Centro de Formação do MIQCB realiza Curso Itinerante na Regional Pará e fortalece educação popular entre quebradeiras de coco babaçu

Segunda turma do curso itinerante marca expansão do Centro de Formação, amplia a rede de educadores populares e avança na certificação das formações em parceria com universidade pública

Cantos, histórias e tradições fortaleceram os vínculos entre as participantes e celebraram a cultura das comunidades babaçueiras. Foto: Juventudes MIQCB

Entre os dias 13 e 17 de março, a sede regional do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB), em São Domingos do Araguaia (PA), recebeu a segunda turma do Curso Itinerante Mulheres nas Rodas da Aprendizagem: ação política e mobilização social, iniciativa do Centro de Formação do MIQCB voltada ao fortalecimento político, organizativo e formativo de mulheres e juventudes das comunidades agroextrativistas.

Realizada no âmbito do projeto Educação em Movimento, a formação reuniu lideranças quebradeiras de coco babaçu em uma intensa programação que articulou educação popular, memória, cultura, análise de conjuntura e fortalecimento das lutas territoriais. A proposta integra uma agenda mais ampla do Centro de Formação, que em 2026 prevê a realização do curso nas seis regionais do MIQCB, com educadores oriundos ou com atuação direta nos territórios, reforçando a contextualização dos saberes e a pedagogia construída a partir das vivências das próprias quebradeiras.

A segunda turma do curso itinerante reafirma o compromisso do MIQCB com a formação política, a mobilização social e o fortalecimento das quebradeiras de coco babaçu. Foto: Juventudes MIQCB

A programação da etapa Pará foi conduzida por educadoras e educadores populares da regional, com disciplinas voltadas a temas centrais para a organização e resistência das mulheres quebradeiras. A professora Vanalda Gomes Araújo abriu o percurso formativo com a disciplina Identidades, Culturas, Natureza e Lutas das Quebradeiras de Coco Babaçu, abordando a relação entre território, ancestralidade e organização política.

Na sequência, a professora Ailce Margarida Negreiros ministrou a disciplina Relações de Gênero e Geração na Cadeia Produtiva do Coco: trabalho, poder e sucessão familiar, promovendo reflexões sobre divisão sexual do trabalho, autonomia e continuidade dos saberes entre gerações.

A resistência e o protagonismo feminino no campo foram debatidos pela quebradeira Cledeneuza Maria Bizerra e pela professora Ailce Margarida Negreiros Alves, em diálogo sobre estratégias de organização e enfrentamento construídas pelas mulheres em seus territórios. Fechando o ciclo, os professores Evaldo Gomes Júnior e Eran Paulo Rodrigues conduziram a disciplina O presente em disputa: conjuntura política, mobilização social e o projeto de futuro das quebradeiras de coco babaçu, conectando análise política e perspectivas de futuro para o movimento.

Reflexões sobre gênero, geração, trabalho e sucessão familiar estiveram entre os temas debatidos durante a formação. Foto: Juventudes MIQCB

Mais que um espaço de formação em sala, o curso também se construiu nas rodas culturais noturnas, parte estruturante da metodologia do Centro de Formação. Ao longo dos cinco dias, a turma participou de atividades como relato de experiência sobre a Guerrilha do Araguaia; Sarau das Quebradeiras com carimbó, declamação de poesias e cantos das Encantadeiras; leitura coletiva de crônicas de mulheres quebradeiras ao redor da fogueira; e uma noite de jogos pedagógicos. As rodas culturais fortaleceram vínculos entre a turma e valorizaram memórias, identidades e expressões culturais que sustentam a luta das quebradeiras.

Desde a inauguração do Centro de Formação das Quebradeiras de Coco Babaçu, em 2023, o MIQCB vem consolidando uma Rede de Professores Voluntários que apoia os processos formativos do movimento. Para o Centro, o conceito de educador(a) popular inclui quebradeiras de coco babaçu, mestres da cultura, técnicos, consultores, professores licenciados, pesquisadores, mestres e doutores alinhados à pedagogia popular inspirada em Paulo Freire.

Nos anos de 2023 e 2024, 53 professores voluntários já atuaram junto ao Centro de Formação, demonstrando a força mobilizadora das quebradeiras também no campo da educação popular contextualizada. Com o projeto Educação em Movimento, a expectativa é incorporar mais 20 novos educadores à rede. Considerando as duas primeiras turmas itinerantes, Tocantins e Pará, já são 13 novos professores integrados, ultrapassando mais de 50% da meta prevista.

A participação dessa rede de educadores tem sido estratégica não apenas na troca de conhecimentos junto às turmas, mas também na construção de parcerias institucionais. Uma das articulações mais recentes foi firmada com a Universidade Federal do Norte do Tocantins (UFNT), por meio da professora Rejane Cleide Medeiros de Almeida. A parceria entre MIQCB e UFNT prevê a certificação das seis turmas do curso itinerante, fortalecendo o reconhecimento institucional dessa experiência formativa construída desde os territórios.

A etapa realizada no Pará reafirma o Centro de Formação do MIQCB como um espaço vivo de produção de conhecimento, mobilização social e fortalecimento político das quebradeiras de coco babaçu. Mais que cursos, as formações itinerantes vêm consolidando rodas de aprendizagem onde a luta, a memória e os saberes das mulheres se transformam em projeto coletivo de futuro.

A Cooperativa Interestadual das Mulheres Quebradeiras de Coco Babaçu (CIMQCB) abre seleção para assessoria estratégica

Vaga é exclusiva para mulheres e busca fortalecer gestão, comercialização e projetos da sociobiodiversidade em quatro estados

A Cooperativa Interestadual das Mulheres Quebradeiras de Coco Babaçu (CIMQCB) lançou o edital de seleção nº 01/2026 para contratação de uma profissional que atuará na assessoria comercial e de projetos da organização. A vaga, exclusiva para mulheres, oferece salário bruto de R$ 6.060,00 e tem como objetivo fortalecer a gestão institucional e ampliar a atuação da cooperativa nos territórios onde está presente.

Com sede em São Luís (MA) e atuação nos estados do Maranhão, Pará, Piauí e Tocantins, a CIMQCB reúne mulheres quebradeiras de coco babaçu que, há décadas, se organizam para valorizar o extrativismo, garantir renda e promover o uso sustentável dos babaçuais.

A profissional selecionada será responsável por coordenar processos administrativos, financeiros e comerciais, além de apoiar a elaboração e execução de projetos e estratégias de captação de recursos. A atuação também envolve articulação com mercados institucionais, como programas públicos de aquisição de alimentos, e o fortalecimento da presença da cooperativa em feiras e espaços de comercialização.

