MIQCB lança Programa de Formação das Quebradeiras de Coco Babaçu e abre editais para jovens mulheres pindovas nos territórios tradicionais
No mês de aniversário do Centro de Formação das Quebradeiras de Coco Babaçu, o Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB) lança oficialmente o Programa de Formação das Quebradeiras de Coco Babaçu, iniciativa desenvolvida no âmbito do Centro de Formação das Quebradeiras, com apoio do Projeto Educação em Movimento, financiado pela CO-IMPACT. A ação marca a abertura dos editais voltados às jovens pindovas dos territórios tradicionais do Maranhão, Piauí e Tocantins, fortalecendo a formação política, organizativa e territorial das novas gerações de quebradeiras de coco babaçu.
O Programa de Formação consiste em um ato educativo supervisionado nos escritórios regionais do MIQCB, proporcionando experiência prática em gestão e governança do Movimento, com ênfase nas rotinas de mobilização e organização comunitária, educomunicação e transmissão dos conhecimentos tradicionais entre gerações. A formação terá duração de seis meses e será realizada nas sedes dos escritórios tradicionais do MIQCB nos estados contemplados.
Formação conectada aos territórios e à sociobiodiversidade
O lançamento do Programa marca uma nova experiência de formação pautada na educação popular e contextualizada desenvolvida pelas quebradeiras de coco babaçu. A inclusão de jovens mulheres pindovas no ambiente institucional do Movimento promove um desenvolvimento integral que conecta a gestão e a governança moderna à salvaguarda dos saberes tradicionais, a mobilização social e à defesa dos territórios.
. A oportunidade busca fortalecer a participação das juventudes nos processos organizativos do Movimento, garantindo uma relação de troca, entre coordenação, equipe técnica e as jovens mulheres pindovas para continuidade das lutas em defesa do Babaçu Livre e dos direitos territoriais a partir da organização coletiva.O Centro de Formação das Quebradeiras de Coco Babaçu se consolida, assim, como espaço estratégico de fortalecimento político, troca de saberes e construção coletiva de conhecimento entre gerações de mulheres quebradeiras.
Para Bárbara Akorá Gamella, coordenadora executiva do MIQCB Regional Baixada/MA e coordenadora de Educação Contextualizada do MIQCB, o programa representa um importante instrumento de fortalecimento das juventudes nos territórios.
“O Programa de Formação nasce da necessidade de fortalecer as jovens quebradeiras dentro dos territórios, valorizando os saberes tradicionais e preparando novas lideranças para atuar na gestão, na comunicação e na defesa dos direitos das comunidades. É uma formação construída a partir da realidade das quebradeiras e das experiências vividas no Movimento e em Movimento. ”, destacou Bárbara Akorá Gamella.
Experiência prática e fortalecimento organizativo
A educação popular nos inspira a “fazer aprendendo e aprender fazendo”. Assim, durante os seis meses de formação, as pindovas selecionadas irão acompanhar atividades desenvolvidas nos escritórios regionais do Movimento, vivenciando processos ligados à organização política, gestão institucional, mobilização social e educomunicação.
A iniciativa também busca ampliar a participação das jovens quebradeiras nas estratégias de fortalecimento do MIQCB, contribuindo para a continuidade das ações do Movimento nos territórios tradicionais.
Segundo Anny Linhares, coordenadora de projetos do MIQCB, a formação representa um investimento no fortalecimento das novas gerações de lideranças quebradeiras.
“Essa é uma oportunidade de formação prática e política para as jovens pindovas, permitindo que elas conheçam de perto o funcionamento do Movimento e contribuam com novas perspectivas para os processos organizativos. O fortalecimento das juventudes é fundamental para garantir a continuidade das lutas das quebradeiras de coco babaçu”, afirmou Anny Linhares.
Editais estão abertos para inscrição
As jovens pindovas interessadas em participar do Programa de Formação das Quebradeiras de Coco Babaçu deverão enviar carta de apresentação e motivação para participar do Programa de Formação até o dia 20 de junho. O processo de seleção inclui entrevista das candidatas aprovadas na primeira etapa. Os critérios, orientações e demais informações estão disponíveis nos editais correspondentes a cada regional do MIQCB contemplada nesta etapa.
O Programa de Formação das Quebradeiras de Coco Babaçu integra as ações estratégicas do MIQCB voltadas ao fortalecimento político, educativo e territorial das quebradeiras de coco babaçu, reafirmando o compromisso do Movimento com a valorização das juventudes, a proteção dos babaçuais e a continuidade dos conhecimentos tradicionais nos territórios.
Quebradeiras de Coco Babaçu fortalecem defesa dos territórios tradicionais durante III Módulo do Curso de Formação em Governança e Direitos Territoriais em Esperantina (PI)
Entre os dias 12 e 15 de maio de 2026, o Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB) realizou o III Módulo do Curso de Formação em Governança e Direitos Territoriais das Quebradeiras de Coco Babaçu, reunindo lideranças, jovens comunicadores, educandas e educadores dos regionais do Piauí, Maranhão, Tocantins e Pará, em Esperantina, no Piauí. A atividade integrou o processo formativo voltado ao fortalecimento da luta pela regularização fundiária, defesa dos territórios tradicionais, proteção da sociobiodiversidade e garantia do Babaçu Livre nos estados de atuação do movimento.
Com carga horária de 32 horas no formato tempo-escola, o módulo aconteceu em Esperantina/PI, sob coordenação de Renata Cordeiro, Carla Pinheiro e da Comissão de Educação do MIQCB. O curso articulou estudos políticos, intercâmbios em territórios tradicionais, rodas de conversa, atividades culturais e construção coletiva de estratégias de incidência política em defesa dos direitos das quebradeiras de coco babaçu.
Formação política e fortalecimento da luta territorial
A programação teve início no dia 12 de maio, com acolhida e mística conduzidas pelo Regional Piauí, reafirmando a identidade coletiva das quebradeiras de coco babaçu e a valorização dos territórios tradicionais. Ao longo do primeiro dia, educandos e educandas compartilharam experiências desenvolvidas no tempo-comunidade, apresentando mapas, diagnósticos e relatos sobre as realidades vividas em seus regionais.
