Carta final do VI Encontrão da TEIA de Povos e Comunidades Tradicionais do Maranhão

Foi realizado o VI Encontrão da Teia dos Povos e Comunidades Tradicionais nos dias 25 e 28 de maio na Comunidade Quilombola Alto Bonito, Brejo, região do Baixo Parnaíba, no Maranhão.

A Teia de Povos e Comunidades Tradicionais do Maranhão é uma articulação entre indígenas, quilombolas, pescadores artesanais, ribeirinhos, quebradeiras de coco, sertanejos e geraizeiros em busca do Bem Viver para todos e todas.

Encontros anteriores

Em 2013, em Mangabeira – Santa Helena, compreendemos que uma vara sozinha se quebra fácil, mais se juntar um feixe ninguém pode quebrar.

Em 2014, no Taim – São Luis, ao redor do poço da memória, fizemos a descolonização do saber, do ser e do sentir, e assumimos o Bem Viver como horizonte possível.

Em 2015, no Território do Povo Gamela, Viana, MA, na simbologia da Mandala – compreendemos que cada um de nós é um ponto que se liga a tudo que vive! – afirmamos o sonho do Território Livre.

Ainda em 2015, no Território Quilombola Santa Maria dos Moreira/Bom Jesus, município de Codó, MA, nos encontramos para reafirmar, a partir das experiências das nossas vivências, a urgência em aprofundar a autonomia do próprio processo de organização, gestão e produção.

Em 2016, entre os rios Balsas e Parnaíba, no território da comunidade sertaneja de Forquilha, Benedito Leite – MA, foram denunciadas as ameaças e agressões aos Territórios de vida, causadas pelo modelo de desenvolvimento baseado nos projetos do capital, nossas vidas não cabem nos seus mapas.

Ao final do Encontro, foi elaborada a carta Final e a Moção de Repúdio que pode ser acessada na íntegra:

VI ENCONTRÃO DA TEIA DE POVOS E COMUNIDADES TRADICIONAIS DO MARANHÃO, Território Quilombola Alto Bonito, 25 a 28 de maio de 2017.

DOCUMENTO FINAL

“NÃO ESTAMOS EXTINTOS. ESTAMOS DE PÉ, EM LUTA. ESTA TERRA É NOSSA!

Nós, povos indígenas Akroá Gamella, Krenyê, Krikati, Gavião, Krepym Katejê, Pataxó Hã Hã Hãe da Bahia, comunidades quilombolas, quebradeiras de coco, sertanejos, geraizeiros, pescadores artesanais, ribeirinhos, camponeses e seringueiros do Acre, com o apoio solidário e militante da Comissão Pastoral da Terra/CPT, do Conselho Indigenista Missionário/CIMI, do Movimento Interestadual de Quebradeiras de Coco/MIQCB, Irmãs de Notre Dame, Movimento de Comunidades Populares/MCP, Teia de Povos da Bahia, Diocese de Brejo, Núcleo de Estudos e Pesquisa em questão Agrária/NERA, CSP Conlutas, Coletivo Nódua, Centro de Defesa de Açailândia, Grupo de Estudo em Desenvolvimento, Modernidade e Meio Ambiente/GEDMMA, Núcleo de Estudos Geográficos/UFMA, Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia/Campus Pinheiro, Rede de Agroecologia do Maranhão/RAMA, nos reunimos no território quilombola Alto Bonito, Brejo/MA, nos dias 25 a 28 de maio de 2017, para o VI Encontro da Teia de Povos e Comunidades Tradicionais do Maranhão.

Bebendo da experiência dos seringueiros de Xapuri (Acre), dos povos da Bahia, e dos muitos relatos da nossa gente, afirmamos a nossa autonomia na segurança, na educação, na produção, na autogestão e no Bem Viver!

