Fundo Babaçu prorroga prazo de inscrições dos 11º e 12º Editais de 2026

O Fundo Babaçu informa a prorrogação do prazo para envio de propostas aos 11º e 12º Editais de 2026. Com a alteração, as organizações interessadas terão até às 23h59 do dia 13 de setembro de 2026 para submeter seus projetos.

A prorrogação amplia o período de inscrições, permitindo que mais iniciativas possam organizar e encaminhar suas propostas dentro do prazo estabelecido.

As propostas devem ser enviadas exclusivamente para o e-mail editalfundobabacu@miqcb.org.br. Mais informações sobre os editais podem ser consultadas no site do MIQCB.

O Fundo Babaçu convida as organizações aptas a participar dos editais a aproveitarem o novo prazo e fortalecerem iniciativas voltadas à valorização dos territórios, da sociobiodiversidade e dos modos de vida das quebradeiras de coco babaçu.

LEIA AQUI O COMUNICAÇÃO DO 11º EDITAL

LEIA AQUI O COMUNICAÇÃO DO 12º EDITAL

CARTA DE POSICIONAMENTO PUBLICO E  REPÚDIO AO ASSÉDIO, À LESBOFOBIA E A TODAS AS FORMAS DE VIOLÊNCIA CONTRA AS MULHERES

Nós, Quebradeiras de Coco Babaçu, mulheres organizadas em movimentos sociais do campo, das águas e das florestas, comprometidas com a defesa dos direitos das mulheres, do acesso ao território e do babaçu livre, manifestamos nosso veemente repúdio a toda forma de assédio, violência, intimidação, discriminação, constrangimento e abuso praticados contra mulheres nos espaços de organização, militância, formação e luta coletiva.

Tomamos conhecimento de pratica de violência moral e importunação/assédio sexual praticada durante atividade do MIQCB por integrante de comunidades e articulações que assessoramos.

Tivemos o relato de abordagem de cunho sexual e lesbofóbico, onde a orientação sexual foi utilizada como instrumento de constrangimento, reproduzindo a falsa ideia de que a lesbianidade poderia ser “corrigida” ou “convertida” pela imposição da relação sexual heterossexual.

Após imediato acolhimento a mulher vítima e  processo de escuta dos envolvidos, vimos nos manifestar publicamente que para o MIQCB é inadmissível que espaços construídos para promover justiça social e igualdade reproduzam práticas machistas, misóginas, patriarcais e lesbofóbicas que silenciam, constrangem e violentam mulheres.

Nenhuma organização comprometida com a transformação social pode tolerar condutas que atentem contra a dignidade e a integridade física, psicológica, moral ou sexual de suas integrantes.

Nenhum agressor, inclusive aqueles que se fazem passar por nossos aliados,  integram a direção de outros movimentos e ocupam cargos para impulsionar a garantia de direitos das mulheres do campo e das florestas será poupado da devida responsabilização e das consequências políticas para quem atenta contra a dignidade das mulheres.

A conduta do agressor, e daqueles que agora iniciam tentativa de  criminalizar a mulher vítima, viola a dignidade da pessoa humana, a liberdade sexual e a integridade psicológica da vítima, além de afrontar os princípios constitucionais da igualdade e da não discriminação. Também contraria a Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006), que reconhece as violências psicológica e moral contra as mulheres, e o entendimento do Supremo Tribunal Federal que equipara a homofobia e a lesbofobia ao crime de racismo quando configuradas como práticas discriminatórias.

Manifestamos nossa solidariedade às companheiras que sofreram violência e discriminação.

Estamos atentas e repudiamos qualquer tentativa de revitimização, por meio da disseminação de informações falsas, da inversão dos fatos ou da desqualificação de mulheres que denunciam violências. Essas práticas ampliam o sofrimento das vítimas, dificultam o acesso à justiça e constituem uma nova forma de violência.

Reafirmamos nosso compromisso com o acolhimento responsável e sigiloso das denúncias, a proteção das vítimas, o devido processo de apuração administrativa e a responsabilização das condutas incompatíveis com os princípios éticos e políticos do Movimento.

Também reafirmamos a implementação de ações permanentes de prevenção, formação e enfrentamento às violências de gênero em todos os espaços de atuação do MIQCB.

Seguiremos firmes na construção de organizações que garantam a participação plena, segura, diversa e respeitosa das mulheres e das juventudes, especialmente das mulheres lésbicas e demais integrantes da comunidade LGBTQIAPN+, fortalecendo a luta feminista e popular por igualdade, justiça, democracia e pelo direito de todas as mulheres viverem livres de qualquer forma de violência.

Nenhum assédio será naturalizado.

 Nenhuma mulher será silenciada.

 Nossa luta coletiva ecoará em cada território.

Coordenação Geral do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu – MIQCB

ACESSE AQUI O DOWLOAD DA CARTA!

MIQCB incentiva Quebradeiras de Coco Babaçu a participarem de processo seletivo da UFPI

O MIQCB convida as quebradeiras de coco babaçu que atendem aos critérios do edital a participarem do Processo Seletivo Específico e Diferenciado (PSED) da Universidade Federal do Piauí (UFPI). A iniciativa representa um importante avanço no acesso ao ensino superior, fortalecendo o direito à educação, a valorização dos territórios tradicionais e a presença das mulheres quebradeiras de coco babaçu nos espaços de formação, pesquisa e produção do conhecimento.

