6/07/2026 1:53 pm

Estufas fortalecem a economia do babaçu e representam conquista das quebradeiras no sudeste do Pará

Equipamentos recebidos pelo MIQCB ampliam as condições de beneficiamento da produção, fortalecem a geração de renda e reconhecem a luta histórica das mulheres pela valorização da sociobiodiversidade.

A chegada de quatro estufas para o beneficiamento do coco babaçu marca um importante avanço para as mulheres do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB) no sudeste do Pará. Recebidos pela Regional Pará, em São Domingos do Araguaia, os equipamentos representam mais do que uma melhoria na infraestrutura de produção: simbolizam o reconhecimento da importância do trabalho das quebradeiras de coco babaçu para a economia, a conservação dos babaçuais e a manutenção dos modos de vida tradicionais.

A entrega dos equipamentos ocorreu por meio de uma parceria entre a Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Clima e Sustentabilidade do Pará (Semas) e a empresa Masterboi, como parte das condicionantes ambientais do licenciamento da empresa. Estiveram presentes o secretário adjunto de Gestão e Regularidade Ambiental da Semas, Rodolpho Zahluth Bastos, representantes da secretaria e Hugo Milhomem, representando a Masterboi, que foram recebidos pelas mulheres do MIQCB.

As estufas serão utilizadas no processo de secagem da amêndoa e do mesocarpo do babaçu, etapa fundamental para garantir maior qualidade aos produtos, reduzir perdas provocadas pelas condições climáticas e ampliar as possibilidades de comercialização. Na prática, o equipamento fortalece uma cadeia produtiva construída historicamente pelas mulheres extrativistas, agregando valor ao que é produzido nos territórios.

Para o MIQCB, a conquista reafirma uma luta que atravessa gerações. Ao longo de décadas, as quebradeiras de coco babaçu têm defendido que o fortalecimento da cadeia produtiva depende de investimentos em infraestrutura, tecnologias apropriadas e políticas públicas capazes de valorizar o trabalho das comunidades tradicionais e garantir autonomia econômica às mulheres.

A coordenadora executiva do Movimento de Mulheres Quebradeiras de Coco Babaçu do Sudeste do Pará, Cleudineusa Maria Bezerra Oliveira, destaca que a chegada das estufas representa um marco para o fortalecimento da produção e da organização das mulheres.

“Esse equipamento melhora a qualidade da nossa farinha do mesocarpo do babaçu, traz mais segurança para o processo de beneficiamento e fortalece a organização das quebradeiras. É um incentivo para continuarmos produzindo, preservando os babaçuais e garantindo renda para nossas famílias.”

O babaçu é fonte de renda, segurança alimentar e autonomia para milhares de famílias. Da palmeira são aproveitados a amêndoa, o mesocarpo, o óleo, a casca, a fibra e o carvão, movimentando uma economia baseada no uso sustentável da floresta e no conhecimento tradicional das mulheres. Cada etapa do beneficiamento agrega valor aos produtos e fortalece uma cadeia produtiva que gera trabalho, renda e conservação ambiental.

Mais do que equipamentos, as estufas representam um reconhecimento da importância das quebradeiras de coco babaçu como protagonistas da conservação ambiental e do desenvolvimento sustentável na Amazônia. Também reafirmam a força da organização coletiva construída pelo MIQCB, que há mais de três décadas luta pelo livre acesso aos babaçuais, pela valorização do extrativismo e pelo fortalecimento da economia da sociobiodiversidade nos territórios onde as mulheres vivem e produzem.

A conquista reforça que investir na cadeia produtiva do babaçu é investir nas mulheres, na proteção dos territórios tradicionais e em um modelo de desenvolvimento que alia geração de renda, justiça social e preservação da floresta.

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