
“Essa foto representa muito para mim, porque mostra nossa amizade, desde pequena. E palmeira é de grande importância, porque é sobrevivência.”
Ádina e as amigas Luzia e Franciele do Mearim (MA)
Filhas da Mãe Palmeira, as quebradeiras de coco babaçu, organizadas por meio do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu, e com o apoio da União Europeia e da ActionAid, lançam as peças publicitárias sobre o trabalho de valorização da cultura da quebra do coco. As ações da campanha foram desenvolvidas ao longo do ano de 2019, com a realização de Oficina Fotográfica e Comunicação Comunitária, visita em setembro a três países na Europa, e, em dezembro, com o encerramento da ação com a veiculação das peças publicitárias produzidas ao longo dessas atividades. Aqui uma das fotos que retratam a vida, luta e resistência dessas mulheres.
#uniaoeuropeia

“Essa foto eu estou lavando roupa em cima de uma palmeira. Eu queria resgatar os nossos antepassados; hoje as meninas que estão aqui lavam roupa em tanque, com água encanada; mas isso foi possível por meio da luta dessas pessoas que lavavam roupa no buraquinho, no açude e na lagoa” Dona Dijé do Mearim.
Filhas da Mãe Palmeira, as quebradeiras de coco babaçu, organizadas por meio do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu, e com o apoio da União Europeia e da ActionAid, lançam as peças publicitárias sobre o trabalho de valorização da cultura da quebra do coco. As ações da campanha foram desenvolvidas ao longo do ano de 2019, com a realização de Oficina Fotográfica e Comunicação Comunitária, visita em setembro a três países na Europa, e, em dezembro, com o encerramento da ação com a veiculação das peças publicitárias produzidas ao longo dessas atividades. Aqui uma das fotos que retratam a vida, luta e resistência dessas mulheres.

“Achei muito linda essa foto, o lugar que escolhi. O verde traz uma alegria pra todos, que nós devemos cultivar. Um sinal de muita alegria, de felicidade pra gente viver melhor. Eu não gostava de tirar foto, mas eu agradeço que depois que eu participei junto com as companheiras de trabalho, eu já tenho mais coragem, tirei aquela timidez.” Edileusa – Imperatriz (MA)
Filhas da Mãe Palmeira, as quebradeiras de coco babaçu, organizadas por meio do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu, e com o apoio da União Europeia e da ActionAid, lançam as peças publicitárias sobre o trabalho de valorização da cultura da quebra do coco. As ações da campanha foram desenvolvidas ao longo do ano de 2019, com a realização de Oficina Fotográfica e Comunicação Comunitária, visita em setembro a três países na Europa, e, em dezembro, com o encerramento da ação com a veiculação das peças publicitárias produzidas ao longo dessas atividades. Aqui uma das fotos que retratam a vida, luta e resistência dessas mulheres.
#uniaoeuropeia

“Eu quis tirar essa foto aqui no caminho porque mostra nosso dia a dia, porque desde criança nós vivemos nessa cultura de ir pra roça, tem as veredas que é de ir para os garapés ou para o açude. Então eu quis mostrar o caminho, porque hoje nem sempre é fácil, tem muitos arames pra gente atravessar, as vezes a gente tem que levar as bacias na cabeça, aí temos que parar pra atravessar o arame. E isso é para mostrar que o caminho está livre, mas que mesmo assim existem vários obstáculos, mas com fé nós podemos enfrentar todos os obstáculos que existem em nosso caminho”, Alcilene, Médio Mearim.
Quebradeiras de coco babaçu lançam campanha de valorização da cultura por meio dos encantos da resistência e pela conservação ambiental
Filhas da Mãe Palmeira, as quebradeiras de coco babaçu, organizadas por meio do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu, e com o apoio da União Europeia e da ActionAid, lançam as peças publicitárias sobre o trabalho de valorização da cultura da quebra do coco. As ações da campanha foram desenvolvidas ao longo do ano de 2019, com a realização de Oficina Fotográfica e Comunicação Comunitária, visita em setembro a três países na Europa, e, em dezembro, com o encerramento da ação com a veiculação das peças publicitárias produzidas ao longo dessas atividades. Aqui uma das fotos que retratam a vida, luta e resistência dessas mulheres.

