
“Meu nome é Andressa e eu escolhi essa foto por causa do jardim. Eu gosto de tirar fotos, mas nunca reparo ao redor. Normalmente, eu escolho outro lugar, não a minha casa nem as flores do meu jardim. Mas hoje reparei melhor e achei muito bonito. Foi um olhar com uma outra visão pras flores de todos os dias. “
Filhas da Mãe Palmeira, as quebradeiras de coco babaçu, organizadas por meio do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu, e com o apoio da União Europeia e da ActionAid, lançam as peças publicitárias sobre o trabalho de valorização da cultura da quebra do coco. As ações da campanha foram desenvolvidas ao longo do ano de 2019, com a realização de Oficina Fotográfica e Comunicação Comunitária, visita em setembro a três países na Europa, e, em dezembro, com o encerramento da ação com a veiculação das peças publicitárias produzidas ao longo dessas atividades. Aqui uma das fotos que retratam a vida, luta e resistência dessas mulheres.
#uniaoeuropeia
#actionaid
#quebradeirasdecocobabacu

Uma reportagem completa sobre a campanha internacional de valorização da cultura da quebra do coco babaçu foi destaque na edição do Jornal Pequeno do último domingo. A campanha tem o apoio da União Europeia e da ActionAid, agência de combate à pobreza.
Filhas da Mãe Palmeira, as quebradeiras de coco babaçu, organizadas por meio do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu, e com o apoio da União Europeia e da ActionAid, lançam as peças publicitárias sobre o trabalho de valorização da cultura da quebra do coco. As ações da campanha foram desenvolvidas ao longo do ano de 2019, com a realização de Oficina Fotográfica e Comunicação Comunitária, além da visitação, no final do ano passado, a três países na Europa, e, em dezembro, com o inicio da veiculação das peças publicitárias produzidas ao longo dessas atividades.
Guardiãs dos Babaçuais em uma relação que conecta ciclos e gerações. Dessa relação simbiótica se conserva o território e se sustenta a tradição. O trabalho desenvolvido pela equipe de comunicólogos (jornalistas, designers, publicitários, cineastas) para a campanha publicitária teve o cuidado de expressar graficamente, visualmente e textualmente essa conexão, investigando as referências visuais desse universo para propor algo sensível e acolhedor, sem perder de vista a força e resistência que fazem parte das lutas diárias das quebradeiras de coco babaçu.
As quase 400 mil quebradeiras de coco babaçu também lutam pelo reconhecimento identitário e político, pelo acesso livre ao território “é uma condição para poder existir e ser o que se é”, enfatizou Bárbara Vitória Balbina, coordenadora do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu, que atua em quatro estados brasileiros (Maranhão, Pará, Piauí e Tocantins) e seis regionais.
A história é parecida por todo o país. Especulação imobiliária, grandes fazendas agropecuárias, plantações de grãos ou eucalipto, mineração, estradas, barragens, parques eólicos e até unidades de conservação ambiental: são múltiplas as ameaças que têm feito, ao longo dos anos, comunidades tradicionais como a das quebradeiras de coco babaçu em todo Brasil vivenciarem conflitos fundiários e muitas acabaram sendo expulsas das terras, onde seus bisávos, avós e pais moravam.
O Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB) foi iniciado há quase trinta anos em um processo de aglutinação de iniciativas de resistência à devastação dos babaçuais. Esses processos foram formados por grupos informais de mulheres, clube de mães e associações de trabalhadoras rurais que sofriam pressões de “novos proprietários”, ou seja, grileiros e pecuaristas atraídos por incentivos governamentais para ocupação e expansão da fronteira agrícola em territórios antes ocupados por essas populações tradicionais. Atualmente é o maior movimento de mulheres da América Latina, envolve cerca de 400 mil mulheres em quatro estados brasileiros: Maranhão, Pará, Piauí e Tocantins.
