
No dia 11 de setembro, Dia Nacional do Cerrado, mais de meio milhão de assinaturas da petição pela aprovação da PEC 504/2010, que transforma o Cerrado e a Caatinga em Patrimônio Nacional, foram entregues ao Congresso Nacional. Rodrigo Maia, presidente da Câmara dos Deputados, recebeu a petição pelas mãos da deputada Joenia Wapichana. Mais cedo, durante Seminário do IX Encontro e Feira dos Povos do Cerrado, promovido pela Rede Cerrado, que também aconteceu na Câmara, a Campanha Nacional em Defesa do Cerrado havia entregue o caderno de assinaturas à Joenia e outros parlamentares presentes.
Em ação coletiva dentro da Câmara dos Deputados, também foi realizada a entrega da petição durante sessão da Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável. Os deputados Rodrigo Agostinho, presidente da Comissão, e Nilto Tatto, coordenador da frente parlamentar ambientalista, receberam as assinaturas da liderança quilombola Maria de Fátima Barros, que representou a Campanha Nacional em Defesa do Cerrado.
Para Fátima Barros, defender o Cerrado é defender um direito territorial e ancestral, mas também o direito à própria vida. ‘’Lutar pelo Cerrado é defender os nossos corpos, as nossas vidas e a nossa água. Vivemos um momento emblemático, com muitas ameaças e corte de políticas públicas, mas não podemos esquecer que somos a voz desse bioma e por isso não podemos admitir que nossos territórios, vidas e recursos naturais sejam esfaceladas’’, destacou Fátima.
O coordenador da Frente Parlamentar ambientalista, Nilto Tatto, também ofereceu seu apoio à Campanha em Defesa do Cerrado, se comprometendo a votar em favor da PEC 504/2010. ‘’Os ataques que o Cerrado vem sofrendo nas últimas décadas comprometem diretamente a preservação das nossas florestas e a produção de água, por isso, é mais do que acertada essa campanha pela aprovação da PEC’’, afirmou o deputado.
E se um garçom, com uma bandeja cheia, te oferecesse um copo d’água vazio? Foi o que aconteceu também no dia 11, nos corredores da Câmara dos Deputados, em ação de sensibilização e divulgação antes da entrega das assinaturas da petição. ‘’Não espere a água acabar para fazer alguma coisa’’ – esses foram os dizeres que estampavam o fundo dos copos oferecidos a diversos parlamentares, assessores e público presente durante a ação.
A medida que os copos eram entregues, as pessoas se davam conta de que se tratava de um recipiente vazio, fazendo alusão a relação direta do Cerrado com o abastecimento de água em nosso país, uma vez que o bioma abriga oito das doze regiões hidrográficas brasileiras e abastece seis das oito grandes bacias hidrográficas do Brasil.
Os deputados Alessandro Molon e Gervasio Maia, que receberam os copos vazios, demonstraram apoio à Campanha e também se posicionaram em favor da aprovação da PEC. ‘’Para que nosso copo não fique vazio, para que o nosso país não fique sem água, vamos proteger o Cerrado e a Caatinga’’, afirmou Molon.
A entrega da petição com mais de 560 mil assinaturas foi um marco na trajetória da Campanha Nacional em Defesa do Cerrado, que atua desde 2015 para alertar e conscientizar a sociedade sobre os impactos causados pela destruição do bioma no Brasil. Mais de 50 organizações e movimentos sociais fazem parte da Campanha, que agora em seguirá pressionando os parlamentares e a Câmara dos deputados para aprovação da PEC que garante ao Cerrado e a Caatinga o título de Patrimônios Nacionais.

“Do babaçu tudo se aproveita” é a fala de dona Maria do Rosário Costa Ferreira, quebradeira de coco babaçu, liderança na Baixada Maranhense e diretora da Cooperativa Interestadual das Mulheres. Quebradeiras de Coco Babaçu (CIMQCB). De 11 a 14 de setembro, essas mulheres estarão expondo toda a luta e resistência de sua história por meio dos produtos do babaçu IX Encontro e Feira dos Povos do Cerrado, em Brasília.