Denunciamos o modelo de desenvolvimento que tem se perpetuado no Brasil, explorador e concentrador de riquezas que, para alcançar o máximo de exploração da natureza precisa negar nossa existência, nossa cultura e nossos modos de vida, atuando violentamente no extermínio de povos e comunidades, como ocorrera com camponeses em Colniza no Mato Grosso, com o Povo Akroá-Gamella no Maranhão e com os camponeses em Pau D’árco, no Pará.

Reafirmamos a luta no enfrentamento com o agro-hidro-minero-negócio, o Parque Eólico nos Lençóis Maranhenses, gaúchos, fazendeiros, madeireiros, empresas nacionais e internacionais (mineradora Vale, Suzano Papel e Celulose S. A., WPR Gestão de Portos e Logísticas de São Luís, WTorre, Grupo Maratá, Grupo FC Oliveira, e outras). Nossos inimigos contam o aparato do Estado brasileiro, tais como o Executivo, Legislativo e Judiciário, o ICMBio, em todas suas esferas, além do braço armado do Estado – Polícia Militar, Civil e Federal -, que historicamente são instrumentos de repressão de nossos povos e a criminalização de nossas lutas, além da uso permanente de jagunços e pistoleiros.

Reafirmamos os princípios do Bem Viver, que passa pela retomada dos nossos territórios, da nossa autonomia, pela garantia da soberania alimentar, manutenção da nossa cultura e modo de vida.

Nossa força vem dos encantados, vem dos nossos antepassados, vem dos nossos mártires, de sentir a força da mãe-terra quando pisamos em nosso chão. É uma força que jamais será silenciada, que permanece sempre viva quando nos encontramos e nos sentimos.

A partilha das experiências de insurgências alimenta o nosso espírito e reafirma a luta pela terra e pelo território e os laços entre povos estabelece novos vínculos históricos de resistência.

Esse governo que está destruindo o Brasil não nos representa! Fora Temer! Fora todos eles!

ESTA TERRA TEM DONO! (Sepé Tiaraju)

Quilombo Alto Bonito, Brejo dos Maypurá, 28 de maio de 2017.

VI Encontrão da Teia de Povos e Comunidades Tradicionais do Maranhão.

Quilombo de Alto Bonito, município de Brejo/MA, 25 a 28 de maio de 2017.

Tema: “Não estamos extintos. Estamos de pé, em luta. Esta terra é nossa!

MOÇÃO DE REPÚDIO

Um grito contra o massacre no Pará, um canto para nossos mártires

Nós, povos e comunidades tradicionais reunidos neste encontro, manifestamos nossa indignação e repúdio ao massacre que derrubaram dez trabalhadores, podendo aumentar este número pois feriu gravemente mais 18 camponeses e camponesas, ocorrido no dia 24 de maio, fazenda Santa Lúcia, no município de Pau D’Arco, no estado do Pará, executado pela Polícia Militar do governo de Simão Jatene, do PSDB. Este mesmo partido, em 1996 comandou o massacre em Eldorados dos Carajás no Pará, que assassinou 19 sem terras.

Esse ataque se insere numa sequência de massacres cometidos pelo Estado Brasileiro contra os nossos povos e comunidades tradicionais. Uma trágica história que se repete no nosso dia a dia, numa tentativa de silenciar a nossa história.

Todo sangue já derramado de nossos irmãos e irmãs permanecem em nossa memória alimentando nossa luta. Cada vez que um de nós cai muitos outros se levantam. A nossa força sobrevive para além da brutalidade da bala contra nossos povos.

Diante dessa barbárie, nós, povos e comunidades tradicionais, exigimos do Estado a punição dos policiais e latifundiários envolvidos; o apoio aos familiares que perderam seus entes queridos; a regularização da terra aos camponeses para evitar que massacres como esses continuem acontecendo.

“Maldita toda violência que destrói a vida pela repressão”.