A seleção é destinada a indígenas, quilombolas e Quebradeiras de Coco Babaçu, com oferta de 156 vagas em cursos de graduação da UFPI para ingresso no segundo semestre letivo de 2026.

Podem participar pessoas autodeclaradas quebradeiras de coco babaçu que tenham concluído o Ensino Médio e sejam egressas de escola pública ou de escola comunitária vinculada à Educação do Campo, conforme os critérios estabelecidos no edital.
As inscrições serão realizadas de 5 a 12 de agosto de 2026, exclusivamente por meio de formulário eletrônico disponibilizado pela UFPI. O processo seletivo será composto por análise da documentação, avaliação das notas de Língua Portuguesa e Matemática do Ensino Médio e prova de redação presencial.
Entre os cursos ofertados estão Licenciatura em Educação do Campo, Pedagogia, História, Geografia, Letras, Ciências Biológicas, Química, Física, Administração, Direito, Farmácia, Enfermagem, Nutrição, Odontologia, Medicina Veterinária, Zootecnia, Engenharia Agronômica, entre outros, distribuídos em diferentes campi da universidade.

Cronograma

  • Inscrições: 5 a 12 de agosto de 2026;
  • Prova de redação: 23 de agosto de 2026;
  • Resultado final: 28 de agosto de 2026.

O MIQCB reforça a importância da ampla divulgação desta oportunidade e incentiva as associações de base, regionais e coordenações a compartilharem o edital com as quebradeiras de coco babaçu de seus territórios, contribuindo para ampliar o acesso das mulheres à universidade e fortalecer a luta por direitos e pela educação.

Confira AQUI o edital completo em anexo.

Instalação de Grupo de Trabalho marca avanço histórico no mapeamento dos babaçuais e na garantia dos direitos das quebradeiras de coco babaçu no Piauí

Iniciativa prevista na Lei Estadual nº 7.888/2022 fortalece a defesa dos territórios tradicionais, o livre acesso aos babaçuais e a participação das comunidades na construção de políticas públicas

O MIQCB e o Governo do Estado do Piauí, por meio da Secretaria de Estado de Relações Sociais (SERES), oficializaram, nesta quarta-feira (10), a instalação do Grupo de Trabalho Interinstitucional (GTI) responsável pelo mapeamento das áreas de incidência de babaçuais no estado, conforme previsto no artigo 15 da Lei Estadual nº 7.888/2022. A iniciativa representa uma conquista histórica das quebradeiras de coco babaçu e é resultado do processo de diálogo, articulação e construção coletiva desenvolvido entre o movimento social e o Governo do Estado para garantir o reconhecimento dos territórios tradicionais, o acesso livre aos babaçuais e a efetivação dos direitos das comunidades extrativistas.

A instalação do GT é fruto de um encaminhamento pactuado durante a Mesa Permanente de Diálogo entre o Governo do Estado e o MIQCB, realizada em fevereiro de 2026. O objetivo é identificar, delimitar e mapear os territórios de incidência dos babaçuais, as áreas tradicionalmente utilizadas para coleta do coco e as comunidades de quebradeiras de coco babaçu, garantindo segurança jurídica, proteção territorial e acesso livre aos recursos da sociobiodiversidade.

Mapeamento fortalece a defesa dos territórios e da sociobiodiversidade

A criação do GT atende a uma reivindicação histórica das quebradeiras de coco babaçu, que há décadas lutam pelo reconhecimento de seus territórios tradicionais e pelo acesso livre aos babaçuais.

Os produtos elaborados pelo Grupo de Trabalho subsidiarão políticas públicas voltadas à proteção dos territórios tradicionais, à prevenção de conflitos socioambientais, à implementação da Lei Babaçu Livre e à garantia dos direitos das comunidades que vivem da coleta e do extrativismo sustentável.

Participação das comunidades será fundamental na construção do mapa

Um dos diferenciais do Grupo de Trabalho é a adoção de metodologias participativas, assegurando que as próprias quebradeiras de coco contribuam na identificação dos territórios, comunidades e áreas de uso tradicional.

Para Maria de Jesus (Janete), coordenadora de base do MIQCB Regional Piauí, a participação das comunidades é fundamental para garantir que o mapeamento reflita a realidade dos territórios.

“Esse Grupo de Trabalho é resultado da luta das quebradeiras de coco e do diálogo construído pelo MIQCB. O mapeamento vai permitir que nossas comunidades sejam reconhecidas e que nossos territórios sejam respeitados. Somos nós que conhecemos os babaçuais, os caminhos de acesso e a importância desses territórios para a nossa sobrevivência e cultura.”

Janete destaca ainda que a iniciativa fortalece a implementação da Lei Babaçu Livre e amplia as condições para que as futuras gerações continuem vivendo da sociobiodiversidade.

Organização das quebradeiras celebra conquista coletiva

A presidenta da Associação das Mulheres Trabalhadoras do Coco Babaçu (AMTCOB), Helena Gomes, ressaltou que a instalação do GT representa um marco para as mulheres quebradeiras do estado.

“Essa é uma conquista construída por muitas mãos. O reconhecimento dos nossos territórios é essencial para garantir direitos, proteger os babaçuais e assegurar que as mulheres continuem exercendo suas atividades tradicionais com dignidade. O mapeamento também ajudará a enfrentar conflitos e fortalecer nossa organização comunitária.”

Segundo Helena, o processo reforça o protagonismo das mulheres na construção de soluções para os desafios ambientais, sociais e territoriais enfrentados pelas comunidades tradicionais.

