“Onde houver ódio, que eu leve amor”: Movimento Interestadual de Quebradeiras de Coco Babaçu é Lula!

Nos levantamos nos anos 1990 para lutar contra a grilagem de terras públicas, contra a violência em nossos corpos, contra o abandono do Estado com nossas filhas e filhos e a destruição de nossas matas pelos megaprojetos de exploração das riquezas do país. Conquistamos, “na lei e na marra” políticas de garantia da vida humana e da natureza, sobretudo nos 2000 a 2010, e assistimos, desde 2016, a intensa destruição dos direitos conquistados com a consolidação de uma política de morte, no governo Bolsonaro, com cortes na ordem de 94% do orçamento para a política de enfretamento à violência contra a mulher e de 97% em programas para aquisição de alimentos e 35% do orçamento para políticas ambientais.

Entendemos que as eleições de 2022 nos coloca diante de projetos bem distintos de sociedade e exige de nós posicionamento firme em defesa da vida com dignidade, diversidade e da democracia.

No lugar de armas nas mãos de feminicidas, racistas, lgbtfóbicos, milícias e jagunços; queremos política para direitos das mulheres e diversidade, livros e educação do campo.

No lugar de sigilo e notícias falsas; queremos transparência e acesso às informações públicas.

No lugar de perder mais de 600 mil pessoas para o vírus e para a negação da vacina e de oxigênio pelo governo federal a pais e mães de família que partiram deixando mais de 113 mil crianças órfãs; queremos um SUS que chegue a cada bairro e comunidade do campo e da cidade e política de desenvolvimento humano e seguridade fundamentadas na proteção social.

No lugar da militarização da vida e da política; queremos o fortalecimento da participação popular, sobretudo das mulheres, e da autonomia dos povos tradicionais.

No lugar do desprezo à ciência e ao conhecimento; queremos universidade pública, democrática, gratuita e universal.

No lugar do agronegócio e da omissão diante da fome de mais de 33 milhões de brasileiras e brasileiros; queremos investimento público para soberania alimentar e nutricional, para agricultura familiar, com alimento sem veneno na escola vindo da agroecologia, do extrativismo tradicional e da economia solidária.

No lugar da perseguição e extermínio impune de defensores e defensoras de direitos; queremos prioridade no orçamento para políticas de reforma agrária, titulação e demarcação de territórios originários e tradicionais.

No lugar de recordes de grilagem e de desmatamento e queimadas da Amazônia e Cerrado; queremos combate aos Crimes Ambientais, proteção para nossas matas, mares e rios e livre acesso aos povos e comunidades tradicionais que neles vivem como guardiães e garantem a vida no planeta.

Onde houver desespero, que eu leve esperança, e por esperançar um Brasil em que lutar e viver não sejam crimes é que somos Lula 13 Presidente!

Movimento Interestadual de Quebradeiras de Coco Babaçu

MIQCB participa de atividade do Dia do Cerrado, no território na Chapada dos Veadeiros, em Goiás

Entre os dias 8 a 10 de setembro a coordenadora geral do Miqcb, Maria Alaídes participou do Festival Ilumine, na Aldeia Multiétnica, que é um território na Chapada dos Veadeiros, em Goiás. Um espaço dedicado ao fortalecimento das culturas e lutas políticas dos povos indígenas e quilombolas, com princípios de preservação, promoção e acesso ao patrimônio material e imaterial brasileiros. O Festival é um evento musical e cultural com uma programação eclética e reflexiva sobre o ser humano e o mundo à sua volta, com shows, danças, yoga, vivências e debates construtivos. A Programação fez parte das comemorações do Dia do Cerrado, celebrado em 11 de setembro.

Nesse período, vários povos indígenas se reúnem para apresentar seus saberes, modos de fazer e usos e costumes de diversas maneiras (cantos, dança, gastronomia, pinturas corporais, arte); compartilhar as lutas por seus direitos originários e para manter suas culturas e territórios tradicionais; e debater com indígenas e não-indígenas as temáticas a respeito da realidade nas aldeias, por meio de rodas de conversa e da convivência diária com os participantes.