Os debates abordaram temas centrais para o movimento, como livre acesso aos babaçuais, impactos do REDD+, governança territorial e organização comunitária. As atividades também promoveram reflexões sobre as ameaças enfrentadas pelas comunidades tradicionais diante da grilagem, do avanço do agronegócio e das restrições de acesso aos territórios e aos babaçuais.
Para Marinalda Rodrigues, coordenadora executiva do MIQCB Regional Piauí, o processo formativo fortalece a atuação política das mulheres quebradeiras.
“Esse curso reafirma a força da nossa organização e da nossa luta coletiva. As quebradeiras seguem defendendo os territórios tradicionais, o livre acesso aos babaçuais e o direito das mulheres de participarem das decisões políticas sobre seus territórios e seus modos de vida”, destacou Marinalda Rodrigues, coordenadora executiva do MIQCB Regional Piauí.
Estudos sobre regularização fundiária e direitos territoriais
No segundo dia do módulo, os debates aprofundaram os estudos sobre modalidades de titulação e reconhecimento de territórios tradicionais, incluindo assentamentos, reservas extrativistas, quilombos, florestas públicas e posse tradicional. As educandas e educandos participaram de grupos de trabalho e análises sobre instrumentos legais relacionados à regularização fundiária nos estados do Piauí e Maranhão.
A programação também incluiu estudos sobre a minuta de decreto de titulação de territórios tradicionais de quebradeiras de coco babaçu, fortalecendo a compreensão política e jurídica das lideranças sobre os processos de reconhecimento territorial.
Maria José, coordenadora executiva do MIQCB Regional Imperatriz, ressaltou a importância da formação para fortalecer a autonomia das comunidades.
“Quando as quebradeiras compreendem seus direitos e conhecem os instrumentos legais, elas fortalecem a luta nos territórios. A regularização fundiária é fundamental para garantir a permanência das famílias, proteger os babaçuais e assegurar dignidade para as futuras gerações”, afirmou Maria José, coordenadora executiva do MIQCB Regional Imperatriz.
Intercâmbio nos territórios tradicionais fortalece memória e resistência
Nos dias 14 e 15 de maio, a programação aconteceu nos territórios tradicionais Santa Rosa e Vila Esperança, onde as lideranças locais compartilharam suas trajetórias de resistência, organização comunitária e conquista da titulação territorial.
Durante as visitas, as quebradeiras discutiram temas como memória das lutas, livre acesso aos babaçuais, desafios enfrentados após a titulação e o papel das mulheres na organização política dos territórios. As atividades também evidenciaram os impactos positivos da regularização fundiária na preservação ambiental e no fortalecimento da sociobiodiversidade.
Flaviane Cutrim, do Regional Baixada, destacou o significado político do intercâmbio entre os territórios.
“Quando a gente visita um território tradicional titulado, a gente entende que a luta vale a pena. Cada conquista fortalece outras mulheres e mostra que os territórios tradicionais são espaços de vida, produção, resistência e cuidado com a natureza”, ressaltou Flaviane Cutrim, do Regional Baixada.
As visitas também marcaram a celebração dos quatro anos de titulação do Território Tradicional Vila Esperança, referência na luta das quebradeiras de coco babaçu no Piauí.
Juventude e comunicação popular fortalecem incidência do MIQCB
A participação da juventude organizada na Rede de Defensores e Comunicadores do MIQCB também marcou o III módulo do curso. Jovens comunicadores acompanharam as atividades produzindo registros, entrevistas, fotografias e conteúdos de comunicação popular sobre a luta das quebradeiras.
Jackson, jovem comunicador da Rede de Defensores e Comunicadores do MIQCB, do Regional Pará, destacou a importância da comunicação para fortalecer a visibilidade das lutas territoriais.
“A comunicação popular é uma ferramenta de resistência. Registrar a história das quebradeiras e mostrar a luta pelos territórios tradicionais ajuda a fortalecer nossa identidade e ampliar a defesa do Babaçu Livre”, afirmou Jackson, jovem comunicador da Rede de Defensores e Comunicadores do MIQCB, do Regional Pará.
Mulheres quebradeiras reafirmam defesa do Babaçu Livre e da justiça climática
O encerramento do módulo contou com roda de conversa sobre os intercâmbios nos territórios e a construção coletiva da Carta das Quebradeiras de Coco em Defesa dos Territórios Tradicionais.
As discussões reafirmaram pautas estratégicas do MIQCB, como a implementação da Lei Babaçu Livre, o fortalecimento da regularização fundiária, a participação política das mulheres e a defesa da sociobiodiversidade diante das mudanças climáticas.
Maria Silvania, coordenadora de base do MIQCB Regional Tocantins, ressaltou que a luta das quebradeiras está diretamente ligada à justiça climática e à preservação ambiental.
“As quebradeiras de coco babaçu protegem os territórios, preservam os babaçuais e mantêm viva uma relação de cuidado com a natureza. Defender os nossos territórios é também defender justiça climática, alimento saudável e vida para os nossos povos”, destacou Maria Silvania, coordenadora de base do MIQCB Regional Tocantins.
Ao final do III Módulo, o MIQCB reafirmou seu compromisso com uma educação contextualizada, construída a partir das realidades dos territórios tradicionais, fortalecendo o protagonismo das mulheres quebradeiras de coco babaçu na defesa de seus direitos, da sociobiodiversidade e do Babaçu Livre.
Mesa de Diálogo no Piauí avança em pautas estratégicas das quebradeiras de coco babaçu e reforça ações conjuntas nos territórios
A Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu participou, na manhã desta terça-feira (29), de mais uma reunião da Mesa de Diálogo Permanente com o Governo do Estado do Piauí, realizada no auditório do MAPA, em Teresina. O encontro teve como objetivo monitorar o andamento das demandas apresentadas pelo movimento, discutir conflitos nos territórios tradicionais e encaminhar ações conjuntas para garantir direitos das quebradeiras de coco babaçu, com base na legislação do Babaçu Livre.