Governo reforça compromisso com participação social

Representando a Secretaria de Estado de Relações Sociais (SERES), o diretor Claudimir Gularte destacou que a criação do Grupo de Trabalho demonstra o compromisso do Governo do Estado com a participação social e a construção conjunta de políticas públicas.

“A instalação deste Grupo de Trabalho é resultado de um processo de diálogo permanente com o MIQCB e representa um importante passo para garantir direitos, fortalecer a participação das comunidades tradicionais e subsidiar políticas públicas voltadas à proteção dos babaçuais e dos territórios das quebradeiras de coco.”

A SERES acompanhará todas as etapas do processo, prestando apoio institucional e fortalecendo a participação social das comunidades representadas pelo MIQCB.

Um passo estratégico para a justiça climática e os direitos das mulheres

O mapeamento dos babaçuais representa mais do que uma ação técnica. Trata-se de um instrumento estratégico para a defesa dos territórios tradicionais, da sociobiodiversidade e da justiça climática.

Ao reconhecer e delimitar as áreas de incidência de babaçuais, o Estado contribui para a proteção de ecossistemas fundamentais para o equilíbrio ambiental e para a manutenção dos modos de vida das comunidades tradicionais.

Para o MIQCB, a instalação do Grupo de Trabalho reafirma a importância da participação política das mulheres quebradeiras de coco na formulação de políticas públicas e fortalece pautas históricas do movimento, como a regularização fundiária, a educação contextualizada, a defesa dos territórios e a implementação efetiva da Lei Babaçu Livre.

A conquista demonstra que o diálogo, a organização comunitária e o protagonismo das mulheres seguem sendo caminhos fundamentais para garantir direitos, proteger os babaçuais e construir um futuro baseado na justiça social, ambiental e climática.

MIQCB fortalece economias comunitárias em Cúpula Global sobre conservação e direitos territoriais

O Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB) participa, entre os dias 26 e 29 de maio de 2026, da Cúpula Global sobre Modos de Vida Coletivos e Conservação, realizada em Brasília. O encontro internacional reúne representantes de povos indígenas, comunidades tradicionais, povos afrodescendentes, organizações sociais, governos, instituições filantrópicas e atores do setor privado para debater caminhos que fortaleçam economias comunitárias, direitos territoriais e justiça climática.

A Cúpula é organizada pela Rights and Resources Initiative (RRI), em parceria com a APIB, COIAB, CONAQ, Ministério da Igualdade Racial (MIR) e o MIQCB. O evento acontece em um momento estratégico, após a COP30, reforçando a importância dos territórios tradicionais para a conservação da biodiversidade, a proteção dos ecossistemas e o enfrentamento da crise climática.

Durante a programação, o MIQCB contribuirá com debates sobre modos de vida coletivos, governança territorial, bioeconomia e fortalecimento das economias lideradas pelas comunidades. A coordenadora geral do Movimento, Maria Alaídes, integra a mesa de abertura da Cúpula, que destacará o compromisso conjunto das organizações com a defesa dos territórios e das formas comunitárias de produção e conservação.

O Movimento também participa da “Jornada de Experiências”, espaço dedicado à apresentação de iniciativas concretas que promovem modos de vida comunitários e conservação. Na atividade, o MIQCB apresentará experiências das quebradeiras de coco babaçu na proteção dos babaçuais, no fortalecimento da organização comunitária e na geração de renda a partir do extrativismo sustentável.

A participação do MIQCB reafirma o protagonismo das quebradeiras de coco babaçu nos debates internacionais sobre clima, biodiversidade e direitos coletivos. Ao longo de mais de três décadas de organização, o Movimento vem defendendo o acesso livre aos babaçuais, a valorização dos conhecimentos tradicionais e o reconhecimento das mulheres extrativistas como guardiãs dos territórios e da sociobiodiversidade.

A Cúpula Global 2026 pretende consolidar recomendações políticas e estratégias voltadas ao fortalecimento das economias comunitárias, incluindo acesso a financiamento, fortalecimento da governança territorial e ampliação de mercados alinhados às prioridades das comunidades tradicionais. A programação também prevê grupos de trabalho, painéis temáticos, intercâmbio de experiências e a construção de uma declaração política conjunta.

Para o MIQCB, o encontro representa um espaço fundamental de articulação internacional e incidência política, fortalecendo a luta das quebradeiras de coco babaçu pela garantia dos direitos territoriais, pela preservação dos babaçuais e pela construção de modelos de desenvolvimento baseados na justiça social, ambiental e econômica.

MIQCB lança Programa de Formação das Quebradeiras de Coco Babaçu e abre editais para jovens mulheres pindovas nos territórios tradicionais

No mês de aniversário do Centro de Formação das Quebradeiras de Coco Babaçu, o Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB) lança oficialmente o Programa de Formação das Quebradeiras de Coco Babaçu, iniciativa desenvolvida no âmbito do Centro de Formação das Quebradeiras, com apoio do Projeto Educação em Movimento, financiado pela CO-IMPACT. A ação marca a abertura dos editais voltados às jovens pindovas dos territórios tradicionais do Maranhão, Piauí e Tocantins, fortalecendo a formação política, organizativa e territorial das novas gerações de quebradeiras de coco babaçu.

O Programa de Formação consiste em um ato educativo supervisionado nos escritórios regionais do MIQCB, proporcionando experiência prática em gestão e governança do Movimento, com ênfase nas rotinas de mobilização e organização comunitária, educomunicação e transmissão dos conhecimentos tradicionais entre gerações. A formação terá duração de seis meses e será realizada nas sedes dos escritórios tradicionais do MIQCB nos estados contemplados.