“Ao longo dos anos de luta, conquistamos respeito e reconhecimento dentro e fora do Brasil. Nossa principal conquista foi a autonomia que alcançamos por meio de cada coco quebrado, por nossa união. Conquistamos um papel político importante como mobilizadoras, numa caminhada com outros povos tradicionais. Conquistamos visibilidade e a possibilidade de oferecer melhores condições às nossas famílias – e com isso, conquistamos dignidade”, enfatizou Maria Alaídes, coordenadora do MIQCB.
Objetivos da campanha de valorização da cultura da quebra do coco babaçu
Entre os objetivos da campanha de valorização da cultura da quebra do coco babaçu estão: propiciar visibilidade às violações de direitos das quebradeiras de coco babaçu; aproximar e gerar identificação com as demandas das quebradeiras de coco babaçu por seu desenvolvimento sustentável e engajar a sociedade na luta pela defesa dos modos de vida das quebradeiras de coco babaçu. Todos os objetivos no âmbito nacional e internacional.
Inglaterra, Bélgica e França conheceram um pouco mais do modo de vida das quebradeiras de coco babaçu. Um grupo de mulheres visitaram instituições financiadoras, universidades e o parlamento europeu apresentando os desafios da cultura da quebra do coco babaçu pelos quatro estados brasileiros: Maranhão, Pará, Piauí e Tocantins. Além de buscar agentes financiadores estrangeiros para os projetos do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB).
A atividade integra o projeto “Mulheres Quebradeiras de Coco Babaçu em Defesa do Desenvolvimento Sustentável dos Povos e Comunidades Tradicionais”, apoiado pela União Europeia em parceria com a agência de combate a pobreza ActionAid. Para a coordenadora geral do MIQCB, Maria Alaídes Alves Sousa, a visita as instituições da sociedade civil e políticas desses países é estratégico para o fortalecimento da luta dos povos e comunidades tradicionais.
Oficina de Fotografia e comunicação comunitária
Muita sensibilidade, autenticidade e naturalidade para contar uma história, onde o protagonismo é das quebradeiras de coco babaçu. Foi o que aconteceu nas Oficinas de Comunicação Comunitária e de Fotografia ministradas para as mulheres que representam a cultura da quebra do coco babaçu. Durante uma semana, a capacitação foi ministrada para as regionais.
O fortalecimento à luta pelo acesso livre ao território, pela conservação das florestas de babaçus e pela garantia dos direitos utilizando estratégias e ferramentas de comunicação foi trabalhado na oficina de Comunicação Comunitária, ministrada pela jornalista Yndara Vasques. As atividades foram preparatórias para uma campanha internacional de valorização da cultura da quebra do coco babaçu a ser lançada pela Europa. A fotografa Bruna Valença, cujo trabalho é direcionada para o universo feminino, dialogou sobre as técnicas de fotografia e importância das próprias quebradeiras de coco babaçu registrarem a sua própria história por meio do auto retrato.

O Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB) torna público para conhecimento dos interessados, que está com a inscrição aberta para a contratação de pessoa jurídica ou física para a contratação de consultoria para a elaboração da Avaliação Externa do Projeto Quebradeiras de Coco Babaçu em Defesa do Desenvolvimento Sustentável dos Povos e Comunidades Tradicionais. O projeto foi financiado pela União Europeia com o apoio da agência de combate à pobreza no país, ActionAid. O prazo para envio das propostas será até dia 22 de janeiro de 2020, tendo até o dia 02 de março para execução dos serviços.
As pessoas físicas e jurídicas que tiverem interesse participar desse processo seletivo deverão enviar suas propostas de plano de trabalho para implementação do Termo de Referência acompanhadas de currículo para o endereço eletrônico assessoria@miqcb.org.br com o Assunto “Termo de Referência Consultoria Avaliação Externa Projeto Quebradeiras de Coco Babaçu em Defesa do Desenvolvimento Sustentável dos Povos e Comunidades Tradicionais”.
Essencial é a formação superior e mestrado nas áreas de Ciências Humanas; cinco anos de experiência comprovada em avaliação de projetos de dimensões e características similares; experiência com os temas relacionados a gênero e etnia, políticas públicas, direitos humanos e conhecimentos relacionados a políticas e direitos das mulheres e dos Povos e Comunidades Tradicionais.