Farinha de mesocarpo, azeite, óleo, sabonete e sabão de coco são alguns dos produtos a serem levados para comercialização, além do artesanato. São vários os produtos e subprodutos da palmeira de babaçu, uma das principais fontes de renda para milhares de famílias de comunidades tradicionais no Maranhão, Pará, Piaui e Tocantins. As quebradeiras de coco babaçu estão organizadas por meio do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu, existente há 30 anos.
A amêndoa do coco babaçu é o principal produto do qual se extrai o óleo. Porém, outro produto advindo do conhecimento tradicional das mulheres quebradeiras de coco babaçu também é uma importante fonte de renda para as agroextrativistas e conquistou o mercado alimentício e de cosméticos. É a farinha de mesocarpo, comercializada por meios dos programas institucionais de governo e utilizadas na merenda escolar.
Os produtos, como incentivo à cadeia de valor agregado do babaçu, são de base agroecológica, livres de contaminantes intencionais, comercializados de forma justa visando assegurar renda para as quebradeiras de coco agroextrativistas.

Foi uma noite especial e de muitas homenagens a Maria de Jesus Bringelo, dona Dijé. A quarta noite da vigésima-nona edição do Cine Ceará, dominada pelas mulheres, veiculou “Vozes da Floresta”. Um documentário que para a cineasta brasileira, Betse de Paula, assumiu grande e incômoda “atualidade e urgência”, já que o Governo Bolsonaro enfrenta, hoje, “clamor planetário contra uma Amazônia em Chamas”.
Presentes a essa apresentação, as protagonistas do filme: a quebradeira de coco babaçu e liderança na Baixada Maranhense, Rosenilde Costa, a Rosa, representante do Movimento de Quebradeiras do Côco do Babaçu, de Neta Serejo, do Movimento de Atingidos pela Base Espacial de Alcântara, e de Nice Machado, da Associação das Comunidades Negras e Quilombolas, todas vindas do Maranhão. “Foi um momento especial onde mostrarmos ao mundo a luta pelo território empreendido por mulheres indígenas, quilombolas, ribeirinhas e quebradeiras de coco do babaçu”, enfatizou.
Para gerar um documentário cinematográfico, Betse convidou o cineasta gaúcho Tyrell Spencer para sua equipe. Ele sagrou-se vencedor do Festival É Tudo Verdade 2017 com o longa-metragem “Cidades Fantasmas”. No ano seguinte, foram parceiros no júri do festival paulistano, trocaram ideias e ele se dispôs a enfrentar as 400 horas de material gravado e dele extrair um roteiro e um plano de edição. Com novo título (“Vozes da Floresta”, aos invés de “Guardiãs”), o documentário teve sua narrativa condensada em 97 minutos. E livre de “didatismo, recursos gráfico-explicativos e narração em off”. A montagem consumiu oito meses de trabalho.
O filme começa com a primeira advogada indígena, Joênia Wapichana, defendendo, no Supremo Tribunal Federal, a demarcação da Reserva Raposa do Sol. Primeiro em sua língua materna e, depois, em português. Seguem outras vozes femininas, em especial a de Sônia Guajajara, que nas últimas eleições foi candidata a vice em chapa do PSOL. O filme parte, então, para os locais onde vivem ribeirinhas que defendem as águas e terras banhadas por rios ameaçados, quebradeiras de coco do babaçu e quilombolas em luta permanente pela posse da terra de seus ancestrais. Em especial, aquelas que enfrentam projetos da complexidade da Base Espacial de Alcântara, responsável pelo deslocamento forçado de centenas de famílias.
