NOTA DE ESCLARECIMENTO

O Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu-MIQCB, por meio do Fundo Babaçu, comunica que o e-mail cadastrado para recebimento das propostas dos Editais 6 e 7 do Fundo Babaçu, apresentou problema na capacidade de armazenamento. Após a identificação do problema pela equipe do Fundo, foi imediatamente resolvido.

Contudo, visando a lisura do processo dos referidos Editais, a secretaria executiva do Fundo Babaçu orienta as organizações, cooperativas, associações ou Fundações de Apoio que enviaram propostas e receberam mensagem de que a caixa de e-mail estava cheia e ainda não reencaminharam suas propostas, pedimos para:

– Reenviar a proposta para o mesmo e-mail descrito nos Editais (editalfundobabacu@miqcb.org.br) com cópia para: fundobabacu@miqcb.org.br; e auxiliar.fundobabacu@miqcb.org.br, juntamente com um print da mensagem (caixa de entrada do destinatário cheia) ou a mensagem original que indica o dia e horário do primeiro envio. Desta forma, fica comprovado que a proposta foi enviada no prazo exigido pelo edital: 08/08/2023.

Encontro da Rede de Fundos Comunitários da Amazônia integra programação do ‘Diálogos Amazônicos’

Representantes do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu – MIQCB e do Fundo Babaçu participaram do ‘Diálogos Amazônicos’, realizado entre os dias 4 a 06 de agosto, no Hangar Centro de Convenções, em Belém-PA. O evento reuniu representantes de governos pan-amazônicos e da sociedade civil para discutir os problemas e soluções para a maior floresta tropical do planeta: a floresta amazônia.

Durante os três dias foram realizados cinco plenárias organizadas pelo Governo Federal, com ampla participação social, e atividades auto-organizadas pela sociedade civil, academia, centros de pesquisa e agências governamentais. Ao final das plenárias foram gerados relatórios que serão apresentados por cinco representantes da sociedade civil aos líderes dos países amazônicos durante a Cúpula da Amazônia, no dia 9 de agosto.

Como parte da Programação foi realizado, no domingo (06/08), o 3° Encontro da Rede de Fundos Comunitários da Amazônia. O Encontro teve como objetivo dialogar sobre os desafios enfrentados pelos fundos comunitários de apoio aos Povos da Floresta (indígenas, quilombolas, agroextrativistas, agricultores/as familiares e demais comunidades tradicionais) e as perspectivas em torno do fortalecimento destes povos que protagonizam a luta em defesa da Amazônia por justiça socioambiental e climática.

A Rede de Fundos Comunitários da Amazônia integra sete fundos que estiveram representados no encontro (Fundo Babaçu, Fundo Dema, Podáali, Fundo Indígena do Rio Negro (FIRN), Fundo Luzia Dorothy do Espírito Santo, Fundo Mizzi Dudu e Fundo Puxirum).

Maria Alaídes, coordenadora geral do MIQCB, explica que a Rede de Fundos Comunitários da Amazônia é composta por fundos que já estão consolidados e realizaram as primeiras chamadas e/ou outras modalidades de doação e outros que ainda estão em processo de construção. “Nesse sentido, o diálogo e a união com outros movimentos sociais é importante para o fortalecimento das ações para manter a floresta em pé, as águas limpas, as espécies preservadas e o equilíbrio ambiental”, pontuou Maria Alaídes.

Recém-criada, a Rede de Fundos quer fortalecer estes mecanismos que se solidarizam com os movimentos de luta e resistência das mulheres, extrativistas, indígenas, quilombolas, e das populações tradicionais do Norte e Nordeste do país.

No domingo (6/8), a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, discursou no painel “Mudança do clima, agroecologia e as sociobioeconomias da Amazônia: manejo sustentável e os novos modelos de produção para o desenvolvimento regional” ao lado do ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, e das ministras do Meio Ambiente da Colômbia, Susana Muhammad, e do Peru, Albina Ruiz. Marina argumentou que uma nova abordagem é necessária para fazer frente à crise climática e suas consequências.

