Mesa de Diálogo no Piauí avança em pautas estratégicas das quebradeiras de coco babaçu e reforça ações conjuntas nos territórios
A Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu participou, na manhã desta terça-feira (29), de mais uma reunião da Mesa de Diálogo Permanente com o Governo do Estado do Piauí, realizada no auditório do MAPA, em Teresina. O encontro teve como objetivo monitorar o andamento das demandas apresentadas pelo movimento, discutir conflitos nos territórios tradicionais e encaminhar ações conjuntas para garantir direitos das quebradeiras de coco babaçu, com base na legislação do Babaçu Livre.
A reunião foi conduzida pela coordenadora executiva do MIQCB Regional Piauí, Marinalda Rodrigues e o diretor da Secretaria de Relações Sociais do Governo do Piauí, Claudimir Gularte , e reuniu representantes de órgãos estaduais e federais, além de lideranças dos territórios Tabocal Grande, Santa Rosa e Vila Esperança, e organizações como AMTCOB e CIMQCB.
Territórios, sociobiodiversidade e direitos em pauta
A Mesa de Diálogo Permanente se consolida como um espaço estratégico de articulação política entre o Estado e as quebradeiras de coco babaçu, que historicamente lutam pela proteção dos babaçuais e pelo reconhecimento de seus territórios tradicionais. A agenda reforça a centralidade da sociobiodiversidade e o papel das mulheres na preservação ambiental e na economia dos territórios.
A reunião também reafirmou a urgência de avançar na regularização fundiária, na implementação da Lei do Babaçu Livre e na garantia de condições dignas de trabalho e vida para as quebradeiras.
A secretária de Relações Sociais do Governo do Estado do Piauí, Núbia Lopes, destacou o papel estratégico da Mesa como instrumento de construção conjunta entre Estado e movimento: “A Mesa de Diálogo Permanente é um espaço fundamental para garantir escuta qualificada e encaminhamentos efetivos. Nosso compromisso é fortalecer essa agenda, assegurando que as demandas das quebradeiras avancem como políticas públicas concretas nos territórios.”
Monitoramento das demandas e políticas públicas
Durante a retomada das pautas, o movimento destacou a necessidade de atualização dos encaminhamentos já pactuados. Representantes do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) que informaram a previsão de realização de um mutirão no território dos Cocais, entre os dias 24 e 30 de maio, com a possível presença da ministra, voltado ao reconhecimento dos territórios e inclusão em políticas públicas federais.
O INCRA apresentou avanços e desafios no processo de reconhecimento de territórios tradicionais, apontando entraves como ausência de normativas específicas e dificuldades documentais. Já o INTERPI trouxe atualizações sobre as demandas dos territórios titulados.
Ações conjuntas e enfrentamento à violência
A reunião também avançou na construção de ações integradas entre os órgãos estaduais. A Secretaria de Segurança Pública (SSP) indicou a Superintendência de Cidadania e Defesa Social como ponto focal para acompanhamento de conflitos e possíveis casos de violência envolvendo quebradeiras.
A Ouvidoria da Defensoria Pública do Estado (DPE) se comprometeu a atuar como canal direto de recebimento e encaminhamento das demandas, além de articular defensorias regionais. Já a SEMPI destacou a importância de um planejamento específico para execução das ações nos territórios.
Instalação do GT de mapeamento dos babaçuais
Outro ponto importante foi a cobrança pela instalação do Grupo de Trabalho (GT) responsável pelo mapeamento das áreas de incidência de babaçuais. O movimento destacou o atraso no processo e a necessidade de início imediato das atividades.
Para a instalação do GT, ficou pactuada a realização de uma reunião ampliada entre os dias 19 e 22 de maio, com foco na implementação dessas ações de forma urgente nos territórios.
Vozes dos territórios
“Essa mesa é fruto da nossa luta e precisa dar respostas concretas. As quebradeiras de coco babaçu seguem resistindo nos territórios e exigem que seus direitos sejam respeitados”, afirmou Marinalda Rodrigues, coordenadora executiva do MIQCB no Piauí.
“A regularização do nosso território é uma questão de dignidade. Nós vivemos do babaçu e defendemos esse modo de vida todos os dias”, destacou Girlene Leal, presidenta da Associação do Território Tradicional de Quebradeiras de Coco Babaçu de Santa Rosa.
“A luta das quebradeiras é coletiva e histórica. Precisamos fortalecer cada vez mais a nossa organização e a incidência política para garantir nossos direitos”, reforçou Helena Gomes, presidenta da AMTCOB e do CIMQCB.
Lei Babaçu Livre, território e participação das mulheres
A reunião reafirmou as principais pautas estratégicas do MIQCB, incluindo:
Implementação da Lei do Babaçu Livre
Avanço na regularização fundiária
Fortalecimento da participação política das mulheres
Defesa dos territórios tradicionais e da sociobiodiversidade
Esses eixos estruturam a atuação do movimento e orientam o diálogo com o poder público.
Um caminho de luta e justiça
A Mesa de Diálogo Permanente reafirma o protagonismo das quebradeiras de coco babaçu na construção de políticas públicas e na defesa de seus territórios. Mais do que um espaço institucional, é resultado de anos de organização e resistência das mulheres.
Ao seguir fortalecendo esse diálogo, o MIQCB reafirma sua luta por justiça climática, pela proteção dos babaçuais e pelo reconhecimento do papel central das mulheres na construção de um futuro mais justo, sustentável e coletivo.
