
Na manhã desta quinta-feira, 07, a Coordenação do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu- MIQCB reuniu-se com a Enraízes Soluções Participativa para revisar o Plano de Planejamento, Monitoramento e Avaliação do Projeto Floresta de Babaçu em Pé. A reunião aconteceu no Centro Combonianos, no bairro Olho D’Água, São Luís-MA.
Durante a reunião, conduzida pela equipe do Projeto Floresta e a consultora da Enraízes, Ana Carolina Magalhães, tratou-se sobre a consolidação da linha de base do referido plano, com a análise dos componentes (Fundo Babaçu, Fortalecimento Institucional, Centro de Formação e Gestão do Projeto), indicadores e subindicadores. A consultora também realizou uma dinâmica para o reconhecimento da teoria da mudança a partir da análise de um croqui pelos presentes.

O Projeto Floresta de Babaçu em Pé, desde sua retomada em março de 2023, já conquistou grandes avanços. No mês de maio foi inaugurado Centro de Formação das Quebradeiras de Coco Babaçu. A primeira turma, formada por mulheres quebradeiras de coco babaçu, contou com 30 participantes, com idades de 29 a 70 anos.
Outra conquista foi o fortalecimento do Fundo Babaçu. No mês de junho foi lançado dois Editais na ordem de R$ 1,6 milhão para apoiar projetos sócios ambientais de quebradeiras de coco babaçu. Ao todo foram entregues 35 projetos que serão analisadas pelo Grupo Gestor do Fundo Babaçu, seguindo os critérios exigidos pelos Editais.
O Encontrão das Quebradeiras de Coco Babaçu realizado nos dias 12, 13 e 14 de julho também foi uma atividade desenvolvida a partir de recursos do Projeto majoritariamente reunindo mais de 350 delegadas e participantes.

“Desde a retomada do Projeto Floresta já avançamos bastante resultados. Por isso, esse momento de diálogo sobre o monitoramento e avaliação do projeto é de extrema importância para que possamos conquistar ainda mais grandes resultados, pela preservação das florestas e pelo bem viver das famílias dos territórios tradicionais”, concluiu Anny Linhares, coordenadora do projeto.
O Projeto Floresta Babaçu em Pé é financiado pelo Fundo Amazônia, gerido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), e tem como objetivo principal apoiar o Fundo Babaçu para seleção e apoio de projetos socioambientais derivados de organizações agroextrativistas nos estados do Maranhão, Tocantins e Pará.
As ações do Floresta de Babaçu em Pé serão direcionadas para comunidades tradicionais de mulheres quebradeiras de coco babaçu, que historicamente têm na coleta e quebra do babaçu sua fonte de renda e que, desse modo, dependem da Floresta em Pé para preservar modos próprios de criar, de fazer e de viver.

O Projeto Floresta com o reforço da equipe técnica formada pelas profissionais: Anny da Silva Linhares, coordenadora do projeto; Rafaela Monteiro Santana, coordenadora financeira; Ana Maria Bezerra, coordenadora pedagógica; Francivânia Gonçalves, auxiliar administrativo; Luciene Dias Figueiredo, secretária executiva do Fundo Babaçu e Maria Carolina Sampaio, auxiliar administrativo do Fundo Babaçu.




No dia 5 de setembro, é comemorado o dia da Amazônia, um bioma que inclui a maior floresta tropical do planeta e, sem dúvidas, uma das maiores riquezas da humanidade. Para relembrar a data, quebradeiras de coco babaçu dos estados do Maranhão, Pará, Tocantins e Piauí, estão realizando uma vasta programação que inclui debates sobre a preservação dos babaçuais e da floresta como um todo, incidências políticas em órgãos estaduais e federais para reivindicar a efetivação dos direitos e garantia do modo de vida tradicional nos territórios. A programação das atividades acontece entre os dias 03 a 07 de setembro, em São Luís-MA e está sendo realizado pelo Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu-MIQCB.
O bioma amazônico possui 4,196.943 milhões de km2 de floresta e abrange nove países. Segundo dados da Nova Cartografia Social da Amazônia (2015), a região ecológica dos babaçuais envolvendo os estados do Maranhão, Pará, Tocantins e Piauí, estima-se em torno de 25 milhões de hectares de babaçuais. A palmeira de babaçu é uma árvore nativa da Floresta Amazônica e Cerrado, que oferece renda para milhares de mulheres que vivem da quebra e beneficiamento do coco babaçu. Essas palmeiras estão sendo devastada por meio de queimadas, derrubadas, aplicação de venenos por fazendeiros e devastação pelo agronegócio.
A ação foi destaque na mídia. CONFIRA:
“Nesse momento em que o mundo volta a atenção para a Amazônia, nós quebradeiras de coco babaçu dos quatro estados estamos desde domingo dialogando e compartilhando nossas lutas pela preservação dos nossos babaçuais. O coco babaçu é fonte de renda para milhares de famílias e, ao longo dos anos, estamos vendo nossas palmeiras sendo devastadas pelas queimadas, fogo, correntões, veneno”, declarou Maria Alaídes, coordenadora do MIQCB.
Além dos debates que acontece no Centro Combonianos, em São Luís, uma parte das quebradeiras e assessorias reuniram-se, na terça-feira (05), com representantes Secretaria de Estado dos Direitos Humanos e Participação Popular (SEDIHPOP), Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Naturais (SEMA), Instituto de Colonização e Terras do Maranhão (Iterma) e Secretaria de Agricultura Familiar (SAF) para apresentar as pautas das quebradeiras para representantes do Governo do Maranhão.