“Agora é um momento de reconhecermos que vamos precisar de novas palavras, novos paradigmas, novas formas de governar. Reconhecendo o saber milenar das populações tradicionais, estabelecendo um novo ciclo de prosperidade que fortaleça a democracia, que combata as desigualdades, mas que faça isso com sustentabilidade”, discursou ela. “O que nós estamos desestabilizando precisa ser estabilizado em novas bases”.

Na plenária que discutiu: Amazônias Negras, sustentável e bem viver, ao lado da ministra Anielle Franco, Maria do Rosário (MIQCB) falou sobre o racismo ambiental e o que significa Amazônia sustentável.

“Nós mulheres pretas, quebradeiras de coco, quilombolas, indígenas estamos sendo mortas pela ganância. Para que tenhamos uma Amazônia sustentável é necessário garantir o direito a segurança das lideranças que lutam em defesa da vida, da regularização dos territórios e pela preservação da floresta em pé”, declarou.

Carta da rede de Fundos comunitários pela Autonomia da Amazônia:

Na ocasião, os representantes dos fundos que estiveram no encontro apresentaram uma carta, onde reafirmam que os povos das florestas precisam destas ferramentas para garantir sua autonomia. Visto que os fundos comunitários se adequam à realidade destas populações. Diferentemente de outras fontes de financiamento, como bancos que impõe regras para aportar recursos, com cláusulas contratuais menos flexíveis, cujo acesso fica impossibilitado para estas populações.


LEIA CARTA:

Participaram do “Diálogos Amazônicos”: a coordenadora geral do MIQCB, Maria Alaídes, a coordenação da Regional Pará: Jucilene Rodrigues, Roselice Rodrigues, Maria do Carmo Cardoso, Maria de Sousa, Maria de Fátima Rodrigues, bem como as companheiras, Maria do Socorro (Tocantins), Maria do Rosário (Baixada Maranhense) e Luciene Dias Figueiredo (coordenação técnica do MIQCB).


FUNDO BABAÇU – É uma conquista das mulheres do MIQCB. Foi criado em outubro de 2012 e o primeiro edital foi lançado em 2013. Até o momento foram lançados quatro editais com recursos na ordem de mais de meio milhão de reais (R$ 519.274,00 mil), beneficiando 41 organizações com projetos socioambientais nos estados do Maranhão, Piauí, Tocantins e Pará. Hoje, o Fundo é gerido de forma participativa pelo Comitê Gestor do Fundo Babaçu, que envolve 16 organizações parceiras.


Os principais objetivos do Fundo Babaçu é promover e operacionalizar o acesso a recursos de caráter não reembolsável para ações de agricultura e extrativismo de base agroecológica e econômico-solidária; incentivar a conservação da sociobiodiversidade existente nas florestas de babaçu, por meio da ampliação do acesso a fontes de recursos e de políticas públicas; apoiar ações voltadas à segurança alimentar e nutricional e geração de renda, para a melhoria da qualidade de vida de povos e comunidades tradicionais e outras comunidades que vivem em regime de produção familiar nos babaçuais, dentre outros.

CÚPULA DA AMAZÔNIA – Começa nesta terça-feira (8) a Cúpula da Amazônia, evento que reunirá chefes de Estado de países amazônicos para discutir iniciativas para o desenvolvimento sustentável na região. Além do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a cidade de Belém receberá os presidentes da Bolívia, Colômbia, Guiana, do Peru e da Venezuela. Equador e Suriname, por questões internas dos dois países, enviarão representantes.

Um dos objetivos da Cúpula da Amazônia, que terminará na quarta-feira (9), é fortalecer a Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA), organização internacional sediada em Brasília.

A cúpula tem início após a realização dos Diálogos Amazônicos, evento que reuniu representantes de entidades, movimentos sociais, academia, centros de pesquisa e agências governamentais do Brasil e demais países amazônicos com o objetivo de formular sugestões para a reconstrução de políticas públicas sustentáveis para a região. O resultado desses debates será apresentado na forma de propostas aos chefes de Estado durante a cúpula.