A reunião foi conduzida pela coordenadora executiva do MIQCB Regional Piauí, Marinalda Rodrigues e o diretor da Secretaria de Relações Sociais do Governo do Piauí, Claudimir Gularte , e reuniu representantes de órgãos estaduais e federais, além de lideranças dos territórios Tabocal Grande, Santa Rosa e Vila Esperança, e organizações como AMTCOB e CIMQCB.
Territórios, sociobiodiversidade e direitos em pauta
A Mesa de Diálogo Permanente se consolida como um espaço estratégico de articulação política entre o Estado e as quebradeiras de coco babaçu, que historicamente lutam pela proteção dos babaçuais e pelo reconhecimento de seus territórios tradicionais. A agenda reforça a centralidade da sociobiodiversidade e o papel das mulheres na preservação ambiental e na economia dos territórios.
A reunião também reafirmou a urgência de avançar na regularização fundiária, na implementação da Lei do Babaçu Livre e na garantia de condições dignas de trabalho e vida para as quebradeiras.
A secretária de Relações Sociais do Governo do Estado do Piauí, Núbia Lopes, destacou o papel estratégico da Mesa como instrumento de construção conjunta entre Estado e movimento: “A Mesa de Diálogo Permanente é um espaço fundamental para garantir escuta qualificada e encaminhamentos efetivos. Nosso compromisso é fortalecer essa agenda, assegurando que as demandas das quebradeiras avancem como políticas públicas concretas nos territórios.”
Monitoramento das demandas e políticas públicas
Durante a retomada das pautas, o movimento destacou a necessidade de atualização dos encaminhamentos já pactuados. Representantes do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) que informaram a previsão de realização de um mutirão no território dos Cocais, entre os dias 24 e 30 de maio, com a possível presença da ministra, voltado ao reconhecimento dos territórios e inclusão em políticas públicas federais.
O INCRA apresentou avanços e desafios no processo de reconhecimento de territórios tradicionais, apontando entraves como ausência de normativas específicas e dificuldades documentais. Já o INTERPI trouxe atualizações sobre as demandas dos territórios titulados.
Ações conjuntas e enfrentamento à violência
A reunião também avançou na construção de ações integradas entre os órgãos estaduais. A Secretaria de Segurança Pública (SSP) indicou a Superintendência de Cidadania e Defesa Social como ponto focal para acompanhamento de conflitos e possíveis casos de violência envolvendo quebradeiras.
A Ouvidoria da Defensoria Pública do Estado (DPE) se comprometeu a atuar como canal direto de recebimento e encaminhamento das demandas, além de articular defensorias regionais. Já a SEMPI destacou a importância de um planejamento específico para execução das ações nos territórios.
Instalação do GT de mapeamento dos babaçuais
Outro ponto importante foi a cobrança pela instalação do Grupo de Trabalho (GT) responsável pelo mapeamento das áreas de incidência de babaçuais. O movimento destacou o atraso no processo e a necessidade de início imediato das atividades.
Para a instalação do GT, ficou pactuada a realização de uma reunião ampliada entre os dias 19 e 22 de maio, com foco na implementação dessas ações de forma urgente nos territórios.
Vozes dos territórios
“Essa mesa é fruto da nossa luta e precisa dar respostas concretas. As quebradeiras de coco babaçu seguem resistindo nos territórios e exigem que seus direitos sejam respeitados”, afirmou Marinalda Rodrigues, coordenadora executiva do MIQCB no Piauí.
“A regularização do nosso território é uma questão de dignidade. Nós vivemos do babaçu e defendemos esse modo de vida todos os dias”, destacou Girlene Leal, presidenta da Associação do Território Tradicional de Quebradeiras de Coco Babaçu de Santa Rosa.
“A luta das quebradeiras é coletiva e histórica. Precisamos fortalecer cada vez mais a nossa organização e a incidência política para garantir nossos direitos”, reforçou Helena Gomes, presidenta da AMTCOB e do CIMQCB.
Lei Babaçu Livre, território e participação das mulheres
A reunião reafirmou as principais pautas estratégicas do MIQCB, incluindo:
Implementação da Lei do Babaçu Livre
Avanço na regularização fundiária
Fortalecimento da participação política das mulheres
Defesa dos territórios tradicionais e da sociobiodiversidade
Esses eixos estruturam a atuação do movimento e orientam o diálogo com o poder público.
Um caminho de luta e justiça
A Mesa de Diálogo Permanente reafirma o protagonismo das quebradeiras de coco babaçu na construção de políticas públicas e na defesa de seus territórios. Mais do que um espaço institucional, é resultado de anos de organização e resistência das mulheres.
Ao seguir fortalecendo esse diálogo, o MIQCB reafirma sua luta por justiça climática, pela proteção dos babaçuais e pelo reconhecimento do papel central das mulheres na construção de um futuro mais justo, sustentável e coletivo.
Curso itinerante fortalece protagonismo das quebradeiras de coco babaçu no Piauí e articula formação política, territórios e juventude
O Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB), por meio do Centro de Formação das Quebradeiras de Coco Babaçu, realizou entre os dias 13 e 17 de abril o Curso Itinerante “Mulheres nas rodas da aprendizagem: ação política e mobilização social”, reunindo quebradeiras de coco babaçu, lideranças comunitárias e jovens de diferentes territórios do estado. Estiveram presentes representantes de 12 comunidades, distribuídas em 8 municípios piauienses (Morro do Chapéu, Cristino Castro, Esperantina, Luzilândia, São João do Arraial, Madeiro e Antônio Almeida). A iniciativa promoveu um processo formativo voltado à organização política, defesa dos territórios e valorização da sociobiodiversidade, com a participação de educadoras, pesquisadoras e representantes de instituições públicas.
Ao longo de cinco dias de programação, o curso integrou atividades teóricas, oficinas práticas e rodas de diálogo, consolidando-se como um espaço de troca de saberes entre gerações. A presença de professoras e facilitadoras contribuiu diretamente para o aprofundamento das reflexões, conectando o conhecimento acadêmico com as vivências das quebradeiras.
Formação política e identidade coletiva
A abertura do curso trouxe o debate sobre identidades, culturas, natureza e lutas, conduzido pela professora Carmen Lúcia, da Universidade Federal do Piauí (UFPI). O momento destacou a importância de reconhecer os territórios tradicionais como espaços de vida, resistência e produção de conhecimento.
