
De um saber popular único, alta capacidade organizativa, resistência e força, as quebradeiras de coco babaçu vão fazendo história e contando essa experiência em diálogos de troca de saberes. É o que acontecerá no evento “O Cerrado em toda parte”, no próximo dia 09/10 no Museu do Amanhã, Rio de Janeiro. Uma programação especial foi organizada, das 10h às 17h, com palestras debates, atividades para crianças e jovens e exibição de filmes. As inscrições, que são gratuitas podem ser realizadas no site do museudoamanha.org.br. A realização do evento é do Museu do Amanhã com a ActionAid e a Rede Cerrado, o evento tem apoio do Critical Ecosystem Partnership Fund, da DGM Brasil e da Mostra Ecofalante de Cinema Ambiental.
A relação de bem viver que as quebradeiras de coco babaçu mantêm com o meio ambiente em especial as florestas de palmeiras babaçu e o cerrado (vários estados de atuação do MIQCB estão inseridos no bioma cerrado) será também foco dos debates no painel Observatório do Amanhã. Para dona Maria do Socorro Teixeira Lima, coordenadora do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB), a relação é de respeito com a nossa mãe palmeira, não existe apropriação, mas sim o sentimento de pertencimento com o território e nossa luta vai além do acesso livre ao território, as mulheres são incentivadas a refletir sobre a sua condição, sobre as relações de gênero, gerações e etnias, bem como, a encontrar soluções conjuntas para seus principais problemas, inclusive formas de eliminar abusos e violências contra a mulher”, enfatizou a coordenadora do MIQCB.
A situação do cerrado é preocupante no país. Vale ressaltar que esse bioma é a savana mais rica em biodiversidade no mundo. Ocupa cerca de um quarto do território do Brasil e se estende por 12 estados, fazendo o papel de elo entre os demais biomas do país. Considerado o berço das águas, o Cerrado abriga três grandes aquíferos e as nascentes de importantes rios que fluem por todo o país. Até mesmo as bacias do Amazonas e da Prata, que banha países vizinhos, recebe as águas que brotam no Cerrado.
Toda essa riqueza é protegida por povos ancestrais, alguns que ocupam o Cerrado antes mesmo dos colonos pisarem no Brasil, e outros que passaram a viver ali no desenrolar da história pós Colombiana. Mas essa preciosidade está sob ameaça. Só entre 2016 e 2017, o Cerrado perdeu o equivalente a mais de 1 milhão de campos de futebol, segundo dados do Ministério do Meio Ambiente. Uma ameaça aos seus povos, sua cultura e sabedoria ancestral.
Encantadeiras
Outro momento especial durante a programação será a apresentação do grupo Encantandeiras, formada por quebradeiras de coco babaçu do Maranhão, Pará, Piauí e Tocantins. O momento marcará uma homenagem a Maria de Jesus Bringelo, dona Dijé, uma grande liderança reconhecida internacionalmente e nacionalmente, vítima de infarto fulminante no último dia 14 de setembro.
As Encantadeiras apresentam uma proposta diferenciada. Elas utilizam o canto para transformar, denunciar, confortar e sobreviver. Lutam pacificamente pela garantia dos seus direitos e a preservação de sua cultura. Criado em 2014, pelo MIQCB e pela Associação em Áreas de Assentamento no Estado do Maranhão (Assema). Suas canções embalam o mundo de quem, desde a infância, acompanhava mães, avós, tias, e afins, em caminhadas rumos aos babaçuais. As canções também são vistas como expressão da luta política de atores sociais, na esfera pública, na luta pelo reconhecimento à cultura livre do babaçu, à valorização do trabalho da mulher, e à luta pelo acesso e preservação dos babaçuais.
Programação:
LOCAL: AUDITÓRIO DO MUSEU DO AMANHÃ
Programação manhã (Inscreva-se aqui)
10h – Seminário “O Cerrado em toda parte”
Mesa institucional de abertura:
10h15 – 13h – Roda de conversa
Mediação: Flavia Oliveira, jornalista
Bloco 1: O que é o Cerrado, qual sua importância, quem são e como vivem seus povos guardiões.
Bloco 2: Qual risco o Cerrado corre, como seus povos estão sendo ameaçados, como as águas e a vegetação tem sido comprometidos pelo modelo de desenvolvimento.
Bloco 3: Ações da Campanha Nacional em Defesa do Cerrado para proteger os povos
e o bioma, convite para adesão à petição para tornar o Cerrado patrimônio nacional.
Programação tarde (Inscreva-se aqui)
Sessão de filmes
14h – Sertão Velho Cerrado
Brasil, 2018 – André D’Elia
Preocupados com o fim do Cerrado no estado de Goiás, os moradores da Chapada dos Veadeiros buscam alternativas de desenvolvimento para sua região. Filme vencedor do Prêmio do Público na Competição Latino-Americana.
16h – Guardiões do Cerrado
Brasil, 2017, 12’ – Fabio Erdos
Povos indígenas, quilombolas e quebradeiras de coco babaçu falam do Cerrado, seus modos de vida e as ameaças de devastação. Filme indicado a premiação de Rio WebFest.
16h45 – Seu churrasco tem soja?
