
O Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB) participou, nos dias 14 e 15 de outubro, de duas importantes atividades realizadas em Brasília (DF), voltadas à agenda de justiça climática com perspectiva de gênero e povos tradicionais.
No dia 14 de outubro (terça-feira), o MIQCB esteve presente na 4ª Reunião da Comissão Internacional de Comunidades Tradicionais e Afrodescendentes e Agricultura Familiar, realizada no Instituto Rio Branco. Na ocasião, a assessora Sandra Regina Monteiro realizou a entrega da Carta das Quebradeiras de Coco Babaçu à Comissão, com a presença de representantes da Rede de PCTs, do presidente do CNPCT, Sr. Samuel, do Ministério do Meio Ambiente (MMA), do Ministério das Relações Exteriores (MRE) — representado pelo embaixador Marco Túlio Cabral —, do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), da ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, e da ministra dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara.

Já no dia 15 de outubro (quarta-feira), as representantes do MIQCB — a coordenadora executiva da Regional Pará, Cledeneuza Maria Bizerra, e a assessora Sandra Regina Monteiro — participaram do 2º Encontro da Articulação Nacional Mulheres e Clima, promovido pelo Ministério das Mulheres.
Durante o evento, Sandra Regina integrou a mesa “Feminismo Popular, Justiça Climática e Enfrentamento ao Racismo Ambiental: programa político para uma transição justa”, onde destacou as ações pré-COP desenvolvidas pelo MIQCB e apresentou como será a participação da organização na COP30, em Belém (PA), na condição de observadora credenciada pela primeira vez.
O encontro reuniu lideranças de todo o país para construir propostas e fortalecer políticas públicas que promovam a justiça climática com perspectiva de gênero.
As ações, que contaram com apoio do Instituto Clima e Sociedade (ICS), reforçam o protagonismo das mulheres quebradeiras de coco babaçu e de outras organizações da sociedade civil na defesa da justiça climática, dos territórios tradicionais e da preservação dos babaçuais.


O Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB) lançou nesta segunda-feira (13/10) o Termo de Referência para contratação de consultoria especializada responsável por estabelecer um Sistema de Monitoramento do Plano Estratégico Institucional (PEI 2024-2028) e do Plano Operacional Anual (POA 2025), além do acompanhamento dos projetos apoiados pelo Fundo Babaçu.
A iniciativa visa fortalecer a gestão, a transparência e a efetividade das ações do Movimento e do Fundo Babaçu, garantindo um acompanhamento contínuo dos resultados e impactos das atividades desenvolvidas nas seis regionais do MIQCB — Pará, Tocantins, Imperatriz (MA), Mearim-Cocais (MA), Baixada (MA) e Piauí —, além da sede central em São Luís (MA).
O sistema a ser desenvolvido deverá contar com metodologia e fluxos adequados à dinâmica das organizações, com instrumentos de monitoramento simples e acessíveis para as equipes do MIQCB e do Fundo Babaçu. O processo de construção será participativo, envolvendo coordenações regionais, equipe técnica e o Comitê Gestor do Fundo.
O valor máximo previsto para a contratação é de R$ 48 mil, e a seleção será baseada em preço e qualidade. As propostas devem ser enviadas até 30 de outubro de 2025 para o e-mail contratacoes@miqcb.org.br, com o assunto: “Contratação de Consultoria para Estabelecer um Sistema de Monitoramento MIQCB e Fundo Babaçu”.
O resultado final será divulgado em 17 de novembro de 2025, com assinatura do contrato prevista para 27 de novembro. O trabalho deverá ser implementado entre os meses de novembro de 2025 e abril de 2026.
Segue abaixo Termo de Referência completo:

No dia 8 de outubro, uma comitiva formada por quebradeiras de coco babaçu do Maranhão, Pará, Piauí e Tocantins esteve na Câmara dos Deputados, em Brasília, para realizar uma rodada de diálogos de incidência política sobre o Projeto de Lei nº 2334/2015, que trata do livre acesso aos babaçuais, da proteção das palmeiras e do manejo do babaçu.
O projeto, que tramita na forma de um substitutivo originado a partir de diferentes propostas apresentadas por parlamentares do Maranhão e de outros estados, chegou a receber parecer favorável na Comissão de Meio Ambiente. No entanto, as quebradeiras de coco avaliaram que o texto atual não contempla de forma adequada o manejo tradicional do babaçu, que garante a regeneração natural das palmeiras e a preservação da biodiversidade.
Segundo as quebradeiras, o texto em tramitação prevê mecanismos como o plantio de babaçu em larga escala, o que, na prática, empobrece a variabilidade genética da espécie e ameaça o equilíbrio ecológico dos babaçuais. Essa forma de manejo, alertam, pode levar ao uso de agrotóxicos e causar impactos ambientais e socioeconômicos negativos, prejudicando as quebradeiras, as comunidades tradicionais e a própria sustentabilidade da cadeia do babaçu.
Durante a agenda, a comitiva foi recebida pelo relator do projeto, deputado Coronel Crisóstomo (PL/RO), a quem apresentaram suas preocupações e propostas para aprimorar o texto da lei. O parlamentar se comprometeu a analisar as contribuições apresentadas e a considerar a formulação de um substitutivo que valorize o manejo tradicional e reconheça as quebradeiras de coco babaçu como protagonistas da sociobiodiversidade associada à palmeira.
A coordenadora geral do MIQCB, Maria Alaides, destacou a importância desse diálogo direto com o Congresso Nacional:
“Essa ida a Brasília é mais um passo na nossa luta histórica. Nós, quebradeiras de coco, sabemos cuidar do babaçu, sabemos como ele nasce, cresce e se mantém. O que queremos é que a lei reconheça o nosso modo tradicional de manejo como o caminho certo para garantir a vida do babaçu e das comunidades que dele dependem.”
A comitiva contou com a participação de assessorias do movimento interestadual, pesquisadores, pesquisadoras e organizações aliadas, como o Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN), Associação sediada na cidade de Pedreiras -MA e com atuação no Território da Cidadania Médio Mearim Maranhense (ASSEMA) e a Terra de Direitos, além de representantes do Ministério do Desenvolvimento Agrário, por meio da Secretaria de Territórios Tradicionais.
As quebradeiras também dialogaram com parlamentares que integram a Comissão de Meio Ambiente, entre eles o deputado Nilto Tatto e o deputado Ivan Valente, que manifestaram apoio à proposta das quebradeiras caso o relator apresente um novo texto que contemple suas demandas. A deputada Camila Jara, mesmo à distância, também declarou apoio à mobilização e se colocou à disposição para acompanhar o debate.
Para a assessora jurídica do MIQCB, Renata Cordeiro, o momento é estratégico para garantir avanços concretos na legislação.
“É fundamental que o projeto de lei incorpore o conhecimento tradicional das quebradeiras e reconheça o manejo que elas praticam há gerações. A proposta, como está, privilegia um modelo de exploração que pode comprometer a sustentabilidade dos babaçuais. Nossa contribuição busca corrigir isso e construir uma política que valorize a sociobiodiversidade e os direitos dos povos tradicionais.”
A expectativa das quebradeiras é de que o compromisso firmado se concretize e que o novo texto garanta o reconhecimento do manejo tradicional como base para uma política nacional de manejo sustentável do babaçu. A comitiva pretende retornar a Brasília nas próximas semanas para continuar o diálogo com outros deputados e deputadas da Comissão de Meio Ambiente, fortalecendo a defesa do Babaçu Livre como patrimônio das comunidades tradicionais e da natureza brasileira.









Iniciativa do MIQCB fortalece a luta das quebradeiras de coco babaçu, apoia projetos sustentáveis e inaugura nova fase de apoio direto às comunidades.