Teia dos Povos e Comunidades Tradicionais do Maranhão

Teia de Povos da Bahia

Teia dos Povos da Bahia

(Fonte: Organização do VI Encontrão Imagens: Natty Borges)

Oficinas de Capacitação em Comunicação MIQCB

O Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu – MIQCB em parceria com a União Europeia ofereceram oficinas de capacitação em comunicação popular destinadas às jovens quebradeiras de coco babaçu durante o mês de maio. As capacitações visam fortalecer e mobilizar as jovens quebradeiras de coco em ações de comunicação para denunciarem as violações de seus direitos em seus territórios.

Nos dias 13 e 14 de maio, as Regionais Mearim-Cocais, Baixada e Piauí receberam o primeiro módulo da capacitação. Na ocasião, cerca de 40 jovens das regionais participaram das atividades. A programação incluiu teorias e práticas sobre a produção de programas para rádio comunitária, produção de vídeo em mídia móvel e redes sociais. Jovens das comunidades de Boa Esperança da Orcaisa, Barro Vermelho, Santo Antônio da City, Salobro da City, Pitoró dos Pretos, Pedreiras, Monte Alegre do Maranhão, Quilombo Camaputiua, Quilombo São Caetano, Taquaritiua e Barreiro, participaram das ações. As atividades incluíram ainda apresentações culturais. À noite, um grupo de dança afro composto por adolescentes quilombolas, apresentou algumas coreografias que contam um pouco da história de resistência dos movimentos quilombolas no Piauí. A noite cultural contou ainda com a presença de Assunção Aguiar, militante do Movimento Negro de Teresina do grupo Coisa de Negro. Assunção conversou com os jovens em oficina e elogiou as ações desenvolvidas pelo MIQCB para a capacitação dos jovens em comunicação popular. “Eu penso que esse espaço que o MIQCB está trabalhando exatamente para formar as pessoas e também informar as pessoas sobre a importância desses espaços, mas como usar bem e melhor em benefício de uma comunicação produtiva, uma comunicação que possa ser solidária é muito importante. A juventude precisa disso, a juventude hoje, assim como usa a internet e as redes sociais para fazer boas amizades também é um meio que tem dado a oportunidade para vários tipos de situação ruins. Ou seja, a comunicação mal feita ela gera morte. A juventude quebradeira de coco, a juventude dos assentamentos precisa se comunicar, precisa saber dizer o que está se passando em suas comunidades. Ações assim só contribuem para o dia-a-dia dos nossos jovens”.

As Regionais Pará, Tocantins e Imperatriz foram reunidas nos dias 20 e 21 de maio na cidade de São Domingos do Araguaia – PA. Os 41 jovens participantes das Comunidades de Juverlândia, Folha Seca, Jabotal, Sumaúma, São Pedro, Centro dos Pifeiros, Centro do Abraão,Paraíso, Cuverlândia, São Domingos e Sete Barracas trabalharam a produção de conteúdos para rádio comunitária e produção de vídeo a partir de mídias móveis.

Para a assessora técnica Elizete Costa, a formação chega em um momento estratégico: “é uma grande oportunidade para os jovens de comunidades rurais, para aumentar seus conhecimentos levando em consideração que a maioria já tem noção sobre o que é comunicação, mas não sabem ao fundo como lidar com tanta informação ou como trabalhar com elas” dentro do movimento.

O segundo módulo da capacitação ocorrerá em julho e ofertará capacitação em ativismo digital.

O material, resultado das oficinas pode ser acessados no link:

https://www.youtube.com/channel/UCOglggGc1GZ267gkWY58YYg

18 de Maio – Dia Nacional de Combate a Exploração Sexual de Crianças

Conheça a história que instituiu a data de combate à exploração sexual de crianças e adolescentes

No dia 18 de maio de 1973, uma menina de 8 anos foi sequestrada, violentada e cruelmente assassinada no Espirito Santo. Seu corpo apareceu seis dias depois carbonizado e os seus agressores, jovens de classe média alta, nunca foram punidos.

A data ficou instituída como o “Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes” a partir da aprovação da Lei Federal nº. 9.970/2000. O “Caso Araceli”, como ficou conhecido, ocorreu há quase 40 anos, mas, infelizmente, situações absurdas como essa ainda se repetem.

