
Encerramento reafirma protagonismo das mulheres, defesa dos territórios e a luta pelo Babaçu Livre
Quebradeiras de Coco Babaçu de diferentes territórios de atuação do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB), participaram do encerramento do Curso de Formação em Governança e Direitos Territoriais, que ocorreu nessa sexta (23), em São Luís/MA, realizado como parte da estratégia política de fortalecimento das mulheres extrativistas. A formação reuniu lideranças dos regionais do Maranhão, Piauí, Pará e Tocantins e teve como objetivo ampliar a participação política das quebradeiras, fortalecer a defesa dos territórios tradicionais e aprofundar o debate sobre direitos, sociobiodiversidade e justiça climática.
Governança territorial e direitos das quebradeiras
O curso integra a agenda política do MIQCB voltada à construção de uma governança territorial protagonizada pelas mulheres quebradeiras de coco babaçu. Em um contexto marcado pelo avanço da grilagem de terras, do desmatamento e da violação de direitos, a formação reafirma o papel central das quebradeiras na proteção dos territórios, na defesa da sociobiodiversidade e na construção de alternativas sustentáveis baseadas no extrativismo do babaçu.

Para Cledeneuza Bizerra, coordenadora executiva do MIQCB Regional Pará, o fortalecimento da governança territorial está diretamente ligado à autonomia das mulheres quebradeiras.
“A governança territorial que defendemos nasce da organização das quebradeiras e do respeito aos nossos modos de vida. Defender o território é defender o babaçu, a sociobiodiversidade e o direito das mulheres de decidir sobre o presente e o futuro das nossas comunidades.”
A iniciativa fortalece a incidência política do MIQCB em pautas estratégicas como a Lei do Babaçu Livre, a regularização fundiária, o financiamento direto para organizações de base e o reconhecimento do trabalho das mulheres como eixo fundamental da justiça climática.
Formação política como instrumento de autonomia
Durante o curso, as participantes debateram temas como direitos territoriais, políticas públicas, governança comunitária, organização social e estratégias de enfrentamento às violações nos territórios. As atividades incluíram rodas de conversa, análises de conjuntura e trocas de experiências entre os regionais do MIQCB.

Para Maria José, coordenadora executiva do MIQCB Regional Imperatriz, a formação fortalece a luta histórica das quebradeiras.
“Esse curso reafirma que as quebradeiras de coco não são apenas guardiãs do babaçu, mas também construtoras de propostas políticas. A governança territorial passa pelo nosso protagonismo, pelo direito de decidir sobre nossos territórios e nossos modos de vida.”
Lei Babaçu Livre e regularização fundiária
Um dos eixos centrais da formação foi o debate sobre a Lei do Babaçu Livre, instrumento essencial para garantir o acesso livre aos babaçuais e enfrentar as cercas impostas pelo latifúndio. As participantes também aprofundaram a discussão sobre a regularização fundiária como condição indispensável para a permanência das quebradeiras em seus territórios.

Segundo Klésia Lima, Coordenadora de Base do MIQCB Regional Piauí, o curso fortalece a organização coletiva das quebradeiras.
“A gente sai dessa formação mais preparada para defender nossos direitos. A Lei Babaçu Livre e a regularização fundiária não são favores, são direitos históricos das quebradeiras. Formação é arma política para garantir nosso território.”
Financiamento direto e fortalecimento das organizações de mulheres

Outro ponto central foi a necessidade de financiamento direto para organizações de base, reconhecendo que as quebradeiras produzem alimentos, preservam o meio ambiente e sustentam a sociobiodiversidade, mas seguem enfrentando dificuldades de acesso a recursos.
O curso reforçou que o fortalecimento financeiro das organizações de mulheres é fundamental para garantir autonomia, ampliar a incidência política e sustentar ações contínuas nos territórios.
Participação política das mulheres quebradeiras
A participação política das mulheres foi tratada como eixo transversal da formação. As quebradeiras reafirmaram a importância de ocupar espaços de decisão, conselhos, fóruns e instâncias políticas como parte da luta por direitos territoriais e justiça social.

Para Silvana Paixão, Coordenadora de Base do MIQCB Regional Tocantins, a formação amplia a consciência política das mulheres.
“A formação nos fortalece para ocupar os espaços e falar por nós mesmas. As quebradeiras têm voz, têm proposta e têm história. A participação política das mulheres é essencial para defender o território e o babaçu.”
Encerramento: justiça climática, protagonismo das mulheres e Babaçu Livre

O encerramento do Curso de Formação em Governança e Direitos Territoriais, ocorreu com uma visita a sede do INCRA no Maranhão, onde as mulheres puderam conhecer o espaço físico do Instituto, essa iniciativa, reafirmou o compromisso do MIQCB com a justiça climática, o protagonismo das mulheres quebradeiras e a defesa incondicional dos territórios tradicionais. Em um cenário de crise ambiental e social, as quebradeiras de coco babaçu seguem na linha de frente da proteção da sociobiodiversidade e da construção de um modelo de desenvolvimento justo e sustentável.
O MIQCB reafirma: sem as mulheres quebradeiras de coco Babaçu não há território, não há babaçu e não há justiça climática.
Babaçu Livre!











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