Rosa esclareceu dúvidas do público, que compareceu ao debate de “Vozes da Floresta”, referentes a lei que permite às catadoras a busca de sua matéria-prima (o côco do babaçu) em fazendas alheias. “Como a planta é nativa”— explicou ela — “e as terras, em maior parte dos casos, griladas, há leis em alguns municípios maranhenses, que nos permitem buscar o côco para beneficiá-lo (seja como castanha comestível ou óleos medicinais”).
“Esta permissão”— acrescentou — “se dá em poucos municípios e a título precário”. Como o filme mostra, “somos obrigadas a passar por cercas de arame farpado com nossos pesados cestos. O que defendemos é a entrega dessas terras a nós, quilombolas, que estamos ali desde os tempos da escravidão. Nossos territórios foram apropriados por fazendeiros, que as grilaram”.
Neta Serejo, por sua vez, registrou o difícil momento vivido pelos quilombolas da região de Alcântara, no Maranhão, onde está instalada, há décadas, a Base Espacial. “Mesmo nos Governos Lula e Dilma, sensíveis à nossa causa e abertos ao diálogo, não conseguimos concretizar a titulagem de nossas terras”. Agora, “por decisão do Governo Bolsonaro, datada de 15 de março último, a Base Espacial será gerenciada em parceria com os EUA. Se já era difícil antes, agora será muito mais, pois o novo governo não esconde sua hostilidade aos quilombolas”.
Nice Machado também lembrou que “os governos ditos de esquerda mais prometeram, que cumpriram”. Mas lembra que “no campo educacional, muito fizeram. Há filhos de indígenas, de quebradeiras de côco e de quilombolas que conseguiram concluir seus cursos universitários”.
O Cine Ceará Festival Ibero-Americano de Cinema chega à 29ª edição nesta sexta-feira, 30. A programação ocorre até 6 de setembro, com exibição de mais de 40 títulos. Os ingressos de cada dia estarão disponíveis nas bilheterias, gratuitamente, uma hora antes do início de cada sessão. Para a abertura, serão distribuídos 200 ingressos individuais na véspera, dia 29, a partir das 10h30, na bilheteria do Cineteatro São Luiz.
Neste ano o festival bateu recorde de inscritos, recebendo mais de 1.271 filmes de 12 países.

Carta Final da TEIA declara repúdio às violências e violações cometidas pelos grandes projetos. “Nós, nossas sementes, nossas florestas, nossas nascentes e rios, nosso fogo, nossas lutas, nossa rebeldia, nossas alegrias e nossa união vão correr cada vez mais fortes por este nosso Chão Sagrado. Somos águas que superam qualquer obstáculo, rompem qualquer paredão, infiltram se em todas as frestas e no fim se juntam fortes na Teia da Vida”, afirmam. Confira:
Mergulhando nas águas sagradas do Território de Água Riquinha, em Paulino Neves, no Maranhão, povos indígenas, quilombolas, quebradeiras de coco babaçu, ribeirinhos, pescadores artesanais, agricultores e agricultoras encontraram-se entre os dias 28 de agosto a 1º de setembro para partilhar suas sementes de luta e resistência, denunciando os impactos do agronegócio, grandes empreendimentos e as diversas formas de violência aos povos tradicionais e originários vindas dos governos federal e estadual.
O território que recebeu o Encontrão situa-se no Delta das Américas e vem enfrentando impactos diversos pela implantação de Parques Eólicos, como também é cercado pelos monocultivos que provocam a especulação e grilagem de terras na região. A Comunidade de Água Riquinha é cercada por águas cristalinas e igarapés e sua história se reconta a partir do curso do rio e dos ventos que sopram.
“Quando eu me encontrei aqui, não encontrei casa de telha, não existia nem de tijolo e de alvenaria. Nós vivíamos uma vida como se fosse uma aldeia, porque aqui não tem gente de fora. Este nosso rio era muito abundante, era um rio fundo. As mulheres entravam no rio para apanhar água, porque não existia poço, era só água do rio… É um rio pequeno, sua cabeceira se chama Lagoa da Água Riquinha”, conta Benedito Candeia, ancião da comunidade.