15 anos do Fundo Amazônia: Fundos Comunitários Entrega Carta de reivindicações para ministra

Os 15 anos do Fundo Amazônia foram lembrados nesta segunda-feira (07/08) em Belém do Pará. Ministros, representantes estrangeiros e sociedade civil fizeram um balanço do período e falaram das perspectivas para os próximos anos.

Durante a cerimônia, a Rede de Fundos Comunitários da Amazônia entregou para a diretora do BNDES, Tereza Campêlo, a “Carta da Rede de Fundos Comunitários Pela Autonomia dos Povos Da Amazônia”. A Carta foi escrita por representante de sete Fundos: Fundo Babaçu, Fundo Dema, Podáali, Fundo Indígena do Rio Negro (FIRN), Fundo Luzia Dorothy do Espírito Santo, Fundo Mizzi Dudu e Fundo Puxirum.

LEIA A CARTA:

O Fundo Amazônia foi criado em 2008 para arrecadar dinheiro e investir na prevenção, no monitoramento e no combate ao desmatamento na Amazônia Legal, frente às mudanças climáticas. Noruega e Alemanha são os principais doadores, mas outros países, como Estados Unidos, França, também querem participar. A gestão é feita pelo BNDES, o Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social.

Com recursos do Fundo Amazônia, o Fundo Babaçu abriu edital para apoiar projetos socioambientais de quebradeiras de coco babaçu nos estados do Pará, Tocantins e Maranhão. São R$ 1,6 milhão para apoiar até 20 projetos na Amazônia Legal e áreas de babaçuais.

Para o estado do Pará (que não está localizado na área da Amazônia, mas integra o MIQCB), o Fundo Babaçu destinou R$ 220 mil reais para apoiar até 7 projetos socioambientais. O edital conta com apoio financeiro não reembolsável da Fundação Ford. Ao todo, o Fundo babaçu destinou R$ 1.820.000,00 para projetos socioambientais.

Desde 2009, o Fundo Amazônia recebeu aproximadamente R$ 3,3 bilhões em doações, sendo 93,8% provenientes do governo da Noruega, 5,7%, do governo da Alemanha e 0,5%, da Petrobras. Já foram apoiados 102 projetos, que alcançam todos os estados da Amazônia Legal, sendo 6 fora do Bioma, e abrangem desde o suporte a ações estruturantes do Governo Federal (IBAMA, INPE, SFB) até projetos com comunidades tradicionais e indígenas e projetos diretos com governos estaduais da região.

BOLETIM: PROJETO FLORESTA APOIA A REALIZAÇÃODO IX ENCONTRÃO DAS QUEBRADEIRASDE COCO BABAÇU

Entre os dias 12 a 14 de julho de 2023, o Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu(MIQCB) reuniu mais de 300 mulheres e parceiros no IX Encontrão das Quebradeiras de Coco Babaçu, realizado na Escola Manoel Vicente de Sousa, em Augustinópolis-TO. Ricas discussões, cânticos, danças e muita animação marcou toda programação do evento que teve como objetivo reunir as quebradeiras para trocar experiências, debater diversos temas que impactam diretamente o modo de vida dessas mulheres e realizar a eleição da nova coordenação do MIQCB para os próximos quatro anos.

Confira BOLETIM:

Movimento das quebradeiras de coco terá pela primeira vez uma indígena na coordenação Executiva

O Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu-MIQCB terá pela primeira vez uma indígena como coordenadora executiva do Movimento. Bárbara Akroá Gamela é da Aldeia Taquaritiua, localizada no município de Viana-MA e será a coordenadora executiva da Regional Baixada Maranhense nos próximos quatro anos.

A posse ocorreu durante o IX Encontrão das Quebradeiras de Coco Babaçu, realizado entre os dias 12 a 14 de julho, em Augustinópolis-TO. O evento reuniu mais de 300 mulheres e parceiros trocar experiências, debater diversos temas que impactam diretamente o modo de vida dessas mulheres e para realizar a eleição da nova coordenação do MIQCB para os próximos quatro anos.