2017 – 35’ – Thomas Bauer
Pequenos agricultores e indígenas falam sobre as dificuldades diante da perda de suas terras e territórios e os males causados pelos agrotóxicos usados nas plantações de soja no Cerrado. Filme apresentado em festivais no Brasil e na Europa
LOCAL: TERREIRO DE CURIOSIDADES
Programação Manhã
Se esta Terra falasse
10h – Especialistas do Museu de Mineralogia Aitiara (MuMA) apresentam a formação do aquífero Guarini, uma das reservas hídricas mais importantes do mundo localizada no Cerrado, e demonstram o funcionamento do arenito Botucatu, rocha porosa do aquífero que absorve água.
11h30 – Artista plástica Marcia Porto conduz oficina de pintura coletiva com pigmentos
terrosos a partir de informações sobre o Cerrado. Ao final da oficina, os participantes montam painel com suas pinturas.
Programação Tarde
Se esta Terra falasse
14h – Especialistas do Museu de Mineralogia Aitiara (MuMA) apresentam a formação do aquífero Guarini, aquífero Guarini, uma das reservas hídricas mais importantes do mundo localizada no Cerrado, e demonstram o funcionamento
do arenito Botucatu, rocha porosa do aquífero que absorve água.
14h45 – Apresentação das Encantadeiras, grupo musical de quebradeiras de coco babaçu, sobre sua defesa das palmeiras que só crescem na região do Cerrado, e seu canto de trabalho na quebra do coco da palmeira, seu meio de vida.
15h30 – Artista plástica Marcia Porto conduz oficina de pintura com pigmentos terrosos a partir de informações sobre o Cerrado.

O protagonismo das comunidades ao informarem sobre a situação na qual vivem. Foi o principal objetivo da oficina de comunicação comunitária realizada no quilombo Santa Maria dos Moreiras, em Centro dos Pretinhos, na região do Mearim. A Atividade foi desenvolvida pela equipe de comunicação do Jornal Vias de Fato e da Agência Tambor com o objetivo de colocar em prática o programa de rádio Teia Bem Viver. Outros representantes dos povos e comunidades tradicionais também participaram do momento; indígenas, quilombolas e sertanejos.
Um grupo de mulheres quebradeiras de coco babaçu do MIQCB participou da atividade. “Aprender a colocar no papel, os fatos a informação foi importante para despertamos em nós, o quanto à comunicação é estratégica e envolvente”, informou Francisca Pereira. Além do aprendizado sobre as técnicas da produção textual, ao grupo foi repassada a importância da utilização das ferramentas de comunicação.
A oficina é resultado do VII Encontrão da Teia, realizada em junho de 2018. Entre os vários eixos debatidos durante o encontro dos Movimentos Sociais estava o de Comunicação. A necessidade de potencializar as bases sobre a produção jornalística e a utilização das ferramentas de comunicação foi evidenciada e a equipe de profissionais em Comunicação que integra a Teia organizou a atividade.
A capacitação em comunicação popular é uma perspectiva democrática e compreende a participação dos indivíduos não só nos meios de comunicação, mas no próprio processo de produção, planejamento e gestão da comunicação. É um processo através do qual a população adquire maior domínio sobre seu destino.
Em umas das matérias produzidas pelo grupo de quebradeiras de coco babaçu estava a realização da 3ª Feira Agroecológica no município de Dom Pedro. Acompanhe a produção textual produzida por elas:
“As quebradeiras de coco babaçu do povoado Centro dos Pretinhos e Cajá realizaram a 3 ª Feira agroecológica no dia 27 de setembro de 2018, a partir das 7h, na praça da prefeitura, no município de Dom Pedro.
Essa feira terá o apoio da Comissão Pastoral da Terra e MIQCB. Entre os produtos estarão: o coco babaçu que produz o azeite, o sabão, o mesocarpo e seus derivados. E também farão parte da exposição a produção de hortaliças, produzidas de forma agroecológica pelas quebradeiras de coco babaçu como cheiro verde, vinagreira, macaxeira entre outros.
Todos esses produtos estarão expostos nessa feira e tem como objetivo fortalecer o trabalho das quebradeiras e seus territórios.”
Produção Ananda Silvia, Francisca Pereira e Vitória Freire
Reportagem: Ananda Silva, de Santa Maria dos Pretinhos, para o jornal da Teia Bem Viver

O Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu do Maranhão, Pará, Piauí e Tocantins (MIQCB), por meio de sua Assessoria Jurídica, peticionou nesta terça-feira (02/10), no processo em andamento, junto ao Ministério Público Federal de Bacabal, informando sobre os crimes ambientais ocorrido no quilombo Monte Alegre, no município de São Luiz Gonzaga, distante 250 km de São Luís. Na semana passada cerca de 210 palmeiras de babaçu foram derrubadas.
De acordo com o advogado do MIQCB, Rafael Silva, o quilombo Monte Alegre vivencia atualmente um de seus maiores pesadelos. Existe um conflito fundiário e de identidade cultural na comunidade e que se agravou na última audiência de conciliação. A decisão do juiz incentivou a utilização de cercas, mesmo que somente para os gados, sendo a comunidade a fiscalizar essa instalação. “Além de incentivar o individualismo, as cercas agravam o conflito”, ressaltou um morador da área. Para os quilombolas de Monte Alegre que comungam de total respeito com o meio ambiente, a derrubada das palmeiras foi praticado pelas pessoas que querem o território para cercar e plantar de maneira individual.