Formação conectada aos territórios e à sociobiodiversidade

O lançamento do Programa marca uma nova experiência de formação pautada na educação popular e contextualizada desenvolvida pelas quebradeiras de coco babaçu. A inclusão de jovens mulheres pindovas no ambiente institucional do Movimento promove um desenvolvimento integral que conecta a gestão e a governança moderna à salvaguarda dos saberes tradicionais, a mobilização social e à defesa dos territórios.

. A oportunidade busca fortalecer a participação das juventudes nos processos organizativos do Movimento, garantindo uma relação de troca, entre coordenação, equipe técnica e as jovens mulheres pindovas para  continuidade das lutas em defesa do Babaçu Livre e dos direitos territoriais a partir da organização coletiva.O Centro de Formação das Quebradeiras de Coco Babaçu se consolida, assim, como espaço estratégico de fortalecimento político, troca de saberes e construção coletiva de conhecimento entre gerações de mulheres quebradeiras.

Para Bárbara Akorá Gamella, coordenadora executiva do MIQCB Regional Baixada/MA e coordenadora de Educação Contextualizada do MIQCB, o programa representa um importante instrumento de fortalecimento das juventudes nos territórios.

“O Programa de Formação nasce da necessidade de fortalecer as jovens quebradeiras dentro dos territórios, valorizando os saberes tradicionais e preparando novas lideranças para atuar na gestão, na comunicação e na defesa dos direitos das comunidades. É uma formação construída a partir da realidade das quebradeiras e das experiências vividas no Movimento e em Movimento. ”, destacou Bárbara Akorá Gamella.

Experiência prática e fortalecimento organizativo

A educação popular nos inspira a “fazer aprendendo e aprender fazendo”. Assim, durante os seis meses de formação, as pindovas selecionadas irão acompanhar atividades desenvolvidas nos escritórios regionais do Movimento, vivenciando processos ligados à organização política, gestão institucional, mobilização social e educomunicação.

A iniciativa também busca ampliar a participação das jovens quebradeiras nas estratégias de fortalecimento do MIQCB, contribuindo para a continuidade das ações do Movimento nos territórios tradicionais.

Segundo Anny Linhares, coordenadora de projetos do MIQCB, a formação representa um investimento no fortalecimento das novas gerações de lideranças quebradeiras.

“Essa é uma oportunidade de formação prática e política para as jovens pindovas, permitindo que elas conheçam de perto o funcionamento do Movimento e contribuam com novas perspectivas para os processos organizativos. O fortalecimento das juventudes é fundamental para garantir a continuidade das lutas das quebradeiras de coco babaçu”, afirmou Anny Linhares.

Editais estão abertos para inscrição

As jovens pindovas interessadas em participar do Programa de Formação das Quebradeiras de Coco Babaçu deverão enviar carta de apresentação e motivação para participar do Programa de Formação até o dia 20 de junho. O processo de seleção inclui entrevista das candidatas aprovadas na primeira etapa. Os critérios, orientações e demais informações estão disponíveis nos editais correspondentes a cada regional do MIQCB contemplada nesta etapa.

Acesse e confira os Editais:

O Programa de Formação das Quebradeiras de Coco Babaçu integra as ações estratégicas do MIQCB voltadas ao fortalecimento político, educativo e territorial das quebradeiras de coco babaçu, reafirmando o compromisso do Movimento com a valorização das juventudes, a proteção dos babaçuais e a continuidade dos conhecimentos tradicionais nos territórios.

Quebradeiras de Coco Babaçu fortalecem defesa dos territórios tradicionais durante III Módulo do Curso de Formação em Governança e Direitos Territoriais em Esperantina (PI)

Entre os dias 12 e 15 de maio de 2026, o Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB) realizou o III Módulo do Curso de Formação em Governança e Direitos Territoriais das Quebradeiras de Coco Babaçu, reunindo lideranças, jovens comunicadores, educandas e educadores dos regionais do Piauí, Maranhão, Tocantins e Pará, em Esperantina, no Piauí. A atividade integrou o processo formativo voltado ao fortalecimento da luta pela regularização fundiária, defesa dos territórios tradicionais, proteção da sociobiodiversidade e garantia do Babaçu Livre nos estados de atuação do movimento.

Com carga horária de 32 horas no formato tempo-escola, o módulo aconteceu em Esperantina/PI, sob coordenação de Renata Cordeiro, Carla Pinheiro e da Comissão de Educação do MIQCB. O curso articulou estudos políticos, intercâmbios em territórios tradicionais, rodas de conversa, atividades culturais e construção coletiva de estratégias de incidência política em defesa dos direitos das quebradeiras de coco babaçu.

Formação política e fortalecimento da luta territorial

A programação teve início no dia 12 de maio, com acolhida e mística conduzidas pelo Regional Piauí, reafirmando a identidade coletiva das quebradeiras de coco babaçu e a valorização dos territórios tradicionais. Ao longo do primeiro dia, educandos e educandas compartilharam experiências desenvolvidas no tempo-comunidade, apresentando mapas, diagnósticos e relatos sobre as realidades vividas em seus regionais.

Os debates abordaram temas centrais para o movimento, como livre acesso aos babaçuais, impactos do REDD+, governança territorial e organização comunitária. As atividades também promoveram reflexões sobre as ameaças enfrentadas pelas comunidades tradicionais diante da grilagem, do avanço do agronegócio e das restrições de acesso aos territórios e aos babaçuais.

