
O Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB) esteve em Palmas no dia 4 de novembro para preparar as Oficinas Regionais e Consultas Livre, Prévias e Informadas (CLPI), promovidas pela Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh). O objetivo é incluir os povos e comunidades tradicionais no processo de construção da Política Pública de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação (REDD+). A reunião foi continuada, no dia 5 de novembro o mesmo momento foi preparado para discutir a construção do REDD+ com indígenas e quilombolas.
O REDD+ tem o objetivo de diminuir o desmatamento e a degradação e beneficiar povos e comunidades tradicionais que preservam, protegem e conservam a natureza. As quebradeiras de coco babaçu, que cuidam da biodiversidade em seus territórios desde sempre, estão preocupadas com essa nova política.
“Foi uma reunião muito boa, porque nós pudemos falar e ouvir as opiniões das pessoas que compõem outras organizações, rendeu bons debates. Nós definimos um calendário para que a equipe da Semarh possa ir aos territórios. A ideia é abranger mais pessoas que serão diretamente impactadas por essa política”, como relatou a vice-coordenadora do MIQCB, Ednalva Ribeiro.
Essa foi a primeira vez que Ednalva participou de uma reunião sobre o REDD+ com o Governo do Tocantins, ainda que ela seja membro do Conselho Nacional de Povos e Comunidades Tradicionais (CNPCT) que está envolvido nas discussões nacionais sobre a mesma política.

“A reunião em Palmas foi uma forma de eu entender melhor como o Tocantins está se preparando para aplicar o REDD+. Estamos acompanhando a organização da oficina no Bico do Papagaio, onde as quebradeiras do Tocantins estão organizadas. Quando as datas das oficinas territoriais estiverem disponíveis, nós vamos mobilizar para que todas as quebradeiras possam participar e entender do que realmente se trata a política do REDD+”, enfatizou Ednalva.
A reunião contou com a participação de diferentes segmentos, todos interligados pela agricultura familiar e pela biodiversidade. Muitas dúvidas foram levantadas, como a questão das salvaguardas serem priorizadas como antecedentes à CLPI, levantada pelo assessor da Alternativas para Pequenas Agriculturas do Tocantins (APA-TO) Paulo Rogério Gonçalves.
As salvaguardas são garantias que devem ser executadas para que o REDD+ seja aprovado e possa ser desenvolvido, assim como a realização das CLPIs nos territórios. “A questão é que as salvaguardas não podem partir somente de órgãos governamentais, nós também temos salvaguardas que para nós são cruciais para a garantia das nossas existências enquanto povos e comunidades tradicionais”, disse ele.
Essa questão levanta muitas outras indagações, não apenas sobre o REDD+, mas também sobre a garantia de reconhecimento desses povos. Muitas comunidades ainda não possuem territórios regularizados, a Reforma Agrária no Tocantins enfrenta desafios, inclusive, inconstitucionais. A Advocacia Geral da União (AGU) declarou que o artigo 13 da Lei nº 8.629/1993 representa “situação de alta lesividade para o patrimônio público e para o regime constitucional de reforma agrária e de proteção ambiental”. E não para por aí, até hoje a Reserva do Extremo Norte segue sem regularização para as famílias que aguardam acessar seu direito à terra há 30 anos, enquanto grileiros invadem o território livremente.