A prática das derrubadas das palmeiras infrige a lei Estadual nº 4.374, de 18.06.1986 que proíbe a derrubada de palmeiras de babaçu, planta nativa, e a Lei Municipal nº 319, de 14.09.2001 de São Luiz Gonzaga, que proíbe derrubada da palmeira e garante livre
acesso e uso comum às quebradeiras de coco babaçu. O destino das famílias de Monte Alegre está nas mãos da Justiça Federal que aguarda a finalização do relatório antropológico para decidir sobre o conflito de terras na comunidade quilombola. O caso é acompanhado pela 6ª Câmara do Ministério Público Federal. Monte Alegre está entre os casos de violência registrados no Caderno de Conflitos da CPT. As tentativas de assassinatos no Maranhão subiram 63% e ameaças de morte 13%. São várias pessoas ameaçadas de morte no quilombo.

Cerca de 250 palmeiras de coco babaçu foram cortadas no quilombo Monte Alegre, no município de São Luiz Gonzaga, distante 254 km da capital maranhense. A ação infringe a Lei Estadual nº 4.374, de 18.06.1986 que proíbe a derrubada de palmeiras de babaçu, planta nativa, e a Lei Municipal nº 319, de 14.09.2001 de São Luiz Gonzaga, que proíbe derrubada de palmeiras de babaçu e garante livre acesso e uso comum às quebradeiras de coco babaçu.
O Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu vai protocolar denúncia, na próxima segunda-feira (01/10) junto ao Ministério Público Federal que adiantou que acionará o Instituto Chico Mendes para as providências cabíveis. Em nível estadual, o MIQCB encaminhou ofício à Secretaria Estadual de Direitos Humanos, relatando o ocorrido que se prontificou a acionar a Secretaria Estadual do Meio Ambiente e o Batalhão Ambiental.
O quilombo Monte Alegre ainda vive o luto da perda recente de dona Maria de Jesus Bringelo, vítima de um ataque fulminante do coração. Dona Dijé era líder quilombola e grande defensora dos povos e comunidades tradicionais. Na mesma semana de sua morte (14/09) tomou posse no Conselho Nacional de Povos e Comunidades Tradicionais (PCT´s), em Brasília. Em Monte Alegre, em julho de 2018, cerca de 30 representantes desse Conselho juntaram-se a mais de 150 pessoas no Seminário Nacional de PCT´s e entre os temas debatidos, a necessidade de preservação dos territórios e seus biomas, no caso do quilombo, as florestas de babaçuais.
Da década de 70 para cá, Monte Alegre conquistou a certificação como território quilombola e construiu uma vida de preservação à identidade cultural, coletividade e respeito com o meio ambiente. Conquista esta, porém, que sofre novas ameaças nos últimos anos com as propostas de grandes empreendimentos e do próprio governo em desrespeitar a luta coletiva. Desconfiança, ameaças e medo voltaram a se instalar no quilombo que está dividido em permanecer com essa identidade ou se dividir em loteamentos. Hoje, lideranças na comunidade como era Dona Dijé, estão ameaçadas de morte e integram as estatísticas da Comissão Pastoral da Terra.

Na data em que se comemora o Dia das Quebradeiras de Coco Babaçu no Maranhão e Piauí, essas mulheres lutadoras fizeram história no município de Miguel Alves, distante 120 km de Teresina. Foi aprovada em uma plenária com mais de 200 pessoas e presenças institucionais da Defensoria Pública Estadual e Federal, e da Comissão de Direitos Humanos da OAB/PI a aprovação do texto de lei Babaçu Livre para o município. O projeto de lei é uma iniciativa popular, coordenado pelo Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu do Maranhão, Pará, Piauí e Tocantins (MIQCB). Uma vez dada entrada no documento junto à Câmara Municipal, os vereadores terão 60 dias para posicionamento sobre o documento. A atividade teve apoio também do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Miguel Alves e da Comissão Pastoral da Terra no Piauí.
“É importante que tenhamos no papel o que já praticamos há gerações, o acesso livre aos babaçuais”. Enfatizou dona Chica Lera, importante liderança da região dos Cocais no Piauí. Ela ajudou a fundar o MIQCB e tem uma importante experiência na conquista pelos direitos às quebradeiras de coco babaçu. Durante a programação, uma caminhada pelas ruas de Miguel Alves foi organizada com paradas estratégicas. Em frente à prefeitura, a coordenadora regional no Piauí, Helena Gomes, comprou do prefeito e exigiu o cumprimento da lei que prevê a compra de 30% dos produtos da agricultura familiar para a merenda escolar. “É um absurdo que as pessoas que representam o poder público não atentem para essa obrigatoriedade que incentiva a segurança alimentar e garante uma economia sustentável no município”. O grupo percorreu ainda o comércio de Miguel Alves, onde a irmã Ana Lúcia Silva, da CPT/PI chamou a atenção dos comerciantes para o pagamento no valor justo aos produtos derivados do babaçu. “É inaceitável a desvalorização desses produtos pelos comerciantes, oriundos do extrativismo e de uma cultura que garante tanto a qualidade dos produtos como o bem viver dessas comunidades”, disse.
De volta à sede do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Miguel Alves, diversas quebradeiras de coco denunciaram as autoridades presentes, DPE do Estado e da União e OAB/PI, a situação de ameaça na qual vivem, a falta de segurança ao colher o coco babaçu e também a falta de políticas públicas que assegurem esse modo tradicional de vida. Dona Maria José Sampaio disse que é cada vez mais difícil viver da quebra do coco. “As plantações de cana de açúcar e arroz tomando conta das florestas de babaçuais”, ressaltou.