“Quando a gente fala de território, estamos falando de memória, de identidade e de um modo de vida que precisa ser respeitado e garantido. As quebradeiras produzem conhecimento a partir da sua realidade”, afirmou Carmen Lúcia, professora da UFPI.
A programação também incluiu a oficina das Encantadeiras, com foco na expressão cultural, reafirmando a cultura como instrumento de luta e fortalecimento coletivo.
Gênero, geração e sociobiodiversidade
No segundo dia, o tema “Gênero e geração na cadeia do coco babaçu” reuniu Janaína Mendes, da Secretaria da Agricultura Familiar (SAF/PI), e Helena Gomes, presidenta da Cooperativa Interestadual das Mulheres Quebradeiras de Coco Babaçu (CIMQCB) e a Associação de Mulheres Trabalhadoras do Coco Babaçu (AMTCOB), promovendo um diálogo sobre o papel das mulheres e da juventude na continuidade da luta.
A atividade destacou a importância da participação política das mulheres e o fortalecimento das novas gerações dentro do movimento, articulando saberes tradicionais com estratégias institucionais.
Resistência, educação e narrativas de vida
A discussão sobre resistência e protagonismo feminino contou com a participação da professora Élida Cardoso, do Instituto Federal do Piauí (IFPI), e de lideranças como Maria Alice e dona Francisca Martins. O debate reforçou a educação contextualizada como ferramenta essencial para a autonomia das mulheres quebradeiras.
Na oficina “Narrativas de Vidas”, coordenada por Mariana Moura e Jucelino Castro, as participantes compartilharam suas trajetórias, fortalecendo a memória coletiva e a identidade do movimento.
“Esse curso é um espaço onde a gente se reconhece, se fortalece e constrói caminhos juntas. É formação, mas também é reafirmação da nossa luta”, destacou Marinalda Rodrigues, coordenadora executiva do MIQCB Regional Piauí.
Juventude e continuidade da luta
A presença da juventude foi um dos pontos fortes do curso, evidenciando a continuidade da luta nos territórios. Jovens lideranças participaram ativamente das atividades, contribuindo com novas perspectivas.
“A juventude está aqui para aprender, mas também para dar continuidade à luta das nossas mães e avós. A gente entende que defender o babaçu é defender nosso futuro”, afirmou William Rodrigues, jovem do MIQCB do segundo território titulado em Santa Rosa.
Territórios, direitos e incidência política
O quarto dia abordou o tema “Presente em disputa e futuro das quebradeiras de coco babaçu”, com a participação de Aline Alencar, quebradeira de coco babaçu, mestranda em Antropologia pela UFPI e moradora de São João do Arraial, além da assessora jurídica Yaponyra Rodrigues e da coordenadora executiva do MIQCB Regional Piauí, Marinalda Rodrigues.
“Os territórios das quebradeiras seguem em disputa. Por isso, fortalecer a organização política e a formação é fundamental para garantir nossos direitos e nossa permanência nesses espaços”, destacou Aline Alencar.
As discussões reforçaram pautas estratégicas do MIQCB, como a defesa da Lei do Babaçu Livre, a regularização fundiária, a proteção dos territórios tradicionais e o reconhecimento da sociobiodiversidade como base de sustento e identidade das comunidades.
Encerramento e horizonte político
O curso foi finalizado com um momento de avaliação coletiva, reafirmando a importância da formação continuada e do fortalecimento das redes de articulação entre as quebradeiras.
Mais do que uma atividade formativa, o Curso Itinerante consolidou-se como um espaço político de construção coletiva, onde saberes tradicionais e conhecimentos acadêmicos se encontram para fortalecer a luta por direitos.
Ao reunir mulheres, juventude e lideranças, o MIQCB reafirma seu compromisso com a justiça climática, o protagonismo das mulheres quebradeiras de coco babaçu e a construção de uma educação contextualizada, enraizada nos territórios e nas vivências de quem resiste diariamente em defesa da vida e da sociobiodiversidade.
Centro de Formação do MIQCB realiza Curso Itinerante no Regional Tocantins
Entre os dias 24 e 27 de fevereiro, o MIQCB Regional Tocantins recebeu a primeira etapa do Curso Itinerante do Centro de Formação das Quebradeiras de Coco Babaçu, reunindo mulheres quebradeiras, juventudes e lideranças comunitárias em São Miguel do Tocantins. Com o curso: “Mulheres nas Rodas da Aprendizagem: ação política e mobilização social”, a formação teve como objetivo fortalecer a organização política das mulheres, ampliar a mobilização social nos territórios e reafirmar a luta coletiva em defesa dos babaçuais e dos direitos das quebradeiras de coco.
A atividade ocorreu na sede do escritório do MIQCB no município, que agora conta com um espaço estruturado para processos formativos, consolidando o Tocantins como um importante território de formação política para o Movimento.
Formação política e mobilização social
A programação abordou temas centrais para a luta das quebradeiras de coco babaçu, como identidade, cultura, resistência e protagonismo das mulheres, além das relações de gênero e geração na cadeia produtiva do babaçu, a conjuntura política atual e estratégias de mobilização social nos territórios.
A metodologia foi baseada nos princípios da educação popular, promovendo uma intensa troca de saberes entre participantes e educadores populares. As discussões também dialogaram com pautas estruturantes do MIQCB, que são elementos fundamentais para garantir o modo de vida das comunidades quebradeiras.
A formação contou com a colaboração de educadores voluntários do estado do Tocantins: Maria Guanamar Soares de Sousa, Emília Alves da Silva Rodrigues, Maria Conceição Barbosa da Silva, Cícera Soares, Jorge Luís Ruberto Lima, Willian Clementino da Silva Matias, Sandra Regina Monteiro, Maria Senhora Carvalho da Silva e Rejane Cleide Medeiros de Almeida.
Intercâmbio entre gerações fortalece o Movimento
Um dos aspectos marcantes da formação foi o encontro entre diferentes gerações do Movimento. Mulheres quebradeiras com longa trajetória de luta compartilharam experiências com jovens mulheres e homens que começam a se organizar nas comunidades.