A coordenadora geral do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu – Miqcb, Maria Alaides participou do evento e representou as quebradeiras dos Estados do Maranhão, Piauí, Pará e Tocantins durante o evento.

“As quebradeiras de coco babaçu são mulheres que estão na Amazônia, no Cerrado e em outros biomas, é por isso que estamos aqui, para somar com esse grande movimento em favor e em defesa do cerrado. Acreditamos na força e na união dos movimentos sociais de vários segmentos que estão aqui para lutar contra as agressões e malefícios ocasionados pelo agronegócio que está poluindo nossas águas, nossos alimentos, afetando a segurança alimentar das nossas famílias e ameaçando nossos territórios. Então, esse dia demonstrou a potência do Cerrado e a urgência em chamar cada vez mais a atenção para as necessidades do bioma, com políticas que olhem para o combate ao desmatamento e incentivem a produção sustentável da sua sociobiodiversidade”, destacou, Maria Alaídes.

Um dos destaques do evento foi a tradicional corrida de tora realizada no dia 11 de setembro, às 10h, pelos indígenas das etnias Xavante e Timbira. Essa tradição é realizada há mais de 20 anos e simboliza um manifesto político-cultural dos povos originários em defesa de seus territórios. O ato foi a abertura do Dia do Cerrado no Eixão de Brasília, organizado pela Rede Cerrado e diversas organizações socioambientais que fazem parte do coletivo.

Emicida, Luedji Luna, Marcelo Rosenbaum, Alê Luglio, Carolina Nocetti, foram alguns dos artistas que ajudaram a dar voz em defesa do cerrado.

O Cerrado

O bioma de árvores de raízes profundas está em 15 estados brasileiros, em 22% do território nacional e alimenta oito das 12 grandes bacias hidrográficas brasileiras. Especialistas explicam que a vegetação do Cerrado absorve a água da chuva e a deposita em reservas subterrâneas, os aquíferos. Por isso, ele é considerado o berço das águas. Sua flora possui mais de 12,3 mil espécies de plantas e sua fauna abriga cerca de 30% de toda a diversidade brasileira. Além da biodiversidade, o cerrado abriga diversos povos e comunidades tradicionais, que incluem quilombolas, indígenas, agricultores familiares, com uma rica tradição de convivência sustentável com a natureza.

Crédito das fotos: Mele Dornelas/Acervo ISPN

Ex-presidente Lula visita casarão das quebradeiras de coco babaçu, no Maranhão

Em passagem pelo Maranhão, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva dialogou com as quebradeiras de coco babaçu do Maranhão, do Tocantins e do Piauí na manhã deste sábado (03/09), em São Luís (MA). O encontro aconteceu no Casarão “Casa Palmeira de Babaçu Dada e Dijé”, sede do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB), localizada na Rua da Palma, Centro histórico de São Luís-MA.

As mulheres recepcionaram o Lula e sua comitiva com muitas palmas e cânticos. Em seguida elas apresentaram suas principais demandas como: criação do Ministério dos Povos Indígenas e das Comunidades Tradicionais, volta da autonomia dos conselhos (Conselho Nacional dos Povos e Comunidades Tradicionais –CNPCTS e Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional – CONSEA); fortalecimento de projetos produtivos para as mulheres rurais e da economia solidária; acesso as compras públicas como o PAA e o PNAE, bem como, a criação e revitalização de agroindústrias de babaçu; ações de combate a violências contra mulheres e crianças; regularização fundiária dos territórios tradicionais; punição para violações ao meio ambiente; fortalecimento das leis de preservação aos babaçuais.

A coordenadora geral do MIQCB, Maria Alaídes Alves, relatou os entraves criados pelo atual governo, lembrou insensibilidade de Bolsonaro com a Covid-19, listou prioridades de políticas de crédito, manutenção da agricultura familiar e continuidade da regularização fundiária e disse sentir falta dos tempos de Lula, quando todas viviam com bem-estar.