As ações do projeto foram realizadas nos 04 estados de atuação do MIQCB, sendo eles Pará, Piauí, Tocantins e Maranhão, pelo prazo de três anos, no valor de 600 mil euros., O objetivo geral do projeto, Ao longo de suas ações, foi a ampliação e efetividade das quebradeiras de coco babaçu nos espaços de incidência política voltados à garantia de seus direitos, sobretudo dando visibilidade e reforçando o papel de protagonismo da mulher na conquista de seus direitos políticos e civis.
Esse objetivo possui centralidade na Política Nacional de Desenvolvimento dos Povos e Comunidades Tradicionais (PNPCT) (Decreto Presidencial 6.040, de 7 de fevereiro de 2007), e seus instrumentos. Essa política é resultado de um amplo processo de diálogo entre a sociedade civil organizada e entes do Governo Federal.
Clique aqui para ter acesso ao edital.

“Essa foto representa muito para mim, porque mostra nossa amizade, desde pequena. E palmeira é de grande importância, porque é sobrevivência.”
Ádina e as amigas Luzia e Franciele do Mearim (MA)
Filhas da Mãe Palmeira, as quebradeiras de coco babaçu, organizadas por meio do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu, e com o apoio da União Europeia e da ActionAid, lançam as peças publicitárias sobre o trabalho de valorização da cultura da quebra do coco. As ações da campanha foram desenvolvidas ao longo do ano de 2019, com a realização de Oficina Fotográfica e Comunicação Comunitária, visita em setembro a três países na Europa, e, em dezembro, com o encerramento da ação com a veiculação das peças publicitárias produzidas ao longo dessas atividades. Aqui uma das fotos que retratam a vida, luta e resistência dessas mulheres.
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“Essa foto eu estou lavando roupa em cima de uma palmeira. Eu queria resgatar os nossos antepassados; hoje as meninas que estão aqui lavam roupa em tanque, com água encanada; mas isso foi possível por meio da luta dessas pessoas que lavavam roupa no buraquinho, no açude e na lagoa” Dona Dijé do Mearim.
Filhas da Mãe Palmeira, as quebradeiras de coco babaçu, organizadas por meio do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu, e com o apoio da União Europeia e da ActionAid, lançam as peças publicitárias sobre o trabalho de valorização da cultura da quebra do coco. As ações da campanha foram desenvolvidas ao longo do ano de 2019, com a realização de Oficina Fotográfica e Comunicação Comunitária, visita em setembro a três países na Europa, e, em dezembro, com o encerramento da ação com a veiculação das peças publicitárias produzidas ao longo dessas atividades. Aqui uma das fotos que retratam a vida, luta e resistência dessas mulheres.

“Achei muito linda essa foto, o lugar que escolhi. O verde traz uma alegria pra todos, que nós devemos cultivar. Um sinal de muita alegria, de felicidade pra gente viver melhor. Eu não gostava de tirar foto, mas eu agradeço que depois que eu participei junto com as companheiras de trabalho, eu já tenho mais coragem, tirei aquela timidez.” Edileusa – Imperatriz (MA)
Filhas da Mãe Palmeira, as quebradeiras de coco babaçu, organizadas por meio do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu, e com o apoio da União Europeia e da ActionAid, lançam as peças publicitárias sobre o trabalho de valorização da cultura da quebra do coco. As ações da campanha foram desenvolvidas ao longo do ano de 2019, com a realização de Oficina Fotográfica e Comunicação Comunitária, visita em setembro a três países na Europa, e, em dezembro, com o encerramento da ação com a veiculação das peças publicitárias produzidas ao longo dessas atividades. Aqui uma das fotos que retratam a vida, luta e resistência dessas mulheres.