O domingo foi diferente para a luta e resistência dos povos e comunidades tradicionais. Uma voz se calou para sempre na região do Bico do Papagaio. No final da manhã, Helena Gomes, filha de dona Maria Raimunda, e enteada de seu Antônio Carvalho de Bezerra, conhecido como Antônio Cipriano, tinha falecido. Um silêncio respeitoso se instalou nos parceiros de luta. Ele era viúvo de dona Maria Raimunda (liderança reconhecida nacionalmente e internacionalmente na quebra do coco babaçu). A foto de Thomas Bauer registrou o momento do casal.
Ele foi determinante para a luta e resistência territorial no Bico do Papagaio. Em uma de suas últimas participações em atividades, durante a realização do Encontro de Agroecologia do Tocantins, realizado em outubro desse ano, ele narrou como enfrentou na década de 70 e 80 os fazendeiros da região. Na ocasião, ele dividiu a mesa com a antropóloga e ex-presidente do Conselho de Segurança Alimentar (Consea), Maria Emília Pacheco. Em sua fala categórica, a pesquisadora falou “É preciso rememorar as histórias das pessoas como a de dona Raimunda, Dona Dijé, Dada em um momento tão forte de desprezo e negação da democracia”. Mais um guerreiro se junta a essa memória, o seu Antônio Cipriano.
Antonio Cipriano, morador antigo de Sete Barracas, em São Miguel do Tocantins , era viúvo de dona Maria Raimunda (liderança reconhecida nacionalmente e internacionalmente na quebra do coco babaçu). Lutou junto às quebradeiras de coco babaçu e ajudou no impulsionamento e na construção de políticas de inclusão social e desenvolvimento sustentável das regiões onde atuara. Juntos consolidaram e deram voz aos ideais humanitários e ambientais em busca do bem-viver.
O Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco do Brasil (MIQCB) se solidariza com a família de seu Antonio Cipriano. Reconhece a importância de sua liderança e trabalho para a conquista fundiária e para fortalecimento da luta das quebradeiras de coco babaçu.
O advogado e integrante do Conselho Nacional de Direitos Humanos, que esteve em Sete Barracas em 2017, Marcelo Chelreo publicou em sus redes sociais: Há pouco mais de um ano falecia d. Raimunda Quebradeira de Coco, agora falece ‘ seu ‘ Antônio Cipriano ( como era conhecido ), viúvo dessa mulher que fez e faz parte da luta das mulheres por dignidade e terra; ‘ seu ‘ Antônio, também ele importante liderança no Bico do Papagaio. Que o exemplo desse casal combativo e comprometido com luta por pão, terra e liberdade se faça sentir por muitos e muitos anos.

Filhas da Mãe Palmeira, as quebradeiras de coco babaçu, organizadas por meio do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu, e com o apoio da União Europeia e da ActionAid, lançam as peças publicitárias sobre o trabalho de valorização da cultura da quebra do coco. As ações da campanha foram desenvolvidas ao longo do ano de 2019, com a realização de Oficina Fotográfica e Comunicação Comunitária, visita em setembro a três países na Europa, e, em dezembro, com o encerramento da ação com a veiculação das peças publicitárias produzidas ao longo dessas atividades.
Guardiãs dos Babaçuais em uma relação que conecta ciclos e gerações. Dessa relação simbiótica se conserva o território e se sustenta a tradição. O trabalho desenvolvido pela equipe de comunicólogos (jornalistas, designers, publicitários, cineastas) para a campanha publicitária teve o cuidado de expressar graficamente, visualmente e textualmente essa conexão, investigando as referências visuais desse universo para propor algo sensível e acolhedor, sem perder de vista a força e resistência que fazem parte das lutas diárias das quebradeiras de coco babaçu.