“Queremos dizer: ‘volta Lula!’ porque precisamos de territórios regularizados, de acesso livre aos babaçuais, de educação no campo de qualidade e contextualizada. Queremos dizer: ‘volta Lula!’ porque precisamos do SUS, do fortalecimento das políticas públicas, das políticas de créditos, do fortalecimento da agricultura familiar, da segurança alimentar e da produção agroecológica”, declarou, Maria Alaides.

Ao longo do diálogo as mulheres destacaram as problemáticas e violações de direitos enfrentadas pelas quebradeiras de coco e contaram sobre seu dia a dia na execução de suas atividades da quebra do coco. Elas destacaram ainda a importância do coco babaçu e a infinidade de produtos que podem ser extraídos como: azeite, óleo, mesocarpo, sabonetes, artesanatos e muitos outros.

Em relato emocionante, dona Emília, coordenadora executiva do Miqcb da Regional Tocantins, relatou sobre suas dificuldades e lembrou os tempos do governo Lula, quando as pessoas tinham o que comer e os jovens podiam sonhar com a universidade.

“Hoje, só faz faculdade os filhos de quem tem condições. Os nossos, a gente não pode pagar. A gente paga o primeiro mês, o segundo, terceiro, quarto e o quinto já não pode mais. Vai aumentando, aumentando, e a gente não tem condições de pagar”, disse, destacando também que tem muita gente sem ter o que colocar na panela. “O povo está passando fome. Muita gente não sabe o que é mais comer um pedaço de carne, que aumentou demais”.

Após ouvir os relatos de reconhecimento de feitos de seus governos, o ex-presidente disse às mulheres que o sentido da política é melhorar a vida das pessoas e que ele quer voltar à Presidência para ver se consegue, outra vez, viabilizar um salto de qualidade na vida dos mais pobres. “A gente quer voltar porque é preciso recuperar a dignidade do ser humano nesse país.”

Lula disse que, se ganhar as eleições, vai convidar as quebradeiras de coco para uma reunião em Brasília para que ajudem na definição das políticas, formalizando o que desejam. “Esse é o sentido da política: a gente fazer com que as pessoas melhorem de vida. Nós não queremos tirar nada de ninguém, o que eu quero é que todo mundo tenha direito ao mínimo necessário. Direito ao respeito, direito ao trabalho, direito ao salário, direito a uma casa”.

Na ocasião, o ex-presidente assumiu o compromisso de criar o Ministério da Mulher, de garantir fortalecimento de cooperativas de crédito e produção para melhorar as condições de milhares de famílias que dependem do babaçu para sobreviver.

“A gente vai fortalecer as cooperativas, as cooperativas de crédito, as cooperativas de produção. A gente vai garantir que as pessoas tenham preço mínimo. A gente vai voltar a criar o PAA (Programa de Aquisição de Alimentos), o PNAE (Programa Nacional de Alimentação Escolar) e vai criar outros programas porque, se a gente não fizer essa revolução, não tem sentido voltar”.

Além da coordenadora geral do MIQCB, Maria Alaídes e a vice coordenadora, Helena Gomes, participaram do diálogo com Lula, coordenadoras da Regional Piauí, Klesia Lima e Marinalda Rodrigues; da Baixada Maranhenses, Maria Antônia (coordenadora executiva) e Maria do Rosário (presidente da cooperativa CIMQCB); da Regional Tocantins, Emília Alves (coordenadora executiva); da Regional Mearim/Cocais, Maria de Fatima (coordenadora executiva); da Regional Imperatriz, Eunice da Conceição (coordenadora executiva).

Veja como foi a visita do Lula no casarão das quebradeiras de coco babaçu: https://www.youtube.com/watch?v=uRQZPa0ryKY&t=2575s

Miqcb participa de Encontro de Mulheres Indígenas, Afros e Camponesas pela Amazônia, na Colômbia

Entre os dias 15 a 17 de agosto, a coordenadora geral do Miqcb, Maria Alaídes participou do Encontro de Mulheres Indígenas, Afros e Camponesas pela Amazônia, realizado na Colômbia, onde participaram cerca de 30 mulheres da Amazônia da Colômbia, Brasil, Bolívia e Peru e equipes nacionais de Oxfam. O intercâmbio faz parte do projeto das Nices e Dijé: mulheres negras em defesa da floresta e da vida e conta com o apoio da Oxfam Brasil.