Em 2025, o Fundo Babaçu completa 13 anos de existência, reafirmando seu papel como uma das principais ferramentas de fortalecimento das quebradeiras de coco babaçu e das comunidades tradicionais que vivem e produzem nos territórios de babaçuais. Criado pelo Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB), o Fundo surgiu para garantir que os recursos cheguem diretamente às comunidades, apoiando iniciativas de produção sustentável, conservação ambiental e autonomia das mulheres.
Apoio às comunidades e fortalecimento das mulheres
Desde sua criação, o Fundo tem apoiado dezenas de projetos comunitários voltados à agricultura familiar, ao extrativismo de base agroecológica e à geração de renda solidária, promovendo o uso sustentável dos babaçuais e a melhoria da qualidade de vida das famílias. Os recursos, de caráter não reembolsável, permitem o desenvolvimento de ações que unem conservação ambiental, fortalecimento organizativo e inclusão produtiva.
Governança participativa e amadurecimento institucional
A governança do Fundo é exercida por um Comitê Gestor, formado por representantes do MIQCB nos estados do Maranhão, Piauí, Tocantins e Pará, além de organizações parceiras da sociedade civil, entidades quilombolas, instituições acadêmicas e grupos de agroecologia. A Secretaria Executiva, sob orientação do MIQCB, conduz a gestão operacional, garantindo a execução das deliberações, o acompanhamento técnico e o diálogo com parceiros como o Fundo Amazônia/BNDES e a Fundação Ford.
Resultados alcançados
Ao longo de 13 anos, o Fundo Babaçu apoiou 99 projetos distribuídos em diversos municípios e regiões dos quatro estados de atuação do MIQCB: Maranhão, Pará, Tocantins e Piauí.
Desse total:
• 93 projetos foram selecionados por meio de 10 editais públicos;
• 4 pela modalidade Carta Convite;
• 1 na modalidade Demanda Espontânea, com novas propostas já em análise.
Os investimentos somam mais de R$ 8,3 milhões, provenientes da Fundação Ford, Fundo Amazônia/BNDES e Tenure Facility.
Compromisso renovado
Ao celebrar 13 anos, o Fundo Babaçu reafirma seu compromisso com o fortalecimento das quebradeiras de coco, a defesa dos babaçuais e a promoção de um modelo de desenvolvimento sustentável e solidário. Com a nova etapa de demanda espontânea, o Fundo se aproxima ainda mais das comunidades, ampliando a autonomia local e garantindo que as vozes das mulheres continuem conduzindo o futuro dos babaçuais.
Sobre o Fundo Babaçu
Criação: 2012
Iniciativa: Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB)
Área de atuação: Maranhão, Piauí, Tocantins e Pará
Objetivo: Apoiar projetos socioambientais de agricultura familiar, extrativismo sustentável e fortalecimento organizativo das comunidades tradicionais dos babaçuais.
Princípios: Transparência, autonomia das mulheres, equilíbrio de gênero e gerações, valorização da sociobiodiversidade e fortalecimento comunitário.
Governança: Comitê Gestor com representantes das quatro regionais do MIQCB e parceiros institucionais.
Parcerias: Fundo Amazônia/BNDES, Fundação Ford, Tenure Facility e Rede de Fundos Comunitários da Amazônia.
Marco recente: Primeira assinatura de demanda espontânea em 2025.
Instituições que compõem o Comitê Gestor do Fundo Babaçu:
Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB)
Centro Cocais (PI)
Associação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas do Maranhão (ACONERUQ-MA)
Associação de Mulheres Trabalhadoras Quebradeiras de Coco (AMTQC-MA)
Associação Agroecológica Tijupá (MA)
Fórum da Juventude de Matinha (MA)
Cartografia Social da Amazônia (PA, MA, PI)
Instituto Amazônico de Agriculturas Familiares da UFPA (INEAF/UFPA)
Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de São Domingos do Araguaia (STTR/PA)
Centro Acadêmico e de Pesquisa da UFMA
Centro Maranhense de Estudos Socioambientais e Assessoria Rural (CEMEAAR-MA)
Alternativas para Pequena Agricultura no Tocantins (APA-TO)
Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Cidelândia (STTR/MA)
Associação em Área de Assentamento do Estado do Maranhão (ASSEMA-MA)
Escola Família Agrícola dos Cocais (EFA Cocais-PI)

