
Nesta quarta-feira (20), o Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu- MIQCB foi representado pela coordenadora Maria de Jesus, na 17º Primavera dos Museus, um evento nacional que busca celebrar e promover o universo museal em suas diversas vertentes. Este ano, o tema central da Primavera dos Museus é “Memórias e democracia: pessoas LGBT+, indígenas e quilombolas”, ressaltando a relevância de dar voz e visibilidade a grupos historicamente marginalizados. A 17ª Primavera dos Museus iniciou na segunda-feira, 18 e vai até domingo, 24, em todo país.

No Maranhão, o Miqcb participou das programações no Museus Histórico e Artístico do Maranhão, atualmente localizado no Memorial Gonçalves Dias, no Palácio Cristo Rei, situado à frente da praça Gonçalves Dias, no Centro de São Luís- MA. Aqui no Estado, o subtema escolhido pelo memorial: “Traço culto das obras de Gonçalves Dias: interdisciplinaridade e temas geradores”. O Memorial Gonçalves Dias é um espaço que exalta vida e obra do poeta maranhense no Palácio Cristo Rei.
Durante a apresentação, foi apresentado aos estudantes a luta das quebradeiras em defesa dos babaçuais, o modo de vida das mulheres e mostra dos produtos do babaçu. “Foi um momento muito importante porque pude apresentar para os alunos a importância da palmeira de babaçu para as quebradeiras. Apresentei os produtos que produzimos a partir do coco como: mesocarpo, azeite, óleo, sabonete e outros produtos”, declarou Maria de Jesus.
O evento
A Primavera dos Museus é uma ação anual com duração de uma semana que visa a mobilizar museus brasileiros a elaborarem programações especiais voltadas para um mesmo tema, escolhido pelo próprio Ibram (Instituto Brasileiro de Museus). O evento ocorre na semana que inicia a estação da primavera e busca estimular a participação do público, além de criar espaços de reflexão e diálogo.

Nós, mulheres do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu, nos unimos em 1990 para lutar por nossa autonomia e qualidade de vida e para proteger as florestas de babaçuais, onde vivemos e trabalhamos. Representamos mulheres Quebradeiras de Coco Babaçu presentes no Pará, Maranhão, Tocantins e Piauí, e buscamos fortalecer nossa identidade como povo tradicional e demandar nosso direito à terra, ao território e ao acesso livre aos babaçuais.
Com nossa força e trabalho, alimentamos a Mãe Palmeira. Em retribuição, ela sustenta a todas nós. Afinal, o coco que a Mãe Palmeira gera e nos fornece se transforma em alimento, renda e abrigo.

Quebradeiras de coco babaçu, quilombolas, geraizeiros, indígenas, entre outras comunidades e povos tradicionais estão participando, de 13 a 16 de setembro, do X Encontro e Feira dos Povos do Cerrado, realizado na Torre de TV, Brasília (DF), com o tema Cerrado: Conexão de Povos, Culturas e Biomas. A programação inclui discussões políticas sobre combate ao desmatamento, a gestão dos recursos hídricos, filantropia para o Cerrado, apresentações culturais e feira de comercialização de produtos da sociobiodiversidade.
O evento será uma imersão profunda na defesa do bioma e vai reunir cerca de 500 representantes de Comunidades e Povos Tradicionais do Cerrado. A Feira, que integra o Encontro com a venda de produtos das cadeias socioprodutivas do Cerrado, espera uma circulação diária de 8 a 10 mil pessoas para conhecer um festival de cores, sons e sabores da cultura cerratense.

