Quebradeiras de coco do MIQCB Regional Pará marcam presença em seminário sobre mudanças climáticas em Marabá (PA)

Nos dias 30 e 31 de agosto, representantes do MIQCB Regional Pará participaram do Seminário da Rede Eclesial Pan-Amazônica (REPAM) da Diocese de Marabá/PA, realizado na Chácara do Bispo. O encontro reuniu mais de 110 participantes, entre povos indígenas, quebradeiras de coco babaçu, agentes pastorais, universidades e organizações sociais, para refletir sobre os impactos das mudanças climáticas na região sudeste do Pará e ouvir as comunidades diretamente afetadas.

A delegação do MIQCB contou com a participação da coordenadora executiva da Regional Cledeneuza Bizerra, acompanhada de Iracema Vieira, Antonia Santos e Leni Alves. A presença reafirmou o papel das quebradeiras de coco nos debates sobre o futuro da Amazônia e o compromisso do movimento em fortalecer a luta por justiça climática e defesa dos babaçuais.

Para a coordenadora regional, a participação no seminário foi uma oportunidade de colocar em evidência a realidade das comunidades tradicionais:

“Estar nesse espaço significa mostrar que as quebradeiras de coco babaçu são guardiãs dos territórios e do clima. Nós vivemos na pele os efeitos da crise climática e sabemos que defender os babaçuais é defender a vida. Nossa presença aqui reforça que não se pode discutir a Amazônia sem ouvir quem dela cuida todos os dias”, destacou Cledeuza Bizerra.

O seminário teve como objetivo promover uma leitura conjuntural da realidade local, refletindo sobre os impactos das mudanças climáticas e fortalecer a articulação da REPAM em nível diocesano, como preparação para a COP30, que acontecerá em Belém (PA) em 2025.

A atividade foi coordenada pela REPAM Marabá e CTP, com a presença da REPAM-Brasil, representada por Arlete Gomes e Joana Menezes. Para Arlete, o encontro apontou caminhos de unidade:

“Foi um encontro de muita esperança. As lideranças ressaltaram a importância da REPAM como um sinal de unidade e força em defesa da vida e da Amazônia. A COP30 deve ser vivida desde os territórios, e essa escuta é fundamental para que nossas comunidades sejam protagonistas”, afirmou Arlete Gomes, da REPAM-Brasil.

Entre os encaminhamentos, a Diocese de Marabá assumiu o compromisso de ampliar a metodologia da REPAM, baseada na escuta e na ecologia integral inspirada pela Laudato Si’, fortalecendo a participação das comunidades locais.

O seminário foi marcado por momentos de partilha, escuta e sistematização de propostas, além da apresentação de projetos de estudantes locais voltados ao cuidado com a Casa Comum. A experiência sinaliza novos passos para a articulação REPAM-diocesana, fortalecendo alianças em defesa da Amazônia e da vida das comunidades que nela habitam.

Quebradeiras de coco lançam site de compras no Mês das Quebradeiras em São Luís

Em um gesto que une tradição e inovação, a Cooperativa Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (CIMQCB) lança, no próximo dia 4 de setembro, às 10h, seu site de compras online — um marco histórico para a comercialização dos produtos do babaçu. O evento será realizado na Casa da Palmeira de Babaçu Dada e Dijé, onde funciona a loja física, no coração do Centro Histórico de São Luís (MA), na Rua da Palma, nº 489, próximo ao Convento das Mercês.

A iniciativa chega em meio ao Mês das Quebradeiras, fortalecendo a luta e a visibilidade das mulheres que, há décadas, transformam resistência em geração de renda, preservação ambiental e cultura viva. Fundada em 2009, a CIMQCB reúne hoje 38 grupos produtivos, com 167 cooperadas diretamente associadas e mais de 250 mulheres beneficiadas, que atuam no extrativismo e no beneficiamento do coco babaçu.

