No Cerrado Piauiense, comunidade de quebradeiras de coco denuncia extração ilegal de madeira nativa

Moradores da comunidade de Vila Esperança, em Esperantina (PI) denunciam flagrante de madeiras nativas do Cerrado extraídas ilegalmente dentro dos limites do território.

Na última sexta feira (16), a comunidade de Vila Esperança, localizada na região dos Cocais Piauiense, no município de Esperantina, realizou uma ação para garantir que não houvesse escoamento de madeiras extraídas ilegalmente de seu território. Espécies nativas do Cerrado, como o Pau D’arco, Angico, Murici, Jatobá, etc., vinham sendo comercializadas clandestinamente há algum tempo. Não é a primeira situação de denúncia de retirada ilegal de madeira feita pela comunidade. Mas é a primeira vez que os moradores conseguem fazer o flagrante antes que a madeira seja retirada do território, encontrando inclusive um machado no local, vez que antes geralmente encontravam apenas o toco das árvores. Assim, montaram uma equipe de vigilância para não haver o deslocamento da madeira sem as devidas providências.

Ainda na quinta feira (15), os moradores da comunidade depararam-se com várias árvores da espécie Pau D’arco e outras espécies nativas do cerrado derrubadas no meio da mata em quantidade suficiente para erguer em média três telhados de casa. “Madeira redonda e madeira serrada. Aqui dentro do mato, por onde você anda tá todo devastado, madeira nova tirada. É crime.” relata em vídeo o Presidente da Associação de Desenvolvimento de Pequenos Produtores de Vila Esperança, Seu Raimundo Gomes Rodrigues, que cita também algumas das demais espécies que fazem parte da área “Pau-pombo, Murici, Jatobá, Gonçalo Alves”.

De imediato, os moradores da comunidade comunicaram à Associação de Desenvolvimento de Pequenos Produtores de Vila Esperança que teve como primeira medida montar guarda para que a madeira não saísse do território antes que os órgãos ambientais chegassem ao local e fizessem a devida autuação. Segundo relatos dos moradores à assessoria jurídica do MIQCB, não se percebe no território a construção de novas moradias, motivo pelo qual se reitera a suspeita que além da extração ilegal, esta esteja associada a crimes de transporte, guarda e venda ilegal de madeira. “Nós da associação, junto aos movimentos do MIQCB e Sindicato de Trabalhadores/as Rurais de São João do Arraial, vamos tomar as providências e levar toda essa madeira para a sede da associação, onde ela só sai de lá se for por uma causa comunitária. Não será beneficiado por outras coisas que não seja coletivo ou comunitário”, afirma Seu Raimundo.

Após a mobilização, os moradores da Vila Esperança juntamente com o apoio do MIQCB e por meio da associação, notificaram o fato ao INTERPI e a Secretaria Estadual de Meio Ambiente, aguardando providências junto ao Ministério Público para que haja a responsabilização quanto aos crimes de extração, transporte e comércio ilegal de madeira nativa. “Nós queremos que a justiça seja feita, que seja cumprida”, complementa o presidente. Têm-se notícias de que o destino das madeiras retiradas ilegalmente no território seria para a Madeireira Antônio, localizada no município vizinho, São João do Arraial.

HISTÓRICO FUNDIÁRIO

A região onde está situada a comunidade e que estão sendo praticados os crimes ambientais são de propriedade do INTERPI, terra pública estadual destinada à regularização fundiária para assentamento de famílias de trabalhadores e trabalhadoras agroextrativistas e quebradeiras de coco babaçu. O local onde foram encontradas as madeiras já possui um histórico de disputa judicial sobre cercamento ilegal de área comum de uso e trabalho. “Essa terra aqui é uma reserva para que possa ficar para pais, filhos, netos e bisnetos, usufruindo dos frutos. A organização que nós quer é pra todos, não pra uma família só”, diz Seu Raimundo sobre o território formado de babaçuais, buritis, bacurizeiros, demais frutas e nascentes de água.

Há 30 anos a comunidade de quatro gerações que hoje possui em torno de 60 famílias, luta para que haja a regularização fundiária do território, a fim de ter uma vida digna usando de forma sustentável os bens da natureza, conservando a fauna, flora, as águas e o modo de vida tradicional. O território da comunidade de Picada Velha, onde uma parte é a Vila Esperança, é oriunda de uma fazenda em que os primeiros moradores viviam da quebra do coco vendendo para o proprietário da terra, em troca por arroz e feijão, e da roça, pagando renda para o “patrão”.