Entre os objetivos da campanha de valorização da cultura da quebra do coco babaçu estão: propiciar visibilidade às violações de direitos das quebradeiras de coco babaçu; aproximar e gerar identificação com as demandas das quebradeiras de coco babaçu por seu desenvolvimento sustentável e engajar a sociedade na luta pela defesa dos modos de vida das quebradeiras de coco babaçu. Todos os objetivos no âmbito nacional e internacional.
A campanha foi trabalhada tendo como contexto o manifesto aprovado pelas quebradeiras de coco babaçu (na íntegra todo o texto abaixo). Acompanhe e compartilhe o material nas redes sociais do MIQCB: facebook e site.
Viagem a Europa
Inglaterra, Bélgica e França conheceram um pouco mais do modo de vida das quebradeiras de coco babaçu. De 24 de setembro a 12 de outubro, um grupo de mulheres visitaram instituições financiadoras, universidades e o parlamento europeu apresentando os desafios da cultura da quebra do coco babaçu pelos quatro estados brasileiros: Maranhão, Pará, Piauí e Tocantins. Além de buscar agentes financiadores estrangeiros para os projetos do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB).
A atividade integra o projeto “Mulheres Quebradeiras de Coco Babaçu em Defesa do Desenvolvimento Sustentável dos Povos e Comunidades Tradicionais”, apoiado pela União Europeia em parceria com a agência de combate a pobreza ActionAid. Para a coordenadora geral do MIQCB, Maria Alaídes Alves Sousa, a visita as instituições da sociedade civil e políticas desses países é estratégico para o fortalecimento da luta dos povos e comunidades tradicionais.
Oficina de Fotografia e comunicação comunitária
Muita sensibilidade, autenticidade e naturalidade para contar uma história, onde o protagonismo é das quebradeiras de coco babaçu. Foi o que aconteceu nas Oficinas de Comunicação Comunitária e de Fotografia ministradas para as mulheres que representam a cultura da quebra do coco babaçu. Durante uma semana, a capacitação foi ministrada para as regionais.
A atividade fez parte do projeto Mulheres Quebradeiras de Coco Babaçu em Defesa do Desenvolvimento Sustentável dos Povos e Comunidades Tradicionais, apoiado pela União Europeia e desenvolvido pela agência internacional de combate à pobreza, ActionAid. O fortalecimento à luta pelo acesso livre ao território, pela conservação das florestas de babaçus e pela garantia dos direitos utilizando estratégias e ferramentas de comunicação foi trabalhado na oficina de Comunicação Comunitária, ministrada pela jornalista Yndara Vasques. As atividades são preparatórias para uma campanha internacional de valorização da cultura da quebra do coco babaçu a ser lançada pela Europa. A fotografa Bruna Valença, cujo trabalho é direcionada para o universo feminino, dialogou sobre as técnicas de fotografia e importância das próprias quebradeiras de coco babaçu registrarem a sua própria história por meio do auto retrato.
Manifesto
QUEBRADEIRAS: OS ENCANTOS DA RESISTÊNCIA PELA CONSERVAÇÃO
Há pelo menos 3 gerações encontramos nosso bem viver na palmeira babaçu. O coco que ela nos dá vira de tudo em nossas mãos: é o que nos mobiliza pela conservação da natureza ao nosso redor e das comunidades nativas da nossa região; é o alimento que nos sustenta; é o teto que nos abriga;
Filhas da Mãe Palmeira, nossos corpos e ciclos de mulher possuem muito em comum com a natureza do babaçu. Assim como nós, que geramos vida em 9 meses, a palmeira babaçu amadurece o cacho de coco nesse mesmo tempo. O coco babaçu que nos alimenta remete ao formato dos nossos seios que alimentam nossas crias. Nós, quebradeiras, somos irmãs do leite de babaçu, que nutre as nossas famílias desde a infância. E é por essa relação simbiótica com o babaçu que levamos com honra o título de Guardiãs dos Babaçuais.