“O que a irregularidade da Reforma Agrária tem a ver com o REDD+?”, uma pergunta feita nos bastidores das conversas entre os representantes que participavam da reunião da Semarh. Eis que a resposta veio educativa:
“Quando o governo nos procura para implementar uma política pública que tem como princípio valorizar quem conserva, preserva e protege então reconhece a importância da nossa existência para a manutenção dos biomas, principalmente amazônico, onde vivemos. Porém, se nega a reconhecer nosso direito à terra garantido, por meio de questionamentos sobre nossa identidade e modo de vida”, respondeu a fonte que preferiu não se identificar.
Gerusa Rocha, quebradeira de coco que participou da reunião como secretária de Política para as Mulheres no Tocantins do Conselho Nacional de Seringueiros (CNS) e primeira fiscal da organização a nível nacional, também levantou outra problemática: a falta de informação pedagógica.
“Para falar a verdade, umas coisas entendi e outras não. As informações não são conversadas na nossa língua. Tudo é muito estranho, precisamos de mais explicações que sejam conectadas com a nossa realidade, com detalhes. Só assim é que nós vamos saber, de verdade, se quem será beneficiado é quem cuida, não só pelo dinheiro”, concluiu.
A equipe da Semarh, que conduziu a reunião, está otimista. Isabel Acker é assessora de apoio à Gestão de Políticas Públicas Ambientais do Estado, conduziu as conversas da reunião e declarou que o momento foi produtivo. “Enquanto Governo, precisamos estar abertos a ouvir todas as críticas. E isso faz parte desse momento de construção de uma política pública. Escolhemos começar pelo acolhimento de todas essas demandas para a construção coletiva desse processo”.


O Fundo Babaçu, por meio do apoio do MIQCB e da Fundação Ford, anuncia o resultado do 9º Edital. A organização comtemplada foi a Associação de Desenvolvimento dos Pequenos Produtores da Comunidade Vila Esperança – ADEPECOVE no Piauí.
O Projeto: “Território tradicional de quebradeiras de Coco Babaçu, garantindo os modos de vida, protegendo as florestas de babaçuais”, tem por objetivo trabalhar o fortalecimento do território das quebradeiras de coco babaçu, por meio da gestão ambiental, produtiva e de combate a violência contra a mulher. Serão contempladas cerca de 67 famílias, somando 145 pessoas, sendo 95 mulheres e 45 homens.
o Fundo Babaçu tem como objetivo apoiar, com recursos da Fundação Ford, projetos coletivos propostos por mulheres e/ou jovens através de suas organizações ou grupos comunitários, para o fortalecimento de polos irradiadores de conscientização ambiental e desenvolvimento sustentável, capazes de disseminar a integração da conservação da biodiversidade nos babaçuais e melhoria da qualidade de vida de povos e comunidades tradicionais de quebradeiras de coco babaçu.

O Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB) realiza Intercâmbio entre quebradeiras de coco babaçu e juventudes da Regional Baixada ao território de atuação da Regional Imperatriz, na Comunidade Pifeiros, entre os dias 29 e 230 de outubro.
No primeiro dia da visita, as mulheres entraram na mata para coletar babaçu e ficaram impressionadas com o tamanho do coco. “É uma riqueza que a terra dá”, relatou a quebradeira de coco Maria Natividade Morais Santos, que veio do Quilombo São Miguel, município de Cajari, para visitar a comunidade Pifeiros em Amarante do Maranhão.
A quebradeira da Baixada Maria Natividade ficou curiosa com a produção local e, ao investigar, descobriu que as mulheres do Pifeiros não produzem farinha de mesocarpo. Diante desta descoberta, se propôs a ensinar como se retira o mesocarpo e quais procedimentos podem ser feitos para a produção da farinha.
Os jovens artesãos de Pifeiros também compartilharam seus conhecimentos com o grupo da Baixada. No segundo dia do encontro, eles demonstraram o passo a passo da produção do artesanato, desde o tratamento do olho do buriti para a retirada do abade até a finalização e acabamento das biojoias.
Cada participante produziu uma peça para si, uma lembrança do símbolo deste encontro. Acélio Santos, artesão de Pifeiros, disse que foi uma honra repassar seus conhecimentos. “A gente fica muito feliz em poder compartilhar o que a gente aprendeu com a Rosalva”. Ele se refere à artesã Rosalva Gomes, que capacitou as juventudes de Pifeiros no primeiro semestre do ano.

