
No mês em que se comemora, o Dia Estadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (24/09), a luta dessas mulheres ganha um reforço; a retirada das cercas elétricas e não elétricas dos campos alagados da região, que faz parte da Área de Proteção Ambiental da Baixada Maranhense, em Anajatuba, por meio da Operação Baixada Livre. A demanda é antiga e há dois anos o Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco (MIQCB) do MA, PA, PI e TO luta por esta conquista.
Em 2015, uma carta do MIQCB foi encaminhada para o Governo do Estado do Maranhão enfatizando a dificuldade de acesso aos babaçuais e a violência sofrida por centenas de famílias por parte dos grandes fazendeiros. No documento, estavam representados os direitos das quebradeiras de coco babaçu das regiões maranhenses da Baixada Ocidental, Médio Mearim, Cocais e Tocantina. A carta apresentava propostas e reivindicações que, se cumpridas, impactarão no desenvolvimento rural sustentável das comunidades tradicionais de quebradeiras de coco.
“As quebradeiras de coco integram as comunidades tradicionais (mediante a Convenção da OIT 169, o Decreto Nacional 6040 e a Lei Estadual 9.428/2011) e portando solicitamos garantias aos nossos direitos territoriais, sociais, ambientais econômicos e culturais, exigimos sermos respeitadas e valorizadas”, enfatizou a coordenadora geral do MIQCB, Francisca da Silva Nascimento.
Resistência e Luta
“Atualmente temos acesso a uma área restrita dos babaçuais, as cercas impedem de trabalharmos e as ameaças tornam a nossa vida um pesadelo”, é o desabafo da quebradeira de coco, Maria do Rosário Costa Ferreira. Ela há 57 anos vive no território quilombola Sesmaria do Jardim, na comunidade Bom Jesus. Ao longo do tempo viu as cercas limitarem o território de 1630 hectares de babaçu e cerca de 600 hectares de área alagada, hoje cerca de 230 famílias conseguem ter acesso a menos de 30% desse território. “O sustento das nossas famílias está no extrativismo, atividade que estamos impedidas de fazer pelas cercas e ameaças sofridas”, ressaltou.
Demandas
Na carta encaminhada em 2015 pelo MIQCB foram detalhadas 20 solicitações que impactam positivamente na vida das quebradeiras de coco. Entre as demandas: apresentação de documento legal que proíba a derrubada de das palmeiras e o livre acesso nas áreas de ocorrências do babaçu, proteção à palmeira, criação de reservas extrativistas (enseada da Mata em Penalva e Reserva do Babaçu em Codó), criação no Iterma da modalidade de Assentamento Extrativista com inicialmente cinco áreas prioritárias, identificar as áreas remanescentes de quilombo com 13 indicações passíveis de titulação pelo Iterma entre outras demandas. No item 08 do documento, o MIQCB é enfático na solicitação de retirada das cerca de arame (farpado e elétrica) existentes nos campos naturais da Baixada Ocidental Maranhense. Outra solicitação importante foi a criação da Comissão Estadual de Desenvolvimento Sustentável dos Povos e Comunidades Tradicionais do Maranhão, criação da delegacia da Mulher em alguns municípios entre outras.
O Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB), atua no Maranhão, Pará, Piauí e Tocantins, com o apoio da União Europeia. As ações são direcionadas para o fortalecimento da luta pela existência e implementações das políticas públicas que assegurem e resguardem os direitos das comunidades e povos e tradicionais como as quebradeiras de coco babaçu.
Projeto Baixada Livre
Durante a ação, que contou com a participação das secretarias de Meio Ambiente e Recursos Naturais (SEMA), Direitos Humanos e Participação Popular (Sedihpop) e Agricultura Familiar (SAF), juntamente com o Batalhão de Polícia Ambiental (BPA) e Batalhão de Bombeiros Ambiental (BBA), foram identificados mais de 300 hectares de terras cercadas ilegalmente, configurando crime ambiental segundo Decreto Nº 11.900 de 11 de junho de 1991, que criou a APA.
As cercas elétricas não são permitidas na área, uma vez que traz um sério risco à vida dos povos e das comunidades tradicionais (quebradeiras de coco, pescadores, ribeirinhos, indígenas e quilombolas), que utilizam a área para trabalhar ou simplesmente para se locomover. Essas cercas (de arame farpado e elétricas) impedem que as comunidades e os povos tradicionais acessem os recursos do seu próprio sustento, como pesca, extrativismo e etc.Também não é permitido o cerceamento dos Lagos da Baixada Maranhense, pois são terras da União e do Estado e serve para proteger a biodiversidade aquática do ecossistema. As comunidades tradicionais que vivem na área podem navegar e retirar seu sustento dessas áreas.
