Da Escola ao Território: Alunos conhecem a economia sustentável das quebradeiras de coco

Na quarta-feira, 11 de junho, a unidade produtiva das mulheres quebradeiras de coco babaçu, localizada no território indígena Taquaritiua, na Aldeia Nova Vila (Viana-MA), recebeu a visita dos alunos do 6º ano da Escola Nossa Senhora da Conceição, do município de Viana. As mulheres que atuam na unidade fazem parte da Cooperativa Interestadual das Mulheres Quebradeiras de Coco Babaçu (CIMQCB) e do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB).

A atividade faz parte de um projeto pedagógico da escola voltado ao estudo da economia local, e teve como objetivo apresentar aos estudantes experiências concretas de geração de renda com base no uso sustentável dos recursos naturais. As mulheres quebradeiras compartilharam com os alunos a história de como começaram a se organizar social e politicamente por meio do MIQCB, bem como o processo de estruturação da cooperativa e da cadeia produtiva do babaçu.

Durante a visita, os alunos puderam conhecer os produtos desenvolvidos na unidade produtiva — como azeite de babaçu, mesocarpo (farinha do babaçu) e biscoitos — e compreenderam, a partir dos relatos das mulheres, que é possível viver e gerar renda a partir da floresta, sem destruí-la.

A apresentação foi conduzida por Rosa Gregória, diretora da CIMQCB, e Vitória Balbina, coordenadora executiva do MIQCB pela Regional Baixada Maranhense, com a participação de lideranças locais e equipe de assessoria.

“Ainda Estamos Aqui!” — MIQCB leva a voz das quebradeiras de coco às negociações globais sobre o clima em Bonn, Alemanha

Embora Belém do Pará esteja no centro das atenções por sediar, em novembro de 2025, a maior conferência global sobre o clima, é importante lembrar: as articulações internacionais começaram bem antes da COP30.

Com o objetivo de ampliar sua atuação e somar forças no cenário climático internacional, o Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu – MIQCB participou, entre os dias 10 e 13 de junho, da 13ª Reunião do Grupo de Trabalho Facilitador (FWG) da Plataforma de Comunidades Locais e Povos Indígenas (LCIPP), vinculada à UNFCCC. O encontro aconteceu em Bonn, na Alemanha, e integra um esforço global para garantir a participação efetiva de povos indígenas e comunidades locais nas decisões sobre a crise climática.

Além do MIQCB, estiveram presentes representantes de povos indígenas e comunidades locais de diversos países, como Brasil, México, Peru, Guatemala, Canadá, Bolívia e Ilha Dominica. A reunião contou ainda com representações de cinco continentes do planeta — América, África, Ásia, Europa e Oceania — um reflexo da diversidade e da importância global do diálogo promovido pela Plataforma LCIPP.

O objetivo central do encontro é assegurar que as políticas climáticas globais sejam informadas pelas perspectivas e saberes dos povos indígenas e comunidades locais, fortalecendo a justiça climática e a integração de conhecimentos tradicionais.

Estão participando das atividades a coordenadora executiva do MIQCB, Marinalda Rodrigues, e a assessora, Sandra Regina Monteiro. Durante a programação, Marinalda levou a voz das quebradeiras de coco ao centro das discussões internacionais. Em sua fala, ela declarou:

“Sou Marinalda Rodrigues, mulher, quebradeira de coco babaçu. Venho de uma comunidade local situada na transição entre o Cerrado e a Amazônia. Estou aqui para trazer a voz de mulheres de mais de 100 comunidades que vivem do uso sustentável da biodiversidade brasileira e que protegem o clima. Reivindicamos um processo verdadeiramente colaborativo de participação e engajamento nesta Plataforma.”

Em seguida, reforçou o chamado coletivo por justiça e reconhecimento:

“Estamos comprometidas com uma construção coletiva, mas isso só é possível com equidade e reconhecimento mútuo. Queremos ver mais comunidades locais presentes neste espaço, sendo incluídas nas negociações e nas decisões das políticas climáticas.
Nós ainda estamos aqui! E enquanto estivermos aqui, vamos seguir fazendo o que sempre fizemos: cuidando da Terra, defendendo nossos territórios, exigindo financiamento e justiça climática.”