Em 1986, quando essa área já havia sido vendida para o estado do Piauí, os antigos donos ainda realizaram a venda de pequenos lotes. Assim, em 1997, o estado do Piauí entrou com uma ação para anular esse tais atos que foram feitos posteriormente o lugar se tornar terra pública, chegando a ter uma conciliação onde os antigos proprietários queriam ser indenizados pela segunda vez. Essa ação tramita até hoje.

Em novembro de 2018, moradores da comunidade de Vila Esperança chegaram a ocupar a Superintendência do Instituto de Terras do Piauí para fazer pressão pela continuidade dos trabalhos de georreferênciamentos, paralisados à época, e que era uma das peças técnicas necessárias para dar andamento a ação. “A nossa expectativa é que até o final do ano haja sentença judicial, pois o processo vem tendo uma boa movimentação jurídica, e o estado do Piauí já entregou as peças técnicas de faltavam, restando apenas as alegações finais.” informa Renata Cordeiro, assessora jurídica do MIQCB. Tendo como atividade tradicional comum dos moradores a quebra do coco babaçu para a produção de farinha, azeite e vendas, o MIQCB acompanha a comunidade desde 2016.

Importante ressaltar que nos últimos três anos, houve o aumento de ameaças por aqueles que se dizem proprietários da terra, bem como a ameaça por práticas como essa aqui denunciada, que exploram os bens naturais de forma predatória, desrespeitando leis e autoridades locais e não reconhecendo a forma de gestão do território dado pela Associação, que é para conservação, subsistência e do manejo sustentável.

CERRADO: BERÇO DAS ÀGUAS SOB CONSTANTE AMEAÇA

A extração e comercialização ilegal de madeira é um dos elementos que fazem parte dos números de desmatamento do Cerrado. Segundo reportagem do Le Monde Diplomatique Brasil, o Cerrado já teve mais da metade das suas matas nativas devastadas, ao longo do tempo, em razão, sobretudo, da expansão da fronteira agrícola. Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais – INPE mostram que de 2001 a 2019 foram 28,40 milhões de hectares de cerrados desmatado, situação que se agrava todo ano durante o período mais seco quando as queimadas se alastram com mais facilidade e o desmatamento se expande com intensidade ainda maior.

As retomadas de áreas públicas, que por vezes estão nas mãos de falsos “proprietários de terra”, como a orquestrada pela comunidade de Vila Esperança exemplifica que são os povos e populações tradicionais que estão na linha de frente de processos autônomos e na ação direta pela preservação e manutenção dos direitos territoriais, buscando a conservação das matas nativas, das águas e de toda a sociobiodiversidade. São os guardiões das águas e das matas que mantém o Cerrado como fonte de nascentes, como lugar de subsistência de suas populações e base de reprodução de modos de vidas tradicionais.

Dia 24 de setembro como elemento de construção da identidade no Estado Democrático de Direito

Por Joaquim Shiraishi Neto[1]

Em 24 de setembro, foi comemorado aqui no Maranhão e em outros estados (Piauí[2], Tocantins[3] e Pará) o Dia Estadual das Quebradeiras de Coco-Babaçu. Diferentemente de anos passados, quando o Movimento das Quebradeiras (MIQCB) promovia atividades políticas e culturais para discutir os seus desafios, neste ano, em função do novo coronavírus, que se espalha pelos interiores, foi organizada uma live[4] intitulada “O protagonismo feminino e as políticas de resistência das quebradeiras de coco-babaçu”, envolvendo a participação de lideranças regionais: dona Maria Alaídes (São Luís), dona Maria de Fátima (Mearim), dona Maria Antônia (Baixada) e dona Eunice (Imperatriz), do Maranhão; dona Emília (Bico do Papagaio), do Tocantins; dona Helena (Esperantina), do Piauí; dona Cledeneuza (São Domingos), do Pará.