Nos dias 5 e 6 de outubro, as Regionais Pará, Imperatriz (MA) e Tocantins do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB) realizaram encontros dedicados ao Plano de Sustentabilidade e Captação de Recursos.
As atividades reuniram coordenadoras regionais, equipe técnica, representantes da Cooperativa Interestadual das Mulheres Quebradeiras de Coco Babaçu (CIMQCB), da Juventude MIQCB e do Centro de Formação das Quebradeiras de Coco Babaçu, promovendo momentos de troca de experiências, escuta e planejamento coletivo.
A Regional Pará realizou sua atividade no dia 5 de outubro, enquanto as Regionais Imperatriz e Tocantins participaram de encontro conjunto no município de São Miguel do Tocantins, no dia 6 deste mês.
As reuniões integram o processo de consultoria conduzido pelo assessor Luís Donádio, que está elaborando um diagnóstico das realidades e necessidades das bases do movimento. O objetivo é construir, de forma participativa, um plano de captação de recursos que fortaleça a sustentabilidade das ações e a autonomia das quebradeiras de coco nos próximos anos.
A programação foi marcada por momentos formativos, dinâmicas e atividades de planejamento, reforçando o compromisso do MIQCB com o fortalecimento de suas lideranças e a sustentabilidade das ações nas comunidades.
As reuniões fazem parte das ações do Projeto Floresta de Babaçu em Pé, apoiado pelo Fundo Amazônia/BNDES, e do Projeto BUILD, apoiado pela Fundação Ford, que vêm contribuindo para o fortalecimento institucional e a autonomia do MIQCB em toda a região dos babaçuais.





Repórter: Tayná Duarte
O Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB) realizou, na Comunidade Juverlândia, em Sítio Novo/TO, o encontro “Juventudes e Quebradeiras: Cooperativismo e Associativismo”, reunindo jovens e mulheres do Maranhão, Pará, Piauí e Tocantins.
A atividade teve como objetivo promover a troca de saberes entre gerações, fortalecer a organização comunitária e incentivar práticas de cooperação e gestão coletiva, fundamentais para o desenvolvimento sustentável das comunidades babaçueiras.
Durante o encontro, foram realizadas rodas de conversa, oficinas e vivências que reforçaram a importância da união, da partilha e da autonomia das quebradeiras de coco babaçu.
A coordenadora executiva da Regional de Imperatriz e secretária de Juventude do MIQCB, Maria José, destacou a relevância do momento:
“Estamos no segundo intercâmbio de jovens e mulheres, o primeiro aconteceu no Piauí e o segundo, aqui em Juverlândia. Estamos falando sobre cooperativismo e associativismo para que os jovens compreendam melhor o funcionamento da cooperativa do MIQCB e também sejam incluídos nesse processo, vendendo produtos como artesanato e biscoitos. Tivemos três oficinas que aproximaram ainda mais os jovens das mulheres, fortalecendo nossa cooperativa.”
Representando a Regional Piauí e integrante da Rede de Comunicadores e Defensores do MIQCB, Antônio José reforçou:
“O intercâmbio é um espaço para dialogar sobre cooperativismo e associativismo, além das oficinas de produção. A juventude precisa estar inserida para fortalecer as quebradeiras de coco e o próprio MIQCB enquanto movimento. É um evento essencial que nos fortalece como jovens e também fortalece as quebradeiras.”
Da Regional Mearim Cocais/MA, Luan também compartilhou suas impressões:
“Pude perceber como o associativismo e o cooperativismo são importantes dentro da produção e valorização do coco babaçu. Foi uma experiência muito proveitosa, com oficinas que nos ajudam a entender mais sobre o trabalho das quebradeiras e a importância da associação nos territórios.”
Já Amanda Xavier, da Regional Tocantins, artesã e integrante da rede de comunicadores, destacou o caráter de troca:
“Esses dias de oficina foram muito ricos. Falar sobre cooperativismo e associativismo foi essencial, e as oficinas de artesanato e biscoitos nos permitiram trocar experiências, ensinar o que já sabemos e aprender com os jovens também.”
Ednalva Ribeiro, vice-coordenadora do MIQCB, Regional Tocantins, descreve:
“O intercâmbio da juventude e das mulheres foi uma troca de experiências muito interessante entre todas as regionais do MIQCB, porque cada uma tem sua forma de trabalho, nem todas atuam com artesanato ou biojoias. Trabalhar o tema do cooperativismo e do associativismo com a juventude é muito importante, pois serve tanto para nós, mulheres que fazemos parte da CIMQCB, quanto para os jovens que puderam compreender o que é uma cooperativa. Essa discussão foi muito rica, e esses dois dias de atividades foram muito bons.”
Bárbara Akróa Gamela, quebradeira de coco, indígena e coordenadora executiva do MIQCB, reforçou o papel transformador do encontro:
“Esse intercâmbio da juventude e das quebradeiras é muito importante para falar sobre cooperativismo e associativismo, porque falar da juventude é um esperançar para o MIQCB. Essa troca de experiências é essencial, é sempre muito bom ter esses momentos de intercâmbio para nos fortalecermos e para que novas lideranças possam surgir nas comunidades.”
O pesquisador Anderson Borges, um dos facilitadores convidados, ressaltou a importância do diálogo entre gerações:
“Estivemos reunidos para discutir o cooperativismo e associativismo, unindo juventude e quebradeiras. A ideia é integrar o conhecimento tradicional das mulheres com as inovações e tecnologias que os jovens trazem, criando um caminho comum que fortaleça a cooperativa e desperte o interesse das juventudes pela continuidade do trabalho com o babaçu.”
A professora e pesquisadora Tássia Curcino, que também facilitou oficinas, contou sobre a metodologia aplicada:
“Realizamos dinâmicas com os jovens e quebradeiras, como a construção de um mural de palavras e uma linha do tempo sobre o papel da juventude no movimento e na cooperativa. Essas atividades trouxeram reflexões sobre desafios e oportunidades dentro da organização.”
O encontro reafirma o protagonismo das juventudes na continuidade das lutas pelo Babaçu Livre, na defesa dos territórios e na construção de um futuro coletivo, solidário e sustentável para as comunidades babaçueiras.