“Orgulho de ser uma indígena coordenadora do Movimento das quebradeiras de coco babaçu. É uma responsabilidade muito grande, mas me sinto fortalecida para trabalhar junto com as companheiras em busca de melhorias e bem viver nos nossos territórios, na preservação dos nossos babaçuais e da sociobiodiversidade”, reiterou Vitória Balbina.

Ao todo, a Regional Baixada tem quatro coordenadoras eleitas no IX Encontrão. Vitória Valbina (Bárbara Akroá Gamela é coordenadora executiva), Maria Raimunda Costa (coordenadora de base), Maria Natividade Moraes (coordenadora de base) e Girlane Belfort (coordenadora de base).

A programação do IX Encontrão incluiu ainda oficinas, palestras, prestação de contas da gestão e planejamento estratégico 2024 a 2028, feira agroextrativista das quebradeiras e apresentações culturais.

MIQCB- O Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB) está presente em 4 estados: Maranhão, Pará, Piauí e Tocantins. O estado do Maranhão tem três Regionais: Imperatriz, Mearim/Cocais e Baixada Maranhense.

O MIQCB tem como missão organizar as quebradeiras de coco babaçu para que conheçam seus direitos, a fim de promover a autonomia política e econômica em defesa das palmeiras de babaçu, dos territórios, babaçu livre, pelo bem viver nos territórios. A visão de futuro é ser referência, enquanto guardiãs da floresta de babaçu.

Miqcb e Oxfam Brasil ministram oficina sobre Mulheres, Racismo Ambiental e Mudanças Climáticas

Quando falamos em racismo ambiental, estamos questionando como e por que algumas populações sofrem mais as consequências das mudanças climáticas do que outras. Estamos afirmando que as desigualdades socioeconômicas são acentuadas com a crise climática e que são as populações periféricas e de baixa renda, em sua maioria negras, que enfrentam as piores consequências dos eventos climáticos extremos, como chuvas excessivas ou secas severas.

Nesse sentido, o Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu-MIQCB e a Oxfam Brasil realizaram oficina sobre Mulheres, Racismo Ambiental e Mudanças Climáticas durante o IX Encontrão das quebradeiras ocorrido entre os dias 12 a 14 de julho, em Augustinípolis-TO. Sandra Regina, coordenadora de projetos do Miqcb e Tauá Pires, coordenadora de Justiça Racial e de gênero da OXFAM Brasil conduziram os trabalhos.

Durante a oficinas as mulheres quebradeiras de coco babaçu relataram situações que caracterizaram fortemente o racismo ambiental nos territórios tradicionais. Foi relatado situações onde “lideranças na Baixada Maranhense sofrem ameaças de morte por lutar pela regularização de território quilombola, preservação dos campos naturais e a preservação dos babaçuais. Essas lideranças são obrigadas a deixar suas casas, seu modo de vida e seu território para viver em programa de proteção do Governo”, contou Rosa Gregória, quebradeira de coco da Regional Baixada Maranhense.

Ao longo da apresentação na Plenária, Tauá destacou algumas situações relatadas pelas mulheres durante a oficina. “Numa situação de enchente quem é mais prejudicado? São as casas ricas? Os condomínios? Com certeza a resposta é não. Os mais afetados pelas mudanças climáticas são as pessoas vulneráveis, as comunidades tradicionais e as pessoas não brancas. Isso tem a ver com mudanças climáticas e racismo ambiental”, pontuou Tauá.

Parceria – A oficina Mulheres, Racismo Ambiental e Mudanças Climáticas faz parte do projeto intitulado “Das Nices e Dijés — Mulheres das águas, do campo e da floresta”, idealizado pela Oxfam Brasil, em parceria com as organizações MIQCB, Coordenação Nacional de Articulação de Quilombos (Conaq) e Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CNS). A iniciativa busca dar visibilidade as mulheres da Amazônia e visa ampliar o espaço as lideranças femininas que lutam por questões de justiça de gênero.