Fruto do babaçu é fonte de renda e soberania alimentar para quebradeiras de coco. (Foto: Thomas Bauer/CPT)

O Dia Estadual das Quebradeiras de Coco é fruto de uma maior consciência das quebradeiras de coco da sua condição, as quais se organizaram em um movimento social, a partir do final da década de 80 do século XX, contra a devastação dos babaçuais pelos “proprietários” das terras. O discurso das quebradeiras de coco contrapõe-se ao discurso hegemônico que concebe a natureza como um dado natural, em si mesma, atendo-se às belezas naturais[5], à exuberância das florestas de babaçu e a seus potencial econômico, como objeto de acumulação e de troca. Tal discurso ignora o papel fundamental das quebradeiras de coco-babaçu na construção e na preservação das florestas de babaçu, o que inclui a produção de amêndoas, extraídas do coco, manualmente, desde o início do século XX, a qual ainda hoje mobiliza a economia regional.

No atual contexto de crise sanitária, em que o governo aproveita-se para “passar a boiada”, desmontando todas as políticas ambientais edificadas à luz da Constituição Federal de 1988, as quebradeiras de coco explicitam suas maneiras de fazer e de criar como reafirmação do seu jeito de viver. As palmeiras de babaçu, enquanto “árvores-mães” para as quebradeiras, têm muitos sentidos e significados próprios, que servem para organizar as relações na comunidade, fundadas nos paradigmas do cuidado e da solidariedade[6].

Por isso, o Dia Estadual das Quebradeiras de Coco é um elemento vivo que fortalece a identidade do grupo, a exemplo das inúmeras identidades que emergiram nas últimas décadas no país, implicando o reconhecimento de que o Brasil é composto por uma pluralidade de categorias sociais.

O direito das quebradeiras ao seu Dia representa a síntese de uma longa história de luta dessas mulheres pelo direito a uma vida digna, em sintonia com os recentes documentos internacionais (declarações, convenções, protocolos) que integram o sistema universal dos direitos humanos, compondo uma nova geração de direitos, decorrentes das ameaças de expansão do capital, financeirizado, em um mundo globalizado.

Do ponto de vista do direito[7], as teorias esclarecem que estamos vivendo em um período que nos obriga a substituir as “ontologias dualistas”, que colocam em lados opostos sujeitos e objetos, pelas “ontologias relacionais”, vinculadas à dimensão comunicativa e relacional. De fato, “el individuo tan sólo puede construir un ‘sí mismo’, por medio de la comunicación con los otros”[8]. Tal compreensão teórica, que estabelece a interdependência entre os sujeitos – e a sua dignidade –, é a chave para o entendimento de um novo direito, não restrito à autonomia individual, aberto às diversidades e liberdades individuais e coletivas, consoante os princípios que regem o Estado Democrático de Direito. Que as quebradeiras de coco possam continuar vivendo as suas vidas do jeito que escolheram viver, nutridas de coragem e de “ideias para adiar o fim do mundo”, como adverte Ailton Krenak[9].

Artigo originalmente publicado em https://racismoambiental.net.br/

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[1] Advogado. Professor do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCSoc) da Universidade Federal do Maranhão (UFMA). Pesquisador Fapema e CNPq. Bolsista produtividade. Membro do Observatório de Protocolos Comunitários de Consulta Livre, Prévia e Informada.

[2] No Piauí, o Dia Estadual das Quebradeiras de Coco-Babaçu foi instituído pela Lei n.º 6.669/2015.

[3] No Estado do Tocantins, o Dia Estadual das Quebradeiras de Coco é comemorado no dia 7 de novembro, em homenagem a dona Raimunda Gomes da Silva, que faleceu nessa data.

[4] Disponível em: https://www.miqcb.org/post/mulheres-preparam-live-para-o-dia-estadual-da-quebradeira-de-coco-baba%C3%A7u. Acesso em: 28 set. 2020.

[5] Entre as poesias que enaltecem as belezas naturais, a mais conhecida é a “Canção do exílio”, de Gonçalves Dias: “Minha terra tem palmeiras / Onde canta o Sabiá / As aves, que aqui gorjeiam, / Não gorjeiam como lá”.

[6] SHIRAISHI NETO, Joaquim. As quebradeiras de coco: “babaçu livre” e reservas extrativistas. Veredas do Direito, Belo Horizonte, v. 14, n. 28, p. 147-166, jan./abr. 2017.

[7] SARLET, Ingo Wolfgang. As dimensões da dignidade da pessoa humana: construindo uma compreensão jurídico-constitucional necessária e possível. In: SARLET, Ingo Wolfgang (org.). Dimensões da dignidade: ensaios de Filosofia do Direito e Direito Constitucional. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2005.