Um canal direto com os consumidores

O novo site de vendas — maepalmeira.com.br — permitirá que consumidores de todo o Brasil adquiram alimentos, cosméticos e artesanatos diretamente das quebradeiras, ampliando o mercado e garantindo que a renda chegue a quem produz.

Entre os destaques alimentícios estão azeite tradicional, óleo a frio de babaçu, farinha de mesocarpo e biscoitos. Na linha de cosméticos, os sabonetes e sabões artesanais chamam atenção. Já no artesanato, brilham as biojoias (colares, brincos, pulseiras) e peças em palha e coco, como cestas, abanos, porta-canetas e estojos.

Todos os produtos seguem princípios da produção agroecológica e sustentável, sem conservantes ou agrotóxicos, reforçando o compromisso da cooperativa com a saúde, o meio ambiente e a valorização dos territórios tradicionais.

O lançamento contará com degustação de produtos do babaçu e com a presença de quebradeiras de diferentes regionais, que irão compartilhar suas histórias de vida e de luta.

Fundo Babaçu: conquista histórica do MIQCB

O site é fruto de um projeto apoiado pelo Fundo Babaçu, mecanismo criado em 2012 a partir da luta histórica do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB). Essa conquista recebe aporte financeiro do Fundo Amazônia/BNDES e já se consolidou como um marco no fortalecimento das quebradeiras e de seus territórios. Ao longo de sua trajetória, o Fundo Babaçu já movimentou mais de R$ 10 milhões, lançou 10 editais e apoiou cerca de 100 projetos, beneficiando milhares de famílias com iniciativas voltadas à geração de renda, proteção ambiental e ao fortalecimento da organização comunitária.

Sobre a CIMQCB

A Cooperativa Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (CIMQCB) foi criada em 2009, fruto da luta do MIQCB. Hoje conta com 38 grupos produtivos distribuídos no Maranhão, Piauí, Tocantins e Pará. Sua atuação beneficia diretamente mais de 250 mulheres que vivem do extrativismo sustentável do babaçu. A cooperativa possui sede em São Luís (MA) e filiais em Esperantina (PI), Imperatriz, Viana e Pedreiras (MA), São Miguel (TO) e São Domingos do Araguaia (PA).

Juventudes do MIQCB marcam presença no Encontro Norte-Nordeste da Rede de Confluência Periférica em São Luís

Entre os dias 29 e 31 de agosto, São Luís (MA) foi recebeu o Encontro Norte-Nordeste da Rede de Confluência Periférica, promovido pelo PerifaConnection. A atividade reuniu jovens lideranças, ativistas e coletivos de diferentes regiões do país para debater cultura, política e clima a partir da perspectiva das periferias brasileiras.

O Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB) teve participação destacada, levando sua juventude e coordenação para somar reflexões sobre resistência, memória e futuro dos territórios.

A programação percorreu territórios de grande relevância histórica e cultural para o povo negro e periférico da capital maranhense: o Quilombo Urbano Liberdade (maior quilombo urbano do Brasil), o Coroadinho (8ª maior favela do país), o Centro Histórico de São Luís, além de espaços simbólicos como a Casa das Pretas, o Boi de Leonardo, o Novo Quilombo e a Casa do Tambor de Crioula.

Esses espaços de memória e resistência foram também palco para que as juventudes, principalmente as do MIQCB, compartilhassem suas experiências.

“Esses três dias de encontro com a juventude da Rede Perifa Connection foram extremamente significativos e inspiradores para mim. Ver que existem outros jovens comprometidos com a luta e com os mesmos ideais me proporcionou uma renovada energia e motivação para continuar. A oportunidade de ouvir os relatos e conhecer cada participante foi fundamental para mim”, relatou Guilherme Araújo, jovem do MIQCB.

Vozes e conexões da juventude

O encontro foi construído e organizado pela própria juventude, demonstrando a potência de uma geração que se coloca no centro das decisões políticas e culturais.