A coordenadora técnica do MIQCB, Ana Carolina Magalhães, contextualizou que o dia a dia das quebradeiras de coco babaçu seria o principal conteúdo da Lei do Babaçu Livre. “O que deve ser assegurado é esse direito e evitar qualquer cobrança em cima das quebradeiras de coco babaçu, como por exemplo, o pagamento pela quebra de meia pelo coco colhido e quebrado. Isso é um direito garantido por suas gerações”, enfatizou.
O advogado do MIQCB, Rafael Silva, apresentou o texto do projeto de lei distribuído em 06 artigos que regularizam desde o acesso livre ao território, a proibição da queima do coco inteiro e as sanções a serem aplicadas a quem desrespeitar a legislação. “O discurso do direito é de igual pra igual, direito a gente não pede, exige, pois, coloca as pessoas em posição de firmeza e de liberdade. Debater o contexto da lei junto às quebradeiras de coco babaçu é colocar todo o peso de sua história, de suas gerações para serem respeitados”.
Apoio institucional
As quebradeiras de coco babaçu tiveram total apoio de instituições como a Defensoria Pública Estadual e Federal, e da Comissão de Direitos Humanos da OAB/PI. O defensor público da União, Benoni Moreira Ferreira, enfatizou que a DPU tem muito a contribuir na luta das quebradeiras de coco babaçu pelo acesso ao território. “Focaremos em um trabalho de estruturação do setor para que possamos garantir o acesso aos babaçuais tanto pelo bem viver das quebradeiras de coco babaçu quanto pelo impacto que seus produtos geram na economia dos municípios, onde estão presentes”.
A Defensoria Pública Estadual, por meio do defensor Igo Castelo Branco Sampaio, também manifestou total apoio ao projeto de lei ressaltando a importância do direito ser construído na luta e com a participação popular, pois, dessa forma as pessoas acabam se apropriando deles e cobrando. “A DPE está á disposição para colaborar nesse processo de legitimação e garantia dos direitos”, disse.
O representante da Comissão de Direitos Humanos da OAB/PI, Robério Lobão, ressaltou a importância do debate e que a OAB/PI é parceira nesta luta com voz e vez das quebradeiras de coco babaçu. “É um processo de reafirmação de identidade de direitos básicos. Uma ideia viva, um projeto de muitos que ninguém pode aprisionar”.

Uma programação com muitos debates em prol da melhoria das condições das quebradeiras de coco babaçu marcaram o dia dedicado a essas mulheres no Maranhão e Piauí, celebrado 24/09. Centenas delas saíram pelas ruas de Lago dos Rodrigues, na região do Mearim Maranhense, e pelas ruas da cidade de Miguel Alves, no Piauí, mostrando a sociedade como é possível o bem viver a partir da quebra do coco babaçu desde que seus direitos e garantias fundamentais sejam respeitados.
Mesmo distantes quilômetros de distância, as quebradeiras de coco babaçu também estavam irmanadas na recente perda de uma das maiores lideranças de povos e comunidades tradicionais, dona Maria de Jesus Bringel. Tanto no Maranhão quanto no Piauí, as homenagens à dona Dijé deixaram as pessoas emocionadas. Ela foi vítima recentemente de um ataque fulminante no coração, em Monte Alegre, no Maranhão, quilombo onde morava.
As vozes das centenas de quebradeiras de coco babaçu ecoavam um só discurso; o acesso livre ao território, aos babaçuais, a preservação do meio ambiente, o respeito ao modo tradicional de vida e a necessidade de aprovação, com a intensa participação das quebradeiras, na confecção da lei do Babaçu Livre, que garante o acesso livre ao território e a preservação dos babaçuais.
Para Francisca Nascimento, o momento é de reflexão. “Perdemos recentemente uma importante liderança. Estamos ainda de luto, mas seguindo ainda mais fortes com a certeza de que nossos direitos serão respeitados. Importante são ações como essa de preencher os espaços nas ruas para que todos conheçam o bem viver das quebradeiras de coco babaçu”, enfatizou.
Na região do Mearim, referência de luta e conquista da Lei do Babaçu Livre, as mulheres saíram pelas na cidade de Lago dos Rodrigues, em caminhada. Ao longo do percurso denunciaram a devastação que os babaçuais vêm sofrendo e das constantes ameaças sofridas pelas quebradeiras de coco babaçu. Vale ressaltar que em terras maranhenses, seis lideranças estão ameaçadas de morte.

Centenas de manifestações de pesar pelo falecimento de Dona Dijé. O MIQCB agradece pelas manifestações de pesar e carinho encaminhadas pelas instituições e amigos e amigas de dona Dijé. Nos eventos realizados no momento da notícia do falecimento da líder quilombola e quebradeira de coco babaçu também foram várias as homenagens. Entre as organizações que se manifestaram: Terra de Direitos, Geledes, Rede Nacional de Advogadas e Advogados Populares, Articulação dos Povos Indígenas do Brasil APIB, Comissão Brasileira Justiça e Paz, JusDH, THEMIS, Fórum Justiça, Coletivo Margarida Alves, Plataforma para Reforma do Sistema Político entre outras.
A homenagem do MIQCB é para a mãe e avó, dona Dijé. Em um dos raros momentos que ela parava em casa, o carinho era dedicado à família, principalmente aos netos. Ela com o netinho Téo, nascido em agosto. Para sempre Dijé! Dijé presente!
Acompanhe algumas notas:
Ministério do Meio Ambiente
O Ministério do Meio Ambiente recebeu, com grande tristeza, a notícia da morte de Maria de Jesus Ferreira Bringelo, a Dona Dijé, líder quilombola das Quebradeiras de Coco Babaçu, que há poucos dias, em justo reconhecimento, tomou posse no Conselho Nacional de Povos e Comunidades Tradicionais.