O bioma amazônico abrange o território de oito países (Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana, Peru, Suriname e Venezuela) e vem diariamente sofrendo incontáveis agressões ambientais, desmatamentos e desenfreadas explorações de seus recursos naturais.
Nesse sentido, o Encontro teve como objetivo trocar conhecimentos e experiências entre organizações de mulheres sobre suas estratégias e propostas para a proteção da Amazônia e dos direitos das mulheres defensoras da terra, dos territórios e da natureza, além de articular uma agenda comum como organizações de mulheres, para defender a proteção da Amazônia e garantir os direitos das mulheres defensoras da terra, dos territórios e do meio ambiente e das mulheres amazônicas em geral.

Durante os três dias de evento as mulheres trocaram experiências de lutas e vivência na Amazônia e realizaram a visita em uma produção na metodologia mandala (é uma forma de produção de alimentos, onde o plantio é feito de forma circular).

Movimento das Quebradeiras de Coco Babaçu celebram a conquista da nova sede

Cantoria, animação e gratidão marcaram as comemorações de conquista da nova sede do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (Miqcb). O casarão acolheu as representações das Regionais do Movimento dos estados do Maranhão, Pará, Piauí e Tocantins, assim como os parceiros, representações de movimentos sociais e do setor público para comemorar o novo espaço. A sede está localizada na Rua da Palma, n 489, Centro Histórico de São Luís e vai funcionar como casa de apoio para as quebradeiras de coco, centro de formação, além de funcionar como o espaço para a cooperativa do Movimento expor e comercializar os produtos oriundos do babaçu.

A coordenadora geral do Miqcb, Maria Alaídes destacou a importância do local para as quebradeiras de coco babaçu e a alegria de poder celebrar essa conquista com todas as Regionais do Miqcb.

“Estamos celebrando esta conquista tão sonhada, tão suada, tão buscada por todas nós dos quatro estados: Maranhão, Piauí, Pará e Tocantins. Esse é nosso ninho, nosso cantinho onde encontraremos abrigo, formação, apoio para comercialização da nossa produção. Por tudo isso, só temos gratidão a Deus por essa grande conquista, pensada e construída por muitas mãos”, declarou, Maria Alaídes.

“A gente sempre pelejava para comprar uma casa, mas não tínhamos condições. Graças a Deus nosso sonho foi realizado, estou muito contente” declarou Emília Alves, coordenadora executiva do Miqcb Regional Tocantins.

O prédio foi reformado pelo Governo do Estado e entregue para as quebradeiras de coco babaçu este ano. A ação faz parte do Programa Nosso Centro e é uma iniciativa que tem por objetivo garantir o desenvolvimento sustentável, a conservação e a valorização da história de São Luís.

“É com muita alegria que estamos hoje na nossa casa que conseguimos por meio de concessão de uso do Governo do Maranhão. Estou muito feliz de poder comemorar e realizar essa grande festa com todas as Regionais do Miqcb”, disse, Helena Gomes, coordenadora executiva do Miqcb da Regional Piauí.

“Para mim esse momento aqui é de muita realização, de festa, de alegria por esse espaço, onde podemos nos expressar e mostrar nossos trabalhos, nossas lutas e conquistas dentro do Miqcb”, enfatizou, Maria de Fátima, coordenadora executiva da Regional Mearim/Cocais-MA.

Durante o evento as encantadeiras e demais quebradeiras de coco realizaram uma belíssima apresentação com cânticos, declaração de poemas, relatos de lutas, resistências e conquistas. Os cânticos tiveram como instrumentos o toque de mancetas, coco babaçu e muitas palmas.

As quebradeiras de coco babaçu estão concentradas, principalmente, em regiões de transição entre Amazônia, Cerrado e Caatinga. Elas são organizadas pelo Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB) e movimenta a economia de mais de 270 municípios nos estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Pará. O MIQCB trabalha no intuito de incentivar a autonomia das mulheres, as trocas econômicas justas, a valorização do modo de vida tradicional, a segurança alimentar e nutricional e as práticas agroecológicas.