Nesse sentido, a intenção do projeto é inserir quilombolas, extrativistas, quebradeiras de coco, babaçu e indígenas — que muitas vezes se tratam de mulheres negras e não brancas —, em mesas de negociação nacionais e internacionais de modo que essas mulheres tenham suas vozes reconhecidas e ouvidas em espaços de tomada de decisões e poder.

No Miqcb, Sandra Regina coordena o projeto “Das Nices e Dijés”. Durante a apresentação ela destacou que o Brasil precisa avançar urgentemente na construção e implementação de políticas públicas sociais e de infraestrutura que considerem as mudanças climáticas e o racismo ambiental – que é aquele que ocorre quando, por ação ou omissão, o poder público, instituições ou empresas negligenciam as condições de risco de vida das populações de baixa renda, em sua maioria negras, que se encontram em áreas de risco de desastres ambientais.

“Políticas como as de ordenamento territorial, regularização fundiária, construção de moradias dignas e prevenção de desastres ambientais têm que priorizar as comunidades mais vulneráveis”, finalizou.

Durante o IX Encontrão das Quebradeiras de Coco Babaçu, Tauá falou da importância de participar do evento destacou a parceria com o MIQCB.

“Para a Oxfam Brasil é um prazer está participando do IX Encontrão das quebradeiras de coco. Primeiro porque existe uma aposta muito grande que essa sociedade que a gente está almejando, seja uma sociedade mais justa, mais igualitária, mais solidária, menos desigual, depende desse tipo de mobilização que naturalmente é feito pela forma como as quebradeiras de coco se organizam e pensam esse futuro no tempo presente. Então fortalecer organizações como o Miqcb pra gente é muito importante porque o tema das mudanças e justiças climáticas é urgente para todo mundo. Então a ação das quebradeiras de coco babaçu, a forma como é feito o manejo sustentável é muito importante para esse discursão global”, declarou.

MIQCB divulga Editais do Fundo Babaçu no IX Encontrão das quebradeiras de coco

Os dois Editais do Fundo Babaçu na ordem de R$ 1.820.000, lançado pelo Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu-MIQCB, foi divulgado no IX Encontrão das Quebradeiras de Coco Babaçu, realizado entre os dias 12 a 14 de julho, em Augustinópolis – TO. Durante o evento foi montado um espaço onde a secretária do Fundo Babaçu, Maria Carolina Sampaio, esclareceu dúvidas sobre os editais para os participantes e organizações que estavam no evento.

Os Editais visam apoiar projetos socioambientais de associações, cooperativas ou fundações que atuam em comunidades agroextrativistas de quebradeiras de coco babaçu, com ações de combate ao desmatamento e preservação dos babaçuais. As inscrições se estendem até o dia 8 de agosto de 2023 e os editais estão disponíveis no site do MIQCB: https://www. miqcb.org/

O edital na ordem de R$ 1,6 mi conta com apoio financeiro do Fundo Amazônia, gerido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Durante o IX Encontrão, Cleber zambarda, gestor do Fundo Amazônia e Cláudia Nessi, gerente de projetos do BNDES prestigiaram o evento.

“Participar desse evento é uma alegria, privilégio não só porque o evento é de extrema importância para o MIQCB, mas porque representa o momento de retomada do projeto floresta de babaçu em pé, que conta com o apoio do Fundo Amazônia. Uma iniciativa muito importante, não só para a preservação dos babaçuais e da Amazônia, mas também para o empoderamento de mulheres agroextrativistas que vivem a partir da floresta”, declarou Cleber zambarda.

Cleber relembrou a parceria do Fundo Amazônia com o Miqcb na execução do projeto Floresta de Babaçu em Pé. O projeto tem como objetivo principal apoiar o Fundo Babaçu para seleção e apoio de projetos socioambientais derivados de organizações agroextrativistas nos estados do Maranhão, Tocantins e Pará.

Vale destacar que o Projeto é direcionado para comunidades tradicionais de mulheres quebradeiras de coco babaçu, que historicamente têm na coleta e quebra do babaçu sua fonte de renda e que, desse modo, dependem da Floresta em Pé para preservar modos próprios de criar, de fazer e de viver.