Segundo o termo de referência, a função exige experiência mínima de dois anos em gestão de projetos ou área administrativa-financeira, preferencialmente com atuação em cooperativas, agricultura familiar ou organizações da sociedade civil. Também são valorizados conhecimentos em economia solidária, agroecologia, povos e comunidades tradicionais e questões de gênero e raça.

A vaga prevê carga horária de 40 horas semanais, com contrato em regime CLT por 12 meses, podendo ser renovado. A profissional deverá residir em São Luís ou ter disponibilidade para mudança, além de realizar viagens às filiais e comunidades atendidas pela cooperativa.

O processo seletivo será dividido em três etapas: análise de currículo, entrevista e teste prático. As pessoas interessadas em concorrer, devem enviar os documentos até o dia 05 de abril de 2026, exclusivamente para o seguinte e-mail: cimqcbpiaui@gmail.com anexando:

  1. Currículo Vitae completo, inclusive com comprovação de experiência;
  2. Carta de no máximo uma página, descrevendo a experiência profissional, indicando seu interesse pela vaga;
  3. Uma ou Duas cartas de recomendação/referência profissional (nome, cargo, instituição, telefone e e-mail de quem recomenda), referente aos últimos trabalhos.

Criada em 2009 e formalizada em 2011, a CIMQCB é referência na organização produtiva das quebradeiras de coco babaçu e na luta por melhores condições de comercialização dos produtos derivados da sociobiodiversidade. A iniciativa também integra políticas públicas como a Política de Garantia de Preços Mínimos para Produtos da Sociobiodiversidade (PGPM-Bio), fortalecendo a renda e a autonomia das mulheres nos territórios.

A nova contratação representa mais um passo na consolidação da cooperativa como agente estratégico de desenvolvimento sustentável, justiça social e valorização dos saberes tradicionais.

Confira o Termo de Referência (TdR):

Mulheres que defendem a floresta: MIQCB reforça incidência política em mais um dia de atividades na COP30

Belém (PA), 20 de novembro de 2025 — Em mais um dia de mobilização intensa na COP30, o Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB) reafirmou sua presença e sua agenda política em defesa dos territórios, da sociobiodiversidade e da justiça climática. As quebradeiras marcaram lugar em diferentes espaços estratégicos, trazendo suas denúncias, suas histórias e a força de suas práticas tradicionais como caminhos para enfrentar a crise climática.

Clima, saúde e território como pautas de resistência

Oficina “Clima, Saúde e Território: luta e resistência das quebradeiras de coco babaçu pela floresta em pé”

A oficina reuniu lideranças, pesquisadoras e organizações para refletir sobre a relação entre mudanças climáticas, saúde e proteção territorial. A coordenadora executiva do MIQCB Regional Pará, Cledeneuza Bizerra, trouxe a centralidade das quebradeiras na defesa da floresta e de modos de vida que garantem o bem viver.

“Nós mantemos a floresta em pé porque nossa vida está ligada a ela. Defender o babaçu é defender nossa saúde, nosso território e o futuro das nossas famílias”, afirmou Cledeneuza.

O espaço contou ainda com a participação de Mônica Dias (ArticulaFito), Isabel Levy (Coordenação Inicial ArticulaFito) e Josilene Ferreira Mendes (UFRA), aprofundando o diálogo entre ciência, políticas públicas e saberes tradicionais.

Presença qualificada em mídias e espaços de debate

Entrevista na Rádio Sumaúma e roda de conversa sobre mulheres do Cerrado

Pela manhã, Cledeneuza concedeu entrevista à Rádio Sumaúma, reforçando a resistência histórica das quebradeiras diante das ameaças aos babaçuais. Ela destacou que a crise climática amplia desigualdades e afeta diretamente as mulheres que dependem da sociobiodiversidade para viver.

“Quando o território é ameaçado, a primeira a sentir é a mulher. Por isso nossa luta é também por justiça ambiental e por direitos”, disse.

Simultaneamente, a coordenadora interestadual Ednalva Ribeiro representou o MIQCB na roda de conversa “Mulheres do Cerrado: Guardiãs do Coração das Águas do Brasil”, dialogando sobre o papel das mulheres na preservação dos biomas e na garantia do acesso à água. Ednalva reforçou a urgência de proteger Cerrado e Amazônia de políticas que favorecem o avanço do agronegócio e a destruição dos territórios.

“Cuidar da água, da floresta e do babaçu é garantir que nossas futuras gerações tenham vida digna. Nosso trabalho precisa ser reconhecido como política de Estado”, destacou.

Pautas políticas defendidas pelo MIQCB na COP30

O movimento segue apresentando demandas estruturantes para garantir direitos e fortalecer as mulheres quebradeiras de coco babaçu:

Reconhecimento e implementação da Lei Babaçu Livre como política nacional que assegure acesso aos babaçuais;

Proteção dos territórios tradicionais e combate às cercas ilegais, à grilagem e às derrubadas de palmeiras;

Apoio à sociobioeconomia comunitária, com financiamento direto para organizações de base;

Valorização dos saberes tradicionais e participação efetiva das mulheres nas decisões climáticas;

Políticas de saúde, educação e bem viver voltadas às comunidades extrativistas.

Um movimento que resiste, denuncia e constrói

A presença do MIQCB na COP30 mostra ao mundo que a justiça climática passa necessariamente pela proteção dos territórios das quebradeiras de coco babaçu e pelo fortalecimento de suas práticas extrativistas sustentáveis.

O movimento segue mobilizado, denunciando ameaças, defendendo direitos e reafirmando: sem as mulheres da floresta, não há futuro possível para o clima.

O MIQCB permanece firme com voz, com luta e com o babaçu em pé.

MIQCB integra a apresentação do Projeto Defensoria nos Babaçuais na COP30 e reforça a defesa dos territórios

Belém (PA) — 19 de novembro. O Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB) ampliou sua participação na COP30 com agendas estratégicas que fortaleceram a defesa dos territórios, a visibilidade das quebradeiras e a articulação por políticas públicas estruturantes. Entre os destaques, ocorreu nesta manhã a apresentação do Projeto Defensorias nos Babaçuais, iniciativa construída em parceria com defensorias públicas estaduais ao longo de 2024 e 2025.

Projeto Defensorias nos Babaçuais ganha destaque durante a COP30

A apresentação do Projeto, realizada hoje durante a conferência, reuniu representantes de defensorias e lideranças quebradeiras para socializar os resultados da primeira e segunda etapas. O MIQCB destacou a importância do trabalho conjunto e a atuação territorial em defesa dos direitos das mulheres babaçuais.

O momento reforçou o compromisso das defensorias com a garantia do acesso aos babaçuais, a proteção das comunidades e a implementação da Lei do Babaçu Livre. Para o MIQCB, essa ação consolida um diálogo contínuo e necessário entre Estado e sociedade civil.