O Movimento e a Cooperativa Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu integram o evento com a comercialização dos produtos oriundos do coco babaçu como: azeite, óleo, biscoitos, sabonetes, artesanatos e outros produtos.
Estão participando das atividades as quebradeiras de coco que fazem parte da Cooperativa CIMQCB: Maria de Fátima, Laura Gomes, Antônia Pereira e Viviane Silva (Regional Piauí), Vitória Balbina e Sandra Maria Machado (Regional Baixada Maranhense), Raimunda Nonata de Oliveira (Regional Imperatriz-MA), Maria Conceição, Francisca Pereira e Maria Senhora (Regional Tocantins).
“Pra nós está sendo importante mostrar nossos produtos do babaçu aqui neste espaço que tem uma grande diversidade de produtos do cerrado. Junto com outros movimentos que também vivem do extrativismo a gente deixa o recado: se a gente cuidar e preservar o cerrado, ele também cuida da gente”, pontuou Francisca Pereira, coordenadora do MIQCB.

A diretora da Cooperativa Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu- CIMQB, Maria de Fátima destaca a importância da cooperativa estar presente em espaços como este. “É com muito orgulho que a gente participa do X Encontro e Feira dos Povos do Cerrado, onde a gente tem a oportunidade de mostrar e também comercializar nossa produção”, frisou.
O Encontro iniciou no dia 13 de setembro, com uma audiência pública na Câmara dos Deputados para discutir a PEC 504/2010 – que propõe a inclusão do Cerrado e da Caatinga entre os biomas considerados patrimônio nacional pela Constituição Federal. O tema da audiência é “Cerrado e Caatinga, patrimônios do Brasil: riqueza presente, herança futura”.
Ao longo dos quatro dias do Encontro, haverá oficinas, debates e mesas redondas sobre políticas públicas, mudança do clima, medicinas tradicionais, autodefinição e autodemarcação de povos e comunidades tradicionais, filantropia comunitária entre outros temas. Haverá também shows com Letícia Sabatella, Saci Were, Pé de Cerrado, Pereira da Viola, Martinha do Coco e muito mais.

O Encontro e Feira dos Povos do Cerrado, realizado desde 2001, é um espaço de troca de experiências e articulação em defesa da savana brasileira, a mais biodiversa do mundo, e dos seus povos. A 10ª edição representa um momento de intensa mobilização e integração entre diversos setores da sociedade. Além de ser uma grande festa, com programação cultural rica e diversificada, o Encontro é uma ocasião importante de articulação política, por meio da incidência em políticas públicas e da construção de redes para a comercialização dos produtos da sociobiodiversidade.



Com o tema “Mulheres Biomas em Defesa da Biodiversidade através das raízes ancestrais”, a 3ª edição da Marcha das Mulheres Indígenas foi realizada nesta quarta-feira, 13, em Brasília (DF). O movimento reuniu mulheres de diversas partes do Brasil e do mundo que lutam por igualdade de gênero, defesa de direitos e preservação da cultura, além da demarcação de terras. O Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu-MIQCB esteve presente no ato que luta pela: “Não a violência contra as mulheres da floresta” e “Demarcação já aos indígenas do Brasil”.
A concentração começou por volta das 8h, no Eixo Cultural Íbero-Americano — antiga Funarte. Por volta das 9h, o grupo deu início à marcha em direção à Esplanada dos Ministérios. Às 10h30, elas chegaram em frente ao Congresso Nacional.

De acordo com a organização do encontro, representantes dos 26 estados brasileiros, além de mulheres indígenas do Peru, dos Estados Unidos, da Malásia, da Rússia e da Nova Zelândia participam do evento. O encontro é promovido pela Articulação Nacional das Mulheres Indígenas Guerreiras da Ancestralidade (Anmiga).
A vice-coordenadora do MIQCB, Ednalva Ribeiro participou das atividades. “É com muita alegria que o MIQCB soma esforços com essas guerreiras, mulheres indígenas que lutam bravamente pela defesa dos territórios, pela biodiversidade e pela vida. Estamos aqui para reivindicar pela demarcação dos territórios indígenas, pela não a violência contra as mulheres da floresta”, declarou, Ednalva.

O Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu-MIQCB foi representado pela liderança e quebradeira de coco, Eunice da Conceição na Primeira reunião ordinária da Comissão Nacional das Reservas Extrativistas Federais (Conarex), realizada em Brasília, nos dias 12 e 13 de setembro. Reinstituída em junho deste ano pelo ICMBio e MMA, a comissão visa apoiar, propor e monitorar a execução de políticas voltadas à proteção dos meios de vida e da cultura das populações extrativistas tradicionais, o uso sustentável dos recursos naturais renováveis das reservas extrativistas federais e a conservação da biodiversidade.
A Conarex foi instituída pela Portaria Conjunta ICMBio e MMA nº. 96, de 5 de abril de 2018. O grupo é constituído por 15 membros, a saber: 2 (dois) do Ministério do meio Ambiente – MMA; 5 (cinco) do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade – ICMBio e 8 (oito) representantes das organizações representativas das populações tradicionais extrativistas.

Para a quebradeira de coco e representante do MIQCB, Eunice da Conceição, o Conarex é um espaço de grande importância que visa a proteção do modo de vida das populações que vivem do extrativismo. “Para nós que somos quebradeiras de coco é muito importante representar o nosso movimento e lutar pelos nossos direitos”, afirmou, Eunice.
Em seu discurso, o presidente do ICMBio Mauro Pires citou a importância da retomada dessa agenda. “Acredito que nesse espaço poderemos avançar na institucionalidade das reservas extrativistas. Temos grandes desafios, como a criação de novas reservas – que está na nossa agenda, e a consolidação dessas unidades, o que significa recuperar o histórico para constituir e implementar esses espaços”, completou.
Fazem parte do comitê o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB), Conselho Nacional de Saúde (CNS) e Comissão Nacional de Fortalecimento das Reservas Extrativistas e Povos Tradicionais Extrativistas Costeiros e Marinhos (Confrem).

A próxima reunião da comissão deve ocorrer em 60 dias, prazo que os grupos participantes terão para construir uma minuta de proposta de regulamentação das reservas extrativistas, categoria de unidade de conservação prevista no Sistema Nacional de Unidades de Conservação, o SNUC (Lei nº 9.985/2000). Parte-se de longa experiência de criação e implementação das reservas extrativista, bem como de rico histórico de debates realizados ao longo dos anos de atuação da comissão anterior, extinta em 2019, como outros colegiados atualmente reconstituídos.

Entre os dias 12 e 13 de setembro, aconteceu o “Seminário da Agricultura Familiar e Agroecologia – Agroecologia na construção de modos de vida sustentáveis”, em Bacabal-MA. O Encontro foi realizado na sede do Centro Franciscano de Animação Missionária (CEFRAM) e contou a presença das coordenadoras do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu-MIQCB, Girlane Belfort (Baixada Maranhense) e Maria José (Imperatriz).
A atividade foi promovida pela Misereor, em parceria com organizações do Piauí e Maranhão como a Rede de Agroecologia do Maranhão- Rama, Associação Comunitária de Educação em Saúde e Agricultura do Médio Mearim- Acessa, Comissão Pastoral da Terra – CPT, Caritas, Miqcb, e outras organizações.

A programação incluiu trabalhos em grupo e debates sobre avanço do agronegócio nos territórios camponeses e os desafios de enfrentamento pelas organizações, compartilhamento das organizações e suas experiencias com agroecologia, como as redes de agroecologia tem se organizado para fortalecer as ações das organizações. Além dos debates houveram visitação em áreas produtivas com experiências de produção agroecológica, além de apresentações em grupo sobre esta experiência.
As coordenadoras do Miqcb que participaram do Seminário apresentaram algumas ações desenvolvidas pelo Movimento em defesa da agroecologia, a exemplo dos agroquintais que estão sendo implantados nas casas das quebradeiras de coco.

