11/02/2026 3:47 pm

Quebradeiras de Coco Babaçu fortalecem defesa dos territórios com oficina de geotecnologias e uso de drones no Piauí

Em mais uma agenda estratégica de formação política e técnica, o MIQCB realizou, nos dias 09 e 10, uma oficina de geotecnologias voltada ao fortalecimento da defesa territorial, reunindo lideranças, juventudes e integrantes das redes de defensoras e comunicadoras do movimento. A atividade aconteceu em território de quebradeiras de coco no Piauí, Santa Rosa e integra uma agenda formativa que já passou pela Baixada Maranhense e seguirá por outras regionais.

A iniciativa tem como objetivo ampliar a autonomia das mulheres e juventudes no monitoramento dos babaçuais, utilizando ferramentas como drones, formulários digitais e estratégias de comunicação para proteção das florestas, enfrentamento a conflitos socioambientais e fortalecimento da Lei Babaçu Livre.

A ação está inserida na estratégia política do MIQCB de defesa dos territórios tradicionais, promoção da regularização fundiária, fortalecimento da sociobiodiversidade e ampliação da participação política das mulheres nos processos de tomada de decisão.

Geotecnologias a serviço da defesa dos babaçuais

A oficina integra o segundo ciclo presencial de formação em geotecnologias nos territórios de quebradeiras de coco, fortalecendo uma agenda que articula tecnologia, comunicação popular e mobilização social.

Para Marinalda Rodrigues, coordenadora executiva do MIQCB Regional Piauí, a formação representa um avanço concreto na proteção dos territórios.

“Para nós, como MIQCB, é muito importante que a gente realize esses cursos, porque nos dão instrumentos para monitorar os nossos territórios. Em vez das famílias estarem se expondo, em locais de desmatamento, queimadas, plantações de larga escala e esse curso de drone é fundamental para nós, para poder fazer o monitoramento. A gente vê de longe o que está acontecendo dentro dos territórios, se está acontecendo desmatamento, queimada ou alguma coisa irregular. Com o drone, a gente pode ir sem que as pessoas nos vejam.”

O uso dessas ferramentas fortalece a implementação e fiscalização da Lei Babaçu Livre, seja em âmbito estadual ou municipal e contribui para territórios que ainda lutam pela sua aprovação.

Tecnologia, autonomia e nova política territorial

A oficina conta com a parceria da Habitat Geo, que vem contribuindo com a formação técnica e o diálogo entre conhecimento científico e saberes tradicionais.

Daniel Del Rei, geógrafo da Habitat Geo, destacou a importância da apropriação tecnológica pelas próprias comunidades:

“É uma grande honra para a gente poder participar desse processo de ganho de autonomia, essa troca de saberes na defesa dos territórios, na valorização da cultura das quebradeiras de coco, se apropriando das geotecnologias em defesa do seu território. Nunca antes tivemos tantas condições técnicas para fazer uma outra política. Cabe a nós tomar isso para construir uma nova forma de ver o território e defender nossos direitos.”

Segundo ele, o processo fortalece a autonomia das mulheres ao permitir que elas mesmas realizem mapeamentos, registrem denúncias e valorizem seus modos de vida.

Juventude em rede pela proteção do território

A formação também fortalece a Rede de Defensoras e a Rede de Comunicadores do MIQCB, ampliando a participação política das juventudes na luta territorial.

Carla Pinheiro, assessora de Juventude do MIQCB, reforçou a importância estratégica da formação:

“Esse é o segundo encontro presencial nos territórios de quebradeiras de coco. Passamos na semana passada pela Baixada Maranhense, pensando a importância do uso de geotecnologias como ferramentas para proteção e defesa das florestas de babaçu. Agora estamos aqui no território e seguimos para outra regional, fortalecendo, a partir do drone, da comunicação, de questionários e formulários, a defesa das florestas. É mais um fortalecimento dessa rede de defensores e comunicadores que atua na manutenção dos babaçuais e na qualificação de juventudes, quebradeiras e lideranças.”

A juventude tem assumido papel central na construção dessa nova etapa organizativa do movimento, aliando tradição e inovação na defesa da sociobiodiversidade.

Experiência prática e protagonismo jovem

Para Cassandra Santos, jovem da Rede de Defensoras e Comunicadoras do MIQCB, a experiência com o drone foi transformadora:

“Hoje a experiência foi com o drone, é uma experiência incrível e que vai ajudar bastante no movimento. Eu não conhecia o drone e na oficina tive a oportunidade de subir, de ajudar a movimentar o drone. Foi uma experiência incrível mesmo.”

Franciane Silva, da AMTCOB, também destacou o impacto direto da formação na segurança das lideranças:

“Hoje estamos aqui no curso de drone e nesse curso podemos aprender como monitorar e cuidar do nosso território com mais privacidade, para não correr tanto risco enquanto fazemos denúncias de queimadas, derrubadas e pulverização de veneno.”

Defesa territorial, justiça climática e Babaçu Livre

A formação em geotecnologias reforça a estratégia política do MIQCB de garantir a regularização fundiária, consolidar a Lei Babaçu Livre, ampliar a participação política das mulheres e fortalecer a defesa dos territórios tradicionais frente às ameaças do agronegócio, das queimadas e da pulverização de veneno.

Ao se apropriarem das tecnologias para monitorar e proteger os babaçuais, as quebradeiras de coco reafirmam seu protagonismo na construção de alternativas baseadas na sociobiodiversidade e na justiça climática.

Mais do que aprender a operar drones, as mulheres e juventudes estão fortalecendo uma rede coletiva de proteção territorial. Uma rede que defende a floresta em pé, garante direitos e reafirma, na prática, que não há futuro sustentável sem o protagonismo das mulheres e sem Babaçu Livre.

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