As juventudes da Baixada já deixou o recado: “nós também queremos receber a Rosalva na nossa comunidade”, enfatizou Ezequias Trindade Sousa, de Encruza Nova, município de Pedro do Rosário. Ele também é artesão, mas utiliza materiais reciclados de cobre para produzir peças decorativas.
Durante toda a atividade, as juventudes também puderam acompanhar o trabalho da comunicação e aprender sobre manuseio de equipamentos, além de orientações sobre fotografia e iluminação.
Esses momentos de trocas foram comemorados por todos os envolvidos. O intercâmbio de Mulheres Agroextrativistas pertence ao Projeto Floresta de Babaçu em Pé, sua realização se deve ao apoio do Fundo Amazônia por meio do Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES).
Para Maria José, coordenadora executiva da Regional Imperatriz, “o incentivo e a continuidade de ações como essa são importantes para a integração cultural e o fortalecimento da identidade das quebradeiras de coco babaçu”.

O MIQCB, por meio da sua Coordenadora técnica interestadual, Luciene Figueiredo e a Coordenadora executiva do MIQCB regional Piauí, Marinalda Rodrigues participaram na última semana (21 a 26) da COP da Biodiversidade, conhecida como COP-16, realizada na cidade de Cali, na Colômbia. Durante o evento, além das discussões oficiais do evento o MIQCB participou de uma mesa de discussão, em um evento paralelo organizada pela The Invisible Thread – TINTA, com o apoio da Tenure Facility, parceira do MIQCB, cujo tema foi Mulheres e governança territorial na Amazônia: pela biodiversidade e pela proteção dos territórios indígenas e tradicionais.
Para Marinalda Rodrigues, o MIQCB cresce em termos de visibilidade das mulheres quebradeiras de coco babaçu em pautas mais amplas sobre o meio ambiente. “Nesses dias de Conferência o que se vê é um universo potente da biodiversidade da América Latina e discussões construtivas em torno do tema da defesa do meio ambiente e dos modos de vida dos povos tradicionais, enriquecedor e extremamente importante para conduzir de maneira ampla e coletiva as ações do MIQCB”, disse.
Já para Luciene Figueiredo, o espaço da COP-16 compreende momentos de tomadas de importantes decisões dos governos para o mundo, de articulações da sociedade civil organizada, essas decisões irão influenciar diversos governos e organizações. “O mais interessante nesse evento, foi poder acompanhar de perto mesas onde os povos e comunidades tradicionais puderam sentar nas mesas de negociações nas mesmas condições de governos e que irá impactar protocolos e os meio da sócio biodiversidade”, disse.
Ainda de acordo com a Marinalda, que integrou a mesa de discussão no evento paralelo na conferência, na COP-16 foi possível dar visibilidade a diversidade dos povos e comunidades tradicionais. “Esse evento foi espaço onde as organizações territoriais deram visibilidade às barreiras estruturais históricas que as mulheres enfrentam na proteção territorial e compartilharam suas iniciativas para promover a igualdade de gênero na conservação e utilização sustentável da diversidade biológica”, disse.
Durante o evento a equipe do MIQCB pode acompanhar os debates que ocorreram nos demais dias, cujo os temas giraram em torno da Gestão de Territórios Indígenas na Amazônia; Foro Internacional de Afrodescendente; Mecanismos de Financiamento para a Conservação. Também houveram reuniões institucionais com representante do Banco Inter-Americano de Desenvolvimento BID e reunião entre parceiros de Tenure Facility; Além da troca de experiência sobre criação de Fundos Comunitários com a FENAMAD, organização indígena da Amazônia peruana e equatoriana.
COP-16
A COP-16, considerada o evento mais importante do mundo para a conservação da biodiversidade, é realizada a cada dois anos para negociar compromissos com a proteção do meio ambiente. Resulta de um tratado da Organização das Nações Unidas estabelecido durante a ECO-92, a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (Cnumad), realizada no Rio de Janeiro, e considerado um dos mais importantes instrumentos internacionais relacionados ao meio ambiente.
Desde então, as metas vêm sendo atualizadas regularmente entre os países da ONU. No ano passado, foram definidas 23 metas para deter e reverter a perda de biodiversidade e colocar a natureza em um caminho de recuperação para o benefício da população global, conservando e usando de forma sustentável a biodiversidade e garantindo a distribuição justa e equitativa dos benefícios do uso de recursos genéticos.
A outra COP sobre meio ambiente mais importante é a do Clima, cujo objetivo principal é impedir o aquecimento do planeta, e envolve uma série de metas pactuadas globalmente. A COP29 do Clima em 2024 será realizada em Baku, no Arzebaijão, entre os dias 11 a 24 de novembro. No ano que vem, a COP30 será sediada pelo governo brasileiro, em Belém/PA.