Na quarta-feira, 06, a reunião será na Superintendência Regional do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra/MA) e representantes do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA/MA), para tratar sobre as questões territoriais das comunidades tradicionais.
CAMPANHA TEM FLORESTA EM PÉ, TEM MULHER – O MIQCB em parceria com a Oxfam Brasil, Coordenação Nacional de Articulação de Quilombos (Conaq) e Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CNS), desenvolvem a campanha Tem Floresta em Pé, Tem Mulher, com o intuito de dar visibilidade às lideranças femininas que fazem a diferença na proteção e preservação dos territórios e meio ambiente das florestas.
Com as ações da campanha, queremos tirar do anonimato os modos de vida dessas mulheres, convidando a sociedade a valorizar seu papel fundamental no fortalecimento de povos tradicionais, assim como na preservação dos territórios onde residem suas famílias. Ao cuidarem de áreas ambientais, elas também garantem a manutenção da sociobiodiversidade brasileira.
“As mulheres estão na linha de frente da preservação ambiental e dos direitos humanos nessas localidades, mas seu trabalho é pouco reconhecido”, afirma Bárbara Barboza, da Oxfam Brasil. “Elas são lideranças no movimento social e têm um papel central nas práticas de manejo e defesa dos seus territórios, mas são desconsideradas quando é preciso decidir sobre o uso dos recursos naturais.”

O extrativismo vegetal é indispensável na cultura do babaçu, um fruto nativo que depende da floresta em pé e de sua rica biodiversidade, fundamental também para a estabilidade climática do planeta. Um exemplo sobre a importância das mulheres nessas comunidades é o fato de elas serem as responsáveis pela preservação das sementes e manutenção da variedade de espécies cultivadas: seus quintais são fontes complementares de alimentação e de medicamentos naturais.
Além disso, com o apoio do financeiro do Instituto Clima e Sociedade – ICS, o Miqcb está beneficiando famílias com a aquisição de sistema de irrigação e outros equipamentos para implementação de Sistemas Agroflorestais-SAF’s- Agroquintais. Esse Sistema permite a produção de alimentos consorciados com espécies nativas como bacuri, açaí, palmeiras de coco babaçu, entre outros.
FUNDO AMAZÔNIA – outra ação desenvolvida pelo MIQCB em prol da preservação da Amazônia é a execução do projeto Floresta de Babaçu em pé. O projeto conta com apoio financeiro do Fundo Amazônia/BNDES.
Com apoio do Fundo Amazônia, o Miqcb, por meio do Fundo Babaçu lançou edital na ordem de R$ 1.600,000,00 (um milhão e seiscentos mil reais) para apoiar projetos sócios ambientais de quebradeiras de coco. O Fundo Babaçu recebeu 27 projetos, distribuídos nas categorias Curingas (11), Capota (06) e Pindova (10), totalizando R$ 2.483.519,41 reais. As propostas recebidas estão sendo analisadas pelo Grupo Gestor do Fundo Babaçu, seguindo os critérios exigidos pelos Editais.

Entre os dias 26 a 28 de agosto cerca de 50 quebradeiras de coco babaçu dos estados do Maranhão, Pará, Tocantins e Piauí, que são sócias da Cooperativa Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu – CIMQCB, reuniram-se para participar do Seminário sobre Cooperativismo, Mercados e Cadeia Produtiva do Babaçu e realização da Assembleia Geral da CIMQCB. A atividade foi realizada pela CIMQCB em parceria com o Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu- MIQCB. A programação aconteceu na Casa das Irmãs Beneditinas, localizada no Parque Alvorada I, em Imperatriz- MA.
No domingo foi realizado o Seminário que discutiu a temática: cooperativismo, mercados e cadeia produtiva do babaçu. Durante o Seminário, as sócias de vários grupos produtivos das filias dos quatro estados discutiram novas estratégias de comercialização, aumento da produção, mapeamento de novos mercados, padronização dos produtos para comercialização e inclusão de jovens na linha de produção.

“Foram três dias de grandes aprendizados. Na oficina discutimos e encaminhamos sobre produção, organização das mulheres, importância de trabalhar em união, as responsabilidades de cada uma para o bom funcionamento da cooperativa e comercialização dos produtos. Na Assembleia realizamos a prestação de contas e tratamos de toda a parte administrativa da cooperativa. Dessa forma, nosso objetivo com esta atividade foi para fortalecer o cooperativismo para alcançar uma comercialização forte e de qualidade para as mulheres extrativistas”, declarou Maria do Rosário, presidente da CIMQCB.
Uma novidade que irá incrementar a comercialização dos produtos do babaçu é a implementação da loja física na sede do MIQCB, localizada em São Luís-MA. A inauguração está prevista para este ano de 2023. Outro reforço na comercialização é a da construção da loja online para as vendas do azeite, óleo, biscoitos, artesanato, mesocarpo e outros produtos do babaçu.