FUNDO BABAÇU – O objetivo do Fundo Babaçu é contribuir para autonomia e qualidade de vida das quebradeiras de coco babaçu e suas comunidades tradicionais, com a conservação da biodiversidade existente nas florestas de babaçu, por meio da ampliação do seu acesso a fontes de recursos e promoção do fortalecimento das organizações de base comunitária a partir do desenvolvimento de capacidades em gestão de projetos socioambientais, nos estados do Pará, Piauí, Tocantins e Maranhão situadas em regiões de babaçuais.

Corpos e territórios livres é tema do 14º Encontrão da Teia dos Povos e Comunidades Tradicionais-MA

Nos dias 20 a 25 de julho, a Teia dos Povos e Comunidades do Maranhão realizou o seu 14º Encontrão, na Comunidade Quilombola Bica, Território Quilombola Aldeia Velha, Pirapemas-MA. O Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu-MIQCB das Regionais Imperatriz, Mearim e Baixada Maranhense, integra a Teia e participou da ação. O 14º Encontrão discutiu a temática: “Com corpos e territórios livres, tecemos o Bem Viver”.

Ao som de cantos, tambores e maracás, pés quilombolas, indígenas, sertanejos, quebradeiras de coco, pescadores artesanais, sertanejos, camponeses e demais aliados tecem uma luta coletiva em defesa dos territórios livres.

No início da manhã do primeiro dia, as quebradeiras de coco do Miqcb fizeram uma mística e denunciaram as graves violências e agressões que enfrentam por causa do agronegócio e toda a logística do capital dentro das comunidades, um modelo que tem matado palmeiras, pessoas e animais.

Ao longo da programação os participantes debateram sobre várias formas de violências: físicas, psicológicas, de gênero, machismo, lgbtfoobia e feminicídio dentro dos territórios. A programação seguiu com pautas pela defesa da sociobiodiversidade, dos biomas, dos saberes tradicionais, da soberania e segurança alimentar, pelo respeito aos corpos e territórios sagrados e ancestrais e no fortalecimento da articulação autônoma e coletiva. Com trocas de relatos, experiências e sementes.

“O 14º Encontrão da Teia foi um momento de partilha de saberes. Nos unimos com vários companheiros e companheiras para falarmos de luta pela vida e resistência por corpos e territórios livres, pois só com corpos e territórios livres, tecemos o bem viver”, destacou Rosa Gregória, quebradeira de coco babaçu da Regional Baixada Maranhense.

Território Quilombola Aldeia Velha – Formada por 11 comunidades e atravessada pela estrada de ferro da Transnordestina, desde a década de 70, o Território Quilombola Aldeia Velha tem um histórico de esbulho, grilagem e expulsão de suas terras, diante da chegada de fazendeiros de pecuária. As famílias que vivem no território relatam diversas situações de queimadas, matanças de animais, cercamento de áreas de uso comum e envenenamento das águas, pulverização de inseticidas e destruição de mata nativa. As comunidades lutam pela defesa e permanência no território, com um forte protagonismo das mulheres.

Tem Floresta em Pé, Tem Mulher: campanha mostra papel da mulher na preservação ambiental

Oxfam Brasil, em parceria com as organizações MIQCB, CNS e Conaq, lança movimento para a promoção de lideranças femininas que cuidam das matas, dos rios e das pessoas na Amazônia.

A Oxfam Brasil, em parceria com as organizações Movimento Interestadual De Mulheres Quebradeiras De Coco Babaçu (MIQCB), Coordenação Nacional de Articulação de Quilombos (Conaq) e Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CNS), lança neste dia 25 de julho, Dia Internacional da Mulher Negra Latino-americana e Caribenha, a campanha Tem Floresta em Pé, Tem Mulher, com o intuito de dar visibilidade às lideranças femininas que fazem a diferença na proteção e preservação dos territórios e meio ambiente das florestas.

Com as ações da campanha, queremos tirar do anonimato os modos de vida dessas mulheres, convidando a sociedade a valorizar seu papel fundamental no fortalecimento de povos tradicionais, assim como na preservação dos territórios onde residem suas famílias. Ao cuidarem de áreas ambientais, elas também garantem a manutenção da sociobiodiversidade brasileira.