Diferença entre Abuso e Exploração Sexual

O abuso sexual envolve contato sexual entre uma criança ou adolescente e um adulto ou pessoa significativamente mais velha e poderosa.

As crianças, pelo seu estágio de desenvolvimento, não são capazes de entender o contato sexual ou resistir a ele, e podem ser psicológica ou socialmente dependentes do ofensor.

O abuso acontece quando o adulto utiliza o corpo de uma criança ou adolescente para sua satisfação sexual. Já a exploração sexual é quando se paga para ter sexo com a pessoa de idade inferior a 18 anos.

As duas situações são crimes de violência sexual.

Denúncias

No Brasil o “Disque 100”, criado pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, é um serviço de recebimento, encaminhamento e monitoramento de denúncias de violência contra crianças e adolescentes.

Os dados mostram que, de março de 2011 a março de 2016, o Disque “100 “ recebeu 52 mil denúncias de violência sexual contra este público, sendo que 80% das vítimas são do sexo feminino.

O Disque 100 funciona diariamente de 8h às 22h, inclusive aos finais de semana e feriados.

As denúncias são anônimas e podem ser feitas de todo o Brasil por meio de discagem direta e gratuita para o número 100; e do exterior pelo número telefônico pago 55 61 3212-8400 ou pelo endereço eletrônico:

disquedenuncia@sedh.gov.br

A intenção do 18 de maio é destacar a data para mobilizar e convocar toda a sociedade a participar dessa luta e proteger nossas crianças e adolescentes.

A data reafirma a importância de se denunciar e responsabilizar os autores de violência sexual contra a população infanto-juvenil.

VII Fórum Social Panamazônico

Foi encerrado no dia 1 de maio, o VIII Fórum Social Panamazônico – FOSPA. O evento, realizado na cidade de Tarapoto, região amazônica de San Martín, no Peru, tem como principal objetivo dialogar sobre a diversidade de relações existentes dentro da região coberta pela Amazônia, o que inclui a biodiversidade, culturas ali presentes e as relações humanas desenvolvidas nas comunidades tradicionais que compõem a região.

A programação contou com visitas a regiões onde são aplicadas experiências de boa convivência entre o homem e a natureza, reuniões setoriais com grupos organizados, assembleia plenária, seminários, mesas redondas e atividades culturais.

O MIQCB participou das atividades representadas pela Coordenadora da Regional Baixada, Rosenilde Gregória dos Santos. Rosa, como é mais conhecida, integrou o Espaços de diálogo e Debates para mulheres panamazônicas, extrativista e juventude. O espaço esteve dedicado durante todo o evento para a escuta dos principais problemas enfrentados pelas mulheres em suas regiões de origem. Violências, impedimento de acesso a coleta de frutos, ameaças às mulheres extrativistas. Rosa afirma que a barreira do idioma não foi obstáculo para sua participação no Fórum. “Percebi que as mulheres de outros países e os indígenas se manifestaram trazendo a discussão da violência das mulheres no território e aí eu acho que provoquei bastante a discussão. Foi bom que as outras também se encontraram nesta conversa, pois trata de um problema que acontece aqui no Maranhão e em outros lugares da Amazônia.”

Um dos encaminhamentos do FOSPA para 2017 é a realização de um encontrão a ser realizado no segundo semestre. Trata-se uma de uma campanha para chamar à reflexão sobre os direitos das mulheres constantemente negligenciados. “Vamos pensar na campanha diferente do dia 8 de março, que já existe. Queremos algo que impacte e alcance todas as mulheres que trabalham em várias funções, em diversos lugares do país.”

O FOSPA é um dos espaços temáticos de discussão do Fórum Social Mundial.