Encontro com Defensorias Públicas e relato das ações nos regionais

Antes da COP, o MIQCB já havia participado de uma agenda com a Defensoria Pública, apresentando os resultados construídos nos regionais e o relato das ações desenvolvidas na segunda etapa do Projeto, realizada em Imperatriz (MA), em outubro. Representando o movimento na mesa, Dona Ednalva Ribeiro e Cledeneusa reforçaram a importância da atuação conjunta na defesa dos territórios.

MIQCB apresenta economia do babaçu na Embrapa

Durante a programação da COP30, o MIQCB esteve também na Embrapa, onde Dona Cléd apresentou as experiências da cooperativa, abordando produção, comercialização, compras públicas e os programas que fortalecem a economia das quebradeiras. O vídeo da atividade está disponível no grupo interno do Movimento.

Debate sobre a minuta do decreto na Casa das ONGs

Outra agenda relevante ocorreu na Casa das ONGs, em Belém, onde Dona Ednalva participou de uma roda de conversa sobre a minuta do decreto voltado a povos e comunidades tradicionais. A atividade, realizada em parceria com organizações como Terra de Direitos, FASE e ISPN, ampliou o debate sobre garantias territoriais, regularização fundiária e participação social.

Voz das quebradeiras na COP30

Durante sua fala, Ednalva Ribeiro, vice-coordenadora geral do MIQCB, destacou a urgência de políticas que garantam vida digna às comunidades e enfrentem a violência nos territórios tradicionais:

“Com justiça climática, também precisa lutar pela unidade, lutar pela vida, lutar pelas pessoas que preservam o meio ambiente. Porque, se não há gente viva na comunidade, no seu território, não vai haver mudanças climáticas.”

Ela também alertou para a contradição entre grandes projetos e a sobrevivência dos povos da floresta:

“Não basta lutar pelas mudanças climáticas se realmente os governantes estão preocupados com grandes projetos — mineração, ferrovias, milhares de cabeças de gado. Mas também é preciso se preocupar com a humanidade, com as pessoas e com o seu território.”

Ednalva reforçou ainda a necessidade de enfrentar a violência e de garantir regularização fundiária:

“Precisamos que os governantes se preocupem com a regularização fundiária. No começo da COP30, morreram duas mulheres, um indígena e um agricultor. Por que essas pessoas estão morrendo? São agricultores e povos que lutam pela sua sobrevivência. Se os governantes não se preocuparem com a vida humana nos territórios, não haverá preservação.”

Compromisso do MIQCB

Com presença ativa e pautas estratégicas, o MIQCB reafirma sua missão de defender o Babaçu Livre, promover justiça climática e assegurar que as quebradeiras sejam protagonistas na formulação de políticas públicas. O Movimento segue articulando parcerias, fortalecendo a incidência e garantindo que as vozes das mulheres ecoem em espaços de decisão nacional e internacional.

O MIQCB permanece firme na defesa dos territórios, da floresta em pé e da vida das quebradeiras de coco babaçu.

MIQCB fortalece incidência política na Zona Azul da COP30 e reafirma defesa da sociobioeconomia e dos territórios tradicionais

Belém (PA), 17 de novembro de 2025 — O Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB) marcou presença estratégica na Zona Azul da COP30, reforçando sua atuação na defesa da sociobioeconomia, dos territórios tradicionais e da justiça climática. Ao longo do dia, a delegação do MIQCB ampliou diálogos com governos, agências internacionais e parceiros, trazendo a voz e a experiência das mulheres babaçueiras para espaços centrais da conferência.

Sociobioeconomia no centro das decisões globais

Lançamento do Programa COOPERA+ Amazônia

Na Zona Verde, a coordenadora Maria Ednalva Ribeiro representou o MIQCB na cerimônia do lançamento do Programa COOPERA+ Amazônia, ao lado do vice-presidente da República, Geraldo Alckmin. O movimento ressaltou que a sociobiodiversidade é pilar do desenvolvimento sustentável da região.

“O babaçu é uma economia viva, que protege a floresta e garante renda para milhares de mulheres. Investir na sociobioeconomia é reconhecer nossa contribuição histórica”, destacou Ednalva.

Floresta em pé e economia sustentável

Painel no Pavilhão do BNDES

No debate “Valor da Floresta em Pé: Sociobioeconomia como Estratégia para Conservação”, realizado no Pavilhão do BNDES, Ednalva dialogou com representantes do Ministério do Meio Ambiente, Rioterra e Cooperacre. O MIQCB reforçou a centralidade das quebradeiras de coco babaçu no modelo de economia que mantém a Amazônia viva.

“Somos guardiãs dos babaçuais e protagonistas de uma economia que não derruba a floresta. Nosso trabalho precisa ser reconhecido e apoiado pelas políticas públicas”, afirmou a coordenadora.

Justiça climática como horizonte comum

Participação no painel da Ford Foundation – Zona Azul

O MIQCB integrou o painel que apresentou os resultados da Cúpula dos Povos e sua agenda política para a justiça climática, ao lado de MST, Global Forest Coalition e FASE. O movimento destacou que os impactos da crise climática recaem de forma desproporcional sobre os povos e comunidades tradicionais.

“Não há transição justa sem ouvir quem vive na floresta e quem cuida dela todos os dias. Nossa agenda precisa ser tratada como prioridade”, enfatizou o Movimento.

Políticas públicas para Povos e Comunidades Tradicionais

Debate sobre o Plano Nacional para PCTs

Em outro momento, o MIQCB reforçou reivindicações históricas pela garantia dos territórios tradicionais, regularização fundiária, proteção dos babaçuais e participação social das mulheres quebradeiras.

Entre as pautas políticas defendidas:

Implementação efetiva do Plano Nacional para Povos e Comunidades Tradicionais;

Avanço na Lei Babaçu Livre em todos os estados babaçueiros;

Proteção dos territórios e combate às pressões do agronegócio;

Fortalecimento da sociobioeconomia comunitária.

Incidência internacional e diálogos estratégicos

Celebração dos 17 anos do Fundo Amazônia – Zona Azul

O MIQCB participou da celebração dos 17 anos do Fundo Amazônia, espaço em que realizou uma oitiva com o vice-embaixador da Alemanha. O encontro ampliou a defesa das iniciativas comunitárias e da importância dos financiamentos diretos para organizações de base.

Compromisso pela floresta e pelos territórios

A presença do MIQCB na COP30 reafirma a força política das mulheres quebradeiras de coco babaçu e sua contribuição para uma Amazônia viva, com justiça climática e territorialidade garantida.

O Movimento segue firme: com voz, com luta e com o babaçu em pé.

Sociobioeconomia é futuro. Territórios vivos são resistência.