O encontro teve como tema “Nas águas da resistência, recontamos nossas histórias”, trazendo o resgate das lutas históricas e das narrativas ancestrais, na preservação de suas identidades, como também promovendo denúncias às ameaças e ao avanço do projeto político, social e econômico do Estado, que incentiva as iniciativas privadas e avança com a destruição dos territórios tradicionais. Esse resgate traz a importância da manutenção e da insurgência das lutas dos povos. “Nosso maior instrumento de luta é conhecer nossa própria história”, conta Oscar Akroá-Gamella.
Em meio aos relatos e trocas de experiências, destacou-se a importância da unidade entre os povos e o fortalecimento das lutas pelo território, garantia da soberania alimentar, combate às opressões de gênero e autonomia nos meios de comunicação, considerando que em grande dos casos parte os agentes de violência são os mesmos. No atual momento político essas violências se acentuam, sobretudo através das práticas racistas do Estado, que se expande com a aplicação dos grandes projetos.
A batalha contra os grandes empreendimentos promovidos pelo Estado em benefício ao capital e à iniciativa privada, põe em risco pilares fundamentais para a existência e sobrevivência dos territórios e povos tradicionais. São inimigos comuns como a VALE, a Suzano, o Porto São Luís e demais investimentos do capital chinês no estado, expansão das fronteiras agrícolas pelo MATOPIBA, entre outros.
No entanto, esse grande encontro traz o fortalecimento dos processos de resistência, pela união, partilha de saberes tradicionais e diversas expressões de espiritualidade. Essas manifestações marcaram intensamente todos aqueles que pisaram no chão e banharam nas águas sagradas de Água Riquinha. Através da fluidez do ritual das águas, as histórias foram recontadas e reconhecidas, aquecidas na partilha das lutas no ritual do fogo e plantando a resistência no ritual das sementes.
CARTA DO XII ENCONTRÃO DA TEIA DE POVOS E COMUNIDADES TRADICIONAIS DO MARANHÃO
“Nas águas da resistência recontamos nossas histórias”
Entre os dias 28 de agosto a 01 de setembro de 2019, nós, povos originários – Tremembé, Akroá Gamella do Maranhão e Piauí, Krikati, Memortumré, Apainekra, Krenje – comunidades quilombolas, ribeirinhos, pescadores artesanais, quebradeiras de coco babaçu, agricultores e agricultoras, mulheres guerreiras, curadoras, guardiãs das sementes, as Guardiãs e os Guardiões do Sagrado, como os rios que correm como sangue pelo corpo do nosso Estado para gerar a vida dos nossos Territórios, encontramo-nos no Território da Comunidade Água Riquinha – Paulino Neves para dizer que somos um só coração e espírito de luta, resistência, desobediência, insurgência e construção do Bem Viver.
Nesses dias, quando o vento soprou forte, denunciamos as ameaças, violência e destruição dos nossos corpos-territórios causados pelos grandes projetos, tais como, portos, ferrovias, monocultivos, a mineração, os complexos de produção e transmissão de energia eólica e/ou solar e hidroelétricas, a carcinicultura; a extração de calcário marinho, as leis em discussão ou aprovadas, os decretos, as sentenças judiciais que ameaçam destruir a mãe-terra e nos arrancar do nosso Chão; o desmonte da legislação de proteção ao meio ambiente, o fim da política de demarcação das Terras Indígenas, quilombolas e da reforma agrária; denunciamos as ameaças, criminalização e assassinatos das nossas lideranças, das nossas lutas e de nossas comunidades.
Reconhecemos que cada um dos projetos que ameaça uma das nossas comunidades, ameaça a todas, porque esses projetos são como pragas que espalham suas nuvens de veneno de forma brutal e não reconhecem limites, direitos e fronteiras.