Entre os dias 14 a 29 de outubro a assessoria de juventude do MIQCB e quatro jovens estiveram presentes na Semana de Inovação intitulada “Unleash Amazon” (Liberte a Amazônia), evento inédito no Brasil e na América Latina, em Manaus/AM. A Semana contou com cerca de 100 jovens da região norte e nordeste do país que buscaram coletivamente soluções para problemas enfrentados por territórios na Amazônia.
Para a assessora de juventude do MIQCB, Carla Pinheiro, o encontro foi muito significante para as juventudes do MIQCB. “Foi um espaço de diálogo e trabalho coletivo com jovens diversos, plurais, com outros enfrentamentos, outras visões de mundo. Um momento de colocar em prática as experiências e aprendizagens do Centro de Formação das Quebradeiras de Coco Babaçu e as vivências de suas lutas e desafios nos territórios”, disse.
Já o jovem Wallas Campelo da cidade do Quilombo de São Miguel dos Correias em Cajarí/MA, destacou a experiência adquirida, durante o Encontro na construção de Projetos sobre proteção e responsabilidade ambiental e Desenvolvimento econômico sustentável e bioeconomia. “eu e a minha equipe focamos no desmatamento e no reflorestamento inadequado nas áreas de povos e comunidades tradicionais, conseguimos chegar na final e mesmo não ganhando pudemos realizar uma troca de experiências e conhecimento, além da troca étnica e cultural, foi maravilhoso, construir vários laços de amizades com pessoas incríveis na Unleash Amazônia”, disse.
PREMIAÇÃO DOS GRUPOS
Com o objetivo de transformar a realidade de suas comunidades, os 107 jovens de todos os estados da Amazônia Legal, divididos em grupos apresentaram propostas que visaram desenvolver soluções inovadoras e sustentáveis em nível local. A iniciativa reconheceu os três melhores projetos com prêmios de R$ 15 mil e R$ 20 mil.
Verônica Rilari, da cidade Esperantina no Tocantins, foi uma das jovens ganhadoras do prêmio, ela e seu grupo apresentaram a proposta de uma agência de turismo comunitário, a TURIMPACTO, que aborda a falta de oportunidades de trabalho e o êxodo rural nas comunidades ribeirinhas da Amazônia Legal, criando intercâmbios culturais em que os turistas compartilham conhecimentos e vivenciem a vida local.
“Essa iniciativa treina jovens locais, promovendo renda sustentável, preservação da cultura e o meio ambiente. Nessa proposta nós vamos até a comunidade e apresentamos o que seria o turismo sustentável e dependendo da necessidade da comunidade, promovemos uma formação em marketing ou em turismo, para assim servir melhor as necessidades dos turistas que ali visitam”, disse.