Segundo Anny Linhares, coordenadora de projeto do MIQCB, esse intercâmbio fortalece o futuro do Movimento.
“A turma foi constituída por um público intergeracional. Mulheres quebradeiras de coco babaçu experientes na luta dividiram a sala de aula com jovens mulheres e homens que estão se preparando para ser lideranças nas suas comunidades e coletivos de base. Essa troca é fundamental para a sucessão do Movimento”, afirma.
A presença das juventudes reforça o compromisso do MIQCB em garantir a continuidade da luta em defesa dos territórios tradicionais e da sociobiodiversidade do babaçu, mantendo vivos os saberes e práticas ancestrais das quebradeiras.
Memória, cultura e identidade na luta das quebradeiras
Além das atividades formativas realizadas nos turnos matutino e vespertino, o curso também contou com momentos culturais e de memória coletiva. As noites foram dedicadas às rodas culturais, incluindo uma roda de conversa sobre a trajetória das mulheres na luta por direitos na região do Bico do Papagaio e a memória do Padre Josimo, importante liderança na defesa dos trabalhadores e trabalhadoras do campo.
A programação também incluiu a exibição do documentário “Raimunda, A Quebradeira” e uma visita ao Memorial de Dona Raimunda, localizado na comunidade Sete Barracas, em São Miguel do Tocantins.
Para Ednalva Ribeiro, coordenadora executiva do MIQCB Regional Tocantins, resgatar essas histórias durante o processo formativo fortalece a consciência política e a continuidade da luta.
“Vamos vendo o desenvolvimento da história da regional Tocantins e, principalmente, está trabalhando a história dos maiores líderes da nossa regional, que é a dona Raimunda, Padre Josimo, um pouco da história dessa biodiversidade. Pessoas que foram grandes lutadores pela preservação do meio ambiente, pelo sindicato e também pela reforma agrária. Para mim isso tem grande importância, principalmente por passar essa formação para a juventude”, destaca.
Esses momentos reforçaram o papel da memória popular como ferramenta de luta, fortalecendo o reconhecimento da identidade das quebradeiras e sua relação histórica com os territórios de babaçu.
Formação itinerante amplia a organização coletiva
A ação faz parte da estratégia do Centro de Formação das Quebradeiras de Coco Babaçu, que tem apostado no formato itinerante para ampliar o acesso das lideranças comunitárias às formações políticas em seus próprios territórios.
O objetivo é fortalecer a organização coletiva, a incidência política e a construção de estratégias para o futuro do Movimento, garantindo que cada vez mais mulheres e jovens participem ativamente das lutas por direitos.
O curso integra as ações do Projeto Educação em Movimento, com apoio da CO-IMPACT e do Projeto Floresta de Babaçu, apoiado pelo Fundo Amazônia. A Universidade Federal do Norte do Tocantins (UFNT) também atua como parceira da iniciativa, contribuindo com apoio técnico e certificação das turmas.
Mulheres e Juventudes mobilizadas pela Educação Popular
Mais do que uma atividade formativa, o curso itinerante reafirma o papel das quebradeiras de coco babaçu como protagonistas na defesa dos territórios tradicionais, da sociobiodiversidade e da justiça climática.
Ao fortalecer a participação política das mulheres e ampliar a mobilização social nas comunidades, o MIQCB segue construindo caminhos coletivos para garantir direitos, proteger os babaçuais e assegurar o livre acesso ao coco, princípio central da luta histórica das quebradeiras.
Quando mulheres se organizam, uma força potente emerge na luta pelo bem viver, pela defesa da floresta e pelo Babaçu Livre.
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Quebradeiras de coco babaçu mobilizam Esperantina (PI) contra a violência e reforçam luta por direitos das mulheres
Quebradeiras de coco babaçu do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB), regional Piauí, realizaram, nesta sexta-feira (06), uma mobilização em Esperantina, no Piauí, com caminhada pelas ruas da cidade, ato público em frente à Delegacia de Polícia Civil e um momento de diálogo no espaço da Câmara Municipal. A atividade integrou a agenda de mobilização das mulheres quebradeiras em alusão ao 8 de março, Dia Internacional das Mulheres, com o tema “Quebradeiras de Coco Babaçu unidas pela Vida, pelo Território e pelo Bem Viver: Feminicídio Nunca Mais!”, e teve como foco o enfrentamento à violência contra a mulher e ao feminicídio.
A mobilização reuniu quebradeiras de coco babaçu, lideranças comunitárias e representantes institucionais para denunciar a violência de gênero e fortalecer o debate sobre proteção às mulheres nos territórios. Entre as reivindicações apresentadas durante o ato, destacou-se a demanda por mais estrutura no atendimento às mulheres em situação de violência, incluindo a presença de uma delegada mulher no município.
Mulheres nas ruas contra a violência e o feminicídio
A programação teve início com um ato em frente à Delegacia de Polícia Civil de Esperantina, onde as quebradeiras denunciaram a violência contra as mulheres e reforçaram a necessidade de políticas públicas efetivas de proteção.
Durante a mobilização, as mulheres destacaram que a violência de gênero impacta diretamente a vida das trabalhadoras rurais e das comunidades tradicionais, exigindo respostas institucionais que garantam acolhimento e segurança.
Para Marinalda Rodrigues, coordenadora executiva do MIQCB Regional Piauí, a mobilização reafirma o compromisso das quebradeiras com a defesa da vida das mulheres e com a construção de territórios livres de violência.
“Estar nas ruas é reafirmar que as quebradeiras de coco babaçu lutam pela vida das mulheres, pelo território e pelo bem viver. Falar sobre feminicídio e violência é também fortalecer nossa organização e cobrar do poder público políticas que garantam proteção e dignidade para todas nós”, afirmou Marinalda.
Caminhada pelas ruas de Esperantina fortalece mobilização das quebradeiras
Após o ato na delegacia, as quebradeiras realizaram uma caminhada pelas ruas de Esperantina até o espaço da Câmara Municipal, levando faixas, cartazes e mensagens de conscientização sobre o enfrentamento à violência contra a mulher.