Com a proteção dos nossos Encantados com quem celebramos nossa força, nossa alegria e nossa união, para quem acendemos o fogo das nossas resistências estamos tomando as nossas mãos para não mais soltar. Estamos tecendo nossa Teia que ninguém vai romper, nem com a violência das repressões policiais e/ou de milícias, nem com o veneno da cooptação. Acolhemos todas e todos que querem lutar e tecer conosco, mas declaramos também que reconhecemos quem nos querem dividir, dominar, oprimir e aniquilar, e a esses dizemos afastem se porque não os queremos conosco.
Declaramo-nos coresponsáveis por nossos territórios, por guardar e reproduzir nossos saberes, nossas sementes, nosso passado e nosso futuro. Sabemos quem somos e onde pertencemos. Sabemos quais são os nossos direitos e declaramos que não vamos esperar que os poderosos e os governos nos enxerguem, vamos seguir plantando o nosso chão e celebrado nossos Encantados, criando vida e Bem Viver, mesmo que burocratas, fazedores de leis, juízes e governantes pensem em nos negar e nos matar. Não esperaremos que nos concedam o direito de viver porque esse direito sempre foi nosso.
Nós, nossas sementes, nossas florestas, nossas nascentes e rios, nosso fogo, nossas lutas, nossa rebeldia, nossas alegrias e nossa união vão correr cada vez mais fortes por este nosso Chão Sagrado. Somos águas que superam qualquer obstáculo, rompem qualquer paredão, infiltram se em todas as frestas e no fim se juntam fortes na Teia da Vida.
Teia de Povos e Comunidades Tradicionais do Maranhão
Às margens do Rio Água Riquinha.
01 de setembro de 2019
Texto e imagens por Andressa Zumpano / CPT Maranhão

As quebradeiras de coco babaçu do Maranhão, Pará, Piauí e Tocantins do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu, por meio da Cooperativa Interestadual das Mulheres. Quebradeiras de Coco Babaçu(CIMQCB), participam do Encontro e Feira dos Povos do Cerrado. A atividade, a ser realizada entre os dias 11 e 14 de setembro no Complexo Cultural Funarte, integra a celebração do Dia Nacional do Cerrado, e está em sua nona edição. O principal objetivo é dar voz e visibilidade ao Cerrado e aos seus povos.
Intitulado “Pelo Cerrado Vivo: diversidades, territórios e democracia”, o encontro e Feira será um espaço de debates, reflexões e trocas de experiências sobre a realidade do Bioma e os desafios enfrentados pelos povos e comunidades tradicionais que habitam o Cerrado.
A expectativa é que cerca de 500 pessoas, entre representantes de povos e comunidades tradicionais, de organizações da sociedade civil e movimentos sociais se juntem na capital federal.
Realizado desde 2001, o Encontro e Feira dos Povos do Cerrado é um grande espaço de troca de experiências e articulações em defesa do Bioma e dos seus povos.
A nona edição do Encontro se constitui em um momento intenso de mobilização e integração entre diversos setores e atores interessados na defesa do Cerrado e de seus povos.
Além de ser uma grande festa pela reunião da diversidade dos povos do Cerrado, ele tem se tornado um importante instrumento de articulação e fortalecimento dos povos, além de se constituir como um meio de acessibilidade e discussão de políticas públicas e a comercialização de produtos dos Povos do Cerrado.

Ao lado de representantes e conselheiros de povos e comunidades tradicionais (PCT’s), parlamentares protocolaram na tarde desta quarta-feira (28/08) na Câmara dos Deputados, em Brasília, o Projeto de Lei 4741 que estabelece diretrizes e objetivos para as políticas públicas de desenvolvimento sustentável dos PCT’s.
De autoria das deputadas e dos deputados federais Valmir Assunção, Nilto Tatto, Talíria Petrone, Edmilson Rodrigues, Áurea Carolina, Érika Kokay, Maria do Rosário e Joênia Wapichana, o Projeto de Lei (PL) é fruto das reivindicações dos PCT’s que demandavam a necessidade urgente de transformar o Decreto nº 6.040/07, que institui a Política Nacional de Desenvolvimento Sustentável dos Povos e Comunidades Tradicionais, em Lei.