Quebradeira de coco babaçu no Maranhão, Dona Dijé sempre lutou, ao lado de outras lideranças, pelos direitos de indígenas, quilombolas, ciganos, seringueiros, extrativistas. Foi uma das fundadoras do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu, que busca o reconhecimento da luta dessas mulheres pela qualidade de vida no campo. Hoje, as quebradeiras fazem parte do Comitê Gestor do Plano Nacional de Fortalecimento das Comunidades Extrativistas e Ribeirinhas (Planafe) e do Conselho de Povos e Comunidades Tradicionais (CNPCT), no qual Dona Dijé foi empossada como conselheira no dia 11 de setembro. O que nos consola são as sementes plantadas por dona Dijé, tão profundas, que certamente irão germinar entre os povos tradicionais e no coração de todos as brasileiras e brasileiros.
Ministério dos Direitos Humanos
O Ministério dos Direitos Humanos, por meio da Secretaria Nacional de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), lamenta profundamente o falecimento da liderança quilombola Maria de Jesus Bringelo, a dona Dijé, e manifesta solidariedade aos familiares. Ela honrou o Conselho Nacional dos Povos e Comunidades Tradicionais e deixará seu exemplo de luta social e por igualdade de raça e gênero. Mulher negra, quilombola, fundadora do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu — grupo formado por mulheres extrativistas do Maranhão, Tocantins, Pará e Piauí —, partiu na noite desta quinta-feira (13), vítima de infarto fulminante, nos deixando muitas lições de amor, trabalho, militância e humanidade. “A gente sonhou tanto tempo com este momento e hoje agradeço por estar acordada vivendo este grande dia”, disse Dona Dijé, emocionada, na ocasião da posse.
GOVERNO DO MARANHÃO
SECRETARIA DE ESTADO DA IGUALDADE RACIAL
CONSELHO DE IGUALDADE RACIAL DO MARANHÃO
O Governo do Maranhão, por meio da Secretaria de Estado da Igualdade Racial (SEIR) e do Conselho Estadual de Igualdade Racial (CEIRMA), lamenta o falecimento da senhora Maria de Jesus Bringelo, conhecida como Dona Dijé, vítima de infarto fulminante, ocorrido nesta sexta-feira (14), as 5 horas da manhã, no quilombo Monte Alegre, em São Luis Gonzaga – MA.
Dona Dijé foi grande liderança quilombola e uma das fundadoras do Movimento Interestadual de Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB), e teve uma presença marcante nos movimentos sociais de luta por direitos das mulheres quebradeiras de coco babaçu do Maranhão, Pará, Tocantins e Piauí, na defesa dos territórios quilombolas e da preservação da biodiversidade.
Foi conselheira estadual de igualdade racial, participando ativamente de debates sobre a política de promoção da igualdade racial do Maranhão.
Dona Dijé será velada na comunidade quilombola de Monte Alegre.
Fundação Ford
É com imenso pesar que a Fundação Ford recebeu a notícia do falecimento de Dona Dijé. Dona Dijé foi uma guerreira, que sabia ser forte e incisiva, mas sem nunca perder a ternura. Como liderança do MIQCB, Dona Dijé participou de muitos encontros organizados pela Fundação Ford, e contribuiu diretamente para que a fundação priorizasse o apoio às mulheres do campo. Dona Dijé também levou sua experiência a outras regiòes e movimentos no Brasil e mundo, sempre demonstrando uma enorme generosidade para com todas e todos. Mulher, quilombola, quebradeira de coco, foi e será, um grande exemplo para todos nós! Deixamos nossas mais sinceras condolências à família e ao movimento por esta inestimável perda.
Átila Roque, Diretor
Aurélio Vianna, e toda a equipe da fundação Ford
Instituto Nupef
É com imenso pesar que o Instituto Nupef recebe a notícia do falecimento de dona Dijé, a Maria de Jesus Bringelo, mulher negra, quilombola, quebradeira de coco babaçu. Tivemos a oportunidade de conhecer a força e luz de d. Dijé em um encontro em São Luis, em dezembro de 2017, quando iniciamos um diálogo sobre a criação de redes comunitárias de comunicação em comunidades das quebradeiras de coco babaçu.
Dona Dijé era uma grande liderança entre as quebradeiras, um símbolo de coragem e resistência. Sob ameaças há bastante tempo em decorrência de sua luta pelos direitos das mulheres, dos quilombolas, dos indígenas, por comunidades tradicionais e pelo acesso livre ao território, o coração não aguentou e d. Dijé faleceu vítima de infarto fulminante. Dois dias antes, d. Dijé havia sido empossada no Conselho Nacional dos Povos e Comunidades Tradicionais e dado a seguinte declaração: “A gente sonhou tanto tempo com este momento e hoje agradeço por estar acordada vivendo este grande dia”. É, d. Dijé, que bom que a senhora estava acordada vivendo esse dia tão importante para os povos tradicionais – sua vida e luta serão honradas por esse movimento tão forte e vivo que é o das quebradeiras de coco babaçu, quilombolas e indígenas. O Instituto Nupef solidariza-se com a família e as companheiras de luta de d. Dijé neste momento de dor e de tristeza, na certeza de que as sementes por ela plantadas produzirão frutos bonitos e resistentes. Seguimos juntos nessa luta.