[8] HÄBERLE, Peter. Dignidad humana y democracia. In: HÄBERLE, Peter. Constitución como cultura. Bogotá: Instituto de Estudios Constitucionales Carlos Restrepo Piedrahita, 2002, p. 17.

[9] KRENAK, Ailton. Ideias para adiar o fim do mundo. São Paulo: Companhia das Letras, 2019.

Regional Piauí inaugura unidades produtivas da CIMQCB

Semana passada foi comemorado o Dia Estadual das Quebradeiras de Coco Babaçu, data celebrada no Piauí e no Maranhão. Durante a semana, a regional Piauí, a Coordenação do Movimento das Quebradeiras de Coco Babaçu e a Cooperativa das Quebradeiras de Coco realizaram a inauguração de reformas e novas unidades produtivas de babaçu, bem como prepararam uma feira com produtos agroecológicos. Os projetos das unidades produtivas é uma ação da CIMQCB e Fundo Babaçu, com apoio da Fundação Ford.

Na segunda-feira (21), foi realizada a inauguração da unidade produtiva de mesocarpo de babaçu com grupo de mulheres extrativistas na comunidade de Olho D’água, município de Luzilândia-PI. As mulheres preparam um delicioso café da manhã com bolos de goma de mandioca e de milho, pudim de mesocarpo de babaçu, ovos de galinha caipira, suco natural de maracujá, tudo preparado pelas mãos das quebradeiras.

Já na terça-feira (22) foi realizada a inauguração da reforma das unidades produtivas de azeite de babaçu, na comunidade de Boi Velho, e da unidade produtiva de bolos, em Tapuio, ambas no município de Esperantina-PI.

Na manhã do dia 24 (quinta-feira), no município de Esperantina (PI), foi realizada uma feira agroecológica das Quebradeiras de Coco Babaçu, com a venda de azeites, bolos, farinhas, mesocarpo, bananas, laranjas e demais frutos vindos de cultivos das mulheres. Para a ação, pensando no cuidado de todos, o MIQCB preparou medidas de proteção contra o Covid-19, disponibilizando álcool em gel e realizando medição de temperatura em todos que marcaram presença na feira.

São as mulheres quebradeiras de coco babaçu que, apesar de todos os desafios dos últimos meses, estão mostrando o resultado de seu trabalho e do seu dia a dia de luta, colocando produtos sem agrotóxico em nossas mesas.

E por fim, um pouco da homenagem feita pelas quebradeiras do grupo produtivo da comunidade de Boi Velho, em Esperantina (PI), e da comunidade Jatobá, no município de Joca Marques (PI):

Mulheres preparam live para o Dia Estadual da Quebradeira de Coco Babaçu

Na quinta-feira (24) desta semana, é comemorado o Dia Estadual das Quebradeiras de Coco Babaçu, nos estados do Maranhão e Piauí. Nos anos anteriores, era um momento de marchas, reivindicações, audiências públicas, seminários e debates sobre a luta das quebradeiras. Mas, diante da pandemia, o MIQCB convida a todos para um momento de conversa virtual que reunirá representações das seis regionais, em uma live com o tema “O Protagonismo Feminino e as Políticas de Resistência das Quebradeiras de Coco Babaçu”. Para conduzir o diálogo, teremos como mediadora convidada a Maria Emília, antropóloga e assessora da ONG Fase.

O Dia Estadual das Quebradeiras de Coco foi sancionado pelo Governo do Estado do Maranhão em 2011. Já no Piauí, a data foi instituída em 2015. Um dia de memória e reconhecimento pela histórico de luta das quebradeiras. São mulheres, adultas e jovens, quilombolas, indígenas, agroextrativistas, mães, avós, filhas e companheiras, que estão à frente de ações políticas, pedagógicas e econômicas, na luta por direitos e na defesa das florestas de babaçu, proteção dos territórios tradicionais, do respeito ao modo de vida e a relação dos povos com a biodiversidade.

Na live será debatido o acesso livre ao território e aos babaçuais, a preservação da biodiversidade, bem como o respeito aos modos e saberes tracionais. O bate-papo está marcado para às 16h (horário de Brasília), quinta-feira, com transmissão página do facebook do MIQCB e canal do Youtube.

Segue abaixo o convite feito pelas mulheres:

Outras Iniciativas

A coordenação do Movimento das Quebradeiras de Coco Babaçu e a Cooperativa das Quebradeiras de Coco também preparam uma programação especial para a semana do Dia Estadual das Quebradeiras de Coco Babaçu no Piauí.

