22/10/2025 5:18 pm

Oficina fortalece ações do Plano de Proteção, Cuidado e Autocuidado do MIQCB

Nos dias 30 de setembro e 1º de outubro, em São Luís (MA), e 8 e 9 de outubro, em Itaguatins (TO), o Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB) realizou a oficina de Implementação do Plano de Proteção, Cuidado e Autocuidado, reunindo lideranças, coordenações e assessorias de cinco regionais do Movimento.

A atividade teve como foco a implementação do Plano de Proteção, Cuidado e Autocuidado do MIQCB, documento construído coletivamente ao longo de 2024, fruto de um amplo processo de escuta e diálogo com as quebradeiras de coco babaçu dos quatro estados de atuação — Maranhão, Pará, Tocantins e Piauí.

A consultora Mari Vilma Maia destacou que a oficina foi parte de um processo coletivo e contínuo de construção:

“Essa atividade faz parte de um caminho que foi sendo construído com muitas mãos, escutas e vivências. O Plano de Proteção, Cuidado e Autocuidado do MIQCB nasce da realidade das quebradeiras e tem como objetivo fortalecer a segurança, o bem-estar e a sustentabilidade emocional das mulheres e de suas lideranças. É um instrumento vivo, que precisa ser constantemente alimentado pelas práticas cotidianas das regionais.”

Durante os encontros, foram trabalhados os critérios de observação e os caminhos para o processo de escuta das comunidades, territórios e coordenações sobre as temáticas de proteção, cuidado e autocuidado. As participantes refletiram sobre como o cuidado pessoal e coletivo fortalece o movimento e garante a continuidade das lutas históricas das quebradeiras de coco babaçu.

Cartografia do cuidado e partilha de vivências

As oficinas também foram espaços de escuta, acolhimento e troca de experiências entre as regionais. As participantes compartilharam desafios enfrentados no cotidiano e realizaram um exercício de cartografia do cuidado — um mapeamento afetivo das práticas já existentes que expressam o cuidado, a solidariedade e o apoio mútuo entre as quebradeiras.

Para Maria de Fátima, coordenadora executiva da Regional Mearim/Cocais, a oficina fortaleceu os laços internos e reafirmou o sentido do cuidado como prática política:

“Essa oficina foi um momento de muita reflexão e aprendizado. Quando falamos de cuidado e autocuidado, estamos falando de fortalecer nossa caminhada enquanto movimento, porque não há luta sem corpo e sem afeto. Precisamos nos cuidar para continuar firmes, juntas, na defesa dos nossos direitos e dos babaçuais.”

Vitória Balbina, coordenadora executiva da Regional Baixada, destacou a importância do plano como instrumento de transformação coletiva:

“O plano é um passo importante para que as regionais avancem na prática do cuidado. O autocuidado é essencial, mas ele só é possível quando vem acompanhado do cuidado coletivo, da escuta e do apoio mútuo entre as companheiras. Essa oficina nos ajudou a olhar pra dentro e fortalecer nossos vínculos.”

Cuidado como força de resistência

Nas etapas seguintes, realizadas em Itaguatins (TO), participaram representantes das Regionais Tocantins, Pará e Imperatriz (MA). O encontro reforçou o valor do cuidado como forma de resistência e fortalecimento do movimento.

Para Lusenir dos Santos, coordenadora de base do MIQCB e diretora da CIMQCB – Cooperativa Interestadual de Mulheres Quebradeiras de Coco Babaçu, “foram dois dias de oficinas que abordaram o cuidado com si e com o próximo também. Podemos ver que o cuidado com você mesma se dá muito quando você consegue se cuidar e também dar suporte para outras pessoas se cuidarem e ficarem bem.”

A quebradeira de coco e coordenadora de base da Regional Pará, Maria de Fátima, ressaltou o caráter transformador das oficinas:

“Foi uma experiência muito boa nesses dois dias, um aprendizado para podermos ouvir e ser ouvidas. É uma construção muito interessante e muito importante para o movimento.”

Francisca Pereira, coordenadora de base da Regional Tocantins, destacou a importância prática da atividade:

“Estávamos precisando dessa oficina para repensar nossas rotinas. Muitas vezes, a gente não se dá tempo para descansar e se cuidar. Essa oficina abriu nossos olhos para isso: que cuidar da gente é também cuidar das nossas companheiras e da nossa luta.”

Um movimento que cuida e resiste

Os encontros foram marcados por escuta sensível, trocas afetivas e fortalecimento das práticas de autocuidado, reafirmando que o cuidado coletivo é também uma forma de resistência — uma força que mantém viva a luta e a união das quebradeiras de coco babaçu em defesa de seus territórios, de suas vidas e de seus modos de existir.

As atividades são uma realização do MIQCB, com apoio do Fundo ELAS, por meio do projeto “Mulheres e Justiça Ambiental 2025”.

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