Curso itinerante fortalece protagonismo das quebradeiras de coco babaçu no Piauí e articula formação política, territórios e juventude
O Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB), por meio do Centro de Formação das Quebradeiras de Coco Babaçu, realizou entre os dias 13 e 17 de abril o Curso Itinerante “Mulheres nas rodas da aprendizagem: ação política e mobilização social”, reunindo quebradeiras de coco babaçu, lideranças comunitárias e jovens de diferentes territórios do estado. Estiveram presentes representantes de 12 comunidades, distribuídas em 8 municípios piauienses (Morro do Chapéu, Cristino Castro, Esperantina, Luzilândia, São João do Arraial, Madeiro e Antônio Almeida). A iniciativa promoveu um processo formativo voltado à organização política, defesa dos territórios e valorização da sociobiodiversidade, com a participação de educadoras, pesquisadoras e representantes de instituições públicas.
Ao longo de cinco dias de programação, o curso integrou atividades teóricas, oficinas práticas e rodas de diálogo, consolidando-se como um espaço de troca de saberes entre gerações. A presença de professoras e facilitadoras contribuiu diretamente para o aprofundamento das reflexões, conectando o conhecimento acadêmico com as vivências das quebradeiras.
Formação política e identidade coletiva
A abertura do curso trouxe o debate sobre identidades, culturas, natureza e lutas, conduzido pela professora Carmen Lúcia, da Universidade Federal do Piauí (UFPI). O momento destacou a importância de reconhecer os territórios tradicionais como espaços de vida, resistência e produção de conhecimento.
“Quando a gente fala de território, estamos falando de memória, de identidade e de um modo de vida que precisa ser respeitado e garantido. As quebradeiras produzem conhecimento a partir da sua realidade”, afirmou Carmen Lúcia, professora da UFPI.
A programação também incluiu a oficina das Encantadeiras, com foco na expressão cultural, reafirmando a cultura como instrumento de luta e fortalecimento coletivo.
Gênero, geração e sociobiodiversidade
No segundo dia, o tema “Gênero e geração na cadeia do coco babaçu” reuniu Janaína Mendes, da Secretaria da Agricultura Familiar (SAF/PI), e Helena Gomes, presidenta da Cooperativa Interestadual das Mulheres Quebradeiras de Coco Babaçu (CIMQCB) e a Associação de Mulheres Trabalhadoras do Coco Babaçu (AMTCOB), promovendo um diálogo sobre o papel das mulheres e da juventude na continuidade da luta.
A atividade destacou a importância da participação política das mulheres e o fortalecimento das novas gerações dentro do movimento, articulando saberes tradicionais com estratégias institucionais.
Resistência, educação e narrativas de vida
A discussão sobre resistência e protagonismo feminino contou com a participação da professora Élida Cardoso, do Instituto Federal do Piauí (IFPI), e de lideranças como Maria Alice e dona Francisca Martins. O debate reforçou a educação contextualizada como ferramenta essencial para a autonomia das mulheres quebradeiras.
Na oficina “Narrativas de Vidas”, coordenada por Mariana Moura e Jucelino Castro, as participantes compartilharam suas trajetórias, fortalecendo a memória coletiva e a identidade do movimento.
“Esse curso é um espaço onde a gente se reconhece, se fortalece e constrói caminhos juntas. É formação, mas também é reafirmação da nossa luta”, destacou Marinalda Rodrigues, coordenadora executiva do MIQCB Regional Piauí.
Juventude e continuidade da luta
A presença da juventude foi um dos pontos fortes do curso, evidenciando a continuidade da luta nos territórios. Jovens lideranças participaram ativamente das atividades, contribuindo com novas perspectivas.
“A juventude está aqui para aprender, mas também para dar continuidade à luta das nossas mães e avós. A gente entende que defender o babaçu é defender nosso futuro”, afirmou William Rodrigues, jovem do MIQCB do segundo território titulado em Santa Rosa.
Territórios, direitos e incidência política
O quarto dia abordou o tema “Presente em disputa e futuro das quebradeiras de coco babaçu”, com a participação de Aline Alencar, quebradeira de coco babaçu, mestranda em Antropologia pela UFPI e moradora de São João do Arraial, além da assessora jurídica Yaponyra Rodrigues e da coordenadora executiva do MIQCB Regional Piauí, Marinalda Rodrigues.
“Os territórios das quebradeiras seguem em disputa. Por isso, fortalecer a organização política e a formação é fundamental para garantir nossos direitos e nossa permanência nesses espaços”, destacou Aline Alencar.
As discussões reforçaram pautas estratégicas do MIQCB, como a defesa da Lei do Babaçu Livre, a regularização fundiária, a proteção dos territórios tradicionais e o reconhecimento da sociobiodiversidade como base de sustento e identidade das comunidades.
Encerramento e horizonte político
O curso foi finalizado com um momento de avaliação coletiva, reafirmando a importância da formação continuada e do fortalecimento das redes de articulação entre as quebradeiras.
Mais do que uma atividade formativa, o Curso Itinerante consolidou-se como um espaço político de construção coletiva, onde saberes tradicionais e conhecimentos acadêmicos se encontram para fortalecer a luta por direitos.
Ao reunir mulheres, juventude e lideranças, o MIQCB reafirma seu compromisso com a justiça climática, o protagonismo das mulheres quebradeiras de coco babaçu e a construção de uma educação contextualizada, enraizada nos territórios e nas vivências de quem resiste diariamente em defesa da vida e da sociobiodiversidade.
Centro de Formação do MIQCB realiza Curso Itinerante no Regional Tocantins
Entre os dias 24 e 27 de fevereiro, o MIQCB Regional Tocantins recebeu a primeira etapa do Curso Itinerante do Centro de Formação das Quebradeiras de Coco Babaçu, reunindo mulheres quebradeiras, juventudes e lideranças comunitárias em São Miguel do Tocantins. Com o curso: “Mulheres nas Rodas da Aprendizagem: ação política e mobilização social”, a formação teve como objetivo fortalecer a organização política das mulheres, ampliar a mobilização social nos territórios e reafirmar a luta coletiva em defesa dos babaçuais e dos direitos das quebradeiras de coco.