A caminhada simbolizou a ocupação dos espaços públicos pelas mulheres dos territórios babaçuais e reafirmou o papel das quebradeiras como protagonistas na defesa da vida, da dignidade e dos direitos das mulheres.
Para Helena Gomes, presidenta da Associação de Mulheres Trabalhadoras do Coco Babaçu (AMTCOB), a mobilização também representa a força coletiva das mulheres na construção de uma sociedade mais justa.
“Quando as quebradeiras caminham juntas, mostramos que não estamos sozinhas. Nossa luta é pela vida, pelo respeito e pelo direito de viver sem violência. A união das mulheres é nossa maior força”, destacou Helena.
Debate sobre violência contra a mulher no espaço da Câmara Municipal
Após a caminhada, o movimento utilizou o espaço da Câmara Municipal de Esperantina para realizar um momento de diálogo e reflexão sobre a violência contra a mulher, reunindo lideranças, quebradeiras e representantes institucionais.
O encontro abordou diferentes formas de violência física, psicológica, patrimonial, moral e sexual e reforçou a importância de ampliar a informação sobre os direitos das mulheres, incluindo os mecanismos de proteção previstos na legislação brasileira.
O diálogo contou com a presença do delegado da Polícia Civil de Esperantina, Arão Lobão Veras Neto, que acompanhou esse momento com as lideranças e ouviu as demandas apresentadas pelas mulheres.
A professora Carmen Lúcia, que participou do momento de diálogo, destacou a importância de reconhecer os saberes e as experiências das mulheres dos territórios na construção de políticas públicas.
“As quebradeiras de coco babaçu carregam conhecimentos profundos sobre cuidado, território e coletividade. Escutar essas mulheres é fundamental para pensar políticas que realmente dialoguem com a realidade das comunidades”, ressaltou a professora.
Lançamento de livro valoriza memória e saberes das mulheres dos babaçuais
Encerrando a programação, foi realizado o lançamento do livro “As Narrativas e Memórias do Cuidado: as quebradeiras de coco babaçu e as mães palmeiras”, organizado por Adriana Ressoire C., com co-organização de Laira Splinter.
A obra reúne narrativas e reflexões sobre os saberes, práticas de cuidado e experiências das mulheres dos babaçuais, contribuindo para valorizar a memória coletiva e a trajetória de luta das quebradeiras de coco babaçu.
Para a autora Adriana Ressoire, o livro busca reconhecer a centralidade das mulheres na proteção dos territórios e na manutenção das formas de vida associadas ao babaçu.
“As histórias das quebradeiras revelam uma profunda relação entre cuidado, território e resistência. Registrar essas memórias é também reconhecer a contribuição dessas mulheres para a defesa da sociobiodiversidade e das comunidades tradicionais”, afirmou a autora.
Defesa dos territórios, sociobiodiversidade e direitos das mulheres
A mobilização em Esperantina integra as ações do MIQCB voltadas ao fortalecimento da participação política das mulheres quebradeiras de coco babaçu e à defesa de seus territórios tradicionais.
O movimento também reafirma pautas históricas da organização, como a implementação da Lei Babaçu Livre, que garante o acesso das comunidades tradicionais aos babaçuais; a regularização fundiária dos territórios, fundamental para a segurança das comunidades; e o reconhecimento do papel das mulheres na proteção da sociobiodiversidade.
Para o MIQCB, a luta contra a violência de gênero está diretamente conectada à defesa dos territórios e das formas de vida das comunidades tradicionais.
Mulheres dos babaçuais em defesa da vida e do bem viver
A mobilização em Esperantina reforça o protagonismo das quebradeiras de coco babaçu na construção de territórios mais justos, seguros e sustentáveis.
Ao ocupar as ruas, dialogar com instituições e valorizar a memória e os saberes das mulheres dos babaçuais, o movimento reafirma que a luta das quebradeiras está ligada à defesa da vida, da dignidade e do bem viver.
Em um contexto de crescentes desafios sociais e ambientais, o MIQCB segue fortalecendo a organização das mulheres e defendendo justiça climática, direitos territoriais e o acesso livre aos babaçuais.
MIQCB abre seleção para jovem quebradeira de coco na Regional Tocantins
O Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB) torna público o Edital nº 03/2026, que selecionará uma jovem mulher quebradeira de coco babaçu para atuar na Cachopa da Aprendizagem, na Regional Tocantins.
A iniciativa integra o Projeto Educação em Movimento, apoiado pela Co-Impact, e tem como objetivo fortalecer a formação de mulheres e juventudes quebradeiras por meio de experiências de estágio ou aprendizagem vinculadas às atividades do Movimento.
A vaga é destinada a jovens mulheres entre 18 e 29 anos, que se autoidentifiquem como quebradeiras de coco babaçu e estejam vinculadas ao ensino fundamental (incluindo EJA), ensino médio ou ensino superior. A atuação será no escritório regional do MIQCB em São Miguel do Tocantins (TO), com carga horária de 20 horas semanais.
A oportunidade oferece auxílio mensal de R$ 800,00 para deslocamento e alimentação, com duração de seis meses, em modalidade presencial.
As interessadas devem enviar carta de apresentação e motivação por e-mail até 20 de março de 2026.
Leia o edital completo AQUI e confira todos os requisitos e orientações para candidatura
MIQCB abre seleção para jovem quebradeira de coco atuar na Cachopa da Aprendizagem no Pará
O Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB) torna público o Edital nº 04/2026, que selecionará uma jovem mulher quebradeira de coco babaçu para atuar na Cachopa da Aprendizagem, na Regional Pará.
A iniciativa integra o Projeto Educação em Movimento, apoiado pela Co-Impact, e tem como objetivo fortalecer a formação de mulheres e juventudes quebradeiras por meio de experiências de estágio ou aprendizagem vinculadas às atividades do Movimento.
A vaga é destinada a jovens mulheres entre 18 e 29 anos, que se autoidentifiquem como quebradeiras de coco babaçu e estejam vinculadas ao ensino fundamental (incluindo EJA), ensino médio ou ensino superior. A atuação será no escritório regional do MIQCB em São Domingos do Araguaia (PA), com carga horária de 20 horas semanais.