Na segunda-feira (21), foi realizada a inauguração da unidade produtiva de mesocarpo de babaçu com grupo de mulheres extrativistas na comunidade de Olho D’água, município de Luzilândia-PI. As mulheres preparam um delicioso café da manhã com bolos de goma de mandioca e de milho, pudim de mesocarpo de babaçu, ovos de galinha caipira, suco natural de maracujá, tudo preparado pelas mãos das quebradeiras.

Já na terça-feira (22) foi realizada a inauguração da reforma das unidades produtivas de azeite de babaçu, na comunidade de Boi Velho, e da unidade produtiva de bolos, em Tapuio, ambas no município de Esperantina-PI.

Articulação Tocantinense de Agroecologia realiza a “Semana agroecológica”

Com a pandemia, diversas comunidades do campo e da cidade do estado do Tocantins estão passando por dificuldades com a falta de renda e aumento de pessoas doentes com a covid 19. Em ato de solidariedade as comunidades do campo, a Articulação Tocantinense de Agroecologia (ATA), do qual o MIQCB faz parte, em conjunto com diversas organizações e movimentos sociais do campo e da cidade, organizam a Semana agroecológica: Saberes agroecológicos tecendo vidas e resistências nos territórios no enfrentamento a pandemia, na semana dos dias 17 a 21 de agosto.

Desde a segunda feira (17) está havendo doações de cestas básicas e kits de higiene as famílias indígenas do povo Apinajé, acampados e ocupantes de áreas de conflitos agrários na região Tocantinópolis, Araguaína e Palmas. Os alimentos que compõe as cestas básicas, são produtos agroecológicos doados pelas famílias assentadas da reforma agrária e quebradeiras de coco babaçu.

Além de alimentos saudáveis produzidos nas áreas de assentamentos e acampamentos do MST, o MIQCB contribuiu com a doação de azeites de coco de babaçu e a APA-TO com kit’s de higiene pessoal e geral.

Azeites de babaçu produzidos pelas quebradeiras do Tocantins que foram entregues ao povo indígena Apinajé

E na sexta feira (21), a partir das 19h, haverá a Live Roda de Conversa dos Povos do Campo: Saberes agroecológicos tecendo vidas e resistências nos territórios no enfrentamento a pandemia. Contando com a participação de representantes dos povos quilombolas, indígenas, sem terras, como também, a participação de Maria Emília Pacheco, representante do Fórum Brasileiro de Segurança e Soberania Alimentar e Nutricional (FBSSAN) e Laudovina Pereira, representante do Conselho Missionário Indigenista (CIMI). A Live será transmitida canal Resistência Contemporânea no YouTube e pelos Facebooks da CPT Araguaia-Tocantins e APA-TO.

Um dos objetivos da semana é mobilizar ações de solidariedade das organizações e movimentos sociais que compõe a ATA para com as famílias do campo que se encontram em situação de vulnerabilidade, carência de alimentos e materiais de higiene. Também visa dialogar com a população da cidade sobre a importância da agricultura familiar, além de, dar visibilidade as experiências agroecológicas desenvolvidas nos territórios pelos indígenas, assentados, quilombolas, posseiros, quebradeiras de coco babaçu e atingidos por barragens.

Para enfrentar a pandemia, só com comida de verdade e agroecologia no campo e na cidade!

via APA-TO

Edital de Convocação – Assembléia Geral Extraordinária

A Coordenadora Geral do MIQCB, Associação do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu, no uso de suas atribuições legais, convoca as associadas, quebradeiras de coco babaçu das 6(seis) regionais dos estados do Pará, Maranhão, Piauí e Tocantins para Assembleia Geral Extraordinária – modalidade virtual – que será realizada dia 18 de setembro de 2020, às 8h primeira convocação, 8:30h segunda convocação, na sede do MIQCB – Rua São Raimundo, Qd 42, casa 09, São Luis – MA, de acordo com o Estatuto Social do MIQCB, com participação à distância, cumprindo decretos e regulamentações relacionadas à situação de proibição de reuniões presenciais, motivado pela pandemia Covid 19, com participação em ambiente virtual; para deliberarem sobre:

  1. Venda Transferência de compradores de motos dos regionais
  2. Informes

A transmissão será feito via link de aplicativo de plataformas de reunião online a ser repassado posteriormente.