A atividade ocorreu na sede do escritório do MIQCB no município, que agora conta com um espaço estruturado para processos formativos, consolidando o Tocantins como um importante território de formação política para o Movimento.
Formação política e mobilização social
A programação abordou temas centrais para a luta das quebradeiras de coco babaçu, como identidade, cultura, resistência e protagonismo das mulheres, além das relações de gênero e geração na cadeia produtiva do babaçu, a conjuntura política atual e estratégias de mobilização social nos territórios.
A metodologia foi baseada nos princípios da educação popular, promovendo uma intensa troca de saberes entre participantes e educadores populares. As discussões também dialogaram com pautas estruturantes do MIQCB, que são elementos fundamentais para garantir o modo de vida das comunidades quebradeiras.
A formação contou com a colaboração de educadores voluntários do estado do Tocantins: Maria Guanamar Soares de Sousa, Emília Alves da Silva Rodrigues, Maria Conceição Barbosa da Silva, Cícera Soares, Jorge Luís Ruberto Lima, Willian Clementino da Silva Matias, Sandra Regina Monteiro, Maria Senhora Carvalho da Silva e Rejane Cleide Medeiros de Almeida.
Intercâmbio entre gerações fortalece o Movimento
Um dos aspectos marcantes da formação foi o encontro entre diferentes gerações do Movimento. Mulheres quebradeiras com longa trajetória de luta compartilharam experiências com jovens mulheres e homens que começam a se organizar nas comunidades.
Segundo Anny Linhares, coordenadora de projeto do MIQCB, esse intercâmbio fortalece o futuro do Movimento.
“A turma foi constituída por um público intergeracional. Mulheres quebradeiras de coco babaçu experientes na luta dividiram a sala de aula com jovens mulheres e homens que estão se preparando para ser lideranças nas suas comunidades e coletivos de base. Essa troca é fundamental para a sucessão do Movimento”, afirma.
A presença das juventudes reforça o compromisso do MIQCB em garantir a continuidade da luta em defesa dos territórios tradicionais e da sociobiodiversidade do babaçu, mantendo vivos os saberes e práticas ancestrais das quebradeiras.
Memória, cultura e identidade na luta das quebradeiras
Além das atividades formativas realizadas nos turnos matutino e vespertino, o curso também contou com momentos culturais e de memória coletiva. As noites foram dedicadas às rodas culturais, incluindo uma roda de conversa sobre a trajetória das mulheres na luta por direitos na região do Bico do Papagaio e a memória do Padre Josimo, importante liderança na defesa dos trabalhadores e trabalhadoras do campo.
A programação também incluiu a exibição do documentário “Raimunda, A Quebradeira” e uma visita ao Memorial de Dona Raimunda, localizado na comunidade Sete Barracas, em São Miguel do Tocantins.
Para Ednalva Ribeiro, coordenadora executiva do MIQCB Regional Tocantins, resgatar essas histórias durante o processo formativo fortalece a consciência política e a continuidade da luta.
“Vamos vendo o desenvolvimento da história da regional Tocantins e, principalmente, está trabalhando a história dos maiores líderes da nossa regional, que é a dona Raimunda, Padre Josimo, um pouco da história dessa biodiversidade. Pessoas que foram grandes lutadores pela preservação do meio ambiente, pelo sindicato e também pela reforma agrária. Para mim isso tem grande importância, principalmente por passar essa formação para a juventude”, destaca.
Esses momentos reforçaram o papel da memória popular como ferramenta de luta, fortalecendo o reconhecimento da identidade das quebradeiras e sua relação histórica com os territórios de babaçu.
Formação itinerante amplia a organização coletiva
A ação faz parte da estratégia do Centro de Formação das Quebradeiras de Coco Babaçu, que tem apostado no formato itinerante para ampliar o acesso das lideranças comunitárias às formações políticas em seus próprios territórios.
O objetivo é fortalecer a organização coletiva, a incidência política e a construção de estratégias para o futuro do Movimento, garantindo que cada vez mais mulheres e jovens participem ativamente das lutas por direitos.
O curso integra as ações do Projeto Educação em Movimento, com apoio da CO-IMPACT e do Projeto Floresta de Babaçu, apoiado pelo Fundo Amazônia. A Universidade Federal do Norte do Tocantins (UFNT) também atua como parceira da iniciativa, contribuindo com apoio técnico e certificação das turmas.
Mulheres e Juventudes mobilizadas pela Educação Popular
Mais do que uma atividade formativa, o curso itinerante reafirma o papel das quebradeiras de coco babaçu como protagonistas na defesa dos territórios tradicionais, da sociobiodiversidade e da justiça climática.
Ao fortalecer a participação política das mulheres e ampliar a mobilização social nas comunidades, o MIQCB segue construindo caminhos coletivos para garantir direitos, proteger os babaçuais e assegurar o livre acesso ao coco, princípio central da luta histórica das quebradeiras.
Quando mulheres se organizam, uma força potente emerge na luta pelo bem viver, pela defesa da floresta e pelo Babaçu Livre.
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Quebradeiras de coco babaçu mobilizam Esperantina (PI) contra a violência e reforçam luta por direitos das mulheres
Quebradeiras de coco babaçu do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB), regional Piauí, realizaram, nesta sexta-feira (06), uma mobilização em Esperantina, no Piauí, com caminhada pelas ruas da cidade, ato público em frente à Delegacia de Polícia Civil e um momento de diálogo no espaço da Câmara Municipal. A atividade integrou a agenda de mobilização das mulheres quebradeiras em alusão ao 8 de março, Dia Internacional das Mulheres, com o tema “Quebradeiras de Coco Babaçu unidas pela Vida, pelo Território e pelo Bem Viver: Feminicídio Nunca Mais!”, e teve como foco o enfrentamento à violência contra a mulher e ao feminicídio.