A última semana, entre 7 e 12 de outubro, foi dedicada à Segurança Institucional, Pessoal e Coletiva nas regionais Pará, Tocantins e Imperatriz. O Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu contratou a consultora e assistente social Mari Vilma Maia para realizar diagnóstico e ministrar oficinas locais para desenvolver o Plano de Proteção, Cuidado e Autocuidado.
A primeira fase aconteceu nos últimos meses, com a aplicação de uma pesquisa virtual com perguntas acerca da Segurança. Questionamentos como monitoramento dos escritórios, orientações de proteção das lideranças, armazenamento de dados, entre outras interrogações, serviram para mapear as noções que as equipes, coordenações e lideranças possuem em relação ao tema, além de demarcar pontos fortes e frágeis da instituição.
A segunda fase se apresentou em formato de oficinas, que ainda ocorrem em outras regionais. A primeira aconteceu no Pará, nos dias 7 e 8 de outubro; na sequência, foi a vez do Tocantins receber a oficina nos dias 9 e 10; para fechar a semana, as mulheres de Imperatriz também foram treinadas.

O ponto em comum entre todas as regionais foi a apresentação do diagnóstico da pesquisa realizada nos meses anteriores, tanto demonstrando os resultados institucionais quanto apontando a apuração local. “Cada regional se destacou em uma performance, por isso escolho oferecer uma oficina de escuta. A ideia é que as próprias mulheres escolham como conduzir os trabalhos”, disse Mari.
No Pará, por exemplo, as conversas e dinâmicas que surgiram depois do diagnóstico serviram para aproximar as participantes. “Essa troca de experiências, de poder entender o que cada uma de nós passa no dia a dia e o que já enfrentamos para chegar até aqui foi muito valioso”, como expressou a assessora da CIMQCB na regional Kaline da Silva Paz.
Ela também participou da dinâmica de confiança, sua missão era conduzir a coordenadora Executiva da Regional, Cledeneuza Bizerra, por um percurso com obstáculos, com o desafio de que a liderança fosse vendada. Outro momento lúdico e coletivo muito elogiado foi a atividade de desenhar como cada pessoa se vê no MIQCB, que rendeu um varal de obras de arte.
Já no Tocantins, o foco foi no diálogo. À medida que Mari apresentava o diagnóstico da pesquisa sobre segurança, as mulheres complementavam com análises e exemplos de suas realidades. Maria Senhora, liderança que veio de Esperantina, avaliou o evento como produtivo, “a gente sabe que tem que se cuidar, no tempo que o conflito era grande a gente tinha nossas estratégias, ia por uma vereda e voltava por outra, mas agora o tempo é outro, os perigos mudaram, a gente precisa aprender a se cuidar e cuidar das nossas companheiras”.
As dinâmicas também foram diferentes, Mari Vilma conta que propõe atividades de acordo com as especificidades de cada local. “A ideia é aproveitar os pontos fortes para praticar em equipe para que elas entendam como a atuação delas impactam no todo. Outra estratégia é trabalhar os pontos de melhoria como exercício”.

Todas as mulheres estavam envolvidas. A coordenadora de base Silvania Nunes chegou a declarar que o movimento a salvou, “eu não estaria aqui se não fossem minhas companheiras, as vezes eu acho que foram os anjos que as trouxeram para perto de mim no momento em que mais precisei”. Essas e outras declarações surgiram de histórias de muita dor, mas que são superadas aos pouquinhos a cada dia entre elas, com elas e por elas.
Imperatriz encerrou a semana com muito teatro, ou melhor, “psicodrama pedagógico espontâneo”, como explicou Mari. As mulheres narraram episódios de embate e insegurança que tiveram em seus territórios, as mais inusitadas foram transformadas em apresentação teatral.
“Gostei”, disse a assessora da CIMQCB Rosalva Gomes, que se envolveu em todo o processo com contribuições importantes. “Aprendi novos conceitos e pude partilhar com as minhas companheiras as nossas vivências para pensar em como podemos nos cuidar ainda mais”. Por fim, a festa, homenagem e declaração para Raimunda Nonata Bezerra, que fez aniversário na última sexta-feira, 11. “Vida, proteção, cuidado, alegria”, desejaram o grupo.
Todas as regionais receberão Mari para a Oficina, desses momentos serão coletadas as propostas e sugestões para o Plano de Proteção, Cuidado e Autocuidado que será construído após a finalização das oficinas em todas as regionais.