MIQCB marca presença na abertura da Cúpula dos Povos e leva cerca de 100 mulheres quebradeiras de coco babaçu à COP30 em defesa da justiça climática e territorial

Belém do Pará — O Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB) iniciou sua participação na COP30 com força, ancestralidade e incidência política. Reunindo cerca de 100 mulheres das seis regionais — Maranhão, Pará, Tocantins e Piauí —, o movimento marcou presença na abertura da Cúpula dos Povos, que reúne mais de 5 mil representantes de movimentos sociais, pesquisadores, povos tradicionais, juventudes e trabalhadores de todo o Brasil e de cerca de 60 países.

A presença expressiva reafirma o protagonismo das quebradeiras de coco babaçu na defesa dos territórios, da sociobiodiversidade e da justiça climática — princípios construídos na prática cotidiana das comunidades extrativistas.

Organizada na UFPA, a Cúpula dos Povos integra a COP Popular, um espaço autônomo criado como resposta aos processos de negociação fechados que historicamente excluem mulheres quebradeiras, povos indígenas, ribeirinhos, quilombolas, agricultores familiares e trabalhadores urbanos das decisões que afetam diretamente seus modos de vida.

Ao mesmo tempo, mesmo com equipes menores, o MIQCB segue presente na Zona Azul (negociações oficiais), Zona Verde (programação ampliada da ONU) e em espaços estratégicos na cidade, reafirmando internacionalmente que babaçu é clima.

Manhã de debates: MIQCB leva a realidade dos territórios na mesa sobre os Títulos Amazônicos no Museu Goeldi

A agenda do primeiro dia começou no Museu Goeldi, na mesa “O que Esperar dos Títulos Amazônicos?”, que debateu o novo instrumento financeiro lançado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para captar recursos destinados a iniciativas sustentáveis na região.

A coordenadora-geral Maria Alaídes destacou que nenhum mecanismo climático será eficaz se continuar repetindo a lógica de excluir os povos da floresta:

“Não existe financiamento climático legítimo quando os territórios seguem sem regularização, os babaçuais continuam ameaçados e as mulheres que mantêm a floresta viva não são escutadas. Os Títulos Amazônicos só terão impacto real se reconhecerem quem sustenta a sociobiodiversidade com trabalho, conhecimento e resistência.” — Maria Alaídes, coordenadora-geral do MIQCB.

Durante sua participação na mesa, Alaídes também aproveitou o momento para lembrar a morte brutal das companheiras quebradeiras de coco, assassinadas enquanto exerciam seu ofício tradicional. Antônia Ferreira dos Santos e Marly Viana Barroso foram encontradas sem vida no início de novembro, no polo pesqueiro do município de Novo Repartimento (PA), sudeste do estado. A coordenadora ressaltou que o crime expõe a vulnerabilidade das mulheres que dependem dos babaçuais para sobreviver

A fala rompeu a hegemonia técnica das instituições financeiras e reposicionou o debate a partir da perspectiva concreta das quebradeiras de coco babaçu, que enfrentam conflitos fundiários, violência e restrições ao acesso às palmeiras.

O MIQCB reforçou que qualquer modelo de financiamento deve garantir:

  • regularização fundiária dos territórios tradicionais;
  • fortalecimento e implementação da Lei Babaçu Livre;
  • financiamento direto para organizações comunitárias;
  • participação efetiva das mulheres nas decisões climáticas.

Fundo Babaçu em destaque na Casa Sul Global

Ainda pela manhã, na Casa Sul Global, o MIQCB integrou a atividade da Rede de Fundos Comunitários da Amazônia Brasileira. A coordenadora Marinalda Rodrigues, do regional Piauí, apresentou a experiência consolidada do Fundo Babaçu, reconhecido nacionalmente como um dos poucos mecanismos de financiamento direto às comunidades.

“O Fundo Babaçu já transformou mais de uma década de projetos comunitários em fortalecimento real das mulheres, mantendo a floresta viva e garantindo autonomia econômica nos territórios”, destacou Marinalda.

A experiência do MIQCB foi recebida como referência para modelos de governança comunitária que dialogam diretamente com os desafios socioambientais da Amazônia.

Tarde cultural no BNDES: filme, música e encenação emocionante das quebradeiras

No período da tarde, o MIQCB ocupou o espaço do BNDES com uma programação cultural potente, reunindo arte, memória e denúncia.

Foram exibidos:

  • o filme Na Lei ou na Marra
  • o documentário Tem Floresta em Pé, Tem Mulher

Em seguida, o público se emocionou com a apresentação das Quebradeiras de Coco Babaçu ao lado das Encantadeiras, e com a encenação teatral “Da Luta à Encenação Teatral: quebradeiras de coco babaçu te contam”, apresentada pelo Centro de Formação das Quebradeiras de Coco Babaçu.

A quebradeira da Regional Baixada Maranhense, Rosa Gregória emocionou ao narrar, no palco, as violações vividas pelas mulheres nos territórios e a luta cotidiana pela preservação dos babaçuais:

“O que mostramos aqui não é só teatro. É a vida real das mulheres que enfrentam violência, expulsões, cercas e tentativas de destruir nossas palmeiras. Eu estou hoje na faculdade graças à luta do MIQCB e à força do nosso Centro de Formação. A arte é a nossa arma para denunciar e seguir resistindo.” — Declarou, Rosa.

A apresentação arrancou aplausos e lágrimas da plateia, reafirmando a centralidade da cultura como instrumento político.

Feira da Biodiversidade mostra a força econômica das mulheres

Durante todo o dia, as mulheres da Cooperativa Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (CIMQCB) ocuparam a Feira da Biodiversidade, na UFPA, mostrando ao mundo a potência econômica e ambiental construída nos territórios.

No espaço, foram expostos produtos da sociobiodiversidade do babaçu:

  • óleos
  • artesanatos
  • sabões
  • farinhas e derivados

A feira se consolidou como um ambiente de diálogo com financiadores, pesquisadores e movimentos sociais, reforçando o papel das quebradeiras na bioeconomia brasileira.

Abertura oficial da Cúpula dos Povos: sem participação popular, não há justiça climática

O dia encerrou com a emocionante abertura oficial da Cúpula dos Povos, que celebrou a resistência da sociedade civil e reforçou que não existe solução climática sem quem mantém a floresta viva.

Para o MIQCB, estar nesse espaço é reafirmar uma agenda que há décadas denuncia desigualdades estruturais e aponta caminhos concretos para um clima justo.