A mobilização reuniu quebradeiras de coco babaçu, lideranças comunitárias e representantes institucionais para denunciar a violência de gênero e fortalecer o debate sobre proteção às mulheres nos territórios. Entre as reivindicações apresentadas durante o ato, destacou-se a demanda por mais estrutura no atendimento às mulheres em situação de violência, incluindo a presença de uma delegada mulher no município.
Mulheres nas ruas contra a violência e o feminicídio
A programação teve início com um ato em frente à Delegacia de Polícia Civil de Esperantina, onde as quebradeiras denunciaram a violência contra as mulheres e reforçaram a necessidade de políticas públicas efetivas de proteção.
Durante a mobilização, as mulheres destacaram que a violência de gênero impacta diretamente a vida das trabalhadoras rurais e das comunidades tradicionais, exigindo respostas institucionais que garantam acolhimento e segurança.
Para Marinalda Rodrigues, coordenadora executiva do MIQCB Regional Piauí, a mobilização reafirma o compromisso das quebradeiras com a defesa da vida das mulheres e com a construção de territórios livres de violência.
“Estar nas ruas é reafirmar que as quebradeiras de coco babaçu lutam pela vida das mulheres, pelo território e pelo bem viver. Falar sobre feminicídio e violência é também fortalecer nossa organização e cobrar do poder público políticas que garantam proteção e dignidade para todas nós”, afirmou Marinalda.
Caminhada pelas ruas de Esperantina fortalece mobilização das quebradeiras
Após o ato na delegacia, as quebradeiras realizaram uma caminhada pelas ruas de Esperantina até o espaço da Câmara Municipal, levando faixas, cartazes e mensagens de conscientização sobre o enfrentamento à violência contra a mulher.
A caminhada simbolizou a ocupação dos espaços públicos pelas mulheres dos territórios babaçuais e reafirmou o papel das quebradeiras como protagonistas na defesa da vida, da dignidade e dos direitos das mulheres.
Para Helena Gomes, presidenta da Associação de Mulheres Trabalhadoras do Coco Babaçu (AMTCOB), a mobilização também representa a força coletiva das mulheres na construção de uma sociedade mais justa.
“Quando as quebradeiras caminham juntas, mostramos que não estamos sozinhas. Nossa luta é pela vida, pelo respeito e pelo direito de viver sem violência. A união das mulheres é nossa maior força”, destacou Helena.
Debate sobre violência contra a mulher no espaço da Câmara Municipal
Após a caminhada, o movimento utilizou o espaço da Câmara Municipal de Esperantina para realizar um momento de diálogo e reflexão sobre a violência contra a mulher, reunindo lideranças, quebradeiras e representantes institucionais.
O encontro abordou diferentes formas de violência física, psicológica, patrimonial, moral e sexual e reforçou a importância de ampliar a informação sobre os direitos das mulheres, incluindo os mecanismos de proteção previstos na legislação brasileira.
O diálogo contou com a presença do delegado da Polícia Civil de Esperantina, Arão Lobão Veras Neto, que acompanhou esse momento com as lideranças e ouviu as demandas apresentadas pelas mulheres.
A professora Carmen Lúcia, que participou do momento de diálogo, destacou a importância de reconhecer os saberes e as experiências das mulheres dos territórios na construção de políticas públicas.
“As quebradeiras de coco babaçu carregam conhecimentos profundos sobre cuidado, território e coletividade. Escutar essas mulheres é fundamental para pensar políticas que realmente dialoguem com a realidade das comunidades”, ressaltou a professora.
Lançamento de livro valoriza memória e saberes das mulheres dos babaçuais
Encerrando a programação, foi realizado o lançamento do livro “As Narrativas e Memórias do Cuidado: as quebradeiras de coco babaçu e as mães palmeiras”, organizado por Adriana Ressoire C., com co-organização de Laira Splinter.
A obra reúne narrativas e reflexões sobre os saberes, práticas de cuidado e experiências das mulheres dos babaçuais, contribuindo para valorizar a memória coletiva e a trajetória de luta das quebradeiras de coco babaçu.
Para a autora Adriana Ressoire, o livro busca reconhecer a centralidade das mulheres na proteção dos territórios e na manutenção das formas de vida associadas ao babaçu.
“As histórias das quebradeiras revelam uma profunda relação entre cuidado, território e resistência. Registrar essas memórias é também reconhecer a contribuição dessas mulheres para a defesa da sociobiodiversidade e das comunidades tradicionais”, afirmou a autora.
Defesa dos territórios, sociobiodiversidade e direitos das mulheres
A mobilização em Esperantina integra as ações do MIQCB voltadas ao fortalecimento da participação política das mulheres quebradeiras de coco babaçu e à defesa de seus territórios tradicionais.
O movimento também reafirma pautas históricas da organização, como a implementação da Lei Babaçu Livre, que garante o acesso das comunidades tradicionais aos babaçuais; a regularização fundiária dos territórios, fundamental para a segurança das comunidades; e o reconhecimento do papel das mulheres na proteção da sociobiodiversidade.
Para o MIQCB, a luta contra a violência de gênero está diretamente conectada à defesa dos territórios e das formas de vida das comunidades tradicionais.
Mulheres dos babaçuais em defesa da vida e do bem viver
A mobilização em Esperantina reforça o protagonismo das quebradeiras de coco babaçu na construção de territórios mais justos, seguros e sustentáveis.