Com o tema, “Lute como uma mulher pelas palmeiras em pé!”, Imperatriz sediou o Seminário Babaçu Livre: Território é Vida. Com a participação de cerca de 100 quebradeiras de coco, o evento foi realizado pelo Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu-MIQCB e integra as ações da Campanha Babaçu Livre.
A programação do seminário foi animada por apresentações artísticas e mesas temáticas sobre: a importância do babaçu livre para as quebradeiras e para a proteção da Amazônia e do cerrado maranhense; e apresentação das ações dos órgãos ambientais para proteção da floresta de babaçu no oeste maranhense.
A quebradeira de coco e agricultora familiar do assentamento Vila Conceição, dona Maria Querubina, explica que seminários como esse são fundamentais para a formação das mulheres quebradeiras, para que possam aumentar o nível de consciência sobre seus valores e direitos. “O movimento cresceu e tomou força, por isso, nós precisamos cada vez mais conhecer das leis, saber quem está do nosso lado, ir atrás dos órgãos certos e enxergar o coco babaçu como a nossa identidade”, ressalta.
“As quebradeiras precisam ser inseridas dentro das normativas, para mostrar que nós existimos enquanto comunidades tradicionais a partir das nossas ancestralidades, com o direito de ter o seu modo de vida preservado e respeitado”, explana a coordenadora do MIQCB, Maria Alaídes.
O procurador do Ministério Público Federal (MPF), Filipe Froes, participou de uma das mesas temáticas e colocou-se à disposição das necessidades do movimento. Em suas falas, o procurador destacou acontecimentos que impactaram negativamente a atividade das quebradeiras, como por exemplo, a Lei Estadual de Terras 2979/1969. “Antes da lei, as quebradeiras tinham livre acesso às palmeiras de determinadas terras para realizar a colheita do coco. Mas após a lei, houve uma espécie de privatização, onde, elas precisavam entregar parte do que era produzido aos proprietários daquela área, para que pudessem ter acesso às terras”, explica.
Outra participante do seminário foi a chefe da unidade técnica do Ibama em Imperatriz, Carolina Alves. Segundo ela, o órgão precisa da atuação contínua das comunidades e quebradeiras frente às denúncias relacionadas ao desmatamento das palmeiras de babaçu. “A demanda do Ibama é alta, mas quanto mais se denuncia os crimes, maior será a nossa dimensão sobre os problemas, e assim, conseguiremos estar em campo em um enfrentamento mais abrangente e forte”, ressalta.
CARTA – Dentro da programação do seminário, foi apresentada e lida pelas juventudes uma carta política, assinada pelo vereador de Vila dos Martírios, Francisco Ernesto. A carta reforça a importância do babaçu e missão do MIQCB e pede que, candidatos e candidatas em período eleitoral, se comprometam com o reconhecimento e proteção do modo de vida das quebradeiras de coco babaçu; criem metas e ações em seus programas de governo; se eleitos, que dediquem-se a trabalhar, em suas respectivas câmaras municipais, em prol da aprovação das Leis do Babaçu Livre nos municípios onde ainda não foram promulgadas, e na fiscalização e controle.