“Não é de hoje que o e-commerce (vendas online) tem, cada vez mais, se tornado importante. Nesse sentido, produzimos um projeto com a finalidade de construir uma loja online para a Cooperativa das quebradeiras de coco babaçu. O projeto foi apresentado ao Fundo Babaçu, por meio do 6 Edital do Fundo Babaçu que conta com apoio financeiro do Fundo Amazônia, gerido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES)”, explicou Flávia Azeredo, assessora técnica da CIMQCB.
O Seminário contou com a contribuição da consultora e especialista financeira em associativismo e cooperativismo, Joseide Batista.
“Achei muito interessante o Seminário anteceder a Assembleia porque a gente resgatou os papeis, as funções, as responsabilidades e a importância da união entre as cooperadas para fortalecer a cooperativa. Foi um momento de muita integração e partilha de conhecimentos e experiencias dos grupos produtivos”, concluiu.

Assembleia Geral – Na segunda-feira (28), foi realizada a Assembleia Geral da Cooperativa Interestadual das Mulheres Quebradeiras de Coco Babaçu (CIMQCB). Na pauta tratou-se sobre: Prestação de contas e balanço contábil do exercício de 2022, destinação das sobras do último ano, critérios para a entrada de novas sócias e eleição e posse do Conselho Fiscal da cooperativa.
Foram eleitas e tomaram posse as conselheiras fiscais efetivas: Francisca Pereira (Tocantins), Maria Evangelista de Sousa (Pará) e Raimunda Nonata de Oliveira (Imperatriz). Já as conselheiras suplentes foram: Maria do Socorro Ribeiro (Piauí), Beatriz Lima Camelo (Mearim-MA) e Sandra Maria Machado Aires Barbosa (Baixada Maranhense).
Atualmente a CIMQCB é composta pelo Conselho Administrativo que inclui a presidente, Maria do Rosário e a Vice-presidente, Helena Gomes, primeira tesoureira, Maria de Fátima, segunda tesoureira, Maria Antônia, primeira secretária Antônia Maria Bezerra e segunda secretária, Maria do Carmo Cardoso. Além do Conselho Administrativo, existe o Conselho Fiscal, cuja eleição e nomeação ocorreu durante a Assembleia.

Durante a Assembleia foram aprovadas por unanimidade a prestação de contas, a eleição do novo conselho fiscal e a leitura da Ata da assembleia.
Durante o evento, a coordenadora técnica do Miqcb, Luciene Dias Figueiredo fez apresentação do Plano Estratégico do MIQCB, onde contem propostas de fortalecimento da CIMQB, com ações estratégicas para os próximos anos.
A CIMQCB – é uma organização de grupos produtivos comunitários formados por mulheres que coletam e processam o coco babaçu nos estados do Pará, Maranhão, Tocantins e Piauí. A CIMQCB foi fundada em 2009 e está sediada em São Luís, Maranhão. As quebradeiras de coco produzem Azeite Tradicional, Óleo Extra Virgem, Farinha de Babaçu (mesocarpo) artesanato, sabonetes, sabão, carvão vegetal, e resíduo para ração animal. São produtos naturais, elaborados sem o uso de conservantes e de agrotóxicos e sem a prática da derrubada e queimada de florestas de babaçu. No entanto, tais produtos necessitam de uma política de preços que seja justa e de um mercado que reconheça sua qualidade, valor e especificidades.
Além das sócias da cooperativa participaram da ação as coordenadoras do MIQCB da Regionais: Imperatriz (Maria José Silva, Luzeny dos Santos e Edileuza Oliveira; Regional Pará (Cledeneuza Maria e Roselice Rodrigues; Regional Baixada Maranhense (Vitoria Balbina Mendonça); da Regional Tocantins, Francisca Pereira, bem como as lideranças Maria Antônia, Emília Alves, Eunice da Conceição, Helena Gomes, Terezinha de Jesus, Maria Querobina Neta, dona Raimundinha e outras lideranças.
O Centro de Formação das Quebradeiras de Coco Babaçu é uma iniciativa do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu-(MIQCB), por meio do Projeto Floresta de Babaçu em Pé, e conta com financiamento do Fundo Amazônia e gerido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A inauguração do espaço foi realizada no dia 2 de maio de 2023, e representa um marco para as mulheres quebradeiras de coco babaçu dos estados do Maranhão, Piauí, Pará e Tocantins.
O público-alvo do Centro de Formação são mulheres quebradeiras de coco babaçu adultas e jovens, quilombolas, indígenas, agroextrativistas e jovens originários destas famílias e residentes nas comunidades tradicionais.
Localização
O Centro de Formação está localizado no Centro Administrativo do Movimento – Casa da Palmeira de Babaçu – Dada e Dijé, em São Luís – MA.
Curso no Centro de Formação
Atualmente, está sendo desenvolvido o curso “Quebrando saberes, elaborando projetos e protegendo a floresta de babaçu”.
O curso tem carga horária total de 300 horas (incluindo aulas presenciais, tempo-comunidade e intercâmbios) e sua metodologia está alicerçada na Pedagogia da Alternância.
A metodologia apresenta uma ação educativa em que a transmissão do conhecimento é desenvolvida em conjunto com ações práticas de pesquisa e experimentações, considerando as especificidades do modo de vida, o que torna a aprendizagem dinâmica, contextualizada e prazerosa.
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A Cooperativa Interestadual das Mulheres Quebradeiras de Coco Babaçu (CIMQCB) é uma organização de grupos produtivos comunitários formados por mulheres que coletam e processam o coco babaçu nos estados do Pará, Maranhão, Tocantins e Piauí. A CIMQCB foi fundada em 2009 e está sediada em São Luís, Maranhão.
Compartilhando saberes para lidar com a produção, o beneficiamento e a comercialização dos derivados do babaçu – ou seja, com todas as etapas da cadeia produtiva –, as quebradeiras de coco produzem artesanato, sabonetes, sabão, massa de babaçu, azeite, carvão vegetal, óleo e resíduo para ração animal. São produtos naturais, elaborados sem o uso de conservantes e de agrotóxicos e sem a prática da derrubada e queimada de florestas de babaçu. No entanto, tais produtos necessitam de uma política de preços que seja justa e de um mercado que reconheça sua qualidade, valor e especificidades.
O MIQCB tem procurado sensibilizar consumidores, mostrando que quem compra os produtos destes empreendimentos comunitários colabora para a preservação das florestas secundárias de babaçu, o fortalecimento dos princípios da economia solidária e a geração de trabalho e renda para mais de 300 mil mulheres extrativistas, fortalecendo a mobilização social, o modo de vida e a autonomia econômica das mulheres.