“Conhecemos outros jovens negros, que reconhecem seu espaço. Todo o evento foi organizado por jovens, mostrando seu potencial e sua capacidade. Estar no Quilombo da Liberdade, conhecer e ouvir as manifestações culturais foi muito impactante pra mim. Ver mulheres e jovens no Boi Leonardo, sentir essa união, foi uma experiência enriquecedora e muito importante”, destacou Jerônima Morais, jovem quebradeira de coco babaçu do território Camaputiua, em Cajari (MA).

Para o MIQCB, a presença nesse espaço reafirma o protagonismo da juventude no movimento.

“Enquanto secretária de juventude, posso dizer que participar do encontro foi muito fortalecedor. Estar com jovens de diferentes estados, todos lutando pelo mesmo objetivo de garantir políticas públicas em seus territórios, nos inspira e nos une ainda mais. Esse momento foi fundamental para a construção e o fortalecimento de reivindicações que são essenciais para as periferias onde esses jovens vivem”, frisou Maria José, coordenadora Executiva do Miqcb Regional Imperatriz e Secretária de Juventude do Movimento.

Tivemos trocas muito ricas, especialmente quando os mais velhos compartilharam suas histórias com os mais novos, passando adiante uma cultura que é exercida e preservada nos territórios. Foi também um espaço de reafirmação das lutas por direitos, sobretudo no que diz respeito à diversidade. No geral, foi uma experiência muito marcante e transformadora”, Concluiu, Maria José.

As falas e vivências no encontro mostraram que as juventudes não apenas ocupam espaços, mas também constroem agendas coletivas para o futuro.

“Ver as juventudes do MIQCB ocupando rodas de conversas, GT de trabalhos, debates em territórios como o do Quilombo Liberdade é muito simbólico. É a demonstração de que nossos jovens têm voz e força. Esse encontro deixa uma certeza: estamos tecendo alianças poderosas entre periferias e territórios tradicionais, construindo uma agenda de juventude que debate o Bem Viver a partir de seus territórios. Estar no encontro do Perifa nos possibilitou reenergizar e ver a diversidade de juventudes que estão a frente dos debates sobre clima, racismo ambiental e justiça climática., ressaltou Carla Pinheiro, assessora de juventude do MIQCB.

Com sua participação ativa, o MIQCB reforçou a centralidade das quebradeiras de coco babaçu na luta por justiça social, preservação dos territórios e fortalecimento da juventude. A experiência em São Luís representou um marco de confluência entre movimentos populares, reafirmando que a defesa do meio ambiente, do clima e da cultura caminha lado a lado com a resistência das periferias brasileiras.

MIQCB tem participação destacada no VII Encontro Tocantinense de Agroecologia e XIV Encontro de Camponeses e Camponesas em Barra do Ouro (TO)

Entre os dias 27 e 30 de agosto de 2025, o Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB) marcou presença no VII Encontro Tocantinense de Agroecologia e no XIV Encontro de Camponeses e Camponesas, realizado no município de Barra do Ouro (TO). O evento reuniu mais de 300 participantes, entre povos indígenas, quilombolas, quebradeiras de coco, agricultores familiares, juventudes, pesquisadores e organizações parceiras.

O MIQCB esteve representado por uma comitiva de 25 pessoas, incluindo juventudes, lideranças regionais e equipe técnica. Estiveram presentes a coordenadora de base regional Tocantins, dona Francisca Vieira, a assessora regional Elizete Araújo, os assessores jurídicos Cristian Ribas e Mariana de Brito e a auxiliar administrativa Tayanra Lima.

O movimento participou de momentos centrais da programação:

  • Mesa de abertura do encontro, ao lado de organizações parceiras da Articulação Camponesa.
  • Oficina de racismo ambiental, conduzida por Elizete Araújo (assessoria regional) e Cristian (assessoria jurídica do MIQCB).
  • Oficina sobre protocolo de consulta prévia e informada, realizada pela assessoria jurídica do movimento (Cristian e Mariana).
  • Oficina prática sobre o mesocarpo, ministrada pela coordenadora Francisca (MIQCB) e Rosalva (CIMQCB), ensinando o passo a passo para retirar a massa do coco babaçu.

