28/08/2026 3:58 pm

Lago do Junco recebe agenda institucional com ministérios e fortalece diálogo sobre direitos e autonomia das quebradeiras de coco babaçu

Encontro articulado pelo MIQCB reuniu representantes do MDA, MIR, Incra, Anater, Conaq e movimentos sociais e resultou em novos compromissos para proteção dos babaçuais e fortalecimento da produção das mulheres

O território das quebradeiras de coco babaçu foi, na terça-feira (25), espaço de encontro, escuta e construção de compromissos entre as mulheres do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB), órgãos do Governo Federal e organizações dos movimentos sociais. A comunidade Ludovico, em Lago do Junco (MA), recebeu uma agenda institucional do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) e do Ministério da Igualdade Racial (MIR), representados pelas ministras Fernanda Machiaveli e Rachel Barros e suas equipes.

Articulada pelo MIQCB, em diálogo com movimentos sociais do Maranhão e do Piauí, a agenda integrou as ações do Projeto Jandaíras – Mulheres e Saberes Tradicionais Transformando a Sociobiodiversidade Nordestina, iniciativa desenvolvida em parceria entre o MDA e a Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE).

O projeto tem como objetivo fortalecer a autonomia econômica e social de mulheres de Povos e Comunidades Tradicionais, ampliar a geração de renda, contribuir para a segurança alimentar e nutricional e fortalecer a inserção de produtos da sociobiodiversidade nos mercados. A iniciativa também atua na estruturação de grupos produtivos e agroindústrias comunitárias, formação, gestão, comercialização e fortalecimento das práticas agroecológicas.

Em 2026, o Jandaíras ganhou uma nova dimensão com sua transformação em programa do MDA e a criação do Jandaíras II, ampliando o alcance das ações para grupos produtivos de mulheres de povos e comunidades tradicionais. A expansão reafirma uma estratégia de fortalecimento da organização econômica e produtiva das mulheres rurais, com atenção às especificidades dos territórios tradicionais.

Conhecer o território para compreender a luta

Durante a visita, as ministras e suas equipes conheceram o babaçual da comunidade Ludovico e puderam acompanhar de perto parte da rotina das quebradeiras de coco. Participaram da roda de quebra do coco babaçu e experimentaram o trabalho que, há gerações, constitui uma das principais formas de sustento, autonomia e reprodução dos modos de vida das comunidades.

A agenda também incluiu visitas à Cooperativa dos Pequenos Produtores Extrativistas de Lago do Junco (COPPALJ) Ludovico e à fábrica de sabonetes da Associação de Mulheres Trabalhadoras Rurais (AMTR).

Os espaços revelam diferentes dimensões da cadeia produtiva do babaçu e mostram como a organização coletiva das mulheres transforma os recursos da sociobiodiversidade em alimentos, produtos, renda e oportunidades para as famílias e comunidades.

Para a coordenadora geral do MIQCB, Maria Alaídes, a presença das representantes dos ministérios no território tem um significado que vai além da agenda institucional.

 “É muito importante receber as instituições aqui no nosso território, porque é aqui que elas podem conhecer de perto a nossa realidade, nossos saberes, nossa produção e também os desafios que enfrentamos. Esse momento de troca de experiências fortalece o diálogo e nos ajuda a construir políticas públicas que realmente respondam às necessidades das quebradeiras de coco.”, afirmou Maria Alaídes.

Mulheres apresentam demandas e constroem compromissos

Na roda de conversa, as quebradeiras de coco apresentaram suas experiências, necessidades e reivindicações. Uma carta foi entregue às ministras reunindo demandas históricas do movimento, entre elas a garantia do direito aos territórios, o livre acesso aos babaçuais, a proteção das florestas contra o uso de agrotóxicos, o fortalecimento da cadeia produtiva do babaçu e a criação de oportunidades para a juventude.

A agenda também resultou em compromissos concretos. Entre eles está a assinatura da portaria que institui o Grupo de Trabalho (GT) para proteção dos babaçuais e das comunidades agroextrativistas de babaçu, com a finalidade de formular estudos, propostas e ações de proteção. O GT também deverá atuar na defesa dos babaçuais diante de práticas como derrubada irregular, queimadas e corte inadequado das palmeiras, além de contribuir para o enfrentamento das violências contra as comunidades agroextrativistas.

Também foram assinados termos para concessão de subvenção do Programa SociobioMais e entregues três contratos do Programa Nacional de Crédito Fundiário (PNCF) para agricultoras familiares quebradeiras de coco babaçu de Lago do Junco. Os contratos possibilitarão a aquisição de 34,38 hectares distribuídos em três lotes da Fazenda Santo Antônio 02, com financiamento de aproximadamente R$ 824 mil, marcando a primeira parceria entre o PNCF e o MIQCB no Maranhão.

A agenda contou ainda com a participação de representantes do Incra, Anater, Conaq e de organizações e movimentos sociais, entre eles a RAMA, ASSEMA e AMTR.

Políticas públicas construídas com as mulheres

A presença do Governo Federal no território também reforçou a ampliação das políticas destinadas às mulheres rurais e aos povos e comunidades tradicionais.

Em publicação sobre a agenda em Lago do Junco, a ministra Fernanda Machiaveli destacou que as quebradeiras já acessam diferentes políticas públicas, mencionando “o Pronaf Mulher, o Programa Jandaíras, a subvenção do Sociobio Vale Mais e o Programa de Aquisição de Alimentos”.

A fala evidencia a importância da articulação entre diferentes políticas para garantir não apenas acesso a recursos, mas condições para que as mulheres tenham maior autonomia econômica, fortaleçam seus processos produtivos e permaneçam em seus territórios.

Para o MIQCB, a agenda em Lago do Junco representa, sobretudo, a importância de levar as políticas públicas para dentro dos territórios e construir soluções a partir da realidade vivida pelas mulheres.

Mais do que uma visita institucional, o encontro foi um momento de reconhecimento dos saberes, da produção e da luta das quebradeiras de coco babaçu, e de reafirmação de que proteger os babaçuais significa também proteger as mulheres, suas comunidades, seus modos de vida e o futuro das próximas gerações.

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