A visão de quem compreende a necessidade de uma relação harmônica e respeitosa com o meio ambiente

Maria do Socorro Teixeira Lima, dona Socorro, coordenadora geral da Rede Cerrado e Liderança como quebradeira de coco Babaçu na região do Bico do Papagaio e em todo o país. O artigo abaixo foi publicado também na edição do dia 22 de março do Correio Braziliense.

No Dia Mundial da Água, 22 de março, muito se fala sobre a importância dessa substância para todos os seres vivos que habitam o planeta Terra. Não se tem mais dúvidas de que água é vida. Um ser humano é capaz de passar semanas sem comer, mas passar alguns dias sem beber água pode ser fatal. Plantações inteiras são perdidas por falta d’água. O ar seca. O preço da comida sobe. É, não dá para imaginar a nossa existência sem a existência da água. O problema é que esse recurso tão vital para a nossa sobrevivência está ameaçado. Campanhas de economia, de conscientização para a não poluição dos nossos rios são fundamentais, todavia, muito mais que isso, precisamos garantir que as nossas águas continuem brotando nos rincões do Brasil.

É aí que entra o Cerrado. É ele quem guarda muitas nascentes responsáveis pelo abastecimento de muito estados brasileiros. Não é por acaso que o Cerrado é conhecido como o “berço” e a “caixa dágua” do Brasil. Ele abriga oito das 12 regiões hidrográficas brasileiras e abastece seis das oito grandes bacias hidrográficas do país: Amazônica, Araguaia/Tocantins, Atlântico Norte/Nordeste, São Francisco, Atlântico Leste e Paraná/Paraguai. Além disso, é no Cerrado onde estão localizados três dos principais aquíferos brasileiros: Bambuí, Urucuia e Guarani.

A contribuição hídrica do Cerrado para a vazão da bacia do Paraná, por exemplo, chega a 50%; à bacia do Tocantins a 62%; e a 94% da bacia do São Francisco. O bioma Pantanal é totalmente dependente das águas do Cerrado e cerca de 50% da energia consumida no Brasil é gerada com as águas do Bioma. Além disso, a cobertura vegetal do Cerrado é fundamental para garantir os fluxos hídricos entre as diversas regiões do Brasil. Ele garante o transporte de umidade e vapor d’água da bacia amazônica para as regiões Sul e Sudeste do país, permitindo a regularidade do regime de chuvas.

Ou seja, apesar de ser um Bioma pouco reconhecido nacionalmente, ele, definitivamente, não pode ser ignorado. Durante anos construiu-se a ideia de que o Cerrado era um lugar feio, com pouca vida, muito por conta das suas características de Savana, com árvores pequenas e retorcidas. E essa ideia foi vendida propositalmente. Considerada a última fronteira agrícola do país, o Cerrado, há décadas, é alvo do avanço indiscriminado de grandes monoculturas. E isso fez com que 50% da sua vegetação nativa fosse devastada. Ou seja, metade do Cerrado não existe mais, de acordo com dados do próprio Ministério do Meio Ambiente. Esse desmonte contra o Cerrado traz prejuízos à toda população, pois reflete diretamente nos regimes das chuvas que vêm ou em grande quantidade ou em escassez. Além disso, destrói nascentes importantes e ainda degrada o meio ambiente.

A importância do Cerrado vai além daquilo que nossos olhos podem ver. São as extensas raízes dessas pequenas árvores as responsáveis por captar as águas mais profundas. Isso sem falar da grande sociobiodiversidade presente no Bioma que concentra 5% da biodiversidade mundial e 30% nacional e, ainda, é morada de centenas de milhares de povos e comunidades tradicionais que trabalham em defesa do Cerrado, dos seus modos de vida e, por meio de práticas sustentáveis, contribuem ativamente para a conversação do Bioma.

É por essas e outras tantas razões que a devastação contra o Cerrado precisa parar! É urgente e necessária que medidas sejam tomadas, uma vez que menos de 3% do Cerrado está efetivamente protegido. Neste sentido, diversas organizações, entre elas a Rede Cerrado, promovem a Campanha Nacional em Defesa do Cerrado, para que assim como a Amazônia e outros biomas brasileiros, o Cerrado também seja considerado Patrimônio Nacional e tenha uma maior proteção garantida por lei.