Além disso, integrantes do MIQCB se envolveram nos debates sobre agrotóxicos, conflitos no campo, mercado de carbono, educação do campo e preservação dos babaçuais.

Falas do MIQCB

Durante a atividade, lideranças do MIQCB destacaram a importância da participação das quebradeiras de coco neste espaço coletivo:

Dona Francisca, coordenadora de base regional Tocantins:
“Esse encontro é um espaço de união e resistência. Nós, quebradeiras de coco, trazemos o conhecimento do babaçu, que é vida, alimento e renda para nossas famílias. Estar aqui em Barra do Ouro fortalece nossa luta pela preservação dos babaçuais e pela garantia dos nossos direitos.”

Elizete Araújo, assessora regional:
“Discutir o racismo ambiental é fundamental, porque somos nós, povos e comunidades tradicionais, que sentimos diretamente os impactos da destruição da natureza e da negação de direitos. O MIQCB reafirma que a luta contra o racismo ambiental passa também pela defesa do babaçu livre e dos territórios.”

Mariana, assessora jurídica do MIQCB:
“O protocolo de consulta prévia e informada é um instrumento de proteção dos nossos povos. Ele garante que nenhuma decisão que afete as comunidades seja tomada sem ouvi-las. É um direito conquistado e que precisa ser respeitado pelos governos e empresas.”

Carta Política dos Povos

O encontro aprovou a Carta Política da ATA 2025, documento que denuncia as violações contra povos e comunidades do Tocantins e reafirma compromissos coletivos em defesa da agroecologia, da regularização fundiária, da proteção dos babaçuais e do fortalecimento das lutas sociais.

Clique aqui para acessar a íntegra da Carta Política:

A participação do MIQCB reafirmou o protagonismo das quebradeiras de coco nas discussões sobre clima, agroecologia e defesa dos territórios. Ao levar sua experiência e sua voz para o centro dos debates, o movimento reforçou que sem babaçu livre, não há agroecologia nem futuro para as comunidades tradicionais.

Fundo Babaçu participa da Pré-COP da Rede de Fundos Comunitários da Amazônia e encerra encontro com carta política para a COP30

Entre os dias 27 e 29 de agosto, a Rede de Fundos Comunitários da Amazônia realizou sua Pré-COP, encontro preparatório rumo à COP30, que acontecerá em Belém do Pará. A atividade reuniu lideranças indígenas, quilombolas, extrativistas e organizações parceiras em três dias de debates, apontando estratégias conjuntas para ampliar o impacto dos fundos comunitários e fortalecer a incidência política em defesa da Amazônia.

O Fundo Babaçu, fruto da luta histórica do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB), teve participação destacada nos diálogos, reforçando a centralidade das mulheres quebradeiras de coco na preservação ambiental e na defesa dos territórios tradicionais.

Debates sobre alianças e incidência:

No primeiro painel, os fundos discutiram como ampliar seu impacto por meio de alianças com a sociedade civil. A tônica foi a cooperação e a reivindicação de financiamento direto para as comunidades mais afetadas pelas mudanças climáticas.

Já a segunda mesa temática abordou estratégias para fortalecer a presença de povos e comunidades tradicionais na COP30, garantindo que suas vozes sejam ouvidas nos espaços nacionais e internacionais.

Maria José, coordenadora executiva do MIQCB – Regional Imperatriz, destacou a importância de manter a palmeira de coco babaçu em pé e ressaltou que a presença na COP é fundamental para que essas reivindicações sejam atendidas:

“Precisamos nos unir enquanto rede para fazer incidência nos espaços da COP. É uma oportunidade para mostrar que todos nós — indígenas, quilombolas, quebradeiras e comunidades tradicionais — precisamos do meio ambiente. Isso precisa ser ouvido. Reforço ainda o papel da mulher nessas incidências, porque a mulher pode e deve estar onde ela quiser.”