Na última segunda-feira (29/09), o Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB) esteve na comunidade da Vila Tauiry, zona rural de Itupiranga (PA), para participar de uma audiência pública sobre a proposta de derrocamento do Pedral do Lourenção — projeto que prevê a explosão de formações rochosas no rio Tocantins com o objetivo de viabilizar a navegação de embarcações de grande porte pela Hidrovia Araguaia-Tocantins.
A intervenção prevê a explosão de aproximadamente 35 quilômetros do pedral, o que pode causar impactos irreversíveis ao rio, à biodiversidade e aos modos de vida tradicionais das comunidades que dependem do Tocantins para viver.
O encontro, realizado pelo Ministério Público Federal (MPF), reuniu quebradeiras de coco babaçu, pescadoras, representantes de instituições públicas e organizações sociais, que manifestaram preocupação com os impactos da obra sobre o território e o modo de vida das comunidades tradicionais da região.

“Esse projeto da hidrovia vai mudar o curso do rio e trazer muitos prejuízos. As quebradeiras vão perder o acesso às áreas onde colhem o babaçu e os pescadores também vão ser atingidos. É a nossa vida que está em risco, porque a pesca e o babaçu são o sustento das famílias dessa e de várias comunidades ribeirinhas”, declarou Cledeneuza Oliveira, coordenadora executiva do MIQCB Regional Pará.
Deusélia da Silva, nascida e criada na Vila Tauari, destacou que a comunidade nunca foi ouvida sobre as mudanças que estão sendo planejadas:
“Somos quebradeiras e pescadoras. Estamos querendo um posto de saúde, uma delegacia. Nunca nos perguntaram o que queríamos. Não queremos que quebrem a Pedra do Lourenço, porque vamos perder tudo. Aqui é uma bacia, uma riqueza pra nós.”
A preocupação também foi compartilhada por Maria de Sousa, coordenadora de base da regional Pará, que ressaltou o risco que a hidrovia representa para a segurança e a sobrevivência das quebradeiras:
“Com essa hidrovia acontecendo, não temos como passar. Nós pegamos o coco do outro lado, em rabetas, e vamos naufragar por causa das grandes embarcações. Nós sobrevivemos do coco e da pesca, isso não pode acontecer, porque vamos enfraquecer. Nossa comunidade vai sofrer um grande impacto.”
Durante a audiência, as quebradeiras reforçaram a importância de serem incluídas no debate sobre o futuro do território, alertando que qualquer alteração no curso natural do rio afeta diretamente a coleta do babaçu e a pesca artesanal — atividades que sustentam famílias há gerações. Elas defenderam que o desenvolvimento da região deve respeitar os modos de vida tradicionais e garantir a permanência das comunidades nos territórios.