Compreendendo uma área de 1.775.035 hectares, a Área de Proteção Ambiental da Baixada Maranhense foi criada pelo Decreto Nº 11.900 de 11 de junho de 1991. Está localizada na Amazônia Legal maranhense, representa o maior conjunto de bacias lacustres do Nordeste e abrange 32 municípios. É uma região rica na fauna e flora, tendo como características os manguezais e babaçuais.
#miqcb #Baixada

Lideranças das regionais MA, Tocantins, Pará e Piauí e representantes de várias comunidades tradicionais participaram do Seminário: As perspectivas do Cadastro Ambiental Rural e do Programa de Apoio a Conservação Ambiental- Programa Bolsa Verde para territórios de Povos e Comunidades Tradicionais.
O evento, promovido pelo Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu – MIQCB discutiu as complexidades de acesso e informação do Cadastro Ambiental Rural – CAR.
Eliane Moreira, promotora do Ministério Público do Pará, foi convidada para esclarecer as principais dúvidas sobre o Cadastro bem como a ausência de rigor observada pelos usuários na tentativa de acesso ao sistema que podem facilitar a grilagem de terras: “há diversos documentos inaptos, sendo usados no cadastro para comprovar posse ou propriedade de terra. Existe a falta de rigor, pois as áreas estão sendo cadastradas sem terem a devida posse. Tem que haver critérios para que não seja um sistema de grilagem de terra”.
Para Carla Pereira, representante do Movimento Negro Quilombola e integrante da Pastoral da Terra no Maranhão comenta a necessidade de haver mais espaços como o Seminário: “é importante poder discutir as dúvidas sobre o CAR e também discutir lá na comunidade com os quilombolas e agricultores rurais, muitos não sabem nada sobre esse cadastro e quem sabe tem dúvidas. Muitos não fizeram o CAR e nem mesmo sabem o que é. Só quem tem a informação é grande proprietário”.
O Seminário ofereceu em sua programação rodas de conversa sobre o pagamento por Serviço Ambiental Rural – Bolsa Verde e a luta dos Povos Tradicionais pela preservação da floresta e acesso aos território.
O Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB), atua no Maranhão, Pará, Piauí e Tocantins, com o apoio da União Europeia. As ações são direcionadas para o fortalecimento da luta pela existência e implementações das políticas públicas que assegurem e resguardem os direitos das comunidades e povos e tradicionais como as quebradeiras de coco babaçu.
Saiba mais!
O Cadastro Ambiental Rural – CAR é um registro público eletrônico de âmbito nacional, obrigatório para todos os imóveis rurais, com a finalidade de integrar as informações ambientais das propriedades e posses rurais referentes às Áreas de Preservação Permanente – APP, de uso restrito, de Reserva Legal, de remanescentes de florestas e demais formas de vegetação nativa, e das áreas consolidadas, compondo base de dados para controle, monitoramento, planejamento ambiental e econômico e combate ao desmatamento.
A inscrição no CAR é o primeiro passo para obtenção da regularidade ambiental do imóvel, e contempla: dados do proprietário, possuidor rural ou responsável direto pelo imóvel rural; dados sobre os documentos de comprovação de propriedade e ou posse; e informações georreferenciadas do perímetro do imóvel, das áreas de interesse social e das áreas de utilidade pública, com a informação da localização dos remanescentes de vegetação nativa, das Áreas de Preservação Permanente, das áreas de Uso Restrito, das áreas consolidadas e das Reservas Legais.
Fonte: http://www.car.gov.br/#/sobre
Será realizado nesta segunda-feira (04/09) o Seminário: As perspectivas do Cadastro Ambiental Rural e do Programa de Apoio a Conservação Ambiental- Programa Bolsa Verde para territórios de Povos e Comunidades Tradicionais.
O Seminário é uma promoção do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu – MIQCB e tem como público-alvo as quebradeiras de coco babaçu das seis regionais que compõem o MIQCB, integrantes da Associação de Assentamento no Estado do Maranhão (ASSEMA), da Comissão Pastoral da Terra (CPT), do Conselho Indigenista Missionário (CIMI), da Alternativa para Pequena Agricultura no Tocantins (APA-TO), da Cáritas, da Fundação Ford e da Actionaid Brasil.