Para Marinalda Rodrigues, coordenadora executiva do MIQCB Regional Piauí, o processo formativo fortalece a atuação política das mulheres quebradeiras.

“Esse curso reafirma a força da nossa organização e da nossa luta coletiva. As quebradeiras seguem defendendo os territórios tradicionais, o livre acesso aos babaçuais e o direito das mulheres de participarem das decisões políticas sobre seus territórios e seus modos de vida”, destacou Marinalda Rodrigues, coordenadora executiva do MIQCB Regional Piauí.

Estudos sobre regularização fundiária e direitos territoriais

No segundo dia do módulo, os debates aprofundaram os estudos sobre modalidades de titulação e reconhecimento de territórios tradicionais, incluindo assentamentos, reservas extrativistas, quilombos, florestas públicas e posse tradicional. As educandas e educandos participaram de grupos de trabalho e análises sobre instrumentos legais relacionados à regularização fundiária nos estados do Piauí e Maranhão.

A programação também incluiu estudos sobre a minuta de decreto de titulação de territórios tradicionais de quebradeiras de coco babaçu, fortalecendo a compreensão política e jurídica das lideranças sobre os processos de reconhecimento territorial.

Maria José, coordenadora executiva do MIQCB Regional Imperatriz, ressaltou a importância da formação para fortalecer a autonomia das comunidades.

“Quando as quebradeiras compreendem seus direitos e conhecem os instrumentos legais, elas fortalecem a luta nos territórios. A regularização fundiária é fundamental para garantir a permanência das famílias, proteger os babaçuais e assegurar dignidade para as futuras gerações”, afirmou Maria José, coordenadora executiva do MIQCB Regional Imperatriz.

Intercâmbio nos territórios tradicionais fortalece memória e resistência

Nos dias 14 e 15 de maio, a programação aconteceu nos territórios tradicionais Santa Rosa e Vila Esperança, onde as lideranças locais compartilharam suas trajetórias de resistência, organização comunitária e conquista da titulação territorial.

Durante as visitas, as quebradeiras discutiram temas como memória das lutas, livre acesso aos babaçuais, desafios enfrentados após a titulação e o papel das mulheres na organização política dos territórios. As atividades também evidenciaram os impactos positivos da regularização fundiária na preservação ambiental e no fortalecimento da sociobiodiversidade.

Flaviane Cutrim, do Regional Baixada, destacou o significado político do intercâmbio entre os territórios.

“Quando a gente visita um território tradicional titulado, a gente entende que a luta vale a pena. Cada conquista fortalece outras mulheres e mostra que os territórios tradicionais são espaços de vida, produção, resistência e cuidado com a natureza”, ressaltou Flaviane Cutrim, do Regional Baixada.

As visitas também marcaram a celebração dos quatro anos de titulação do Território Tradicional Vila Esperança, referência na luta das quebradeiras de coco babaçu no Piauí.

Juventude e comunicação popular fortalecem incidência do MIQCB

A participação da juventude organizada na Rede de Defensores e Comunicadores do MIQCB também marcou o III módulo do curso. Jovens comunicadores acompanharam as atividades produzindo registros, entrevistas, fotografias e conteúdos de comunicação popular sobre a luta das quebradeiras.

Jackson, jovem comunicador da Rede de Defensores e Comunicadores do MIQCB, do Regional Pará, destacou a importância da comunicação para fortalecer a visibilidade das lutas territoriais.

“A comunicação popular é uma ferramenta de resistência. Registrar a história das quebradeiras e mostrar a luta pelos territórios tradicionais ajuda a fortalecer nossa identidade e ampliar a defesa do Babaçu Livre”, afirmou Jackson, jovem comunicador da Rede de Defensores e Comunicadores do MIQCB, do Regional Pará.

Mulheres quebradeiras reafirmam defesa do Babaçu Livre e da justiça climática

O encerramento do módulo contou com roda de conversa sobre os intercâmbios nos territórios e a construção coletiva da Carta das Quebradeiras de Coco em Defesa dos Territórios Tradicionais.

As discussões reafirmaram pautas estratégicas do MIQCB, como a implementação da Lei Babaçu Livre, o fortalecimento da regularização fundiária, a participação política das mulheres e a defesa da sociobiodiversidade diante das mudanças climáticas.

Maria Silvania, coordenadora de base do MIQCB Regional Tocantins, ressaltou que a luta das quebradeiras está diretamente ligada à justiça climática e à preservação ambiental.

“As quebradeiras de coco babaçu protegem os territórios, preservam os babaçuais e mantêm viva uma relação de cuidado com a natureza. Defender os nossos territórios é também defender justiça climática, alimento saudável e vida para os nossos povos”, destacou Maria Silvania, coordenadora de base do MIQCB Regional Tocantins.

Ao final do III Módulo, o MIQCB reafirmou seu compromisso com uma educação contextualizada, construída a partir das realidades dos territórios tradicionais, fortalecendo o protagonismo das mulheres quebradeiras de coco babaçu na defesa de seus direitos, da sociobiodiversidade e do Babaçu Livre.