A coordenadora executiva do Miqcb da Regional Pará, Cledeneuza Bezerra compartilhou a alegria de ter um casarão exclusivo para as quebradeiras. “Nós não tínhamos um lugar certo para nós ficarmos. Então, a gente ganhar um espaço desse com garantia de 15 anos nos deixa muito feliz. Muita gratidão a Deus”, pontuou.

Essa conquista também só foi possível graças ao apoio dos nossos parceiros: Action Aid, Fundação Ford, ICS, Miserior, ASW, ISPN.

Miqcb Regional Piauí reivindica efetivação de direitos e preservação ambiental de comunidades rurais

Entre os dias 10 e 11 de agosto, a coordenação do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB) da Regional Piauí, juntamente com a assessoria jurídica do Movimento realizaram uma série de reuniões com instituições públicas do estado do Piauí, dentre elas a Defensoria Pública da União – DPU, o Instituto de Terras do Piauí-INTERPI e o Consórcio de Advogados. As pautas das reuniões trataram-se sobre os direitos das famílias rurais, em especial das quebradeiras de coco babaçu, em defesa dos territórios, meio ambiente, bem como a efetivação e acesso das mulheres extrativistas aos seus direitos e demais benefícios sociais.

Em reunião com a DPU a coordenadora executiva do MIQCB, Helena Gomes, a assessora jurídica do Movimento, Renata Cordeiro e a presidente da Associação de Fortaleza IV, Tatiana Maria, relataram os transtornos vividos pelas famílias do assentamento PA Fortaleza IV, localizado no município de Esperantina. No mês de julho os moradores foram surpreendidos com a presença de máquinas como trator esteira e escavadeiras trafegando nas estradas vicinais da comunidade. Segundo os trabalhadores da obra, a atividade é da prefeitura e visa dar acesso ao conjunto habitacional que será construído nas imediações.

“A obra nos preocupa pelos riscos de alagamento e invasões à moradia das 17 famílias que moram há mais de 50 anos no assentamento, além do risco de agressões ao meio ambiente que pode resultar na derrubada das palmeiras, o que compromete o equilíbrio ambiental e social, pois se trata de uma comunidade de quebradeiras”, pontuou Tatiana Maria, presidente da associação.

A coordenadora jurídica do Miqcb explicou que a situação é preocupante porque, além dos impactos ambientais e sociais, em nenhum momento a comunidade e seus representantes foram informados sobre quaisquer projetos. Nesse sentido, o diálogo com a DPU foi para solicitar a apuração de ilegalidades e irregularidades e atuar para a proteção de direitos coletivos das famílias.

“Esperamos que a partir do diálogo com o defensor Benoni Moreira, a DPU possa requerer, junto ao INCRA (por se tratar de um assentamento federal) e a Prefeitura de Esperantina, informações gerais sobre a obra como: extensão, localização, licenças, impactos e peça a imediata suspensão da obra até que esteja regularizado o exercício do direito à informação, consulta prévia e a participação da comunidade assentada e tradicional”, enfatizou, Renata.

Outra pauta pleiteada pelo Miqcb foi sobre o registro da titulação do território de Vila Esperança. O território foi titulado em 31 de março de 2022 e o registro do título é fundamental para a segurança jurídica e territorial. A diretora Fundiária do Interpi, Clarecinda Teixeira explicou que os tramites para registro cartorial se encontram em andamento. “Os diálogos com a Corregedoria de Justiça do Tribunal de Justiça do Estado do Piauí estão avançados para desburocratizar o registro de Vila Esperança e outros títulos coletivos”, afirmou, Clarecinda.

O presidente da associação do Território Vila Esperança, Raimundo Rodrigues disse que o registro da titulação é importante para que as famílias do território possam construir o plano de uso territorial. O plano de uso será construído com o apoio do MIQCB e do Instituto Federal do Piaui, através da professora Elida Brito. “O sentimento de coletividade precisa ser praticado e o plano de uso vai ser uma ferramenta importante para produzir de forma consciente, protegendo a natureza e garantindo o território para nossas crianças e gerações futuras”, declarou, Raimundo.