“Participar de momentos como este, onde podemos discutir uma produção agroecológica é muito importante porque, nós quebradeiras de coco, também lutamos contra o uso de venenos e defendemos a preservação dos babaçuais e do meio ambiente como um todo”, frisou Maria José, coordenadora do Miqcb da Regional Imperatriz.
O projeto Floresta de Babaçu em Pé tem o objetivo de promover a defesa do babaçual, por meio da organização da cadeia produtiva do babaçu e da consolidação do Fundo Babaçu. Para tanto, propicia ações articuladas e recursos financeiros para iniciativas locais, estaduais e regionais que contribuam para o declínio do desmatamento dessas florestas, para a garantia dos direitos das comunidades tradicionais das quebradeiras de coco babaçu e, ainda, para a melhoria das condições de vida das famílias agroextrativistas.
Desenvolvido pela AMIQCB (uma associação de direito privado sem fins lucrativos, institucionalizada em 2002) com recursos próprios e do Banco Nacional de Desenvolvimento Social (BNDES), o projeto Floresta de Babaçu em Pé tem a missão de organizar as quebradeiras de coco babaçu para conhecerem seus direitos, defender a palmeira de babaçu, o meio ambiente e lutar pela melhoria de condições de suas vidas e a de suas famílias. Atua, ainda, para a inclusão social e produtiva dessas famílias, por meio da intervenção direta na geração de ocupação e renda no meio rural, através do agroextrativismo.
Dessa forma, a AMIQCB busca ser referência na valorização dos conhecimentos tradicionais e na mobilização e participação das quebradeiras de coco babaçu. Suas conquistas são ampliadas diretamente a 400 mil quebradeiras e 500 jovens, além de outros membros das comunidades agroextrativistas.
Entre as grandes conquistas a serem alcançadas na defesa das florestas de babaçu, estão a aprovação da Lei do Babaçu Livre nas três esferas governamentais e a garantia dos territórios tradicionais – por meio de reservas extrativistas criadas e implementadas e territórios quilombolas demarcados –, contribuindo para a regularização fundiária da sua área de abrangência.

Na manhã desta quinta-feira, 07, a Coordenação do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu- MIQCB reuniu-se com a Enraízes Soluções Participativa para revisar o Plano de Planejamento, Monitoramento e Avaliação do Projeto Floresta de Babaçu em Pé. A reunião aconteceu no Centro Combonianos, no bairro Olho D’Água, São Luís-MA.
Durante a reunião, conduzida pela equipe do Projeto Floresta e a consultora da Enraízes, Ana Carolina Magalhães, tratou-se sobre a consolidação da linha de base do referido plano, com a análise dos componentes (Fundo Babaçu, Fortalecimento Institucional, Centro de Formação e Gestão do Projeto), indicadores e subindicadores. A consultora também realizou uma dinâmica para o reconhecimento da teoria da mudança a partir da análise de um croqui pelos presentes.

O Projeto Floresta de Babaçu em Pé, desde sua retomada em março de 2023, já conquistou grandes avanços. No mês de maio foi inaugurado Centro de Formação das Quebradeiras de Coco Babaçu. A primeira turma, formada por mulheres quebradeiras de coco babaçu, contou com 30 participantes, com idades de 29 a 70 anos.
Outra conquista foi o fortalecimento do Fundo Babaçu. No mês de junho foi lançado dois Editais na ordem de R$ 1,6 milhão para apoiar projetos sócios ambientais de quebradeiras de coco babaçu. Ao todo foram entregues 35 projetos que serão analisadas pelo Grupo Gestor do Fundo Babaçu, seguindo os critérios exigidos pelos Editais.
O Encontrão das Quebradeiras de Coco Babaçu realizado nos dias 12, 13 e 14 de julho também foi uma atividade desenvolvida a partir de recursos do Projeto majoritariamente reunindo mais de 350 delegadas e participantes.

“Desde a retomada do Projeto Floresta já avançamos bastante resultados. Por isso, esse momento de diálogo sobre o monitoramento e avaliação do projeto é de extrema importância para que possamos conquistar ainda mais grandes resultados, pela preservação das florestas e pelo bem viver das famílias dos territórios tradicionais”, concluiu Anny Linhares, coordenadora do projeto.
O Projeto Floresta Babaçu em Pé é financiado pelo Fundo Amazônia, gerido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), e tem como objetivo principal apoiar o Fundo Babaçu para seleção e apoio de projetos socioambientais derivados de organizações agroextrativistas nos estados do Maranhão, Tocantins e Pará.
As ações do Floresta de Babaçu em Pé serão direcionadas para comunidades tradicionais de mulheres quebradeiras de coco babaçu, que historicamente têm na coleta e quebra do babaçu sua fonte de renda e que, desse modo, dependem da Floresta em Pé para preservar modos próprios de criar, de fazer e de viver.

