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Quebradeiras de coco babaçu fortalecem a defesa dos territórios com geotecnologias em formação do MIQCB no Maranhão

Nos dias 03 e 04 de fevereiro, quebradeiras de coco babaçu das regionais Imperatriz, Baixada Maranhense e Mearim Cocais participaram de uma oficina de geotecnologias e uso de drones promovida pelo MIQCB, em parceria com Cosultoria Ambiental HabitatGeo, no Quilombo Camaputiua, no Maranhão. A atividade reuniu lideranças, coordenadoras de base, juventude e assessoria técnica com o objetivo de fortalecer o monitoramento territorial, a produção de denúncias e a defesa dos babaçuais frente ao avanço das derrubadas, do uso de agrotóxicos e das violências nos territórios tradicionais.

A formação acontece em um cenário de aprofundamento dos conflitos socioambientais nos territórios das quebradeiras de coco, marcado pela expansão do agronegócio, pela pulverização aérea de venenos, pelo cercamento ilegal das áreas comuns e pela derrubada sistemática das palmeiras de babaçu. Diante desse contexto, o MIQCB reafirma a centralidade da Lei do Babaçu Livre, a defesa dos territórios tradicionais, o enfrentamento às violências e a luta por justiça climática, com protagonismo das mulheres quebradeiras de coco babaçu.

OFICINA DE DRONES E GEOTECNOLOGIAS PARA O MONITORAMENTO TERRITORIAL

A oficina combinou atividades teóricas e práticas sobre o uso de drones, GPS, smartphones e ferramentas de mapeamento participativo. As participantes aprenderam a registrar áreas de derrubada, queimadas, pulverização de agrotóxicos, cursos d’água e conflitos territoriais, além de construir formulários comunitários para sistematizar informações sobre violências e avanços nos territórios.

A atividade contou com a participação de quebradeiras de coco, coordenadoras de base e jovens das regionais Imperatriz, Baixada Maranhense e Mearim Cocais. O MIQCB foi responsável pela articulação política da formação, garantindo que a tecnologia estivesse a serviço da luta histórica das quebradeiras, fortalecendo a autonomia das comunidades e a defesa dos babaçuais.

“Essa oficina de drone para mim está sendo bastante importante, já que a gente está muito focado em fazer denúncias nos nossos territórios. A gente vai ter um fortalecimento muito grande aprendendo a mexer no drone. Isso também vai fortalecer a Lei do Babaçu Livre, porque vamos ter um respaldo maior com imagens para denunciar de uma forma que não nos deixa tão expostas”, afirma Mari José, coordenadora executiva da Regional Imperatriz e secretária de juventude do MIQCB.

JUVENTUDE, SABERES TRADICIONAIS E TECNOLOGIA

A formação também evidenciou o papel estratégico da juventude no fortalecimento da luta das quebradeiras, aliando saberes tradicionais e novas tecnologias para a proteção dos territórios.

“É uma satisfação enorme ver as comunidades se apropriando das ferramentas de geotecnologias para reivindicar seus direitos, monitorar seus territórios e proteger sua cultura e modo de vida. Ver quebradeiras de coco babaçu mapeando seus territórios e utilizando drones é construir uma outra política possível”, destaca Daniel Del Rey, geógrafo e representante do Habitatigel, consultoria ambiental parceira da atividade.

COMUNICAÇÃO, DENÚNCIA E VISIBILIDADE DOS TERRITÓRIOS

Outro eixo central da oficina foi o fortalecimento da comunicação comunitária e da capacidade de diálogo com órgãos públicos e autoridades.

“Essa oficina foi maravilhosa porque nos trouxe um conhecimento além do que esperávamos. Aqui no território temos muita dificuldade de comunicação, e agora vamos poder nos comunicar com as autoridades. Temos muitos jovens envolvidos e isso vai dar um grande fortalecimento para o território”, relata Maria Natividade, coordenadora de base do MIQCB, do Quilombo Camaputiua, no município de Cajari.

ENFRENTAMENTO ÀS DERRUBADAS, AOS AGROTÓXICOS E ÀS VIOLÊNCIAS

As discussões abordaram diretamente os impactos da derrubada de palmeiras, do envenenamento das águas, das roças e dos alimentos, além do racismo ambiental vivido pelas comunidades.

“Esse drone vem para nos fortificar muito mais. A gente vai poder captar imagens de longe e ter provas para denunciar a derrubada, o envenenamento das palmeiras, das águas e das nossas roças. Nós queremos o drone para proteger nossos babaçuais, porque se não tiver babaçu, não tem quebradeira”, afirma Auréa Maria, coordenadora de base da Regional Mearim Cocais, de Codó.

AUTONOMIA, TERRITÓRIO E JUSTIÇA CLIMÁTICA

Para a juventude, a oficina reforçou o compromisso com a defesa dos territórios e a continuidade da luta das quebradeiras.

“Esse curso superou todas as expectativas. Vai ajudar minha comunidade a monitorar derrubadas, cercas e o uso de agrotóxicos. É um aprendizado que a gente leva para fortalecer o território”, relata Felipe Hollander, jovem da comunidade Primeiro Cocá, da Regional Imperatriz.

“O curso vai fortalecer não só a minha comunidade, mas todas ao redor. A gente aprende a mapear queimadas, desmatamentos, rios e violências. Isso é muito importante para enfrentar o racismo ambiental que vivemos”, afirma Livanda, quebradeira de coco da comunidade Santana, no município de Matões do Norte.

O MIQCB reafirma que a apropriação das geotecnologias pelas quebradeiras de coco babaçu é parte de uma estratégia política de enfrentamento às injustiças socioambientais, fortalecendo a autonomia das comunidades, a defesa dos territórios tradicionais e o protagonismo das mulheres na luta por justiça climática.

Sem território não há vida, sem babaçu não há quebradeira. Seguimos em luta pela preservação dos babaçuais, pela efetivação da Lei do Babaçu Livre e pelo direito de existir nos nossos territórios.

Babaçu Livre!

Confira algumas imagens, resultado da oficina:

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