
Cerca de 60 mulheres de cinco territórios participaram do Encontro Territorial de Quebradeiras de Coco Babaçu, realizado no dia 16 de janeiro na Câmara Municipal de Esperantina/Piauí, reafirmando o protagonismo das mulheres extrativistas na defesa do clima, dos territórios e dos direitos coletivos em um contexto de crise climática e disputas políticas globais.

O Encontro Territorial de Quebradeiras de Coco Babaçu: “Saberes ancestrais em tempos de mudanças climáticas” reuniu, recentemente, cerca de 60 mulheres quebradeiras de coco babaçu dos territórios situados nos municípios de Esperantina, São João do Arraial, Joca Marques, Luzilândia e Morro do Chapéu, no estado do Piauí. A atividade foi uma iniciativa da Associação de Mulheres Quebradeiras de Coco Babaçu (AMTCOB), com o apoio do Fundo Brasil, em parceria com o Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB).
O encontro teve como objetivo fortalecer a organização de base, valorizar os saberes tradicionais das quebradeiras e aprofundar o debate sobre os impactos das mudanças climáticas nos territórios tradicionais, reafirmando o papel político das mulheres extrativistas na construção de soluções climáticas justas e enraizadas nos territórios.
Quebradeiras, clima e território no centro do debate político global

Em um cenário marcado pelas negociações internacionais sobre clima, como a COP, a Cúpula dos Povos e os espaços de incidência política das comunidades tradicionais, as quebradeiras de coco babaçu seguem afirmando que não há solução para a crise climática sem os povos dos territórios. As experiências locais, os modos de vida sustentáveis e o uso coletivo do babaçu colocam essas mulheres como guardiãs da sociobiodiversidade e agentes centrais na defesa do clima.
O MIQCB tem reforçado, nesses espaços, que políticas climáticas precisam dialogar com os territórios, garantir financiamento direto às comunidades e reconhecer o papel histórico das mulheres na preservação das florestas e dos bens comuns.
Saberes ancestrais como resposta às mudanças climáticas
Durante o encontro, as quebradeiras compartilharam experiências sobre o manejo do babaçu, os impactos das mudanças climáticas em seus territórios e as estratégias coletivas de resistência e adaptação. A atividade também fortaleceu a troca de saberes entre diferentes comunidades, reafirmando o conhecimento tradicional como base para a justiça climática.

Para Marinalda Rodrigues, coordenadora executiva do MIQCB Regional Piauí, o encontro reafirma o papel político das quebradeiras no enfrentamento da crise climática.
“As quebradeiras de coco babaçu sempre cuidaram da floresta e do território. Hoje, quando o mundo discute mudanças climáticas, é fundamental que nossas vozes estejam no centro desse debate, porque nossas práticas são soluções reais para o clima”, destacou.
Organização de base e fortalecimento das mulheres quebradeiras
O encontro também foi um espaço de fortalecimento organizativo e político das mulheres, reafirmando a importância da atuação coletiva nos territórios. A AMTCOB, como organização de base, tem desempenhado papel estratégico na mobilização das quebradeiras e na defesa de seus direitos.

A presidenta da AMTCOB, Helena Gomes, ressaltou a importância da parceria com o MIQCB e do apoio institucional para a realização da atividade.
“Esse encontro é fruto da nossa organização enquanto mulheres quebradeiras. Com o apoio do Fundo Brasil e em parceria com o MIQCB, seguimos fortalecendo nossas lutas e garantindo que nossas pautas sejam respeitadas”, afirmou.
Atuação do MIQCB no fortalecimento territorial
O MIQCB contribuiu diretamente com a articulação política, a formação e o fortalecimento das lideranças locais, reafirmando seu compromisso histórico com a defesa dos territórios tradicionais e dos direitos das quebradeiras de coco babaçu.

Segundo Klésia Lima, coordenadora de base do MIQCB Regional Piauí, o encontro reafirma a importância da atuação nos territórios.
“É no território que a luta acontece. Fortalecer as mulheres quebradeiras é fortalecer a defesa do babaçu, da terra e da vida”, pontuou.
A quebradeira e coordenadora de base do MIQCB, regional Piauí, Maria de Jesus (Janete) também destacou a importância do encontro para a continuidade da luta coletiva.
“A gente aprende, troca experiência e sai mais fortalecida para defender nosso território e o babaçu”, disse.
Pautas políticas das quebradeiras: clima, direitos e enfrentamento às violências
Durante o encontro, foram reafirmadas pautas históricas do MIQCB, como a defesa da Lei do Babaçu Livre, o acesso e a regularização dos territórios tradicionais, o enfrentamento às diversas formas de violência contra as mulheres e a luta por financiamento direto para iniciativas de base lideradas por mulheres.
Essas pautas dialogam diretamente com o debate climático global e reforçam que justiça climática só é possível com justiça social, territorial e de gênero.
Articulação institucional e presença das quebradeiras em espaços públicos de formação
Como desdobramento das articulações territoriais e do fortalecimento das mulheres quebradeiras no Piauí, as quebradeiras de coco babaçu também participam de agendas institucionais estratégicas no município de Esperantina. No dia 23 de janeiro de 2026, às 14h30, será realizada a Aula Inaugural do Curso de Microempreendedor Individual do Programa Mulheres Mil, do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Piauí (IFPI) – Campus Esperantina, juntamente com o Lançamento das Olimpíadas do Conhecimento do IFPI.
A atividade acontecerá na Escola Municipal Meire Fernandes, localizada no bairro Vila da Paz, em Esperantina (PI), e contará com a presença do Magnífico Reitor do IFPI, Paulo Borges da Cunha, do vice-governador do Estado do Piauí, Themistocles Filho, da prefeita de Esperantina, Ivanária Sampaio, e do diretor-geral do Campus Esperantina do IFPI, José dos Santos Moura.
A participação das quebradeiras nesses espaços reafirma a importância da inclusão das mulheres extrativistas nas políticas de educação, geração de renda e fortalecimento da autonomia econômica, dialogando diretamente com as pautas defendidas pelo MIQCB: justiça social, territorial, climática e de gênero.
Babaçu é clima: o posicionamento político do MIQCB
Ao final do encontro, o MIQCB reafirmou seu posicionamento político em defesa da justiça climática, dos territórios tradicionais e do protagonismo das mulheres quebradeiras de coco babaçu. O movimento segue incidindo nos espaços locais, nacionais e internacionais para que as vozes das quebradeiras sejam ouvidas e respeitadas.
O MIQCB reforça que não existe solução climática sem território, sem direitos e sem as mulheres.
Babaçu é clima.












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