OAB/MA – Comissão de Direitos Humanos
A Comissão de Direitos Humanos da OAB Maranhão vem manifestar seu profundo pesar pelo falecimento de Maria de Jesus Bringelo, d. Dijé, uma das mais importantes lideranças de comunidades tradicionais do país. O falecimento ocorreu esta madrugada, no território Monte Alegre, em Sāo Luís Gonzaga-MA.
D. Dijé era uma histórica coordenadora do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB) e fez de sua vida uma luta profunda em defesa da vida de milhares de mulheres protetoras dos babaçuais no Brasil. Aos familiares nossa solidariedade.
É com imensa tristeza que recebemos a notícia do falecimento na noite desta quinta-feira (13/09) de Maria de Jesus Bringelo, Dona Dijé. Mulher negra, quilombola, lutadora, quebradeira de côco babaçu, Dona Dijé era membro do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Côco Babaçu (MIQCB) e do CNPCT – Conselho Nacional de Povos e Comunidades Tradicionais.
Museu do Cerrado
Nós, Museu do Cerrado, sentimos a perda da Dona Dijé que foi um exemplo de garra, persistência e ternura. Que cada um de nós possamos continuar com o seu legado. http://museucerrado.esy.es/?p=3461
FIAN Brasil
A partida de Dona Dijé acontece três dias após a realização do sonho, como ela mesma disse, de ver a posse do CNPCT, mecanismo que ela lutou pelo reconhecimento e da qual fazia parte. Por outro lado, seu adeus repentino e inesperado também nos coloca em alerta, mais uma vez, para o grave cenário de retrocessos econômicos, sociais e políticos que vivemos em nosso país e da necessidade urgente de lutarmos ainda mais por justiça e igualdade.
Além da saudade, Dona Dijé deixará seu exemplo de força e luta aguerrida em defesa dos territórios e pelos direitos de quem neles vivem. Os territórios são espaços de ser e para Dijé eles eram também espaços de luta e liberdade!
À família e companheiras e companheiros de vida e luta, nossa solidariedade!
Dona Dijé PRESENTE, PRESENTE, PRESENTE! FIAN Brasil
Conselho Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional CONSEA/MA
É com muito pesar que o Conselho Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional CONSEA/MA lamenta a partida de uma grande guerreira, A companheira Maria de Jesus Ferreira Bringelo (Dijé) como era conhecida fazia parte da luta dos quilombolas e quebradeiras de coco na MIQCB. Força aos familiares e amigos.
CAA/NM
Foi com imensa tristeza que recebemos a notícia da morte de Maria de Jesus Ferreira Bringelo, a Dona Dijé. Uma grande mulher, quilombola, quebradeira de coco babaçu e lutadora das comunidades tradicionais, indígenas e quilombolas que faleceu hoje aos 70 anos, vítima de um infarto. Um referencial como ser humano, que por onde andou semeou esperança, sabedoria e soube fazer suas escolhas, apontando caminhos de que é possível sim, construir uma sociedade mais justa, fraterna e igualitária.
Para Sr Braulino Caetano dos Santos, diretor do CAA/NM, ela foi uma “grande companheira nas caminhadas e lutas. Para mim ela não morreu. Ela é uma semente que foi semeada para gerar muitos frutos para os nossos territórios”. Os dois estiveram juntos na última reunião do Conselho Nacional de Povos e Comunidades Tradicionais (CNPCT), momento em que ela foi empossada como conselheira dos povos e comunidades tradicionais.
CGN/DGM Brasil
“Uma pessoa sonhadora, lutadora, partiu hoje para outra vida, deixando um profundo sentimento de tristeza. Os nossos profundos sentimentos de pesar. A nossa solidariedade em nome do CGN/DGM Brasil. Dona Dijé vai deixar muitas saudades”, declara Srewe da Mata, representante indígena do Comitê Gestor Nacional do DGM Brasil. “Quilombola, conselheira, amiga e sábia, mãe de todos nós da comissão nacional. O sonho dela era ver a posse do CNPCT e Deus deu a ela a oportunidade, e de passarmos estes três dias juntas. Com muita dor no coração, nós do CGN lamentamos essa grande perda”, acrescenta Lucely Pio, representante quilombola do CGN e grande amiga de Dona Dijé.Dona Dijé sempre nos encorajou a lutar pelo dia que nossos territórios serão livres. Como ela mesma falava “Nós queremos o território para nascer, viver, germinar e morrer”.
“Uma pessoa sonhadora, lutadora, partiu hoje para outra vida, deixando um profundo sentimento de tristeza. Os nossos profundos sentimentos de pesar. A nossa solidariedade em nome do CGN/DGM Brasil. Dona Dijé vai deixar muitas saudades”, declara Srewe da Mata, representante indígena do Comitê Gestor Nacional do DGM Brasil. “Quilombola, conselheira, amiga e sábia, mãe de todos nós da comissão nacional. O sonho dela era ver a posse do CNPCT e Deus deu a ela a oportunidade, e de passarmos estes três dias juntas. Com muita dor no coração, nós do CGN lamentamos essa grande perda”, acrescenta Lucely Pio, representante quilombola do CGN e grande amiga de Dona Dijé.
Dona Dijé sempre nos encorajou a lutar pelo dia que nossos territórios serão livres. Como ela mesma falava “Nós queremos o território para nascer, viver, germinar e morrer”.
Dijé presente!