A 13ª Reunião do FWG também teve como foco a implementação do Plano de Trabalho de Baku (2025–2027), estruturado em seis abordagens coletivas interligadas. Entre os principais temas debatidos, destacam-se:

✅ A eleição das novas lideranças do FWG;
✅ A transição para a nova coorte 2025–2027, com equilíbrio geográfico e de gênero;
✅ A revisão das abordagens coletivas e cooperação com órgãos da UNFCCC;
✅ O calendário de atividades obrigatórias de 2025;
✅ O encaminhamento dos mandatos da COP 29 (decisão 14/CP.29);
✅ Sessões práticas para operacionalizar cada abordagem coletiva.

Também participam das atividades as seguintes organizações brasileiras: Rede de Povos e Comunidades Tradicionais, Articulação PomerBR, Centro de Agricultura Alternativa do Norte de Minas – CAA, Rede Cerrado, Terra de Direitos, Operação Amazônia Nativa – OPAN, Instituto Centro de Vida, Fórum Popular Socioambiental de Mato Grosso – FORMAD, Instituto Sociedade, População e Natureza, Instituto Internacional de Educação do Brasil – IEB, Comitê Chico Mendes, Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira – COIAB e Instituto Clima e Sociedade.

Oficina estratégica

Realizada antes da 13ª sessão, a oficina preparatória contou com intensa participação das Comunidades Locais. Dela surgiram propostas como a criação de um grupo de trabalho exclusivo para Comunidades Locais (Povos e Comunidades Tradicionais, como chamados no Brasil), garantindo maior protagonismo nas discussões e na elaboração de propostas próprias. Também foi sugerida a leitura de um pronunciamento coletivo com reflexões sobre identidade e formas de representação no espaço internacional.

Na segunda-feira(09/06) aconteceu a reunião de nivelamento apenas com as representações dos movimentos sociais da delegação brasileira e na manhã do dia 10 de junho, aconteceu ainda uma reunião de alinhamento com o Ministério das Relações Exteriores, o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, representados por Marco Túlio e  Luiza Valadares, e diversas organizações de povos e comunidades tradicionais, aliadas no objetivo de assegurar a presença efetiva das comunidades locais nas discussões globais sobre o clima.

Ao final, os participantes reafirmaram sua adesão ao Acordo de Paris e reforçaram a importância de consolidar a LCIPP como um espaço realmente inclusivo. Reconheceram que, embora a participação das Comunidades Locais esteja prevista, ainda existem lacunas relevantes em sua implementação.

Com firmeza e união, encerraram a oficina com a força de uma declaração coletiva:
“Ainda estamos aqui!”

#ICS #FinaciamentoClimático #Miqcb #Clima #MudançasClimáticas #ComunidadesLocais

Quebradeiras de Coco tomam posse no Conselho Municipal dos Direitos da Mulher em Imperatriz (MA)

Nesta quarta-feira (4), no auditório da OAB, ocorreu a posse do novo Conselho Municipal dos Direitos da Mulher (CMDM) de Imperatriz, que atuará no triênio 2025-2028. Além da posse, foi realizada a primeira reunião do colegiado, que conta com representantes do poder público e da sociedade civil para discutir, propor e acompanhar ações e projetos em defesa dos direitos das mulheres.

O Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB) está representado por Zenilde dos Santos Silva, quebradeira de coco e conselheira titular, e por Maria José Silva, coordenadora executiva da Regional Imperatriz, como suplente. A presença de representantes do MIQCB reforça a importância de incluir as mulheres quebradeiras de coco na formulação e no monitoramento das políticas públicas de gênero no município.

Durante a reunião, foi destacado que o CMDM de Imperatriz é o único no Brasil a aprovar, 18 anos após a promulgação da Lei Maria da Penha, a criação de um centro de responsabilização para autores de violência contra a mulher. Além disso, Imperatriz conta com a primeira Vara da Mulher do Norte e Nordeste, demonstrando avanços significativos no combate à violência de gênero.