A obra de derrocamento está suspensa desde julho deste ano, após decisão da Justiça Federal, que proibiu o início dos trabalhos e anulou a licença ambiental emitida pelo Ibama, apontando falhas no processo de licenciamento.
“Nossa expectativa é que a decisão da Justiça seja baseada na escuta das comunidades e na correção de todas as irregularidades. O MPF quer garantir que os direitos dessas populações sejam respeitados”, concluiu o procurador Rafael Martins.
Repórter: Sthéfany Gomes | Edição: Claudilene Maia (ASCOM/MIQCB)

A Cooperativa Interestadual das Mulheres Quebradeiras de Coco Babaçu (CIMQCB) está presente na Anuga 2025, maior feira de alimentos e bebidas do mundo, realizada de 4 a 6 de outubro, na cidade de Colônia, Alemanha. A cooperativa participa integrando a delegação do Maranhão, mas representa mulheres quebradeiras de coco dos estados do Maranhão, Pará, Tocantins e Piauí, levando ao público internacional produtos derivados do babaçu, como óleo, azeite e farinha do mesocarpo, que traduzem a riqueza do extrativismo sustentável e o protagonismo das mulheres.
O evento reúne expositores e compradores de mais de 100 países e é considerado a principal vitrine global para tendências de consumo, negócios e inovação no setor de alimentos.
Com o apoio do Governo do Maranhão, por meio da Secretaria de Estado da Agricultura Familiar (SAF), e do Consórcio Nordeste, a CIMQCB apresenta ao mundo a força das quebradeiras de coco babaçu e a importância do babaçu como símbolo de resistência cultural, social e econômica.

Os produtos apresentados chamam atenção pela qualidade, valor nutricional e sustentabilidade, expressando o potencial do babaçu como superalimento e matéria-prima versátil para setores como o alimentício e o cosmético, reforçando a contribuição das mulheres para a economia solidária e o desenvolvimento sustentável.
“Trouxemos o óleo, o azeite e a farinha de babaçu, mostrando essa riqueza e a força das quebradeiras para a Europa. Estar na Anuga é uma oportunidade de abrir novos caminhos, divulgar nossos produtos e fortalecer a luta das mulheres por autonomia econômica e respeito ao seu modo de vida”, destacou Flávia Azeredo, assessora da CIMQCB presente na feira.
A participação da CIMQCB na Anuga ocorre ao lado de outras cooperativas da agricultura familiar maranhense, como a Cooperativa dos Pequenos Produtores Agroextrativistas de Lago do Junco (COPPALJ), que também leva derivados do babaçu e outros produtos típicos do estado.
Segundo o secretário de Estado da Agricultura Familiar, Bira do Pindaré, que acompanha a delegação, a presença maranhense na feira demonstra a força e o potencial da agricultura familiar:
“O Maranhão chega à Anuga para mostrar ao mundo a força da nossa agricultura familiar. O babaçu é símbolo da resistência das mulheres quebradeiras e da diversidade do nosso povo, mas também é um produto de grande valor econômico e social. Essa é uma oportunidade de abrir novos mercados, gerar renda para nossas comunidades e posicionar o Nordeste como referência em alimentos sustentáveis e de qualidade”, afirmou o secretário.
A participação nordestina na Anuga é articulada pelo Consórcio Nordeste, em parceria com a APEX Brasil e o Sebrae Nacional, no âmbito da Câmara Temática da Agricultura Familiar, que une os governos estaduais em prol da valorização e da internacionalização do setor.
Com essa presença, o Maranhão e o Nordeste buscam abrir novos canais comerciais com distribuidores internacionais, redes de comércio justo e o “mercado da saudade”, voltado para brasileiros no exterior. O objetivo é consolidar o posicionamento da região como referência em alimentos sustentáveis, de qualidade e com impacto social, ampliando a presença da agricultura familiar e do extrativismo no cenário global.