“As mulheres estão na linha de frente da preservação ambiental e dos direitos humanos nessas localidades, mas seu trabalho é pouco reconhecido”, afirma Bárbara Barboza, da Oxfam Brasil. “Elas são lideranças no movimento social e têm um papel central nas práticas de manejo e defesa dos seus territórios, mas são desconsideradas quando é preciso decidir sobre o uso dos recursos naturais.”

Assista o vídeo da campanha:

Preservação e luta

O extrativismo vegetal é indispensável na cultura do babaçu, um fruto nativo que depende da floresta em pé e de sua rica biodiversidade, fundamental também para a estabilidade climática do planeta. As quebradeiras de coco babaçu se auto denominam como guardiãs da Floresta porque diariamente lutam pela preservação dos babaçuais, pela manutenção dos modos de vida tradicional e pela floresta em pé.

A luta pela terra, pelos recursos naturais e contra as alterações climáticas é a luta pela própria existência. “Nossa liderança mantém viva a nossa luta!”, diz Maria Alaídes de Sousa, coordenadora geral do MIQCB.

Um exemplo sobre a importância das mulheres nessas comunidades é o fato de elas serem as responsáveis pela preservação das sementes e manutenção da variedade de espécies cultivadas: seus quintais são fontes complementares de alimentação e de medicamentos naturais.

“O mercado acha que na Amazônia só tem fauna e flora, mas na floresta também tem gente. É preciso dar rosto e voz às populações tradicionais, sejam elas quilombolas, indígenas ou extrativistas”, explica Érica Monteiro, da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq) na Região Norte.

Guardiães da biodiversidade

Os canais de comunicação da Oxfam Brasil e das organizações parceiras também vão denunciar a perseguição sofrida por essas guardiãs da biodiversidade, que são ameaçadas apenas pelo fato de cuidarem de suas famílias e de seus territórios. “O mundo todo almeja a floresta Amazônica em pé, mas nós pagamos um preço muito alto para isso, muitas vezes com a própria vida”, lembra Érica.

“A intenção da campanha é fazer com que a sociedade civil se sinta convocada a compartilhar, em suas próprias redes sociais, materiais sobre a luta dessas mulheres”, diz Bárbara, da Oxfam Brasil. “Na floresta, elas criam seus filhos, produzem alimentos e transmitem conhecimentos que são passados entre gerações. O cuidado com o ambiente onde vivem garante a sobrevivência de todos nós.”

Texto: Oxfam Brasil

Miqcb elege nova coordenação no IX Encontrão das Quebradeiras de Coco Babaçu

Entre os dias 12 a 14 de julho de 2023, o Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu-MIQCB reuniu mais de 300 mulheres e parceiros no IX Encontrão das Quebradeiras de Coco Babaçu, realizado na Escola Manoel Vicente de Sousa, em Augustinópolis-TO. Cânticos, danças e muita animação marcou o evento que teve como objetivo trocar experiências, debater diversos temas que impactam diretamente o modo de vida dessas mulheres e para realizar a eleição da nova coordenação do MIQCB para os próximos quatro anos.

A coordenadora geral do Miqcb, Maria Alaídes falou da importância do IX Encontrão para as quebradeiras de coco babaçu dos estados do Maranhão, Pará, Tocantins e Piauí.

“Estamos aqui neste momento expressando nossa alegria e nosso agradecimento a todas as Regionais do MIQCB que colocaram suas mãos enquanto construtora desse grande evento aqui no Tocantins. Nós enquanto quebradeiras de coco babaçu estamos assumindo a nossa identidade, a nossa missão, discutindo pontos relevantes como: racismo ambiental, cultural, institucional, produção, comercialização, educação contextualizada, a institucionalidade deste grande movimento e outras temáticas”, frisou.

A programação incluiu oficinas, palestras, prestação de contas da gestão e planejamento estratégico 2024 a 2028, feira agroextrativista das quebradeiras e a eleição da nova coordenação do MIQCB para os próximos quatro anos.