Resultado de uma atividade extrativista 100% natural e 100% artesanal, o azeite de babaçu possui uma qualidade superior aos óleos fabricados industrialmente e pode ser utilizado em pequenas quantidades na alimentação diária. Sua cor pode variar de um tom mais claro a um mais escuro, dependendo da forma como é extraído, mas seu cheiro e sabor característicos sempre proporcionam um delicioso gosto de amêndoas torradas. Nas questões fitoterápicas, o azeite de babaçu ainda pode ser utilizado como purgante ou xarope.

O sabonete de babaçu é produzido pelas mulheres quebradeiras de coco de forma artesanal e sem uso de aditivos. Composto por açúcar, soda neutralizada, essência e 100% de óleo de babaçu, este produto tem alcalinidade controlada e possui uma alta taxa de saponificação, qualidade que determina uma melhor limpeza e hidratação da pele e dos cabelos. Especialistas ainda chamam a atenção para seu poder cicatrizante e sua capacidade de conservar a pele sem manchas. De cor branca ou amarelada, o sabonete de babaçu é comercializado em dois tamanhos, 25g e 90g.

Produzido artesanalmente, este sabão é composto por 100% de óleo de babaçu, sem mistura de sebo ou de qualquer outro tipo de produto semelhante. Comercializado em barras de 500g e 1kg, em cores variadas ou natural, sua fragrância pode ser a do próprio óleo de babaçu ou de outras essências, como eucalipto, pinho, jasmim e lavanda.
O sabão de babaçu tem um excelente rendimento, especialmente, para lavar roupas, louças e alumínio.

Extraído das amêndoas do coco babaçu, este óleo de alto teor de ácido láurico tem odor e sabor suave característico. É muito utilizado pela indústria de alimentos para a fabricação de margarinas, óleo comestível, gordura vegetal, amido e gorduras especiais, e pela indústria química na produção de sabão, sabonete, shampoo, glicerina, ácidos graxos, velas, etc. De todos os óleos vegetais de uso industrial, o óleo de coco babaçu tem o mais alto índice de saponificação e o mais baixo valor de iodo e refração, o que também o qualifica para o preparo de pomadas cremosas.

Rica em amido, vitaminas e sais minerais, a massa de babaçu pode ser utilizada em bolos, tortas, vitaminas e sucos de frutas. Também conhecida como mesocarpo de babaçu ou simplesmente pó de babaçu, essa farinha possui propriedades anti-inflamatórias e analgésicas. Portanto, é indicada para o tratamento de reumatismo, artrite reumatoide, úlceras, tumores e inflamações em geral, especialmente no útero e ovário. Rica também em fibras, a massa de babaçu ainda é recomendada na prisão de ventre e colite.