Coodenadora do MIQCB fala sobre sua relação com indígenas da etnia Gamela e sobre a resistência do povo

Rosenilde Gregória dos Santos Costa, mais conhecida como Rosa é uma das coordenadoras do MIQCB com atuação junto às mulheres da região de Itaquaritiua onde mora e onde ocorreu o atentado contra os índios Gamelas, no fim de abril, no município de Viana. Rosa já sofreu ameaças de morte em função os trabalhos que desenvolve com as mulheres indígenas quebradeiras de coco babaçu. Ela nos conta sobre a militância nos movimentos sociais e sobre a dificuldade em ser mulher, negra e quebradeira de coco.

MIQCB SITE: Rosa, como teve inicio tua atuação nos movimentos sociais?

Me mudei para Itaperitiua nos anos 1990, em uma data simbólica: no Dia da Consciência Negra. Mas a minha aproximação com a comunidade de Taquaritiua já era antiga, foi no movimento social e sindica em 1986. Eu conheci o povo de Taquaritiua na luta pelo seu território. Meu encontro como pessoa nos movimentos sociais com o povo de Taquaritiua foi na luta pelas aquelas terras. `E muito interessante lembrar disso agora, faz muito tempo. Conheci eles no sindicato, vindo corridos porque havia gente presa. Na época eu era muito nova, ainda no começo nos movimentos já me depara com isso e desde essa época eu conheci os índios de Taquaritiua.

MIQCB SITE: Como você avalia a situação dos Gamelas hoje?

Na época em que me mudei para Taquaritiua ouvíamos muito a questão do “colonizador” dizer que o povo não era mais índio, que eram descendentes dos índios apenas. Mas eles nunca foram outra coisa, sempre foram índios. A gente se articulava com as mulheres indígenas quebradeiras de coco para não deixar perder a identidade da comunidade. No passado, muita gente tirava fotos com os índios por achar “ bonitinhos”, todo mundo queria. Quando os índios passaram a reclamar as suas terras, começou a briga, as discussões e as ameaças. Ninguém quer mais ter índio por perto. E devido a isso a gente tem presenciado todo esse massacre, não pode ser chamado de outra coisa.

MIQCB SITE: Como tem se dado as ações de enfrentamento e resistência pelas terras?

Eu fui diretora do Sindicato dos Trabalhadores Rurais nos anos 1990. Sempre tivemos conflito diferentes, sempre abuso dos grileiros e esse grupo de pessoas sempre teve resistência, os índios nunca tiveram outro tipo de apoio. Isso a agente pode dizer, que nunca tiveram apoio de fora. Mas eles sempre lutaram, eles vivem lá naquele povoadinho, naquele pouco de espaço. Lembro que essa fazenda Taruma, onde houve o massacre….

Eu era diretora do sindicato, fomos todas nós, as mulheres quebradeiras de coco, tirar umas fotos. Tinha um pistoleiro, com uma arma em cima de nos. Queríamos tirar fotos do trator derrubando as palmeiras. Fizemos oficio com a denuncia, mandamos pro ITERMA, INCRA, pra saber onde a gente ia conseguir alguma coisa. Mandamos pro IBAMA. Desde essa época ficamos passamos a receber ameaças. O IBAMA foi lá e eu ainda fui no carro do IBAMA. Me deixaram dentro do carro. Consegui ver tantas armas nessa Taruma. Bendita Taruma. E depois um dos homens do IBAMA fez um relatório que não houve devastação. E que foi confirmado com a presença da diretora do sindicato. Eu fiquei morri de tanta raiva. E houve devastação muito grande do guarimanzal. Está me vindo a memória, esse resgate. Já faz muito tempo. Ficamos encurraladas. Anos depois eu me mudei para a comunidade definitivamente. Já tínhamos o trabalho lá com as quebradeiras, a articulação e a luta contra a devastação e pelo acesso aos babaçuais. E quando começamos os trabalhos o MIQCB já estava com a gente. Tínhamos cooperativa, a cantina da Cooperativa dos Agricultores Familiares de Viana, tinha o pessoal do Taquaritiua , participamos do projetos da Cooperativa, fui presidente da cooperativa. Uma das coisas que a gente fazia era isso, pensar sobre os problemas da terra, do território. Começamos a trabalhar os grupos produtivos com o MIQCB , tínhamos uma associação de mulheres que trabalhava o aproveitamento do babaçu e toda a comunidade fazer uma roca agroecológica. Plantamos feijão sem queimadas e sem veneno e o grupo de produção de azeite construiu a casinha de esteio, pois não tinha madeira, devido a devastação. O primeiro azeite foi resultado de um projeto de 3 mil reais, acessamos pelo Ministério do Meio Ambiente. Dia 11 de novembro de 2004 fizemos nossos primeiros 50 litros de azeite. Foi muita felicidade.

