6/07/2026 11:11 am

Quebradeiras de coco da Baixada Maranhense debatem mudanças na política SociobioMais durante reunião em quilombo de Cajari

Encontro reuniu mulheres no Quilombo São Miguel para esclarecer novas regras do programa federal, que altera a forma de pagamento do benefício e reduz o limite anual recebido pelas extrativistas

As mudanças na política pública SociobioMais, novo nome da antiga Política de Garantia de Preços Mínimos para os Produtos da Sociobiodiversidade (PGPM-Bio), foram tema de uma reunião realizada na manhã desta sexta-feira (4), no Quilombo São Miguel, em Cajari (MA). O encontro reuniu quebradeiras de coco babaçu de diversas comunidades quilombolas da Baixada Maranhense para apresentar as novas regras do programa e discutir os impactos das alterações para as famílias extrativistas da região.

A atividade foi conduzida pela assessora da Regional Baixada, Nataliene, e pela coordenadora de base Maria Natividade, do Quilombo São Miguel. Durante a reunião, as participantes receberam orientações sobre o funcionamento da política e tiraram dúvidas sobre o acesso ao benefício.

A SociobioMais é uma política pública do Governo Federal voltada ao fortalecimento do extrativismo. O programa garante uma complementação de renda às extrativistas quando o valor pago pela amêndoa do babaçu fica abaixo do preço de referência definido pelo governo.

Com a reformulação da política, o benefício passou a ser pago em valor fixo de R$ 2,50 por quilo comercializado, limitado a R$ 2.500 por beneficiária ao ano. Na regra anterior, a subvenção era calculada com base na diferença entre o preço mínimo estabelecido pelo governo e o valor efetivamente recebido pela produtora, podendo alcançar até R$ 4.500 anuais.

Durante o diálogo, as quebradeiras destacaram que, embora a nova metodologia possa beneficiar estados onde a amêndoa do babaçu é comercializada por preços mais elevados, a realidade da Baixada Maranhense é diferente. Na região, onde os valores pagos pela produção estão entre os menores do país, o novo modelo tende a reduzir o alcance da política e o apoio financeiro recebido pelas trabalhadoras.

Outro ponto apresentado foi a mudança nos prazos para entrega da documentação necessária ao acesso ao benefício. A partir de agora, somente serão consideradas as vendas realizadas e registradas entre janeiro e dezembro de cada ano. Nos anos anteriores, era possível protocolar a documentação até fevereiro do ano seguinte.

Além dos esclarecimentos sobre a nova política, a equipe iniciou a coleta das pesagens da produção de coco babaçu das quebradeiras de coco da Regional Baixada. A etapa marca o início do acompanhamento da safra de 2026 e do processo de acesso ao benefício por mais de 450 mulheres acompanhadas pela regional.

O encontro também reforçou a importância da organização das quebradeiras de coco para acompanhar as mudanças nas políticas públicas e defender mecanismos que considerem as diferentes realidades dos territórios extrativistas. Para as participantes, é fundamental que a SociobioMais continue cumprindo seu papel de fortalecer a renda das mulheres que vivem do babaçu, sem ampliar as desigualdades entre as regiões produtoras.

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