O Projeto Floresta com o reforço da equipe técnica formada pelas profissionais: Anny da Silva Linhares, coordenadora do projeto; Rafaela Monteiro Santana, coordenadora financeira; Ana Maria Bezerra, coordenadora pedagógica; Francivânia Gonçalves, auxiliar administrativo; Luciene Dias Figueiredo, secretária executiva do Fundo Babaçu e Maria Carolina Sampaio, auxiliar administrativo do Fundo Babaçu.




No dia 5 de setembro, é comemorado o dia da Amazônia, um bioma que inclui a maior floresta tropical do planeta e, sem dúvidas, uma das maiores riquezas da humanidade. Para relembrar a data, quebradeiras de coco babaçu dos estados do Maranhão, Pará, Tocantins e Piauí, estão realizando uma vasta programação que inclui debates sobre a preservação dos babaçuais e da floresta como um todo, incidências políticas em órgãos estaduais e federais para reivindicar a efetivação dos direitos e garantia do modo de vida tradicional nos territórios. A programação das atividades acontece entre os dias 03 a 07 de setembro, em São Luís-MA e está sendo realizado pelo Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu-MIQCB.
O bioma amazônico possui 4,196.943 milhões de km2 de floresta e abrange nove países. Segundo dados da Nova Cartografia Social da Amazônia (2015), a região ecológica dos babaçuais envolvendo os estados do Maranhão, Pará, Tocantins e Piauí, estima-se em torno de 25 milhões de hectares de babaçuais. A palmeira de babaçu é uma árvore nativa da Floresta Amazônica e Cerrado, que oferece renda para milhares de mulheres que vivem da quebra e beneficiamento do coco babaçu. Essas palmeiras estão sendo devastada por meio de queimadas, derrubadas, aplicação de venenos por fazendeiros e devastação pelo agronegócio.
A ação foi destaque na mídia. CONFIRA:
“Nesse momento em que o mundo volta a atenção para a Amazônia, nós quebradeiras de coco babaçu dos quatro estados estamos desde domingo dialogando e compartilhando nossas lutas pela preservação dos nossos babaçuais. O coco babaçu é fonte de renda para milhares de famílias e, ao longo dos anos, estamos vendo nossas palmeiras sendo devastadas pelas queimadas, fogo, correntões, veneno”, declarou Maria Alaídes, coordenadora do MIQCB.
Além dos debates que acontece no Centro Combonianos, em São Luís, uma parte das quebradeiras e assessorias reuniram-se, na terça-feira (05), com representantes Secretaria de Estado dos Direitos Humanos e Participação Popular (SEDIHPOP), Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Naturais (SEMA), Instituto de Colonização e Terras do Maranhão (Iterma) e Secretaria de Agricultura Familiar (SAF) para apresentar as pautas das quebradeiras para representantes do Governo do Maranhão.

Na quarta-feira, 06, a reunião será na Superintendência Regional do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra/MA) e representantes do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA/MA), para tratar sobre as questões territoriais das comunidades tradicionais.
CAMPANHA TEM FLORESTA EM PÉ, TEM MULHER – O MIQCB em parceria com a Oxfam Brasil, Coordenação Nacional de Articulação de Quilombos (Conaq) e Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CNS), desenvolvem a campanha Tem Floresta em Pé, Tem Mulher, com o intuito de dar visibilidade às lideranças femininas que fazem a diferença na proteção e preservação dos territórios e meio ambiente das florestas.
Com as ações da campanha, queremos tirar do anonimato os modos de vida dessas mulheres, convidando a sociedade a valorizar seu papel fundamental no fortalecimento de povos tradicionais, assim como na preservação dos territórios onde residem suas famílias. Ao cuidarem de áreas ambientais, elas também garantem a manutenção da sociobiodiversidade brasileira.
“As mulheres estão na linha de frente da preservação ambiental e dos direitos humanos nessas localidades, mas seu trabalho é pouco reconhecido”, afirma Bárbara Barboza, da Oxfam Brasil. “Elas são lideranças no movimento social e têm um papel central nas práticas de manejo e defesa dos seus territórios, mas são desconsideradas quando é preciso decidir sobre o uso dos recursos naturais.”