Entre os dias 18 a 20 desse mês, o Comitê Gestor do Fundo Babaçu, realizou uma reunião para uma análise dos projetos submetidos aos 8° e 9° Editais do Fundo Babaçu, a reunião ocorreu em São Luís. Em pauta a avaliação dos projetos que concorreram aos editais e os próximos passos para a execução dos projetos.
“Durante esses três dias, o Comitê pôde analisar e socializar as discussões, apuração das notas e a documentação dos projetos submetidos ao editais, junto a Secretaria Executiva do Fundo, onde foi realizada a classificação dos projetos que foram encaminhados. Nesse sentido, foram selecionados 12 projetos, a priori, esses projetos estão sendo contactados para checar a documentação”, disse, Nilce Cardoso, secretária executiva do Fundo Babaçu.
Após a análise do Comitê Gestor, dos projetos submetidos ao edital, eles serão encaminhados para o Fundo Amazônia e BNDES para uma avaliação institucional, após essa análise as organizações contempladas serão contactadas para a formalização dos contratos, para que o projetos possam ser iniciados.
Participaram da reunião AMTQC, MIQCB Regional PI, Sindicato dos trabalhadores de São Domingos do Araguaia – PA, INEAF- PA, APA-TO, FETAETE, ASSEMA, Nova Cartografia Social da Amazônia – representação Maranhão e Pará.






O Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB) está selecionando mulheres para o cargo de assessoria jurídica. Podem concorrer a vaga mulheres com formação acadêmica de nível superior em Direto por pelo menos dois anos com inscrição ativa na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).
A vaga é destinada para disponibilidade para morar em Imperatriz (MA), São Miguel do Tocantins (TO), São Domingos do Araguaia (PA) ou municípios vizinhos, com disponibilidade para viajar entre os municípios citados.
O Regime de contratação é CLT, com 40 horas semanais com 8 horas diárias e salário R$ 5.208,00. O prazo para as pessoas interessadas em concorrer à vaga segue até dia 7 de outubro. As orientações estão no Edital abaixo.

Jhessica Mendes conquistou o título de Rainha do Coco após entregar 8kg de amêndoas do coco babaçu em 5h. O 2º Torneio de Quebra de Coco Babaçu da Vila Tauiry, Itupiranga (PA), aconteceu no último domingo, 22, e contou com a participação de 36 quebradeiras de seis comunidades diferentes. Mais de 175kg de amêndoas foram acumuladas em apenas um dia.
A competição começou às 8h com pausa para almoço ao meio dia e retomada às 13h. A pesagem, conferência e classificação foi iniciada às 14h. Durante as cinco horas de Torneio o som do macete era a trilha sonora predominante. Enquanto os baldes e sacolas se enchiam de amêndoas, as mulheres se provocavam e conversavam.
A coordenadora de base do MIQCB da Regional Tocantins e Diretora da Cooperativa Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (CIMQCB), Francisca Vieira, fez questão de participar e ficou na 8ª posição da disputa. Ela disse que “participei mesmo pela diversão de se juntar às quebradeiras do Pará”.

Já Jhessica foi para vencer, a cadência do macete e a rapidez com que manuseava o coco refletia no montante de amêndoas que só crescia no seu balde. Sua vitória foi com vantagem, 2kg a mais do que a segunda colocada. Impressionou a todos quando a sua pesagem foi anunciada. Ela recebeu os prêmios e presentes, além da faixa e coroa de cachopa como símbolo do status de Rainha do Coco Babaçu.
Parceiros importantes como o Ideflor, a imprensa local, os estudantes e professores da Escola Albertina Barreiros e torcedores locais acompanharam o Torneio, um destaque especial para a promotora agrária Alexssandra Mardegan que fiscalizou a conferência das classificações e participou da entrega dos prêmios e presentes para todas as participantes.
O Torneio foi realizado pela Associação da Comunidade Ribeirinha Extrativista da Vila Tauiry (Acrevita) com o apoio do MIQCB e do Instituto Audir Blanc. Para a coordenadora de base do MIQCB Maria Sousa, que mora na comunidade e fez parte da organização do Torneio, disse que não esperava um público tão grande. “Foi maravilhoso ver o público que veio torcer e participar. Ao todo recebemos mais de 100 pessoas na nossa comunidade. Ano que vem estaremos de volta no nosso barracão que já está em construção”, desejou ela.


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