Ao ocupar as ruas, dialogar com instituições e valorizar a memória e os saberes das mulheres dos babaçuais, o movimento reafirma que a luta das quebradeiras está ligada à defesa da vida, da dignidade e do bem viver.
Em um contexto de crescentes desafios sociais e ambientais, o MIQCB segue fortalecendo a organização das mulheres e defendendo justiça climática, direitos territoriais e o acesso livre aos babaçuais.
MIQCB abre seleção para jovem quebradeira de coco na Regional Tocantins
O Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB) torna público o Edital nº 03/2026, que selecionará uma jovem mulher quebradeira de coco babaçu para atuar na Cachopa da Aprendizagem, na Regional Tocantins.
A iniciativa integra o Projeto Educação em Movimento, apoiado pela Co-Impact, e tem como objetivo fortalecer a formação de mulheres e juventudes quebradeiras por meio de experiências de estágio ou aprendizagem vinculadas às atividades do Movimento.
A vaga é destinada a jovens mulheres entre 18 e 29 anos, que se autoidentifiquem como quebradeiras de coco babaçu e estejam vinculadas ao ensino fundamental (incluindo EJA), ensino médio ou ensino superior. A atuação será no escritório regional do MIQCB em São Miguel do Tocantins (TO), com carga horária de 20 horas semanais.
A oportunidade oferece auxílio mensal de R$ 800,00 para deslocamento e alimentação, com duração de seis meses, em modalidade presencial.
As interessadas devem enviar carta de apresentação e motivação por e-mail até 20 de março de 2026.
Leia o edital completo AQUI e confira todos os requisitos e orientações para candidatura
MIQCB abre seleção para jovem quebradeira de coco atuar na Cachopa da Aprendizagem no Pará
O Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB) torna público o Edital nº 04/2026, que selecionará uma jovem mulher quebradeira de coco babaçu para atuar na Cachopa da Aprendizagem, na Regional Pará.
A iniciativa integra o Projeto Educação em Movimento, apoiado pela Co-Impact, e tem como objetivo fortalecer a formação de mulheres e juventudes quebradeiras por meio de experiências de estágio ou aprendizagem vinculadas às atividades do Movimento.
A vaga é destinada a jovens mulheres entre 18 e 29 anos, que se autoidentifiquem como quebradeiras de coco babaçu e estejam vinculadas ao ensino fundamental (incluindo EJA), ensino médio ou ensino superior. A atuação será no escritório regional do MIQCB em São Domingos do Araguaia (PA), com carga horária de 20 horas semanais.
A oportunidade oferece auxílio mensal de R$ 800,00 para deslocamento e alimentação, com duração de seis meses, em modalidade presencial.
As interessadas devem enviar carta de apresentação e motivação por e-mail até 15 de março de 2026.
Leia o edital completo AQUI e confira todos os requisitos e orientações para candidatura
Juventude fortalece produção artesanal e defesa do território em Amarante (MA) com a oficina “Casa Babaçu: da Floresta para sua Casa”
Entre os dias 23 e 26 de fevereiro de 2026, o MIQCB Regional Imperatriz realizou, na comunidade Pifeiros, em Amarante do Maranhão (MA), a oficina de artesanato “Casa Babaçu: da Floresta para sua Casa”, reunindo cerca de 20 jovens do grupo Pindova Filhos da Mãe Palmeira. A atividade integra a Ação Estratégica do movimento, voltada ao fortalecimento da produção de artesanato e derivados do babaçu, articulando formação política, geração de renda e defesa dos territórios tradicionais.
Promovida em parceria com a CIMQCB, a oficina teve como objetivo qualificar a juventude para a produção artesanal, ampliar a comercialização dos produtos e consolidar o babaçu como símbolo de resistência, sociobiodiversidade e justiça climática.
Juventude, território e sociobiodiversidade
Realizada na casa de artesanato do grupo Pindova, a oficina reafirmou que o babaçu é floresta em pé, é território e é modo de vida. A formação uniu prática produtiva e reflexão política sobre a importância da Lei do Babaçu Livre, da regularização fundiária e da participação das mulheres nas decisões que impactam seus territórios.
Ao fortalecer a cadeia produtiva do artesanato, o MIQCB também fortalece a autonomia econômica das famílias quebradeiras e a permanência da juventude nos territórios tradicionais, evitando o êxodo rural e assegurando a continuidade dos saberes ancestrais.
Abertura com mística e afirmação política
A programação iniciou com acolhida da comunidade, mística de apresentação e falas das lideranças locais e da coordenação do movimento. O momento reafirmou o compromisso com a defesa das florestas e do modo de vida das quebradeiras.
Maria José, coordenadora executiva do MIQCB Regional Imperatriz, destacou a importância do protagonismo juvenil:
“Essa atividade é muito importante, tanto para a comunidade quanto para o movimento. Acompanhar o trabalho da juventude, divulgar o que vocês fazem e fazer com que os jovens entendam que também é para eles. Sempre que houver oportunidade de estar presente em atividades como essa, estarei disponível. Muito obrigada a todos e todas.”
A fala reforçou o papel da juventude na comunicação e no fortalecimento organizativo do MIQCB.
Da biojoia aos objetos para casa: nova etapa de formação
A oficina foi ministrada pela artesã Rosalva Silva Gomes, quebradeira de coco, artesã e assessora da cooperativa interestadual. Esta etapa marcou a transição da produção de biojoias para objetos utilitários e decorativos para casa.
“Estamos finalizando essa nova etapa da produção de artesanato. Depois das biojoias, agora trabalhamos objetos decorativos e utensílios para casa. Batizamos a oficina de ‘Casa Babaçu: da Floresta para sua Casa’ para afirmar que babaçu é floresta, sim. Trouxemos essa afirmação para dentro do tema”, explicou Rosalva.