A oportunidade oferece auxílio mensal de R$ 800,00 para deslocamento e alimentação, com duração de seis meses, em modalidade presencial.
As interessadas devem enviar carta de apresentação e motivação por e-mail até 15 de março de 2026.
Leia o edital completo AQUI e confira todos os requisitos e orientações para candidatura
Juventude fortalece produção artesanal e defesa do território em Amarante (MA) com a oficina “Casa Babaçu: da Floresta para sua Casa”
Entre os dias 23 e 26 de fevereiro de 2026, o MIQCB Regional Imperatriz realizou, na comunidade Pifeiros, em Amarante do Maranhão (MA), a oficina de artesanato “Casa Babaçu: da Floresta para sua Casa”, reunindo cerca de 20 jovens do grupo Pindova Filhos da Mãe Palmeira. A atividade integra a Ação Estratégica do movimento, voltada ao fortalecimento da produção de artesanato e derivados do babaçu, articulando formação política, geração de renda e defesa dos territórios tradicionais.
Promovida em parceria com a CIMQCB, a oficina teve como objetivo qualificar a juventude para a produção artesanal, ampliar a comercialização dos produtos e consolidar o babaçu como símbolo de resistência, sociobiodiversidade e justiça climática.
Juventude, território e sociobiodiversidade
Realizada na casa de artesanato do grupo Pindova, a oficina reafirmou que o babaçu é floresta em pé, é território e é modo de vida. A formação uniu prática produtiva e reflexão política sobre a importância da Lei do Babaçu Livre, da regularização fundiária e da participação das mulheres nas decisões que impactam seus territórios.
Ao fortalecer a cadeia produtiva do artesanato, o MIQCB também fortalece a autonomia econômica das famílias quebradeiras e a permanência da juventude nos territórios tradicionais, evitando o êxodo rural e assegurando a continuidade dos saberes ancestrais.
Abertura com mística e afirmação política
A programação iniciou com acolhida da comunidade, mística de apresentação e falas das lideranças locais e da coordenação do movimento. O momento reafirmou o compromisso com a defesa das florestas e do modo de vida das quebradeiras.
Maria José, coordenadora executiva do MIQCB Regional Imperatriz, destacou a importância do protagonismo juvenil:
“Essa atividade é muito importante, tanto para a comunidade quanto para o movimento. Acompanhar o trabalho da juventude, divulgar o que vocês fazem e fazer com que os jovens entendam que também é para eles. Sempre que houver oportunidade de estar presente em atividades como essa, estarei disponível. Muito obrigada a todos e todas.”
A fala reforçou o papel da juventude na comunicação e no fortalecimento organizativo do MIQCB.
Da biojoia aos objetos para casa: nova etapa de formação
A oficina foi ministrada pela artesã Rosalva Silva Gomes, quebradeira de coco, artesã e assessora da cooperativa interestadual. Esta etapa marcou a transição da produção de biojoias para objetos utilitários e decorativos para casa.
“Estamos finalizando essa nova etapa da produção de artesanato. Depois das biojoias, agora trabalhamos objetos decorativos e utensílios para casa. Batizamos a oficina de ‘Casa Babaçu: da Floresta para sua Casa’ para afirmar que babaçu é floresta, sim. Trouxemos essa afirmação para dentro do tema”, explicou Rosalva.
Durante os quatro dias, os jovens produziram bandejas, fruteiras, porta-canetas, porta-guardanapos, porta-chaves, peças decorativas e utensílios diversos. A formação incluiu trilha para reconhecimento do território e coleta de coco, preparação da matéria-prima, montagem das peças, organização de cenário fotográfico e precificação.
A proposta é que os participantes se tornem multiplicadores do conhecimento em suas comunidades, fortalecendo a produção e a organização coletiva.
Juventude comunicadora
A oficina também contou com a participação da Rede de Comunicadores e Defensores do MIQCB, fortalecendo o registro audiovisual e a divulgação das ações.
Vitória Sá, jovem da Rede de Comunicadoras e Defensoras do MIQCB, destacou que a experiência foi além do papel de comunicadora:
“Foi a primeira vez que chegamos antes para acompanhar toda a semana, e foi um período muito produtivo, de muito aprendizado. Esse trabalho de vocês, artesãos e artesãs, não é fácil. Algumas peças eu consegui pegar o jeito, outras não consegui.
Eu vim para fazer a comunicação, para registrar o trabalho de vocês, mas estou saindo daqui não só com fotos, estou saindo com aprendizado. Vocês estavam sendo ensinados por ela, mas também me ensinaram. E é isso que eu quero agradecer. ”
Aprendizado, saber ancestral e continuidade
Para o professor e artesão Acélio dos Santos Lima Brito, a oficina ampliou horizontes:
“Foi uma ajuda muito grande. Abriu minha mente sobre o conhecimento do artesanato. Eu não tinha dimensão de tudo que pode ser feito com o babaçu. Espero que mais jovens participem nas próximas etapas.”
Luseny Santos, coordenadora de base do MIQCB Regional Imperatriz, destacou que a oficina era um desejo antigo da organização:
“Era uma atividade que queríamos realizar há muito tempo. Mesmo com muitas demandas, conseguimos concretizar esse momento tão importante para a comunidade.”
Produção, organização e mercado solidário
A ação articulou três dimensões estratégicas:
MIQCB – Ação política, fortalecendo a organização e a formação crítica;
Grupo Pindova – Produção, ampliando a capacidade produtiva;
CIMQCB – Comercialização, estruturando a venda e agregação de valor às peças.
O processo incluiu cronograma de produção, divisão de tarefas, cuidados com saúde e alimentação, rodas culturais com os mais velhos e apresentação final das peças à comunidade.
Babaçu Livre é justiça climática
Ao investir na formação da juventude e na valorização do artesanato, o MIQCB reafirma que a defesa do babaçu é também defesa da floresta, do território e da vida.
A luta pela Lei do Babaçu Livre e pela regularização fundiária segue como pauta central para garantir o acesso das quebradeiras aos babaçuais e assegurar a proteção da sociobiodiversidade frente às ameaças do desmatamento e da grilagem.