Saiba mais!
Programa Bolsa Verde
O Bolsa Verde é um programa de transferência de renda para famílias em situação de extrema pobreza que vivem em áreas de relevância para a conservação ambiental. Funciona como um incentivo às comunidades para que continuem usando, de forma sustentável, os territórios onde vivem.
O programa concede R$300 reais, de três em três meses, para as famílias que sejam beneficiárias em áreas para a conservação ambiental, respeitando as regras de utilização dos recursos. O benefício será concedido por dois anos, podendo ser renovado.
O evento será realizado no Hotel Abeville, às 9h em São Luis (MA).

Apoiado pelo Fundo Brasileiro para Sociobiodiversidade – FUNBIO e em parceria com o MIQCB foi realizado o curso de Culinária dos Subprodutos do Babaçu. As mulheres das comunidades atendidas pelo MIQCB tiveram acesso a receitas de alimentos preparados a base do mesocarpo.
A Associação das Quebradeiras de Coco Babaçu de Vila Nova dos Martírios, Comunidade de Curvalândia, recebeu 24 mulheres que aprenderam receitas para o aproveitamento do mesocarpo. No primeiro dia de atividades, foram preparadas receitas de biscoito do mesocarpo do babaçu, vitamina de mandioca com mesocarpo e brigadeirão de chocolate com mesocarpo. Ao longo do segundo dia de produção das receitas, foram preparados bolo de mesocarpo, munjuca de frango com mesocarpo, biscoitos de mesocarpo utilizando azeite de coco no lugar da manteiga, cocada do babaçu e manjar de leite com mesocarpo.
A promoção dos cursos tem como objetivo fortalecer a inserção dos produtos originados do babaçu na alimentação familiar principalmente das crianças e de divulgar as experiências com as demais produtoras nas comunidades.
A oficina foi realizada em todas as regionais do MIQCB no primeiro semestre de 2017. ”A ideia é que esta formação tenha continuidade nas casas das mulheres que participaram do curso, preparando novos pratos, fazendo novos experimentos com o mesocarpo, e que possamos levar adiante o aprendizado nos cursos de boas práticas de produção e higieniação dos alimentos“, afirma a assessora técnica Rosalva Silva Gomes, da regional MIQCB de Imperatriz.
A degustação das receitas aconteceu na escola municipal que cedeu o espaço para a realização do curso.
O Projeto PINDOVA: Gente Nova na Vida do Babaçual é uma inciativa do MIQCB com apoio da Petrobras que visa unir as mulheres quebradeiras de coco babaçu e jovens para transformar suas realidades a partir das oportunidades locais.
Uma das atividades desenvolvidas pelo Pindova é a capacitação de jovens das comunidades através da metodologia do “aprender fazendo”, para sua inserção nas atividades de adequação tecnológica da produção e comercialização de produtos e artesanatos oriundos do coco babaçu.
O trabalho se organiza através de um gruo produtivo, de forma coletiva onde os jovens participam da gestão na produção de alimentos e artesanatos como forma de oportunizar a estes jovens a promoção de renda que gerem sustento para suas famílias.
A produção do artesanato pelos jovens da regional do MIQCB em Tocantins tem se destacado pelo volume de peças produzidas.




Rosenilde Gregória dos Santos Costa, mais conhecida como Rosa é uma das coordenadoras do MIQCB com atuação junto às mulheres da região de Itaquaritiua onde mora e onde ocorreu o atentado contra os índios Gamelas, no fim de abril, no município de Viana. Rosa já sofreu ameaças de morte em função os trabalhos que desenvolve com as mulheres indígenas quebradeiras de coco babaçu. Ela denuncia ameaças de morte que tem sofrido pelo trabalho de militância nos movimentos sociais e sobre a dificuldade em ser mulher, negra e quebradeira de coco.
Confira a matéria completa no link:
Na sexta feira ( 07 ) foi realizado, na Comunidade Santa Eulália em Viana, o desfile da Escola Dom Hélio Campos. Na ocasião o Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu contribuiu para a manifestação com uma palestra sobre as atividades das mulheres.
Durante o desfile, foram exibidos produtos da Cooperativa do MIQCB originados do trabalho das quebradeiras de coco e suas principais ferramentas de trabalho.