Durante a programação, cada fundo membro da Rede apresentou sua trajetória, destacando a relevância de fortalecer a gestão comunitária de recursos e a articulação em rede. Compõem a Rede de Fundos Comunitários da Amazônia: Fundo Babaçu, Fundo Luzia Dorothy do Espírito Santo, Fundo Indígena do Rio Negro, Fundo Podáali – Indígena da Amazônia Brasileira, Fundo Timbira, Fundo Rutî, Fundo Dema, Fundo Puxirum e Fundo Mizzi Dudu.

O momento mais simbólico da Pré-COP ocorreu no encerramento, com a leitura da Declaração Política da Rede de Fundos Comunitários da Amazônia, documento que será levado à COP30. A carta reivindica:

  • Financiamento direto aos fundos comunitários (mínimo de 1 bilhão de dólares anuais);
  • Proteção territorial com demarcação de terras indígenas, quilombolas e extrativistas;
  • Valorização de saberes tradicionais como estratégias legítimas de enfrentamento à crise climática;
  • Protagonismo de mulheres e juventudes nos espaços de decisão;
  • Defesa da vida de lideranças e comunidades ameaçadas.

Na ocasião, Ednalva Ribeiro, vice-coordenadora do MIQCB, reforçou:

“A carta da Rede mostra que nós temos soluções concretas para a crise climática. Mas precisamos que os recursos cheguem de forma direta e com respeito às nossas formas de governança. O protagonismo das quebradeiras de coco precisa ser reconhecido.”

A participação das bases também foi lembrada por Socorro Viana, representante do comitê gestor do Fundo Babaçu pela Aconeruq – Associação das Comunidades Negras Rurais e Urbanas Quilombolas do Maranhão:

“O Fundo Babaçu representa as mulheres nos territórios, lá na ponta, onde a luta acontece todos os dias. A gente sabe a dificuldade que é manter o babaçu em pé diante do avanço do agronegócio e dos agrotóxicos. Por isso, esse fundo é nossa ferramenta de resistência e de esperança.”

Caminho para a COP30

Com a leitura da Declaração Política da Rede de Fundos Comunitários da Amazônia e os debates construídos coletivamente em Brasília, a Rede de Fundos chega fortalecida para a COP30. O encontro reafirmou que enfrentar a crise climática exige reconhecer os povos da Amazônia como protagonistas.

“Se a Amazônia cai, o planeta colapsa. A resposta somos nós.” – destaca a carta.

Acesse a carta na íntegra aqui.

A Pré-COP foi uma realização da Rede de Fundos Comunitários da Amazônia, em parceria com a Ação Social Franciscana (Sefra) e apoio de organizações como The Tenure Facility, Porticus e Rights and Resources Initiative (RRI).

Edital de Convocação: Assembleia Geral Extraordinária do MIQCB

O Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB) convoca suas associadas das seis Regionais dos estados do Pará, Maranhão, Piauí e Tocantins para participarem da Assembleia Geral Extraordinária, que será realizada no dia 12 de setembro de 2025, às 8h (primeira convocação) e às 9h (segunda convocação), na Av. João Pessoa, 387 – Filipinho, São Luís/MA (Irmãs São José – Casa Regional).

A pauta da reunião inclui:

  • Apresentação de bens móveis, imóveis e veículos, com propostas para destinação;
  • Informes gerais;
  • Outros assuntos de interesse da associação.

A presença das associadas é de grande importância para o fortalecimento do movimento e para as decisões coletivas.