O artesanato produzido pelas mulheres quebradeiras de coco é feito essencialmente com a palha da palmeira de babaçu. São bolsas, jogos para pratos, esteiras, abanos, cestaria em geral, chapéus e peneiras, que por vezes ainda ganham um refinado acabamento feito com a fibra do buriti. A partir da riqueza e da diversidade florestal das regiões onde vivem, estas mulheres também produzem colares, pulseiras e brincos. Biojoias feitas do endocarpo do babaçu e de sementes variadas, como caqui, olho-de-boi, buriti, pajubão, pajubim, açaí, bacaba, feijão brabo, fedegoso e jatobá.
A CIMQCB tem a sua sede central em São Luís (MA), e as filiais estão localizadas no Estado do Tocantins (município São Miguel), Pará (município São Domingos do Araguaia), Piauí (município de Esperantina) e no Estado do Maranhão (nos municípios Imperatriz, Viana e Pedreiras.)
E-mail de vendas: babacuprodutos@miqcb.org.br
Telefone: (98) 3268-3357 | 3221-4163
Acesse nossa loja: https://maepalmeira.com.br/
O Fundo Babaçu é mais uma conquista das mulheres do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB). Nasceu em 2012 da experiência do movimento com o Fundo Rotativo de Microcréditos, gerido e acessado pelas mulheres para o desenvolvimento de pequenos projetos agroextrativistas de geração de renda.
Desde sua criação, o Fundo Babaçu lançou nove editais, capitalizando valores para realização de projetos socioambientais por grupos e organizações comunitárias de quebradeiras de coco babaçu. Hoje, o fundo é gerido de forma participativa pelo Comitê Gestor do Fundo Babaçu, que envolve diversas organizações parceiras do movimento.
Em um cenário de diversos conflitos socioambientais – vivenciados pelas quebradeiras de coco babaçu em suas comunidades para reprodução do seu modo de vida e conservação da floresta – e de uma histórica exclusão de comunidades tradicionais e grupos comunitários no acesso a fontes de recursos voltadas a projetos socioambientais, o Fundo Babaçu tem entre seus objetivos:
Acesse aqui os Editais:
8º Edital – FUNDO AMAZÔNIA – Pará, Tocantins e Maranhão:
Acesse o Edital e anexos do 9º Edital do Fundo Babaçu
9° EDITAL DE CONVOCAÇÃO_FUNDO BABAÇU (1)Baixar
9° EDITAL DE CONVOCAÇÃO-Orçamento detalhado (1)Baixar
ANEXO A – FORMULÁRIO DE PROJETOS DO FUNDO BABAÇUBaixar
ANEXO C – ORÇAMENTO DETALHADOBaixar
Acesse aqui o roteiro para projetos de demandas espontâneas do Projeto Baqueli
DEMANDA ESPONTÂNEA DO PROJETO BAQUELI
10º EDITAL FUNDO BABAÇU

O Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB), por meio do Fundo Babaçu, comunica que os Editais de nº 06 e 07, encerraram suas inscrições no dia 08/08/2023 (terça-feira).
O edital de nº 06 contou com recurso de R$ 1.600,000,00 (um milhão e seiscentos mil reais) apoiados pelo Fundo Amazônia, geridos pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O Edital foi destinado para os municípios do Maranhão, Pará e Tocantins.
Com apoio do Fundo Amazônia, o Fundo Babaçu recebeu 27 projetos, distribuídos nas categorias Curingas (11), Capota (06) e Pindova (10), totalizando R$ 2.483.519,41 reais.
O Edital de nº 07 foi destinado para o Estado do Piauí e contou com recursos de R$ 220.000,00 da Fundação Ford. Foram entregues 08 propostas, sendo 05 curingas, 02 capotas e 01 Pindova.
As propostas recebidas estão sendo analisadas pelo Grupo Gestor do Fundo Babaçu, seguindo os critérios exigidos pelos Editais.
Ao todo, serão destinados de R$ 1.820.000,00 (um milhão, oitocentos e vinte mil reais) para apoiar projetos de grupos ou organizações comunitárias atuantes em comunidades agroextrativistas de quebradeiras de coco babaçu, nos estados do Maranhão, Pará, Tocantins e Piauí.
Fundo Babaçu – tem como objetivo contribuir para autonomia e qualidade de vida das quebradeiras de coco babaçu e suas comunidades tradicionais, com a conservação da biodiversidade existente nas florestas de babaçu, por meio da ampliação do seu acesso a fontes de recursos e promoção do fortalecimento das organizações de base comunitária a partir do desenvolvimento de capacidades em gestão de projetos socioambientais, nos estados do Pará, Piauí, Tocantins e Maranhão situadas em regiões de babaçuais.

Brasília ficou florida com as ruas tomadas por mais de 100 mil Margaridas do campo, da floresta, das águas e das cidades, na manhã desta quarta-feira (16/08). As quebradeiras de coco babaçu dos estados do Maranhão, Pará, Piauí e Tocantins, que são acompanhadas pelo Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu-MIQCB, não ficaram de fora da maior ação política de mulheres da América Latina. Com suas bandeiras, chapéus de palha, faixas, com seus cantos, batuques e toda a garra e energia, as Margaridas percorreram um trajeto de aproximadamente 6 quilômetros, na luta pela reconstrução do Brasil e por uma sociedade do bem viver.
A 7ª Marcha das Margaridas foi realizada nos dias 15 e 16 de agosto, em Brasília-DF e abordou o tema: Margarida em Marcha pela Reconstrução do Brasil e pelo Bem Viver. O primeiro dia começou com uma agenda política muito importante: uma Sessão Especial no Senado Federal, em Homenagem a Marcha das Margaridas. Mais de 120 margaridas encheram a plenária do Senado para participarem desse momento, e assistiram aos discursos de parlamentares, onde muitos falaram sobre a história de luta de Margarida Alves e das mulheres que viajaram de diversos lugares do Brasil para participarem da 7ª Marcha e representarem as reivindicações de milhões de mulheres do campo, das florestas e das águas.

