Seminário reuniu lideranças, mulheres idosas e juventude em Esperantina (TO) e resultou em carta pública por dignidade, mobilidade e reconhecimento

No dia 26 de março de 2026, a Vila Tocantins, no município de Esperantina (TO), se tornou ponto de encontro de saberes, memórias e reivindicações. Reunidas em um seminário sobre intergeracionalidade com ênfase na velhice, mulheres quebradeiras de coco babaçu, lideranças comunitárias, agricultores familiares e jovens fortaleceram um diálogo urgente sobre direitos e dignidade na região do Bico do Papagaio.
A atividade, organizada pelo Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB), em parceria com a Cooperativa COAF-Bico e o Sindicato Regional dos Trabalhadores Rurais (SRTR), aconteceu junto ao encontro “Quebradeiras de Coco de Babaçu unidas pela vida e pelo bem viver: Feminicídio Nunca Mais!”. O espaço destacou o papel das mulheres idosas como guardiãs de saberes ancestrais e protagonistas históricas da luta por território e direitos.
Durante o seminário, as participantes reafirmaram a importância da troca entre gerações como base para a continuidade da cultura e da resistência dos povos agroextrativistas. “São as mais velhas que sustentam nossa memória e nossa luta. Sem elas, não há caminho”, sintetiza o espírito do encontro.
Como resultado das discussões, os movimentos divulgaram uma carta pública denunciando violações de direitos e apresentando reivindicações ao poder público. Entre os principais pontos está a dificuldade de acesso à gratuidade no transporte interestadual e intermunicipal, direito frequentemente negado às pessoas idosas e também à juventude beneficiária do ID Jovem.
Segundo os movimentos, essa barreira compromete o acesso a serviços básicos, dificulta a mobilidade e reforça o isolamento social, especialmente em territórios rurais. “A falta de respeito a esses direitos impede a plena cidadania e agrava desigualdades históricas na região”, aponta o documento.
A carta também destaca a necessidade urgente de ampliação de políticas públicas voltadas à população idosa. Os movimentos chamam atenção para o papel econômico das aposentadorias nos pequenos municípios, que movimentam o comércio local e sustentam famílias inteiras. Para eles, esse impacto deveria ser reconhecido pelo Estado com investimentos concretos em saúde, assistência social, mobilidade e qualidade de vida.
Mais do que uma denúncia, o documento é um posicionamento político coletivo. As organizações reafirmam que a dignidade das pessoas idosas não pode ser tratada como favor, mas como um direito garantido. Também reforçam a centralidade das mulheres quebradeiras de coco babaçu na construção de alternativas baseadas no bem viver, na justiça social e na preservação dos territórios.
Ao final, a carta convoca a sociedade e o poder público a reconhecerem as vozes desses sujeitos históricos e a se comprometerem com mudanças estruturais. “Seguiremos firmes, tecendo redes de solidariedade e resistência”, afirmam.
A publicação da carta marca mais um capítulo na trajetória de luta do MIQCB e das organizações do Bico do Papagaio, que seguem articuladas para garantir direitos, visibilidade e respeito às populações tradicionais da região.

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