MIQCB organiza Seminário “CAR e regularização fundiária dos territórios dos povos e comunidades

Após horas de diálogos e muita troca de informações sobre o Cadastro Ambiental Rural-CAR voltado aos povos e comunidade tradicionais, bem como a regularização fundiária de seus territórios durante o Seminário sobe o CAR organizado pelo Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu do Maranhão, Pará, Piauí e Tocantins foram encaminhadas diversas ações para orientar melhor os envolvidos diretamente no cadastro.

A atividade aconteceu na cidade de Esperantina, na região dos Cocais e reuniu lideranças quebradeiras de coco babaçu, quilombolas, indígenas, assentados, representantes do poder público: da Secretaria de Políticas Agrárias de Esperantina-PI, ITERPI, Secretaria de Estado do Meio Ambiente do PI, atuando no centro de geotecnologia, EMATER, Secretaria de Desenvolvimento Rural entre outros. Presentes das comunidades também participaram: Tapuios, sindicalistas, secretaria de mulheres STTR São João do Arraial entre outros.

Contextualização do CAR ao longo do Seminário

A história dos CAR é longa ate então não foi pensada para as comunidades tradicionais. Dentro do Conselho Nacional do PCTs discutimos que o CAR não dialoga com os modos de vida das comunidades e não respeitou a convenção 169. As organizações não podem aterrorizar as comunidades, dizendo que não acessarão mais as politicas publicas sem esse instrumento. O CAR precisa ser um escolha sim e como será feito também é uma escolha. A gente sabe que esta dentro de um interesse maior do estado brasileiro, existe por traz do CAR a questões do MATOPIBA, enfraquecimento das comunidades através do CAR individual, a lei de grilagem 13465 de divisão das áreas de assentamento. Uma forma de enfraquecimentos das comunidades fragmentação dos territórios, para volta das terras as mãos do agronegócio. Como é que o estado esta fazendo esse CAR? Por fim fizemos uma pesquisa e sabemos que o estado do Piauí esta com um projeto com o Banco Mundial para realizar o CAR individual, então se há recursos porque não trabalhar o CAR coletivo e que responde ao modo de vidas das comunidades tradicionais.

Encaminhamentos

  • Criação de grupo de trabalho pela SEMAR para atuar com os Povos e Comunidades Tradicionais e juntos monitorarem a execução do CAR no Piauí, inclusive para definição do perfil técnico que os povos e comunidades defendem para realização do serviço do CAR junto as suas comunidades;
  • O MIQCB produzirá um documento de auto-declaração para as comunidades de quebradeiras de coco babaçu para que estas se enquadrem no CAR dos PCTs;
  • MIQCB participar efetivamente do nucleo de regularização fundiária da corregedoria e movimentos;
  • MIQCB participar efetivamente da frente parlamentar da agricultura familiar
  • O Defensor Público, irá levar o caso de ameaças as lideranças de Vila Esperança para procuradoria do INTERPI e secretaria de segurança pública;
  • Amadurecer e debater, por meio de um grupo de trabalho, o debate sobre o CAR junto aos PCT´s, políticas concretas para um desenvolvimento agroecológico;
  • INTERPI se comprometeu até o final de março o georreferenciamento do território da data de Coité com encaminhamento ao procurador do INTERPI, deverá ser juntado ao processo.
  • INTERPI se comprometeu a realizar o cadastramento das famílias de Vila Esperança e delimitar data de realização com prazos definidos;

Ações durante o Seminário

Helena Gomes da Silva e Francisca Nascimento, lideranças do MIQCB na região, apresentaram a situação das Quebradeiras de Coco Babaçu por meio do Mapa Social dos Babaçuais e depois representantes das comunidades se posicionaram sobre o CAR. Cerca de 110 comunidades nos Cocais realizaram o CAR. Dúvidas e mais dúvidas surgiram ao longo do cadastramento. “Faltou clareza e acima de tudo dialogar com as comunidades tradicionais. A forma de cadastro, os documentos exigidos, a imposição, a metodologia do sistema, nada foi dialogado com as comunidades tradicionais”, disse dona Maria Da Luz.