Acesse e leia aqui abaixo o Edital completo:

EDITAL DE CONVOCAÇÃO – ASSEMBLÉIA GERAL EXTRAORDINÁRIA

Atenciosamente,

Maria Alaídes Alves de Sousa

Coordenação Geral do MIQCB

Marcha das Margaridas, 20 anos: MIQCB participará de Ato Comemorativo

Em celebração aos 20 anos da Marcha das Margaridas, a CONTAG, Federações e Sindicatos realizam com o apoio de várias organizações parceiras da Marcha, grande Ato Comemorativo, às 14 horas, desta quarta-feira (12 de agosto), no Portal e Redes Sociais da CONTAG.

O Ato contará com várias expressões culturais e importantes falas políticas. Além das representações da CONTAG, haverá presença de participantes das entidades parceiras da Marcha das Margaridas, à exemplo da CUT, da CTB e o Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu, em que a Coordenadora Geral, Maria Alaídes, participará de um diálogo. Haverá também a presença do ex-presidente Lula, da ex-presidenta Dilma Rousseff e demais agentes políticos, bem como presença das atrizes Letícia Sabatella e Maria Casadevall, das cantoras Susi Monte Serrat, Zélia Duncan e Lia de Itamaracá, dentre outros nomes.

“Desde já, agradeço pela presença de todas (os), que desde suas comunidades, seus assentamentos, dos lugares mais diversos do Brasil e do mundo, estão conosco nesse caminhar de 20 anos da Marcha das Margaridas. Um caminho feito de ousadia e luta pela agroecologia, conservação do meio ambiente e valorização dos modos de vida reproduzidos no campo, na floresta e nas águas. Por democracia e soberania popular, com justiça social e em defesa dos nossos territórios. E pela construção de uma sociedade livre de violência de gênero e racial, sem homofobia e sem intolerância religiosa, dentre outras pautas que buscam a transformação do nosso País. Seguiremos em Marcha, com nossa força, criatividade e ousadia”, ressalta Mazé Morais.

SOBRE A MARCHA DAS MARGARIDAS

No dia 12 de agosto lembramos a história da trabalhadora rural e líder sindical, Margarida Maria Alves, assassinada a mando de latifundiários nesta mesma data no ano de 1983, porque lutava pelas trabalhadoras e trabalhadores rurais, denunciando abusos e violações de seus direitos, cometidos por fazendeiros e usineiros, que influenciavam e dominavam a economia e a política, em Alagoa Grande/Paraíba.

Tendo como inspiração a história de luta de Margarida Alves, nesta data (12 de agosto) é realizada desde 2000 pela CONTAG, Federações e Sindicatos filiados, com o apoio de várias organizações parceiras, a Marcha das Margaridas, e também é celebrado o Dia Nacional dos Direitos Humanos.

“Margarida, hoje, vive em cada uma de nós, mulheres do campo, da floresta e das águas. Seu nome se tornou um símbolo nacional de força e coragem cultivado por milhares de Margaridas desse país”, destaca a secretária de Mulheres da CONTAG e coordenadora Geral da Marcha das Margaridas 2019, Mazé Morais.

A 1º Marcha das Margaridas, em agosto de 2000, reuniu 20 mil mulheres, em Brasília/DF. Desde então, mulheres do campo, da floresta, das águas e da cidade continuam marchando. Retornando à capital do país em 2003, 2007, 2011, 2015 e em 2019, quando já somaram 100 mil Margaridas.

“A nossa luta é marcada pela construção de justiça e igualdade social num país historicamente marcado pela concentração de terras, riquezas e poder. Pautas que estão alinhadas com a luta travada por Margarida Maria Alves”, destaca a secretária de Mulheres da CONTAG.

Assista na TV CONTAG – VÍDEO OFICIAL DOS ANOS DA MARCHA DAS MARGARIDAS: AQUI

Saiba mais sobre a história de Margaridas Maria Alves, através do vídeo: “NOS CAMINHOS DE MARGARIDA”: AQUI

FONTE: Comunicação CONTAG – Barack Fernandes

Nota de pesar pelo falecimento de Dom Pedro Casaldáliga

“No final do meu caminho me dirão:

– E tu, viveste? Amaste?

