Mulheres preparam live para o Dia Estadual da Quebradeira de Coco Babaçu

Na quinta-feira (24) desta semana, é comemorado o Dia Estadual das Quebradeiras de Coco Babaçu, nos estados do Maranhão e Piauí. Nos anos anteriores, era um momento de marchas, reivindicações, audiências públicas, seminários e debates sobre a luta das quebradeiras. Mas, diante da pandemia, o MIQCB convida a todos para um momento de conversa virtual que reunirá representações das seis regionais, em uma live com o tema “O Protagonismo Feminino e as Políticas de Resistência das Quebradeiras de Coco Babaçu”. Para conduzir o diálogo, teremos como mediadora convidada a Maria Emília, antropóloga e assessora da ONG Fase.

O Dia Estadual das Quebradeiras de Coco foi sancionado pelo Governo do Estado do Maranhão em 2011. Já no Piauí, a data foi instituída em 2015. Um dia de memória e reconhecimento pela histórico de luta das quebradeiras. São mulheres, adultas e jovens, quilombolas, indígenas, agroextrativistas, mães, avós, filhas e companheiras, que estão à frente de ações políticas, pedagógicas e econômicas, na luta por direitos e na defesa das florestas de babaçu, proteção dos territórios tradicionais, do respeito ao modo de vida e a relação dos povos com a biodiversidade.

Na live será debatido o acesso livre ao território e aos babaçuais, a preservação da biodiversidade, bem como o respeito aos modos e saberes tracionais. O bate-papo está marcado para às 16h (horário de Brasília), quinta-feira, com transmissão página do facebook do MIQCB e canal do Youtube.

Segue abaixo o convite feito pelas mulheres:

Outras Iniciativas

A coordenação do Movimento das Quebradeiras de Coco Babaçu e a Cooperativa das Quebradeiras de Coco também preparam uma programação especial para a semana do Dia Estadual das Quebradeiras de Coco Babaçu no Piauí.

Na segunda-feira (21), foi realizada a inauguração da unidade produtiva de mesocarpo de babaçu com grupo de mulheres extrativistas na comunidade de Olho D’água, município de Luzilândia-PI. As mulheres preparam um delicioso café da manhã com bolos de goma de mandioca e de milho, pudim de mesocarpo de babaçu, ovos de galinha caipira, suco natural de maracujá, tudo preparado pelas mãos das quebradeiras.

Já na terça-feira (22) foi realizada a inauguração da reforma das unidades produtivas de azeite de babaçu, na comunidade de Boi Velho, e da unidade produtiva de bolos, em Tapuio, ambas no município de Esperantina-PI.

Articulação Tocantinense de Agroecologia realiza a “Semana agroecológica”

Com a pandemia, diversas comunidades do campo e da cidade do estado do Tocantins estão passando por dificuldades com a falta de renda e aumento de pessoas doentes com a covid 19. Em ato de solidariedade as comunidades do campo, a Articulação Tocantinense de Agroecologia (ATA), do qual o MIQCB faz parte, em conjunto com diversas organizações e movimentos sociais do campo e da cidade, organizam a Semana agroecológica: Saberes agroecológicos tecendo vidas e resistências nos territórios no enfrentamento a pandemia, na semana dos dias 17 a 21 de agosto.

Desde a segunda feira (17) está havendo doações de cestas básicas e kits de higiene as famílias indígenas do povo Apinajé, acampados e ocupantes de áreas de conflitos agrários na região Tocantinópolis, Araguaína e Palmas. Os alimentos que compõe as cestas básicas, são produtos agroecológicos doados pelas famílias assentadas da reforma agrária e quebradeiras de coco babaçu.

Além de alimentos saudáveis produzidos nas áreas de assentamentos e acampamentos do MST, o MIQCB contribuiu com a doação de azeites de coco de babaçu e a APA-TO com kit’s de higiene pessoal e geral.