O resultado de anos e anos de pesquisa da Cartografia Social da Amazônia, o Mapa Ecológico e Social dos Babaçuais foi apresentado.

A Assessora Técnica do MIQCB, Ariana Gomes, informou que o estudo mostra a historia de luta das quebradeiras e também os impactos e conflitos vivenciados. O que esse elementos têm haver com o CAR? É a própria existência das quebradeiras que contribui para a sociedade e conservação do meio ambiente. “Esse mapa deixa muito claro quantas comunidades dos povos e comunidades tradicionais existem na região. Muitos dizem que não tem quebradeiras de coco. As áreas de quebradeiras são as áreas conservadas, nosso trabalho protege as palmeiras e todas as outras vidas dali”, disse Francisca Nascimento.

O Defensor Público Federal, Benoni Ferreira Moreira, contextualizou que em relação a reformulação do código florestal, não foi pensada a existência das comunidades tradicionais. O defensor orientou ainda que por uma questão de segurança a melhor forma de regularização fundiária são processos coletivos, inclusive assentados. “Basta a venda de um lote e acaba a paz no assentamento. Isso é feito de forma planejada. No caso da concessão de uso não é permitida a venda, não tem direito a isso. No caso de alguém querer ir embora isso pode ser resolvido dentro do estatuto da associação, para não deixar pra trás a s benfeitorias”, explicou.

Apresentação da SEMAR e ITERPI

Foi realizada apresentação sobre CAR para povos e comunidades tradicionais por técnicos do CAR. A conversa durante o Seminário do CAR foi a primeira. O objetivo é intensificarmos esse contato para que possamos compreender cada caso e orientar da maneira devida. Reafirmaram que o CAR vai ajudar no planejamento dentro dos território de uma maneira ampla. O ITERPI também apresentou os trabalhos e assegurou que o processo de geo refenecniamento dos assentamentos estão sendo feito, falta apenas duas comunidades. Após isso é encaminhado ao Procurador do INTERPI e posteriormente enviado ao Juiz. Ainda esse mês será feito o restante de geo da área que falta se referindo a algumas área na região dos Cocais.

Depoimentos da comunidade

Ao longo das atividades vários representantes das comunidades posicionaram sobre as dificuldades enfrentadas. De uma maneira geral os desafios estão alinhados abaixo:

  • A Região dos Cocais enfrenta em relação a regularização fundiária um processo complicado. Muitas estão nas sob a ameaça dos grileiros, que conseguem aquela relação de compra e venda no cartório e “regularizam a situação”.
  • É comum conhecermos terras que são do Estado e de repente chegarem pessoas que se dizem proprietários. É preciso uma atuação mais incisiva do Estado;
  • A situação na comunidade de Vila Esperança é casa vez mais tensa. A morosidade do ITERPI em executar o processo de georeferenciamento, torna a situação cada vez mais tensa. No território há presença de pessoas que dizem que a terra foi vendida, que anda de casa em casa ameaçando os moradores.
  • Na comunidade de Vila São Pedro, assentamento Santa Cruz I e II: a estrutura é tão bem organizada, a estrutura do poder, que trazem um forma de falar em nome do dinheiro. Fica pressionando na comunidade que precisa fazer e ameaçam sobre a necessidade e obrigatoriedade de fazer o CAR, dividindo inclusive a comunidade.

Quebradeiras de coco Babaçu traçam estratégias para o fortalecimento do cooperativismo e da economia

Reunidas em São Luís, desde a última terça-feira (12), quebradeiras de coco babaçu do Maranhão, Pará, Piauí e Tocantins, por meio do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu, traçaram estratégias de fortalecimento para a Cooperativa Interestadual das Mulheres Quebradeiras de Coco Babaçu (CIMQCB).