CONFIRA O EDITAL DE CONVOCAÇÃO AQUI

MIQCB Regional Imperatriz participa da 5ª Conferência Estadual de Políticas para as Mulheres do Maranhão

O Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB), por meio da Regional Imperatriz, marcou presença na 5ª Conferência Estadual de Políticas para as Mulheres, realizada nos dias 19 e 20 de agosto, em São Luís (MA). O evento reuniu representantes de todo o estado para debater o tema “Mais democracia, mais igualdade, mais conquistas para todas”, fortalecendo a construção coletiva de políticas públicas voltadas às mulheres maranhenses.

A coordenadora executiva da Regional Imperatriz, Maria José, representou o MIQCB nas discussões, levando as vozes e demandas das mulheres quebradeiras de coco da região, especialmente nos temas relacionados à autonomia econômica, enfrentamento à violência e participação política das mulheres.

A presença do MIQCB na conferência estadual é resultado de um processo participativo que começou ainda na etapa municipal, realizada em Imperatriz, com o apoio da Secretaria Municipal da Mulher. Na ocasião, o movimento contribuiu com proposições e reflexões sobre o fortalecimento das políticas públicas voltadas às mulheres rurais e quebradeiras de coco.

Durante a conferência estadual, foram debatidas e aprovadas diversas propostas coletivas que seguirão para a etapa nacional, prevista para ocorrer em Brasília. Entre os principais encaminhamentos estão a ampliação do número de creches, o fortalecimento da rede de enfrentamento à violência de gênero e o estímulo à autonomia financeira das mulheres.

A participação do MIQCB reafirma o compromisso das quebradeiras de coco babaçu com a defesa dos direitos das mulheres, a justiça de gênero e o fortalecimento das políticas públicas, contribuindo para que as vozes das mulheres do campo e das florestas estejam representadas nos espaços de decisão.

Babaçu Livre para todas: o legado da lei pioneira de Lago do Junco e os caminhos para uma Lei Federal

No próximo dia 22 de agosto, o município maranhense de Lago do Junco comemora os 28 anos da aprovação da primeira Lei do Babaçu Livre do Brasil. A iniciativa, pioneira, garantiu legalmente o direito das quebradeiras de coco babaçu ao acesso e uso dos babaçuais, patrimônio ambiental e cultural das comunidades tradicionais do cerrado e da floresta amazônica. Esta legislação nasceu da resistência das mulheres rurais contra o avanço do latifúndio e permanece até hoje como símbolo de organização coletiva, justiça ambiental e soberania popular.

A trajetória da Lei do Babaçu Livre começou em meio a um cenário de intensa opressão no campo, onde as quebradeiras eram proibidas de acessar os babaçuais, mesmo nas terras onde tradicionalmente viviam. O agravamento dos conflitos fundiários após a chamada Lei de Terras Sarney, que favoreceu os grandes proprietários, intensificou cercamentos, cobranças indevidas e formas de exploração como a quebra “de meia”. As mulheres, ao desobedecerem os jagunços, sofriam represálias, incluindo agressões físicas e destruição de suas casas.

Foi nesse contexto que, nas décadas de 1980 e 1990, as quebradeiras de coco começaram a se organizar politicamente. Nos clubes de mães, nas associações e sindicatos rurais, surgiram estratégias coletivas de enfrentamento. Com apoio de organizações como a Associação em Áreas de Assentamento no Estado do Maranhão (ASSEMA), a Associação das Mulheres Trabalhadoras Rurais (AMTR), e posteriormente o Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB), as mulheres passaram da resistência à proposição de políticas públicas.

“Foi a lei na marra. Primeiro a gente fazia mutirão para convencer o fazendeiro a não cortar a palmeira, dizendo que precisávamos criar nossos filhos. Depois, construímos com o MIQCB a minuta de lei. Quando consegui me eleger vereadora, em 2002, consegui incluir novos artigos, que molda a Lei atual de Lago do Junco, os artigos de proteção das palmeiras”, relata Maria Alaídes Alves de Sousa, quebradeira de coco, moradora de Lago do Junco e atual coordenadora-geral do MIQCB.