Representando o MIQCB, Maria José Silva ressaltou a importância de o conselho atuar com sensibilidade e escuta ativa para que as políticas públicas sejam de fato efetivas:

“Esperamos que essa nova gestão do CMDM seja propositiva, democrática e, acima de tudo, comprometida com a escuta ativa das mulheres. Nosso objetivo é garantir que as políticas públicas e os direitos das mulheres, principalmente aquelas em situação de vulnerabilidade, sejam respeitados e efetivados”, afirmou.

Com a nova composição, o Conselho Municipal dos Direitos da Mulher reforça o compromisso de ampliar o diálogo com a sociedade civil e de colaborar na construção de políticas eficazes para proteger e valorizar as mulheres de Imperatriz. Entre as empossadas, também estão a secretária de Políticas para a Mulher, Liana Melo, e a secretária-adjunta da pasta, Marita Ventura, que reafirmaram o compromisso de trabalhar em conjunto para fortalecer as iniciativas de enfrentamento à violência e promoção da igualdade de gênero na cidade.

Saiba como submeter projetos ao Fundo Babaçu pela modalidade de acesso por demanda espontânea

Queremos convidar você a conhecer e se inspirar com as oportunidades de acesso ao Fundo Babaçu por meio dos projetos de demanda espontânea. Essa iniciativa do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB) busca fortalecer as organizações de base e os grupos informais que atuam na proteção dos babaçuais e na defesa dos direitos das quebradeiras. Com recursos voltados para ações de geração de renda, regularização fundiária e conservação ambiental, o Fundo Babaçu é um aliado para transformar ideias em realidade.

Para participar, basta apresentar seu projeto detalhando como ele vai contribuir para o fortalecimento das quebradeiras de coco e para a defesa dos territórios. Os projetos podem ser apresentados tanto por organizações formais quanto por grupos informais, e contam com apoio técnico para facilitar o processo. Aproveite essa oportunidade para somar forças e construir, juntos, um futuro mais justo e sustentável para as comunidades tradicionais dos babaçuais.

Acesse o documento em anexo para conferir todas as orientações, prazos e condições de participação. Vamos juntas e juntos fortalecer essa luta!

Saiba mais:

Oficina consolida proposta de Lei sobre Agroecologia e Produção Orgânica no Tocantins

Evento reuniu movimentos sociais e organizações para fortalecer o PL colaborativo no estado; Documento deve ser levado a público a partir de agosto

Entre os dias 29 e 31 de maio, a Articulação Tocantinense de Agroecologia (ATA) promoveu, na Chácara da CPT, em Araguaína, a Oficina para Consolidação da Proposta de Política Estadual de Agroecologia e Produção Orgânica do Tocantins. A iniciativa reuniu organizações de movimentos sociais que vem fortalecendo a proposta de lei de forma participativa desde novembro de 2024.

A construção do projeto de lei (PL) parte da vivência de povos do campo, das águas e da floresta, representados pelas mais de 29 organizações que integram a ATA, mas conta também com o envolvimento de universidades, movimentos parceiros (sociais e urbanos) e representantes de instituições dos governos Estadual e Federal.

Eduardo Santana, da Comissão Pastoral da Terra (CPT), destacou a importância da construção coletiva. “Essa lei nasce dos movimentos sociais, de quem vive a realidade da agroecologia no dia a dia. Desde novembro estamos debatendo a proposta e nessa oficina revisamos e consolidamos o conteúdo que será apresentado em um seminário com representantes do legislativo e executivo do estado”, pontuou.

Desafios nos territórios

Dona Francisca Pereira, coordenadora do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB) e representante do Conselho Gestor da Alternativas para a Pequena Agricultura no Tocantins (APA-TO), reforçou a urgência da aprovação do PL diante das ameaças que as comunidades enfrentam. “Hoje drones pulverizam muitos agrotóxicos que afetam a nossa saúde. Precisamos do PL para enfrentar essas ameaças e o desmatamento nos territórios para proteger nossa forma de produção e modos de vida”, reforçou.