Mesa de Diálogo no Piauí avança em pautas estratégicas das quebradeiras de coco babaçu e reforça ações conjuntas nos territórios

A Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu participou, na manhã desta terça-feira (29), de mais uma reunião da Mesa de Diálogo Permanente com o Governo do Estado do Piauí, realizada no auditório do MAPA, em Teresina. O encontro teve como objetivo monitorar o andamento das demandas apresentadas pelo movimento, discutir conflitos nos territórios tradicionais e encaminhar ações conjuntas para garantir direitos das quebradeiras de coco babaçu, com base na legislação do Babaçu Livre.

A reunião foi conduzida pela coordenadora executiva do MIQCB Regional Piauí, Marinalda Rodrigues e o diretor da Secretaria de Relações Sociais do Governo do Piauí,  Claudimir Gularte , e reuniu representantes de órgãos estaduais e federais, além de lideranças dos territórios Tabocal Grande, Santa Rosa e Vila Esperança, e organizações como AMTCOB e CIMQCB.

Territórios, sociobiodiversidade e direitos em pauta

A Mesa de Diálogo Permanente se consolida como um espaço estratégico de articulação política entre o Estado e as quebradeiras de coco babaçu, que historicamente lutam pela proteção dos babaçuais e pelo reconhecimento de seus territórios tradicionais. A agenda reforça a centralidade da sociobiodiversidade e o papel das mulheres na preservação ambiental e na economia dos territórios.

A reunião também reafirmou a urgência de avançar na regularização fundiária, na implementação da Lei do Babaçu Livre e na garantia de condições dignas de trabalho e vida para as quebradeiras.

A secretária de Relações Sociais do Governo do Estado do Piauí, Núbia Lopes, destacou o papel estratégico da Mesa como instrumento de construção conjunta entre Estado e movimento: “A Mesa de Diálogo Permanente é um espaço fundamental para garantir escuta qualificada e encaminhamentos efetivos. Nosso compromisso é fortalecer essa agenda, assegurando que as demandas das quebradeiras avancem como políticas públicas concretas nos territórios.”

Monitoramento das demandas e políticas públicas

Durante a retomada das pautas, o movimento destacou a necessidade de atualização dos encaminhamentos já pactuados. Representantes do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) que informaram a previsão de realização de um mutirão no território dos Cocais, entre os dias 24 e 30 de maio, com a possível presença da ministra, voltado ao reconhecimento dos territórios e inclusão em políticas públicas federais.

O INCRA apresentou avanços e desafios no processo de reconhecimento de territórios tradicionais, apontando entraves como ausência de normativas específicas e dificuldades documentais. Já o INTERPI trouxe atualizações sobre as demandas dos territórios titulados.

Ações conjuntas e enfrentamento à violência

A reunião também avançou na construção de ações integradas entre os órgãos estaduais. A Secretaria de Segurança Pública (SSP) indicou a Superintendência de Cidadania e Defesa Social como ponto focal para acompanhamento de conflitos e possíveis casos de violência envolvendo quebradeiras.

A Ouvidoria da Defensoria Pública do Estado (DPE) se comprometeu a atuar como canal direto de recebimento e encaminhamento das demandas, além de articular defensorias regionais. Já a SEMPI destacou a importância de um planejamento específico para execução das ações nos territórios.

Instalação do GT de mapeamento dos babaçuais

Outro ponto importante foi a cobrança pela instalação do Grupo de Trabalho (GT) responsável pelo mapeamento das áreas de incidência de babaçuais. O movimento destacou o atraso no processo e a necessidade de início imediato das atividades.

Para a instalação do GT, ficou pactuada a realização de uma reunião ampliada entre os dias 19 e 22 de maio, com foco na implementação dessas ações de forma urgente nos territórios.

Vozes dos territórios

“Essa mesa é fruto da nossa luta e precisa dar respostas concretas. As quebradeiras de coco babaçu seguem resistindo nos territórios e exigem que seus direitos sejam respeitados”, afirmou Marinalda Rodrigues, coordenadora executiva do MIQCB no Piauí.

“A regularização do nosso território é uma questão de dignidade. Nós vivemos do babaçu e defendemos esse modo de vida todos os dias”, destacou Girlene Leal, presidenta da Associação do Território Tradicional de Quebradeiras de Coco Babaçu de Santa Rosa.

“A luta das quebradeiras é coletiva e histórica. Precisamos fortalecer cada vez mais a nossa organização e a incidência política para garantir nossos direitos”, reforçou Helena Gomes, presidenta da AMTCOB e do CIMQCB.

Lei Babaçu Livre, território e participação das mulheres

A reunião reafirmou as principais pautas estratégicas do MIQCB, incluindo:

Implementação da Lei do Babaçu Livre

Avanço na regularização fundiária

Fortalecimento da participação política das mulheres

Defesa dos territórios tradicionais e da sociobiodiversidade

Esses eixos estruturam a atuação do movimento e orientam o diálogo com o poder público.

Um caminho de luta e justiça

A Mesa de Diálogo Permanente reafirma o protagonismo das quebradeiras de coco babaçu na construção de políticas públicas e na defesa de seus territórios. Mais do que um espaço institucional, é resultado de anos de organização e resistência das mulheres.

Ao seguir fortalecendo esse diálogo, o MIQCB reafirma sua luta por justiça climática, pela proteção dos babaçuais e pelo reconhecimento do papel central das mulheres na construção de um futuro mais justo, sustentável e coletivo.