Azeites de babaçu produzidos pelas quebradeiras do Tocantins que foram entregues ao povo indígena Apinajé

E na sexta feira (21), a partir das 19h, haverá a Live Roda de Conversa dos Povos do Campo: Saberes agroecológicos tecendo vidas e resistências nos territórios no enfrentamento a pandemia. Contando com a participação de representantes dos povos quilombolas, indígenas, sem terras, como também, a participação de Maria Emília Pacheco, representante do Fórum Brasileiro de Segurança e Soberania Alimentar e Nutricional (FBSSAN) e Laudovina Pereira, representante do Conselho Missionário Indigenista (CIMI). A Live será transmitida canal Resistência Contemporânea no YouTube e pelos Facebooks da CPT Araguaia-Tocantins e APA-TO.

Um dos objetivos da semana é mobilizar ações de solidariedade das organizações e movimentos sociais que compõe a ATA para com as famílias do campo que se encontram em situação de vulnerabilidade, carência de alimentos e materiais de higiene. Também visa dialogar com a população da cidade sobre a importância da agricultura familiar, além de, dar visibilidade as experiências agroecológicas desenvolvidas nos territórios pelos indígenas, assentados, quilombolas, posseiros, quebradeiras de coco babaçu e atingidos por barragens.

Para enfrentar a pandemia, só com comida de verdade e agroecologia no campo e na cidade!

via APA-TO

Edital de Convocação – Assembléia Geral Extraordinária

A Coordenadora Geral do MIQCB, Associação do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu, no uso de suas atribuições legais, convoca as associadas, quebradeiras de coco babaçu das 6(seis) regionais dos estados do Pará, Maranhão, Piauí e Tocantins para Assembleia Geral Extraordinária – modalidade virtual – que será realizada dia 18 de setembro de 2020, às 8h primeira convocação, 8:30h segunda convocação, na sede do MIQCB – Rua São Raimundo, Qd 42, casa 09, São Luis – MA, de acordo com o Estatuto Social do MIQCB, com participação à distância, cumprindo decretos e regulamentações relacionadas à situação de proibição de reuniões presenciais, motivado pela pandemia Covid 19, com participação em ambiente virtual; para deliberarem sobre:

  1. Venda Transferência de compradores de motos dos regionais
  2. Informes

A transmissão será feito via link de aplicativo de plataformas de reunião online a ser repassado posteriormente.

Acesse e leia aqui abaixo o Edital completo:

EDITAL DE CONVOCAÇÃO – ASSEMBLÉIA GERAL EXTRAORDINÁRIA

Atenciosamente,

Maria Alaídes Alves de Sousa

Coordenação Geral do MIQCB

Marcha das Margaridas, 20 anos: MIQCB participará de Ato Comemorativo

Em celebração aos 20 anos da Marcha das Margaridas, a CONTAG, Federações e Sindicatos realizam com o apoio de várias organizações parceiras da Marcha, grande Ato Comemorativo, às 14 horas, desta quarta-feira (12 de agosto), no Portal e Redes Sociais da CONTAG.

O Ato contará com várias expressões culturais e importantes falas políticas. Além das representações da CONTAG, haverá presença de participantes das entidades parceiras da Marcha das Margaridas, à exemplo da CUT, da CTB e o Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu, em que a Coordenadora Geral, Maria Alaídes, participará de um diálogo. Haverá também a presença do ex-presidente Lula, da ex-presidenta Dilma Rousseff e demais agentes políticos, bem como presença das atrizes Letícia Sabatella e Maria Casadevall, das cantoras Susi Monte Serrat, Zélia Duncan e Lia de Itamaracá, dentre outros nomes.

“Desde já, agradeço pela presença de todas (os), que desde suas comunidades, seus assentamentos, dos lugares mais diversos do Brasil e do mundo, estão conosco nesse caminhar de 20 anos da Marcha das Margaridas. Um caminho feito de ousadia e luta pela agroecologia, conservação do meio ambiente e valorização dos modos de vida reproduzidos no campo, na floresta e nas águas. Por democracia e soberania popular, com justiça social e em defesa dos nossos territórios. E pela construção de uma sociedade livre de violência de gênero e racial, sem homofobia e sem intolerância religiosa, dentre outras pautas que buscam a transformação do nosso País. Seguiremos em Marcha, com nossa força, criatividade e ousadia”, ressalta Mazé Morais.