Nossa história enquanto povo tradicional foi construída pelas mãos calejadas de mulheres fortes. Com a beleza e a firmeza de uma luta travada por mulheres. Se antes nossa atividade era desvalorizada, hoje estampamos o orgulho de preservar nosso sustento e tradições, mesmo diante das dificuldades que sempre nos foram impostas. Ser quebradeira é uma escolha feita por cada uma de nós. Uma escolha desafiadora, mas repleta de força e luz e encarada com muita alegria.
Ao longo dos anos de luta, conquistamos respeito e reconhecimento dentro e fora do Brasil. Nossa principal conquista foi a autonomia que alcançamos por meio de cada coco quebrado, por nossa união. Conquistamos um papel político importante como mobilizadoras, numa caminhada com outros povos tradicionais. Conquistamos visibilidade e a possibilidade de oferecer melhores condições às nossas famílias – e com isso, conquistamos dignidade.
Mas as cercas seguem avançando e isolando as florestas de babaçu, cerceando assim nosso bem viver. E se a resistência contra o livre acesso aos territórios segue avançando, a nossa resistência pelo babaçu livre segue se fortalecendo.
Seguiremos lutando pela conservação dos babaçuais, pelo acesso ao território, pela preservação da nossa identidade cultural e pela manutenção de tudo o que conquistamos de uma forma tão bela.
Não existimos sem as florestas de babaçu, sem nossa Mãe Palmeira. E se não resistirmos, as florestas também deixarão de existir.

Agricultores(as) familiares, pescadores(as) artesanais, quebradeiras de coco babaçu e marisqueiros(as) das comunidades rurais da Reserva Extrativista e de seu entorno apresentaram grande variedade de alimentos saudáveis produzidos em seus roçados, quintais, rios, igarapés, mangues e praias da Zona Rural da Ilha de São Luís, além de artesanatos de qualidade e outros produtos durante a realização da 1ª edição da Feira da RESEX de Tauá Mirim. Foi uma reafirmação da viabilidade do modo de vida tradicional.
Quebradeiras de coco babaçu da região estiveram presentes com seus produtos derivados do fruto. Biscoitos, mingau, azeite e farinha de mesocarpo foram negociados ao longo da feira. A expansão da cadeia do babaçu como a produção do mingau e biscoito foi resultado do Mutirão da quebra do coco babaçu, realizada na comunidade do Cajueiro em outubro desse ano. Uma atividade resultado da troca de experiências entre quebradeiras de coco do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu com as mulheres da comunidade de Cajueiro.
A feira, que foi realizada no campus da Universidade Federal do Maranhão, no último dia 05 de dezembro foi organizada pelo Conselho da RESEX de Tauá-Mirim com apoio do Sindicato dos Professores da UFMA (APRUMA), Universidade Federal do Maranhão (UFMA), Grupo de Estudos: Desenvolvimento, Modernidade e Meio Ambiente (GEDMMA), Associação Agroecológica Tijupá (TIJUPA) e Movimento de Trabalhadoras e Trabalhadores Sem Terra (MST).
Valorização do modo de vida
Para a quebradeira de coco babaçu, artesã e moradora do Cajueiro, Lucilene Cantanhede Rodrigues, a coletividade fortalece a luta e nosso modo de vida tradicional. “Importante a exposição dos nossos produtos, é uma maneira de nos reafirmamos como povos e comunidades tradicionais”. Em outubro desse ano ela teve o quintal invadido e diversas árvores foram derrubadas, comprometendo a matéria prima que trabalha para a produção do artesanato. A invasão se deu por empregados e seguranças armados da TUP Porto São Luís que trabalha na instalação de um terminal portuário privado de capital majoritariamente chinês e que conta com parceria e apoio irrestrito do Governo do Maranhão, que, ao licenciar um empreendimento que causa seríssimos danos socioambientais e também publicar decretos que tornam a área de utilidade publica e concede à referida empresa a prerrogativa de “negociar” com os moradores(as) a sua saída do território, demonstra claramente a sua conivência com a extinção desta comunidade que tem mais de 100 anos.
