
Mulheres e juventudes do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu participaram, nos regionais Tocantins e Pará, de uma oficina de geotecnologias voltada ao fortalecimento da defesa territorial. A atividade, que ocorreu na comunidade Olho D’água/TO, nos dias 12 e 13, reuniu lideranças, integrantes das redes de defensoras e comunicadoras e jovens do movimento, encerrando uma agenda formativa que já havia passado pela Baixada Maranhense e Piauí. O objetivo é ampliar a autonomia das quebradeiras no monitoramento dos babaçuais, utilizando drones, formulários digitais e estratégias de comunicação para proteger as florestas, enfrentar conflitos socioambientais e fortalecer a Lei Babaçu Livre.
A oficina foi realizada em território de quebradeiras, reafirmando que a tecnologia, quando apropriada pelas comunidades, se torna ferramenta de luta, organização e proteção ambiental.
A formação prática incluiu mapeamento aéreo dos babaçuais, orientações sobre georreferenciamento e uso estratégico de imagens para denúncias de desmatamento, queimadas e invasões territoriais. A proposta é que as próprias comunidades possam produzir provas, registrar conflitos e fortalecer suas reivindicações por regularização fundiária.

Para Maria Silvania, coordenadora de base do MIQCB no Regional Tocantins, a experiência representa um marco para as comunidades:
“O curso de drone aqui na minha comunidade foi muito proveitoso. Fizemos o mapeamento do território e aprendemos a ter uma visão da nossa área que nunca tivemos. É um conhecimento que nossas comunidades nunca tinham tido oportunidade de acessar. Agora vamos colocar em prática para proteger nossos babaçuais, nosso meio ambiente e nossos territórios”, afirma Maria Silvania, coordenadora executiva do MIQCB Regional Tocantins.
A atividade também promoveu intercâmbio entre regionais, fortalecendo a articulação política do movimento em diferentes estados.

Cledneuza Bizerra, coordenadora executiva do MIQCB Regional Pará, destacou o impacto formativo e simbólico da oficina:
“Foi uma troca de experiência muito grande. Tivemos a oportunidade de conhecer melhor nossas áreas e aprender a lidar com o drone. Às vezes a gente pensava que isso não era coisa para nós, mas hoje o movimento nos proporcionou ver nossas localidades por cima, conhecer nossa extensão e o que ainda temos de palmeira. A luta pelo Babaçu Livre se fortalece com esse trabalho”, ressalta Cledneuza Bizerra, coordenadora executiva do MIQCB Regional Pará.
A oficina integrou a Rede de Defensoras e Comunicadoras do MIQCB e o GT das Juventudes Rurais do Bico do Papagaio, reforçando a participação política das mulheres e o protagonismo das juventudes na defesa da sociobiodiversidade.

Maria Antônia, integrante da Rede de Defensoras e Comunicadoras e do GT das Juventudes Rurais no Bico do Papagaio, destacou a importância da tecnologia para o monitoramento ambiental:
“Esse curso é muito importante porque como jovem posso subir o drone e ver nossos babaçuais, identificar queimadas que não vemos da estrada. É um aprendizado enriquecedor para a regional e para o movimento interestadual”, afirma Maria Antônia.
Jackson, jovem comunicador do Regional Pará, também ressaltou o impacto direto da formação:
“O MIQCB proporcionar o uso do drone e ensinar como manusear esses equipamentos é algo muito grande para as mulheres. Elas podem fazer denúncias de desmatamento e queimadas, mapear e vigiar seus babaçuais. Isso fortalece nossa luta”, destaca Jackson, jovem comunicador do MIQCB Regional Pará.
“Estamos finalizando a etapa de campo dessa formação em tecnologias para o monitoramento territorial e conservação da sociobiodiversidade com o MIQCB. Tem sido uma experiência muito rica de troca com as comunidades, em diferentes realidades e paisagens.

As quebradeiras estão ganhando autonomia para registrar seus próprios territórios com imagens aéreas, vídeos e dados georreferenciados, fortalecendo a leitura do território, a valorização da cultura e o enfrentamento às ameaças. É uma honra fazer parte dessa caminhada e ver as comunidades já utilizando essas ferramentas de forma autônoma, associando tecnologia ao saber tradicional”, destaca Daniel Del Rei, geógrafo da HabitatGeo.
A incorporação das geotecnologias ao cotidiano das quebradeiras fortalece pautas estratégicas do movimento: a defesa da Lei Babaçu Livre, a regularização fundiária dos territórios tradicionais, a ampliação da participação política das mulheres e a proteção da sociobiodiversidade dos babaçuais.
Ao transformar tecnologia em instrumento popular de vigilância ambiental e denúncia, o MIQCB reafirma que a defesa dos territórios é também uma ação concreta de enfrentamento às mudanças climáticas e aos conflitos socioambientais.
Com mulheres e juventudes capacitadas para monitorar seus próprios territórios, o movimento consolida uma prática de justiça climática construída a partir do chão das comunidades.
Porque proteger os babaçuais é proteger a vida.
Porque o protagonismo das mulheres sustenta os territórios.


















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