
Brasília, 9 de julho de 2025 — A Pré-COP30 das Quebradeiras de Coco Babaçu e dos Povos e Comunidades Tradicionais segue marcando forte presença política e simbólica na capital federal.
Durante a mesa “Vozes pelo Clima: Carta dos Povos e Comunidades Tradicionais ao Estado Brasileiro e às Partes COP30”, lideranças comunitárias e representantes do governo reafirmaram o compromisso com uma transição ecológica justa, com gênero, território e ancestralidade como eixos centrais.
O dia começou com uma quebra coletiva de coco babaçu, reunindo quebradeiras dos estados representados pela cooperativa CIMQCB. A manhã também foi marcada por intervenções culturais de diversos povos tradicionais, que reafirmaram suas identidades e modos de vida como formas de resistência frente às mudanças climáticas e ao racismo ambiental.
Durante a mesa, Ednalva Ribeiro, vice-coordenadora interestadual do MIQCB, destacou:“As quebradeiras de coco babaçu vivem e resistem nos territórios onde o clima já mudou. A COP30 precisa reconhecer esse protagonismo e colocar as mulheres da floresta no centro da discussão.
”Maura Maria Piemonte, do povo cigano Calon, afirmou:“O povo cigano também sofre com os impactos das mudanças climáticas e com o racismo ambiental. É preciso que nossas vozes sejam ouvidas e respeitadas nas decisões.
”Thassio Ferreira, gerente do Fundo Amazônia/BNDES, reforçou o apoio a soluções que nascem nas comunidades:“O Fundo Amazônia está atento às propostas que partem das bases. O protagonismo das quebradeiras e dos povos tradicionais é essencial para pensar uma transição justa e efetiva.”Ele também adiantou que o Fundo tem interesse em seguir apoiando o Fundo Babaçu, com a possibilidade de um novo projeto em parceria com a MIQCB.
Rosa Gregória, vice-presidenta da CIMQCB, reafirmou a autonomia das mulheres que vivem do babaçu:“Nós não queremos só falar, queremos decidir. É das nossas mãos que vem o sustento, a floresta em pé e a sabedoria que o mundo precisa escutar.
”Paulo Teixeira, ministro do Desenvolvimento Agrário, declarou:“Vocês são quem preservam a floresta de pé. O que destrói a floresta aumenta o aquecimento global e leva a desastres. Quero me solidarizar com as mais de trezentas famílias que perderam seus entes nos EUA por eventos climáticos extremos. Vocês preservam o bem-viver. Lutam por uma sociedade diferente, baseada na solidariedade, no comum. É essa sociedade que queremos construir.
”Durante a mesa, foi feito um anúncio estratégico:O Presidente Lula editará um Decreto para a regularização dos Povos e Comunidades Tradicionais (PCTs) — principal pauta da Pré-COP30. Houve um compromisso declarado, marcando uma importante vitória política das representações presentes.
Organizações, coletivos, movimentos e lideranças tradicionais também assinaram a carta política da Pré-COP30, intitulada:“Território é vida, é clima, é resistência: povos e comunidades tradicionais em defesa da justiça climática.
”O documento reúne denúncias, pautas e propostas para a COP30 e será entregue ao governo brasileiro e às delegações internacionais como instrumento de denúncia, proposta e incidência.
Com a força das quebradeiras de coco e de tantos povos que resistem nos territórios, a COP30 se prepara para ser mais do que um evento climático: pode se tornar um marco da justiça ambiental feita com quem cuida da terra, da água e da vida há gerações.











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