Durante os quatro dias, os jovens produziram bandejas, fruteiras, porta-canetas, porta-guardanapos, porta-chaves, peças decorativas e utensílios diversos. A formação incluiu trilha para reconhecimento do território e coleta de coco, preparação da matéria-prima, montagem das peças, organização de cenário fotográfico e precificação.
A proposta é que os participantes se tornem multiplicadores do conhecimento em suas comunidades, fortalecendo a produção e a organização coletiva.
Juventude comunicadora
A oficina também contou com a participação da Rede de Comunicadores e Defensores do MIQCB, fortalecendo o registro audiovisual e a divulgação das ações.
Vitória Sá, jovem da Rede de Comunicadoras e Defensoras do MIQCB, destacou que a experiência foi além do papel de comunicadora:
“Foi a primeira vez que chegamos antes para acompanhar toda a semana, e foi um período muito produtivo, de muito aprendizado. Esse trabalho de vocês, artesãos e artesãs, não é fácil. Algumas peças eu consegui pegar o jeito, outras não consegui.
Eu vim para fazer a comunicação, para registrar o trabalho de vocês, mas estou saindo daqui não só com fotos, estou saindo com aprendizado. Vocês estavam sendo ensinados por ela, mas também me ensinaram. E é isso que eu quero agradecer. ”
Aprendizado, saber ancestral e continuidade
Para o professor e artesão Acélio dos Santos Lima Brito, a oficina ampliou horizontes:
“Foi uma ajuda muito grande. Abriu minha mente sobre o conhecimento do artesanato. Eu não tinha dimensão de tudo que pode ser feito com o babaçu. Espero que mais jovens participem nas próximas etapas.”
Luseny Santos, coordenadora de base do MIQCB Regional Imperatriz, destacou que a oficina era um desejo antigo da organização:
“Era uma atividade que queríamos realizar há muito tempo. Mesmo com muitas demandas, conseguimos concretizar esse momento tão importante para a comunidade.”
Produção, organização e mercado solidário
A ação articulou três dimensões estratégicas:
MIQCB – Ação política, fortalecendo a organização e a formação crítica;
Grupo Pindova – Produção, ampliando a capacidade produtiva;
CIMQCB – Comercialização, estruturando a venda e agregação de valor às peças.
O processo incluiu cronograma de produção, divisão de tarefas, cuidados com saúde e alimentação, rodas culturais com os mais velhos e apresentação final das peças à comunidade.
Babaçu Livre é justiça climática
Ao investir na formação da juventude e na valorização do artesanato, o MIQCB reafirma que a defesa do babaçu é também defesa da floresta, do território e da vida.
A luta pela Lei do Babaçu Livre e pela regularização fundiária segue como pauta central para garantir o acesso das quebradeiras aos babaçuais e assegurar a proteção da sociobiodiversidade frente às ameaças do desmatamento e da grilagem.
Mais do que produzir artesanato, a oficina “Casa Babaçu: da Floresta para sua Casa” fortalece o protagonismo das mulheres, a autonomia econômica das comunidades e a construção da justiça climática nos territórios tradicionais.
Porque onde há babaçu livre, há floresta em pé, há território protegido e há mulheres organizadas transformando o presente e o futuro.
Quebradeiras de coco babaçu instalam Comissão de Monitoramento da Lei Babaçu Livre no Piauí e fortalecem controle social sobre os territórios
Nesta quarta-feira (25), na Casa dos Movimentos Sociais, em Teresina (PI), o MIQCB Regional Piauí, em articulação com organizações parceiras e o Governo do Estado, instalou oficialmente a Comissão de Monitoramento da Efetividade da Lei Estadual nº 7.888/2022, Lei Babaçu Livre. A iniciativa representa um passo histórico para assegurar que os direitos garantidos na legislação sejam efetivamente cumpridos nos territórios das quebradeiras.
A criação da Comissão ocorre pouco mais de três anos após a publicação da Lei Babaçu Livre no Piauí e consolida um instrumento permanente de controle social, com maioria de representação dos movimentos de quebradeiras de coco, agricultura familiar e outros segmentos de Povos e Comunidades Tradicionais (PCTs). O objetivo é acompanhar, fiscalizar e fortalecer a implementação da lei, garantindo o livre acesso aos babaçuais e a proteção dos territórios.
Controle social e fortalecimento institucional
A instalação da Comissão reafirma a centralidade das quebradeiras na condução das políticas públicas que impactam diretamente seus modos de vida, seus territórios e a sociobiodiversidade. Inspirada na experiência de Lago do Junco (MA), onde a Lei Municipal nº 01/2002 prevê uma comissão com poderes de questionar e até impedir autorizações de derrubada de babaçuais, a legislação piauiense incorporou a participação ativa das quebradeiras como eixo estruturante da governança ambiental.
Para Marinalda Rodrigues, coordenadora executiva do MIQCB regional Piauí, a Comissão é resultado direto da organização coletiva das mulheres:
“A comissão é fruto da organização das quebradeiras. O monitoramento é essencial para garantir que o direito ao acesso aos babaçuais seja respeitado na prática”, afirma Marinalda.
A Comissão se consolida como mecanismo de aprofundamento democrático, ao colocar o conhecimento tradicional das quebradeiras no mesmo patamar de importância que o conhecimento técnico-estatal, fortalecendo a participação política das mulheres nos espaços institucionais.