SOBRE A MARCHA DAS MARGARIDAS

No dia 12 de agosto lembramos a história da trabalhadora rural e líder sindical, Margarida Maria Alves, assassinada a mando de latifundiários nesta mesma data no ano de 1983, porque lutava pelas trabalhadoras e trabalhadores rurais, denunciando abusos e violações de seus direitos, cometidos por fazendeiros e usineiros, que influenciavam e dominavam a economia e a política, em Alagoa Grande/Paraíba.

Tendo como inspiração a história de luta de Margarida Alves, nesta data (12 de agosto) é realizada desde 2000 pela CONTAG, Federações e Sindicatos filiados, com o apoio de várias organizações parceiras, a Marcha das Margaridas, e também é celebrado o Dia Nacional dos Direitos Humanos.

“Margarida, hoje, vive em cada uma de nós, mulheres do campo, da floresta e das águas. Seu nome se tornou um símbolo nacional de força e coragem cultivado por milhares de Margaridas desse país”, destaca a secretária de Mulheres da CONTAG e coordenadora Geral da Marcha das Margaridas 2019, Mazé Morais.

A 1º Marcha das Margaridas, em agosto de 2000, reuniu 20 mil mulheres, em Brasília/DF. Desde então, mulheres do campo, da floresta, das águas e da cidade continuam marchando. Retornando à capital do país em 2003, 2007, 2011, 2015 e em 2019, quando já somaram 100 mil Margaridas.

“A nossa luta é marcada pela construção de justiça e igualdade social num país historicamente marcado pela concentração de terras, riquezas e poder. Pautas que estão alinhadas com a luta travada por Margarida Maria Alves”, destaca a secretária de Mulheres da CONTAG.

Assista na TV CONTAG – VÍDEO OFICIAL DOS ANOS DA MARCHA DAS MARGARIDAS: AQUI

Saiba mais sobre a história de Margaridas Maria Alves, através do vídeo: “NOS CAMINHOS DE MARGARIDA”: AQUI

FONTE: Comunicação CONTAG – Barack Fernandes

Nota de pesar pelo falecimento de Dom Pedro Casaldáliga

“No final do meu caminho me dirão:

– E tu, viveste? Amaste?

E eu, sem dizer nada, abrirei o coração

cheio de nomes” – Dom Pedro Casaldáliga

O Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu vem manifestar o seu imenso lamento pelo falecimento, na manhã deste sábado (8), de Dom Pedro Casaldáliga, bispo emérito da Prelazia de São Félix do Araguaia (MT) e Missionário Claretiano.

Fundador de pastorais e organizações sociais dedicadas à luta pela terra, Casaldáliga trabalhou sempre a favor dos camponeses, dos sem-terra e dos Povos Indígenas, se posicionando abertamente contra o latifundio, o agronegócio e todos os poderes econômicos que negam os direitos dos indivíduos e dos povos.

Um Bispo contra todas as cercas! As Quebradeiras de Coco agradecem pela existência de seu legado que continuará inspirando e sendo semente no fortalecimento de nossas lutas!

Dom Pedro Casaldáliga, Presente!

No Piauí, MIQCB entrega 1.500 cestas básicas com alimentos agroecológicos

Diante da pandemia e isolamento social, que já está caminhando para o sexto mês, o Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu segue buscando estratégias para minimizar os impactos da crise nos territórios das quebradeiras de coco, por meio de ações de solidariedade e do fortalecimento das produções agroecológicas e segurança alimentar.

Com o intuito de movimentar a economia solidária da agricultura familiar e dos centros produtivos da CIMQCB, a regional Piauí, através de doação da Fundação Banco do Brasil, comprou produtos agroecológicos para formação de cestas básicas a serem entregues para famílias em situação de vulnerabilidade nesse tempo de pandemia causada pelo corona vírus. A iniciativa faz parte da Campanha “Proteja e Salve Vidas”, que possui destinações de recursos do banco BV à Fundação Banco do Brasil para ações de assistência social, prevenção e combate ao Covid-19.