O que propõe o PL da Agroecologia

A proposta pretende preencher lacunas estruturais no apoio à agroecologia no Tocantins. Atualmente os produtores enfrentam dificuldades para acessar crédito, políticas públicas, mercados e assistência técnica, entre outros desafios. O PL da agroecologia busca garantir soberania alimentar e justiça social; fortalecer a geração de renda com baixo impacto ambiental; estimular a produção de alimentos saudáveis; valorizar os saberes tradicionais e a agricultura familiar; e proteger solos e águas contra o uso indiscriminado de agrotóxicos.

Próximos passos

A Articulação Tocantinense de Agroecologia segue fortalecendo os diálogos agroecológicos no estado. A mobilização continua com a campanha “Aprova PL Agroecologia – por justiça social e soberania alimentar” e com a realização de dois eventos importantes: o Encontro Tocantinense de Agroecologia, previsto para agosto, e o seminário de apresentação oficial do PL a autoridades estaduais, programado para setembro.

Texto e Fotos: Geíne Medrado/ Assessoria de Comunicação ATA (Articulação Tocantinense de Agroecologia) 

Povos e Comunidades Tradicionais entregam minuta de decreto presidencial para a titulação dos territórios tradicionais. 

Este instrumento é fundamental para garantir os direitos territoriais e os modos de vida dos Povos e Comunidades Tradicionais.

Luziânia, GO – 3/6/2025 – Na tarde desta terça-feira (3/6), durante a 1ª Oficina para a Construção do Plano Nacional de Desenvolvimento Sustentável dos Povos e Comunidades Tradicionais, realizada em Luziânia (GO), representantes do Conselho Nacional de Povos e Comunidades Tradicionais (CNPCT) entregaram à Secretária-Executiva do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), Fernanda Machiaveli, a minuta de decreto presidencial destinada à titulação de terras tradicionais, sinalizando um avanço decisivo em uma demanda histórica na luta pelos seus direitos.

A iniciativa destaca a urgência na proteção dos territórios tradicionais, garantindo os direitos dessas comunidades em meio a crescentes desafios socioambientais, como o avanço no Congresso Nacional do Projeto de Lei 2.159/2021, que desmonta o processo de licenciamento ambiental, principal instrumento de proteção ao meio ambiente diante do desenvolvimento de empreendimentos com potencial risco à natureza e populações. A expectativa do colegiado é que a minuta oriente o Governo Federal no reconhecimento e na titulação territorial.

Samuel Caetano, presidente do CNPCT, enfatiza: “Este decreto é uma prioridade urgente para garantir a proteção dos povos que preservam a biodiversidade essencial para todos nós. Sem justiça territorial, não existe justiça climática.”

Segundo a coordenadora do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu, Maria Alaides: “A titulação não é apenas um direito, é um marco na luta que travamos todos os dias para proteger nossos modos de vida e nossos territórios. Com essa conquista, vamos levar à COP 30 uma mensagem clara: o Brasil precisa respeitar quem protege a natureza e a vida.”

A assessora jurídica da Terra de Direitos, Marina Antunes, complementou: “Como sede da COP30, é fundamental que o Brasil avance na proteção territorial de povos e comunidades tradicionais. A preservação dos biomas e da biodiversidade pelos povos tradicionais tem sido, historicamente, uma medida concreta de enfrentamento da crise climática.”

A representante caiçara da Coordenação Nacional das Comunidades Tradicionais Caiçaras, conselheira titular no CNPCT e integrante da Rede PCTs do Brasil, ressaltou: “Para nós, este é um ato histórico, 20 anos após o primeiro Encontro Nacional de Povos e Comunidades Tradicionais. Estamos aqui novamente, realizando algo dessa grandeza. O acesso livre ao território é a principal reivindicação dos povos e comunidades tradicionais. Essa é a grande linha que nos une no Brasil, seja pela regularização ou pela defesa de nossos territórios ancestrais.”

O evento contou com a participação de diversas autoridades e reforçou o compromisso de implementar políticas eficazes que assegurem o futuro dos povos e comunidades tradicionais. O Plano Nacional de Desenvolvimento Sustentável de PCTs deverá prever ações, fonte orçamentária e metas a serem alcançadas nos próximos anos em relação à garantia da proteção territorial e acesso a recursos naturais, inclusão social, infraestrutura, fomento à produção sustentável e enfrentamento à violação de direitos humanos.