Ao final do desfile, houve degustação de produtos como o bolo do mesocarpo, biscoitos e minga

SÃO LUÍS – Foi realizada nos dias 6 e 7 de junho, na casa das Irmãs da Misericórdia, a Oficina de Fortalecimento de Lideranças do MIQCB. O evento, realizado em parceria com a Actionaid e União Europeia, recebeu cerca de 40 mulheres entre líderes, assessoras técnicas e coordenadoras do MIQCB.
A oficina que teve como objetivo fortalecer a capacidade de atuação das líderes que compõem o MIQCB, a partir das ações desenvolvidas pelo projeto, foi dividida em oito momentos que privilegiaram discussões sobre o monitoramento dos indicadores do Projeto Mulheres Quebradeiras de Coco Babaçu em defesa do desenvolvimento sustentável dos povos e comunidades tradicionais, em execução desde 2016. Entre os temas discutidos, destacam-se a formação de jovens, a linha de base para o monitoramento e avaliação do Projeto e o aprimoramento dos papeis de cada organização na implementação e gestão do projeto.

Para Avanildo Duque, gestor de programas da Actionaid, a oficina possibilita às lideranças maior conhecimento para a atuação sociopolítica das mulheres líderes: “Nosso objetivo principal é o fortalecimento das quebradeiras para uma incidência política nos espaços e nas políticas que são relacionadas ao fortalecimento da identidade dos povos e comunidades tradicionais. A oficina de fortalecimento de lideranças traz de forma mais participativa possível a apropriação dessas mulheres líderes, coordenadoras, assessoras, das políticas, tanto para atuação no MIQCB, nas regionais, nos estados, nos municípios e nas comunidades, mas também em relação as estâncias que o projeto demanda que são os conselhos, as articulações são os espaços de incidência que o MIQCB participa”.
Para Araci Pontes Oliveira, do Assentamento Santa Luzia, localizado no município de São João do Arraial, acredita na importância desse tipo de formação: É a primeira vez que eu participo de atividades assim. Vou levar um bom aprendizado para minhas companheiras que não puderam estar aqui sobre um conhecimento a mais para nós mulheres dos assentamentos”.
As ações de formação durante o Projeto Mulheres Quebradeiras de Coco Babaçu em defesa do desenvolvimento sustentável dos povos e comunidades tradicionais preveem ainda para 2017, o módulo 2 da formação de jovens das comunidades tradicionais atendidas pelo MIQCB.

Foi realizado o VI Encontrão da Teia dos Povos e Comunidades Tradicionais nos dias 25 e 28 de maio na Comunidade Quilombola Alto Bonito, Brejo, região do Baixo Parnaíba, no Maranhão.
A Teia de Povos e Comunidades Tradicionais do Maranhão é uma articulação entre indígenas, quilombolas, pescadores artesanais, ribeirinhos, quebradeiras de coco, sertanejos e geraizeiros em busca do Bem Viver para todos e todas.
Encontros anteriores
Em 2013, em Mangabeira – Santa Helena, compreendemos que uma vara sozinha se quebra fácil, mais se juntar um feixe ninguém pode quebrar.
Em 2014, no Taim – São Luis, ao redor do poço da memória, fizemos a descolonização do saber, do ser e do sentir, e assumimos o Bem Viver como horizonte possível.
Em 2015, no Território do Povo Gamela, Viana, MA, na simbologia da Mandala – compreendemos que cada um de nós é um ponto que se liga a tudo que vive! – afirmamos o sonho do Território Livre.
Ainda em 2015, no Território Quilombola Santa Maria dos Moreira/Bom Jesus, município de Codó, MA, nos encontramos para reafirmar, a partir das experiências das nossas vivências, a urgência em aprofundar a autonomia do próprio processo de organização, gestão e produção.
Em 2016, entre os rios Balsas e Parnaíba, no território da comunidade sertaneja de Forquilha, Benedito Leite – MA, foram denunciadas as ameaças e agressões aos Territórios de vida, causadas pelo modelo de desenvolvimento baseado nos projetos do capital, nossas vidas não cabem nos seus mapas.
Ao final do Encontro, foi elaborada a carta Final e a Moção de Repúdio que pode ser acessada na íntegra:
VI ENCONTRÃO DA TEIA DE POVOS E COMUNIDADES TRADICIONAIS DO MARANHÃO, Território Quilombola Alto Bonito, 25 a 28 de maio de 2017.
DOCUMENTO FINAL
“NÃO ESTAMOS EXTINTOS. ESTAMOS DE PÉ, EM LUTA. ESTA TERRA É NOSSA!