A vice-coordenadora-geral Ednalva Ribeiro destacou:

“A COP30 é o momento de afirmar que não existe justiça climática sem justiça territorial. As quebradeiras de coco têm uma história de luta e solidariedade que precisa ser reconhecida como parte das soluções para o clima.” — Ednalva Ribeiro

Pautas centrais das quebradeiras de coco na COP30

O MIQCB apresenta uma agenda estratégica que integra clima, território e direitos das mulheres:

1. Aprovação da minuta de decreto de regularização fundiária dos territórios tradicionais

Para garantir segurança jurídica, enfrentamento da violência e proteção dos modos de vida.

2. Fortalecimento e ampliação da Lei Babaçu Livre

Marco fundamental que garante o acesso aos babaçuais e contribui diretamente para as metas climáticas brasileiras (NDCs).

3. Financiamento direto para mulheres e organizações comunitárias

Como já faz o Fundo Babaçu, reforçando que não há transição justa sem recurso nos territórios.

4. Participação efetiva das quebradeiras nos espaços de tomada de decisão

Do local ao internacional — especialmente na COP30.

Babaçu é Clima: a mensagem do MIQCB ao mundo

Com a força de 100 mulheres na Cúpula dos Povos e equipes estratégicas na Zona Azul e na Zona Verde, o MIQCB leva ao mundo a mensagem que orienta sua atuação na COP30:

“Babaçu é Clima – Mulheres quebradeiras em luta pela justiça climática.”

O movimento reafirma que defender os territórios tradicionais é, ao mesmo tempo, defender o planeta, a sociobiodiversidade e o futuro das próximas gerações.

MIQCB leva à COP30 a luta das Quebradeiras de Coco Babaçu por território e justiça climática

Delegação do MIQCB participa do maior evento climático do mundo com agenda sobre regularização fundiária, Lei Babaçu Livre e financiamento direto para povos e comunidades tradicionais.

De 10 a 21 de novembro, o Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB) estará presente na 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), levando a voz e a luta de mais de 300 mil mulheres extrativistas da Amazônia e do Cerrado. A delegação com cerca de 100 mulheres dos estados do Maranhão, Pará, Tocantins e Piauí, participa de espaços oficiais da COP (zona azul e zona verde) e da Cúpula dos Povos, com falas, atos públicos, atividades culturais e exibição de filmes que evidenciam o papel das quebradeiras de coco na defesa dos babaçuais, do território e do clima.

O MIQCB apresenta, em sua agenda, experiências concretas de bioeconomia comunitária, governança climática e finanças territoriais, com destaque para o Fundo Babaçu, iniciativa que integra a Rede de Fundos Comunitários da Amazônia e apoia projetos locais liderados por mulheres.


Entre os temas centrais estão a aprovação da minuta de decreto de regularização fundiária dos territórios tradicionais e o fortalecimento da Lei Babaçu Livre, marco legal que garante o acesso aos babaçuais e contribui diretamente para as metas climáticas do Brasil (NDCs).

 Destaques da Programação do MIQCB na COP30

  • 12 de novembro – Barqueata e Mostra de Lutas das Quebradeiras de Coco Babaçu, com filmes e teatro na Casa do BNDES e debate sobre o papel das mulheres na defesa dos babaçuais.
  • 14 de novembro – Mesa “Fundo Babaçu: Experiência Comunitária de Financiamento Climático”, na Zona Azul (Pavilhão Fundação Ford).
  • 15 de novembro – Lançamento do Documentário “Babaçu Livre: Território, Mulheres e Clima”, na Zona Verde, com roda de conversa sobre as NDCs das Quebradeiras de Coco.

• Participações em mesas sobre justiça climática, direitos territoriais e gênero, realizadas na UFPA — onde ocorre a programação da Cúpula dos Povos —, além de espaços da Zona Verde e Zona Azul da COP30

CÚPULA DOS POVOS:

Organizada há mais de dois anos e construída coletivamente por cerca de 1.100 movimentos sociais, organizações comunitárias, entidades territoriais e redes internacionais de defesa dos direitos humanos e da justiça climática, de 62 países, a Cúpula dos Povos na COP30 se apresenta como uma resposta autônoma e popular à 30ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP 30).

O evento ocorrerá de 12 a 16 de novembro próximo, em Belém/PA, e nasce do entendimento de que a crise climática não pode ser tratada apenas como um problema técnico ou diplomático, mas como uma questão profundamente social, vivida nas comunidades e diretamente relacionada às desigualdades históricas que afetam povos originários, populações tradicionais, juventudes periféricas, trabalhadores/as do campo e da cidade.


Ao contrário da Conferência oficial, estruturada em espaços de negociação dominados por governos e corporações, a Cúpula dos Povos se estabelece num território político autônomo, direcionado à construção coletiva de soluções elaboradas a partir das experiências concretas de quem enfrenta cotidianamente enchentes, secas, contaminação industrial, avanço do agronegócio, expulsões territoriais e violações ambientais. Por isso, a Cúpula é apresentada não como um evento paralelo, mas como o verdadeiro palco popular da justiça climática.

A mobilização surge em um momento de forte cobrança internacional sobre o papel do Brasil na presidência da COP 30. Depois de uma COP 29 considerada decepcionante pelos movimentos sociais, sobretudo,  pela ausência de metas vinculantes de financiamento climático e pela ampla margem dada a empréstimos que podem aumentar a dependência econômica dos países mais vulneráveis, cresce a expectativa de que o país possa exercer um protagonismo mais coerente com sua importância socioambiental.

PROGRAMAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO

Local: Belém (PA)
Período: 10 a 21 de novembro de 2025


12 de Novembro (Quarta-feira)

Durante o dia
Barqueata da Cúpula dos Povos – 9h às 12h

08h00 – 17h00
Feira Popular da Cúpula dos Povos
Participação contínua das quebradeiras de coco com produtos da sociobiodiversidade.

12h30 – 13h30
Museu Goeldi – Auditório Eduardo Galvão
Mesa: O que Esperar dos Títulos Amazônicos? Justiça Climática e Territorial sob a Perspectiva de PCTs e Afrodescendentes.
Participação: Alaídes e Sandra

14h30 – 16h00
Casa Sul Global – Edifício Manoel Pinto da Silva, Praça da República, Canto Coworking, Av. Serzedelo Corrêa, 15 – Nazaré
Atividade: Rede de Fundos Comunitários da Amazônia Brasileira: Iniciativas político-financeiras dos territórios, para os territórios, frente aos desafios socioambientais e climáticos.
Participação: MIQCB / Fundo Babaçu

15h00 – 18h30
Casa do BNDES
Atividade Cultural: Mostra de Lutas das Quebradeiras de Coco Babaçu

  • Filmes: Na Lei ou na Marra e Onde Tem Floresta em Pé, Tem Mulher (Mini-Auditório)
  • Teatro do CFQCB (Auditório)
  • Debate: O papel das mulheres na defesa dos babaçuais
    Proponente: MIQCB