Outros alimentos em destaque na Feira – além do camarão, frutas nativas, artesanato local – foi a grande diversidade de produtos derivados do coco babaçu, tambem produzidos no Cajueiro. Essa produção foi resultado de um mutirão de quebra do coco babaçu, em um encontro entre os(as) moradores (as) da comunidade e quebradeiras de coco babaçu da Baixada Maranhense e região do Médio Mearim ligadas ao Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB), o que reafirmou ainda mais suas identidades como quebradeiras de coco babaçu e as fortaleceu em sua inserção na cadeia do babaçu por meio da culinária com a produção de mingau, biscoito e bolos da farinha do mesocarpo do babaçu. Todos os 130 potes de biscoitos foram comercializados na Feira RESEX de Tauá-Mirim.
Ameaças
“É importante colocar que os produtores(as) que estarão presentes na Feira representam populações tradicionais que são as maiores guardiães e
mantenedores(as) da rica biodiversidade da Ilha de São Luís”, enfatizou o professor do GEDMMA, Horário Antunes. Eles resistem e lutam pela existência de suas comunidades, cultura e modos de vida hoje seriamente ameaçados por grandes empreendimentos (industriais e portuários, em especial) que avançam cada vez mais sobre esses territórios, com explicito apoio dos governos locais. A proposta “oficial” de Revisão do Plano Diretor do município de São Luís, ora em curso, demonstra esse apoio governamental de forma clara, ao propor a redução de mais de 8 mil ha (algo em torno de 40%) da zona rural de São Luis.
Na feira estavam presentes comunidades da RESEX: Taim, Rio dos Cachorros, Cajueiro, Tauá-Mirim além de produtores(as) de Vila Nova República, Matinha, Pedrinhas e Vila Embratel. Essas comunidades garantem parte importante da produção de alimentos saudáveis e de base agroecológica consumidos na Ilha de São Luís tendo papel relevante na promoção da segurança alimentar e nutricional – da população em geral – e trabalho, renda na Zona Rural da capital maranhense.
Sobre a criação da Resex
São mais de 10 anos de luta, ameaças sofridas pela comunidade e seus apoiadores e muita resistência. A Resex Tauá Mirim é uma área verde cercada de plantas de empreendinentos industriais, portuários e minerários. Os manguezais do Taim, ficam espremidos entre o complexo portuário e o distrito industrial do Maranhão. A extração dos recursos naturais são as principais fontes de renda para os nativos dessa comunidade rural, que fica a sudoeste da ilha de São Luís. Tornar esse lugar uma reserva extrativista é um sonho antigo dos nativos. A conservação dos recursos naturais deve servir para proteger o modo de vida das populações tradicionais do vilarejo. A lentidão no andamento do processo de criação da reserva extrativista de Tauá-Mirim não desanimou as populações tradicionais do Taim. Uma gente que nasceu pertinho do mar e aprendeu a viver da natureza e defende o ambiente para as gerações do futuro.

Uma atividade na prática em território quilombola e das quebradeiras de coco babaçu para o fortalecimento do agroextrativismo por meio do beneficiamento do babaçu. Foi um dos objetivos da oficina Cooperativismo e Meio Ambiente, realizada pela Cooperativa Interestadual das Mulheres Quebradeiras de Coco Babaçu (CIMQCB) em parceria com o MIQCB e o apoio da DGM Brasil. Atividade aconteceu no quilombo Monte Alegre, em São Luís Gonzaga, no Maranhão, e contou com 50 quebradeiras de coco.
Entre os temas abordados durante a oficina, o surgimento do cooperativismo no mundo e no Brasil e a produção agroecológica. Ao final, os participantes conheceram a área do quilombo para conhecerem sobre as práticas de conservação ambiental.