O MIQCB adquiriu cerca de onze toneladas de alimentos da agricultura familiar, beneficiando em torno de 150 famílias diretamente. Na primeira etapa do projeto, houve a formação de mil e quinhentas cestas básicas que foram entregues para famílias de quebradeiras de coco babaçu. Foram atendidas trinta e cinco comunidades localizadas em dez municípios da região norte do estado do Piauí: Esperantina, Morro do Chapéu, Luzilândia, Joca Marques, Madeiro, Barras, Miguel Alves, São João do Arraial, Cabeceiras do Piauí e Campo Largo do Piauí.

Todas as cestas foram devidamente higienizadas e as entregas foram realizadas prezando pela segurança da saúde, sem aglomerações e contando com a participação dos jovens do movimento. “Cada família recebeu uma cesta com arroz, feijão, café, açúcar, azeite de babaçu, mesocarpo de babaçu, bolo de goma, beiju de goma, farinha e goma de mandioca, polpas de frutas, panificados e leite. Além de receberem um kit de limpeza”, relata Helena Gomes, vice-coordenadora do MIQCB.

A ação foi debatida com os setores da administração pública para avaliar os melhores caminhos para sua realização, contando com assistência da Secretaria do Estado da Agricultura Familiar, das Prefeituras Municipais de Esperantina, São João do Arraial e Luzilândia, que contribuíram na segurança, logística e transporte das entregas. Houve também o apoio da Cooperativa Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu, Fundação Ford, Action Aid e ASW.

As quebradeiras de coco babaçu seguem na luta pelo extrativismo e agricultura de base agroecológica e econômico-solidária, pautada na produção de alimentos saudáveis, livres de agrotóxicos, e na preservação e valorização dos saberes e sabores presentes na soberania alimentar dos povos e comunidades tradicionais.

Agricultores familiares lançam loja virtual com produtos dos biomas Cerrado e Caatinga

A loja virtual da Central do Cerrado reúne mais de 30 associações e cooperativas de diferentes pontos do país.

Foto: Thomas Bauer

Baru, jatobá, pequi, umbu. Ingredientes regionais que simbolizam a biodiversidade encontrada nos sabores brasileiros. A safra do Cerrado e da Caatinga inspira agricultores que residem nestes territórios — nos Estados de Minas Gerais, Distrito Federal, Tocantins, Bahia, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Maranhão, Piauí, Pará e Goiás — a beneficiarem produtos alimentícios e a produzirem artesanato com riqueza cultural que garante autonomia e renda.

Comunidades de agricultores familiares extrativistas protagonizam esse trabalho, que raramente ocupam as prateleiras dos supermercados. Juntas elas formam a Central do Cerrado: uma cooperativa formada por mais de 30 organizações comunitárias (entre cooperativas e associações) e funciona como uma ponte entre quem produz e quem consome. Em tempos de fortalecimento do serviço de entregas, a Central inaugura uma nova plataforma onde o internauta de qualquer lugar do país encontra mais de 200 itens e pode recebê-los sem sair de casa.

Clique aqui para acessar a loja virtual da Central do Cerrado

“Com a situação do COVID19 e isolamento social muitas dessas comunidades tiveram o escoamento de sua produção comprometidos. A venda pela loja virtual é uma forma de escoar os produtos dessas comunidades e garantir renda para as famílias agroextrativistas. A comercialização ajuda a manter o Cerrado e Caatinga em pé, conservar a biodiversidade nativa, incentiva a permanência no campo, valoriza a cultura local e o modo de vida tradicional”, ressalta o secretário executivo da Central do Cerrado, Luis Roberto Carrazza.