Para a coordenação geral, Maria Alaídes foi reconduzida ao cargo para mais quatro anos. Assumem a coordenação executiva as companheiras: Maria Ednalva Ribeiro (Regional Tocantins e vice- coordenadora), Cledeneuza Maria Bizerra Oliveira (Regional Pará), Marinalda Rodrigues da Silva (Regional Piauí), Vitoria Balbina Torres Mendonça (Regional Baixada Maranhense), Maria José Silva (Regional Imperatriz), Maria de Fátima da Silva Almeida (Regional Mearim/Cocais).

Confira abaixo a nova coordenação:

Um dos destaques do evento foi a feira de produtos agroextrativista das quebradeiras de coco babaçu. Em apenas seis horas de comercialização na Feira Agroecológica das quebradeiras de coco babaçu, foram movimentados mais de R$ 5.000,00 mil reais em vendas. Foram comercializados azeite, óleo, biscoito, mesocarpo, artesanato e outros produtos do Babaçu.

É um prazer muito grande está aqui com as cooperadas da CIMQCB- Cooperativa Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu, que além de estar participando do IX Encontrão estão também vendendo seus produtos para os participantes, para os convidados, parceiros e para as famílias daqui de Augustinópolis”, declarou Maria de Fátima, diretora financeira da CIMQCB.

A quebradeira de coco Ednalva Ribeiro, que foi eleita para coordenadora executiva da Regional Tocantins e vice-coordenadora do Miqcb, falou sobre as responsabilidades na continuidade dos trabalhos na nova gestão. “Trabalhar unido com todas as Regionais Pará, Piauí, Tocantins e Maranhão, organizando o Movimento, as quebradeiras juntamente com vários movimentos de povos e comunidades tradicionais. Estamos aí para trabalhar em conjunto”, afirmou.

A Regional Baixada Maranhense terá a primeira indígena como coordenadora executiva. “Orgulho de ser uma indígena coordenadora do Movimento das quebradeiras de coco babaçu. É uma responsabilidade muito grande, mas me sinto fortalecida para trabalhar junto com as companheiras em busca de melhorias e bem viver nos nossos territórios, na preservação dos nossos babaçuais e da sociobiodiversidade”, reiterou Vitória Balbina.

Durante a programação foi entregue a carta política do IX Encontrão Interestadual Das Quebradeiras De Coco Babaçu para Ana Carolina, coordenadora geral da subsecretaria de Mulheres Rurais do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar – MDA, Vânia Maramaudo, chefe de gabinete do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária – Incra Nacional; Aurielly Painkow, representante do Governo do Estado do Tocantins, Concita da Pindoba, vice-presidente do Conselho Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional do Maranhão- Consea-MA.

Leia a carta

“Estamos recebendo a pauta de reivindicações das mulheres sobre o território, sobre o bem viver das quebradeiras, acesso ao crédito, acesso a mercados e escoação dos produtos. Então a gente está aqui para somar esforços para levar essa carta para Brasília para a subsecretária e para o Ministro do MDA”, destacou Ana Carolina, coordenadora geral da subsecretaria de Mulheres Rurais do MDA.

Representando o Governo do Tocantins, Aurielly Painkow disse: “vim receber das mãos dessas mulheres guerreiras, uma carta de proposituras onde a gente vai levar ao Governo do Estado do Tocantins na busca de atender algumas dessas reivindicações ou pautar isso nas políticas públicas do estado”, finalizou.

O Consea-MA contribuiu no Encontrão não só como participante, mas incluído no processo. “O Consea-MA foi membro da Comissão eleitoral que está elegendo a nova coordenação do MIQCB para os próximos quatro anos, participamos das atividades e também da mesa política deste grande evento”, concluiu Concita da Pindoba, vice-presidente do Consea-MA.

O Encontrão contou ainda com a participação de dois grandes apoiadores do Miqcb: a coordenadora de Justiça Racial e de gênero da OXFAM Brasil, Tauá Pires e Cleber zambarda, gestor do Fundo Amazônia que é gerido pelo BNDES – Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social.

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