
O Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB) participou da 6ª Conferência Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (CNSAN), realizada em Brasília (DF), reafirmando seu compromisso histórico com a defesa dos direitos das quebradeiras de coco babaçu, da soberania alimentar, da agroecologia e da preservação dos territórios tradicionais.
Representando o movimento, Maria José, coordenadora executiva do MIQCB Regional Imperatriz e secretária de Juventude, integrou os debates e atividades do encontro, que reuniu representantes da sociedade civil, movimentos sociais, povos e comunidades tradicionais, pesquisadores e gestores públicos de diversas regiões do país.
Com o tema “Comida de Verdade no Prato: Direito e Dignidade de Fato”, a conferência constituiu um importante espaço de diálogo e construção coletiva de propostas voltadas ao fortalecimento das políticas públicas de segurança alimentar e nutricional, ao combate à fome e à promoção da alimentação saudável e sustentável.
Para Maria José, participar da conferência representa a oportunidade de contribuir com pautas fundamentais para a vida das quebradeiras de coco e para o fortalecimento das comunidades tradicionais.
“É motivo de muita alegria estar aqui, porque estamos em um processo de construção coletiva entre o poder público e a sociedade civil. Trouxemos algumas demandas com muita esperança e já pudemos observar resultados que foram alcançados, além de outras ações que ainda estão em construção. Também há aspectos que precisam ser aprimorados e novas pautas que devem ser incorporadas”, destacou.

Durante os debates, Maria José ressaltou a importância da preservação dos babaçuais, elemento central para a sobrevivência econômica, cultural e ambiental das comunidades quebradeiras de coco.
“Para nós, quebradeiras de coco, o mais importante é que as palmeiras permaneçam em pé. Quando as palmeiras estão preservadas, estamos cuidando do meio ambiente, que é uma das nossas principais pautas.”
A defesa dos babaçuais está diretamente ligada à proteção dos territórios tradicionais e ao fortalecimento de modos de vida que historicamente contribuem para a conservação da biodiversidade e para a produção sustentável de alimentos.
Outro tema evidenciado durante a conferência foi a educação alimentar, considerada uma ferramenta fundamental para a promoção da saúde, da qualidade de vida e da valorização dos alimentos produzidos pelas comunidades tradicionais.
“Também estamos dialogando sobre educação alimentar, um tema que precisamos debater cada vez mais. Trabalhamos com a agroecologia, que é uma das bandeiras centrais do movimento”, afirmou.
A agroecologia, defendida pelo MIQCB ao longo de sua trajetória, representa um modelo de produção que alia sustentabilidade ambiental, justiça social e valorização dos saberes tradicionais, contribuindo para a construção da soberania alimentar dos povos.
Entre as pautas debatidas, a regularização fundiária também ocupou lugar de destaque. O acesso e a garantia dos territórios continuam sendo desafios enfrentados por milhares de quebradeiras de coco em diferentes estados de atuação do movimento.
“As quebradeiras de coco ainda enfrentam dificuldades para ter acesso a territórios onde possam trabalhar com dignidade. Estamos construindo coletivamente caminhos para garantir esses territórios, de forma que possamos viver e trabalhar com mais segurança e dignidade”, ressaltou Maria José.

Para a representante do MIQCB, a conferência reafirmou a importância dos espaços de participação social na construção de políticas públicas capazes de responder às necessidades reais das populações tradicionais.
“Tenho aprendido que, juntos, somos mais fortes, e vamos continuar dialogando. O governo também tem proporcionado esse espaço de diálogo e escuta. Portanto, este é um momento muito importante de construção para toda a sociedade civil.”
A presença do MIQCB na 6ª Conferência Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional reforça o protagonismo das quebradeiras de coco babaçu nos processos de formulação e monitoramento das políticas públicas. Mais do que participar dos debates, o movimento reafirma sua trajetória de luta em defesa dos territórios tradicionais, da preservação dos babaçuais, da agroecologia e do direito humano à alimentação adequada.
Em um contexto de desafios sociais, ambientais e econômicos, a atuação das quebradeiras de coco babaçu segue demonstrando que a construção de um país mais justo, sustentável e sem fome passa necessariamente pelo reconhecimento dos direitos dos povos e comunidades tradicionais.

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