19h00 – 21h00
UFPA
Abertura Oficial da Cúpula dos Povos


13 de Novembro (Quinta-feira)

08h00 – 17h00
Feira Popular da Cúpula dos Povos
Participação: MIQCB / CIMQCB

13h00
UFPA
Apresentação das Encantadeiras

14h00 – 17h30
UFPA – Tenda Externa
Atividade: Sem Justiça Territorial, Não Há Justiça Climática
Tema: Decreto de Regularização Fundiária dos Territórios dos PCTs
Eixo 1 – Territórios e Maretórios Vivos
Participação: Maria Alaídes, Ednalva, Renata, Ana Valéria e Yaponyra

14h00 – 18h00
UFPA
Atividades Enlaces dos Eixos de Convergência

  • Eixo 1: Tribunal de Justiça Climática (Parceria: ActionAid e outros)
  • Eixo 3: Territórios Sustentáveis e Saberes Tradicionais Amazônicos (Parceria: MIQCB, FLACSO, COIAB, CAF, CEDEMPA)

14 de Novembro (Sexta-feira)

08h00 – 17h00
Feira Popular da Cúpula dos Povos
Participação: MIQCB / CIMQCB

09h30 – 11h00
Zona Azul – Pavilhão Fundação Ford
Mesa: Fundo Babaçu: Experiência Comunitária de Financiamento Climático

11h20 – 12h35
Zona Verde – Embrapa Amazônia Oriental (Agrizone) – Auditório A2
Mesa: Justiça Climática sob a Perspectiva de Gênero

14h00 – 16h00
UFPA / Tendas dos Movimentos
Atividades:

  • Assembleia dos Movimentos Sociais – Todos os movimentos unificados
  • Enlaces dos Eixos de Convergência (continuação)

15 de Novembro (Sábado)

08h00 – 17h00
Feira Popular da Cúpula dos Povos
Participação: MIQCB / CIMQCB

08h30 – 11h00
Mercado São Brás – Belém (PA)
Marcha Unificada dos Movimentos Sociais – Cúpula dos Povos

13h00 – 14h00
Casa Sul Global
Coletiva de Imprensa com lideranças dos movimentos sociais e PCTs

14h00 – 16h00
Zona Verde – Escola de Economia Criativa / Sala Ateliê 02
Lançamento do Documentário “Babaçu Livre: Território, Mulheres e Clima”
Roda de Conversa: As NDCs das Quebradeiras de Coco na Agenda Climática Brasileira
Organizadora: Secretaria-Geral da Presidência da República e Associação do MIQCB

14h30 – 16h30
Zona Verde – Pavilhão do Ministério Público Federal
Mesa: Plataforma de Territórios Tradicionais
Participação: Ednalva e Chica


16 de Novembro (Domingo)

08h00 – 17h00
Feira Popular da Cúpula dos Povos
Participação: MIQCB / CIMQCB

09h00 – 11h00
Local : UFPA
Audiência Pública com o Presidente da COP

10h30 – 12h00
Zona Verde – Pavilhão do Ministério Público Federal
Mesa: Justiça Climática e o Papel das Mulheres na Defesa dos Territórios
Participação: Janete e Franciene.


17 de Novembro (Segunda-feira)

10h00 – 12h00
Local a confirmar
Mesa: Gênero e Adaptação Climática nos Territórios
Participação: Ednalva e Sandra

16h00
Casa ABONG – Associação Brasileira Organizações Não Governamentais
Mesa: Direitos Territoriais

18h30 – 20h00
Casa do BNDES
Mesa: Financiamento para a Justiça Climática

Horário a confirmar
Mesa: Papel dos Fundos Comunitários nos Territórios – Rede de Fundos Comunitários da Amazônia


19 de Novembro (Quarta-feira)

15h00 – 16h30
Zona Verde – Agrizona / Embrapa
Diálogo: Agroindústria e Sociobiodiversidade


21 de Novembro (Sexta-feira)

12h30 – 13h30
Zona Verde
Atividade: Participação Social e Justiça Climática – Contribuições da 5ª Conferência Nacional do MMA

NOTA DE REPÚDIO – MIQCB Cobra Justiça por Quebradeiras de Coco Assassinadas no Estado do Pará

O Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB) manifesta profunda dor, revolta e indignação diante do brutal assassinato das companheiras Antônia Ferreira dos Santos e Marly Viana Barroso, no polo pesqueiro, no município de Novo Repartimento , sudeste do Pará.

As duas quebradeiras de coco saíram para trabalhar na manhã d a segunda-feira, dia 03 de novembro, para coletar coco babaçu — como fazem milhares de mulheres extrativistas na Amazônia e no Cerrado, garantindo o sustento de suas famílias. Foram encontradas sem vida na noite do dia 03 , com sinais de violência brutal.

Trabalhavam honestamente e foram atacadas enquanto exerciam seu ofício tradicional. Foram violentadas, assassinadas e arrancadas de suas famílias, de sua comunidade e da floresta que defendiam. É uma violência cruel que atinge toda a nossa luta, nossa história e nossa dignidade.

Exigimos respostas imediatas – O MIQCB cobra do Governador Helder Barbalho e das Secretarias de Segurança Publica providencias imediatas para pericia e abertura de investigações para elucidação do crime, Secretaria de Estado da Mulher, Secretaria de Estado da Igualdade Racial e Diretora Humanos no apoio às famílias e proteção da comunidade, bem como acompanhamento do Ministério Publico, para a elucidação urgente do crime, com identificação e punição dos responsáveis. Não aceitaremos silêncio nem impunidade.

Esse crime reforça o contexto grave de violência enfrentado pelas quebradeiras de coco babaçu, que sofrem ameaças, expulsões, assédios, criminalização e ataques crescentes em seus territórios.

Nossa luta é pela vida, pelo território e pelo direito de trabalhar com segurança e respeito. Nenhuma mulher pode perder a vida pelo simples fato de buscar o sustento no babaçu.

Nos solidarizamos com as famílias de Antônia e Marly e com toda a comunidade local. Estamos juntas e permaneceremos vigilantes para que este crime não caia no esquecimento.

Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu – MIQCB

Fundo Babaçu celebra 13 anos de conquistas e marca nova etapa com a primeira assinatura de demanda espontânea

Criado pelo Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB), o Fundo celebra 13 anos fortalecendo comunidades tradicionais, apoiando projetos sustentáveis e garantindo que as vozes das mulheres sigam conduzindo o futuro dos babaçuais.

Em 10 de outubro de 2025, o Fundo Babaçu completa 13 anos de existência, reafirmando-se como uma das mais importantes ferramentas de fortalecimento das quebradeiras de coco babaçu e das comunidades tradicionais que vivem e produzem nos territórios de babaçuais.

