Rurais do Lago do Junco (AMTR); Associação Regional das Mulheres Trabalhadoras Rurais do Bico do Papagaio (ASMUBIP); Comissão de Educação do Centro de Formação das Quebradeiras de Coco Babaçu; Cooperativa de Produção e Comercialização dos agricultores Familiares e Agroecológicos e Pescadores Artesanais de Esperantina (COAF-Bico); Cooperativa Interestadual de Quebradeiras de Coco Babaçu (CIMQCB); Grupo de Jovens Pindova; Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado do Tocantins (FETAET); Fundo Babaçu; Rede de Defensores e Defensoras dos Babaçuais; Sindicato Regional de Buriti, Esperantina e São Sebastião.
Por fim, registramos a presença da TV Difusora e TV Mirante, o trabalho da imprensa é crucial para o engrandecimento da opinião pública e desenvolvimento social regional. Nesse sentido, o MIQCB aprecia a participação e entrevistas coletadas com as quebradeiras de coco babaçu na ocasião da Defensoria nos Babaçuais e reforça que estão abertas a produção de pautas futuras de forma a contribuir com o direito fundamental de acesso à informação a todas as pessoas.


O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) do Maranhão realizou, no dia 3 de outubro, uma reunião com a comunidade quilombola de Camaputiua, localizada no município de Cajari (MA). A atividade, que contou com a presença de mais de 300 pessoas, teve como objetivo apresentar informações sobre o andamento do processo administrativo de regularização fundiária do território, discutir o levantamento fundiário e o relatório antropológico, além de definir medidas de proteção à área.
Camaputiua é um território quilombola reconhecido desde 2006 pela Fundação Cultural Palmares. O território abriga cerca de mil famílias organizadas em comunidades tradicionais formadas por quilombolas, quebradeiras de coco babaçu, pescadores e pescadoras artesanais. Apesar do reconhecimento, o processo de regularização tramitando no INCRA ficou paralisado por vários anos, reflexo da política de desmonte das ações voltadas aos povos e comunidades tradicionais. A retomada dos trabalhos ocorreu a partir de 2024, com o fortalecimento da mesa quilombola, a realização de concurso público para novos servidores e a reestruturação participativa do órgão.

De acordo com Lidiane Carvalho, chefe da Divisão de Territórios Quilombolas do INCRA Maranhão, a reunião representou um passo importante no processo de titulação.
“Hoje tivemos uma reunião muito importante para tratar do resultado dos trabalhos do estudo de identificação e delimitação do território. Essa é uma fase essencial, pois define a área e os limites que permitirão avançar na titulação do território. Viemos para prestar informações à comunidade e esclarecer todas as etapas do processo. A política quilombola é composta por várias fases, e é direito das comunidades serem informadas sobre os procedimentos realizados pelo INCRA”, explicou.

Apesar dos avanços institucionais, as comunidades de Camaputiua ainda enfrentam grandes desafios e ameaças ao território. As lideranças relatam o uso intensivo de veneno nas áreas próximas aos babaçuais e igarapés, invasões por criadores de búfalos, cavalos e gado, além do cercamento eletrificado dos campos naturais — práticas que restringem o livre acesso e o uso coletivo das terras pelas famílias quilombolas.
Para Maria Natividade, coordenadora de base do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB) Regional Baixada e moradora do quilombo São Miguel, a presença do INCRA é um sinal de esperança para as comunidades.
“Essa reunião foi muito importante porque o INCRA veio até nós para explicar o andamento do processo e compartilhar as ações que estão sendo executadas no nosso território. Isso fortalece a confiança das famílias e renova a nossa esperança na regularização das nossas terras”, destacou.



A presidente da Associação de Moradores do Quilombo Camaputiua, Flaviane, também ressaltou o impacto da visita para o fortalecimento da luta comunitária.
“Sou quebradeira de coco e vejo que essa reunião com o INCRA é essencial para mantermos as informações atualizadas sobre a regularização do nosso território. Assim podemos repassar para os outros moradores e evitar conflitos. A presença do INCRA ajuda muito a fortalecer nossa luta e a dar esperança de que um dia teremos nosso território totalmente reconhecido e protegido”, afirmou.
A reunião foi articulada pelo MIQCB e reafirma a importância do diálogo entre as instituições públicas e as comunidades tradicionais para garantir o direito à terra, proteger os babaçuais e assegurar a continuidade dos modos de vida das famílias quilombolas.
A ação contou com a presença da assessora jurídica do MIQCB, Renata Cordeiro.

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