O fortalecimento econômico do grupo produtivo de mulheres quebradeiras de coco babaçu é construído ao longo dos quase 30 anos de existência do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu, que atua em quatro estados e seis regionais, três no Maranhão. A capacitação das quebradeiras de coco babaçu e a estruturação das unidades produtivas estão presentes no planejamento estratégico da CIMQCB. “A expansão da cadeia do babaçu é essencial para o nosso bem viver, pois, nossos produtos falam da nossa história, da nossa resistência, das nossas conquistas e alegrias” disse dona Maria do Rosário Costa Ferreira, coordenadora da CIMQCB.
Sobre a CIMQCB:
A Cooperativa Interestadual das Mulheres Quebradeiras de Coco Babaçu (CIMQCB) é uma organização de grupos produtivos comunitários formados por mulheres que coletam e processam o coco babaçu no Pará, Maranhão, Tocantins e Piauí. A CIMQCB foi fundada em 2009 (registrada oficialmente em 2011) e está sediada em São Luís, no Estado de Maranhão. Atualmente a cooperativa reúne cerca de 130 associadas de 36 grupos produtivos.
Origem da CIMQCB:
Surge com muito além da venda de derivados do coco babaçu, a cooperativa tem sua origem em um movimento social histórico no norte do Brasil: o Movimento Interestadual das Mulheres Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB). Os principais objetivos deste movimento de mulheres são: garantir o livre acesso das quebradeiras de coco às árvores de babaçu, preservar os babaçuais, promover a equidade de gênero e políticas favoráveis ao extrativismo .

O Comitê Gestor do Fundo Babaçu torna público o resultado da seleção de projetos socioambientais que serão apoiados pelo Fundo Babaçu, com recursos da Fundação Ford.
O 5° edital do Fundo Babaçu prevê o valor total de R$ 151.277,00 (cento e cinquenta e um mil e duzentos e setenta e sete reais) para apoio a projetos socioambientais em comunidades de quebradeiras de coco babaçu no estado do Piauí.
O edital foi lançado em 10/10/2019, às inscrições encerradas no dia 24/10. O fortalecimento de polos irradiadores de conscientização ambiental e desenvolvimento sustentável, capazes de disseminar a integração da conservação da biodiversidade nos babaçuais e melhoria da qualidade de vida de povos e comunidades tradicionais é o objetivo dos projetos aprovados. Destinado a projetos protagonizados por mulheres e/ou jovens a partir de suas organizações atuantes nas comunidades agroextrativistas de quebradeiras de coco babaçu, o 5° edital do Fundo Babaçu tem abrangência em todas as áreas de babaçuais no Piauí.
Entraremos em contato por telefone e e-mail com as organizações proponentes dos projetos aprovados e não aprovados.
Acompanhe a lista dos aprovados:
Nome da organização proponente: Associação de pais e alunos da escola família agrícola dos cocais -EFA COCAIS
Projeto: Sistema agroflorestal (SAF) para preservação da mata do babaçual da Associação de pais e alunos da escola família agrícola dos cocais -EFA COCAIS
Nome da organização proponente: Cáritas Diocesana de Floriano
Projeto: Mobilização, organização e conquista de direitos das mulheres quebradeiras de coco da microrregião de Antônio Almeida-PI
Nome da organização proponente: Comissão Pastoral da Terra/Regional Piauí
Projeto: Projeto de apoio ao extrativismo sustentável do coco babaçu e produção do azeite pelas quebradeiras da região do Cerrado do Piauí
Nome da organização proponente: Associação comunitária de de produtores rurais da comunidade Cabeceiras
Projeto: Mulheres trabalhando no processamento de polpa de frutas e gerando renda na comunidade
Nome da organização proponente: Associação de Mulheres Trabalhadoras do Coco Babaçu da Micro Região do Baixo Parnaíba Piauiense
Projeto: Juventude do campo e da floresta em busca de formação e melhoria de vida na produção e conservação dos babaçuais
2. NÃO APROVADOS:
Nome da organização proponente: Movimento da Mulher
Trabalhadora Rural do Nordeste-MMTR-NE
Projeto: Reconstruir e fortalecer os elos que nos fazem coletivo de mulheres trabalhadoras rurais do Piauí
Nome da organização proponente: Associação Comunitária de Pequenos Produtores da Localidade Santa Luzia (APPSL)
Projeto: Mulheres Organizadas Trabalhando com o Babaçu

“Dos Cerrados e de suas riquezas: de saberes vernaculares e de conhecimento científico” é um livro que traz aprendizados acumulados com a luta em defesa do bioma e dos povos e comunidades que têm suas vidas fincadas nesse chão. A publicação é de autoria de Carlos Walter Porto-Gonçalves, professor do Programa de Pós-graduação em Geografia da Universidade Federal Fluminense (UFF), e organizado pela FASE e Comissão Pastoral da Terra (CPT).