As agroindústrias das comunidades de produtores da Central do Cerrado operam observando os cuidados básicos de distanciamento social, uso de máscaras, cuidados redobrados de higienização pessoal, esterilização das estruturas de equipamento e insumos: detalhes também observados pela equipe da Central do Cerrado no preparo e envio dos pedidos da loja virtual.

Produtos da sociobiodiversidade

Entre as opções de compra estão alimentos como farinhas especiais com destaque para o mesocarpo de babaçu (500g, R$ 15) da Cooperativa dos Pequenos Produtores Agroextrativistas de Esperantinópolis (Coopaesp) da comunidade tradicional das quebradeiras, de Esperantinópolis, no Maranhão; as farinha de buriti (1 kg, R$ 50) da cooperativa Grande Sertão de Montes Claros, Norte de Minas Gerais — além do flocão de milho não-transgênico (500g, R$ 7) (matéria-prima para o cuscuz nordestino) da Cooperativa Agropecuária Mista Regional de Irecê (Copirecê), de Irecê, na Bahia.

As castanhas brasileiras também ganham destaque no novo site, entre elas a castanha-de-baru da cooperativa Copabase (300g, R$35), super proteica e energética, um dos grandes ícones do Cerrado. Pouco utilizada pelos chefs de cozinha, a castanha-de-pequi (100g, R$15) também figura entre as oleaginosas oferecidas pela Central do Cerrado lado a lado da amêndoa de licuri torrada (100g, R$7), da Cooperativa de Produção da Região do Piemonte da Diamantina (Coopes), também chamado de coquinho na Bahia e rico em proteínas. Na categoria bebidas a página apresenta o licor de pequi da marca familiar Savana Brasil (700ml, R$70) e a cerveja de coquinho azedo fruit beer (600ml, R$ 25)  da cooperativa Grande Sertão, de Montes Claros, Minas Gerais.

Além dos produtos, o internauta encontra informações sobre a origem social das comunidades produtoras e a origem territorial. Entre os conteúdos da plataforma estão receitas, fichas técnicas e dicas de uso.

Saiba mais sobre a Central do Cerrado

A Central do Cerrado é uma cooperativa formada por diversas organizações comunitárias de agricultores familiares extrativistas do Cerrado e da Caatinga. A missão é manter os modos de vida tradicionais e conservação dos territórios onde vivem esses povos a partir da comercialização de produtos desenvolvidos através do uso sustentável da biodiversidade nativa. Ela é uma das mais de 50 organizações associadas à Rede Cerrado.

SOBRE O CIMQCB 

A Cooperativa Interestadual das Mulheres Quebradeiras de Coco Babaçu (CIMQCB) é uma organização de grupos produtivos comunitários formados por mulheres que coletam e processam o coco babaçu no Pará, Maranhão, Tocantins e Piauí. A CIMQCB foi fundada em 2009 (registrada oficialmente em 2011) e está sediada em São Luís, no Estado de Maranhão. A Cooperativa é uma das entidades associadas à Central do Cerrado.  

www.centraldocerrado.org.br 

No dia da Biodiversidade, mulheres do Cerrado debatem modos de vida e resistências nos territórios

Transmissão faz parte da série de lives ‘’Bate-papos: Saberes dos Povos do Cerrado e Biodiversidade’’

Foto: Bruna Valença/Action Aid

No dia 22 de maio, data que marca o Dia Internacional da Biodiversidade, a Campanha Nacional em Defesa do Cerrado inicia a série de transmissões virtuais ‘’Bate-papos: Saberes dos Povos do Cerrado e Biodiversidade’’, realizada em parceria com o Observatório De Olho nos Ruralistas. O episódio de estreia será transmitido às 16h e apresentará o tema ‘’A força das Mulheres do Cerrado: Raizeiras e Quebradeiras’’, contando com a participação de representantes de entidades e movimentos que integram diferentes frentes da luta por direitos em territórios do Cerrado.