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“Eu quis tirar essa foto aqui no caminho porque mostra nosso dia a dia, porque desde criança nós vivemos nessa cultura de ir pra roça, tem as veredas que é de ir para os garapés ou para o açude. Então eu quis mostrar o caminho, porque hoje nem sempre é fácil, tem muitos arames pra gente atravessar, as vezes a gente tem que levar as bacias na cabeça, aí temos que parar pra atravessar o arame. E isso é para mostrar que o caminho está livre, mas que mesmo assim existem vários obstáculos, mas com fé nós podemos enfrentar todos os obstáculos que existem em nosso caminho”, Alcilene, Médio Mearim.
Quebradeiras de coco babaçu lançam campanha de valorização da cultura por meio dos encantos da resistência e pela conservação ambiental
Filhas da Mãe Palmeira, as quebradeiras de coco babaçu, organizadas por meio do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu, e com o apoio da União Europeia e da ActionAid, lançam as peças publicitárias sobre o trabalho de valorização da cultura da quebra do coco. As ações da campanha foram desenvolvidas ao longo do ano de 2019, com a realização de Oficina Fotográfica e Comunicação Comunitária, visita em setembro a três países na Europa, e, em dezembro, com o encerramento da ação com a veiculação das peças publicitárias produzidas ao longo dessas atividades. Aqui uma das fotos que retratam a vida, luta e resistência dessas mulheres.

O domingo foi diferente para a luta e resistência dos povos e comunidades tradicionais. Uma voz se calou para sempre na região do Bico do Papagaio. No final da manhã, Helena Gomes, filha de dona Maria Raimunda, e enteada de seu Antônio Carvalho de Bezerra, conhecido como Antônio Cipriano, tinha falecido. Um silêncio respeitoso se instalou nos parceiros de luta. Ele era viúvo de dona Maria Raimunda (liderança reconhecida nacionalmente e internacionalmente na quebra do coco babaçu). A foto de Thomas Bauer registrou o momento do casal.
Ele foi determinante para a luta e resistência territorial no Bico do Papagaio. Em uma de suas últimas participações em atividades, durante a realização do Encontro de Agroecologia do Tocantins, realizado em outubro desse ano, ele narrou como enfrentou na década de 70 e 80 os fazendeiros da região. Na ocasião, ele dividiu a mesa com a antropóloga e ex-presidente do Conselho de Segurança Alimentar (Consea), Maria Emília Pacheco. Em sua fala categórica, a pesquisadora falou “É preciso rememorar as histórias das pessoas como a de dona Raimunda, Dona Dijé, Dada em um momento tão forte de desprezo e negação da democracia”. Mais um guerreiro se junta a essa memória, o seu Antônio Cipriano.
Antonio Cipriano, morador antigo de Sete Barracas, em São Miguel do Tocantins , era viúvo de dona Maria Raimunda (liderança reconhecida nacionalmente e internacionalmente na quebra do coco babaçu). Lutou junto às quebradeiras de coco babaçu e ajudou no impulsionamento e na construção de políticas de inclusão social e desenvolvimento sustentável das regiões onde atuara. Juntos consolidaram e deram voz aos ideais humanitários e ambientais em busca do bem-viver.
O Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco do Brasil (MIQCB) se solidariza com a família de seu Antonio Cipriano. Reconhece a importância de sua liderança e trabalho para a conquista fundiária e para fortalecimento da luta das quebradeiras de coco babaçu.
O advogado e integrante do Conselho Nacional de Direitos Humanos, que esteve em Sete Barracas em 2017, Marcelo Chelreo publicou em sus redes sociais: Há pouco mais de um ano falecia d. Raimunda Quebradeira de Coco, agora falece ‘ seu ‘ Antônio Cipriano ( como era conhecido ), viúvo dessa mulher que fez e faz parte da luta das mulheres por dignidade e terra; ‘ seu ‘ Antônio, também ele importante liderança no Bico do Papagaio. Que o exemplo desse casal combativo e comprometido com luta por pão, terra e liberdade se faça sentir por muitos e muitos anos.