PARCERIA

Associação de Quebradeiras de Coco do Estado Piauí e o Consorcio de Advogados do Piauí vão iniciar uma parceria para possibilitar maior acesso das mulheres extrativistas à aposentadoria e demais benefícios sociais. A reunião contou com representes do Miqcb e com os advogados Marcus Vinicius Carvalho e Felipe Junqueira.

A coordenadora executiva do Miqcb da Regional Piauí, Helena Gomes pontuou que “é importante a referência de uma advocacia que conheça a realidade das mulheres e as que acolha e facilite as informações quando vão em busca de um direito e essa é uma obrigação de homens e mulheres advogadas. O MIQCB apoia a iniciativa através da cessão de espaço para realização da orientação jurídica às mulheres e entende que a autonomia econômica contribui para quebra de ciclos de violência doméstica e institucional”, declarou.

Participaram ainda das agendas, as coordenadoras do Movimento Klésia da Conceiçao, Marinalda Silva, o assessor técnico Jucelino Silva e a professora do IFPI, Elida Maria Cardoso.

Quebradeiras de coco agredidas e ameaçadas! Confira a entrevista concedida à Rádio Tambor

A coordenadora Executiva do MIQCB – Regional Baixada, Maria Antônia e a assessora Nataliene concederam entrevista à Rádio Tambor, desta terça-feira (09/08) e destacaram o caso de injuria racial sofrido por quebradeiras de coco babaçu, na comunidade Esperança, em Viana-MA.

Confira a entrevista:

Miqcb apresenta as ações do Fundo Babaçu no X Fórum Social Pan-Amazônico (Fospa), em Belém-PA

O Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu- MIQCB uniu forças com cerca de 10 mil representações dos povos da Amazônia e movimentos sociais de diversos países amazônicos em defesa das populações locais, da floresta e de todas as formas de vida na região, durante a realização do X Fórum Social Pan-Amazônico (Fospa). O evento foi realizado na Universidade Federal do Pará (UFPA), em Belém, entre os dias os dias 28 a 31 de julho.

A abertura do evento foi marcada com uma grande marcha que percorreu as ruas do centro de Belém rumo à Praça Waldemar Henrique, onde ocorreu o ato de abertura. Durante o percurso vozes de várias origens, idiomas e sotaques entoaram canções e discursaram celebrando as Amazônias e seus saberes.

A programação incluiu várias atividades na Casa de Saberes e Sentires, Grandes Eventos, Atividades Autogestinadas e Atividades Paralelas, feira de produtos agroecológicos, artesanato, palco de apresentações culturais. Ao longo desses dias, movimentos sociais, articulações e representações de povos de nove países promoveram debates abordando, nesta edição, a defesa dos povos da Amazônia, da floresta e da democracia.

O Seminário Fundos Socioambientais pela Autonomia dos Povos da Amazônia foi destaque na programação do X Fospa. O Seminário foi realizado na sexta-feira, 29, e sábado, 30, na Casa Território e Autogoverno, onde reuniu representações do Fundo Dema, Fundo Babaçu, Fundo Podaáli, Fundo Puxirum, Fundo Rio Negro, Fundo Mizizi Dudu, Fundo de Mulheres Indígenas (AYNI), entre outros.

O objetivo do Seminário foi para conhecer a atuação política dos Fundos comunitários na Amazônia, bem como o desenvolvimento de ações estratégicas no apoio ao protagonismo de povos indígenas, comunidades quilombolas e populações tradicionais voltado à garantia de direitos e à defesa dos bens comuns.

A coordenadora de projetos do Miqcb Sandra Regina Monteiro e as Coordenadoras do MIQCB, Maria Alaídes Alves, Emília Rodrigues e Cledeneuza Maria Oliveira, apresentaram os avanços e os objetivos do Fundo Babaçu executado pelas quebradeiras de coco babaçu dos estados do Maranhão, Pará, Piauí e Tocantins.