O primeiro episódio da série jogará luzes para os modos de vida e as formas de resistência das mulheres quebradeiras de coco-babaçu e das raizeiras do Cerrado. Aparecida Vieira e a quilombola Lucely Morais, mestras em Saberes Tradicionais pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e Universidade de Brasília (UnB), respectivamente, representarão as raizeiras na roda de diálogo. Ambas fazem parte da coordenação da Articulação Pacari, uma rede socioambiental formada por organizações comunitárias que praticam medicina tradicional através do uso sustentável da biodiversidade do Cerrado.

O time das quebradeiras de coco-babaçu contará com a participação de Socorro Teixeira, do Tocantins, presidente da Rede Cerrado e parte da Coordenação do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco-babaçu (MIQCB), e Helena Gomes, do Piauí, vice coordenadora do MIQCB. Maria Emília Pacheco, da FASE e da Articulação Nacional de Agroecologia (ANA), integrará o bate-papo como debatedora juntamente com Valéria Santos, da Comissão Pastoral da Terra (CPT) e da coordenação executiva da Campanha Nacional em Defesa do Cerrado, que facilitará a roda de diálogo.

Guardiãs e guardiões de saberes tradicionais

Os povos do Cerrado são herdeiros e operacionalizam saberes ancestrais e tradicionais que guiam, há inúmeras gerações, o manejo das matas e paisagens, que fazem dessa rica savana uma das regiões mais biodiversas do planeta. “Se ainda há Cerrado em pé é porque esses povos estão com os pés no chão do Cerrado. É por isso que não existe defesa do Cerrado sem a defesa dos territórios do Cerrado, onde esses povos conservam a biodiversidade por meio de seus modos de vida’’, afirma Valéria Santos, da coordenação executiva da Campanha Nacional em Defesa do Cerrado.

O amplo aproveitamento da palmeira do coco-babaçu pelas quebradeiras do Maranhão até o Mato Grosso (passando pelo Pará, Piauí, Tocantins e chegando até a Chiquitania na Bolívia) depende de um conjunto de saberes passado entre mulheres ao longo de muitas gerações. Através desses múltiplos usos, a “mãe-palmeira”, como dizem as quebradeiras, traz alimento e sustento para milhares de famílias do nosso Cerrado.

Apesar disso, muitas vezes as quebradeiras têm que lutar contra grandes proprietários que querem derrubar as palmeiras e impedir o acesso delas aos babaçuais. Tudo isso as levou a se organizar no MIQCB para conseguir “libertar o coco” e se fortalecerem na produção e comercialização.

Outro saber tradicional dos povos do Cerrado é o do uso das plantas medicinais que compõem a “Farmacopeia Popular do Cerrado”. As raizeiras e raizeiros são reconhecidos em suas comunidades pela prática de diferentes ofícios de cura a partir da aplicação de variedades de plantas, raízes, frutos, argilas e seus preparados. ‘’A criminalização e depreciação da importância biocultural dessas práticas levou as raizeiras a se organizarem na Articulação Pacari e a lançarem o Protocolo Biocultural das Raizeiras do Cerrado, buscando defender seu direito de praticar a medicina tradicional’’, afirma Valéria.

Não bastasse a falta de reconhecimento da importância de suas práticas para a diversidade cultural e biológica do Cerrado, as quebradeiras e as raizeiras ainda têm enfrentado a ameaça de um novo tipo de roubo e cercamento: a apropriação por empresas do patrimônio genético do qual são guardiãs.

Programação

A série de bate-papos ‘’Saberes dos Povos do Cerrado e Biodiversidade’’ realizará a transmissão de diálogos centrados nas populações que promovem a conservação da biodiversidade do Cerrado: indígenas, quilombolas e os povos e comunidades tradicionais da região. Com dois episódios previstos por mês, a série acontecerá até o mês de agosto.

Nesse momento de pandemia por conta do coronavírus, Aparecida Vieira destaca a importância da iniciativa de visibilizar o trabalho das mulheres raizeiras nos territórios. ‘’Precisamos anunciar que os trabalhos das mulheres guardiãs dos saberes tradicionais não foram interrompidos nesse momento que vivemos. Pelo contrário, é um trabalho fundamental para a saúde das comunidades’’, destaca a raizeira.