Filhas da Mãe Palmeira, as quebradeiras de coco babaçu, organizadas por meio do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu, e com o apoio da União Europeia e da ActionAid, lançam as peças publicitárias sobre o trabalho de valorização da cultura da quebra do coco. As ações da campanha foram desenvolvidas ao longo do ano de 2019, com a realização de Oficina Fotográfica e Comunicação Comunitária, visita em setembro a três países na Europa, e, em dezembro, com o encerramento da ação com a veiculação das peças publicitárias produzidas ao longo dessas atividades.
Guardiãs dos Babaçuais em uma relação que conecta ciclos e gerações. Dessa relação simbiótica se conserva o território e se sustenta a tradição. O trabalho desenvolvido pela equipe de comunicólogos (jornalistas, designers, publicitários, cineastas) para a campanha publicitária teve o cuidado de expressar graficamente, visualmente e textualmente essa conexão, investigando as referências visuais desse universo para propor algo sensível e acolhedor, sem perder de vista a força e resistência que fazem parte das lutas diárias das quebradeiras de coco babaçu.
Entre os objetivos da campanha de valorização da cultura da quebra do coco babaçu estão: propiciar visibilidade às violações de direitos das quebradeiras de coco babaçu; aproximar e gerar identificação com as demandas das quebradeiras de coco babaçu por seu desenvolvimento sustentável e engajar a sociedade na luta pela defesa dos modos de vida das quebradeiras de coco babaçu. Todos os objetivos no âmbito nacional e internacional.
A campanha foi trabalhada tendo como contexto o manifesto aprovado pelas quebradeiras de coco babaçu (na íntegra todo o texto abaixo). Acompanhe e compartilhe o material nas redes sociais do MIQCB: facebook e site.
Viagem a Europa
Inglaterra, Bélgica e França conheceram um pouco mais do modo de vida das quebradeiras de coco babaçu. De 24 de setembro a 12 de outubro, um grupo de mulheres visitaram instituições financiadoras, universidades e o parlamento europeu apresentando os desafios da cultura da quebra do coco babaçu pelos quatro estados brasileiros: Maranhão, Pará, Piauí e Tocantins. Além de buscar agentes financiadores estrangeiros para os projetos do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB).
A atividade integra o projeto “Mulheres Quebradeiras de Coco Babaçu em Defesa do Desenvolvimento Sustentável dos Povos e Comunidades Tradicionais”, apoiado pela União Europeia em parceria com a agência de combate a pobreza ActionAid. Para a coordenadora geral do MIQCB, Maria Alaídes Alves Sousa, a visita as instituições da sociedade civil e políticas desses países é estratégico para o fortalecimento da luta dos povos e comunidades tradicionais.
Oficina de Fotografia e comunicação comunitária
Muita sensibilidade, autenticidade e naturalidade para contar uma história, onde o protagonismo é das quebradeiras de coco babaçu. Foi o que aconteceu nas Oficinas de Comunicação Comunitária e de Fotografia ministradas para as mulheres que representam a cultura da quebra do coco babaçu. Durante uma semana, a capacitação foi ministrada para as regionais.
A atividade fez parte do projeto Mulheres Quebradeiras de Coco Babaçu em Defesa do Desenvolvimento Sustentável dos Povos e Comunidades Tradicionais, apoiado pela União Europeia e desenvolvido pela agência internacional de combate à pobreza, ActionAid. O fortalecimento à luta pelo acesso livre ao território, pela conservação das florestas de babaçus e pela garantia dos direitos utilizando estratégias e ferramentas de comunicação foi trabalhado na oficina de Comunicação Comunitária, ministrada pela jornalista Yndara Vasques. As atividades são preparatórias para uma campanha internacional de valorização da cultura da quebra do coco babaçu a ser lançada pela Europa. A fotografa Bruna Valença, cujo trabalho é direcionada para o universo feminino, dialogou sobre as técnicas de fotografia e importância das próprias quebradeiras de coco babaçu registrarem a sua própria história por meio do auto retrato.