Na mesma ocasião, a jornalista carioca Claudia Santiago, do Núcleo Piratininga de Comunicação (NPC), apresentou o seu livro sobre um importante personagem das lutas agrárias do MA: “Luiz Vila Nova – memória da vida e da luta de um militante”. Chapéu de palha, óculos e camisa vermelha, assim como na capa do livro, Vila Nova, ao contar sobre o início de sua militância, foi incisivo: “Hoje, se eu continuo na luta, é porque essa semente foi plantada na adolescência, quando eu ainda estava novinho. O momento principal de se preparar o cidadão é na adolescência, e não quando está adulto, porque aí o cidadão já tem várias culturas enraizadas. A gente vai absorvendo as realidades ao longo da vida”.
A terceira obra apresentada ao público retrata uma história de de mobilização de milhares de pessoas por água no oeste da Bahia. “Os Pivôs da Discórdia e a Digna Raiva: uma análise dos conflitos por terra, água e território em Correntina (BA)” examina os significados, interpretações e reações diante dessa revolta popular em defesa das águas no Cerrado baiano. “A luta dos ribeirinhos do oeste da Bahia, que vem de muito longe na história, não só contesta veementemente o ‘sucesso’ do agronegócio, mas também se projeta como alternativa ao modelo agrícola devastador e insustentável. O modo secular de vida dos ribeirinhos, em equilíbrio com a disponibilidade dos bens e ciclos naturais, os preservaram até aqui, a si e aos ecossistemas com os quais interagem e dos quais dependem umbilicalmente”, analisa Ruben Siqueira, da coordenação nacional da CPT.
Confira, abaixo, uma breve contextualização sobre cada uma das três obras lançadas:
Essa publicação, assim como diversas outras produzidas no bojo da Campanha Nacional em Defesa do Cerrado, tem como objetivo reunir os saberes construídos coletivamente sobre o bioma. Uma construção a muitas mãos, que envolve movimentos sociais, organizações da sociedade civil, pesquisadores/as, e, claro, povos e comunidades do Cerrado. “Não olvidemos que nenhum grupo social, povo, etnia ou comunidade habita uma área, seja ela qual for, sem produzir conhecimento.
Como alguém pode viver em um lugar sem conhecê-lo? Não se come sem saber plantar, sem saber pescar, sem saber coletar ou sem saber criar animais “, pontua o professor fluminense.
“Nos cabe afirmar que não há defesa do Cerrado sem a defesa dos territórios dos povos dos Cerrados, onde suas riquezas são conservadas, nutridas e multiplicadas. Esse é o compromisso que deve guiar as lutas em defesa do Cerrado, em especial em um momento histórico marcado pelo esforço sistemático de poderes públicos e privados em promover a desterritorialização dos diversos povos indígenas, quilombolas, povos e comunidades tradicionais – tais como geraizeiros, vazanteiros, quebradeiras de coco babaçu, dentre outros -, assentados de reforma agrária e outras populações camponesas”, apresentam, assim, as organizadoras da publicação, Diana Aguiar, assessora nacional da FASE, e Valéria Santos, articuladora da CPT.