E eu, sem dizer nada, abrirei o coração

cheio de nomes” – Dom Pedro Casaldáliga

O Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu vem manifestar o seu imenso lamento pelo falecimento, na manhã deste sábado (8), de Dom Pedro Casaldáliga, bispo emérito da Prelazia de São Félix do Araguaia (MT) e Missionário Claretiano.

Fundador de pastorais e organizações sociais dedicadas à luta pela terra, Casaldáliga trabalhou sempre a favor dos camponeses, dos sem-terra e dos Povos Indígenas, se posicionando abertamente contra o latifundio, o agronegócio e todos os poderes econômicos que negam os direitos dos indivíduos e dos povos.

Um Bispo contra todas as cercas! As Quebradeiras de Coco agradecem pela existência de seu legado que continuará inspirando e sendo semente no fortalecimento de nossas lutas!

Dom Pedro Casaldáliga, Presente!

No Piauí, MIQCB entrega 1.500 cestas básicas com alimentos agroecológicos

Diante da pandemia e isolamento social, que já está caminhando para o sexto mês, o Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu segue buscando estratégias para minimizar os impactos da crise nos territórios das quebradeiras de coco, por meio de ações de solidariedade e do fortalecimento das produções agroecológicas e segurança alimentar.

Com o intuito de movimentar a economia solidária da agricultura familiar e dos centros produtivos da CIMQCB, a regional Piauí, através de doação da Fundação Banco do Brasil, comprou produtos agroecológicos para formação de cestas básicas a serem entregues para famílias em situação de vulnerabilidade nesse tempo de pandemia causada pelo corona vírus. A iniciativa faz parte da Campanha “Proteja e Salve Vidas”, que possui destinações de recursos do banco BV à Fundação Banco do Brasil para ações de assistência social, prevenção e combate ao Covid-19.

O MIQCB adquiriu cerca de onze toneladas de alimentos da agricultura familiar, beneficiando em torno de 150 famílias diretamente. Na primeira etapa do projeto, houve a formação de mil e quinhentas cestas básicas que foram entregues para famílias de quebradeiras de coco babaçu. Foram atendidas trinta e cinco comunidades localizadas em dez municípios da região norte do estado do Piauí: Esperantina, Morro do Chapéu, Luzilândia, Joca Marques, Madeiro, Barras, Miguel Alves, São João do Arraial, Cabeceiras do Piauí e Campo Largo do Piauí.

Todas as cestas foram devidamente higienizadas e as entregas foram realizadas prezando pela segurança da saúde, sem aglomerações e contando com a participação dos jovens do movimento. “Cada família recebeu uma cesta com arroz, feijão, café, açúcar, azeite de babaçu, mesocarpo de babaçu, bolo de goma, beiju de goma, farinha e goma de mandioca, polpas de frutas, panificados e leite. Além de receberem um kit de limpeza”, relata Helena Gomes, vice-coordenadora do MIQCB.

A ação foi debatida com os setores da administração pública para avaliar os melhores caminhos para sua realização, contando com assistência da Secretaria do Estado da Agricultura Familiar, das Prefeituras Municipais de Esperantina, São João do Arraial e Luzilândia, que contribuíram na segurança, logística e transporte das entregas. Houve também o apoio da Cooperativa Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu, Fundação Ford, Action Aid e ASW.

As quebradeiras de coco babaçu seguem na luta pelo extrativismo e agricultura de base agroecológica e econômico-solidária, pautada na produção de alimentos saudáveis, livres de agrotóxicos, e na preservação e valorização dos saberes e sabores presentes na soberania alimentar dos povos e comunidades tradicionais.

Agricultores familiares lançam loja virtual com produtos dos biomas Cerrado e Caatinga

A loja virtual da Central do Cerrado reúne mais de 30 associações e cooperativas de diferentes pontos do país.

Foto: Thomas Bauer

Baru, jatobá, pequi, umbu. Ingredientes regionais que simbolizam a biodiversidade encontrada nos sabores brasileiros. A safra do Cerrado e da Caatinga inspira agricultores que residem nestes territórios — nos Estados de Minas Gerais, Distrito Federal, Tocantins, Bahia, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Maranhão, Piauí, Pará e Goiás — a beneficiarem produtos alimentícios e a produzirem artesanato com riqueza cultural que garante autonomia e renda.