Aprovação do Regimento e organização interna
Durante o primeiro encontro, foram realizados três encaminhamentos centrais:
✔️ Aprovação do Regimento Interno
✔️ Eleição da Secretaria da Comissão
✔️ Estudo aprofundado da Lei Estadual Babaçu Livre
A presidenta da Associação das Mulheres Trabalhadoras do Coco Babaçu (AMTCOB), Helena Gomes, destacou a importância desse momento organizativo:
“A aprovação do Regimento fortalece nossa atuação coletiva e reafirma o compromisso com os territórios e com o bem viver”, pontua Helena Gomes, presidenta da AMTCOB.
A reunião contou com a participação do MIQCB regional Piauí, da AMTCOB, da APOIME, da Secretaria de Relações Sociais do Governo do Estado e das Secretarias de Meio Ambiente e Recursos Hídricos e de Agricultura Familiar, reforçando o caráter interinstitucional do processo.
Claudemir Duarte, diretor de Relações Sociais e Populares da SERE/PI, também reafirmou o compromisso do Estado:
“O Governo reafirma o compromisso com a implementação da Lei Babaçu Livre e com o diálogo permanente com o movimento”, destacou.
Lei Babaçu Livre, territórios e regularização fundiária
A efetivação da Lei Babaçu Livre está diretamente vinculada às pautas estratégicas do MIQCB, especialmente à defesa dos territórios tradicionais, à regularização fundiária e à proteção da sociobiodiversidade.
A Comissão surge como instrumento concreto para enfrentar conflitos agrários, impedir a derrubada ilegal de babaçuais e assegurar que o direito ao uso comum das palmeiras seja respeitado, mesmo em áreas privadas. Ao fortalecer o controle social sobre as obrigações estatais, o movimento avança na consolidação de direitos ambientais e territoriais historicamente reivindicados pelas quebradeiras.
Para Renata Cordeiro, assessora jurídica interestadual do MIQCB, o momento representa também um desafio político:
“A Comissão representa um avanço institucional importante, mas também evidencia o tamanho do desafio. Mesmo em um cenário democrático, é preciso firmeza, transparência e fundamento para não permitir retrocessos em direitos sob o argumento da governabilidade”, ressalta Renata Cordeiro.
Já Yaponyra Rodrigues, assessora jurídica do MIQCB Regional Piauí, destacou que a Comissão fortalece o protagonismo das mulheres na fiscalização e na defesa de seus direitos, garantindo que não sejam apenas destinatárias das políticas públicas, mas sujeitas ativas na sua implementação.
“A Comissão assegura que as mulheres sejam protagonistas na fiscalização e na incidência política. No entanto, sua existência formal não basta: é preciso compromisso político permanente, transparência e respostas concretas para que o monitoramento se traduza em proteção real dos babaçuais e resultados efetivos nos territórios.”
Protagonismo das mulheres e justiça climática
A instalação da Comissão de Monitoramento consolida a institucionalidade da luta das quebradeiras no Piauí e reafirma que a defesa dos babaçuais é compromisso político com a vida, os territórios e a autonomia das mulheres.
Ao garantir o acesso livre às palmeiras e fortalecer a governança participativa, o MIQCB avança na construção de justiça climática, na valorização da sociobiodiversidade e no protagonismo político das mulheres do campo, das águas e das florestas.
A mensagem é clara: sem território não há vida; sem babaçu não há autonomia. A luta segue por justiça, participação e pela plena efetivação do Babaçu Livre.
Quebradeiras de coco babaçu fortalecem Mesa Permanente de Diálogo no Piauí e avançam na defesa dos territórios
Nesta terça-feira (24), em Teresina (PI), o MIQCB regional Piauí participou da reunião da Mesa Permanente de Diálogo com o Governo do Estado do Piauí. O encontro reuniu lideranças das quebradeiras, representantes da Associação de Mulheres Trabalhadoras do Coco Babaçu (AMTCOB), a Secretaria de Estado de Relações Sociais, a Secretaria de Agricultura Familiar, de Meio Ambiente e Recursos Hídricos e o Ministério do Desenvolvimento Agrário, escritório Piauí, para avançar em pautas estruturantes como regularização fundiária, proteção dos babaçuais, financiamento direto e fortalecimento da organização das mulheres. A reunião reafirma o compromisso com a construção de políticas públicas voltadas à garantia de direitos territoriais e à defesa da sociobiodiversidade.
Diálogo institucional e garantia de direitos
A Mesa Permanente de Diálogo consolida um espaço formal de negociação entre as quebradeiras e o Estado, resultado direto da mobilização histórica do Movimento. Entre os encaminhamentos debatidos está o fortalecimento do Grupo de Trabalho Interinstitucional responsável por mapear e delimitar as áreas de incidência de babaçuais, medida estratégica para assegurar o livre acesso ao coco e a proteção social dos territórios.
Durante a reunião, o MIQCB também cobrou mais atenção institucional às ações desenvolvidas pelo Movimento em seus territórios. As lideranças destacaram que, além do apoio político, é fundamental que o Estado assegure condições concretas e estrutura adequada para que as iniciativas das quebradeiras aconteçam de forma contínua e efetiva, fortalecendo a autonomia das organizações e ampliando o alcance das políticas públicas.
Marinalda Rodrigues, coordenadora executiva do MIQCB regional Piauí, destacou a dimensão política do espaço:
“A Mesa Permanente de Diálogo reafirma que as quebradeiras de coco babaçu são sujeitas de direitos e protagonistas na construção das políticas públicas que incidem sobre nossos territórios. O mapeamento e a delimitação das áreas de babaçuais são passos fundamentais para garantir o livre exercício da coleta e da quebra do coco e a proteção social das nossas comunidades.”