Serviço:

Debate virtual ‘’ A força das Mulheres do Cerrado: Raizeiras e Quebradeiras’’

Data/horário: 22 de maio, às 16h (horário de Brasília)

Canal de transmissão: www.facebook.com/campanhacerrado

Realização: Campanha Nacional em Defesa do Cerrado

Parceria: Observatório De Olho nos Ruralistas

Contato de Imprensa:

Bruno Santiago

comunicacerrado@gmail.com

+55 011 99985 0378

Instituto Federal do Tocantins faz doação ao MIQCB de gel sanitizante de álcool para prevenção à Cov

Na quinta-feira (18) o regional Tocantins do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco recebeu do Instituto Federal do Tocantins (IFTO), por meio da Escola Agrotécnica do Campus Araguatins, 60 frascos de 500 ml e dois galões de 5 litros de gel sanitizante de álcool etílico para a prevenção à Covid -19 pelo Instituto. Numa primeira distribuição, foram beneficiadas 30 famílias da comunidade Olho D’agua, no município de São Miguel.

A entrega foi realizada pessoalmente pelo o diretor-geral da unidade Araguatins, Josafá Carvalho Aguiar. “Gostei muito dessa atitude, de procurar a gente para realizar essa doação. Também fomos convidadas a apresentar o trabalho das quebradeiras no Instituto. Ficamos de avaliar uma data”, relatou Emília Alves, coordenadora da regional Tocantins.

A partir de um projeto viabilizado por meio de um repasse da Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica (Setec) do Ministério da Educação (MEC), o Instituto Federal do Tocantins produziu cerca de 20 mil frascos de 500 miligramas e dois mil frascos de 5 litros de gel sanitizante de álcool etílico, que apresenta uma textura intermediária entre o álcool líquido e o álcool em gel tradicional. Cinco unidades do IFTO estão envolvidas, diretamente, nessa ação, são elas: Araguaína, Araguatins, Gurupi, Palmas e Paraíso do Tocantins.

“Neste momento tão difícil, o IFTO cumpre seu papel social com servidores e estudantes das mais diversas áreas utilizando do conhecimento técnico-científico, para atender demandas urgentes da sociedade”, destaca o professor Luís Henrique Bembo, coordenador do projeto.

A produção e a distribuição do produto estão sendo realizadas com atendimento aos procedimentos de notificação aos órgão competentes, de segurança e prevenção nos termos recomendados pela OMS. Os produtos são entregues, gratuitamente, por todas as unidades do IFTO, em articulação com a Pró-reitoria de Extensão (Proex).

O Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu agradece a doação, neste momento em que aumenta nossas preocupações do avanço do vírus nos municípios e comunidades em que se encontram nossas quebradeiras de coco babaçu e demais povos e populações tradicionais. O acesso gratuito ao álcool em gel é um facilitador no combate da disseminação do corona vírus.

Covid 19: lamentamos a perda de mais uma Quebradeira

Nesta segunda (15) pela manhã, recebemos a notícia do falecimento da quebradeira de coco Maria Ribamar, conhecida como “Ribinha”, sendo mais uma vítima do covid 19. Quilombola do território Sesmaria do Jardim, comunidade de São Caetano, no município de Matinha, Ribinha, além da idade avançada, também era asmática, doença preexistente que agravou o seu quadro após a infecção pelo vírus. A confirmação do diagnóstico por covid 19 só ocorreu após o óbito.

O MIQCB lamenta profundamente e se solidariza com amigos, familiares e a todas as companheiras quebradeiras de coco e quilombolas da regional Baixada e demais localidades, que juntas estão sentindo essa dor. A ameaça invisível do coronavírus, a subnotificação, o afrouxamento das medidas de isolamento e prevenção nas cidades, e o constante aumento das aglomerações, além da ausência de um processo de conscientização e fiscalização contínua, deixa nossos territórios e comunidades cada vez mais num estado de vulnerabilidade, além das condições sociais e políticas que já são preexistentes, o que agrava ainda mais a situação.