Nós, povos indígenas Akroá Gamella, Krenyê, Krikati, Gavião, Krepym Katejê, Pataxó Hã Hã Hãe da Bahia, comunidades quilombolas, quebradeiras de coco, sertanejos, geraizeiros, pescadores artesanais, ribeirinhos, camponeses e seringueiros do Acre, com o apoio solidário e militante da Comissão Pastoral da Terra/CPT, do Conselho Indigenista Missionário/CIMI, do Movimento Interestadual de Quebradeiras de Coco/MIQCB, Irmãs de Notre Dame, Movimento de Comunidades Populares/MCP, Teia de Povos da Bahia, Diocese de Brejo, Núcleo de Estudos e Pesquisa em questão Agrária/NERA, CSP Conlutas, Coletivo Nódua, Centro de Defesa de Açailândia, Grupo de Estudo em Desenvolvimento, Modernidade e Meio Ambiente/GEDMMA, Núcleo de Estudos Geográficos/UFMA, Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia/Campus Pinheiro, Rede de Agroecologia do Maranhão/RAMA, nos reunimos no território quilombola Alto Bonito, Brejo/MA, nos dias 25 a 28 de maio de 2017, para o VI Encontro da Teia de Povos e Comunidades Tradicionais do Maranhão.
Bebendo da experiência dos seringueiros de Xapuri (Acre), dos povos da Bahia, e dos muitos relatos da nossa gente, afirmamos a nossa autonomia na segurança, na educação, na produção, na autogestão e no Bem Viver!
Denunciamos o modelo de desenvolvimento que tem se perpetuado no Brasil, explorador e concentrador de riquezas que, para alcançar o máximo de exploração da natureza precisa negar nossa existência, nossa cultura e nossos modos de vida, atuando violentamente no extermínio de povos e comunidades, como ocorrera com camponeses em Colniza no Mato Grosso, com o Povo Akroá-Gamella no Maranhão e com os camponeses em Pau D’árco, no Pará.
Reafirmamos a luta no enfrentamento com o agro-hidro-minero-negócio, o Parque Eólico nos Lençóis Maranhenses, gaúchos, fazendeiros, madeireiros, empresas nacionais e internacionais (mineradora Vale, Suzano Papel e Celulose S. A., WPR Gestão de Portos e Logísticas de São Luís, WTorre, Grupo Maratá, Grupo FC Oliveira, e outras). Nossos inimigos contam o aparato do Estado brasileiro, tais como o Executivo, Legislativo e Judiciário, o ICMBio, em todas suas esferas, além do braço armado do Estado – Polícia Militar, Civil e Federal -, que historicamente são instrumentos de repressão de nossos povos e a criminalização de nossas lutas, além da uso permanente de jagunços e pistoleiros.
Reafirmamos os princípios do Bem Viver, que passa pela retomada dos nossos territórios, da nossa autonomia, pela garantia da soberania alimentar, manutenção da nossa cultura e modo de vida.
Nossa força vem dos encantados, vem dos nossos antepassados, vem dos nossos mártires, de sentir a força da mãe-terra quando pisamos em nosso chão. É uma força que jamais será silenciada, que permanece sempre viva quando nos encontramos e nos sentimos.
A partilha das experiências de insurgências alimenta o nosso espírito e reafirma a luta pela terra e pelo território e os laços entre povos estabelece novos vínculos históricos de resistência.
Esse governo que está destruindo o Brasil não nos representa! Fora Temer! Fora todos eles!
ESTA TERRA TEM DONO! (Sepé Tiaraju)
Quilombo Alto Bonito, Brejo dos Maypurá, 28 de maio de 2017.
VI Encontrão da Teia de Povos e Comunidades Tradicionais do Maranhão.
Quilombo de Alto Bonito, município de Brejo/MA, 25 a 28 de maio de 2017.
Tema: “Não estamos extintos. Estamos de pé, em luta. Esta terra é nossa!
MOÇÃO DE REPÚDIO
Um grito contra o massacre no Pará, um canto para nossos mártires
Nós, povos e comunidades tradicionais reunidos neste encontro, manifestamos nossa indignação e repúdio ao massacre que derrubaram dez trabalhadores, podendo aumentar este número pois feriu gravemente mais 18 camponeses e camponesas, ocorrido no dia 24 de maio, fazenda Santa Lúcia, no município de Pau D’Arco, no estado do Pará, executado pela Polícia Militar do governo de Simão Jatene, do PSDB. Este mesmo partido, em 1996 comandou o massacre em Eldorados dos Carajás no Pará, que assassinou 19 sem terras.