Organização das mulheres e fortalecimento das associações
A reunião evidenciou o papel estratégico das associações de base na incidência e no acompanhamento das políticas públicas. A presença da AMTCOB reforça o compromisso coletivo com a defesa dos babaçuais e com a autonomia econômica das mulheres.
Helena Gomes, presidenta da AMTCOB, ressaltou:
“Quando o Estado reconhece a nossa organização, reconhece também a força das mulheres quebradeiras. Somos nós que sustentamos essa luta no dia a dia, garantindo renda, preservando os babaçuais e defendendo nossos territórios.”
Compromisso do Estado e construção conjunta
Representando o Governo do Estado, a secretária de Relações Sociais reafirmou o compromisso institucional com a continuidade do diálogo e com encaminhamentos concretos.
Núbia Lopes, secretária de Estado de Relações Sociais, afirmou:
“A Mesa de Diálogo é um compromisso do Governo com a escuta ativa e com a construção de políticas públicas em parceria com as quebradeiras. Nosso objetivo é consolidar medidas que garantam direitos, proteção territorial e fortalecimento das organizações.”
Pautas estratégicas do MIQCB
Durante a reunião, o MIQCB reafirmou suas pautas prioritárias:
Implementação e fortalecimento da Lei Babaçu Livre;
Regularização fundiária dos territórios tradicionais;
Financiamento direto para as organizações de quebradeiras;
Ampliação da participação política das mulheres nos espaços de decisão;
Defesa permanente dos territórios e da sociobiodiversidade;
Garantia de mais atenção institucional e estrutura para a execução das ações do Movimento nos territórios.
A Mesa Permanente de Diálogo, no Piauí, representa um avanço institucional construído a partir da luta das mulheres quebradeiras. Ao ocupar esse espaço com firmeza e organização, o MIQCB reafirma que a justiça climática começa pela garantia dos territórios e pelo reconhecimento do protagonismo das mulheres na defesa da vida, da floresta e da sociobiodiversidade.
Quebradeiras de Coco Babaçu fortalecem luta territorial em oficina de cartografia social na UFPI, em Teresina
Nesta segunda-feira (23), na Universidade Federal do Piauí (UFPI), em Teresina, as alunas do Curso de Formação em Governança e Direitos Territoriais das Quebradeiras de Coco Babaçu participaram de uma oficina prática sobre cartografia social, aprofundando o debate sobre território, identidade e direitos. A atividade integra o processo formativo promovido pelo Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB) e reforça a construção coletiva de instrumentos políticos para a defesa dos territórios tradicionais.
A oficina foi conduzida pelas professoras Elida Cardoso do Instituto Federal do Piauí e Carmem Silva, do Departamento de Cartografia Social da UFPI, além da professora convidada Adriana Miranda, do Departamento de Biologia, que dialogaram com as estudantes sobre o mapa como instrumento político, pedagógico e de afirmação das comunidades tradicionais.
Cartografia social: mapa como instrumento político de resistência
Durante a atividade, as educadoras provocaram uma reflexão crítica sobre o papel histórico da cartografia na definição de fronteiras, propriedades e políticas públicas, muitas vezes desconsiderando a presença e os direitos das comunidades tradicionais.
A professora Elida Cardoso destacou:
“O mapa não é neutro. Ele pode invisibilizar, mas também pode fortalecer identidades e tornar visíveis os direitos das comunidades.”
Já a professora Carmem Silva reforçou o caráter emancipatório da metodologia:
“É a comunidade que define o que é território, o que aparece no mapa e quais são as legendas”, subvertendo a lógica oficial da produção cartográfica tradicional.
Ao construir seus próprios mapas, as quebradeiras reafirmam que território não é apenas espaço físico, mas lugar de vida, cultura, trabalho, ancestralidade e pertencimento.
Formação política e autonomia territorial
O Curso de Formação em Governança e Direitos Territoriais integra a estratégia do MIQCB de fortalecer a organização política das mulheres quebradeiras de coco babaçu nos estados do Maranhão, Piauí, Pará e Tocantins. A formação articula conhecimento teórico, saberes tradicionais e instrumentos jurídicos e políticos fundamentais para a defesa dos territórios.
Para a coordenadora executiva do MIQCB regional Piauí, Marinalda Rodrigues, a iniciativa tem caráter estratégico para a luta coletiva:
“Quando a gente aprende a ler e a construir nossos próprios mapas, a gente fortalece nossa autonomia e reafirma nosso direito ao território.”
A cartografia social, nesse contexto, torna-se ferramenta de incidência política em pautas centrais do Movimento, como a Lei Babaçu Livre, a regularização fundiária dos territórios tradicionais, o financiamento direto às organizações de mulheres extrativistas e a ampliação da participação política das mulheres nos espaços de decisão.
Defesa dos territórios e da sociobiodiversidade
A oficina reafirma que produzir conhecimento a partir da própria vivência é também um ato político de resistência e organização. Ao mapear seus territórios, as quebradeiras evidenciam áreas de coleta, caminhos tradicionais, nascentes, roçados e espaços de uso comum, fortalecendo a defesa da sociobiodiversidade do babaçu frente às ameaças de desmatamento, grilagem e cercamento.
Para o MIQCB, a luta pelo território está diretamente vinculada à agenda climática global. A preservação dos babaçuais e dos modos de vida tradicionais contribui para a manutenção dos ecossistemas, da segurança alimentar e da justiça socioambiental.
Ao fortalecer o protagonismo das mulheres quebradeiras de coco babaçu na produção de conhecimento e na incidência política, o Movimento reafirma seu compromisso com a justiça climática e com a defesa dos territórios tradicionais.
Porque, para as quebradeiras, território é vida, organização e futuro.
MIQCB
MOVIMENTO INTERESTADUAL DAS QUEBRADEIRAS DE COCO BABAÇU