“Esse é um momento muito importante e histórico pra nós, representantes e conselheiros de PCT’s e é resultado de muita luta, de muita resistência porque nós queremos continuar em nossos territórios”, ressalta a presidente do CNPCT – Conselho Nacional de Povos e Comunidades Tradicionais, Cláudia de Pinho, representante da Rede de Comunidades Tradicionais Pantaneiras.
Em seu conjunto, o Projeto avança e promove a inclusão social e econômica dos povos e comunidades tradicionais, orientando a formulação e execução de políticas públicas integradas e orientadas ao atendimento das reivindicações e necessidades desses segmentos da população brasileira.
“Em síntese, o projeto busca superar o déficit de implementação de direitos constitucionalmente conquistados pelos povos e comunidades tradicionais, reconhece e promove o protagonismo dos sujeitos desse processo, constituindo-se na expressão e resposta a uma justa e legítima demanda de uma parte da sociedade brasileira que não aceita retrocessos e nem direitos a menos”, destaca trecho do PL.
Para o deputado federal Valmir Assunção o PL é um instrumento de luta política para o fortalecimento de povos e comunidades tradicionais. “É uma iniciativa conjunta da sociedade civil e com um conjunto de deputado que entendem a necessidade de resistir, de fazer a disputa política, mas ao mesmo tempo fazer com que o Estado brasileiro pague sua dívida histórica com povos e comunidades tradicionais”.
Trâmite do PL
Depois de apresentado, o projeto é distribuído pelo presidente da Câmara dos Deputados para as comissões temáticas que tratam dos assuntos correlatos a ele, até três no máximo. Essas são chamadas “comissão de mérito”, pois analisam o mérito de cada proposta. Para entender esse processo legislativo na Câmara dos Deputados,
Povos e Comunidades Tradicionais
PCT’s são definidos como: grupos culturalmente diferenciados e que se reconhecem como tais, que possuem formas próprias de organização social, que ocupam e usam territórios e recursos naturais como condição para sua reprodução cultural, social, religiosa, ancestral e econômica, utilizando conhecimentos, inovações e práticas gerados e transmitidos pela tradição. Entre os PCTs do Brasil, estão povos Indígenas, Quilombolas, Geraizeiros, Pantaneiros, Quebradeiras de Côco de Babaçu, Povos de Terreiro e de Matriz Africana, Extrativistas, Ribeirinhos, Pescadores artesanais, Extrativistas Costeiros e Marinhos, Ciganos, entre outros.
Pela assessoria de comunicação da FIAN Brasil

Cerca de 500 quebradeiras de coco babaçu, organizadas por meio do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu, participaram da 6ª edição da Marcha das Margaridas, em Brasília no último dia 14. Ao longo do percurso do Parque da cidade de Brasília até a Esplanada dos Ministérios, as vozes das mulheres que lutam pelo bem viver, por meio da quebra do coco babaçu, ecoaram. Juntas exigiam pelo cumprimento de direitos como acesso livre ao território, valorização da cadeia do coco babaçu, capacitação por meio de uma educação contextualizada, acesso a políticas públicas.
Para a coordenadora geral do MIQCB, Maria Alaides Sousa, o momento foi de fortalecer a resistência em um governo tão desmobilizador dos movimentos sociais. “Viemos até a Brasília dizer que as mulheres das águas, das florestas, das cidades não aceitam essa situação de total desvalorização da nossa história de luta, resistiremos e momentos como nos unem e fortalecem”, enfatizou. O MIQCB compareceu com seis ônibus, cerca de 500 mulheres, dos quatro estados de atuação do movimento: Maranhão, Pará, Piauí e Tocantins. A delegação do Maranhão foi a maior da Marcha com 73 ônibus enviados do Estado.