A coordenação do MIQCB compreende que os empreendimentos cooperativos vinculados à economia solidária representam alternativas de inserção social. “As experiências já concretizadas pela Cooperativa são inspirações de resistência a dominação da economia tradicional e um estímulo para desenvolver outras formas de sociabilidade”, enfatizou a coordenadora geral do MIQCB, Maria Alaídes de Sousa. “A solidariedade permeia os meios de produção na cadeia do associativo e da economia solidária, o objetivo é seguirmos irmanadas” enfatizou dona Maria do Rosário Costa Ferreira, dpresidente da CIMQCB.

A assessoria técnica da CIMQCB, Flávia Azeredo, apresentou o planejamento da Cooperativa para os próximos cinco anos. Entre os desafios da cooperativa estão: capacitar ainda mais quebradeiras de coco no associativismo, aumentar o número de cooperadas, fortalecer as unidades de produção, autogestão e economia solidária. Estratégias de Comunicação também estão sendo criadas para publicizar ainda mais os produtos da cadeira do babaçu. “Essencial é avançar em práticas inovadoras e emancipatórias num diálogo permanente”, finalizou dona Rosário.

Planejamento da CIMQCB:

  • Fortalecimento econômico da CIMQCB e de seus Grupos Produtivos (associadas)
  • Estruturação produtiva e de comercialização para os grupos e CIMQCB
  • Manter as obrigações fiscais e financeiras da CIMQCB atualizadas
  • Incidência em Políticas Públicas no campo da Econômia Solidária e do Cooperativismo.

Produtos do Babaçu

Do babaçu tudo se aproveita! São mais de 60 produtos oriundos a partir do fruto. A variedade é grande; farinha de mesocarpo, azeite, sabão de coco, sabonete, artesanatos entre outros. A produção envolve histórias de luta, resistência e amor pelo bem viver das mulheres quebradeiras de coco babaçu. Por meio do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu do MA/PA/PI e TO, as empreendedoras conquistas cada vez mais mercados.

Para aquisição dos produtos:

MIQCB

Rua 10, Quadra 14, Casa 35,

Bairro Bequimão, São Luís – MA

(98) 3268-3357 | 3221-4163

Email: babacuprodutos@miqcb.org.br

Quebradeiras de coco babaçu traçam estratégias em São Luís para fortalecimento da luta pelo aceso livre

De 12 a 15 de março, quebradeiras de coco babaçu do Maranhão, Pará, Piauí e Tocantins estarão reunidas em São Luís para traçar estratégias de fortalecimento da luta das mulheres. Entre elas, o acesso livre ao território. A reunião é a primeira da nova coordenação do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB) após eleita a nova coordenação, durante a realização do VIII Encontrão, em fevereiro no Pará.

A programação foi organizada para debates que passam sobre a atuação do Movimento para os próximos anos, prioridades institucionais, análise dos projetos e organização da agenda institucional do MIQCB. O objetivo é fortalecer as ações do MIQCB com fins da garantir os direitos das quebradeiras de coco babaçu como povos e comunidades tradicionais.

Coordenadora do MIQCB eleita é do Maranhão e vice do Piauí

A quebradeira de coco babaçu, Maria Alaídes de Sousa da região do Mearim, foi eleita a coordenadora geral do MIQCB e Helena Gomes do Piauí foi eleita à vice. De hoje até o dia 15 de março, o grupo traçará as estratégias em São Luís de fortalecimento do Movimento. Maria Alaídes é ex-diretora da Associação em Áreas de Assentamento no Estado do Maranhão (ASSEMA). Para Maria Alaídes, o extrativismo é uma janela para que mulheres andem de mãos dadas na luta pela cidadania. “Não temos mais vergonha de assumir nossa identidade”, disse em recente entrevista.