Comunidades de agricultores familiares extrativistas protagonizam esse trabalho, que raramente ocupam as prateleiras dos supermercados. Juntas elas formam a Central do Cerrado: uma cooperativa formada por mais de 30 organizações comunitárias (entre cooperativas e associações) e funciona como uma ponte entre quem produz e quem consome. Em tempos de fortalecimento do serviço de entregas, a Central inaugura uma nova plataforma onde o internauta de qualquer lugar do país encontra mais de 200 itens e pode recebê-los sem sair de casa.

Clique aqui para acessar a loja virtual da Central do Cerrado

“Com a situação do COVID19 e isolamento social muitas dessas comunidades tiveram o escoamento de sua produção comprometidos. A venda pela loja virtual é uma forma de escoar os produtos dessas comunidades e garantir renda para as famílias agroextrativistas. A comercialização ajuda a manter o Cerrado e Caatinga em pé, conservar a biodiversidade nativa, incentiva a permanência no campo, valoriza a cultura local e o modo de vida tradicional”, ressalta o secretário executivo da Central do Cerrado, Luis Roberto Carrazza.

As agroindústrias das comunidades de produtores da Central do Cerrado operam observando os cuidados básicos de distanciamento social, uso de máscaras, cuidados redobrados de higienização pessoal, esterilização das estruturas de equipamento e insumos: detalhes também observados pela equipe da Central do Cerrado no preparo e envio dos pedidos da loja virtual.

Produtos da sociobiodiversidade

Entre as opções de compra estão alimentos como farinhas especiais com destaque para o mesocarpo de babaçu (500g, R$ 15) da Cooperativa dos Pequenos Produtores Agroextrativistas de Esperantinópolis (Coopaesp) da comunidade tradicional das quebradeiras, de Esperantinópolis, no Maranhão; as farinha de buriti (1 kg, R$ 50) da cooperativa Grande Sertão de Montes Claros, Norte de Minas Gerais — além do flocão de milho não-transgênico (500g, R$ 7) (matéria-prima para o cuscuz nordestino) da Cooperativa Agropecuária Mista Regional de Irecê (Copirecê), de Irecê, na Bahia.

As castanhas brasileiras também ganham destaque no novo site, entre elas a castanha-de-baru da cooperativa Copabase (300g, R$35), super proteica e energética, um dos grandes ícones do Cerrado. Pouco utilizada pelos chefs de cozinha, a castanha-de-pequi (100g, R$15) também figura entre as oleaginosas oferecidas pela Central do Cerrado lado a lado da amêndoa de licuri torrada (100g, R$7), da Cooperativa de Produção da Região do Piemonte da Diamantina (Coopes), também chamado de coquinho na Bahia e rico em proteínas. Na categoria bebidas a página apresenta o licor de pequi da marca familiar Savana Brasil (700ml, R$70) e a cerveja de coquinho azedo fruit beer (600ml, R$ 25)  da cooperativa Grande Sertão, de Montes Claros, Minas Gerais.

Além dos produtos, o internauta encontra informações sobre a origem social das comunidades produtoras e a origem territorial. Entre os conteúdos da plataforma estão receitas, fichas técnicas e dicas de uso.

Saiba mais sobre a Central do Cerrado

A Central do Cerrado é uma cooperativa formada por diversas organizações comunitárias de agricultores familiares extrativistas do Cerrado e da Caatinga. A missão é manter os modos de vida tradicionais e conservação dos territórios onde vivem esses povos a partir da comercialização de produtos desenvolvidos através do uso sustentável da biodiversidade nativa. Ela é uma das mais de 50 organizações associadas à Rede Cerrado.

SOBRE O CIMQCB 

A Cooperativa Interestadual das Mulheres Quebradeiras de Coco Babaçu (CIMQCB) é uma organização de grupos produtivos comunitários formados por mulheres que coletam e processam o coco babaçu no Pará, Maranhão, Tocantins e Piauí. A CIMQCB foi fundada em 2009 (registrada oficialmente em 2011) e está sediada em São Luís, no Estado de Maranhão. A Cooperativa é uma das entidades associadas à Central do Cerrado.  

www.centraldocerrado.org.br 

marca do MIQCB

MIQCB

MOVIMENTO INTERESTADUAL DAS QUEBRADEIRAS DE COCO BABAÇU

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LOCALIZAÇÃO

Rua da Palma, nº. 489 - Centro Histórico

São Luís - Maranhão

CEP: 65010-440

CONTATO

Fone: (98) 3268-3357

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