15/05/2026 9:35 pm

Quebradeiras de Coco Babaçu fortalecem defesa dos territórios tradicionais durante III Módulo do Curso de Formação em Governança e Direitos Territoriais em Esperantina (PI)

Entre os dias 12 e 15 de maio de 2026, o Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB) realizou o III Módulo do Curso de Formação em Governança e Direitos Territoriais das Quebradeiras de Coco Babaçu, reunindo lideranças, jovens comunicadores, educandas e educadores dos regionais do Piauí, Maranhão, Tocantins e Pará, em Esperantina, no Piauí. A atividade integrou o processo formativo voltado ao fortalecimento da luta pela regularização fundiária, defesa dos territórios tradicionais, proteção da sociobiodiversidade e garantia do Babaçu Livre nos estados de atuação do movimento.

Com carga horária de 32 horas no formato tempo-escola, o módulo aconteceu em Esperantina/PI, sob coordenação de Renata Cordeiro, Carla Pinheiro e da Comissão de Educação do MIQCB. O curso articulou estudos políticos, intercâmbios em territórios tradicionais, rodas de conversa, atividades culturais e construção coletiva de estratégias de incidência política em defesa dos direitos das quebradeiras de coco babaçu.

Formação política e fortalecimento da luta territorial

A programação teve início no dia 12 de maio, com acolhida e mística conduzidas pelo Regional Piauí, reafirmando a identidade coletiva das quebradeiras de coco babaçu e a valorização dos territórios tradicionais. Ao longo do primeiro dia, educandos e educandas compartilharam experiências desenvolvidas no tempo-comunidade, apresentando mapas, diagnósticos e relatos sobre as realidades vividas em seus regionais.

Os debates abordaram temas centrais para o movimento, como livre acesso aos babaçuais, impactos do REDD+, governança territorial e organização comunitária. As atividades também promoveram reflexões sobre as ameaças enfrentadas pelas comunidades tradicionais diante da grilagem, do avanço do agronegócio e das restrições de acesso aos territórios e aos babaçuais.

Para Marinalda Rodrigues, coordenadora executiva do MIQCB Regional Piauí, o processo formativo fortalece a atuação política das mulheres quebradeiras.

“Esse curso reafirma a força da nossa organização e da nossa luta coletiva. As quebradeiras seguem defendendo os territórios tradicionais, o livre acesso aos babaçuais e o direito das mulheres de participarem das decisões políticas sobre seus territórios e seus modos de vida”, destacou Marinalda Rodrigues, coordenadora executiva do MIQCB Regional Piauí.

Estudos sobre regularização fundiária e direitos territoriais

No segundo dia do módulo, os debates aprofundaram os estudos sobre modalidades de titulação e reconhecimento de territórios tradicionais, incluindo assentamentos, reservas extrativistas, quilombos, florestas públicas e posse tradicional. As educandas e educandos participaram de grupos de trabalho e análises sobre instrumentos legais relacionados à regularização fundiária nos estados do Piauí e Maranhão.

A programação também incluiu estudos sobre a minuta de decreto de titulação de territórios tradicionais de quebradeiras de coco babaçu, fortalecendo a compreensão política e jurídica das lideranças sobre os processos de reconhecimento territorial.

Maria José, coordenadora executiva do MIQCB Regional Imperatriz, ressaltou a importância da formação para fortalecer a autonomia das comunidades.

“Quando as quebradeiras compreendem seus direitos e conhecem os instrumentos legais, elas fortalecem a luta nos territórios. A regularização fundiária é fundamental para garantir a permanência das famílias, proteger os babaçuais e assegurar dignidade para as futuras gerações”, afirmou Maria José, coordenadora executiva do MIQCB Regional Imperatriz.

Intercâmbio nos territórios tradicionais fortalece memória e resistência

Nos dias 14 e 15 de maio, a programação aconteceu nos territórios tradicionais Santa Rosa e Vila Esperança, onde as lideranças locais compartilharam suas trajetórias de resistência, organização comunitária e conquista da titulação territorial.

Durante as visitas, as quebradeiras discutiram temas como memória das lutas, livre acesso aos babaçuais, desafios enfrentados após a titulação e o papel das mulheres na organização política dos territórios. As atividades também evidenciaram os impactos positivos da regularização fundiária na preservação ambiental e no fortalecimento da sociobiodiversidade.

Flaviane Cutrim, do Regional Baixada, destacou o significado político do intercâmbio entre os territórios.

“Quando a gente visita um território tradicional titulado, a gente entende que a luta vale a pena. Cada conquista fortalece outras mulheres e mostra que os territórios tradicionais são espaços de vida, produção, resistência e cuidado com a natureza”, ressaltou Flaviane Cutrim, do Regional Baixada.

As visitas também marcaram a celebração dos quatro anos de titulação do Território Tradicional Vila Esperança, referência na luta das quebradeiras de coco babaçu no Piauí.

Juventude e comunicação popular fortalecem incidência do MIQCB

A participação da juventude organizada na Rede de Defensores e Comunicadores do MIQCB também marcou o III módulo do curso. Jovens comunicadores acompanharam as atividades produzindo registros, entrevistas, fotografias e conteúdos de comunicação popular sobre a luta das quebradeiras.

Jackson, jovem comunicador da Rede de Defensores e Comunicadores do MIQCB, do Regional Pará, destacou a importância da comunicação para fortalecer a visibilidade das lutas territoriais.

“A comunicação popular é uma ferramenta de resistência. Registrar a história das quebradeiras e mostrar a luta pelos territórios tradicionais ajuda a fortalecer nossa identidade e ampliar a defesa do Babaçu Livre”, afirmou Jackson, jovem comunicador da Rede de Defensores e Comunicadores do MIQCB, do Regional Pará.

Mulheres quebradeiras reafirmam defesa do Babaçu Livre e da justiça climática

O encerramento do módulo contou com roda de conversa sobre os intercâmbios nos territórios e a construção coletiva da Carta das Quebradeiras de Coco em Defesa dos Territórios Tradicionais.

As discussões reafirmaram pautas estratégicas do MIQCB, como a implementação da Lei Babaçu Livre, o fortalecimento da regularização fundiária, a participação política das mulheres e a defesa da sociobiodiversidade diante das mudanças climáticas.

Maria Silvania, coordenadora de base do MIQCB Regional Tocantins, ressaltou que a luta das quebradeiras está diretamente ligada à justiça climática e à preservação ambiental.

“As quebradeiras de coco babaçu protegem os territórios, preservam os babaçuais e mantêm viva uma relação de cuidado com a natureza. Defender os nossos territórios é também defender justiça climática, alimento saudável e vida para os nossos povos”, destacou Maria Silvania, coordenadora de base do MIQCB Regional Tocantins.

Ao final do III Módulo, o MIQCB reafirmou seu compromisso com uma educação contextualizada, construída a partir das realidades dos territórios tradicionais, fortalecendo o protagonismo das mulheres quebradeiras de coco babaçu na defesa de seus direitos, da sociobiodiversidade e do Babaçu Livre.

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