Quebradeiras de coco babaçu do Maranhão, Pará, Piauí e Tocantins ocupam as ruas pela garantia dos Direitos

Centenas de quebradeiras de coco babaçu, extrativistas, quilombolas, indígenas ocuparam as ruas dos Estados do Maranhão, Pará, Piauí e Tocantins tornando ainda mais visível a luta pelos direitos das mulheres, neste 08 de março. As mulheres preencheram as ruas pela paridade de gênero, fim do feminicídio, valorização da mulher extrativista, acesso livre ao território, garantia dos direitos, homenagens e protesto à vereadora assassinada no ano passado, no Rio de Janeiro, Marielle Franco (Psol), e pela defesa dos direitos das mulheres frente às propostas já apresentadas pelo go

verno Bolsonaro, entre elas ao impacto da Nova Previdência – texto proposto pelo governo federal, que ainda passará pelo Congresso Nacional – na vida das mulheres brasileiras.

O Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu organizou e participou de vários atos pelo país. Uma programação com muitos debates em prol da melhoria das condições das quebradeiras de coco babaçu marcaram o Dia da Mulher. As vozes das centenas de quebradeiras de coco babaçu ecoavam um só discurso; o acesso livre ao território, aos babaçuais, a preservação do meio ambiente, o respeito ao modo tradicional de vida e a necessidade de aprovação, com a intensa participação das quebradeiras, na confecção da lei do Babaçu Livre, que garante o acesso livre ao território e a preservação dos babaçuais.

Os babaçuais, que estão sendo devastados, principalmente, para o agronegócio em várias regiões. São grandes empreendimentos que chegam com o discurso da responsabilidade social e compensação ambiental “muitas dessas palmeiras nos acompanham desde a infância. São nossas mães. Dói escutar o gemido de uma palmeira morrendo ao ser envenenada ou cortada”, desabafou dona Maria Antonia Souza, líder quilombola e quebradeira de coco babaçu na Baixada Maranhense.

Elo entre a quebradeira de coco e a palmeira

O elo entre uma quebradeira de coco e uma palmeira é intenso, respeitoso e de muita cumplicidade, a começar pelo gênero. As datas que marcam a vida de uma mulher marcam também a da palmeira. Aos 15 anos, as palmeiras começam a colocar os primeiros cachos e de nove em nove meses completam o ciclo da reprodução. Por meio das florestas de babaçuais, as mulheres quebradeiras de coco do Maranhão, Pará, Piauí e Tocantins se reafirmam como comunidades tradicionais agroextrativistas.

Incidência política

Uma relação que se transforma em resistência e luta. As quebradeiras de coco babaçu estão organizadas por meio do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu do Maranhão, Pará, Piauí e Tocantins (MIQCB), desde 1990. São regiões que concentram 80% dos babaçuais do Brasil. De um saber popular único, alta capacidade organizativa, coragem e força, as mulheres incansáveis, por meio do MIQCB, sensibilizaram e conquistaram aliados no meio acadêmico e agências de cooperação, ganhando visibilidade nacional e internacional.

Lutam principalmente pela regularização e acesso do/ao território e acesso aos recursos naturais, que compõem a base de sustentação das comunidades agroextrativistas. Elas são também incentivadas a refletir sobre as relações de gênero, gerações e etnias, bem como, a encontrar soluções conjuntas para seus principais problemas, inclusive formas de eliminar abusos e violências contra a mulher. Dentre os principais resultados dessa caminhada de luta, enfrentamentos, encontros, articulações e cantigas destacam-se: valorização do modo de vida da mulher quebradeira de coco; aumento do capital social das comunidades; desenvolvimento de capacidades, lideranças e empreendedorismo entre as mulheres a exemplo da criação da Cooperativa Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu – CIMQCB, fundada em dezembro de 2009; fortalecimento da organização social das mulheres em várias frentes, inclusive contra a violência física e sexual.

Violência

A luta das quebradeiras de coco babaçu é intensa. Enfrentam a violência no campo (somente no Maranhão, segundo dados da Comissão Pastoral da Terra – CPT, seis lideranças estão ameaçadas de morte), e integram estatísticas do Caderno de Conflitos da CPT que registrou 2017 como o maior número de assassinatos em conflitos no campo dos últimos 14 anos. Foram 71 assassinatos, 10 a mais que no ano anterior, quando foram registrados 61 casos (31 destes assassinatos ocorreram em 5 massacres, o que corresponde a 44% do total).

