Atividade reuniu cerca de 250 estudantes em Pedro do Rosário e destacou o papel das mulheres quebradeiras na defesa do babaçu, na valorização da alimentação tradicional e na luta contra o feminicídio

Em alusão ao Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, estudantes do 6º ao 9º ano da Unidade Mais Integral (UMI) Raquima Martins participaram de uma atividade formativa que colocou no centro do debate o modo de vida das quebradeiras de coco babaçu, a defesa do território e o enfrentamento ao feminicídio.
A ação reuniu cerca de 250 alunos e contou também com a presença de coordenadores técnicos da Secretaria Municipal de Educação (SEMED), fortalecendo o vínculo entre educação, cultura e saberes tradicionais.
Promovida pelo Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB) e pela Cooperativa Interestadual das Mulheres Quebradeiras de Coco Babaçu (CIMQCB), a atividade integrou uma agenda mais ampla de mobilização das mulheres extrativistas, com o tema “Pela vida, pelo território e pelo bem viver: feminicídio nunca mais”.
Durante o encontro, as quebradeiras de coco dialogaram com os estudantes sobre o cotidiano nos babaçuais, destacando a importância de manter a floresta em pé como forma de garantir sustento, cultura e equilíbrio ambiental. A conversa também abordou os diversos usos do coco babaçu, desde a produção de alimentos até a geração de renda para as famílias.
Um dos pontos centrais foi a valorização dos subprodutos do babaçu na alimentação escolar. As quebradeiras ressaltaram que a inclusão desses alimentos nas merendas é um direito garantido por lei, além de representar um avanço na promoção de uma alimentação saudável, regionalizada e conectada ao território.
Um dos pontos centrais foi a valorização dos subprodutos do babaçu na alimentação escolar. As participantes ressaltaram que a inclusão desses alimentos no Programa Nacional de Alimentação Escolar – PNAE é um direito garantido em lei (nº 11.947/2009), além de representar um avanço na promoção de uma alimentação saudável, regionalizada e conectada ao território.
A tesoureira da CIMQCB, Rosenilde Gregória, chamou atenção para a potência do babaçu como alimento tradicional.
“O único produto que é possível tirar da natureza e substituir o leite materno é o coco babaçu, a partir de quando ele já está virando amêndoa.”
A fala despertou curiosidade entre os estudantes e abriu espaço para a degustação de alimentos preparados com o mesocarpo do babaçu, como mingau, bolo e biscoitos, todos produzidos a partir de saberes tradicionais das comunidades.
Rosenilde também destacou o sentido político e educativo da ação.
“Aqui em Pedro do Rosário, nós estamos fazendo degustação nesta escola maravilhosa. O que essa campanha tem como objetivo? Apresentar o movimento à sociedade e, nesse mesmo instante que a gente está se movimentando e apresentando a nossa organização, nós estamos fazendo degustação dos subprodutos, que são o mingau, o bolo e o biscoito, tudo feito a partir do mesocarpo do babaçu.”
A atividade reforça como o alimento também é uma ferramenta de resistência, educação e afirmação cultural, conectando as novas gerações com os territórios e com os modos de vida das quebradeiras.
A atividade foi conduzida por lideranças do movimento, entre elas Maria Raimunda e Girlane, da Regional Baixada, além de Rosenilde Gregória, tesoureira da CIMQCB. As falas destacaram o protagonismo das mulheres quebradeiras na defesa de seus direitos, na luta contra a violência e na construção de alternativas sustentáveis de vida.
Ao trazer o debate sobre o feminicídio para dentro da escola, a ação buscou sensibilizar os jovens sobre a importância do respeito às mulheres e da construção de uma sociedade mais justa e segura.
Mais do que uma palestra, o encontro se configurou como um espaço de troca de saberes, onde tradição e educação caminharam juntas. Para os estudantes, a experiência ampliou o olhar sobre a realidade das comunidades extrativistas e reforçou a importância da preservação ambiental e da valorização das culturas locais.

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