Criado pelo MIQCB, o Fundo nasceu do desejo de garantir que os recursos cheguem diretamente às mãos das mulheres e comunidades que mantêm vivo o modo de vida nos babaçuais — apoiando iniciativas voltadas à produção sustentável, à conservação ambiental, à autonomia e ao protagonismo feminino.

Desde sua criação, o Fundo Babaçu já apoiou 99 projetos comunitários nos estados do Maranhão, Pará, Tocantins e Piauí, com investimentos que somam mais de R$ 8,3 milhões em recursos não reembolsáveis. Esses projetos envolvem ações de agricultura familiar, extrativismo agroecológico, geração de renda solidária e fortalecimento organizativo, transformando realidades locais e fortalecendo o modo de vida das quebradeiras.

Para Marinalda Rodrigues, coordenadora executiva do MIQCB no Piauí e integrante da Secretaria Executiva do Fundo, a trajetória é motivo de orgulho e esperança:

“O Fundo Babaçu representa muito para nós, quebradeiras. É fruto da nossa luta e da nossa união. Graças a ele, conseguimos fortalecer nossos grupos, melhorar nossa produção e mostrar que é possível viver bem cuidando da floresta. O Fundo é uma ferramenta que nasceu das nossas mãos e continua servindo às nossas necessidades, ajudando a garantir que o babaçu continue livre e que nossas tradições sigam vivas.”

Governança participativa e protagonismo das mulheres

A governança do Fundo é exercida por um Comitê Gestor plural e participativo, formado por representantes das seis regionais do MIQCB, organizações parceiras da sociedade civil, entidades quilombolas, instituições acadêmicas e grupos de agroecologia.

A gestão operacional é conduzida pela Secretaria Executiva do Fundo Babaçu, sob orientação do MIQCB, que assegura o acompanhamento técnico e o diálogo com parceiros estratégicos como o Fundo Amazônia/BNDES, a Fundação Ford e a Tenure Facility.

Para Nilce Cardoso, secretária executiva do Fundo Babaçu, este é um momento de amadurecimento e expansão:

“O Fundo Babaçu se consolida como uma ferramenta estratégica de fortalecimento das comunidades tradicionais e de valorização da sociobiodiversidade, com processos cada vez mais transparentes e centrados na autonomia das mulheres. Em 2025, alcançamos um marco importante: a primeira assinatura de um projeto de demanda espontânea, que amplia a capacidade do Fundo de responder diretamente às necessidades que nascem das próprias comunidades.”

A força das parcerias e o reconhecimento internacional

O reconhecimento ao Fundo Babaçu vem também de seus parceiros históricos, que destacam o pioneirismo do MIQCB ao criar um mecanismo financeiro autônomo, gerido por mulheres de base comunitária.

Segundo Aurélio Vianna, Senior Program Officer e ponto focal para o Brasil da Tenure Facility, o Fundo é símbolo de inovação e resiliência:

“Há 13 anos, as lideranças do MIQCB ousaram. O Fundo Babaçu foi o primeiro fundo criado por um movimento territorial institucionalizado. Construíram, então, seu próprio mecanismo financeiro autônomo, com apoio às organizações de base das mulheres quebradeiras de coco. Completar 13 anos ativo e cumprindo sua missão de apoiar a base do movimento é sinal de resiliência e compromisso. Guerreiras, conseguiram! Longa vida ao Fundo Babaçu!”

A Fundação Ford também reconhece o papel estratégico do Fundo Babaçu no avanço da economia do cuidado e na proteção territorial.

Para Érika Yamada, coordenadora de programas da Fundação Ford Brasil, o Fundo Babaçu é importante em diversos aspectos, mas o destaque está na visão estratégica do MIQCB — entendendo o Fundo como um mecanismo de mobilização das mulheres, de resposta às suas demandas e de avanço na proteção dos territórios e dos direitos coletivos.

“O papel do Fundo, junto à Rede de Fundos Comunitários da Amazônia, é fundamental para fortalecer valores de solidariedade e justiça na distribuição de recursos”, enfatizou.

Já o Fundo Amazônia/BNDES, parceiro de longa data, destaca a legitimidade e a força do MIQCB na condução do mecanismo:

“O apoio a projetos voltados a povos e comunidades tradicionais é uma prioridade do Fundo Amazônia. Reconhecemos no MIQCB um parceiro estratégico, pela legitimidade, articulação e gestão participativa das quebradeiras. Por isso, consideramos essencial a continuidade e ampliação do apoio ao Fundo Babaçu”, destacou Ana Paula Donato, do Departamento de Gestão do Fundo Amazônia, BNDES.

Vozes do território

No chão dos babaçuais, o impacto é concreto. Um dos projetos apoiados recentemente é o “Território tradicional: lugar de liberdade, trabalho, vida e patrimônio cultural”, desenvolvido pela Associação de Mulheres Trabalhadoras do Coco Babaçu (AMTCOB), no território tradicional Santa Rosa, no Piauí — o segundo território de quebradeiras de coco titulado no país.

Para Antônia Almeida, quebradeira de coco, coordenadora de Meio Ambiente da associação e moradora do território, o projeto é símbolo de resistência:

“O projeto Baqueli, por meio do Fundo Babaçu, fortalece as ações das quebradeiras e os nossos direitos sobre o território, o meio ambiente e a cultura. Com o apoio do Fundo, realizamos atividades que geram renda e valorizam o trabalho das mulheres. Ser beneficiária desse projeto é o reconhecimento da nossa identidade e da nossa luta por um território livre, justo e sustentável.”

Outro projeto de grande relevância apoiado pelo Fundo Babaçu foi o da Cooperativa Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (CIMQCB), que adquiriu uma loja virtual, inaugurada em setembro deste ano. O novo site de vendas — maepalmeira.com.br — permitirá que consumidores de todo o país adquiram alimentos, cosméticos e artesanatos diretamente das quebradeiras, ampliando o mercado e garantindo que a renda chegue a quem produz.

“Lançar a loja virtual no Mês das Quebradeiras é motivo de muita alegria para nós. É um dia especial, porque quem compra nossos produtos não leva apenas um alimento ou um artesanato, leva também a nossa história e identidade. Cada compra fortalece a luta pelo território, pelo Babaçu Livre e contribui para a preservação dos babaçuais. Com essa conquista, vamos levar nossa cultura e nossa resistência para todo o Brasil”, destacou Helena Gomes, presidente da cooperativa.

13 anos de impacto e um futuro promissor

Ao longo de sua trajetória, o Fundo Babaçu consolidou-se como uma referência em filantropia comunitária e justiça socioambiental, inspirando outras experiências de financiamento de base no Brasil e na Amazônia.