As coordenadoras do Miqcb, Maria Alaídes de Sousa (Maranhão), Ednalva Ribeiro (Tocantins), Cledeneuza Maria Bizerra (Pará) e Maria de Jesus Silva (Piauí) participaram da solenidade.
Ao longo do dia, a programação concentrou no Pavilhão de Exposição do Parque da Cidade e contou com realização de oficinas temáticas e lúdicas, rodas de conversa sobre temas de interesse, tendas de cura com massagens e terapias integrativas, atividades autogestionadas pelas entidades parceiras da Marcha, apresentações culturais dois grandes painéis temáticos: Soberania alimentar e agroecologia como o caminho para a superação da fome e Reconstrução do Brasil para o Bem Viver com a participação política das mulheres: desafios e perspectivas.
Durante a programação as quebradeiras de coco das seis Regionais do Miqcb contribuíram com várias temáticas, com destaque para os painéis: Proteção da Natureza com Justiça Ambiental e Climática; Autodeterminação dos Povos com Soberania Alimentar, Hídrica e Energética e Democratização de Acesso à Terra e Garantia dos Direitos Territoriais (Tribunal das Mulheres); Democratização do Acesso à Terra e Garantia dos Direitos Territoriais e Maretórios.

“Estamos aqui representando quebradeiras de quatro estados: Maranhão, Pará, Tocantins e Piauí para reivindicar, junto com milhares de mulher, a reconstrução do Brasil e o Bem Viver para todas nós. Queremos educação de qualidade e contextualizada, direito à saúde, preservação do meio ambiente, dos nossos babaçuais. Estamos aqui para reforçar que onde tem uma palmeira em pé, tem uma mulher”, declarou Maria Alaídes, coordenadora geral do MIQCB.

Um dos destaques da Marcha das Margaridas foi a Mostra Nacional da Produção das Margaridas. Um espaço onde foi exposto diversos produtos que identificam a cultura, o modo de vida, o território e demais características das guardiãs dos saberes e dos seus modos de produção da vida. No espaço ocorreu ainda troca de sementes e rodas de conversa. O Miqcb, por meio da presidente da Cooperativa Interestadual as Quebradeiras de Coco Babaçu-CIMQCB, Maria do Rosário apresentou a história das quebradeiras e os produtos das quebradeiras de coco: azeite, óleo, biscoito, sabonete e outros produtos.
Na manhã do segundo dia (16/08), mais de 100 mulheres percorreram cerca de 16 km até a Esplanada dos Ministérios onde foram recebidas presidente Luiz Inácio Lula da Silva e suas ministras e ministros de Estado onde fizeram anúncios importantes em resposta à Pauta da Marcha das Margaridas, entregue em 21 de junho ao governo federal.

A ministra da Mulher, Cida Gonçalves fez os seguintes anúncios:
– Assinatura da portaria reinstalando o Fórum Nacional de Políticas para as Mulheres Agricultoras do Campo, da Floresta e das Águas;
– Assinatura da portaria garantindo um Fórum de Discussão para questão das mulheres Pescadoras, Marisqueiras e das Águas para fechar uma política nacional para esse setor junto ao Ministério da Pesca;
– Colocar 270 unidades móveis, carros, vans e veículos que possam chegar a qualquer lugar, com profissionais de saúde, de delegacia e outras áreas necessárias, sob responsabilidade dos municípios;
– Instalação da portaria que trata da Ouvidoria Itinerante;
– Trabalho junto aos Correios para que as mulheres possam mandar cartas que cheguem direto ao gabinete da ministra.
O ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), Paulo Teixeira, também fez anúncios importantes:
– 90 mil quintais produtivos;
– 25 milhões de ATER para prática agroecológica, metade destinada a mulheres;
– Lançamento do Programa Cidadania e Bem Viver, junto com os Ministérios do Trabalho, das Mulheres e da Previdência, para retomar o Programa Nacional de Documentação da Mulher Trabalhadora Rural, criado no primeiro mandato do Lula;
– Lançamento do programa emergencial de Reforma Agrária, para assentar 7.200 famílias, sendo 5.700 com novos assentamentos e 1.500 com crédito fundiário;
– Regularização de 40 mil famílias em assentamentos;
– Duplicação dos pontos das mulheres, que terão 10 pontos a mais que homens, para entrar no Programa de Reforma Agrária;
– R$ 300 milhões para crédito de instalação para as famílias da reforma agrária;
– Decreto que cria grupo de trabalho pra construir o Plano Nacional de Juventude e Sucessão Rural;
– Instituição da Comissão Nacional de Enfrentamento à Violência no Campo;
– R$ 100 milhões para compra de leite, e iniciar um processo de aumento de produtividade da cadeia de leite no Brasil.