Os objetivos do Fundo Babaçu são: promover e operacionalizar o acesso a recursos de caráter não reembolsável para ações de agricultura e extrativismo de base agroecológica e econômico-solidária; apoiar ações voltadas à segurança alimentar e nutricional e geração de renda, para a melhoria da qualidade de vida de povos e comunidades tradicionais e outras comunidades que vivem em regime de produção familiar nos babaçuais; incentivar a conservação da sociobiodiversidade existente nas florestas de babaçu, por meio da ampliação do acesso a fontes de recursos e de políticas públicas e, por fim, apoiar e promover a mobilização comunitária e o fortalecimento organizacional e institucional das organizações de base.

“Desde sua criação em 2013, o Fundo Babaçu lançou cinco editais com recursos na ordem de R$ 539 mil e já beneficiou 45 organizações, nos estados do Maranhão, Piauí, Tocantins e Pará. O Fundo é gerido de forma participativa com Comitê Gestor do Fundo Babaçu, que envolve diversas organizações parceiras do movimento nos estados onde o MIQCB atua. Um dos fundos que inspirou Movimento foi o DEMA e CESE- Coordenadoria Ecumênica de Serviço”, pontuou, Sandra Regina.

A coordenadora do Miqcb, Maria Alaídes destacou que as mulheres quebradeiras de coco babaçu são mais de 300 mil mulheres que coexistem com a floresta, desenvolvendo há gerações relações profundas com a palmeira mãe e com a natureza que caracterizam seu modo de vida e atividade econômica.

“O Movimento trabalha no intuito de incentivar a autonomia das mulheres, as trocas econômicas justas, a valorização do modo de vida tradicional, a segurança alimentar e nutricional e as práticas agroecológicas. Nesse sentido, o Fundo Babaçu é mais uma conquista das mulheres do MIQCB porque foi criado e é administrado por mulheres quebradeiras de coco babaçu”, destacou, Maria Alaídes.

Além do Seminário, o Miqcb participou de várias atividades durante o X FOSPA, a exemplo do Tribunal Ético em Defesa dos Corpos e Territórios das Mulheres Amazônicas e Andina. Os casos foram repletos de muita dor e sofrimento, relatos carregados de emoção que apresentaram a vivência de mulheres vítimas de violência e exploração em seus territórios. A coordenadora do MIQCB da Regional Pará, Cledeneuza Maria Bezerra denunciou os crimes ambientais como: derrubadas e envenenamento de palmeiras, queimadas e mortes de lideranças.

“Desde nossos antepassados buscamos nosso sustento e nosso meio de vida na natureza. Hoje, nossa sobrevivência está ameaçada. Primeiro, os babaçuais foram destruídos com motosserra, tratores, machados e hoje, os fazendeiros estão usando veneno para matar as palmeiras. Esse veneno não acaba só com as palmeiras, mas devasta e mata nossas famílias, os peixes, os animais, contamina os igarapés, as árvores, por isso nosso modo de vida está ameaçado”, denunciou Cledeneuza Maria.

Fotos: Oliver Kornblihtt, Élida Galvão e Sandra Regina.

Quer saber mais informações sobre o X FOSPA, acesse:

https://www.fospabelem.com.br/fr

Curso de capacitação estimula cooperativismo e associativismo das quebradeiras de coco babaçu

Com o objetivo de capacitar e fortalecer grupos produtivos que integram a Cooperativa Interestadual das Mulheres Quebradeiras de Coco Babaçu (CIMQCB) com melhoria nas condições de produção e comercialização, a CIMQCB e o Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB) promoveram, no mês de julho, oficina sobre cooperativismo e associativismo com as quebradeiras de coco babaçu do estado do Tocantins e Maranhão.

A ação faz parte do projeto Paisagens Produtivas Ecossociais (PPP-ECOS), do Instituto Sociedade, População e Natureza – ISPN e a capacitação foi ministrada pelo consultor Mayk Arruda, do Central do Cerrado.

A primeira oficina ocorreu no dia 11/07 (segunda-feira), na Vila Alto Bonito, município de Praia Norte, no estado do Tocantins, onde participaram cerca de 30 mulheres quebradeiras de coco babaçu.