Sobre as quebradeiras de coco babaçu

O MIQCB emerge como uma organização que representa os interesses sociais, políticos e econômicos deste grupo, dando a estas mulheres a possibilidade de serem vistas e reconhecidas. Isto possibilita a chance de se desenvolverem, por meio do conhecimento e experiência que o trabalho do movimento oferece, bem como a verem o mundo além das comunidades. A luta, antes relacionada com o direito à terra e ao babaçu, passou a ser uma luta pela qualidade de vida da mulher no campo.

O MIQCB atua nas seguintes regiões e municípios:

• Maranhão: regionais Baixada Ocidental, Imperatriz e Mearim/Cocais (27municípios/1.700 famílias envolvidas).

• Tocantins: Regional Bico do Papagaio (12municípios/250 famílias).

• Piauí: Regional Cocais/Esperantina (11 municípios/680famílias);

• Pará: Regional Sudeste Pará/Araguaia (4 municípios/230 famílias).

• Totalizando 4 estados, 6 regionais, 54 municípios e em torno de 2.900 famílias envolvidas diretamente

Essa área de abrangência possui cerca de 500 mil famílias no meio rural, em sua maioria caracterizada pela predominância de agroextrativistas, com presença marcante das mulheres quebradeiras de coco babaçu, portanto, o Movimento estima que suas conquistas geram benefícios diretos e/ou indiretos para cerca de 300 mil mulheres quebradeiras de coco babaçu.

MIQCB contra a prisão dos integrantes dos Fóruns e Redes que lutam pelos campos livres e contra as cercas

O Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu do Maranhão, Pará, Piauí e Tocantins repudia veementemente a ação que levou a prisão de 5 militantes no município de Arari , integrantes do Fóruns e Redes que lutam pelos campos livres. A prisão ocorreu na última quinta, durante madrugada. Os mesmo foram enviados para Miranda, entre eles uma mulher.

O MIQCB registra integral solidariedade às pessoas presas, que na verdade são vítimas da criminalização dos Movimentos Sociais. Não podemos deixar passar em branco. A democracia foi conquistada à base de muita luta do povo desse país e deve ser reivindicada em momentos como esse em que setores conservadores reivindicam maior ação repressiva.

As quebradeiras de coco babaçu enfrentam os mesmos desafios dos integrantes dos Fóruns e Redes que lutam pelos campos livres. Na Baixada Maranhense os babaçuais estão cercados pelas cercas elétricas que impedem o acesso livre ao território. Várias denúncias já foram feitas, mas nenhuma providencia efetiva tomada. As mulheres vivenciam ameaças físicas e psicológicas. O que não impede o MIQCB de continuar na luta pelo acesso livre aos territórios e na luta pela retirada das cercas elétricas.


Como movimento social, o MIQCB continuará a fortalecer a luta e as expressões populares, principalmente aqueles que assumem uma posição mais emancipatória, que lutam pela transformação social, pelo fim da exclusão e das injustiças sociais. É inadmissível que em um Estado Democrático de Direito, uma das mais expressivas e manifestações sociais como os protestos instrumentos mais do que legítimos numa ordem dita democrática, eis que de resistência e de luta política, na medida do exercício de cidadania, seja utilizado como instrumento de criminalização dos movimentos sociais e de lideranças, bem como do próprio direito de manifestação e protesto.

O MIQCB está vigilante e será atuante em denunciar, publicizar e utilizar os recursos cabíveis contra o uso arbitrário de tipos penais contra os ativistas e manifestantes. Esses ataques colocam em xeque o direito humano a liberdade de manifestação, nos termos dos Tratados Internacionais de Direitos Humanos ratificados pelo Brasil, bem como visivelmente se denotava a intensificação do processo de criminalização dos movimentos sociais, com o uso arbitrário de tipos penais contra os integrantes dos movimentos sociais.

Coordenação Geral Quebradeiras de Coco Babaçu

MIQCB

Edital aberto para compra de combustível para veículos automotores no âmbito do projeto Floresta de Babaçu em Pé

A Associação do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (AMIQCB), por intermédio da Comissão de Cotação de Preços, designada em Ata pela direção executiva da referida associação, torna público para conhecimento dos interessados, que se encontra aberta cotação de Preço do tipo MENOR PREÇO, para compra de combustíveis para veículos automotores, no âmbito do projeto “Floresta de Babaçu em Pé executado pela AMIQCB e financiado pelo Fundo Amazônia, em implementação até dezembro de 2021.