Curso itinerante fortalece protagonismo das quebradeiras de coco babaçu no Piauí e articula formação política, territórios e juventude

O Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB), por meio do Centro de Formação das Quebradeiras de Coco Babaçu, realizou entre os dias 13 e 17 de abril o Curso Itinerante “Mulheres nas rodas da aprendizagem: ação política e mobilização social”, reunindo quebradeiras de coco babaçu, lideranças comunitárias e jovens de diferentes territórios do estado. Estiveram presentes representantes de 12 comunidades, distribuídas em 8 municípios piauienses (Morro do Chapéu, Cristino Castro, Esperantina, Luzilândia, São João do Arraial, Madeiro e Antônio Almeida). A iniciativa promoveu um processo formativo voltado à organização política, defesa dos territórios e valorização da sociobiodiversidade, com a participação de educadoras, pesquisadoras e representantes de instituições públicas.

Ao longo de cinco dias de programação, o curso integrou atividades teóricas, oficinas práticas e rodas de diálogo, consolidando-se como um espaço de troca de saberes entre gerações. A presença de professoras e facilitadoras contribuiu diretamente para o aprofundamento das reflexões, conectando o conhecimento acadêmico com as vivências das quebradeiras.

Formação política e identidade coletiva

A abertura do curso trouxe o debate sobre identidades, culturas, natureza e lutas, conduzido pela professora Carmen Lúcia, da Universidade Federal do Piauí (UFPI). O momento destacou a importância de reconhecer os territórios tradicionais como espaços de vida, resistência e produção de conhecimento.

“Quando a gente fala de território, estamos falando de memória, de identidade e de um modo de vida que precisa ser respeitado e garantido. As quebradeiras produzem conhecimento a partir da sua realidade”, afirmou Carmen Lúcia, professora da UFPI.

A programação também incluiu a oficina das Encantadeiras, com foco na expressão cultural, reafirmando a cultura como instrumento de luta e fortalecimento coletivo.

Gênero, geração e sociobiodiversidade

No segundo dia, o tema “Gênero e geração na cadeia do coco babaçu” reuniu Janaína Mendes, da Secretaria da Agricultura Familiar (SAF/PI), e Helena Gomes, presidenta da Cooperativa Interestadual das Mulheres Quebradeiras de Coco Babaçu (CIMQCB) e a Associação de Mulheres Trabalhadoras do Coco Babaçu (AMTCOB), promovendo um diálogo sobre o papel das mulheres e da juventude na continuidade da luta.

A atividade destacou a importância da participação política das mulheres e o fortalecimento das novas gerações dentro do movimento, articulando saberes tradicionais com estratégias institucionais.

Resistência, educação e narrativas de vida

A discussão sobre resistência e protagonismo feminino contou com a participação da professora Élida Cardoso, do Instituto Federal do Piauí (IFPI), e de lideranças como Maria Alice e dona Francisca Martins. O debate reforçou a educação contextualizada como ferramenta essencial para a autonomia das mulheres quebradeiras.

Na oficina “Narrativas de Vidas”, coordenada por Mariana Moura e Jucelino Castro, as participantes compartilharam suas trajetórias, fortalecendo a memória coletiva e a identidade do movimento.

“Esse curso é um espaço onde a gente se reconhece, se fortalece e constrói caminhos juntas. É formação, mas também é reafirmação da nossa luta”, destacou Marinalda Rodrigues, coordenadora executiva do MIQCB Regional Piauí.

Juventude e continuidade da luta

A presença da juventude foi um dos pontos fortes do curso, evidenciando a continuidade da luta nos territórios. Jovens lideranças participaram ativamente das atividades, contribuindo com novas perspectivas.

“A juventude está aqui para aprender, mas também para dar continuidade à luta das nossas mães e avós. A gente entende que defender o babaçu é defender nosso futuro”, afirmou William Rodrigues, jovem do MIQCB do segundo território titulado em Santa Rosa.

Territórios, direitos e incidência política

O quarto dia abordou o tema “Presente em disputa e futuro das quebradeiras de coco babaçu”, com a participação de Aline Alencar, quebradeira de coco babaçu, mestranda em Antropologia pela UFPI e moradora de São João do Arraial, além da assessora jurídica Yaponyra Rodrigues e da coordenadora executiva do MIQCB Regional Piauí, Marinalda Rodrigues.

“Os territórios das quebradeiras seguem em disputa. Por isso, fortalecer a organização política e a formação é fundamental para garantir nossos direitos e nossa permanência nesses espaços”, destacou Aline Alencar.

As discussões reforçaram pautas estratégicas do MIQCB, como a defesa da Lei do Babaçu Livre, a regularização fundiária, a proteção dos territórios tradicionais e o reconhecimento da sociobiodiversidade como base de sustento e identidade das comunidades.

Encerramento e horizonte político

O curso foi finalizado com um momento de avaliação coletiva, reafirmando a importância da formação continuada e do fortalecimento das redes de articulação entre as quebradeiras.

Mais do que uma atividade formativa, o Curso Itinerante consolidou-se como um espaço político de construção coletiva, onde saberes tradicionais e conhecimentos acadêmicos se encontram para fortalecer a luta por direitos.

Ao reunir mulheres, juventude e lideranças, o MIQCB reafirma seu compromisso com a justiça climática, o protagonismo das mulheres quebradeiras de coco babaçu e a construção de uma educação contextualizada, enraizada nos territórios e nas vivências de quem resiste diariamente em defesa da vida e da sociobiodiversidade.