Hoje, o Fundo integra a Rede de Fundos Comunitários da Amazônia, ampliando o intercâmbio entre experiências e fortalecendo a autonomia local como estratégia de enfrentamento às desigualdades.

Ao celebrar 13 anos, o Fundo Babaçu reafirma seu compromisso com o fortalecimento das quebradeiras de coco, a defesa dos babaçuais e a promoção de um modelo de desenvolvimento sustentável e solidário. Com a nova etapa de demanda espontânea, torna-se ainda mais próximo das comunidades, garantindo que as vozes das mulheres sigam conduzindo o futuro dos babaçuais.

A iniciativa representa um novo passo na autonomia das quebradeiras de coco, permitindo que grupos e associações apresentem e executem seus próprios projetos com apoio do MIQCB, por meio do projeto Baqueli, e recursos do Fundo.

O primeiro contrato foi firmado com as quebradeiras da comunidade Encruza Nova, em Pedro do Rosário (MA), para execução do projeto “Quebradeiras Defensoras dos Babaçuais Fortalecendo Processos Organizativos”, com financiamento do Fundo Babaçu e apoio da Tenure Facility.

Sobre o Fundo Babaçu

Criação: 2012
Iniciativa: Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB)
Área de atuação: Maranhão, Piauí, Tocantins e Pará
Objetivo: Apoiar projetos socioambientais da agricultura familiar, do extrativismo sustentável e do fortalecimento organizativo das comunidades tradicionais.
Princípios: Transparência, autonomia das mulheres, equilíbrio de gênero e gerações, valorização da sociobiodiversidade e fortalecimento comunitário.
Governança: Comitê Gestor com representantes das regionais do MIQCB e parceiros institucionais.
Parcerias: Fundo Amazônia/BNDES, Fundação Ford, Tenure Facility e Rede de Fundos Comunitários da Amazônia.
Marco recente: Primeira assinatura de demanda espontânea, ampliando o protagonismo das comunidades na proposição de projetos.

Oficina fortalece ações do Plano de Proteção, Cuidado e Autocuidado do MIQCB

Nos dias 30 de setembro e 1º de outubro, em São Luís (MA), e 8 e 9 de outubro, em Itaguatins (TO), o Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB) realizou a oficina de Implementação do Plano de Proteção, Cuidado e Autocuidado, reunindo lideranças, coordenações e assessorias de cinco regionais do Movimento.

A atividade teve como foco a implementação do Plano de Proteção, Cuidado e Autocuidado do MIQCB, documento construído coletivamente ao longo de 2024, fruto de um amplo processo de escuta e diálogo com as quebradeiras de coco babaçu dos quatro estados de atuação — Maranhão, Pará, Tocantins e Piauí.

A consultora Mari Vilma Maia destacou que a oficina foi parte de um processo coletivo e contínuo de construção:

“Essa atividade faz parte de um caminho que foi sendo construído com muitas mãos, escutas e vivências. O Plano de Proteção, Cuidado e Autocuidado do MIQCB nasce da realidade das quebradeiras e tem como objetivo fortalecer a segurança, o bem-estar e a sustentabilidade emocional das mulheres e de suas lideranças. É um instrumento vivo, que precisa ser constantemente alimentado pelas práticas cotidianas das regionais.”

Durante os encontros, foram trabalhados os critérios de observação e os caminhos para o processo de escuta das comunidades, territórios e coordenações sobre as temáticas de proteção, cuidado e autocuidado. As participantes refletiram sobre como o cuidado pessoal e coletivo fortalece o movimento e garante a continuidade das lutas históricas das quebradeiras de coco babaçu.

Cartografia do cuidado e partilha de vivências

As oficinas também foram espaços de escuta, acolhimento e troca de experiências entre as regionais. As participantes compartilharam desafios enfrentados no cotidiano e realizaram um exercício de cartografia do cuidado — um mapeamento afetivo das práticas já existentes que expressam o cuidado, a solidariedade e o apoio mútuo entre as quebradeiras.

Para Maria de Fátima, coordenadora executiva da Regional Mearim/Cocais, a oficina fortaleceu os laços internos e reafirmou o sentido do cuidado como prática política:

“Essa oficina foi um momento de muita reflexão e aprendizado. Quando falamos de cuidado e autocuidado, estamos falando de fortalecer nossa caminhada enquanto movimento, porque não há luta sem corpo e sem afeto. Precisamos nos cuidar para continuar firmes, juntas, na defesa dos nossos direitos e dos babaçuais.”

Vitória Balbina, coordenadora executiva da Regional Baixada, destacou a importância do plano como instrumento de transformação coletiva:

“O plano é um passo importante para que as regionais avancem na prática do cuidado. O autocuidado é essencial, mas ele só é possível quando vem acompanhado do cuidado coletivo, da escuta e do apoio mútuo entre as companheiras. Essa oficina nos ajudou a olhar pra dentro e fortalecer nossos vínculos.”

Cuidado como força de resistência

Nas etapas seguintes, realizadas em Itaguatins (TO), participaram representantes das Regionais Tocantins, Pará e Imperatriz (MA). O encontro reforçou o valor do cuidado como forma de resistência e fortalecimento do movimento.

Para Lusenir dos Santos, coordenadora de base do MIQCB e diretora da CIMQCB – Cooperativa Interestadual de Mulheres Quebradeiras de Coco Babaçu, “foram dois dias de oficinas que abordaram o cuidado com si e com o próximo também. Podemos ver que o cuidado com você mesma se dá muito quando você consegue se cuidar e também dar suporte para outras pessoas se cuidarem e ficarem bem.”

A quebradeira de coco e coordenadora de base da Regional Pará, Maria de Fátima, ressaltou o caráter transformador das oficinas:

“Foi uma experiência muito boa nesses dois dias, um aprendizado para podermos ouvir e ser ouvidas. É uma construção muito interessante e muito importante para o movimento.”

Francisca Pereira, coordenadora de base da Regional Tocantins, destacou a importância prática da atividade:

“Estávamos precisando dessa oficina para repensar nossas rotinas. Muitas vezes, a gente não se dá tempo para descansar e se cuidar. Essa oficina abriu nossos olhos para isso: que cuidar da gente é também cuidar das nossas companheiras e da nossa luta.”

Um movimento que cuida e resiste

Os encontros foram marcados por escuta sensível, trocas afetivas e fortalecimento das práticas de autocuidado, reafirmando que o cuidado coletivo é também uma forma de resistência — uma força que mantém viva a luta e a união das quebradeiras de coco babaçu em defesa de seus territórios, de suas vidas e de seus modos de existir.

As atividades são uma realização do MIQCB, com apoio do Fundo ELAS, por meio do projeto “Mulheres e Justiça Ambiental 2025”.

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