Além da feira, a agenda da delegação nordestina inclui uma parada em Lisboa, Portugal, até o dia 9 de outubro, com visitas à Casa Brasiliana e participação em workshops sobre exportação e intercâmbio com cooperativas portuguesas, fortalecendo as conexões e a aprendizagem internacional.
A presença da CIMQCB na Anuga 2025 reafirma o protagonismo das mulheres quebradeiras de coco babaçu como guardiãs da floresta, produtoras de alimentos sustentáveis e empreendedoras populares, que transformam o território em oportunidades e o babaçu em símbolo de autonomia, sustentabilidade e futuro.

Com o tema “Corpo-território, Babaçu Livre: a luta que une mulheres e natureza”, as atividades do Mês das Quebradeiras de Coco Babaçu seguem firmes e potentes na Regional Mearim Cocais, levando conhecimento e fortalecendo a luta das mulheres pelos seus direitos, pelo meio ambiente e pela preservação dos babaçuais.
No dia 25 de setembro a Associação das Quebradeiras de Coco Codó Novo, Travesssa do Sol, em Codó-MA, recebeu uma grande roda de conversa que reuniu quebradeiras de coco, lideranças comunitárias e representantes de instituições públicas para debater temas fundamentais como meio ambiente, mudanças climáticas, leis do Babaçu Livre, políticas públicas, saúde da mulher e enfrentamento à violência.
A programação foi marcada por momentos de partilha, formação e fortalecimento da resistência das mulheres, reafirmando a importância do corpo e do território como espaços de vida, liberdade e luta.



Meio ambiente, REDD+ e riscos para comunidades tradicionais
A roda de conversa iniciou a palestra da coordenadora técnica do MIQCB, Luciene Dias Figueiredo, que abordou os impactos das mudanças climáticas, os projetos de REDD+ e as consequências de contratos abusivos firmados por empresas com comunidades tradicionais.
“Precisamos estar muito atentas a esses projetos que chegam prometendo benefícios, mas que, muitas vezes, colocam em risco nossos modos de vida e nossos territórios. O REDD+ e o crédito de carbono não podem ser instrumentos para tirar a autonomia das comunidades. É fundamental ler os contratos, compreender os termos e garantir que qualquer iniciativa respeite a floresta, as quebradeiras e a liberdade das palmeiras”, alertou Luciene.

Na sequência, a advogada e assessora da Regional, Isabela Mouzinho, apresentou e explicou a Minuta da Lei Babaçu Livre de Codó, destacando a importância das quebradeiras conhecerem e reivindicarem a aprovação da lei no município.
A Lei Babaçu Livre é uma conquista construída com muita luta. Ela garante o acesso aos babaçuais, protege o meio ambiente e assegura o direito das quebradeiras de coco de viver e trabalhar com dignidade.
“Aqui em Codó, essa luta vem de longa data. A minuta da lei já foi entregue cinco vezes à Câmara de Vereadores e ao próprio prefeito, mas até agora seguimos sem resposta. Mesmo diante dessas dificuldades e da negação de direitos, não podemos desanimar. Peço a vocês que não desistam. Nunca podemos deixar de lutar por leis que preservem nossos territórios, nossos modos de vida e a liberdade das palmeiras. Cada município que conquista essa lei fortalece toda a nossa luta coletiva”, ressaltou Isabela Mouzinho, advogada e assessora da Regional Mearim Cocais.