Esse ataque se insere numa sequência de massacres cometidos pelo Estado Brasileiro contra os nossos povos e comunidades tradicionais. Uma trágica história que se repete no nosso dia a dia, numa tentativa de silenciar a nossa história.
Todo sangue já derramado de nossos irmãos e irmãs permanecem em nossa memória alimentando nossa luta. Cada vez que um de nós cai muitos outros se levantam. A nossa força sobrevive para além da brutalidade da bala contra nossos povos.
Diante dessa barbárie, nós, povos e comunidades tradicionais, exigimos do Estado a punição dos policiais e latifundiários envolvidos; o apoio aos familiares que perderam seus entes queridos; a regularização da terra aos camponeses para evitar que massacres como esses continuem acontecendo.
“Maldita toda violência que destrói a vida pela repressão”.
Teia dos Povos e Comunidades Tradicionais do Maranhão
Teia de Povos da Bahia
Teia dos Povos da Bahia
(Fonte: Organização do VI Encontrão Imagens: Natty Borges)




O Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu – MIQCB em parceria com a União Europeia ofereceram oficinas de capacitação em comunicação popular destinadas às jovens quebradeiras de coco babaçu durante o mês de maio. As capacitações visam fortalecer e mobilizar as jovens quebradeiras de coco em ações de comunicação para denunciarem as violações de seus direitos em seus territórios.
Nos dias 13 e 14 de maio, as Regionais Mearim-Cocais, Baixada e Piauí receberam o primeiro módulo da capacitação. Na ocasião, cerca de 40 jovens das regionais participaram das atividades. A programação incluiu teorias e práticas sobre a produção de programas para rádio comunitária, produção de vídeo em mídia móvel e redes sociais. Jovens das comunidades de Boa Esperança da Orcaisa, Barro Vermelho, Santo Antônio da City, Salobro da City, Pitoró dos Pretos, Pedreiras, Monte Alegre do Maranhão, Quilombo Camaputiua, Quilombo São Caetano, Taquaritiua e Barreiro, participaram das ações. As atividades incluíram ainda apresentações culturais. À noite, um grupo de dança afro composto por adolescentes quilombolas, apresentou algumas coreografias que contam um pouco da história de resistência dos movimentos quilombolas no Piauí. A noite cultural contou ainda com a presença de Assunção Aguiar, militante do Movimento Negro de Teresina do grupo Coisa de Negro. Assunção conversou com os jovens em oficina e elogiou as ações desenvolvidas pelo MIQCB para a capacitação dos jovens em comunicação popular. “Eu penso que esse espaço que o MIQCB está trabalhando exatamente para formar as pessoas e também informar as pessoas sobre a importância desses espaços, mas como usar bem e melhor em benefício de uma comunicação produtiva, uma comunicação que possa ser solidária é muito importante. A juventude precisa disso, a juventude hoje, assim como usa a internet e as redes sociais para fazer boas amizades também é um meio que tem dado a oportunidade para vários tipos de situação ruins. Ou seja, a comunicação mal feita ela gera morte. A juventude quebradeira de coco, a juventude dos assentamentos precisa se comunicar, precisa saber dizer o que está se passando em suas comunidades. Ações assim só contribuem para o dia-a-dia dos nossos jovens”.
As Regionais Pará, Tocantins e Imperatriz foram reunidas nos dias 20 e 21 de maio na cidade de São Domingos do Araguaia – PA. Os 41 jovens participantes das Comunidades de Juverlândia, Folha Seca, Jabotal, Sumaúma, São Pedro, Centro dos Pifeiros, Centro do Abraão,Paraíso, Cuverlândia, São Domingos e Sete Barracas trabalharam a produção de conteúdos para rádio comunitária e produção de vídeo a partir de mídias móveis.
Para a assessora técnica Elizete Costa, a formação chega em um momento estratégico: “é uma grande oportunidade para os jovens de comunidades rurais, para aumentar seus conhecimentos levando em consideração que a maioria já tem noção sobre o que é comunicação, mas não sabem ao fundo como lidar com tanta informação ou como trabalhar com elas” dentro do movimento.
O segundo módulo da capacitação ocorrerá em julho e ofertará capacitação em ativismo digital.
O material, resultado das oficinas pode ser acessados no link:



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