O extrativismo vegetal é indispensável na cultura do babaçu, um fruto nativo que depende da floresta em pé e de sua rica biodiversidade, fundamental também para a estabilidade climática do planeta. Um exemplo sobre a importância das mulheres nessas comunidades é o fato de elas serem as responsáveis pela preservação das sementes e manutenção da variedade de espécies cultivadas: seus quintais são fontes complementares de alimentação e de medicamentos naturais.
Além disso, com o apoio do financeiro do Instituto Clima e Sociedade – ICS, o Miqcb está beneficiando famílias com a aquisição de sistema de irrigação e outros equipamentos para implementação de Sistemas Agroflorestais-SAF’s- Agroquintais. Esse Sistema permite a produção de alimentos consorciados com espécies nativas como bacuri, açaí, palmeiras de coco babaçu, entre outros.
FUNDO AMAZÔNIA – outra ação desenvolvida pelo MIQCB em prol da preservação da Amazônia é a execução do projeto Floresta de Babaçu em pé. O projeto conta com apoio financeiro do Fundo Amazônia/BNDES.
Com apoio do Fundo Amazônia, o Miqcb, por meio do Fundo Babaçu lançou edital na ordem de R$ 1.600,000,00 (um milhão e seiscentos mil reais) para apoiar projetos sócios ambientais de quebradeiras de coco. O Fundo Babaçu recebeu 27 projetos, distribuídos nas categorias Curingas (11), Capota (06) e Pindova (10), totalizando R$ 2.483.519,41 reais. As propostas recebidas estão sendo analisadas pelo Grupo Gestor do Fundo Babaçu, seguindo os critérios exigidos pelos Editais.

Entre os dias 26 a 28 de agosto cerca de 50 quebradeiras de coco babaçu dos estados do Maranhão, Pará, Tocantins e Piauí, que são sócias da Cooperativa Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu – CIMQCB, reuniram-se para participar do Seminário sobre Cooperativismo, Mercados e Cadeia Produtiva do Babaçu e realização da Assembleia Geral da CIMQCB. A atividade foi realizada pela CIMQCB em parceria com o Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu- MIQCB. A programação aconteceu na Casa das Irmãs Beneditinas, localizada no Parque Alvorada I, em Imperatriz- MA.
No domingo foi realizado o Seminário que discutiu a temática: cooperativismo, mercados e cadeia produtiva do babaçu. Durante o Seminário, as sócias de vários grupos produtivos das filias dos quatro estados discutiram novas estratégias de comercialização, aumento da produção, mapeamento de novos mercados, padronização dos produtos para comercialização e inclusão de jovens na linha de produção.

“Foram três dias de grandes aprendizados. Na oficina discutimos e encaminhamos sobre produção, organização das mulheres, importância de trabalhar em união, as responsabilidades de cada uma para o bom funcionamento da cooperativa e comercialização dos produtos. Na Assembleia realizamos a prestação de contas e tratamos de toda a parte administrativa da cooperativa. Dessa forma, nosso objetivo com esta atividade foi para fortalecer o cooperativismo para alcançar uma comercialização forte e de qualidade para as mulheres extrativistas”, declarou Maria do Rosário, presidente da CIMQCB.
Uma novidade que irá incrementar a comercialização dos produtos do babaçu é a implementação da loja física na sede do MIQCB, localizada em São Luís-MA. A inauguração está prevista para este ano de 2023. Outro reforço na comercialização é a da construção da loja online para as vendas do azeite, óleo, biscoitos, artesanato, mesocarpo e outros produtos do babaçu.