MIQCB SITE: Sobre a coleta do coco para a produção de azeite e outros produtos, como era o acesso e o que mudou de lá para dias atuais?

O acesso aos babaçuais ficou difícil por que a fazenda Taruma foi cercada. Começamos a produção do azeite e tudo ficou pior. A gente tinha denunciado eles pela devastação. E continuamos denunciando todas as vezes que havia derrubada das palmeiras. Mandávamos as denuncias para vários órgãos para ver o que conseguiríamos. Sempre trabalhei como diretora de sindicatos, mas sempre trabalhei como quebradeira de coco. A quebradeira de coco como diretora do sindicato… Era assim que fazíamos o trabalho do MIQCB e com Conselho Nacional dos Seringueiros. Começaram a proibir nossa entrada, pistoleiros armados nas entradas. Ficávamos coletando coco nos pedacinhos de quintais que sobravam. Tentávamos zelar, cuidar das palmeiras que restavam. Quando conseguíamos entrar nas fazendas, entrávamos, coletávamos e produzíamos o azeite. Os projetos do MIQCB ajudaram a melhorar e aumentar a produção e fomos crescendo. Mas o acesso era e ainda é muito restrito e dificulta nosso trabalho, mesmo hoje.

MIQCB SITE: Rosa, como seguir adiante com os projetos sob essa atmosfera de ameaças e obstáculos ao desenvolvimento dos trabalhos com as mulheres quebradeiras de coco babaçu e a manutenção dessa identidade?

Você percebe que as mulheres que vão para o enfrentamento, que resistem são as quebradeiras de coco articuladas com o MIQCB que se empoderaram que fazem as discussões ,que vão para os embates. A gente sabe disso e todas são muito presentes. Há autoafirmação dos indígenas como pertencentes a terra e se juntam as mulheres quebradeiras de coco do MIQCB e as produtoras do artesanato guarimã e isso articulou todo mundo, juntou todo mundo. Não é fácil nunca foi, mas todos vamos continuar na luta.

Nota de repúdio às ações de violência contra o povo Gamela – MIQCB

O Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu – MIQCB condena as ações de violência ocorridas ao povo indígena da etnia Gamela. Na tarde do último dia 30, homens com facões e armas de fogo atacaram a aldeia, localizada no Povoado Baías, município de Viana, na Baixada Maranhense. Um total de 13 índios foram gravemente feridos. Dois deles tiveram as mãos decepadas.

Desde a década de 1970, a etnia Gamela tem subsistido enquanto comunidade indigenista, vendo aos poucos, seus territórios e cultura se perderem pela invasão de suas terras, concedidas ainda no período colonial, mais especificamente em 1759. A área reclamada se expande pelos municípios de Viana, Matinha e Penalva. A etnia afirma que cerca de 14 mil hectares pertences à sua comunidade, foi ao longo das décadas, ocupada por fazendeiros, havendo títulos de propriedades registrados em cartório. Uma tradição que se perde na medida em que as terras são tomadas e levam consigo cada sujeito que aos poucos, esquece-se de si e não se reconhece mais como integrante de uma comunidade e a identificação de uma terra onde essa identidade se constrói e constrói outras relações

Diversas solicitações foram feitas a Fundação Nacional do Índio (FUNAI) para a abertura do processo para demarcação do território. Mas nada evitou o surgimento de conflitos armados. Desde 2013 há tensão sobre a retomada do território. Em 2015, fazendas e sítios nos povoados de Taquaritiua e Centro do Antero, em Viana foram ocupados pelos Gamela em ato reivindicatório pelas terras.