Fotos:

Rogério Cassimiro/MMA

Fernanda da Silva/Rede Cerrado

Renata Alves

André de Moraes/ISPN

MIQCB marca presença na Câmara dos Deputados e fortalece a luta por justiça climática com protagonismo das quebradeiras de coco

Organizações da sociedade civil, movimentos sociais e representantes de povos e comunidades tradicionais destacaram os impactos do racismo ambiental e da transição energética no Brasil durante o Seminário “Racismo Ambiental e Transição Energética Justa”, realizado nesta terça-feira (28/05), no Auditório Freitas Nobre, na Câmara dos Deputados, em Brasília.

A atividade, promovida pela Comissão da Amazônia e dos Povos Originários e Tradicionais, reuniu diversas organizações comprometidas com a justiça ambiental e os direitos dos povos e comunidades tradicionais.

O Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB) foi representado pela quebradeira de coco babaçu e liderança Eunice da Conceição e pela assessora Sandra Regina. Ambas reafirmaram a urgência de políticas públicas que contemplem os territórios e modos de vida das quebradeiras de coco, sempre à margem dos grandes investimentos da transição energética.

Durante sua participação, Eunice da Conceição denunciou os impactos do racismo ambiental sobre as populações tradicionais, destacando que ele se manifesta diariamente nos territórios onde vivem e produzem. “Sofremos racismo todos os dias. As grandes empresas chegam, devastam nossas terras para plantar eucalipto, soja e capim. E eu pergunto: o que será de nós? Nós não comemos eucalipto, nem capim. Vivemos do babaçu, da roça, da agricultura que respeita a natureza”, afirmou. Ela também chamou atenção para a pulverização aérea de agrotóxicos, que contamina rios, plantações e compromete a saúde das comunidades.

Eunice fez um apelo para que a Câmara dos Deputados olhe com mais sensibilidade para a realidade das quebradeiras de coco e dos povos tradicionais. “Queremos que os parlamentares leiam essa carta, que compreendam que somos nós, das organizações da sociedade civil, que estamos cuidando do meio ambiente. Precisamos de apoio, de políticas públicas, de projetos de vida. O financiamento climático deve chegar até nós, que já estamos fazendo a nossa parte na preservação dos nossos territórios e biomas”, concluiu.

Na ocasião, foi lançada a Carta “Sem Racismo Ambiental e com Transição Energética Justa”, organizada pelo Inesc (Instituto de Estudos Socioeconômicos), com contribuições fundamentais de diversas organizações populares. A contribuição do MIQCB está expressa nos itens II e VII, com destaque para a exigência de garantia de financiamento climático para Povos e Comunidades Tradicionais (PCTs), por meio dos Fundos Climáticos.

A proposta defendida pelas organizações de base dos PCTs, como o MIQCB, denuncia a exclusão histórica de comunidades tradicionais dos mecanismos de financiamento das políticas climáticas e ambientais. Mesmo sendo guardiãs da sociobiodiversidade e atuando de forma concreta na preservação de biomas como o Cerrado, a Caatinga e a Amazônia, essas populações seguem invisibilizadas nos repasses dos fundos públicos e internacionais voltados ao enfrentamento das mudanças climáticas.

A carta reivindica que os Fundos Climáticos, como o Fundo Amazônia e o Fundo Nacional sobre Mudança do Clima, priorizem o financiamento direto para as organizações de base dos PCTs, garantindo autonomia, protagonismo e justiça redistributiva nas ações climáticas.

A transição energética não será justa enquanto continuar invisibilizando as mulheres do campo, da floresta e das águas. O MIQCB reafirma seu compromisso com a luta por um futuro onde o financiamento climático seja distribuído com equidade, justiça e respeito aos territórios tradicionais.