Saúde, direitos e enfrentamento à violência
As discussões também abordaram saúde da mulher, direitos sociais e o enfrentamento à violência, com a participação de equipes do CREAS e CRAS e da Secretaria de Saúde do Município de Codó. As profissionais compartilharam informações e orientações sobre serviços disponíveis, acolhimento e proteção às mulheres.
Celebração da vida e da liberdade

A coordenadora geral do MIQCB, Maria Alaídes, destacou o significado do mês de setembro como um tempo de celebração e resistência:
“Hoje é dia de celebrar a vida — e, pra nós, celebrar é também lutar. Com o tema ‘meu corpo é o território, o território é meu corpo’, reafirmamos que as palmeiras são livres e nós também. Nossa luta é por liberdade, justiça e pela continuidade dos nossos modos de vida. Enquanto houver palmeiras em pé, haverá quebradeiras de coco resistindo.”
A coordenadora executiva da Regional, Maria de Fátima, reforçou o espírito de unidade e alegria das quebradeiras:
“Todo dia é dia das quebradeiras, mas durante o mês de setembro é um prazer especial celebrar juntas. Hoje, aqui em Codó, é um dia de aprendizado, de alegria e de reafirmação da nossa força”, afirmou.
Caminhada em Lago do Junco reforça a luta por babaçuais sem agrotóxicos



As ações da Regional também passaram por Lago do Junco, onde, no Dia Estadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (24/09), o MIQCB e a AMTR uniram esforços em uma caminhada com o tema “Mulheres, resistência e território de vida: babaçuais sem agrotóxicos”.
O ato reuniu mulheres, jovens e comunidades em pontos estratégicos para dialogar sobre os impactos dos agrotóxicos, as mudanças climáticas e os caminhos para fortalecer a agroecologia e a proteção dos babaçuais. O encerramento teve mística com as Encantadeiras e uma grande ciranda celebrando a força e a esperança das quebradeiras.
As atividades da Regional Mearim Cocais mostram que o Mês das Quebradeiras é tempo de celebrar conquistas, mas também de aprofundar o conhecimento e fortalecer a luta por território, justiça e liberdade. Cada roda de conversa, cada caminhada e cada partilha reafirmam que as quebradeiras de coco seguem transformando realidades e defendendo a vida com coragem e sabedoria.







Repórter: Tayná Duarte
Nos dias 30 de setembro e 1º de outubro, o Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB) realizou, no Assentamento Viva Deus, em Imperatriz (MA), a oficina “Círculos de Mulheres: Corpo-território, Babaçu Livre”, em comemoração ao Dia da Quebradeira de Coco.
Durante dois dias, as participantes vivenciaram momentos de escuta, autocuidado e fortalecimento das identidades das mulheres que mantêm viva a tradição do babaçu e a luta por seus territórios.
A coordenadora executiva da Regional de Imperatriz e secretária de Juventude do MIQCB, Maria José, destacou a importância da iniciativa:
“Essa foi a segunda oficina de mulheres falando sobre identidade e autocuidado. Nessa oportunidade, estamos ouvindo as quebradeiras de coco, tentando entender como elas têm a relação com o corpo, o que têm vivido, a importância do coco na vida delas e como elas têm se sentido como quebradeiras de coco.”
Para Rosalva Silva, quebradeira de coco e artesã, o encontro é um espaço de acolhimento e partilha:
“A oficina é um espaço onde podemos olhar para nós mesmas, conversar sobre o cuidado com o nosso corpo e dividir nossas histórias. É um momento de troca que fortalece a caminhada de cada mulher.”
Durante as atividades, Amanda Bona, que foi a facilitadora dos círculos de contação de histórias, utilizando ferramentas da justiça restaurativa, como o objeto da palavra, a criação de valores coletivos e a construção de um espaço seguro para partilhar vivências.
“Estava facilitando nos dois dias, que são círculos de contação de histórias nas quais a gente utiliza algumas ferramentas da justiça restaurativa como o objeto da palavra, a criação de valores para esse espaço e a construção desse espaço seguro para essas contações de histórias tão importantes”, explicou.
A oficina reafirmou a força coletiva das mulheres quebradeiras de coco e a importância de preservar os babaçuais como territórios de vida, resistência e futuro.







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