Manifesto
QUEBRADEIRAS: OS ENCANTOS DA RESISTÊNCIA PELA CONSERVAÇÃO
Há pelo menos 3 gerações encontramos nosso bem viver na palmeira babaçu. O coco que ela nos dá vira de tudo em nossas mãos: é o que nos mobiliza pela conservação da natureza ao nosso redor e das comunidades nativas da nossa região; é o alimento que nos sustenta; é o teto que nos abriga;
Filhas da Mãe Palmeira, nossos corpos e ciclos de mulher possuem muito em comum com a natureza do babaçu. Assim como nós, que geramos vida em 9 meses, a palmeira babaçu amadurece o cacho de coco nesse mesmo tempo. O coco babaçu que nos alimenta remete ao formato dos nossos seios que alimentam nossas crias. Nós, quebradeiras, somos irmãs do leite de babaçu, que nutre as nossas famílias desde a infância. E é por essa relação simbiótica com o babaçu que levamos com honra o título de Guardiãs dos Babaçuais.
Nossa história enquanto povo tradicional foi construída pelas mãos calejadas de mulheres fortes. Com a beleza e a firmeza de uma luta travada por mulheres. Se antes nossa atividade era desvalorizada, hoje estampamos o orgulho de preservar nosso sustento e tradições, mesmo diante das dificuldades que sempre nos foram impostas. Ser quebradeira é uma escolha feita por cada uma de nós. Uma escolha desafiadora, mas repleta de força e luz e encarada com muita alegria.
Ao longo dos anos de luta, conquistamos respeito e reconhecimento dentro e fora do Brasil. Nossa principal conquista foi a autonomia que alcançamos por meio de cada coco quebrado, por nossa união. Conquistamos um papel político importante como mobilizadoras, numa caminhada com outros povos tradicionais. Conquistamos visibilidade e a possibilidade de oferecer melhores condições às nossas famílias – e com isso, conquistamos dignidade.
Mas as cercas seguem avançando e isolando as florestas de babaçu, cerceando assim nosso bem viver. E se a resistência contra o livre acesso aos territórios segue avançando, a nossa resistência pelo babaçu livre segue se fortalecendo.
Seguiremos lutando pela conservação dos babaçuais, pelo acesso ao território, pela preservação da nossa identidade cultural e pela manutenção de tudo o que conquistamos de uma forma tão bela.
Não existimos sem as florestas de babaçu, sem nossa Mãe Palmeira. E se não resistirmos, as florestas também deixarão de existir.

Agricultores(as) familiares, pescadores(as) artesanais, quebradeiras de coco babaçu e marisqueiros(as) das comunidades rurais da Reserva Extrativista e de seu entorno apresentaram grande variedade de alimentos saudáveis produzidos em seus roçados, quintais, rios, igarapés, mangues e praias da Zona Rural da Ilha de São Luís, além de artesanatos de qualidade e outros produtos durante a realização da 1ª edição da Feira da RESEX de Tauá Mirim. Foi uma reafirmação da viabilidade do modo de vida tradicional.
Quebradeiras de coco babaçu da região estiveram presentes com seus produtos derivados do fruto. Biscoitos, mingau, azeite e farinha de mesocarpo foram negociados ao longo da feira. A expansão da cadeia do babaçu como a produção do mingau e biscoito foi resultado do Mutirão da quebra do coco babaçu, realizada na comunidade do Cajueiro em outubro desse ano. Uma atividade resultado da troca de experiências entre quebradeiras de coco do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu com as mulheres da comunidade de Cajueiro.
A feira, que foi realizada no campus da Universidade Federal do Maranhão, no último dia 05 de dezembro foi organizada pelo Conselho da RESEX de Tauá-Mirim com apoio do Sindicato dos Professores da UFMA (APRUMA), Universidade Federal do Maranhão (UFMA), Grupo de Estudos: Desenvolvimento, Modernidade e Meio Ambiente (GEDMMA), Associação Agroecológica Tijupá (TIJUPA) e Movimento de Trabalhadoras e Trabalhadores Sem Terra (MST).
