10/04/2025 7:56 pm

“Babaçu é Clima” mobiliza quebradeiras de coco no Pará rumo à COP-30

Com o objetivo de fortalecer a presença das mulheres quebradeiras de coco nos debates internacionais sobre meio ambiente e mudanças climáticas, o Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB) promoveu mais uma etapa do ciclo de formação “Babaçu é Clima: Quebradeiras de Coco Babaçu rumo à COP-30”, desta vez na Regional Pará. O encontro ocorreu nos dias 10 e 11 de abril, em São Domingos do Araguaia (PA), reunindo quebradeiras dos municípios de São Domingos do Araguaia, São João do Araguaia, Brejo Grande do Araguaia, Palestina e Itupiranga.

A formação é parte de um processo preparatório para a COP-30, a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, que será realizada em Belém (PA), em 2025. O ciclo busca ampliar o entendimento das quebradeiras sobre o cenário climático global e mecanismos como o REDD+, além de construir um documento coletivo que reflita as propostas e demandas das comunidades babaçuais diante dos desafios ambientais atuais.

Durante os dois dias de atividades, temas estratégicos foram debatidos, como o reconhecimento dos modos de vida tradicionais, os impactos do racismo ambiental, a conservação promovida pelas comunidades e a importância de garantir voz e protagonismo às mulheres quebradeiras nos espaços de formulação de políticas públicas. O primeiro dia contou com a participação de representantes da UNIFESSPA, UFPA, REPAM e do próprio MIQCB, em rodas de diálogo sobre mudanças climáticas, justiça ambiental e o funcionamento da COP.

Para Maria Alaídes, coordenadora geral do MIQCB, a ação reafirma a relação direta entre os babaçuais e o equilíbrio climático. “Estamos fazendo uma conferência para afirmar que o babaçu é clima — e é clima pela forma em que trabalhamos com ele. Babaçu é vida, é produção, é floresta”, destacou.

A fala da quebradeira Iracema reforça a ligação entre o uso sustentável do babaçu e a ameaça constante do agronegócio. “Do coco a gente faz azeite, mesocarpo, carvão… tudo isso vem da nossa produção. Mas hoje nossas palmeiras estão ameaçadas por fazendeiros que derrubam e colocam veneno. As palmeiras morrem, e a gente perde o nosso sustento”, relatou.

Já Cledeneuza Maria Oliveira, coordenadora executiva da Regional Pará, apontou para a urgência de participação política nos debates climáticos. “O babaçu tem um papel importante no equilíbrio do nosso clima. Quando derrubam as palmeiras, eles também afetam nossas vidas. Por isso, nós quebradeiras estamos nessa luta para defender os babaçuais. Precisamos entender como funcionam esses mercados de carbono. A COP vai ser no nosso estado e a gente precisa dar o nosso recado: nós existimos e precisamos das nossas palmeiras em pé”, afirmou.

O ciclo de formação “Babaçu é Clima” está sendo realizado nas seis regionais do MIQCB, nos estados do Maranhão, Pará, Tocantins e Piauí. A mobilização visa garantir que, em 2025, as quebradeiras de coco cheguem à COP-30 com voz ativa, propostas concretas e com o reconhecimento do papel fundamental que exercem na proteção dos territórios e no enfrentamento da crise climática.

Na sexta-feira (11), a programação seguirá com trabalhos em grupo voltados à produção de um diagnóstico do Quadro Regional Ambiental e Climático. As participantes irão identificar problemáticas ambientais e seus responsáveis, analisar as consequências desses impactos nos territórios babaçuais, além de mapear as ações de resistência das quebradeiras. O objetivo é evidenciar os resultados já alcançados e os que ainda se esperam, fortalecendo a construção coletiva de propostas para a COP-30.

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