Na Câmara dos Deputados
A plenária da Câmara dos Deputados foi completamente tomada por mulheres, na manhã do dia 13/08, numa Sessão Solene que deu início à Marcha das Margaridas. A sessão foi requerida pelas deputadas federais Érica Kokay (PT/DF) e Talíria Petrone (PSOL/RJ) e abriu espaço para falas fortes que além de celebrarem a importância da reunião de quase 100 mil mulheres na maior mobilização conjunta de mulheres da América Latina, também abriu espaço para duras críticas ao atual momento político vivido no país.
No Pavilhão de Exposições do Parque da Cidade
Na abertura da Marcha das Margaridas, no dia 13 à noite no Parque da Cidade, foi a vez da liderança das quebradeiras de coco babaçu, dona Maria do Socorro Teixeira Lima, do Tocantins, falar sobre a importância da Marcha. “Esse é um momento de muita emoção. É um momento de novas leituras e reflexões sobreo país. Continuamos firmes na luta, mesmo após a Reforma da Previdência e lutando pela agroecologia”, afirmou.
Em uma roda de troca de experiências, Rosenilde Gregória, liderança da Baixada Maranhense, alertava as mulheres sobre a necessidade de todas pegarem na mão uma da outra para seguirem juntas na luta. “Antes de não soltarmos a mão de ninguém, é preciso pegar a mão uma da outra”. É importante que estejamos atentas ao retrocesso dos direitos que estamos perdendo. Complementou Rosa.
A Marcha das Margaridas ecoa os desafios que as mulheres do campo, das cidades e das florestam enfrentam e clamam principalmente pelo direito à vida “Nós mulheres estamos cansadas de morrer lutando e por isso voltamos às ruas de Brasília, para dizer que não nos sentimos representadas por esse parlamento que vota contra as nossas pautas. Nós lutamos pela permanência das mulheres no campo, tendo acesso às políticas públicas”, defendeu a quebradeira de coco babaçu e liderança em Cajapio, Maria Antonia.

As vozes de cem mil mulheres ecoarão em Brasília para denunciar os ataques aos direitos e à vida das mulheres do campo, da floresta, das águas e das cidades. Em Brasília, no dia 14 de agosto, as Margaridas anunciarão a plataforma política, apresentando proposições que dialoguem com a sociedade sobre a construção do Brasil que querem. As quebradeiras de coco babaçu do Maranhão, Pará, Piauí e Tocantins também estarão presentes e se juntarão ao coro que exige a garantia dos direitos das mulheres.
O MIQCB, juntamente com centenas de organizações, apoia a Marcha das Margaridas. Ao chegar em Brasília, a organização do evento já dialogou bastante sobre seis eixos que direcionam ao Brasil que as mulheres campo, da floresta e das águas querem e inclui ações contra a exploração, a dominação e todas as formas de violência em favor de igualdade, autonomia e liberdade para as mulheres.
“É preciso que cada vez tenhamos liberdade seguir com nossas vidas, sem pressões políticas, econômicas e culturais”, enfatizou Maria Alaídes de Sousa, coordenadora geral do Movimento Interestadual das Quebradeiras de refere às ameaças sofridas pelo agronegócio, pelos fazendeiros, e muita das vezes por pessoas das próprias comunidades, que se deixam influenciar pelos grandes empreendimentos que se instalam nessas áreas. “É cada vez maior a agressão à nossa cultura, às florestas de babaçus, mas estamos vigilantes, somos Guardiãs das Florestas, e denunciamos essas infrações à nossa biodiversidade”. Uma atuação que aos poucos vem gerando um resultado. Prova disso, é o aumento no número de hectares de 18 para 25 milhões das florestas de babaçu nesses quatro estados. Os dados são resultado do trabalho de pesquisadores da projeto Cartografia Social da Amazônia.