Valorização do modo de vida
Para a quebradeira de coco babaçu, artesã e moradora do Cajueiro, Lucilene Cantanhede Rodrigues, a coletividade fortalece a luta e nosso modo de vida tradicional. “Importante a exposição dos nossos produtos, é uma maneira de nos reafirmamos como povos e comunidades tradicionais”. Em outubro desse ano ela teve o quintal invadido e diversas árvores foram derrubadas, comprometendo a matéria prima que trabalha para a produção do artesanato. A invasão se deu por empregados e seguranças armados da TUP Porto São Luís que trabalha na instalação de um terminal portuário privado de capital majoritariamente chinês e que conta com parceria e apoio irrestrito do Governo do Maranhão, que, ao licenciar um empreendimento que causa seríssimos danos socioambientais e também publicar decretos que tornam a área de utilidade publica e concede à referida empresa a prerrogativa de “negociar” com os moradores(as) a sua saída do território, demonstra claramente a sua conivência com a extinção desta comunidade que tem mais de 100 anos.
Outros alimentos em destaque na Feira – além do camarão, frutas nativas, artesanato local – foi a grande diversidade de produtos derivados do coco babaçu, tambem produzidos no Cajueiro. Essa produção foi resultado de um mutirão de quebra do coco babaçu, em um encontro entre os(as) moradores (as) da comunidade e quebradeiras de coco babaçu da Baixada Maranhense e região do Médio Mearim ligadas ao Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB), o que reafirmou ainda mais suas identidades como quebradeiras de coco babaçu e as fortaleceu em sua inserção na cadeia do babaçu por meio da culinária com a produção de mingau, biscoito e bolos da farinha do mesocarpo do babaçu. Todos os 130 potes de biscoitos foram comercializados na Feira RESEX de Tauá-Mirim.
Ameaças
“É importante colocar que os produtores(as) que estarão presentes na Feira representam populações tradicionais que são as maiores guardiães e
mantenedores(as) da rica biodiversidade da Ilha de São Luís”, enfatizou o professor do GEDMMA, Horário Antunes. Eles resistem e lutam pela existência de suas comunidades, cultura e modos de vida hoje seriamente ameaçados por grandes empreendimentos (industriais e portuários, em especial) que avançam cada vez mais sobre esses territórios, com explicito apoio dos governos locais. A proposta “oficial” de Revisão do Plano Diretor do município de São Luís, ora em curso, demonstra esse apoio governamental de forma clara, ao propor a redução de mais de 8 mil ha (algo em torno de 40%) da zona rural de São Luis.
Na feira estavam presentes comunidades da RESEX: Taim, Rio dos Cachorros, Cajueiro, Tauá-Mirim além de produtores(as) de Vila Nova República, Matinha, Pedrinhas e Vila Embratel. Essas comunidades garantem parte importante da produção de alimentos saudáveis e de base agroecológica consumidos na Ilha de São Luís tendo papel relevante na promoção da segurança alimentar e nutricional – da população em geral – e trabalho, renda na Zona Rural da capital maranhense.
Sobre a criação da Resex
São mais de 10 anos de luta, ameaças sofridas pela comunidade e seus apoiadores e muita resistência. A Resex Tauá Mirim é uma área verde cercada de plantas de empreendinentos industriais, portuários e minerários. Os manguezais do Taim, ficam espremidos entre o complexo portuário e o distrito industrial do Maranhão. A extração dos recursos naturais são as principais fontes de renda para os nativos dessa comunidade rural, que fica a sudoeste da ilha de São Luís. Tornar esse lugar uma reserva extrativista é um sonho antigo dos nativos. A conservação dos recursos naturais deve servir para proteger o modo de vida das populações tradicionais do vilarejo. A lentidão no andamento do processo de criação da reserva extrativista de Tauá-Mirim não desanimou as populações tradicionais do Taim. Uma gente que nasceu pertinho do mar e aprendeu a viver da natureza e defende o ambiente para as gerações do futuro.

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