No ato de encerramento da 7ª Marcha das Margaridas, o presidente Lula assinou vários decretos:
– Instituição do Programa Quintais Produtivos para Mulheres Rurais;
– Decreto sobre seleção de famílias e retomada da reforma agrária;
– Instituição da Comissão de Enfrentamento à Violência no Campo;
– Instituição do Grupo de Trabalho Interministerial para o Plano Nacional de Juventude e Sucessão Rural;
– Instituição do Programa Nacional de Cidadania e Bem Viver para as Mulheres Rurais;
– Instituição do Pacto Nacional de prevenção aos feminicídios;
– Retomada da Política Nacional para os Trabalhadores Rurais Empregados;
– Retomada do programa Bolsa Verde, de apoio à conservação ambiental.
“É uma alegria enorme estar aqui mais uma vez. A felicidade é ainda maior por poder assinar, na frente de todas vocês, esses atos que convergem para a autonomia e inclusão produtiva das mulheres rurais. A retomada da reforma agrária com atenção especial às famílias chefiadas por mulheres. Os quintais produtivos para segurança alimentar e nutricional. O estímulo maior à agroecologia para produção de comida de verdade, saudável, sem agressão ao meio ambiente. O acesso à terra, à titulação, ao crédito, equipamentos e todo apoio necessário para plantar e produzir cada vez mais. Prioridades definidas por vocês, demandas que temos o prazer de atender, para que as mulheres do campo, floresta e águas possam viver com dignidade, tendo assegurados seus direitos civis, políticos e sociais”, declarou o presidente Lula.

Bastante emocionada, Mazé Morais, secretária de Mulheres da CONTAG e coordenadora geral da Marcha das Margaridas, emocionou até o presidente Lula com sua fala. Ela explicou que a Marcha das Margaridas deste ano tem um significado muito grande. Foram quatro anos, muitas reuniões, muitas conversas nos roçados, nas beiras dos rios.
“Estamos com muita expectativa, esperança, porque dizemos que essa Marcha de 2023, diferente da Marcha de 2019, que foi a marcha da resistência, essa é a da reconstrução do Brasil e do bem viver.” E completou: “A lindeza da Marcha não é só esse momento de coroação de todo o processo de formação e mobilização que fizemos na base. Foram muitos momentos, nossa pauta foi construída coletivamente com a Comissão e várias organizações parceiras, essa que é a lindeza da marcha. Tenho certeza que não somos somente 100, 200 mil mulheres. Somos milhões que viemos pra cá e estão nos estados. E ver o presidente da República pra nós é uma alegria muito grande. Realmente queremos te agradecer muito”.




Cerca de 300 mulheres quebradeiras de coco babaçu dos Estados do Maranhão, Pará, Tocantins e Piauí, que fazem parte do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu – MIQCB participará da 7ª Marcha das Margaridas, a maior ação política de mulheres da América Latina que acontecerá nos dias 15 e 16 de agosto, em Brasília. A expectativa do evento é reunir mais de 100 mil mulheres do campo, da floresta, das águas, extrativistas, quilombolas, indígenas e também mulheres da cidade.
A programação inicia no dia 15 de agosto com diversas atividades simultâneas, com oficinas, debates, rodas de conversa, exibição de vídeos, práticas integrativas e complementares em saúde, apresentações culturais, plenárias, entre outras. A abertura política será no dia 15, às 17 horas, no Pavilhão de Exposições do Parque da Cidade, em Brasília. No dia 16/08, (quarta-feira) haverá a grande marcha, saindo do Parque da Cidade até a Esplanada.

A Marcha das Margaridas acontece a cada quatro anos e neste ano terá como lema “Pela Reconstrução do Brasil e pelo Bem Viver”. A ação é coordenada pela Confederação Nacional dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares (CONTAG), pelas Federações e Sindicatos filiados e por 16 organizações parceiras, dentre elas o Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu-MIQCB.
Durante a caminhada as quebradeiras de coco babaçu dos Estados do Maranhão, Pará, Piauí e Tocantins se unirão a milhares de mulheres para denunciar crimes ambientais, queimadas e derrubadas de babaçuais, violência contra mulheres nos territórios, além de reivindicar por vida saudável com agroecologia e segurança alimentar, educação de qualidade, defesa da biodiversidade e outros direitos.
Saiba mais sobre a Marcha das Margaridas

A Marcha tem como força inspiradora a luta de Margarida Maria Alves, uma mulher trabalhadora rural nordestina e líder sindical, que rompendo com padrões tradicionais de gênero ocupou, por 12 anos, a Presidência do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Alagoa Grande, na Paraíba.
Por lutar pelo direito à terra, pela reforma agrária, por educação, por igualdade e por defender direitos trabalhistas e vida digna para trabalhadoras e trabalhadores rurais, Margarida Alves foi cruelmente assassinada na porta da sua casa, no dia 12 de agosto de 1983.
Seu nome se tornou um símbolo nacional de força e coragem cultivado pelas mulheres e homens do campo, da floresta e das águas. É em nome dessa luta que a cada quatro anos, no mês de agosto, milhares de Margaridas de todos os cantos do País marcham em Brasília, num clamor por justiça, igualdade e paz no campo e na cidade.

