
Criado pelo Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB), o Fundo celebra 13 anos fortalecendo comunidades tradicionais, apoiando projetos sustentáveis e garantindo que as vozes das mulheres sigam conduzindo o futuro dos babaçuais.
Em 10 de outubro de 2025, o Fundo Babaçu completa 13 anos de existência, reafirmando-se como uma das mais importantes ferramentas de fortalecimento das quebradeiras de coco babaçu e das comunidades tradicionais que vivem e produzem nos territórios de babaçuais.
Criado pelo MIQCB, o Fundo nasceu do desejo de garantir que os recursos cheguem diretamente às mãos das mulheres e comunidades que mantêm vivo o modo de vida nos babaçuais — apoiando iniciativas voltadas à produção sustentável, à conservação ambiental, à autonomia e ao protagonismo feminino.
Desde sua criação, o Fundo Babaçu já apoiou 99 projetos comunitários nos estados do Maranhão, Pará, Tocantins e Piauí, com investimentos que somam mais de R$ 8,3 milhões em recursos não reembolsáveis. Esses projetos envolvem ações de agricultura familiar, extrativismo agroecológico, geração de renda solidária e fortalecimento organizativo, transformando realidades locais e fortalecendo o modo de vida das quebradeiras.

Para Marinalda Rodrigues, coordenadora executiva do MIQCB no Piauí e integrante da Secretaria Executiva do Fundo, a trajetória é motivo de orgulho e esperança:
“O Fundo Babaçu representa muito para nós, quebradeiras. É fruto da nossa luta e da nossa união. Graças a ele, conseguimos fortalecer nossos grupos, melhorar nossa produção e mostrar que é possível viver bem cuidando da floresta. O Fundo é uma ferramenta que nasceu das nossas mãos e continua servindo às nossas necessidades, ajudando a garantir que o babaçu continue livre e que nossas tradições sigam vivas.”
Governança participativa e protagonismo das mulheres
A governança do Fundo é exercida por um Comitê Gestor plural e participativo, formado por representantes das seis regionais do MIQCB, organizações parceiras da sociedade civil, entidades quilombolas, instituições acadêmicas e grupos de agroecologia.
A gestão operacional é conduzida pela Secretaria Executiva do Fundo Babaçu, sob orientação do MIQCB, que assegura o acompanhamento técnico e o diálogo com parceiros estratégicos como o Fundo Amazônia/BNDES, a Fundação Ford e a Tenure Facility.

Para Nilce Cardoso, secretária executiva do Fundo Babaçu, este é um momento de amadurecimento e expansão:
“O Fundo Babaçu se consolida como uma ferramenta estratégica de fortalecimento das comunidades tradicionais e de valorização da sociobiodiversidade, com processos cada vez mais transparentes e centrados na autonomia das mulheres. Em 2025, alcançamos um marco importante: a primeira assinatura de um projeto de demanda espontânea, que amplia a capacidade do Fundo de responder diretamente às necessidades que nascem das próprias comunidades.”
A força das parcerias e o reconhecimento internacional
O reconhecimento ao Fundo Babaçu vem também de seus parceiros históricos, que destacam o pioneirismo do MIQCB ao criar um mecanismo financeiro autônomo, gerido por mulheres de base comunitária.
Segundo Aurélio Vianna, Senior Program Officer e ponto focal para o Brasil da Tenure Facility, o Fundo é símbolo de inovação e resiliência:
“Há 13 anos, as lideranças do MIQCB ousaram. O Fundo Babaçu foi o primeiro fundo criado por um movimento territorial institucionalizado. Construíram, então, seu próprio mecanismo financeiro autônomo, com apoio às organizações de base das mulheres quebradeiras de coco. Completar 13 anos ativo e cumprindo sua missão de apoiar a base do movimento é sinal de resiliência e compromisso. Guerreiras, conseguiram! Longa vida ao Fundo Babaçu!”
A Fundação Ford também reconhece o papel estratégico do Fundo Babaçu no avanço da economia do cuidado e na proteção territorial.