Mais do que produzir artesanato, a oficina “Casa Babaçu: da Floresta para sua Casa” fortalece o protagonismo das mulheres, a autonomia econômica das comunidades e a construção da justiça climática nos territórios tradicionais.
Porque onde há babaçu livre, há floresta em pé, há território protegido e há mulheres organizadas transformando o presente e o futuro.
Quebradeiras de coco babaçu instalam Comissão de Monitoramento da Lei Babaçu Livre no Piauí e fortalecem controle social sobre os territórios
Nesta quarta-feira (25), na Casa dos Movimentos Sociais, em Teresina (PI), o MIQCB Regional Piauí, em articulação com organizações parceiras e o Governo do Estado, instalou oficialmente a Comissão de Monitoramento da Efetividade da Lei Estadual nº 7.888/2022, Lei Babaçu Livre. A iniciativa representa um passo histórico para assegurar que os direitos garantidos na legislação sejam efetivamente cumpridos nos territórios das quebradeiras.
A criação da Comissão ocorre pouco mais de três anos após a publicação da Lei Babaçu Livre no Piauí e consolida um instrumento permanente de controle social, com maioria de representação dos movimentos de quebradeiras de coco, agricultura familiar e outros segmentos de Povos e Comunidades Tradicionais (PCTs). O objetivo é acompanhar, fiscalizar e fortalecer a implementação da lei, garantindo o livre acesso aos babaçuais e a proteção dos territórios.
Controle social e fortalecimento institucional
A instalação da Comissão reafirma a centralidade das quebradeiras na condução das políticas públicas que impactam diretamente seus modos de vida, seus territórios e a sociobiodiversidade. Inspirada na experiência de Lago do Junco (MA), onde a Lei Municipal nº 01/2002 prevê uma comissão com poderes de questionar e até impedir autorizações de derrubada de babaçuais, a legislação piauiense incorporou a participação ativa das quebradeiras como eixo estruturante da governança ambiental.
Para Marinalda Rodrigues, coordenadora executiva do MIQCB regional Piauí, a Comissão é resultado direto da organização coletiva das mulheres:
“A comissão é fruto da organização das quebradeiras. O monitoramento é essencial para garantir que o direito ao acesso aos babaçuais seja respeitado na prática”, afirma Marinalda.
A Comissão se consolida como mecanismo de aprofundamento democrático, ao colocar o conhecimento tradicional das quebradeiras no mesmo patamar de importância que o conhecimento técnico-estatal, fortalecendo a participação política das mulheres nos espaços institucionais.
Aprovação do Regimento e organização interna
Durante o primeiro encontro, foram realizados três encaminhamentos centrais:
✔️ Aprovação do Regimento Interno
✔️ Eleição da Secretaria da Comissão
✔️ Estudo aprofundado da Lei Estadual Babaçu Livre
A presidenta da Associação das Mulheres Trabalhadoras do Coco Babaçu (AMTCOB), Helena Gomes, destacou a importância desse momento organizativo:
“A aprovação do Regimento fortalece nossa atuação coletiva e reafirma o compromisso com os territórios e com o bem viver”, pontua Helena Gomes, presidenta da AMTCOB.
A reunião contou com a participação do MIQCB regional Piauí, da AMTCOB, da APOIME, da Secretaria de Relações Sociais do Governo do Estado e das Secretarias de Meio Ambiente e Recursos Hídricos e de Agricultura Familiar, reforçando o caráter interinstitucional do processo.
Claudemir Duarte, diretor de Relações Sociais e Populares da SERE/PI, também reafirmou o compromisso do Estado:
“O Governo reafirma o compromisso com a implementação da Lei Babaçu Livre e com o diálogo permanente com o movimento”, destacou.
Lei Babaçu Livre, territórios e regularização fundiária
A efetivação da Lei Babaçu Livre está diretamente vinculada às pautas estratégicas do MIQCB, especialmente à defesa dos territórios tradicionais, à regularização fundiária e à proteção da sociobiodiversidade.
A Comissão surge como instrumento concreto para enfrentar conflitos agrários, impedir a derrubada ilegal de babaçuais e assegurar que o direito ao uso comum das palmeiras seja respeitado, mesmo em áreas privadas. Ao fortalecer o controle social sobre as obrigações estatais, o movimento avança na consolidação de direitos ambientais e territoriais historicamente reivindicados pelas quebradeiras.
Para Renata Cordeiro, assessora jurídica interestadual do MIQCB, o momento representa também um desafio político:
“A Comissão representa um avanço institucional importante, mas também evidencia o tamanho do desafio. Mesmo em um cenário democrático, é preciso firmeza, transparência e fundamento para não permitir retrocessos em direitos sob o argumento da governabilidade”, ressalta Renata Cordeiro.
Já Yaponyra Rodrigues, assessora jurídica do MIQCB Regional Piauí, destacou que a Comissão fortalece o protagonismo das mulheres na fiscalização e na defesa de seus direitos, garantindo que não sejam apenas destinatárias das políticas públicas, mas sujeitas ativas na sua implementação.
“A Comissão assegura que as mulheres sejam protagonistas na fiscalização e na incidência política. No entanto, sua existência formal não basta: é preciso compromisso político permanente, transparência e respostas concretas para que o monitoramento se traduza em proteção real dos babaçuais e resultados efetivos nos territórios.”
Protagonismo das mulheres e justiça climática
A instalação da Comissão de Monitoramento consolida a institucionalidade da luta das quebradeiras no Piauí e reafirma que a defesa dos babaçuais é compromisso político com a vida, os territórios e a autonomia das mulheres.
Ao garantir o acesso livre às palmeiras e fortalecer a governança participativa, o MIQCB avança na construção de justiça climática, na valorização da sociobiodiversidade e no protagonismo político das mulheres do campo, das águas e das florestas.
A mensagem é clara: sem território não há vida; sem babaçu não há autonomia. A luta segue por justiça, participação e pela plena efetivação do Babaçu Livre.
MIQCB
MOVIMENTO INTERESTADUAL DAS QUEBRADEIRAS DE COCO BABAÇU