Mulheres Trabalhadoras de Alcântara
O MOVIMENTO DE MULHERES TRABALHADORAS DE ALCÂNTARA, o SINDICATO DOS TRABALHADORES RURAIS AGRICULTORES E AGRICULTORAS FAMILIARES DE ALCÂNTARA-MA, e o MOVIMENTO DOS ATINGIDOS PELA BASE ESPACIAL DE ALCÂNTARA, por meio da presente nota manifestamirrestrita solidariedade, neste momento de dor, aos familiares, a comunidade quilombola de Monte Alegre, município de São Luiz Gonzaga/MA e ao Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB) em função da intempestiva passagem da liderança Maria de Jesus Ferreira Bringelo. Dona Dijé, como é carinhosamente conhecida, deixa seu legado de sabedoria ancestral e firmeza na defesa dos povos da floresta, dos povos e comunidades tradicionais, em especial, dos povos quilombolas e quebradeiras de coco babaçu do Brasil, do Maranhão e do Mundo. Uma mulher negra, cuja sabedoria e serenidade nos ensina a mantermo-nos erguidos na defesa dos nossos territórios ancestrais. A trajetória de Dona Dijé também é nossa, e como tal, nos dá a irrenunciável tarefa mantê-la viva para nós, nossos filhos e nossos netos. Que nossa ancestralidade o receba com o conforto e serenidade que ela nos Ela nos ensina. Dona Dijé Presente!!
Alcântara, 14 de setembro de 2018.
Rede Cerrado
Sabe aquela pessoa que você sempre quis conhecer por ouvir falar tão bem dela? Pois é. Assim foi pra mim com a dona Maria de Jesus Bringelo – a dona Dijé: uma mulher que te arrebatava pela força das palavras e te acolhia com a doçura do olhar. Pela generosidade das deusas e do Criador do universo, tive a oportunidade de encontra-la e poder desfrutar de sua companhia por dois dias tão intensos. Foi no seminário nacional de comunidades e povos tradicionais, realizado em julho deste ano, no quilombolo Monte Alegre(MA), terra de dona Dijé. Emocionei-me muito naqueles dias porque pude sentir a forte energia que emanava da organização e articulação das mulheres quebradeiras de coco babaçu. A liderança de Dona Dijé era natural e irradiava luz. Quanta clareza nas palavras! Que estonteante capacidade de analisar a realidade! Quanta serenidade, sensatez e efetividade em suas propostas! A força da ancestralidade, da resistência e da luta tinham se personificado em dona Dijé. E eu estava ali, extasiada com tanta emoção. Minha profunda gratidão ao universo!
Fui para o encontro com mais duas lideranças do PAE Lago Grande (STM/PA), e mais três lideranças do baixo Tocantins que foram acompanhadas pelo meu colega Lourenço. E lá fiquei pensando: precisamos levar essas mulheres quebradeiras de coco babaçu para fazer um intercâmbio com as mulheres do PAE Lago Grande. Elas precisam se encontrar. Queria muito que as outras companheiras tivessem a mesma oportunidade de sentir o que eu estava sentindo. De aprender e trocar experiência de vivências e luta com dona Dijé e as demais quebradeiras de coco. Quem sabe essa oportunidade se estabelece numa parceria com MIQCB. Dona Dijé partiu. Mas, a sua força, sua coragem, sua luz permanecerão nas suas companheiras do MIQCB e em todas as pessoas, especialmente as mulheres, que tiveram a dádiva que conviver por uns dias, ou pela vida toda, com essa guerreira que quebrou coco, quebrou cerca, quebrou a maldade do latifúndio, quebrou o machismo, quebrou o racismo e tantas outras formas de injustiças e desigualdades.
Que a semente que dona Dijé plantou seja regada, cuidada e nutrida pela nossa luta, pois como disse ela no encerramento do seminário “eu existo porque alguém antes de mim resistiu. Eu existo porque alguém antes de mim insistiu e foi lá plantar.”.
DIJÉ, PRESENTE! SEMPRE!
Fase/PAE
Em nome da Fase e das lideranças do PAE Lago Grande, nossos abraços e sentimentos a todas as companheiras do MIQCB, amigos e familiares de dona Dijé.
CPT/MA
A CPT/MA se solidariza com os familiares de dona Dijé e com o MIQCB. Dona Dijé esteve conosco no lançamento do Caderno de Conflitos no Campo no dia 20/06/18. Falou de suas raízes e das lutas de sua comunidade e das mulheres quebradeiras de coco babaçu. Falou da relação profunda e íntima que seu povo tem com seu território, mas também falou dos desafios e dos conflitos. Dona Dijé, com seu jeito delicado, paciente, observador e voz mansa que até hoje soa delicadamente em nossos ouvidos, tinha pressa para ver livre os territórios sagrados de povos e comunidades tradicionais. Essa mulher negra que rompeu barreiras, mãe amável de abraço afável levou nossas vozes e clamores a lugares distantes. Dona Dijé continuará presente todos os dias em nossas lutas. Um abraço carinhoso para a família e para todas as mulheres de fibra do MIQCB.
Nota de Pesar / Deputado Estadual Bira do Pindaré/MA
Recebo, com enorme tristeza, a notícia do falecimento de Maria de Jesus Bringelo, a Dijé. No meu coração, guardo a gratidão por tê-la conhecido e aprendido com os seus ensinamentos. Mulher negra, quilombola, quebradeira de coco e uma grande líder, dona Dijé dedicou a vida à luta em defesa dos povos e comunidades tradicionais. Uma mulher maranhense, filha da terra e mãe palmeira para admirar e inspirar essa e futuras gerações.