Para Érika Yamada, coordenadora de programas da Fundação Ford Brasil, o Fundo Babaçu é importante em diversos aspectos, mas o destaque está na visão estratégica do MIQCB — entendendo o Fundo como um mecanismo de mobilização das mulheres, de resposta às suas demandas e de avanço na proteção dos territórios e dos direitos coletivos.
“O papel do Fundo, junto à Rede de Fundos Comunitários da Amazônia, é fundamental para fortalecer valores de solidariedade e justiça na distribuição de recursos”, enfatizou.
Já o Fundo Amazônia/BNDES, parceiro de longa data, destaca a legitimidade e a força do MIQCB na condução do mecanismo:
“O apoio a projetos voltados a povos e comunidades tradicionais é uma prioridade do Fundo Amazônia. Reconhecemos no MIQCB um parceiro estratégico, pela legitimidade, articulação e gestão participativa das quebradeiras. Por isso, consideramos essencial a continuidade e ampliação do apoio ao Fundo Babaçu”, destacou Ana Paula Donato, do Departamento de Gestão do Fundo Amazônia, BNDES.
Vozes do território

No chão dos babaçuais, o impacto é concreto. Um dos projetos apoiados recentemente é o “Território tradicional: lugar de liberdade, trabalho, vida e patrimônio cultural”, desenvolvido pela Associação de Mulheres Trabalhadoras do Coco Babaçu (AMTCOB), no território tradicional Santa Rosa, no Piauí — o segundo território de quebradeiras de coco titulado no país.
Para Antônia Almeida, quebradeira de coco, coordenadora de Meio Ambiente da associação e moradora do território, o projeto é símbolo de resistência:
“O projeto Baqueli, por meio do Fundo Babaçu, fortalece as ações das quebradeiras e os nossos direitos sobre o território, o meio ambiente e a cultura. Com o apoio do Fundo, realizamos atividades que geram renda e valorizam o trabalho das mulheres. Ser beneficiária desse projeto é o reconhecimento da nossa identidade e da nossa luta por um território livre, justo e sustentável.”
Outro projeto de grande relevância apoiado pelo Fundo Babaçu foi o da Cooperativa Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (CIMQCB), que adquiriu uma loja virtual, inaugurada em setembro deste ano. O novo site de vendas — maepalmeira.com.br — permitirá que consumidores de todo o país adquiram alimentos, cosméticos e artesanatos diretamente das quebradeiras, ampliando o mercado e garantindo que a renda chegue a quem produz.

“Lançar a loja virtual no Mês das Quebradeiras é motivo de muita alegria para nós. É um dia especial, porque quem compra nossos produtos não leva apenas um alimento ou um artesanato, leva também a nossa história e identidade. Cada compra fortalece a luta pelo território, pelo Babaçu Livre e contribui para a preservação dos babaçuais. Com essa conquista, vamos levar nossa cultura e nossa resistência para todo o Brasil”, destacou Helena Gomes, presidente da cooperativa.
13 anos de impacto e um futuro promissor
Ao longo de sua trajetória, o Fundo Babaçu consolidou-se como uma referência em filantropia comunitária e justiça socioambiental, inspirando outras experiências de financiamento de base no Brasil e na Amazônia.
Hoje, o Fundo integra a Rede de Fundos Comunitários da Amazônia, ampliando o intercâmbio entre experiências e fortalecendo a autonomia local como estratégia de enfrentamento às desigualdades.
Ao celebrar 13 anos, o Fundo Babaçu reafirma seu compromisso com o fortalecimento das quebradeiras de coco, a defesa dos babaçuais e a promoção de um modelo de desenvolvimento sustentável e solidário. Com a nova etapa de demanda espontânea, torna-se ainda mais próximo das comunidades, garantindo que as vozes das mulheres sigam conduzindo o futuro dos babaçuais.
A iniciativa representa um novo passo na autonomia das quebradeiras de coco, permitindo que grupos e associações apresentem e executem seus próprios projetos com apoio do MIQCB, por meio do projeto Baqueli, e recursos do Fundo.
O primeiro contrato foi firmado com as quebradeiras da comunidade Encruza Nova, em Pedro do Rosário (MA), para execução do projeto “Quebradeiras Defensoras dos Babaçuais Fortalecendo Processos Organizativos”, com financiamento do Fundo Babaçu e apoio da Tenure Facility.



Sobre o Fundo Babaçu
Criação: 2012
Iniciativa: Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB)
Área de atuação: Maranhão, Piauí, Tocantins e Pará
Objetivo: Apoiar projetos socioambientais da agricultura familiar, do extrativismo sustentável e do fortalecimento organizativo das comunidades tradicionais.
Princípios: Transparência, autonomia das mulheres, equilíbrio de gênero e gerações, valorização da sociobiodiversidade e fortalecimento comunitário.
Governança: Comitê Gestor com representantes das regionais do MIQCB e parceiros institucionais.
Parcerias: Fundo Amazônia/BNDES, Fundação Ford, Tenure Facility e Rede de Fundos Comunitários da Amazônia.
Marco recente: Primeira assinatura de demanda espontânea, ampliando o protagonismo das comunidades na proposição de projetos.


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