Em breve, a publicação estará disponível para download no site da FASE, CPT e Campanha Nacional em Defesa do Cerrado.
O educador popular e lavrador Luiz Vila Nova, prestes a completar 75 anos, nasceu no Piauí, mas se tornou maranhense, como ele próprio afirma. Começou a sua militância na Juventude Agrária Católica (JAC), e em 1964 entrou para a Ação Católica Rural (ACR). Filho de lavradores e tendo como referências em sua luta por reforma agrária, Dom Helder Câmara e Manoel da Conceição, Vila Nova participou ativamente das lutas por terra na região maranhense do Vale do Pindaré, onde sofreu perseguições, atentados, ameaças de prisão e de morte. Contribuiu na fundação do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e Partido dos Trabalhadores (PT), no qual foi Deputado Estadual por dois mandatos.
Sua história, como descreve Claudia Santiago, está profundamente ligada a movimentos e organizações populares, como a CPT, Sociedade Maranhense de Direitos Humanos (SMDH), Cáritas, Central Única dos Trabalhadores (CUT) e às Comunidades Eclesiais de Base (CEBs). “Ele conhece, como poucos, talvez seja quem mais conhece, a luta contra as cercas e pela reforma agrária no Maranhão. Terra coletiva é um sonho”, ressalta, sobre o militante, a autora do livro.
As memórias de Vila Nova chegaram às mãos de Claudia em 2018, durante o Curso de Comunicação Popular do NPC, através da aluna Inessa Lopes. “Eram 240 páginas iniciais, comecei a ler e achei a história fantástica. Eu buscava pelo nome dele no Google, e não aparecia nada. Mas a história dele é muito bonita e forte, uma história de luta e de muitas vitórias. Então, eu não sai do computador até organizar aquelas páginas, mas logo depois eu recebi mais 500 páginas. E ele mandou também os jornais da época para comprovar o que ele dizia”, relembra Santiago, responsável por organizar essas memórias históricas de luta.
Com uma vida inteira de militância, Luiz sempre aponta diversas problemáticas sociais que o levou a dedicar quase que os seus 75 anos em prol de justiça social. A desigualdade social, o racismo e a separação entre quem tem mais e menos riquezas são questões que sempre chamaram a atenção do lavrador. Sobre isso, ele lembra de um episódio no dia 7 de setembro, no município piauiense de Amarante, “quando os pobre e os ricos, os negros e os brancos, dançavam, na festa, em locais separados. Essas coisas vão nos chamando atenção, vão somando em nossas vidas”.
A publicação pode ser adquirida pelo site do NPC.
Os Pivôs da Discórdia e a Digna Raiva: uma análise dos conflitos por terra, água e território em Correntina (BA)
O livro foi elaborado também por Carlos Walter e Samuel Britto das Chagas, engenheiro agrônomo e agente da CPT na Bahia. O baixo nível das águas do Rio Arrojado, devido à captação abusiva de água pelas fazendas do grupo Igarashi e ao desmatamento desenfreado, juntamente com a morosidade dos órgãos públicos e governos em resolver tais problemas, fez com que, no dia 02 de novembro de 2017, cerca de mil ribeirinhos quebrassem as instalações de irrigação agrícola da “empresa que lhes sugava o ‘sangue’, quer dizer, as águas”, destaca, no Prefácio da obra, escrito por Ruben Siqueira, da coordenação nacional da CPT.
Nove dias após esse acontecimento, aproximadamente 12 mil pessoas saíram às ruas da cidade de Correntina em apoio àquela primeira ação ocorrida anteriormente, e uma frase ganhou o protesto e é entoada até hoje: “Ninguém vai morrer de sede às margens do Arrojado”. Em sua fala durante o lançamento, Siqueira destacou ainda como a população da região se identificou com a camiseta da Campanha Nacional em Defesa do Cerrado, que traz o lema: “Sem Cerrado, Sem Água, Sem Vida”.
O livro pode ser adquirido nas sedes da CPT em Salvador e em Santa Maria da Vitória (BA).

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