Centro de Formação do MIQCB realiza Curso Itinerante no Regional Tocantins

Entre os dias 24 e 27 de fevereiro, o MIQCB Regional Tocantins recebeu a primeira etapa do Curso Itinerante do Centro de Formação das Quebradeiras de Coco Babaçu, reunindo mulheres quebradeiras, juventudes e lideranças comunitárias em São Miguel do Tocantins. Com o curso: “Mulheres nas Rodas da Aprendizagem: ação política e mobilização social”, a formação teve como objetivo fortalecer a organização política das mulheres, ampliar a mobilização social nos territórios e reafirmar a luta coletiva em defesa dos babaçuais e dos direitos das quebradeiras de coco.

A atividade ocorreu na sede do escritório do MIQCB no município, que agora conta com um espaço estruturado para processos formativos, consolidando o Tocantins como um importante território de formação política para o Movimento.

Formação política e mobilização social

A programação abordou temas centrais para a luta das quebradeiras de coco babaçu, como identidade, cultura, resistência e protagonismo das mulheres, além das relações de gênero e geração na cadeia produtiva do babaçu, a conjuntura política atual e estratégias de mobilização social nos territórios.

A metodologia foi baseada nos princípios da educação popular, promovendo uma intensa troca de saberes entre participantes e educadores populares. As discussões também dialogaram com pautas estruturantes do MIQCB, que são elementos fundamentais para garantir o modo de vida das comunidades quebradeiras.

A formação contou com a colaboração de educadores voluntários do estado do Tocantins: Maria Guanamar Soares de Sousa, Emília Alves da Silva Rodrigues, Maria Conceição Barbosa da Silva, Cícera Soares, Jorge Luís Ruberto Lima, Willian Clementino da Silva Matias, Sandra Regina Monteiro, Maria Senhora Carvalho da Silva e Rejane Cleide Medeiros de Almeida.

Intercâmbio entre gerações fortalece o Movimento

Um dos aspectos marcantes da formação foi o encontro entre diferentes gerações do Movimento. Mulheres quebradeiras com longa trajetória de luta compartilharam experiências com jovens mulheres e homens que começam a se organizar nas comunidades.

Segundo Anny Linhares, coordenadora de projeto do MIQCB, esse intercâmbio fortalece o futuro do Movimento.

“A turma foi constituída por um público intergeracional. Mulheres quebradeiras de coco babaçu experientes na luta dividiram a sala de aula com jovens mulheres e homens que estão se preparando para ser lideranças nas suas comunidades e coletivos de base. Essa troca é fundamental para a sucessão do Movimento”, afirma.

A presença das juventudes reforça o compromisso do MIQCB em garantir a continuidade da luta em defesa dos territórios tradicionais e da sociobiodiversidade do babaçu, mantendo vivos os saberes e práticas ancestrais das quebradeiras.

Memória, cultura e identidade na luta das quebradeiras

Além das atividades formativas realizadas nos turnos matutino e vespertino, o curso também contou com momentos culturais e de memória coletiva. As noites foram dedicadas às rodas culturais, incluindo uma roda de conversa sobre a trajetória das mulheres na luta por direitos na região do Bico do Papagaio e a memória do Padre Josimo, importante liderança na defesa dos trabalhadores e trabalhadoras do campo.

A programação também incluiu a exibição do documentário “Raimunda, A Quebradeira” e uma visita ao Memorial de Dona Raimunda, localizado na comunidade Sete Barracas, em São Miguel do Tocantins.

Para Ednalva Ribeiro, coordenadora executiva do MIQCB Regional Tocantins, resgatar essas histórias durante o processo formativo fortalece a consciência política e a continuidade da luta.

“Vamos vendo o desenvolvimento da história da regional Tocantins e, principalmente, está trabalhando a história dos maiores líderes da nossa regional, que é a dona Raimunda, Padre Josimo, um pouco da história dessa biodiversidade. Pessoas que foram grandes lutadores pela preservação do meio ambiente, pelo sindicato e também pela reforma agrária. Para mim isso tem grande importância, principalmente por passar essa formação para a juventude”, destaca.

Esses momentos reforçaram o papel da memória popular como ferramenta de luta, fortalecendo o reconhecimento da identidade das quebradeiras e sua relação histórica com os territórios de babaçu.

Formação itinerante amplia a organização coletiva

A ação faz parte da estratégia do Centro de Formação das Quebradeiras de Coco Babaçu, que tem apostado no formato itinerante para ampliar o acesso das lideranças comunitárias às formações políticas em seus próprios territórios.

O objetivo é fortalecer a organização coletiva, a incidência política e a construção de estratégias para o futuro do Movimento, garantindo que cada vez mais mulheres e jovens participem ativamente das lutas por direitos.

O curso integra as ações do Projeto Educação em Movimento, com apoio da CO-IMPACT e do Projeto Floresta de Babaçu, apoiado pelo Fundo Amazônia. A Universidade Federal do Norte do Tocantins (UFNT) também atua como parceira da iniciativa, contribuindo com apoio técnico e certificação das turmas.

Mulheres e Juventudes mobilizadas pela Educação Popular

Mais do que uma atividade formativa, o curso itinerante reafirma o papel das quebradeiras de coco babaçu como protagonistas na defesa dos territórios tradicionais, da sociobiodiversidade e da justiça climática.

Ao fortalecer a participação política das mulheres e ampliar a mobilização social nas comunidades, o MIQCB segue construindo caminhos coletivos para garantir direitos, proteger os babaçuais e assegurar o livre acesso ao coco, princípio central da luta histórica das quebradeiras.

Quando mulheres se organizam, uma força potente emerge na luta pelo bem viver, pela defesa da floresta e pelo Babaçu Livre.

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