
Entre os dias 23 e 26 de fevereiro de 2026, o MIQCB Regional Imperatriz realizou, na comunidade Pifeiros, em Amarante do Maranhão (MA), a oficina de artesanato “Casa Babaçu: da Floresta para sua Casa”, reunindo cerca de 20 jovens do grupo Pindova Filhos da Mãe Palmeira. A atividade integra a Ação Estratégica do movimento, voltada ao fortalecimento da produção de artesanato e derivados do babaçu, articulando formação política, geração de renda e defesa dos territórios tradicionais.

Promovida em parceria com a CIMQCB, a oficina teve como objetivo qualificar a juventude para a produção artesanal, ampliar a comercialização dos produtos e consolidar o babaçu como símbolo de resistência, sociobiodiversidade e justiça climática.
Juventude, território e sociobiodiversidade
Realizada na casa de artesanato do grupo Pindova, a oficina reafirmou que o babaçu é floresta em pé, é território e é modo de vida. A formação uniu prática produtiva e reflexão política sobre a importância da Lei do Babaçu Livre, da regularização fundiária e da participação das mulheres nas decisões que impactam seus territórios.
Ao fortalecer a cadeia produtiva do artesanato, o MIQCB também fortalece a autonomia econômica das famílias quebradeiras e a permanência da juventude nos territórios tradicionais, evitando o êxodo rural e assegurando a continuidade dos saberes ancestrais.
Abertura com mística e afirmação política
A programação iniciou com acolhida da comunidade, mística de apresentação e falas das lideranças locais e da coordenação do movimento. O momento reafirmou o compromisso com a defesa das florestas e do modo de vida das quebradeiras.

Maria José, coordenadora executiva do MIQCB Regional Imperatriz, destacou a importância do protagonismo juvenil:
“Essa atividade é muito importante, tanto para a comunidade quanto para o movimento. Acompanhar o trabalho da juventude, divulgar o que vocês fazem e fazer com que os jovens entendam que também é para eles. Sempre que houver oportunidade de estar presente em atividades como essa, estarei disponível. Muito obrigada a todos e todas.”
A fala reforçou o papel da juventude na comunicação e no fortalecimento organizativo do MIQCB.
Da biojoia aos objetos para casa: nova etapa de formação
A oficina foi ministrada pela artesã Rosalva Silva Gomes, quebradeira de coco, artesã e assessora da cooperativa interestadual. Esta etapa marcou a transição da produção de biojoias para objetos utilitários e decorativos para casa.
“Estamos finalizando essa nova etapa da produção de artesanato. Depois das biojoias, agora trabalhamos objetos decorativos e utensílios para casa. Batizamos a oficina de ‘Casa Babaçu: da Floresta para sua Casa’ para afirmar que babaçu é floresta, sim. Trouxemos essa afirmação para dentro do tema”, explicou Rosalva.

Durante os quatro dias, os jovens produziram bandejas, fruteiras, porta-canetas, porta-guardanapos, porta-chaves, peças decorativas e utensílios diversos. A formação incluiu trilha para reconhecimento do território e coleta de coco, preparação da matéria-prima, montagem das peças, organização de cenário fotográfico e precificação.
A proposta é que os participantes se tornem multiplicadores do conhecimento em suas comunidades, fortalecendo a produção e a organização coletiva.
Juventude comunicadora
A oficina também contou com a participação da Rede de Comunicadores e Defensores do MIQCB, fortalecendo o registro audiovisual e a divulgação das ações.
Vitória Sá, jovem da Rede de Comunicadoras e Defensoras do MIQCB, destacou que a experiência foi além do papel de comunicadora:
“Foi a primeira vez que chegamos antes para acompanhar toda a semana, e foi um período muito produtivo, de muito aprendizado. Esse trabalho de vocês, artesãos e artesãs, não é fácil. Algumas peças eu consegui pegar o jeito, outras não consegui.

Eu vim para fazer a comunicação, para registrar o trabalho de vocês, mas estou saindo daqui não só com fotos, estou saindo com aprendizado. Vocês estavam sendo ensinados por ela, mas também me ensinaram. E é isso que eu quero agradecer. ”
Aprendizado, saber ancestral e continuidade
Para o professor e artesão Acélio dos Santos Lima Brito, a oficina ampliou horizontes:
“Foi uma ajuda muito grande. Abriu minha mente sobre o conhecimento do artesanato. Eu não tinha dimensão de tudo que pode ser feito com o babaçu. Espero que mais jovens participem nas próximas etapas.”
Luseny Santos, coordenadora de base do MIQCB Regional Imperatriz, destacou que a oficina era um desejo antigo da organização:
“Era uma atividade que queríamos realizar há muito tempo. Mesmo com muitas demandas, conseguimos concretizar esse momento tão importante para a comunidade.”
Produção, organização e mercado solidário
A ação articulou três dimensões estratégicas:

O processo incluiu cronograma de produção, divisão de tarefas, cuidados com saúde e alimentação, rodas culturais com os mais velhos e apresentação final das peças à comunidade.
Babaçu Livre é justiça climática
Ao investir na formação da juventude e na valorização do artesanato, o MIQCB reafirma que a defesa do babaçu é também defesa da floresta, do território e da vida.
A luta pela Lei do Babaçu Livre e pela regularização fundiária segue como pauta central para garantir o acesso das quebradeiras aos babaçuais e assegurar a proteção da sociobiodiversidade frente às ameaças do desmatamento e da grilagem.
Mais do que produzir artesanato, a oficina “Casa Babaçu: da Floresta para sua Casa” fortalece o protagonismo das mulheres, a autonomia econômica das comunidades e a construção da justiça climática nos territórios tradicionais.
Porque onde há babaçu livre, há floresta em pé, há território protegido e há mulheres organizadas transformando o presente e o futuro.







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