Assista aqui:

Racismo ambiental e transição energética justa – Amazônia – 28/05/25: MIQCB marca presença na Câmara dos Deputados e fortalece a luta por justiça climática com protagonismo das quebradeiras de coco

Oficina e Intercâmbio das juventudes, CIMQCB e MIQCB: Juventude e Sabedoria Ancestral se Encontram na Sombra da Mãe Palmeira no Piauí

Uma jornada marcada por trocas potentes, escuta atenta e construção coletiva teve início nesta semana com a Oficina e Intercâmbio das juventudes, CIMQCB e MIQCB, reunindo mulheres quebradeiras de coco babaçu e juventudes das seis regionais (Maranhão, (Mearim-Cocais, Baixada e Imperatriz , Pará e Tocantins). O evento, que teve início dia 27 de maio e encerrou no dia 29, promove um verdadeiro mergulho na ancestralidade, na resistência e nos caminhos do cooperativismo e do fortalecimento das comunidades tradicionais. Na ocasião os participantes tiveram a oportunidade de conhecer a Unidade Produtiva das mulheres da CIMQCB, que fica localizada no território Fortaleza III, no município de Esperantina, além de uma visita no segundo território tradicional de Quebradeira de Coco Babaçu, o território Santa Rosa, situado na cidade de São João do Arraial/PI.

No primeiro dia de oficina, o diálogo intergeracional foi o centro da roda. Jovens e mulheres experientes compartilharam histórias de vida, memórias e trajetórias de luta, tendo a Mãe Palmeira como símbolo e inspiração. Em meio a conversas sobre cooperativismo e associativismo, as participantes refletiram sobre os desafios e conquistas da organização coletiva.

 “Ouvir as mais velhas me fez entender que o babaçu não é só uma planta, é uma forma de viver e resistir. Me deu ainda mais vontade de continuar na luta pelas nossas terras e tradições,” comentou Amanda Xavier, jovem participante da regional Tocantina.

As formações da jornada abordaram temas essenciais para o presente e o futuro dos territórios tradicionais, como:

✔️ Cooperativismo e associativismo

✔️ Cadeia de valor do babaçu

✔️ Formas organizativas de defesa de direitos

✔️ Sucessão rural, agroecologia e empoderamento feminino

“Quando falamos de sucessão rural e juventude, não é só sobre manter o trabalho, é sobre manter os sonhos vivos. Nossas cooperativas são frutos de resistência e precisam seguir com força nas mãos dos nossos jovens,” destacou Maria José, coordenadora da regional Imperatriz do MIQCB

Já nesta manhã de quinta-feira (29), os participantes visitaram a sede da Cooperativa de Mulheres da CIMQCB para conhecer, na prática, o processo de produção do azeite e do mesocarpo do babaçu, pilares da economia solidária e da autonomia feminina nos territórios.

 “É emocionante ver o que a organização das mulheres é capaz de construir. O azeite que sai daqui carrega muito mais do que sabor, carrega dignidade, tradição e luta,” afirmou Marinalda Rodrigues, coordenadora executiva do MIQCB no Piauí.

A coordenadora da CIMQCB enfatizou a importância desse encontro de gerações:

 “É nesse tipo de vivência que passamos o bastão. A juventude chega com energia e novas ideias, e nós, mulheres mais velhas, temos a história e a experiência. Quando unimos isso, ninguém nos derruba,” reforçou Helena Gomes, presidenta da CIMQCB.

A oficina seguiu com atividades práticas, rodas de conversa, e momentos de integração entre territórios. A Mãe Palmeira, testemunha silenciosa dessa construção coletiva, segue sendo símbolo de resistência, nutrição e afeto. E, com ela, cresce também a esperança de um futuro solidário, sustentável e feminista, enraizado na força das quebradeiras de coco.

Avanço histórico: Quilombo Monte Alegre caminha para a titulação definitiva

O Relatório Técnico de Identificação e Delimitação (RTID) é uma etapa essencial no processo de titulação de territórios quilombolas, sendo peça-chave para que o procedimento avance junto ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA). No caso do Quilombo Monte Alegre, localizado em São Luís Gonzaga (MA), o processo está formalizado desde 2004 e ainda aguarda desfecho.

Conflitos fundiários históricos e a omissão do INCRA ao longo dos anos têm impedido que a comunidade quilombola viva plenamente seu território. A presença de cercamentos ilegais, desmatamentos e disputas com nao-quilombolas tem aprofundado as tensões e colocado em risco o modo de vida tradicional da comunidade.