A primeira lei (nº 05/1997) era simbólica: reconhecia o direito das quebradeiras, mas não apresentava medidas de proteção. Já a Lei nº 01/2002, elaborada com participação direta das quebradeiras, incluiu artigos que proíbem a derrubada das palmeiras, o uso de agrotóxicos, o corte do cacho, queimadas e a venda do coco inteiro para carvoarias. Também previu a criação de mecanismos de denúncia e responsabilização por crimes ambientais nos babaçuais. Essa mudança foi possível graças à eleição de Maria Alaídes como vereadora em 2002 e à articulação do mesmo coletivo que, anos antes, havia iniciado a luta pela Lei do Babaçu Livre no município. A união e persistência das quebradeiras resultaram em uma legislação mais robusta, moldando o que hoje é a Lei vigente em Lago do Junco.

Além do impacto direto em Lago do Junco, onde a zona rural abriga mais de 6.800 pessoas beneficiadas, a lei se tornou referência para outros municípios nos estados do Maranhão, Pará, Tocantins e Piauí, onde o MIQCB atua.

O estudo da pesquisadora Ariana Gomes da Silva (2020) sistematiza essa experiência e destaca como a mobilização social transformou um problema histórico em política pública construída pela base. Segundo o estudo, o Maranhão é hoje o estado com maior número de Leis Municipais do Babaçu Livre (12 no total), mas a expansão da legislação tem encontrado obstáculos. Desde 2012, não houve novas aprovações no estado, reflexo da fragilidade do apoio político em muitas câmaras municipais, dominadas por grupos contrários à causa das quebradeiras.

“A estratégia passa pela base. É preciso formar novas lideranças, identificar vereadores aliados, escrever o projeto com apoio técnico e mobilizar mulheres para acompanhar as sessões de votação. Assim foi em Lago do Junco, assim pode ser em outros territórios”, destaca Ariana no estudo.

Apesar do desafio nos municípios, o estado do Piauí aprovou em 2022 a Lei Estadual nº 7888, que garante o acesso livre aos babaçuais em todo o território estadual. A medida foi uma grande vitória e representa um novo patamar de institucionalização da pauta das quebradeiras. A expectativa agora é que esse avanço seja replicado no plano federal.

“Temos esperança de conquistar uma Lei do Babaçu Livre Federal. É uma necessidade diante do avanço do agronegócio sobre os territórios tradicionais. A legislação nacional traria mais segurança jurídica e fortaleceria a proteção dos babaçuais em todos os estados onde vivemos”, defende Maria Alaídes.

A experiência de Lago do Junco também consolidou uma economia solidária forte e articulada à preservação ambiental. A COPPALJ – Cooperativa dos Pequenos Produtores Agroextrativistas de Lago do Junco, criada nesse processo, tornou-se referência na produção de óleo de babaçu, sabão ecológico e sabonetes com selo de origem. A cooperativa garante comercialização justa para os produtos das quebradeiras, conectando o extrativismo sustentável ao mercado solidário.

Além disso, a AMTR continua ativa na formação política de novas lideranças femininas, promovendo espaços de debate e protagonismo das mulheres nas decisões sobre seus territórios. A ASSEMA segue como base técnica e política para elaboração de propostas legislativas e organização dos territórios agroextrativistas.

A Lei do Babaçu Livre, como reconhece o estudo de Ariana, não é apenas uma legislação ambiental ou econômica. É um instrumento de afirmação de identidades, de reparação histórica e de construção de novos futuros possíveis, centrados na justiça social, na igualdade de gênero e na defesa do meio ambiente.

Os 28 anos dessa conquista reafirmam que a força das quebradeiras continua viva, inspirando outras comunidades e estados. A liberdade do babaçu não é apenas o acesso a uma palmeira, mas a reafirmação de um modo de vida, construído com dignidade, sabedoria e coragem.