“Não é de hoje que o e-commerce (vendas online) tem, cada vez mais, se tornado importante. Nesse sentido, produzimos um projeto com a finalidade de construir uma loja online para a Cooperativa das quebradeiras de coco babaçu. O projeto foi apresentado ao Fundo Babaçu, por meio do 6 Edital do Fundo Babaçu que conta com apoio financeiro do Fundo Amazônia, gerido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES)”, explicou Flávia Azeredo, assessora técnica da CIMQCB.
O Seminário contou com a contribuição da consultora e especialista financeira em associativismo e cooperativismo, Joseide Batista.
“Achei muito interessante o Seminário anteceder a Assembleia porque a gente resgatou os papeis, as funções, as responsabilidades e a importância da união entre as cooperadas para fortalecer a cooperativa. Foi um momento de muita integração e partilha de conhecimentos e experiencias dos grupos produtivos”, concluiu.

Assembleia Geral – Na segunda-feira (28), foi realizada a Assembleia Geral da Cooperativa Interestadual das Mulheres Quebradeiras de Coco Babaçu (CIMQCB). Na pauta tratou-se sobre: Prestação de contas e balanço contábil do exercício de 2022, destinação das sobras do último ano, critérios para a entrada de novas sócias e eleição e posse do Conselho Fiscal da cooperativa.
Foram eleitas e tomaram posse as conselheiras fiscais efetivas: Francisca Pereira (Tocantins), Maria Evangelista de Sousa (Pará) e Raimunda Nonata de Oliveira (Imperatriz). Já as conselheiras suplentes foram: Maria do Socorro Ribeiro (Piauí), Beatriz Lima Camelo (Mearim-MA) e Sandra Maria Machado Aires Barbosa (Baixada Maranhense).
Atualmente a CIMQCB é composta pelo Conselho Administrativo que inclui a presidente, Maria do Rosário e a Vice-presidente, Helena Gomes, primeira tesoureira, Maria de Fátima, segunda tesoureira, Maria Antônia, primeira secretária Antônia Maria Bezerra e segunda secretária, Maria do Carmo Cardoso. Além do Conselho Administrativo, existe o Conselho Fiscal, cuja eleição e nomeação ocorreu durante a Assembleia.

Durante a Assembleia foram aprovadas por unanimidade a prestação de contas, a eleição do novo conselho fiscal e a leitura da Ata da assembleia.
Durante o evento, a coordenadora técnica do Miqcb, Luciene Dias Figueiredo fez apresentação do Plano Estratégico do MIQCB, onde contem propostas de fortalecimento da CIMQB, com ações estratégicas para os próximos anos.
A CIMQCB – é uma organização de grupos produtivos comunitários formados por mulheres que coletam e processam o coco babaçu nos estados do Pará, Maranhão, Tocantins e Piauí. A CIMQCB foi fundada em 2009 e está sediada em São Luís, Maranhão. As quebradeiras de coco produzem Azeite Tradicional, Óleo Extra Virgem, Farinha de Babaçu (mesocarpo) artesanato, sabonetes, sabão, carvão vegetal, e resíduo para ração animal. São produtos naturais, elaborados sem o uso de conservantes e de agrotóxicos e sem a prática da derrubada e queimada de florestas de babaçu. No entanto, tais produtos necessitam de uma política de preços que seja justa e de um mercado que reconheça sua qualidade, valor e especificidades.
Além das sócias da cooperativa participaram da ação as coordenadoras do MIQCB da Regionais: Imperatriz (Maria José Silva, Luzeny dos Santos e Edileuza Oliveira; Regional Pará (Cledeneuza Maria e Roselice Rodrigues; Regional Baixada Maranhense (Vitoria Balbina Mendonça); da Regional Tocantins, Francisca Pereira, bem como as lideranças Maria Antônia, Emília Alves, Eunice da Conceição, Helena Gomes, Terezinha de Jesus, Maria Querobina Neta, dona Raimundinha e outras lideranças.

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