O quilombo de São Caetano (65 famílias), também apresentou outro caso de covid 19 no território de Sesmaria. Na última sexta, tivemos o informe de que uma senhora quebradeira de coco havia apresentado sintomas (febre, fraqueza e dor no corpo), testando positivo para o Covid 19. Diante das situações ocorridas, o Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu, encaminhou ofício para a Secretaria de Estado de Saúde, a SEDIHPOP, para a Secretaria de Igualdade Racial e para a Secretaria Municipal de Saúde do Município de Matinha, solicitando a tomada de medidas necessárias.

Nesse momento em que todos são chamados à responsabilidade, temos realizado ações de informação, de doação de kits de higiene e cestas básicas, sempre com respeito às normas sanitárias. Também nos colocamos para construir e monitorar medidas de políticas públicas que atendam aos mais vulneráveis neste momento, como são os quilombos e comunidades de quebradeiras. Por este motivo, foram apresentamos no referido ofício as seguintes solicitações:

– Que os casos sejam devidamente registrados pelos órgãos de saúde como caso de covid19 em pessoa quilombola/quebradeira de coco, a fim de que medidas adequadas de saúde sejam pensadas com ampla participação das organizações representativas dos quilombos e povos tradicionais no município e Estado;

– que seja indicada equipe da secretaria de saúde municipal para fazer o acompanhamento domiciliar diário da paciente e seus familiares, até o momento da alta;

– que seja viabilizada medicação à paciente pelos programas estaduais adequados a esta finalidade.

– que seja destinada ação preventiva ao território de Sesmaria do Jardim, com prioridade pra São Caetano, com disseminação de informações, distribuição de kits de higiene e cestas básicas.

– que seja viabilizada testagem para as comunidades que compõe o território a fim de tratar antecipadamente possíveis casos existentes e frear o avanço da doença.

– que seja solicitado ao município informações quanto a regularidade das cestas do PNAE que atendam aos estudantes das comunidades quilombolas.

– que sejam priorizadas ações de efetivação dos direito territoriais (fiscalização ambiental e efetivação da titulação) para o que o direito de ficar em casa também seja garantido aos povos e comunidade tradicionais de Sesmaria do Jardim.

Observatório da Covid-19 nos Quilombos

A invisibilidade da doença em territórios quilombolas revela uma situação dramática, que não tem recebido a atenção devida das autoridades públicas e dos meios de comunicação dominantes. Dados da transmissão da doença em territórios quilombolas são subnotificados, pois muitas secretarias municipais deixam de informar quando a transmissão da doença e a morte ocorrem entre pessoas quilombolas. Tanto as secretarias de saúde como o próprio Ministério da Saúde, têm negligenciado uma atenção específica em relação às comunidades negras. Parte do problema é a ausência de dados epidemiológicos para populações quilombolas.

A CONAQ tem chamado atenção para fatores estruturais alarmantes sobre as consequências do alastramento da pandemia nos territórios quilombolas. Diante disso, a Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ) junto com o Instituto Socioambiental lançaram o “Observatório da Covid-19 nos Quilombos”, (https://quilombosemcovid19.org/) uma plataforma online que reúne dados epidemiológicos da pandemia do coronavírus entre quilombolas de todo o Brasil, em que apresentma casos monitorados, confirmados e óbitos decorrentes da Covid-19 entre quilombolas.

Até o momento, foram registrados 619 casos e 75 mortes por Covid-19 nos quilombos em todo o Brasil. Desde o primeiro óbito, tem morrido 1 quilombola por dia. Com as informações atualizadas, a sociedade brasileira e em especial as comunidades quilombolas terão mais informações para exigir providências do Estado para que tome medidas em defesa da vida das famílias quilombolas.

A desigualdade do enfrentamento ao novo coronavírus, que já se mostra evidente nas periferias urbanas, terá um impacto arrasador nos quilombos se o Estado não agir e a doença mantiver este ritmo de alastramento e letalidade.

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