Minha solidariedade plena aos seus familiares e ao Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu. Descanse em paz, mãe palmeira!
Dijé, presente!
Padre Clemir – ex-coordenador da CPT MA
“Dona Dije´ se Encantou na Mata de palmeiras de babaçu, agora é força certa na luta de tantas mulheres que continua o caminho de libertação de seus territórios. A memória de dona Dije´ é a certeza de sua presença viva entre nós. Força aos amigos neste momento.”Mensagem enviada por Padre Clemir, ex-coordenador da CPT MA.
Associação Nacional de Preservação do Patrimônio Bantu(ACBANTU),
“Eu (re) existo porque alguém antes de mim (re) existiu”
Dona Dijé.
A Associação Nacional de Preservação do Patrimônio Bantu(ACBANTU), vem a público por meio deste manifestar o seu imenso pesar, pelo falecimento de Dona Dijé (Maria de jesus Bringelo), Mulher Negra, integrante do Conselho Nacional de Povos e Comunidades Tradicionais (CNPCT),liderança quilombola que nos deixou no ultimo dia 13.09 ( quinta-feira). Ela que foi modelo de mulher, de luta e resistêsistencia, deixa para nós muitos exemplos para a vida, agradecemos a Nzambi por ter tido a oportunidade de conhecê-la e poder partilhar de suas experiências em terra. Deixamos aqui nosso sinceros sentimentos a toda sua familia e Comunidade. Da fididi Fafá kenê. “Deus a tenha no Reino da glória”.

O Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu agradece pelas manifestações de pesar e carinho encaminhadas por dezenas de instituições. Vamos publicar todas nos nossos canais de comunicação.
Ao MIQCB,
É com imenso pesar que a Fundação Ford recebeu a notícia do falecimento de Dona Dijé.
Dona Dijé foi uma guerreira, que sabia ser forte e incisiva, mas sem nunca perder a ternura.
Como liderança do MIQCB, Dona Dijé participou de muitos encontros organizados pela Fundação Ford, e contribuiu diretamente para que a fundação priorizasse o apoio às mulheres do campo.
Dona Dijé também levou sua experiência a outras regiões e movimentos no Brasil e mundo, sempre demonstrando uma enorme generosidade para com todas e todos.
Mulher, quilombola, quebradeira de coco, foi e será, um grande exemplo para todos nós!
Deixamos nossas mais sinceras condolências à família e ao movimento por esta inestimável perda.
Átila Roque, Diretor
Aurélio Vianna, e toda a equipe da fundação Ford

A notícia que não queríamos dar. Esta noite perdemos uma grande mulher, mãe, avó e liderança que faleceu de infarto fulminante, a dona Maria de Jesus Bringelo, dona Dijé. Mulher negra, quilombola, quebradeira de coco babaçu, um referencial como ser humano, de sabedoria e para a luta dos povos e comunidades tradicionais.
Uma profunda tristeza invade os nossos corações e custamos a acreditar que não mais compartilharemos de seu sorriso, de sua adorável companhia do seu jeito firme e suave de se posicionar.
Ficam a história, o aprendizado e o exemplo quem sempre lutou pelos direitos das mulheres, dos quilombolas, dos indígenas, dos pct´s e de quem sempre lutou pelo acesso livre ao território.
Como ela mesma falava “Nós queremos o território para nascer, viver, germinar e morrer”. E foi assim, no quilombo Monte Alegre que ela se despediu. Nós e as florestas de babaçuais sentimos a sua falta. Segue Mãe Palmeira teu caminho. Tua trajetória foi vitoriosa e teus ensinamentos já fizeram e reforçaram a luta pela liberdade e dignidade dos povos.
Dijé presente!
Com pesar, Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu

O Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu, com atuação nos estados do Maranhão, Pará, Piauí e Tocantins, vivencia um momento de expansão dos projetos e atividades. Um cenário que leva a contratação de profissionais para atuarem na secretaria executiva do Fundo Babaçu em projetos socioambientais e dois coordenadores; um financeiro e outro pedagógico. As pessoas interessadas em concorrer, devem enviar os documentos que constam nos Editais (em anexo) até o dia 22/09 para os seguintes os endereços eletrônico: administracao@miqcb.org. assessoria@miqcb.org.br e miqcb@miqcb.org.br e/ou entregar diretamente na sede do MIQCB (rua 10, quadra 14, casa 35 – Bairro Bequimão).
Os profissionais atuarão em projetos do MIQCB que fortalecerão a luta das quebradeiras de coco babaçu que contempla os interesses sociais, políticos, econômicos e culturais de milhares de mulheres em todo o país, mas principalmente nesses quatro Estados, onde estão concentradas 80% da cultura da quebra do coco babaçu. As atividades desenvolvidas possibilitarão a essas mulheres e aos jovens autoestima, fortalecimento da identidade, visibilidade e reconhecimento. Proporcionando também a esse grupo conhecerem seus direitos, assim como a busca pelo acesso e domínio da terra, território, palmeira de babaçu e demais recursos naturais, além de lutar pela melhoria das condições de vida no campo, especialmente das mulheres, crianças e juventudes.
Para cada profissional a preencher os cargos em aberto, o Movimento elaborou um edital. Participe. Acesse as informações aqui:
Cargo Secretaria Executiva do Fundo Babaçu – Projetos Socioambientais. Acesse aqui
Coordenação Financeira. Acesse aqui.
Coordenação Pedagógica. Acesse aqui.

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