Em 2024, um novo esforço institucional do MIQCB junto ao INCRA foi iniciado. As Divisões de Quilombolas e de Assentamentos do INCRA/MA passaram a atuar de forma conjunta para combater a desinformação em torno da titulação quilombola e assegurar os direitos das comunidades quilombolas, quebradeiras de coco babaçu e agricultores familiares. A meta é retomar com celeridade os processos paralisados e garantir justiça territorial.

Na terça-feira (27), foi realizada uma reunião no galpão da comunidade Monte Alegre com a presença das equipes técnicas do INCRA. Na ocasião, os moradores quilombolas cobraram explicações sobre a lentidão do processo e reforçaram a urgência da titulação, relembrando os impactos causados pela omissão do Estado.

O Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB) segue ao lado do Quilombo Monte Alegre, fortalecendo a luta pelo território por meio do extrativismo do babaçu, dos sistemas agroflorestais e da organização das mulheres e juventudes quilombolas. A titulação coletiva é fundamental não só para o reconhecimento de direitos, mas também para a preservação ambiental e a continuidade dos modos de vida tradicionais que sustentam esses territórios ancestrais.

Território é identidade, resistência e futuro. Que a titulação venha com urgência e dignidade.

Juventudes do MIQCB participam da Pré-COP das Juventudes das Florestas no Pará

De 23 a 25 de maio, jovens amazônicos se reuniram em Santarém (PA) para a Pré-COP da Juventude das Florestas, denunciando violações de direitos e anunciando o bem viver como alternativa à crise climática.

Durante três dias intensos de diálogo, escuta e mobilização, jovens de diversos territórios da Amazônia se reuniram no Projeto de Assentamento Extrativista Lago Grande, no município de Santarém (PA), para a Pré-COP da Juventude das Florestas. A atividade reuniu representantes de movimentos sociais, universidades, coletivos e organizações, com destaque para a participação ativa da juventude do MIQCB, representando os estados do Maranhão, Tocantins, Pará e Piauí.

A abertura do encontro foi marcada pela terceira Romaria da Juventude das Florestas, um momento simbólico de caminhada e espiritualidade coletiva, reafirmando os laços com os territórios e com a ancestralidade que sustenta a luta dos povos da floresta.

O segundo dia concentrou os debates nas chamadas “tendas”, espaços temáticos organizados por diferentes grupos e instituições. Temas como agroecologia, justiça climática, segurança alimentar, mudanças climáticas e regularização fundiária estiveram no centro das conversas. As tendas funcionaram em formato de carrossel, permitindo que os participantes circulassem entre os temas, denunciando violações de direitos e impactos ambientais, mas também anunciando práticas de resistência e formas de viver em harmonia com a natureza, o chamado bem viver.

A juventude do MIQCB organizou a tenda “Nós Somos as Florestas de Babaçu”, espaço onde jovens promoveram uma roda de conversa para ouvir e dialogar com os participantes sobre suas percepções sobre mudanças climáticas, impactos ambientais e o que significa justiça climática em seus territórios. A dinâmica incentivou o compartilhamento de vivências e histórias ligadas à preservação ambiental, autonomia, segurança alimentar, lazer, cuidado com a terra e fortalecimento das raízes culturais e ancestrais.

“Compreendemos que justiça climática é garantir que essas histórias, memórias e espaços de vida continuem existindo”, afirmou, Valéria Silva, jovem do Pará. O encerramento da atividade contou com a construção coletiva de uma carta da juventude, compilando os principais debates e reivindicações surgidos nas tendas. Esse documento será encaminhado à ONU pela representante da juventude brasileira na próxima Conferência das Partes (COP).

“O evento foi um marco importante para consolidar a presença e a voz da juventude nos debates climáticos globais. A participação da Rede de Juventude do MIQCB reafirmou o compromisso das juventudes tradicionais e extrativistas em denunciar as injustiças e anunciar futuros sustentáveis, enraizados no bem viver e na defesa dos territórios”, disse Carla Pinheiro.

A Pré-COP da Juventude das Florestas reforça a mensagem de que as soluções para a crise climática já estão sendo praticadas nas florestas, nas comunidades e nas lutas cotidianas das juventudes amazônicas.






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