A segunda capacitação ocorreu nos dias 12 e 13 de julho, no povoado Pifeiros, no município de Amarante, no estado do Maranhão. A capacitação encerrou-se com uma linda apresentação da dança “Roda de Lindó”, uma tradição da comunidade.

Durante a capacitação as mulheres foram orientadas sobre a essência do cooperativismo, como funciona e gestão de uma cooperativa, mercado de trabalho, sobre educação financeira, bem como, a importância de cada cooperado para o crescimento coletivo.

A presidente do CIMQCB, Maria do Rosário participou das oficinas e destacou a importância desse tipo de capacitação na valorização dos produtos do babaçu. “O cooperativismo tem uma força enorme, ele é capaz de mudar a vida de toda uma comunidade, pois através do trabalho em cooperação todos se ajudam e têm oportunidades”, destacou.

A coordenadora da Regional do MIQCB de Imperatriz-MA, Raimunda Nonata, declarou que a capacitação foi de extrema importância para o desenvolvimento do trabalho coletivo executado pelas quebradeiras de coco babaçu. “A capacitação foi muito importante para todas nós quebradeiras de coco babaçu porque compartilhamos nossas experiências, além disso, entendemos que a ação de cada mulher vai impactar no resultado do trabalho coletivo”, declarou.

A coordenadora de projetos do MIQCB, Flávia Azeredo participou da ação, assim como as coordenadoras Regionais do MIQCB do Tocantins: Emília Rodrigues, Maria Helena, Francisca Pereira, Maria Ednalva e a assessora Elizete. As coordenadoras da Regional de Imperatriz: Eunice Costa, Raimunda Nonata, Terezinha e a assessora Wcélia também participaram das capacitações.

Quebradeiras de coco babaçu denunciam que foram vítimas de racismo, em Viana

As quebradeiras de coco babaçu, Sandra Maria, Raimunda Nonata e Ana Cleide e o trabalhador rural, Jose Balbino, moradores povoado Santa Maria dos Tejus, comunidade remanescente de quilombo, denunciaram que foram vítimas de agressões verbais e de ofensas racistas no município de Viana-MA, localizado a 214 km de São Luís. As trabalhadoras rurais afirmam terem sofrido, no dia 20 de junho, ataques racistas do proprietário de uma área localizada no povoado Esperança, também no município de Viana, onde as mulheres costumam coletar coco babaçu.

As vítimas procuraram a polícia e foi aberto um inquérito para apurar o caso. A primeira audiência foi realizada no dia 05 de julho e a segunda foi realizada nesta quarta-feira, 13, na Delegacia de Viana.

A quebradeira de coco babaçu, Sandra Maria disse que foi xingada e sofreu ato de racismo e por isso foi buscar seus direitos. “Ele me xingou, me chamou de preta ladrona”, denuncia a quebradeira de coco.

Integrantes do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB) também foram à delegacia prestar apoio e solidariedade às trabalhadoras rurais.

“É muito triste porque eu sou também de comunidade quilombola e a gente também já sofreu essas coisas. É uma humilhação, porque negro é gente e tem que ser respeitado”, disse Maria Antônia dos Santos, coordenadora executiva do MIQCB da Regional da Baixada.

O proprietário do terreno compareceu à Delegacia de Viana acompanhado de parentes e de um advogado, mas preferiu não se pronunciar sobre o caso. Se forem comprovadas as denúncias, o suspeito poderá responder pelo crime de injúria racial.

O ato de racismo foi amplamente veiculados nos principais veículos de comunicação do Estado do Maranhão. Confira:

JMTV 2ª Edição: Polícia investiga denúncia de racismo contra quebradeiras de coco no Maranhão:

https://globoplay.globo.com/v/10756244

Bom Dia Mirante:

Polícia Civil apura denúncia de racismo em Viana

https://globoplay.globo.com/v/10756805/

JMTV 1ª Edição

Quase 500 ataques racistas foram registrados no MA em 2022

https://globoplay.globo.com/v/10758565

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