Várias instituições destinam atenção à situação dos Gamelas. O Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu – MIQCB, o Conselho Indigenista Missionário (CIMI), a Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), a Secretaria de Direitos Humanos têm solicitado a FUNAI celeridade no processo de qualificação do reconhecimento das terras como território indígena.

O MIQCB, representado por diversas mulheres quebradeiras indígenas, faz parte do processo de luta pelo território Gamela e reafirma o apoio na defesa e reconhecimento dos seus territórios.

Coletiva de imprensa discute ações contra índios Gamela

Uma coletiva de imprensa foi realizada na manhã desta terça-feira (02/05) na Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional Maranhão (OAB/MA), por meio da Comissão de Direitos Humanos.

Na ocasião, diversas entidades ligadas à defesa dos direitos humanos, operadores do direito, sociedade civil organizada, órgãos públicos, políticos e a imprensa em geral discutiram as ações criminosas ocorridas no último domingo, contra os índios da etnia Gamela que vivem no município de Viana.

Campanha de Doação de Livros Infantis

O Projeto “Território Sesmaria do Jardim em defesa de patrimônios culturais e ambientais” organiza a Campanha de doação de livros infantis. A Campanha busca arrecadar livros que valorizem as comunidades tradicionais e personagens negros para o “Cofinho de leitura dos pequenos quilombolas”.
A ideia é levar os “cofinhos de livros” de forma itinerante à casa das crianças. O objetivo da campanha é estimular a leitura, a valorização identitária e o compartilhamento.
“Conforme o quantitativo das doações pretendemos ampliar a iniciativa para as comunidades: Quilombo Graça, Quilombo Santa Maria dos Furtado, Quilombo Curva da Mangueira, Quilombo Cuita I e Comunidade de Roma”, afirma a assessora local Anny Linhares.


Pontos de coleta: Sede do Movimento Interestadual das Quebradeiras em São Luís (MA)

Rua 10, Q. 14, Casa 35 Bairro Bequimão. Cep: 65061-600 São Luis-MA

Voluntária: Rosimeiry Sena (UFMA) 98- 9-8113-9058

Núcleo de Ciências Agrárias – NCDR (UFPA)

Voluntária: Anny Linhares: 91-9-8728-1228

#campanha #doação #livrosinfantis #personagensnegros

Grupo de índios Gamela sofre ataque em área de conflito no Maranhão

Um grupo de índios Gamela foi atacado na tarde deste domingo (30/05), no Povoado de Bahias, município de Viana (MA). O grupo foi atacado por cerca de dez homens armados com com facões, apus e armas de fogo. Cerca de cinco índios estão gravemente feridos e foram levados para um hospital em São Luis.

Saiba mais em: http://www.cimi.org.br/site/pt-br/?system=news&conteudo_id=9249&action=read

Fonte: CIMI

Educação política para educadores

O site Politize divulgou um material especial destinado aos educadores. Trate-se do e-book DINÂMICAS DE EDUCAÇÃO POLÍTICA – PÉ NA ESCOLA + POLITIZE!

O material traz dinâmicas que facilitam o conhecimento e a compreensão da organização política no Brasil e dos processos políticos mais recentes na história. Destinado aos educadores, o e-book pode ser baixado gratuitamente por qualquer pessoa interessada.

Baixe aqui: Dinâmicas de Educação política Pé na Escola

Fonte: Politize

marca do MIQCB

MIQCB

MOVIMENTO INTERESTADUAL DAS QUEBRADEIRAS DE COCO BABAÇU

REDES SOCIAIS

LOCALIZAÇÃO

Rua da Palma, nº. 489 - Centro Histórico

São Luís - Maranhão

CEP: 65010-440

CONTATO

Fone: (98) 3268-3357

E-mailmiqcb@miqcb.org.br

Webmail