As cotações serão realizadas nas regionais da AMIQCB:

Pará, no município de São Domingos do Araguaia, clique aqui.

Maranhão, nas regiões do Mearim, cidade de Pedreiras, clique aqui.

Maranhão, na cidade de Imperatriz (MA), clique aqui

Região dos Cocais no Maranhão, em Codó, clique aqui.

Baixada Maranhense, na cidade de Viana, clique aqui.

Na capital do Maranhão, São Luís, clique aqui.

Tocantins, no município de São Miguel do Tocantins, clique aqui..

Homenagem e reconhecimento a história de Maria Querobina, quebradeira de coco babaçu da região Tocantins

Em uma tarde marcada por emoção e relatos históricos de quem dedicou uma vida a luta pelo acesso livre ao território foi lançado o livro “Sou uma mulher praticamente livre”’. A obra, resultado de parceria entre a Nova Cartografia Social da Amazônia’ e o Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu do Maranhão, Pará, Piaui e Tocantins, traz a experiência da militância nos movimentos sociais da quebradeira de coco babaçu Maria Querobina da Silva Neta, atuante na região Tocantina do Maranhão.

O lançamento do livro “Sou uma mulher praticamente livre”’ aconteceu na última terça-feira, no Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais (STTR) de Imperatriz. Representantes de várias instituições estiveram presentes. Entre elas: CENTRU, Fórum de Mulheres de Imperatriz, UEMASUL, presidente do PR regional, Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais, Governo do Estado, Cartografia Social, FETAEMA.

O MIQCB foi representante pela equipe técnica e as coordenadoras, Francisca Nascimento e Eunice Costa. “Ter a nossa história contada em livros é deixar uma historia registrada das quebradeiras de coco babaçu. Isso é uma satisfação para o Movimento e só vem a fortalecer o MIQCB”, enfatizou Francisca Nascimento, coordenadora.

Para a professora Euciane Araújo, da Cartografia Social, o projeto traz a história de vida das lideranças da quebra do coco babaçu no sentido de contribuir para a construção da memória da luta das quebradeiras de coco babaçu. “Esse é o segundo livro, foi registrado a vida e luta de Dona Cledeneuza Maria Bizerra Oliveira, coordenadora financeira do MIQCB e da regional do Pará. O livro foi intitulado “Sou filha de quebradeira de coco” e lançado em 2018 em Marabá (PA). O livro faz parte da ‘Coleção narrativas das quebradeiras de coco babaçu’ e ganhou mais uma obra; “Sou uma mulher praticamente livre”.

Sobre Maria Querobina

“Essa história vem de muitos anos, do envolvimento com o movimento social, da organização do MIQCB, uma história de luta e resistente que me fez essa mulher praticamente livre”, disse dona Maria Querobina.. Ela foi escolhida para fazer parte da obra porque tem sua trajetória de vida marcada pela sua militância social no movimento de trabalhadoras rurais e é conhecida por sua luta em defesa da terra, sobretudo, pelo desejo de ter um lugar para plantar e colher, algo proibido por grandes empesas que cercam os assentamentos da região.

Maria Querobina dos Santos sempre esteve à frente dos movimentos sociais em defesa da terra de Imperatriz. Certa vez em entrevista realizada em 2012 para o site ‘Nova Cartografia Social da Amazônia’, ela fez uma análise de conjuntura a respeito do que ocorria em seu povoado.

Segundo ela, a luta começou quando houve a ampliação do eucalipto na região de Imperatriz que iniciou com a Companhia Energética do Maranhão (CEMAR) comprando milhares de hectares da “agricultura familiar” e com isto devastaram os recursos naturais.