Juventudes do MIQCB apresentam sua identidade visual: força, diversidade e pertencimento

Em um momento de celebração e construção coletiva, as juventudes das seis regionais do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu -MIQCB aprovaram, em reunião online, a sua identidade visual. O processo foi realizado de forma participativa, com contribuições de jovens de diferentes territórios, que trouxeram suas ideias, cores e símbolos para traduzir a força e a diversidade dessa geração que luta pela proteção dos babaçuais e dos modos de vida tradicionais.

O resultado é uma logomarca vibrante, que une elementos da natureza, da cultura, identidade e da coletividade das quebradeiras de coco. Suas formas expressam movimento, energia e continuidade da luta; as cores transmitem vitalidade, esperança e conexão com a terra; e o conjunto revela um símbolo no qual os jovens se reconhecem e se sentem representados.

Mais do que uma marca, essa identidade é um marco: ela expressa o protagonismo da juventude na preservação ambiental, na defesa dos direitos e na construção de um futuro onde tradição e inovação caminham juntas. É a cara e a voz de uma geração que se vê, se orgulha e se fortalece no MIQCB.

MIQCB regional Tocantins participa do V Congresso Nacional da CPT: Presença, Resistência e Profecia na Luta pela Terra

O V Congresso Nacional da Comissão Pastoral da Terra (CPT), realizado entre os dias 21 e 25 de julho, em São Luís/MA, foi um espaço de fortalecimento, troca de saberes e resistência. Com o tema “Presença, Resistência e Profecia”, o evento reuniu lideranças camponesas, indígenas, quilombolas e parceiros em defesa da terra e dos territórios tradicionais. A coordenação do MIQCB regional Tocantis e a Rede de Defensores e Comunicadores do MIQCB estiverem presentes, defendendo a luta pelo território e do babaçu livre.

A abertura, marcada por uma mística que questionava “O que a CPT representa na vida de cada comunidade?”, trouxe respostas como a de Paulo Veras, representante da Articulação Camponesa do Tocantins: *”No Tocantins, ela representa coragem, força e muita luta!”

União dos Movimentos para Romper Cercas

Um dos principais debates do Congresso foi sobre a articulação entre os movimentos sociais, reforçando a importância da união para enfrentar os desafios comuns. As falas trouxeram à tona a realidade de cada comunidade, mostrando que, apesar das diferenças, todas enfrentam cercas que impedem a criação de novos assentamentos e a demarcação de terras indígenas e quilombolas. 

Comunicação Popular e Juventude em Ação 

No segundo dia, a comunicação popular ganhou destaque. Maria Antônia, jovem comunicadora da Rede de Defensores e Comunicadores do MIQCB, participou da Rádio Leandro Santos, entrevistando lideranças de diversos movimentos. “Foi uma troca riquíssima. Ouvir as realidades de cada território reforça que nossa luta é coletiva”, destacou. 

A juventude também teve espaço especial. “Participar desse momento foi incrível. Além de compartilhar minha vivência, aprendi muito, tanto com outros jovens quanto com as gerações mais experientes”, relatou Maria Antônia. 

Cuidados e Autocuidado: Fortalecendo as Bases 

No quarto dia, as oficinas em grupo abordaram o tema “Cuidados e Autocuidado”, um momento de reflexão e acolhimento. “Foi essencial para mim. Aprendemos que cuidar de nós mesmos é também cuidar da luta”*, compartilhou a jovem comunicadora. 

Cícera Soares e Francisca Pereira, coordenadoras do MIQCB Regional Tocantins, reforçaram a importância do Congresso: “Esse espaço nos lembra que, juntos, somos mais fortes. A CPT e os movimentos sociais são pilares de resistência e esperança”.

 O V Congresso da CPT reafirmou que a luta pela terra é também uma luta por dignidade, justiça e união. E, como diz o lema do evento: “A Terra a Deus Pertence!” e a quem nela vive e resiste. 

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