“Quem conta seus males espanta?” Essa foi a pergunta-título que norteou os três dias de encontro de mulheres de movimentos sociais do Nordeste para debater os desafios da comunicação nas suas lutas. Realizado entre os dias 02 e 04 de agosto na CESE, a oficina reuniu 35 mulheres de 19 organizações para debater, compartilhar experiências e construir na prática novas ferramentas e possibilidades para a comunicação dos movimentos populares. O Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu-MIQCB foi representado pela coordenadora, Marinalda Rodrigues e a assessora de comunicação, Claudilene Maia.
O evento foi desenvolvido pela CESE em parceria com a Revista Afirmativa e faz parte do Programa Doar para Transformar (Giving for Change), iniciativa que tem o objetivo de fortalecer a influência dos movimentos sociais nas relações de poder entre Norte e Sul Global no âmbito da defesa de direitos.

No caso da CESE, o objetivo do programa Doar para Transformar passa pelo fortalecimento das mulheres do Nordeste. Segundo Viviane Hermida, assessora de projetos e formação da entidade, a oficina busca fortalecer a atuação destas organizações também no âmbito da comunicação.
“Nós sabemos que a comunicação é muito chave em vários aspectos na vida das organizações populares, seja para fazer incidência política, denunciar violações de direitos ou mesmo para fazer mobilização de recursos. E todas essas questões são muito importantes nesse programa. No fim, nós queremos que essas organizações de mulheres consigam gerar força política. E a gente acha que a comunicação é mais um elemento que contribui para que elas alcancem essas mudanças que a gente quer ver na sociedade”, explica Viviane.

Mulheres negras, indígenas, da zona rural, das periferias, mães, estudantes, trabalhadoras, LBTs, de terreiro, cristãs, jovens, idosas. São muitas as identidades e experiências que as participantes do curso trouxeram e enriqueceram a formação. Fala Marinalda Rodrigues, do Miqcb ressalta a importância dessa diversidade e da troca entre tantas gerações de mulheres.
“A comunicação faz parte dos processos de mobilização dos movimentos sociais populares. Então, tratar desse tema com vários movimentos de mulheres aqui presente, é muito importante porque precisamos divulgar, comunicar nossas ações para a sociedade e para o poder público”, frisou Marinalda
Teoria e prática para avançar na luta
A oficina foi construída junto com a Revista Afirmativa, veículo de multimídia negra que também compõe a comunidade de prática do Doar para Transformar. Para Alane Reis, co-fundadora da Revista e uma das assessoras da oficina, os movimentos populares têm muitos desafios, mas também trazem importantes experiências no âmbito da comunicação.

“Mesmo a comunicação ainda sendo um aspecto da luta política do movimento feminista, dos movimentos sociais de maneira geral, é muito bom perceber como as mulheres negras, indígenas, estão recorrentemente criando estratégias, organizando seus próprios recursos pra conseguir comunicar suas lutas e fazendo isso de uma maneira muito sensível, com uma linguagem acessível, de uma forma que toca as pessoas”, salienta. “Acho que esse é o grande objetivo da comunicação. É tocar, é sensibilizar, é furar barreiras, furar bolhas, é convencer nossos pares também. Mas é principalmente ecoar o discurso da luta dos nossos movimentos”, completa a jornalista.
O encontro combinou momentos de debate – como a discussão sobre a hegemonia na mídia e o papel da comunicação feminista antirracista – com a realização de atividades práticas, como oficina de elaboração de release e gerenciamento de mídias sociais. Além de Alane Reis, outras companheiras trouxeram sua contribuição nos espaços, como Andressa Franco, também da Revista Afirmativa, Ceres Santos, professora de comunicação e ativista, Larissa Santiago, do Blogueiras Negras e Joanna Bennus, do Instituto Odara.

“Digo às companheiras que aqui estão”
As mulheres presentes no encontro também puderam participar do lançamento do documentário “Digo às companheiras que aqui estão” na quarta (02). Produzido pela SOS Corpo e Parabelo Filmes, e dirigido por Sophia Branco e Luís Henrique Leal, a obra conta a trajetória de Lenira Carvalho, liderança popular de Recife e pioneira na luta das trabalhadoras domésticas no Nordeste.
A sala cheia do Cinema do Museu, no Corredor da Vitória, expressou a força da história de Lenira e a emoção das espectadoras com o filme. “É um trabalho muito rico de memória, de resgatar essa linha do tempo e relembrar que hoje em dia ainda tem trabalhadoras domésticas passando por situações difíceis”, salienta Thaynara Gouveia, da Associação das Trabalhadoras Domésticas de Campina Grande, durante a discussão da platéia sobre o filme.
O evento também contou com um debate com Carmen Silva, da SOS Corpo, Sophia Branco, diretora do filme, e Creuza Oliveira, presidenta de honra da Federação Nacional das Trabalhadoras Domésticas (FENATRAD). “O filme é uma memória que comunica o passado, mas nos coloca em condição de fazer uma conexão com o presente para pensar o futuro”, sintetiza Carmen durante a mesa.

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