“Onde pescávamos, tinha muito extrativismo, muito açaí, muito babaçu. Depois vem a Suzano. Com esses grandes empreendimentos está sendo implantada é uma grande potência que compra o público, compra a imprensa e tem potência de cooptação de lideranças. E o BNDES que não financia um centavo para os trabalhadores financia milhões para as empresas. Nós temos que mandar recado para o BNDES sobre aquele povo que está sendo retirado das comunidades pelos projetos que ele financia”, esclareceu.

Querobina é uma mulher que denunciava a ação de projetos ditos desenvolvimentistas e presa pela resistência dos trabalhadores rurais. “Não se produz arroz, não é porque não se planta, mas é porque morre antes de botar cacho, o mesmo ocorre com o cacho da fruta. As acerolas e as laranjas estão tendo uma doença absurda, a pira preta no pé da laranja, da acerola que elas morrem”, disse em tom de revolta em entrevista ao site ‘Nova Cartografia Social da Amazônia’.

A quebradeira de coco foi diretora do Sindicato dos Trabalhadores Trabalhadoras Rurais (STTR) de Imperatriz.

Edital aberto para contratação de serviço especializado em Monitoramento e Avaliação de projetos socioambientais

A Associação do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (AMIQC), por intermédio da Comissão de Cotação de preços torna público para conhecimento dos interessados, que se encontra aberto Edital para contratação prestação de serviço especializado em Monitoramento e Avaliação de projetos socioambientais, realizada no âmbito do projeto “Floresta de Babaçu em Pé executado pela AMIQCB e financiado pelo Fundo Amazônia, em implementação até dezembro de 2021.

Para maiores informações, clique aqui.

Livro que retrata a história de luta e resistência da quebradeira de coco babaçu Querobina será lançado

Mais uma quebradeira de coco babaçu teve a sua história de luta é resistência relatada. Desta vez foi Maria Querobina da Silva Neta da região de Imperatriz. O lançamento do livro “Sou uma mulher praticamente livre”’ acontece nesta terça-feira (26), às 15h, no Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais (STTR) de Imperatriz. O projeto é resultado de parceria entre a ‘Nova Cartografia Social da Amazônia’ e o Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu do Maranhão, Pará, Piaui e Tocantins.

Outra quebradeira de coco babaçu teve sua vida registrada em livro foi dona Dona Cledeneuza Maria Bizerra Oliveira, coordenadora financeira do MIQCB e da regional do Pará. O livro foi intitulado “Sou filha de quebradeira de coco” e lançado em 2018 em Marabá (PA). O livro faz parte da ‘Coleção narrativas das quebradeiras de coco babaçu’ e ganhou mais uma obra; “Sou uma mulher praticamente livre”.

Sobre Maria Querobina

Querobina foi escolhida para fazer parte da obra porque tem sua trajetória de vida marcada pela sua militância social no movimento de trabalhadoras rurais e é conhecida por sua luta em defesa da terra, sobretudo, pelo desejo de ter um lugar para plantar e colher, algo proibido por grandes empesas que cercam os assentamentos da região.

Maria Querobina dos Santos sempre esteve à frente dos movimentos sociais em defesa da terra de Imperatriz. Certa vez em entrevista realizada em 2012 para o site ‘Nova Cartografia Social da Amazônia’, ela fez uma análise de conjuntura a respeito do que ocorria em seu povoado.

Segundo ela, a luta começou quando houve a ampliação do eucalipto na região de Imperatriz que iniciou com a Companhia Energética do Maranhão (CEMAR) comprando milhares de hectares da “agricultura familiar” e com isto devastaram os recursos naturais. “Onde pescávamos, tinha muito extrativismo, muito açaí, muito babaçu. Depois vem a Suzano.

Querobina é uma mulher que denunciava a ação de projetos ditos desenvolvimentistas e presa pela resistência dos trabalhadores rurais. “Não se produz arroz, não é porque não se planta, mas é porque morre antes de botar cacho, o mesmo ocorre com o cacho da fruta. As acerolas e as laranjas estão tendo uma doença absurda, a pira preta no pé da laranja, da acerola que elas morrem”, disse. A quebradeira de coco foi diretora do Sindicato dos Trabalhadores Trabalhadoras Rurais (STTR) de Imperatriz.

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