Em Brasília, no dia 14 de agosto, as Margaridas anunciarão a plataforma política, apresentando proposições que dialoguem com a sociedade sobre a construção do Brasil que querem. Para isso organizaram os debates distribuídos em seis eixos de atuação:
Para Rosa Gregória, liderança na Baixada Maranhense, o mais importante é que essas atividades preservam costumes e receitas antigas, fortalecem as atividades de grupo na comunidade e incentivam a segurança alimentar. “Mostramos principalmente aos jovens que de um fruto nativo como o babaçu retiramos a toda a nossa resistência e bem viver”, enfatizou. São atividades que reforçam a luta, a resistência e incentivam as mulheres a continuarem a luta pela soberania alimentar, o acesso livre aos territórios, a autodeterminação dos povos.
Desde o ano 2000, a cada quatro anos, camponesas de todos os estados marcham inspiradas pela história de Margarida Maria Alves, liderança assassinada por defender os direitos de trabalhadoras e trabalhadores rurais. Desde o seu surgimento, a Marcha vem se construindo como a maior e mais efetiva ação de luta das mulheres do campo, da floresta e das águas, contra a exploração, a dominação e todas as formas de violência e em favor de igualdade, autonomia e liberdade para as mulheres.
A Marcha das Margaridas é a maior ação de mulheres da América Latina e leva à capital federal as propostas e os quereres de quem produz comida sem veneno para nossa população. Somos uma potência agroambiental graças a milhões de margaridas que produzem alimentos saudáveis para nossas cidades, garantindo a soberania alimentar e a preservação de nossas sementes crioulas, dos ecossistemas e da biodiversidade.

A jornalista fotográfica, Ana Mendes, foi uma das ganhadoras do Prêmio Nacional de Fotografia Pierre Verger. O profissionalismo e sensibilidade de Ana Mendes são conhecidos das causas sociais do Maranhão. Ela já registrou a situação dos Gamella e recentemente publicou matéria sobre as quebradeiras de coco babaçu na Baixada Maranhense.
Acompanhe a matéria produzida por Ana Mendes https://user-nakytbg.cld.bz/SA-2019-1/46-47 sobre as quebradeiras de coco babaçu do Maranhão.
Sobre a premiação de Ana Mendes:
Três obras inéditas serão premiadas com R$ 30 mil nas categorias Ancestralidade e Representação, Fotografia Documental, e Trabalhos de Inovação e Experimentação.
Além destes, foram selecionados outros 12 fotógrafos, quatro em cada categoria, que vão receber menção honrosa e participar da Exposição Coletiva e do Catálogo do Prêmio.
De 29 de julho a 2 de agosto, a comissão de seleção do Prêmio, presidida por Célia Aguiar (BA) e composta por Alexandre Sequeira (PA), Nair Benedicto (SP), Cristina Damasceno (BA) e Paulo Coqueiro (BA) analisaram 292 propostas habilitadas. No total, a premiação recebeu quase 500 inscrições de todo o país.
Fotógrafos premiados
Categoria 1 – ANCESTRALIDADE E REPRESENTAÇÃO
Proponente: Daniel Moreira Soares (MG) | Título do Projeto: Vale das Ocupaçõe
Categoria 2 – FOTOGRAFIA DOCUMENTAL
Proponente: Ana Mendes (MA) | Título do Projeto: Pseudo Indígenas
Categoria 3 – TRABALHOS DE INOVAÇÃO E EXPERIMENTAÇÃO
Proponente: Eriel de Araújo Santos (BA) | Título do Projeto: Imagem – Concreto

Depois de uma construção coletiva, o Plano Político Pedagógico do Cento de Formação das Quebradeiras de Coco Babaçu (CFQCB) finalmente foi aprovado pela coordenação da Associação do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB). A aprovação ocorreu no dia 17 de junho, durante oficina de apresentação e validação do plano com contou com a presença das coordenadoras regionais de atuação da associação. O projeto Floresta de Babaçu em Pé conta apoio do Fundo Amazônia para financiar projetos socioambientais de comunidades tradicionais de quebradeiras de coco babaçu nos estados do Maranhão, Pará e Tocantins, por meio do Fundo Babaçu.
Mais informações sobre o Informativo nº 04, clique aqui.

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